Póster Tex Nuova Ristampa 256

Póster Tex Nuova Ristampa 256

Em mais uma bela ilustração de Claudio Villa, vemos ao pôr-do-sol de uma tarde quente de Verão, no extremo sul do Arizona, Tex Willer e Kit Carson em plenos Montes Chiricahua, aproximando-se do acampamento de Cochise, sob a vigilância de uma sentinela apache.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #83 e inspirado na história “Il traditore”, de Claudio Nizzi e Fernando Fusco (Tex italiano #378 a #381).
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Texto de José Carlos Francisco

Tex na região vitivinícola de Anadia, numa belíssima arte de Massimo Rotundo

Por José Carlos Francisco

Em Abril compareça em Anadia e ganhe um Tex autografado por Massimo Rotundo

Nos dias 23 e 24 de Abril deste ano, realizar-se-á na cidade de Anadia, capital da região bairradina, a 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, onde obviamente não deixará de estar presente em grande destaque a personagem Tex Willer, não só pelas duas exposições associada ao Ranger, mas também pela presença dos conceituados desenhadores italianos Massimo Rotundo e Maurizio Dotti.

Brasão da cidade de Anadia

Como forma de agradecimento por este convite português e tendo em conta que o evento se realizará no Museu do Vinho Bairrada, Massimo Rotundo desenhou um bucólico Tex em plena região vitivinícola de Anadia (na prática colocou Tex ao lado de uma versão realística do brasão da cidade bairradina) tornando assim esta terceira presença do Ranger na capital da Bairrada, uma região rica e afamada pelo leitão, mas também pela produção de apreciados espumantes, muito mais especial, como podemos ver de seguida num desenho (colorido pelo próprio desenhador) que  o blogue português do Tex divulga para o mundo, mas sobretudo para os apaixonados Texianos portugueses em mais um inédito e exclusivo mundial.

Tex na região vitivinícola de Anadia numa belíssima arte de Massimo Rotundo

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Entrevista exclusiva: LUCA VANNINI

Entrevista exclusiva: LUCA VANNINI[*]

Entrevista conduzida por Mário João Marques, com a colaboração de Francesco Micoli, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Luca Vannini na arte caricatural de Bira Dantas

A entrevista ficou logo combinada quando Luca Vannini, a quem já apelidaram, juntamente com Pasquale Frisenda, como o verdadeiro herdeiro de Ivo Milazzo, presenteou a revista do Clube Tex Portugal com dois magníficos desenhos em exclusivo. Um encontro que foi possível com a inexcedível colaboração do nosso amigo e associado Francesco Micoli, que desde o início se prontificou a fazer a ponte entre as partes. Esta entrevista é um enorme orgulho para o Clube Tex Portugal, porque é mais uma etapa no regresso de Luca Vannini, desde há algum tempo afastado destas lides da banda desenhada.
Regresso que marca ainda o regresso do autor em Tex Willer, já que o mais recente Color Tex inclui Chindi, uma curta aventura a cores do ranger escrita por Luigi Mignacco. É desta forma que nos associamos a este regresso, tão reclamado e ansiado por tantos, de um valor com sobejas provas dadas na banda desenhada italiana (que vão para além de Ken Parker e Julia, apenas para citar as séries mais populares), assim como na ilustração, com um inegável talento por muitos conhecido e sobretudo apreciado. Sabendo de antemão que para alguns texianos Luca Vannini poderá ser ainda um perfeito desconhecido, acreditamos que esta entrevista contribuirá certamente para que todos possam ficar a saber quem é este desenhador de inegáveis qualidades.

Luca Vannini com a direcção do Clube Tex Portugal, Dezembro 2015

Luca, acabas de chegar a Tex, por isso nada melhor do que apresentares-te ao leitor texiano:
Luca Vannini: Nasci em Roma há 54 anos. Obtido o diploma no Iº Liceo Artistico della Capitale, voluntariei-me no exército, na escola de oficiais, nos pára-quedistas, a caminho da guerra no Líbano, mas rapidamente percebi que a carreira militar não era para mim, apesar do salário seguro e elevado daquela altura. Desmobilizado como tenente, encontrei ocupação como professor de desenho numa escola privada de Roma e foi durante uma pausa de trabalho que li no diário Il Messaggero um anúncio onde procuravam desenhadores (esboços e arte final para passar a tinta) para banda desenhada. Enviei desenhos a lápis e alguns “ignóbeis” passados a tinta. Não tinha qualquer técnica de banda desenhada, embora tenha sido um leitor discreto em jovem. Recordo-me que naquele tempo eu era apaixonado por Frigidaire, histórias “ácidas” de Andrea Pazienza e pelas obras-primas de Tanino Liberatore com o seu RanXerox. O facto é que alguns dias depois recebi uma chamada do responsável de um dos mais importantes estúdios de banda desenhada de Roma naquela época: o estúdio de Dino Leonetti. Dino era cenógrafo de cinema, tinha trabalhado com Gianni Polidori para o casting de grandes produções em Itália e na América e era amigo de Sergio Amidei, escritor e argumentista de cinema. Tinha-se empenhado num estúdio de banda desenhada para colmatar as lacunas que o cinema em crise tinha criado. Leonetti idealizou Maghella para a revista satírica Menelik, uma heroína da banda desenhada erótico-cómica italiana, talvez a primeira no seu género. Posteriormente, cedeu os direitos de publicação à Ediperiodici de Barbieri e Cavedon, empreendedores corajosos que enfrentaram a feroz censura daqueles anos, publicando vários livros de bolso sempre com contornos eróticos. Perguntou-me se eu tinha algum receio em tentar trabalhar nesta via, aceitei logo e, depois de um breve período de aprendizagem, tornei-me no desenhador de Casinella, sempre concebida por Leonetti, e em mais episódios de outras séries.
Foi um período inesquecível, sentia-me a mascote de um grupo formidável de profissionais, personagens incríveis que conseguiam criar aquela harmonia da provocação, camaradagem, inconformismo em enfrentar o trabalho que apenas o verdadeiro espírito dos romanos consegue apreciar. Trabalho que aumentava cada vez mais e que nos viu como primeiros colaboradores das edições Cioè, de Piscopo, dirigida a um público adolescente, até chegar a publicar para o Nuovo Intrepido, dirigido por Carlo Pedrocchi, onde, com argumento de Peppe de Nardo, com Billiteri comecei a experimentar novas cores e novas formas de linguagem visual. Entretanto, mudei-me para o interior, mas continuei a colaborar com o meu querido mestre Dino.

Este percurso vai permitir a Vannini chegar a uma série que marcou uma época, como Ken Parker, e trabalhar com dois monstros sagrados como Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo. Apesar de só ter desenhado as primeiras 56 páginas da última aventura da série (Faccia di Rame), esta curta participação não o impedirá de ser , juntamente com Ivo Milazzo, um dos autores que melhor aproveitou o sucesso de Ken Parker, nomeadamente ao fazer inúmeras ilustrações para galerias privadas que são hoje, justamente pela sua qualidade, muito procuradas.

Como surgiu a oportunidade de trabalhares em Ken Parker e quais foram as principais dificuldades?
Luca Vannini: Recordo-me que Milazzo telefonou-me a perguntar se eu estaria interessado em colaborar com eles. Não se pensa duas vezes. Lutei principalmente contra a minha insegurança, a minha autocrítica exagerada, o que abrandou muito o trabalho, mas no que respeita ao estilo de Ivo Milazzo, pude estudar a frescura do traço e, no que respeita aos enquadramentos, bastava confiar nas descrições muito detalhadas de Giancarlo Berardi, com um forte sentido de realização. Pensando bem poderia ter aproveitado melhor aquela experiência.

Em Ken Parker, Vannini tenta aproximar-se do estilo de Milazzo, deixando a crítica da altura surpreendida, adivinhando desde logo as enormes potencialidades do autor. Desde aí, o autor tem provado com um estilo mais pessoal, que o autor assume estar “em contínua evolução, assim o espero” e não ser definitivo.


Como defines o teu estilo?
Luca Vannini:
Tenho uma abordagem bastante empírica sobre o trabalho, mas é certo que a mão está agora “viciada e personalizada”. Durante a minha carreira estive fascinado por diversos estilos. Amei e amo loucamente a genialidade de Alex Toth e, durante algum tempo, transportei para as pranchas aquilo que pensava ter percebido do seu irrealizável estilo. Mas agora, depois de vários anos apenas a ilustrar para particulares, ainda imagino os volumes com tonalidades de cores. Preciso de reentrar novamente em pleno na normalidade do preto e branco, seguramente daqui resultará uma outra fase estilística.

O trabalho desenvolvido por Vannini em Ken Parker leva Giancarlo Berardi não só a escolhê-lo para a equipa de Julia Kendall, uma nova série então em preparação, como também para seu criador gráfico.


Como foi trabalhar em Julia?
Luca Vannini:
Giancarlo tinha ideias muito claras na construção da personagem de Julia Kendall. Graficamente, a referência para todos os desenhadores, que alternariam nos diversos episódios, deveriam ser os diversos estudos feitos por mim, ambientação e personagens principais, mas, no caso específico, Julia nunca deveria afastar-se das feições características da bela Audrey Hepburn. Para evitar distorcer a personagem, deveriam servir de referência esses desenhos de modelos feitos por mim.

Vannini tem um traço inegavelmente de grande qualidade, um traço que consegue contar a aventura através de uma simples ilustração, demonstrando ser um artista dotado e senhor de um talento perfeitamente habilitado e capaz de traduzir graficamente qualquer ambiente.


Ambientes, cenários e personagens, tudo passou a ser diferente em Julia. Aqui já adoptaste um estilo mais pessoal?
Luca Vannini:
Talvez a maior dificuldade tenha sido mergulhar no papel de uma mulher, encontrar um justo equilíbrio na sua interpretação e dar-lhe vida com uma correcta expressividade dos gestos e movimentos, com uma narração plausível e o mais possível fiel ao que Berardi entendia para a sua personagem.

Esta diferença entre paisagens, da fronteira com Ken Parker, para os ambientes mais citadinos de Julia, já deixava antever não existir uma clara preferência do autor por um ambiente específico.

Aprendi a admirar a natureza em todas as suas manifestações. Desenhar dá-me a oportunidade de observar longa e atentamente quantas maravilhas nos rodeiam. Transmitir as sensações que cada paisagem emana é sempre um desafio. Procuro sempre transmitir as mesmas sensações que desfruto quando desenho. O calor de um deserto ou as grandes extensões de neve do norte.

Sensações que Vannini poderá muito bem desenvolver numa série como Tex Willer. O autor desde há alguns anos que vem apresentando um conjunto de ilustrações do ranger que exaltam a figura não dó do herói, como de todo o ambiente que o rodeia. Exaltam a fronteira e as suas personagens, permitindo a Vannini exprimir a potência do seu desenho numa só ilustração.


Como surgiu então a oportunidade Tex Willer?
Luca Vannini: Vincenzo Marano, que durante muitos anos ocupou-se da venda das minhas ilustrações, propôs-me homenagear Tex, uma vez que as inúmeras ilustrações de Ken Parker arriscavam-se a inflacionar o mercado. Aceitei, mas devo reconhecer que os meus primeiros Tex oscilavam entre o obsceno e o ridículo. Gradualmente, fui abandonando a ideia de reinterpretar o Tex de Villa, estudei Ticci, Font, Fusco e o velho Nicolò. Até que, com a insistência de Maurizio Di Vincenzo, amigo e colega desde há 30 anos, encontrei a coragem necessária para pedir a Boselli se podia fazer uma prova para entrar na fileira de desenhadores oficiais de Tex. Voilà!


Ou seja, com Ken Parker e agora Tex Willer, já tiveste oportunidade em trabalhar com duas séries míticas. No entanto, apesar de se movimentarem nos mesmos ambientes, Tex e Ken Parker são personagens diferentes.
Luca Vannini: O
s seus códigos morais não entram em conflito, têm ambos um forte equilíbrio interior. Tex tem um grande sentido do dever, Ken Parker daquilo que é correcto. Em Tex, as personagens são concretas, os bons são bons e os maus são maus. No ranger há um sentido de camaradagem, respeito, amizade,  uma vontade em manter a legalidade, uma personagem bem definida num período particularmente violento na história do Oeste. O uso da força é parte integrante na vida de Tex. Tem objectivos bem definidos. Ken Parker é uma personagem típica dos romances de aventuras do final do século XIX e início do século XX. Poderia ter nascido da caneta de Fenimore Cooper, de Jack London. O seu itinerário romântico caminha em paralelo com a sua viagem retrospectiva, quase melancólica, envolve-se em aventuras onde frequentemente se depara com a terrível condição de se auto-questionar o que realmente vale. Situações, das quais, nunca se afasta. Um pouco de Coração das Trevas (Joseph Conrad) e um pouco de Ismael em Moby Dick de Herman Melville. Abre e fecha a aventura solitariamente. Uma bela personagem idealizada por um outro mito da banda desenhada italiana: Berardi.


E o que é Tex para ti, como o defines?
Luca Vannini:
Deixem-me contar uma história, uma bela recordação que nunca me canso de referir. O meu pai tinha uma confeitaria e, quando fechava a loja na hora de almoço, costumava vir a casa, comer e deitar-me consigo na sua cama para uma sesta. Ora, uma tarde acordei quando o meu pai já tinha regressado ao trabalho. Sobre a mesa de cabeceira encontrei, desenhado numa das folhas que o meu pai utilizava para anotar as encomendas dos clientes, um belíssimo Tex a disparar. Aqui está, para mim Tex é também esta mágica recordação do meu pai que, se ainda fosse vivo, ter-me-ia ajudado com todo o prazer. Ele adorava desenhar, mas o seu trabalho era bem diferente. Tex é a contínua passagem de uma lenda entre gerações.


O que significa para ti desenhar esta lenda como Tex Willer?
Luca Vannini:
Dizer que é uma grande honra seria óbvio de mais? Então passo a citar não sei quem que disse “Uma personagem de fantasia que desde há décadas permanece na berlinda seguramente que agora já ganhou vida”. Estou plenamente de acordo. Em algum lugar, num mundo paralelo, Tex e os seus pards estão agora acampados a comer carne seca com feijão. Estou certo disso.


Inspiraste-te em algum autor de Tex?
Luca Vannini: Certamente Ticci. Equilíbrio, peso, dinamismo, frescura.


Quais são as principais caraterísticas e dificuldades numa série como Tex?
Luca Vannini:
Nenhuma de relevante em particular, a não ser as que já referi. Sobre as dificuldades de elaboração estou a estudar, como já tinha feito com Julia, movimentos possíveis, modo de caminhar, expressões, posturas que possam enfatizar ainda mais o carácter de uma personagem. Mas tudo com moderação e equilíbrio.


Entre os pards, qual é o teu preferido?
Luca Vannini:
Tiger (Jack Tigre). Nativo por excelência e também porque tem o cabelo comprido, mas menos que o meu eheh!!


Como foi trabalhar a cores com Tex?
Luca Vannini:
No Tex a cores experimentei e apresentei várias soluções, mas foi decidido de comum acordo criar um produto tradicional colorido com ecoline. Mas eu gostaria de tentar novamente com os cartões coloridos como fiz nas pranchas de Billiteri que vos enviei. Poderia resultar num bom trabalho, veremos.


O teu futuro é com Tex?
Luca Vannini:
Só agora comecei, mas eu espero que sim. Adeus e até breve!

Assim o esperamos Luca, porque Tex e a banda desenhada precisam de um autor realista deste calibre, capar de construir um ranger muito sugestivo e representar um fascinante velho Oeste.


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[*] – Entrevista publicada originalmente na revista “Clube Tex Portugal nº 3” em Dezembro de 2015

Intervista esclusiva: LUCA VANNINI

Intervista esclusiva: LUCA VANNINI

Intervista condotta da Mário João Marques, con la collaborazione di Francesco Micoli, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Ciao Luca, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Per cominciare, una breve presentazione per i nostri utenti.
Luca Vannini: Sono nato a Roma 54 anni fa. Conseguito il diploma al I° Liceo Artistico della Capitale, mi sono arruolato volontario nell’esercito alla Scuola Ufficiali, nei paracadutisti, a cavallo della guerra in Libano, ma mi accorsi quasi subito che la carriera militare non faceva per me nonostante il
guadagno sicuro ed elevato per quei tempi.
Congedatomi da tenente, trovai un impiego come insegnante di disegno in una scuola privata di Roma e fu proprio durante una pausa di lavoro che lessi sul quotidiano “Il Messaggero” un annuncio dove cercavano matitisti e chinisti per fumetti. Mandai dei disegni a matita e alcune “ignobili” chine. Ero completamento digiuno di tecnica fumettistica anche se da giovane ne ero stato un discreto lettore. A quel tempo, ricordo, ero appassionato di “Frigidaire”, delle storie “acide” di Andrea Pazienza e dei capolavori di Tanino Liberatore con il suo RanXerox. Fatto sta che dopo pochi giorni ricevetti una telefonata dal titolare di uno dei più importanti studi di fumetto di Roma di quell’epoca: lo studio Leonetti. Dino era uno scenografo cinematografico, aveva lavorato con Gianni Polidori per i set dei tanti Colossal prodotti in Italia e in America ed amico di Sergio Amidei, scrittore e sceneggiatore cinematografico.  Aveva messo su uno studio di fumetti per colmare i vuoti lavorativi che il cinema in crisi aveva creato. Leonetti ideò Maghella per la rivista satirica Menelik, una eroina del fumetto eroticomico italiano, forse la prima nel suo genere. Cedette poi i diritti di pubblicazione alla Ediperiodici di Barbieri e Cavedon, coraggiosi imprenditori che sfidarono l’agguerrita censura di quegli anni pubblicando diverse collane pocket sempre a sfondo porno. Mi chiese se avessi remore nel provare a collaborare in questa direzione, accettai subito e, dopo un breve periodo di apprendistato, diventai il matitista di Casinella, sempre ideata da Leonetti, più episodi di altre collane.
Fu un periodo indimenticabile, mi sentivo la mascotte di un gruppo formidabile di professionisti, incredibili personaggi che riuscivano a creare quell’armonia di sfottò, cameratismo, leggerezza nell’affrontare il lavoro che solo il vero spirito dei romani possono apprezzare. Lavoro che si incrementava sempre di più e che ci vedeva primi collaboratori delle edizioni “Cioè”, di Piscopo, indirizzata ad un pubblico adolescenziale, fino ad arrivare a pubblicare per il “Nuovo intrepido” diretto da Carlo Pedrocchi, dove sulle sceneggiature di Peppe de Nardo con Billiteri, iniziai a sperimentare colori e nuovi modi di linguaggio visivo. Nel frattempo mi ero trasferito in campagna ma continuai a collaborare con il caro maestro Dino.

Come ti si è presentata l’opportunità di lavorare su Ken Parker e quali sono state le principali difficoltà?
Luca Vannini: Ricordo che mi telefono Milazzo chiedendomi se fossi interessato a collaborare con loro. Non ci pensai due volte. Ho lottato più che altro con la mia insicurezza, la mia esagerata autocritica, ciò rallentò di parecchio il lavoro, ma per quanto riguarda lo stile di Ivo Milazzo, avevo avuto modo di studiarne la freschezza del tratto e, per quanto riguardava le inquadrature, bastava affidarsi alle dettagliatissime descrizioni di Giancarlo Berardi dallo spiccato senso registico. Pensandoci bene avrei potuto godermi meglio quell’esperienza.

Come definiresti il tuo stile?
Luca Vannini: Ho un approccio piuttosto empirico sul lavoro, è certo però che la mano è ormai di suo “viziata e personale”. Durante la mia carriera sono rimasto affascinato da parecchi stili. Ho amato e amo alla follia il genio di Alex Toth e, per diverso tempo, riversavo sulle tavole quello che pensavo di aver carpito del suo inarrivabile stile. Ma ora dopo diversi anni di sole illustrazioni per privati immagino ancora i volumi con tonalità di colore, devo rientrare ancora in pieno nella normalità del b/n, sicuramente ne uscirà un’altra fase stilistica.

Com’è stato lavorare su Julia?
Luca Vannini: Giancarlo aveva già abbastanza le idee chiare su come il personaggio di Julia Kendall dovesse essere costruito. Graficamente il punto di riferimento per tutti i disegnatori che si sarebbero alternati nei diversi episodi dovevano essere i diversi model sheet da me fatti, ambientazioni e personaggi principali ma, nello specifico, Julia non doveva mai allontanarsi dal caratteristico volto della bellissima Audrey Hepburn. Tutto ciò per evitare che il personaggio fosse snaturato di volta in volta.

Ambienti, ambientazioni e personaggi, tutto è diverso in Julia. Per Tex, hai adottato uno stile più personale?
Luca Vannini: Forse la difficoltà maggiore fu il calarsi in panni femminili, trovare il giusto equilibrio nell’interpretazione e, dare vita con la giusta espressività di gesti e movenze, ad una recitazione plausibile e più possibile vicino a ciò che Berardi intendeva del suo personaggio.
Ho imparato ad ammirare la natura in tutte le sue manifestazioni. Illustrare mi da la possibilità di osservare a lungo e attentamente quante meraviglie abbiamo intorno. Trasmettere le sensazioni che ogni paesaggio emana è sempre una sfida. Cerco sempre di trasmettere la sensazione che provo nell’illustrare. L’afa di un deserto o il gelo ovattato delle distese del nord.

Come è nata l’opportunità Tex Willer?
Luca Vannini: Vincenzo Marano, che si è occupato da molti anni delle vendite delle mie illustrazioni, mi propose di omaggiare Tex, visto che le tante illustrazioni su Ken Parker rischiavano di inflazionare il mercato. Accettai ma devo riconoscere che i miei primi Tex oscillavano fra l’osceno e il ridicolo. Poi pian piano mi staccai dall’idea di reinterpretare il Tex di Villa, studiavo Ticci, Font, Fusco e il vecchio Nicolò. Fino a quando sotto la spinta di Maurizio Di Vincenzo amico e collega da 30 anni trovai il coraggio di chiedere a Boselli se potevo fare una prova per entrare nella schiera dei disegnatori ufficiali di Tex. Voilà.


Con Ken Parker e ora con Tex Willer, hai avuto la possibilità di lavorare su due serie mitiche. Tuttavia, nonostante si muovano negli stessi ambienti, Tex e Ken Parker sono personaggi diversi, non lo trovi?
Luca Vannini: I loro codici morali non sono in contrasto, hanno un forte equilibrio interiore. Tex ha spiccato senso del dovere, Ken Parker di ciò che è giusto. Nel Tex i personaggi sono delincati, i buono sono buoni ed i cattivi tali. Nel ranger c’è un senso di cameratismo, rispetto, amicizia, il voto a mantenere la legalità in un personaggio ben definito, in un periodo particolarmente violento nelle storie del West. L’uso della forza è parte integrante nella vita di Tex. Ha obbiettivi ben precisi. Ken Parker è il personaggio tipico dei romanzi di avventura fine ‘800 e primi ‘900. Poteva nascere dalla penna di Fenimore Cooper, da Jack London. Il suo itinere romantico è parallelo al suo viaggio introspettivo, quasi melanconico, si imbatte in avventure dove si trova molto spesso nelle tremende condizioni di chiedersi cosa vale davvero ; situazioni da cui però non si tira mai indietro. Un po’ Cuore di Tenebra (Conrad) e un po’ Ismaele nel Moby Dick di Melville. Apre e chiude l’avventura in solitudine. Un bellissimo personaggio ideato da un altro mito del fumetto italiano: Berardi.

Cosa è Tex per te, come lo definiresti?
Luca Vannini:
Mi permetto di raccontarti un episodio, un bellissimo ricordo che non stanca mai. Mio padre era rappresentante di alimenti dolciari e durante la chiusura pomeridiana dei negozi voleva tornare a casa, mangiare e portarmi nel lettone per schiacciare un pisolino. Ebbene un pomeriggio mi risvegliai quando mio padre era ormai tornato al lavoro. Sul comodino trovai, ricalcato su un foglio di carta copiativa che papà usava per le ordinazioni dei clienti, un bellissimo Tex che sparava. Ecco, per me Tex è anche questo magico ricordo di mio padre che se fosse ancora in vita mi avrebbe volentieri dato una mano. Amava il disegno ma faceva tutt’altro lavoro. Tex è il continuo passaggio di un mito di generazione in generazione.

Cosa significa per te disegnare una leggenda come Tex Willer?
Luca Vannini: Dire che è un vero onore parrebbe troppo scontato? Allora glisso citando non so chi disse che “Un personaggio di fantasia che da decenni rimane sulla breccia è sicuro che ormai ha preso vita”. Sorprendentemente d’accordo.  Da qualche parte, in un mondo parallelo, ora Tex e i suoi Pards bivaccavano mangiando carne secca e fagioli. Ne sono sicuro.

Ti sei ispirato in qualche autore di Tex?
Luca Vannini: Sicuramente Ticci. Equilibrio, peso, dinamicità, freschezza.

Quali sono le principali caratteristiche e le difficoltà in una serie come Tex?
Luca Vannini: Nessuna di rilievi in particolare se non quelle citate prima, sulle difficoltà di elaborazione sto studiando come fatto già con Julia, possibili movenze, andature, espressioni, posture che possano ancora di più enfatizzare il personaggio. Ma tutto con moderazione ed equilibrio.

Tra i pards, qual è il tuo preferito?
Luca Vannini: Tiger. Autoctono per eccellenza, e anche perché ha i capelli lunghi, ma meno dei miei eheh!!

Com’è stato lavorare con i colori in Tex?
Luca Vannini: Nel Tex a colori ho provato diverse soluzioni e le ho proposte, si è deciso di comune accordo di creare un prodotto tradizionale colorato con le ecoline. Ma mi piacerebbe riprovare con i cartoncini colorati come feci nelle tavole di Billiteri, che vi ho inviato. Potrebbe risultare un buon lavoro, vedremo.

Il tuo futuro è con Tex?
Luca Vannini: Ho iniziato da poco, spero comunque di sì. Ciao! A presto.

Caro Luca, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)