Por José Carlos Francisco (texto) e Carlos Moreira (fotos)
Director Carlos Moreira e as duas versões da revista nº 2 do Clube Tex Portugal
Infelizmente com um atraso notório, o que se deveu a problemas na gráfica a que somos alheios, a revista nº 2 do Clube Tex Portugal acaba de ser entregue aos responsáveis do Clube, que já durante esta semana que se está a iniciar irá começar a ser entregue e enviada a todos os sócios (com as quotas do mês de Junho de 2015 pagas) do Clube Tex Portugal, inclusive aos sócios não residentes em Portugal.
Editorial da revista nº 2 do Clube Tex Portugal
Trata-se de uma revista devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore e que feita por sócios do Clube para sócios já que a revista será somente distribuída aos sócios (embora cada sócio para além do seu exemplar gratuito poder comprar os exemplares que desejar), inclusive as duas magníficas capas (inéditas) foram realizada pelo sócio honorário do Clube, Fabio Civitelli.
Neste segundo número para além da preciosa colaboração de Fabio Civitelli nas capas, temos também a participação em exclusivo para a revista, dos autores Corrado Mastantuono, Lucio Filippucci, Andrea Venturi e Moreno Burattini. Teremos ainda trabalhos de Mário João Marques, José Carlos Francisco, Carlos Gonçalves, Rui Cunha, Sérgio Sousa, Jorge Magalhães, Pedro Cleto, Júlio Schneider, Carlos Moreira, António Lança-Guerreiro, Italo Marucci e Jorge Machado-Dias, um elenco de respeito e extremamente competente que certamente resultará em mais uma revista bastante elogiada e apetecida, ainda mais agora cuja periodicidade é semestral pelo que ainda este ano o Clube Tex Portugal irá publicar a revista nº 3, muito provavelmente em mais um convívio texiano a realizar no Cacém, lá para o final do ano.
Carlos Moreira exibe orgulhosamente as duas versões da revista nº 2 do Clube Tex Portugal
Entretanto quem não seja ainda Sócio, poderá fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui – e ter direito à Revista, pagando a jóia de inscrição de 5,00 € e a quota mensal de 2,00 € (2,50 € para sócios não residentes em Portugal), tendo também direito ao Cartão de Sócio, devidamente numerado e pin oficial de inscrição no Clube, pin esse, tal como a Revista, devidamente autorizado pela Sergio Bonelli Editore. As inscrições para sócio do CLUBE TEX PORTUGAL podem ser efectuadas via e-mail para José Carlos Francisco.
Por fim, pede-se aos sócios do Clube que conforme forem recebendo as suas revistas nos enviem fotografias e comentários alusivos à revista nº 2 para irmos publicando e divulgando aqui no blogue português do Tex para termos uma ideia mais fidedigna da forma como a revista está a ser vista por todos os nossos caros consócios de modo a podermos melhorá-la ainda mais no futuro!
Revista nº 2 do Clube Tex Portugal e as DUAS versões da CAPA, ambas da autoria de Fabio Civitelli
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Chuck Dixon, o primeiro americano a escrever para Tex
O consagrado escritor americano Chuck Dixon (nascido a 14 de Abril de 1954, em Filadélfia) anunciou na sua página pessoal no Facebook que está a trabalhar numa história de Tex para a Sergio Bonelli Editore:
“Não sei quem desenhará a história. Só sei que a apreciaram e que desejam falar comigo para novos projectos no futuro. Trata-se de uma história de 32 páginas centrada principalmente em Kit (Willer). O meu sonho é o de escrever uma longa e épica aventura de Tex.“
Trata-se de uma notícia histórica e de repercussão internacional porque será a primeira vez que um autor não europeu escreverá para a longa saga de Tex, já que a única excepção, até hoje, de abrir as portas do Ranger a escritores não italianos foi o falecido espanhol Antonio Segura.
Sobre a história em si, deve destinar-se a um dos próximos Color Tex outonais (contendo histórias curtas) ou ao novíssimo Tex Willer Magazine e provavelmente fará parte de uma edição especial dedicada às personagens “secundárias” de Tex, já que se nesta aventura escrita por Chuck Dixon a estrela principal será Kit Willer (embora na história também participem Kit Carson e Jack Tigre), também há rumores que estão a ser produzidas pequenas histórias centradas em Kit Carson (com desenhos de Alessandro Bocci) e Jack Tigre.
Na saga de Tex ao desenhador americano Joe Kubert juntar-se-á o escritor Chuk Dixon
Falando do prolífico escritor americano em si, Chuck Dixon é um argumentista de banda desenhada conhecido sobretudo pelos seus longos arcos em revistas do Batman na década de 90, mas o multifacetado escritor norte-americano também escreveu argumentos para as revistas A Espada Selvagem de Conan, Justiceiro, Cavaleiro da Lua, Robin, Bat-Girl, Asa Nocturna, Mulher-Gato e Aves de Rapina entre outros trabalhos, mas como fã confesso do género faroeste (que agora retoma com Tex) Chuck Dixon também foi o responsável dos textos de The Good, The Bad and The Ugly, da Dynamite, pelo que lhe auguramos um bom trabalho com o nosso amado Ranger.
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Numa deslumbrante ilustração de Claudio Villa vemos Tex Willer no pico mais alto do Saka Wata, a montanha sagrada, a assistir aos agradecimentos de Nuvem Branca, o chefe dos sioux, que tinha pedido um sinal ao Grande Espírito, sinal esse que foi ouvido e enviado na pessoa do próprio Tex que salvou a vida do chefe índio ao impedir que Cauda Manchada o matasse…
DesenhoINÉDITO no Brasil e inspirado na história “Uno strano incontro”, de Claudio Nizzi e Giovanni Ticci (Tex italiano #358 a #362).
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Roger Strong é um homem marcado por um dramático acontecimento vivido na sua infância, quando testemunhou o assassinato cruel dos seus pais às mãos de um bando de navajos, liderados por Scure Nera (Machadinha Negra), tendo no entanto conseguido salvar-se com a sua irmã. Ambos passam a viver em orfanatos, mas enquanto a irmã acaba por não resistir a uma doença, Roger cresce e segue por caminhos menos lícitos. Agora, minado por uma doença fatal, Strong efectua um último assalto na sua carreira, desta vez ao Silver Luck, um barco de jogo, mas antes de se retirar para paragens distantes, pretende vingar-se dos assassinos da sua família. Uma obsessão que o atormenta, por isso não vai recuar perante nada nem ninguém, massacrando, torturando e assassinando, deixando atrás de si um rasto de sangue inocente, até se deparar com Tex, Carson e… Scure Nera.
No pequeno texto introdutório a esta aventura é mencionado um velho provérbio chinês: “se queres vingar-te não te esqueças de reservar dois buracos, um para o teu inimigo e outro para ti”. Na realidade, esta aventura forte de Ruju parece dar razão a tamanha sabedoria oriental, uma vez que toda ela gira em torno da sede obsessiva de um homem em busca da sua vingança, deixando o leitor perante sentimentos díspares e demonstrando que, muitas vezes, nem tudo é como parece, o mundo não é perfeito, sobretudo a natureza humana quando movida por intenções para além do racional. A personagem de Roger Strong é disso perfeito exemplo, uma vez que, tendo conseguido escapar em criança aos acontecimentos dramáticos que mataram os seus pais, sem o carinho e os conselhos destes, acabará por enveredar por caminhos ilícitos, ficando doravante marcado por um fatídico destino desde tenra idade. Será que o seu destino seria outro, caso tivesse tido a oportunidade de ter crescido e de ter sido educado e formado ao lado dos seus pais? Nunca saberemos, mas o facto é que infelizmente a realidade demonstra que há muitos Roger Strong, muitos a quem os acasos mais ou menos dramáticos da vida vieram cercear uma oportunidade, apagar a luz que iluminasse o seu caminho, influenciando assim o seu futuro. Roger Strong é desta forma um homem marcado pelos acontecimentos dramáticos da sua infância, até ali feliz e pacata junto dos seus pais e da irmã, acabando por vir a crescer em orfanatos, anonimamente, mais um entre muitos sem eira nem beira, obrigados a precocemente aprenderem a conviver com a dura lei da vida.
Página inaugural de Na trilha da vingança
Ao apresentar uma personagem tão fortemente marcada pelo seu passado, Ruju deixa espaço suficiente à livre interpretação e opinião do leitor sobre qual a real personalidade das personagens e as suas motivações. A verdade é que nas personagens de Ruju nada é concretamente definitivo, levando a que, até certo ponto, o leitor possa compreender as suas reais motivações, sejam elas contrárias a leis, princípios e valores humanos estabelecidos. O ódio que Roger Strong nutre pelos índios, sobretudo por aqueles que dizimaram a sua família, explicará certamente muito da sua conduta e alguns leitores até poderão ser levados a concluir não estarem em completo desacordo com a mesma, mas torna-se incompreensível quando pelo meio muitos inocentes acabarão por ser arrastados numa vingança e abatidos sem piedade.
No meio de toda esta obsessão vingativa, surgem Tex e Carson, desta vez com um protagonismo diferente do habitual. Porque ambos correm sempre atrás dos acontecimentos e de um homem com sede de vingança e em luta contra o tempo que a vida ainda lhe destina. Porque a aventura é quase sempre dominada pela presença forte de Roger Strong e de Scure Nera, aquele fisicamente, o índio sobretudo nos acontecimentos narrados em flashback, apesar da sua intervenção no final dramático da aventura.
Página 100 de Na trilha da vingança
Finalmente, porque Tex e Carson nunca controlam os acontecimentos e pouca influência têm no seu desenrolar, com excepção do confronto final, onde o papel de Tex surge particularmente decisivo. Nesse sentido, numa perspectiva meramente conservadora e tradicional, arriscamo-nos a afirmar que se trata de uma aventura com Tex e não de Tex. No entanto, se Ruju se afasta de forma notória do modelo do herói marcante, preponderante e interveniente de Gianluigi Bonelli, acaba por aproximar-se do filho Guido Nolitta na forma como soube construir uma personagem como Roger Strong. E esta é a riqueza hoje em dia da série, servida por autores como Boselli e Ruju, capazes de introduzir gradualmente outras características que permitam a sua evolução e adaptação aos novos tempos, sem que isso signifique renegar uma herança ou desvirtuar os fundamentos criativos de Gianluigi Bonelli.
Confesso que não conhecia Sandro Scascitelli, nascido em Anagni em 1947 e com uma carreira iniciada em 1974, antes dos seus trabalhos em Tex, primeiro com a curta aventura Un covo di belve, publicada no Color Tex 4, e agora Scure Nera (título italiano), que afinal foi o primeiro trabalho do autor para Tex, apesar de publicado posteriormente à aventura a cores. O seu trabalho inicial não me tinha deixado uma forte impressão, mas não há dúvida que o seu traço, muito apurado e detalhado, adquire agora outra expressividade quando apresentado no seu preto e branco puro e original, realçando as evidentes qualidades que me pareceram ausentes na aventura a cores. Eventualmente por força de nos últimos anos se ter dedicado à ilustração, Scascitelli desenha as personagens com expressões por vezes pouco naturais e algo estanques, no entanto, merece aqui ser destacado todo o cuidado imposto pelo autor na composição das mesmas, sobretudo no vestuário e utensílios utilizados, mas também nos ambientes e nas cenas nocturnas que impõem fortes contrates. Excelente também a entrada em cena de Tex e Carson, com ambos a cavalgarem, como se o próprio desenhador estivesse a apresentar e a sublinhar perante o leitor, este é o meu Tex e este é o meu Carson. E as cenas seguintes sublinham mesmo esta nossa opinião, com os pards a serem apresentados em diferentes planos e perspectivas, concluindo num desenho de rara beleza de enquadramento, quando Tex e Carson se deparam, ao mesmo tempo e da mesma forma com que o leitor o faz, com a carnificina ocorrida na aldeia Hopi. Tex representou o regresso de Scascitelli à banda desenhada, tudo indicando que por aqui se manterá, uma vez que o autor já se encontra a desenhar uma nova aventura, novamente escrita por Pasquale Ruju, ambientada no México e a ser publicada num futuro Color Tex. Encontro marcado num futuro próximo.
Arte de Sandro Scascitelli em Na trilha da vingança
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Pelos mais variados motivos, alguns desenhos e estudos para capas de Tex foram sendo modificados ou mesmo reprovados, conforme foram sendo “evoluídos”, até se chegar à capa eleita que vai para a gráfica, ou seja, o trabalho de Claudio Villa em cada capa de Tex, passa por sucessivas fases de realização conforme já por várias vezes mostramos aqui mesmo no blogue do Tex e hoje damos a conhecer mais três exemplos desses esboços que tornaram-se assim obras inéditas e por isso mesmo desconhecidas pela maior parte dos leitores e fãs de Tex.
De modo a que possam ser admiradas e comentadas e também para eventual comparação mostramos os esboços das capas nº 615 e 633, esta última chegou a ser ponderada uma capa genérica, assim como de Tex – Collezione storica a colori nº 81, ao lado das respectivas capas publicadas:
Tex # 615:
Tex # 633:
Tex Collezione storica a colori # 81:
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