Jornal da Bairrada destaca a 3.ª Mostra do Clube Tex Portugal no Museu do Vinho

Jornal da Bairrada, de 31/03/2016
Texto da secção Culturas
ANADIA

3.ª mostra do Clube Tex regressa ao Museu do Vinho

A 3ª Mostra do Clube Tex Portugal vai realizar-se nos dias 23 e 24 de abril, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.

Jornal da Bairrada destaca a 3.ª Mostra do Clube Tex no Museu do Vinho

Pelo terceiro ano consecutivo, o Clube Tex Portugal, único Clube em Portugal dedicado exclusivamente a um herói da Banda Desenhada e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo, trará novamente, a Anadia, dois conceituados desenhadores italianos.

Para além da presença dos consagrados desenhadores italianos Massimo Rotundo (desenhador do mais recente Tex Gigante “Tempestade em Galveston“) e Maurizio Dotti (após uma longa militância no staff de desenhadores de Zagor e de Dampyr, recentemente pôs-se à disposição do Ranger, onde é já um dos autores mais aclamados pelos fãs de Tex), esta mostra contará também com duas exposições pessoais dos próprios autores com várias pranchas das suas histórias de Tex.

Depois do sucesso ocorrido com a 1.ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada em agosto de 2014 e que contou com a presença do consagrado desenhador italiano Pasquale Del Vecchio e da 2.ª Mostra ocorrida em maio do ano passado, com as ilustres participações dos desenhadores Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, ambas as Mostras ocorridas no Museu do Vinho Bairrada, a direção do Clube Tex Portugal dá a conhecer a todos os fãs e colecionadores da personagem Tex, assim como aos amantes da banda desenhada e ao público em geral que a 3.ª Mostra do Clube Tex Portugal, irá realizar-se novamente na cidade de Anadia.

Segundo José Carlos Francisco, presidente do Clube Tex Portugal, a mostra vai realizar-se em Anadia, devido ao interesse e apoio da autarquia bairradina, disponibilizando novamente o Museu para a realização de mais esta exposição Texiana.

Cada um dos autores italianos, como forma de agradecimento por este convite português, fez uma magnífica ilustração a cores exclusiva para o evento de Anadia, numa tradição já habitual e que ocorre sempre que um autor de Tex nos visita de modo a registar a sua passagem por Portugal.

Capa do Jornal da Bairrada de 31 de Março de 2016Copyright: © 2016 Jornal da Bairrada

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COMUNICADO DA MYTHOS EDITORA: O FUTURO DE TEX E DEMAIS PERSONAGENS BONELLI NO BRASIL

Prezados amigos leitores,

Acho que está na hora de esclarecer – com mais detalhes do que temos feito até agora – as dificuldades que estamos enfrentando para publicar quadrinhos no Brasil, Tex inclusive. Todos sabem e sentem na pele, e no bolso, o difícil momento político e económico que nosso País está passando, com uma crise de confiança no presente e no futuro. A disparada do dólar e do euro afeta direta e fortemente nossa atividade. Boa parte do papel usado nas revistas é importado e pago em dólar, assim como tinta e outros insumos. Até mesmo o papel nacional tem seu preço atrelado ao dólar. Assim sendo, a grande alta no preço dessas duas moedas, ocorrida no ano passado, fez disparar o custo gráfico das revistas. E também os royalties pagos à Bonelli, como são em euros, tiveram um crescimento grande.

Com o aumento no custo das revistas, e sem repassar para o preço delas, como deveria ser feito, nossa margem de lucro encolheu demais e algumas revistas – que já estavam bem perto do empate – começaram a dar prejuízo. Isso aconteceu com Zagor, Júlia e Tex Coleção. Outras, como Tex mensal, Tex Ouro, Tex Histórico perderam rentabilidade, mas não entraram no vermelho ainda.

Quando começamos a fazer Tex em Cores e Tex Gigante Colorido, imprimíamos na China por ser mais barato, mas na hora de honrar as faturas, com o aumento do câmbio, passamos a pagar cerca de 30% a mais. Claro que isso destrói qualquer planilha de custo, por isso, paramos de imprimir fora. Hoje, Tex em Cores vende um terço do que vendia quando a lançamos e Tex Gigante Colorido vende a metade do que vendia no início. Aumento de custo e queda nas vendas é fatal para qualquer publicação ou produto, seja uma revista, um calçado, um carro, uma televisão. Nossos estudos para imprimir em papel de qualidade inferior também mostraram que nem assim elas ficariam viáveis.

Quando pensamos em lançar a reedição da série Tex Anual (com o nome de Tex Platinum), claro que queríamos fazer em formato italiano, e até colorido! Só que os orçamentos gráficos e as recentes vendas de revistas mais caras mostraram que seria uma insanidade — venderia pouco e teríamos prejuízo, como está acontecendo com Tex em Cores, Tex Gigante Colorido, Zagor, Júlia e Tex Coleção. Pensamos até em desistir de lançar o Tex Platinum, mas resolvemos fazer ao menos a primeira edição – em formatinho e p/b mesmo – e ver o que acontece.

Muitos leitores têm saudade do tempo da Vecchi, Rio Gráfica, Record e Globo, sem se dar conta de que aquela foi uma outra época, uma outra vida, quando as revistas em quadrinhos eram praticamente a única distração dos jovens de então e vendiam vinte ou trinta vezes mais do que hoje.

Enfim, amigos, a decisão sobre o futuro de nossas revistas está em suas mãos. Podemos fazer só revistas de luxo, em tiragens pequenas, para aqueles poucos que têm condições de adquiri-las. Podemos ficar só com Tex mensal e mais dois ou três títulos Tex que não dão prejuízo. Podemos partir para as publicações on demand. A palavra final será de vocês. Em última instância, são vocês que irão decidir se querem continuar ou não lendo as maravilhosas aventuras desses heróis de papel. 

DVL (Dorival Vitor Lopes)
Mythos Editora

Editor Dorival Vitor Lopes e tradutor Júlio Schneider acompanham Massimo Rotundo e Maurizio Dotti na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco

* Os ilustres editor DORIVAL VITOR LOPES e tradutor JÚLIO SCHNEIDER acabaram de confirmar a sua presença na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, aceitando o convite realizado pelo Clube português, acompanhando assim as presenças de Massimo ROTUNDO e Maurizio DOTTI no evento a realizar nos dias 23 e 24 de Abril deste ano na cidade de ANADIA.

Júlio Schneider e Dorival Vitor Lopes confirmaram a sua presença na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal

Respondendo positivamente aos convites dirigidos pela Direcção do Clube Tex Portugal,o editor brasileiro de Tex Dorival Vitor Lopes e o articulista, redactor, tradutor e consultor editorial para as publicações Bonelli no Brasil Júlio Schneider confirmaram a sua presença na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, juntando-se assim aos prestigiados autores Massimo Rotundo e Maurizio Dotti, internacionalizando ainda mais o grandioso evento marcado para o fim de semana de 23 e 24 de Abril a realizar na capital da Bairrada, mais precisamente no mui nobre Museu do Vinho Bairrada, na pacata cidade de Anadia, que cada vez mais se consolida como a capital portuguesa da personagem Tex Willer.

3ª Mostra do Clube Tex Portugal decorrerá novamente no prestigiado Museu do Vinho Bairrada, em Anadia

Os dois membros do staff oficial de Tex no Brasil terão uma participação relevante no evento já que serão dois dos convidados que participarão no Workshop e na Conferência dedicada a Tex que constarão da programação oficial e cujas moderações estarão a cargos dos prestigiados críticos de BD, Pedro Cleto e João Miguel Lameiras e onde também participarão os dois famosos desenhadores italianos.

Massimo Rotundo estará na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal para autografar o seu Tex Gigante aos seus fãs portugueses

Recorde-se que cada um dos autores italianos, como forma de agradecimento por este convite português fez uma magnífica ilustração de Tex exclusiva para o evento de Anadia. Os apreciadores de BD presentes nos dias 23 e 24 de Abril, na capital bairradina, receberão uma cópia de alta qualidade (em formato A4) destes magníficos desenhos que comprovarão esta nova passagem de Tex por Anadia, devidamente autografado por cada um dos desenhadores, já que uma vez mais a Direcção do Clube Tex Portugal deseja oferecer uma recordação especial a quem prestigiar o evento marcando presença na bela cidade capital do leitão assado e do espumante.

Maurizio Dotti estará presente na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal onde fará alguns desenhos para gáudio do público

Para finalizar por hoje, informa-se que em breve serão divulgadas mais novidades (e que novidades…) a serem integradas nesta 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, um evento que atrairá à capital bairradina algumas centenas de fãs e coleccionadores não somente de Tex, mas de BD em geral, tal como aconteceu nos dois anos anteriores e onde tivemos as presenças de Pasquale Del Vecchio (2014), Pasquale Frisenda (2015) e Stefano Biglia (2015).

Clube Tex Portugal

Para fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui – e poder usufruir de todos os brindes e regalias do Clube, onde se incluem as revistas do Clube, é necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,00 € (2,50 € para não residentes em Portugal).

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JORGE MAGALHÃES (ilustre sócio do Clube Tex Portugal) – O Homem de quase todos os ofícios na BD

Gazeta das Caldas

Gazeta das Caldas, 25 de Março de 2016
Texto da secção Gazeta da BD
Jorge Machado-Dias

Argumentistas Portugueses de Banda Desenhada (4)
JORGE MAGALHÃES
– O Homem de quase todos os ofícios na BD
.

Geraldes Lino tem dito e escrito, muitas vezes, que em Portugal o argumentista é a avis rara da BD.

No entanto penso que Lino chama “aves raras” aos argumentistas portugueses, não só por terem sido em menor número que os desenhadores, mas sobretudo por serem muito menos conhecidos. São referenciados algumas dezenas de nomes de argumentistas em Portugal, desde Raul Correia – que já aqui referimos como argumentista de “Os Doze de Inglaterra” desenhado por Eduardo Teixeira Coelho –, Adolfo Simões Müller e Roussado Pinto (que assinava Edgar Caygill), até aos actuais David Soares, André Oliveira (ambos também desenhadores) e Nuno Duarte, que foram já tema de anteriores Gazetas da BD. Contudo, a proliferação de argumentistas na BD portuguesa deu-se especialmente enquanto durou o período dourado das revistas periódicas de banda desenhada, desde sobretudo de “O Mosquito”, iniciado em Janeiro de 1936, até ao último título, da periódica “Selecções BD”, que terminou a sua publicação no nº 31, em Maio de 2001. Depois desta data deixaram de se publicar revistas periódicas de Banda Desenhada, passando as apostas editoriais a valorizar o álbum.

E foi precisamente nas “Selecções BD”, que pontificou aquele que consideramos o “último” e o mais prolífico dos grandes argumentistas da BD portuguesa desse período das revistas periódicas: Jorge Magalhães.

Jorge Arnaldo Sacadura Cabral de Magalhães nasceu no Porto, na Rua de Cedofeita, a 22 de Março de 1938. Uma vez concluído o antigo Curso Liceal e, antes de partir para Angola, publicou contos nas revistas juvenis Mundo de Aventuras e O Mosquito (II série), em 1959 e 1960. Em Angola foi funcionário público, trabalhando no Instituto do Café de Angola. Aí viveu entre 1961 e 1973, em Luanda, Novo Redondo e Porto Amboim. Durante a sua permanência em Angola, colaborou activamente em periódicos locais como o Comércio de Luanda, onde coordenou a página juvenil, Trópico e n’A Província de Angola, sem esquecer a sua passagem pela rádio e pelo Teatro. Mesmo longe de Lisboa, publicou artigos sobre BD no jornal República, na revista Pisca-Pisca e outras publicações.

“A paixão pelas histórias aos quadradinhos nasceu, por assim dizer, logo que aprendi a soletrar. Nesse tempo, com cinco anos, já gostava de folhear o “Mosquito“, que me ajudou bastante a decifrar as primeiras letras. Fui sempre um leitor assíduo de revistas infanto-juvenis e, depois do “Mosquito” e do “Diabrete“, comecei a coleccionar o “Cavaleiro Andante” e o “Mundo de Aventuras“. Não houve praticamente revista de BD que não me tivesse passado pelas mãos.” Refere Jorge Magalhães em entrevista ao Blogue do Tex, conduzida por José Carlos Francisco.

Jorge Magalhães

Regressado a Portugal em 1973, trabalhou na Agência Portuguesa de Revistas, tornando-se em 1974 coordenador da célebre revista de BD Mundo de Aventuras (II série), entre outros títulos da editora (Mundo de Aventuras Especial e Selecções), traduzindo bandas desenhadas e escrevendo artigos e contos. Em 1976 foi um dos sócios fundadores do Clube Português de Banda Desenhada, onde chegou a ser membro da direcção, sendo esse ano marcado também pelo início da sua actividade como argumentista de BD, com “A Lenda de Gaia”, desenhada por Batista Mendes para o Mundo de Aventuras.

A partir de 1976, a sua actividade como argumentista de BD ganhou fôlego, no Mundo de Aventuras e depois em Quadradinhos (2ª série), Tintin, O Mosquito (5ª série), Jornal da BD, Jornal do Exército, BDN (suplemento do Diário de Notícias), etc. Trabalhou com os desenhadores Augusto Trigo (desenhador com quem mais colaborou), António Carichas, Chaterine Labey (sua esposa), José Abrantes, Vítor Péon, Zénetto, Eugénio Silva, Fernando Bento, José Garcês, Ricardo Cabrita, João Mendonça, Carlos Alberto Santos, Rui Lacas, etc… Os seus textos abarcam os temas históricos, passam por aventuras em África e, sobretudo westerns (o seu tema preferido). Em algumas histórias, como na do nº 369 (2ª série), de 6-11-1980 do Mundo de Aventuras, com o título “A Sombra do Gavião“, desenhada por Augusto Trigo, Jorge Magalhães assinou o argumento com o pseudónimo de Roy West.

Foi coordenador da totalidade da produção da Editorial Futura, incluindo O Mosquito (5ª série), dirigido por José Chaves Pereira, assim como dos excelentes Cadernos de Banda Desenhada. Editou, durante alguns anos, vários fanzines especializados: Fandaventuras, Fandwestern, e outros. Assinou, como argumentista, mais de duas dezenas de álbuns editados, desde 1985. Publicou artigos sobre banda desenhada em diversos fanzines, bem como no Especial Quadradinhos (de A Capital) e outras secções especializadas em jornais, assim como nas publicações de sua responsabilidade. Colaborou com textos para as Edições Época de Ouro, tendo assegurado a coordenação de O Mosquito – 60º Aniversário (1996). Para as Edições Rodrigues Chaveiro coordenou a revista de reedições americanas Heróis Inesquecíveis, em 1997. Foi redactor-chefe e coordenador da revista Selecções BD, da Meribérica Liber, desde o início da revista em 1998 até ao seu final em 2001. Editou, pelo Salão de BD de Moura, os cadernos “O Western na BD portuguesa”, “Victor Péon e os Western”, “Banda Desenhada e Ficção Científica” e “ Franco Caprioli – no Centenário do Desenhador Poeta”.

Jorge Magalhães mostrando orgulhosamente o seu artigo dedicado aos irmãos Blasco na revista do Clube Tex Portugal

Actualmente, como sócio do Clube Tex Portugal, escreve para a revista do Clube e mantém o seu blogue, “O Gato Alfarrabista – na sua Loja de Papel”:
https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/.

Fontes principais: Leonardo De Sá, “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal” (edições NonArte/CNBDI, 1999) e Entrevista para o Blogue do Tex, conduzida por José Carlos Francisco, em https://texwillerblog.com/?p=6659.

Copyright: © 2016 –  Jorge Machado-Dias; Jornal Gazeta das Caldas

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