Vídeos: Discursos e agradecimentos na inauguração da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Anadia

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (foto e vídeos)

Foi em ambiente festivo que pelas 14.30 horas do dia 9 deste mês de Maio decorreu, no Auditório do Museu do Vinho Bairrada, situado na cidade de Anadia, a Cerimónia de Inauguração da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, presidida por José Carlos Francisco, na presença da Exmª Srª. Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Engª Maria Teresa Belém Correia Cardoso e do Exmº Sr. Vice-Presidente, Eng. Jorge Sampaio, bem como dos vários convidados presentes e texianos em geral.

Cerimónia de Inauguração da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal

A cerimónia teve início com um discurso inaugural da autoria do Presidente do Clube Tex Portugal, José Carlos Francisco, onde se deu as boas-vindas e se agradeceu aos presentes nesta Cerimónia de Inauguração, para além de se falar deste e de anteriores eventos realizados em Portugal, abordando um pouco da cavalgada de Tex pelo nosso país, assim como do relevo deste segundo grande evento realizado pelo Clube que contou com a presença de dois autores de Tex, tornando-se um marco importantíssimo da sua ainda curta mas já brilhante história.

Seguiu-se a intervenção da Exmª Srª. Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Engª Maria Teresa Belém Correia Cardoso, agradecendo ao Clube Tex Portugal e aos consagrados desenhadores italianos Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, para além de augurar um evento de grande sucesso e desejando que esta 2ª Mostra do Clube Tex Portugal fosse um novo sucesso, disponibilizando todas as infraestruturas do Município, que hoje em dia são bastantes, afirmando que estavam e estarão sempre de portas abertas para todo e qualquer evento a realizar no futuro pelo Clube, seja maior, menor ou igual a este, para que se possa desfrutar a arte, neste caso a 9ª, na capital da Bairrada, destacando igualmente o facto do Município de Anadia ter a felicidade e a honra de possuir dois dos maiores coleccionadores mundiais deste ícone da BD mundial.

José Carlos Francisco retomou a palavra para fazer as breves apresentações de Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, dando a conhecer os seus percursos profissionais até chegarem ao staff do Ranger tornando-se hoje dois dos mais apreciados desenhadores de Tex!

De seguida tomaram uso da palavra Pasquale Frisenda e Stefano Biglia sobretudo para agradecerem (em italiano) o facto de terem sido convidados para tão especial acontecimento mostrando-se agradados por saber que também em Portugal a banda desenhada italiana, Tex em particular, ser muito apreciada, mostrando-se também muito agradados pela forma como foram acolhidos em Portugal, mas também muito encantados com o local muito sugestivo desta 2ª Mostra do Clube Tex Portugal e de como a mesma foi organizada, afirmando ainda terem a certeza que passariam 2 dias muito agradáveis com a simpática família texiana de Portugal.

Para finalizar a memorável Cerimónia de Inauguração desta 2ª Mostra do Clube Tex Portugal e antes do Espumante de Honra (não nos esqueçamos que o evento foi na capital da Bairrada) oferecido pela Direcção do Clube Tex Portugal, foi exibido ainda um curto vídeo, realizado por Andreia Sofia Francisco, sobre os anteriores Convívios Texianos mostrando a eternização de momentos inesquecíveis das Cavalgadas de Tex por Terras Bairradinas!

Tex em Cores nº 27 tem capa INÉDITA

Por José Carlos Francisco

No próximo mês de Junho será posto à venda, pela Mythos Editora, no Brasil, a edição “Duelo na cidade morta “, o número 27 da série TEX EM CORES, colecção que apresenta as aventuras de Tex na ordem em que foram publicadas originalmente na Itália, desde a edição nº 1, em 1948 e cuja colorização foi feita pela Sergio Bonelli Editore para uma colecção de grande sucesso (Collezione Storica a Colori) que foi publicada na Itália entre 2007 e 2011, com a particularidade de se poder confrontar o “velho” com o novo Tex, inteiramente em “technicolor”.

Capa (inédita) de Tex em cores nº 27

A estrutura da colecção brasileira tem 240 páginas de quadradinhos, além das interessantes matérias da autoria de Sergio Bonelli e Júlio Schneider, numa parte introdutiva na qual o editor italiano na rubrica “Sergio Bonelli conta…” e o tradutor, consultor e articulista brasileiro em “Julio’s Tavern” – uma exclusividade da edição tupiniquim -, contam segredos e bastidores ligados à realização e ao sucesso de TEX na Itália e no Brasil. O menor número de páginas da edição brasileira (248 contra 304 da italiana) faz com que, a cada seis edições de Tex em Cores, sejam usadas cinco capas originais e uma nova capa inédita, tal como aconteceu com as capas da autoria de Claudio Villa no número 4, no número 15 e no número 21 e Aurelio Galleppini no número 9.

Capa e contra-capa de Tex em cores nº 27

Desta vez a capa é novamente de Claudio Villa e embora tenha sido publicada na Itália num póster Tex Nuova Ristampa é INÉDITA no Brasil e praticamente desconhecida na Itália porque é uma ilustração relativamente recente. Este facto torna esta edição da Mythos muito especial, até por já se saber que é muito desejada por leitores dos outros países que sempre procuram possuir este tipo de exemplares especiais, como se constatou com as edições nº 4, 9, 15 e 21 que tiveram vendas em bom número, sobretudo para Itália.

Ilustração original de Claudio Villa

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Sítio Internet da Sergio Bonelli Editore DESTACA a publicação PORTUGUESA do Tex Gigante “Patagónia”

Sítio Internet da Sergio Bonelli Editore DESTACA a publicação PORTUGUESA do Tex Gigante Patagónia

O Sitio Internet da Sergio Bonelli Editore, destacou no dia de hoje, 26 de Maio, a publicação em Portugal do Tex Gigante “Patagónia” com o selo da Polvo Editora, realizada no dia 9 deste mês de Maio, no mui nobre Museu do Vinho Bairrada e que contou com a presença de Pasquale Frisenda, num texto da autoria de Luca Del Savio intitulado “Patagónia em… Portugal!“, texto esse que damos a conhecer em seguida e que mostra assim que a editora italiana continua atenta a tudo que diga respeito a Tex em Portugal e sobretudo ao blogue português do Tex, indicando inclusive o nosso blogue para os leitores italianos que queiram saber mais sobre este inolvidável acontecimento do Ranger em Portugal.

[1] Artigo publicado no sítio Internet Sergio Bonelli Editore em 26 de Maio de 2015, por Luca Del Savio:

Patagónia em… Portugal![1]

O vigésimo terceiro Texone, assinado por Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, foi publicado em terras portuesas pela Polvo Editora: pela primeira vez, os entusiastas texianos locais podem desfrutar de uma edição totalmente sua e não importada do Brasil, come acontece tradicionalmente.

Patagónia em… Portugal! No site internet da SBE

A Polvo Editora eleva o nome de Tex novamente em Portugal: o vigésimo terceiro Tex Gigante,  “Patagónia” (escrito por Mauro Boselli para a esplêndida arte de Pasquale Frisenda) foi apresentado, no passado sábado, dia 9 de Maio, na cidade de Anadia, no decurso da 2ª mostra do Clube Tex Portugal, a qual já tinhamos dado anteriormente conhecimento numa precedente notícia.
O volume apresenta-se como um verdadeiro deleite para os aficionados texianos portugueses: nessa ocasião, de facto, pela primeira vez, uma aventura do Tex Gigante foi publicada por uma realidade editorial local, capitaniada pelo empreendedor Rui Brito.
Tradicionalmente, as aventuras do Ranger chegam depois de uma longa viagem oriunda do Brasil, onde a Mythos Editora as publica.

Entre outras particularidades, é de salientar que “Patagónia” foi traduzido para o português por um verdadeiro especialista e grande apaixonado pelo Tex como é o caso de José Carlos Pereira Francisco (Zeca, para os amigos), um dos maiores coleccionadores e especialistas texianos do mundo, presidente do Clube Tex e responsável do riquíssimo texwillerblog.

A edição publicada pela Polvo Editora repropõe “Patagónia” num volume de 18,5 x 24,5 cm, brochado com badanas, papel de qualidade, novos textos e ilustrações inéditas. O preço de venda ao público é de 16,99 €, com desconto para os sócios do Clube Tex.

A elegante versão portuguesa de Patagónia com o selo da Polvo, apresentada por Mauro Boselli com uma t-shirt de Alfama

[1] (Artigo publicado originalmente no Sítio Internet Sergio Bonelli Editore, em 26 de Maio de 2015) – Copyright: © 2015 Sergio Bonelli Editore & Luca Del Savio.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

A já ESGOTADA revista nº 1 do Clube Tex Portugal está a chegar aos mais recentes sócios do Clube

Por José Carlos Francisco

Lucio Filippucci com a revista do Clube Tex Portugal

A revista nº 1 do Clube Tex Portugal, que teve lançamento em Novembro do ano passado, no decurso do 2º Convívio do Clube Tex Portugal foi um enorme sucesso e hoje em dia está totalmente ESGOTADA pelo que os novos sócios do Clube ou demais texianos já não poderão adquirir através do Clube essa revista verdadeiramente histórica e já raríssima que foi alvo inclusive dos mais rasgados elogios por parte dos próprios autores de Tex assim como do staff do Ranger no Brasil.

Pedro Matsu com os itens do Clube Tex Portugal

Mas nos últimos tempos ainda houve alguns sócios felizardos que conseguiram um dos últimos exemplares, em especial os sócios estrangeiros que aderiram ao Clube aquando da abertura do Clube ao mundo, sócios esses que estão a receber os últimos exemplares como se comprovam nas fotos que publicamos a ilustrar este texto, casos do consagrado desenhador Lucio Filippucci, sócio honorário do Clube e dos sócios brasileiros Pedro Matsu, Antonio Carlos da Silva (Rouxinol do Rinaré) e Renato Alves da Silva que também elogiaram a revista.

Antonio Carlos da Silva (Rouxinol do Rinaré) com a revista nº 1 do Clube Tex Portugal e respectivo PIN

E por falar em elogios, eis os comentários do nosso prezado consócio Renato à revista que acaba de receber e que foi “devorada” de imediato: “Sou suspeito para falar qualquer coisa a respeito de Tex, já que tudo que diz respeito à mítica personagem italiana para mim tem muito valor, mas a revista Clube Tex Portugal nº 1, superou todas as minhas expectativas, começando pelo papel de alta qualidade, que permite que possamos guardar a mesma para o resto de nossas vidas e o conteúdo está irretocável, ainda mais que contou com a colaboração dos pards brasileiros Júlio Schneider (Hola, Amigo!) e Paulo Guanaes (Da indiferença ao sucesso estrondoso), as matérias sobre o 1º Convívio do Clube Tex Portugal do Carlos Moreira e a matéria de José Carlos Francisco sobre a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, me deixaram com inveja de quem esteve presente nos citados eventos e pôde desfrutar a companhia de tantos companheiros texianos, mas tenho certeza de que um dia participarei de algum evento relacionado a Tex aí em Portugal. Gostei muito das matérias sobre Pasquale Del Vecchio intitulada “Pasquale Del Vecchio percurso de um traço elegante” do Mário João Marques, a quem tive o grande prazer de conhecê-lo pessoalmente junto com o José Carlos, aqui no Brasil no ano passado, a matéria “O elo” de Sérgio Madeira de Sousa sobre a trajectória do grande G. Ticci nos desenhos de Tex e que para mim é um dos melhores desenhadores de Tex, se não o melhor, fico em dúvida entre ele e o Fabio Civitelli, que por sinal, para mim, foi o grande ausente na estreia da revista do Clube Tex Portugal, muito esclarecedora foi também as “Leituras e Apontamentos 2014” do Mário João Marques, bem como “A cor em Tex um longo caminho a percorrer” do Pedro Cleto, sobre as histórias de Tex em cores, que muitos não gostam, dando preferência ao preto e branco, mas para mim Tex é Tex, seja em preto e branco, seja em cores, desde que seja publicado, enfim uma publicação que guardarei como um destaque especial na minha colecção de Tex.“

Renato Alves da Silva exibe orgulhosamente o cartão de sócio e a revista do Clube Tex Portugal com o pin ao peito

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

As críticas do Marinho: “Patagónia”, a edição PORTUGUESA com o selo da POLVO

Tex Gigante  – Patagónia
Mauro Boselli (argumento)
Pasquale Frisenda (desenhos e capa)
Editora Polvo (
Portugal, Maio de 2015)
245 x 185 mm, 228 p., pb, brochado com badanas
16,99 €

Distribuição nacional a partir de Junho, com possibilidades de compra directa a nível mundial através do editor Rui Brito: ruibritobad@gmail.com
Para os sócios do Clube Tex Portugal o preço promocional de 15 Euros ainda se mantém pelo que caro consócio, se ainda não adquiriu o seu “Patagónia” com o selo da Polvo, não perca a oportunidade de o fazer o quanto antes para poder continuar a beneficiar deste preço promocional de uma edição maravilhosa que deverá esgotar daqui a algum tempo.
Entretanto informa-se que o livro “Patagónia” estará à venda no Festival de Beja, evento que decorre de 29 de Maio a 14 de Junho.

Por Mário João Marques

Pasquale Frisenda e o editor Rui Brito com a edição nacional de Patagónia

Coincidindo com a vinda de Pasquale Frisenda à 2ª Mostra do Clube Tex Portugal e com a edição portuguesa de Patagónia (*), numa louvável aposta editorial da Polvo, reuniram-se as condições para uma releitura desta notável aventura que tantas e tão boas críticas tem vindo a coleccionar desde que, em 2009, foi lançada em Itália no nº 23 dos Texone. Nascida de uma ideia de Sergio Bonelli, que pretendia envolver Tex na guerra do deserto na Argentina e dessa forma relatar os dramáticos acontecimentos que conduziram à completa destruição da população indígena, esta história rapidamente alcançou o galarim das melhores aventuras de sempre de Tex Willer, tendo merecido ao longo destes anos novas edições, não só em Itália como um pouco por todo o mundo, incluindo agora Portugal, marcando assim a estreia de uma aventura de Tex Willer numa edição totalmente nacional.

Quais serão as razões para que esta aventura tenha alcançado tanto sucesso? Várias haverá, sobretudo porque o leitor identifica em Patagónia uma aventura bem escrita e superiormente desenhada, cujo argumento e ambientes fogem dos cânones tradicionais do western, alargando desta forma o âmbito dos seus habituais leitores. Patagónia é uma bela aventura, épica, histórica, muito bem documentada, com um notável argumento de Mauro Boselli servido por uma grande prestação gráfica de Pasquale Frisenda. Uma aventura que tem muito daquilo que apreciamos, uma causa romântica, amizade, vingança, ódio, estratégia, honra, glória e sobretudo grandes personagens, características que já a levaram a ser classificada como literatura desenhada, capaz de respirar, de levar à reflexão, de suscitar fortes sentimentos e emoções junto de todos os leitores.

Patagónia, de Boselli e Frisenda, no idioma lusitano

Tex e Kit Willer viajam até às pampas argentinas, a pedido do capitão Ricardo Mendonza, para ajudar o exército no seu objetivo de trazer à justiça um grupo de índios, chefiado por Mancuche, um rebelde acusado de cometer sangrentos assassinatos e que gradualmente vai impondo derrotas ao exército, podendo deste modo influenciar outras tribos também a seguirem o caminho da guerra. Ricardo Mendonza é um oficial de finos e éticos princípios, preferindo o diálogo e a diplomacia, mas tudo se complica quando um novo general assume o comando do exército argentino e parece determinado a conseguir o domínio dos índios pela guerra.

Perante uma aventura que decorre num ambiente e num contexto histórico muito preciso, importa assim determo-nos um pouco sobre os contornos dos acontecimentos deste período marcante da História da Argentina. O país torna-se independente de Espanha em 1816, vivendo uma época de excitação e onde sopravam ventos nacionalistas e expansionistas. A região civilizada concentrava-se na costa banhada pelo Oceano Atlântico, onde desembocava o Rio de la Plata, mas a sudoeste abria-se uma região fabulosa, uma enorme extensão de planícies férteis prontas a ser transformadas num imenso campo cultivado. Era a Pampa sem fim, um território extremo, mas que pertencia desde há tempos imemoráveis às tribos índias, araucanos, mapuches e ranquels. A atenção do poder político voltou-se então para estas paragens, levando a que os vários grupos indígenas que habitavam a Pampa se reunissem em redor de caciques, com o intuito de resistir à ofensiva dos brancos, deixando as tradicionais rivalidades e tornando endémica a acção de guerrilha. Aos golpes dos índios seguiram-se as represálias do exército regular que, desta forma, foi avançando sempre um pouco nas suas posições. À medida que a nova linha de fronteira avançava os soldados construíam trincheiras e postos avançados ligados entre si.

Patagónia, arte de Pasquale Frisenda

Nas costas destas fortificações estendiam-se imensas zonas de cultivo e pasto oferecidas a novos colonos e que no fundo tinham sido subtraídas aos índios. Mais do que as armas, a fome e as doenças ajudaram a dobrar muitos dos chefes rebeldes, pelo que tribos inteiras entregaram-se apenas porque precisavam de comer. Infelizmente, o projecto político e militar passava por submeter os índios de uma vez por todas, deportá-los dos territórios ainda em seu poder ou então simplesmente extingui-los. O lema tornou-se: “extinguir, submeter ou dispersar.” Era uma aberta proclamação de uma guerra racial, culminando na limpeza étnica dos territórios cobiçados Não necessariamente por esta ordem, a verdade é que estas opções foram todas tomadas, uma vez que, na concepção do jovem Estado Argentino, as tribos locais constituíam uma barreira contra a civilização e contra o uso das novas terras. O avanço das tropas teve o efeito de um rolo compressor, despojando gradualmente estas terras dos seus ancestrais habitantes.

É neste contexto que Tex e Kit viajam até à Argentina, onde vão viver uma aventura com uma dimensão política enorme, participando na própria História deste país, quando já haviam participado na dos Estados Unidos. Existe assim um reviver de factos e acontecimentos, certamente com outros ambientes e personagens, mas forçosamente as mesmas causas e os mesmos motivos. A luta pela justiça em prol dos mais desfavorecidos, a luta por ideais e valores humanos, desta vez com o cenário do velho e poeirento Oeste a ser substituído pelas pampas argentinas. Se bem que rodeado por índios e gaúchos, a revolta de Tex perante o poder militar instituído, o mesmo que inicialmente solicitou a sua ajuda, vem confirmar um herói que não hesita em colocar-se contra a lei e confrontar-se com um poder, mesmo fora do seu habitat natural, sem atender a eventuais consequências. Uma atitude titânica, intensa, que revela uma moral inflexível e genuína, que revela um herói que toma a defesa de um campo sem atender às consequências da sua atitude, um herói que se sacrifica por um povo, suscitando um rol de emoções e sentimentos. Um Tex rodeado de homens no seu puro e literal sentido, homens que lutam pelo que acreditam, mesmo que em campos opostos, homens como Júlio, como Chonki, como Solano, como Mancuche, como Belmonte, como Recabarren, finalmente como Mendonza, que acaba por revelar-se numa personagem imensa e destinada a nunca mais ser esquecida.

Arte original para a pág. 77 de Patagónia

Não se tratando da sua primeira viagem a sul do território dos Estados Unidos, uma vez que já havia participado numa expedição até à Colômbia e ao Panamá na aventura Il Solitario del West de Guido Nolitta e Giovanni Ticci, com esta viagem até terras argentinas Tex assume um cariz universalista, uma personagem humana que difunde os seus valores, a sua conduta e a sua ética onde estes mais se façam sentir, mesmo que isso signifique viajar até ao outro extremo do continente americano. Curiosamente, em ambas as aventuras Tex viaja com o filho Kit Willer, assim como acaba por haver uma traição entre amigos, se bem que em Patagónia é Tex que vai desobedecer a Mendonza.

Este repescar de algo do passado da série, este permanente colher de influências na própria série, é suficientemente inspirador para Boselli. Quando Patagónia foi escrito, esta característica talvez ainda não estivesse perfeitamente definida, mas hoje, decorridos estes anos, já temos amplas provas que esse é o caminho pretendido pelo autor. Porque Boselli tem a perfeita noção que é este legado de Tex, composto por tantas histórias, acontecimentos, ambientes e personagens, é este rico património que justifica mergulhar no passado da série. Por isso, para além de colher influências em temas e histórias, Boselli assume também recuperar algumas personagens. Ricardo Mendonza é um perfeito exemplo, uma vez que, tendo lutado ao lado de Montales no México, é alguém certamente merecedor da maior admiração por cultivar os mesmos ideais civilizacionais que Tex, desta vez encontrando-se a viver a história do seu próprio país da mesma forma que o Ranger viveu a dos Estados Unidos. A sua luta pelos direitos daqueles que ancestralmente sempre ocuparam as terras, revela um certo manifesto pacifista e civilizacional que exalta o valor do diálogo e da compreensão pelas diferentes culturas e heranças históricas, contrapondo permanentemente os militares idealistas (tão bem caracterizado em Ricardo Mendonza) com aqueles mais sedentos da glória que o poder das armas possa proporcionar. Só uma personagem com tão altos valores e com um carácter tão bem vincado conseguiria convencer Tex a viajar até aos confins do continente.

Patagónia sublinha ainda uma outra característica do trabalho de Boselli na série: a gradual importância do papel de Kit Willer. Ao viver toda esta epopeia ao lado do pai, Kit Willer assume-se como um jovem em acumular de experiência, numa espécie de tirocínio ao lado de um mestre. Não é indiferente a vinda de Kit Willer com o pai, uma vez que, ao dividir de certa forma algum do protagonismo, Boselli demonstra a importância do filho de Tex na série, dotando-a de uma outra espessura, cimentando um percurso que se vai percorrendo ao longo de aventuras assumidas com maior ou menor protagonismo.

Em Patagónia não há falhas na caracterização de uma época e de um período histórico, não há falhas na construção das personagens, não há diálogos banais, não há cenas gratuitas. Patagónia é um épico mais lento e contido na primeira parte, dramático e emocionante nas páginas finais. Com Boselli, Tex volta a ser um herói de corpo inteiro, age como Tex, um herói capaz de congregar em si todas as principais características que outros autores, com maior ou menor enfase lhe conferiram, já que à espessura psicológica e dramática boselliana junta-se a inflexibilidade dos valores e da ética bonelliana, assim como os sentimentos e as dúvidas nolittianas.

Exemplares portugueses do Tex GIgante Patagónia

Muito do êxito da aventura se deve de igual forma à qualidade gráfica do desenho do milanês Pasquale Frisenda, suficientemente familiarizado com o western, depois da sua participação em séries como Ken Parker e Mágico Vento, assim como pela paixão que nutre por este género no cinema. O seu trabalho é apaixonante, de uma entrega total, revelador de uma enorme diversidade de enquadramentos, imenso nas cenas das batalhas, profundo na descrição dos ambientes, expressivo com as personagens e impecável na composição de Tex e Kit Willer. O trabalho de Frisenda denota um cuidado extremo na composição de cada desenho e de cada prancha. Um trabalho que se assume na sua plenitude tanto na primeira parte da aventura, com menos acção, como na intensidade e na atmosfera dramática que perpassa por toda a segunda parte. A sua composição das personagens merece também ser destacada, com o desenhador a construir uma galeria sem falhas e em momento algum o leitor as confunde ou tem dificuldades na sua identificação.

Patagónia é uma aventura especial, destinada a ser recordada como uma das melhores de sempre na série, pelo que a edição portuguesa da Polvo assume contornos ainda mais importantes, marcando assim uma estreia absolutamente fantástica. É notório o esforço, o cuidado e o carinho que a Polvo imprimiu e que ficou bem patente na emoção de Rui Brito, quando da apresentação desta edição na 2ª Mostra do Clube Tex Portugal. Grafismo moderno e sóbrio, papel de grande qualidade, uma impressão que respeita fielmente toda a qualidade do traço e do detalhe de Frisenda (elogiada pelo próprio) e uma tradução para a língua de Camões e de Portugal irrepreensível por parte de José Carlos Francisco (que também assina um artigo de apresentação muito competente), são pontos fortes mais do que suficientes. A cereja no topo do bolo foi servida a todos os que puderam estar presentes no lançamento desta edição, uma vez que puderam conviver pessoalmente com Pasquale Frisenda, obtendo do desenhador uma dedicatória especial e inédita. Parabéns à Polvo, na pessoa do seu responsável Rui Brito, e a todos os que contribuíram para que a edição portuguesa de Patagónia se concretizasse, esperando que possa vir a ser apenas a primeira de muitas outras.

Cerimónia de apresentação de Patagónia, no Museu do Vinho Bairrada, integrado na 2ª Mostra do Clube Tex Portugal

(*) O termo Patagónia terá derivado do facto de Fernão de Magalhães, quando da sua expedição à região, ter avistado um enorme indígena que lhe lembrou o gigante Patagón (o pé-grande), personagem da novela de cavalaria “Primaleón”, de Francisco Vazquez, de 1512. Provavelmente os patagones seriam os tehuelches, que tinham uma altura média de 180 centímetros, em comparação com os 155 cm de média dos europeus daquela época.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)