Ilustração cheia de suspense, realizada por Claudio Villa, onde vemos Tex Willer em baixo de um embarcadouro em Boston, prestes a ser atacado à traição por Requin, um “tubarão” envolvido com tráfico de armas!
DesenhoINÉDITO no Brasil e inspirado na história “Missione a Boston”, de Claudio Nizzi e Fabio Civitelli (Tex italiano #414 a #416).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)
Ao olharmos para estes 11 episódios que Giancarlo Berardi e Renzo Calegari/Ivo Milazzo criaram, no intervalo do lançamento de algumas aventuras de “Ken Parker”, não duvidamos que esta é uma pequena série infelizmente, mas fabulosa na sua concepção. Digamos que os três autores, independentemente da ligação que já havia entre eles para a continuidade de escrever um, os textos e os outros dois artistas, desenhar, teremos que concluir que jamais três pessoas ligadas à banda desenhada se completaram tão bem entre si, como na produção desta série. O mesmo já tinha sido detectado no “Ken Parker”, pois Berardi é um portento nos argumentos, como Milazzo é nos desenhos daquele “herói” e como Calegari seria também nesta série. Em qualquer das duas séries as paisagens são fabulosas e nos detalhes de cada cena, não foram esquecidos os pormenores e os cenários adequados a um “western” bem documentado. Esta série seria inicialmente publicada em Itália na revista “Skorpio” em 1977/79.
Sete dos seus episódios foram desenhados por Calegari e quatro por Ivo Milazzo. O velho Oeste é muito bem retratado no viver quotidiano de uma pequena cidade, unicamente com um aglomerado de casas, tal como os antigos filmes de “cow-boys” em que um hotel, um bar, um bordel, o escritório do xerife, um armazém que vende tudo e poucos prédios mais, povoavam a pequena rua mais central da cidade. A série nem possui personagens fixas e aparece um ou outro assalto e muito poucos tiroteios. Não faltarão as mulheres do salão, os batoteiros, os párias, os pistoleiros com contas a ajustar e os caçadores de recompensas. Os índios aparecem unicamente em dois dos episódios…
As personagens vão rodando e aparece-nos uma jovem noiva chamada “Esther”, que tenta enganar o noivo, ao pensar roubar as suas economias, depois será um barbeiro chamado “John Eberhart”, que possui o “hobby” da fotografia e também o xerife “Bryan Walker”, um homem de grande integridade moral e que desempenha o seu papel de forma diplomática.
Outras personagens serão o ”Lenny”, empregado de balcão, cujo passado o persegue, depois é o médico “Elija Scot” que é aparentemente um homem tranquilo, mas que sabe usar a arma quando se torna necessário, um anarquista que tenta matar o presidente, viverá o seu momento de glória morrendo a seguir e temos ainda “Mike Donovan”, um “cow-boy” que tinha um passado turbulento. Temos igualmente “Hatfield”, um batoteiro cujo fim se avizinha ser breve e ainda nos restam mais as personagens, “Virgil” e “Quanah”, um caçador de peles e um índio…
Os episódios são pequenos, com doze páginas apenas cada um, com excepção do último com duas partes de doze páginas cada. As personagens desempenham o seu papel, como de um filme se tratasse, tal é postura de cada uma, no modo como é apresentada. Vamos ainda a ter acesso a um investigador ligado à Agência Pinkerton, célebre na sua época por perseguir e apanhar sempre o seu criminoso. Finalmente temos o último episódio, cujo enredo é dividido em duas partes e que marca o destino do tal “cow-boy”, os que o perseguem no início e o duelo final, num ajuste de contas sempre agradável de se assistir, ao mesmo tempo que a situação de uma criança refém dos opositores do nosso “cow-boy”, acaba por ter um final feliz, quando a esta é salva e se verifica a aceitação desta última personagem, no seio da sociedade da pequena cidade de Springville. Só temos pena de não termos o privilégio de ter acesso a novos episódios desta excepcional série, cuja qualidade ultrapassa o que de uma maneira geral tem sido criado por outros autores sobre este tema.
No Brasil a série “Welcome to Springville” seria publicada na revista “Histórias do Faroeste” a partir do seu nº. 12 (Novembro de 1980) e terminaria no nº. 22 (Setembro de 1981). Infelizmente as dimensões da publicação eram muito pequenas, pelo que a mesma não beneficiaria em nada o seu aspecto gráfico, antes pelo contrário.
IVO MILAZZO, UM DOS DESENHADORES DA SÉRIE
Ivo Milazzo nasceu em Tortona a 20 de Junho de 1947. Seria na década de 70 que juntamente com o argumentista Giancarlo Berardi criou a personagem “Ken Parker”, cujo sucesso passaria fronteiras. Outras séries seriam igualmente desenhadas por si, nomeadamente “L’Uomo delle Filippine”, “Welcome to Springville”, “Marvin, il Detective”, “Tom’s Bar”, “Giuli Bai & Co.” e “Magico Vento”. Mas o seu primeiro trabalho seria “Il Cieco” publicado na revista “Horror” italiana, cujo texto era de Berardi. Em 1974 os dois ofereceram a série “Ken Parker” à Sergio Bonelli Editore que seria aceite. Durante três anos recriaram a personagem baseada na figura do artista de Cinema Robert Redford e de uma forma em que a personagem tentaria ser autêntica, quase sem violência, apesar de na época em que a acção se passa, a vida ser rude no Oeste. E o nosso“herói” seria lançado. Em qualquer trabalho de banda desenhada sabemos que uma pesquisa terá que ser feita, para que o trabalho seja coerente e fidedigno. Quer este desenhador quer o autor dos argumentos, estudavam as situações antes de as criar. Ainda que autor de um traço mais simples, Ivo Milazzo tenta passar uma imagem visual directa para o leitor. Como prova de que o estilo do desenhador foi bem aceite, não há dúvida, já que o sucesso verificou-se e o “Ken Parker” foi editado na Turquia, Espanha, Grécia, Holanda, nos países eslavos, França e Brasil.
GIANCARLO BERARDI, UM ARGUMENTISTA DE PESO
Giancarlo Berardi nasceu a 15 de Novembro de 1949 em Génova, Itália e quando novo, possuía uma grande paixão pelo teatro e pela música. A sua estreia como argumentista dá-se no princípio dos anos setenta, quando escreve o texto de “El Cieco”, que Ivo Milazzo desenha. Segue-se “Il Palafita” também com Milazzo, “Tarzan”, “Gato Silvestro” e “Topolino” ainda nesse ano de 1970. No ano seguinte será a vez de escrever textos para a série “Diabolik”. Em 1974 é então que resolve oferecer o “Ken Parker” que Sergio Bonelli aceita e será publicado em 1977. Textos para “Wyatt Doyle” e “Terra Maledetta”, serão dois trabalhos seus que Gianni Forgiarini e Antonio Canale desenham respectivamente. Depois a série “Tiki” terá igualmente texto seus, o que acontece igualmente na série “Il Piccolo Ranger” com desenhos de Lina Buffolente. Em 1977 aparece então “Welcome to Springville”. A série retrata uma pequena cidade da fronteira, em finais dos anos 1800, com personagens quotidianas e felizes com as suas vidas simples. Em 1980 é a vez de criar a história ”L’Uomo delle Filippine”. Dois anos depois cria argumentos para“Marvin il Detective”.
Em 1985 é a vez de escrever argumentos para as séries “Ken Parker”, “Tom’s Bar”, “Giuli Bai & Co.”, “Tommy Stele” e “Sherlock Holmes”. Em 1989 e com a sua editora, ocupa-se a lançar de novo a sua série “Ken Parker”, o que o ocupará alguns anos. Em 1998 está de volta com a série “Nick Raider” e uma história de “Tex”. Será também neste ano que cria a sua nova série “Julia”, que irá igualmente atingir o sucesso merecido. Ao mesmo tempo o nosso autor é distinguido com vários prémios: Anafi, Oesterheld, Haxtur e Yellow Kid.
RENZO CALEGARI, O PRINCIPAL DESENHADOR DA SÉRIE
Renzo Calegari nasceu também em Génova a 5 de Setembro de 1933. Desde muito novo dedica-se ao estudo do desenho. Em 1955 dá os seus primeiros passos nas séries “El Kid” e “I Tre Bill”, seguindo-se a “Big Davy”. Mas uma das suas vastas produções irão estar ligadas à “Storia del West” em 1964, na criação de várias pranchas e de capas para essa série que seria publicada em Portugal e no Brasil. Em 1969 abandona temporariamente a banda desenhada, voltando unicamente em 1977 precisamente a desenhar a série “Welcome to Springville”. Segue a sua vida artística com algumas produções para as revistas italianas “Orient Express” e “Il Giornalino”. Ocupa-se a seguir de uma história de “Tex”, já em 1994. Trabalhos esporádicos acompanham-no ao longo de mais duas décadas.
Em 2014 e numa homenagem a este desenhador, a Mondadori Editore resolveu publicar um volume com a série completa, mas desta vez com as cores de Maurizio Mantero. Calegari é um excelente pintor e a prova disso está bem patente nos trabalhos paralelos que executa sobre o Oeste onde sobressaem as cores quentes em que é mestre.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Há alguns anos atrás…
O tempo passou, Fábio Hostin cresceu, mas a paixão que vinha desde os tempos de criança até hoje permanece viva, os quadradinhos saudosos, os álbuns de cromos que a cada colecção completada era uma vitória e uma alegria, os bonecos que ele brincava tardes e tardes, enfim isso tudo está presente através de fotos, vídeos e depoimentos sobre uma época de ouro que encantou gerações e gerações de crianças durante muitos anos e que agora volta através de um espaço criado para relembrar coisas boas da sua infância. Prepare-se, caro leitor do blogue do Tex para uma verdadeira viagem ao passado através do Túnel do Tempo… já que o Fábio Hostin vem compartilhar com os nossos leitores a sua colecção de “TEX”, mostrando em dois vídeos os 100 primeiros números, todos da 1ª edição! Então bora lá assistir aos vídeos, malta texiana:
Por José Carlos Francisco (texto) e Cristina Amaral (fotos)
João Amaral desenhando Tex Willer em pleno Convívio do Clube Tex Portugal
No decurso do 4º Convívio do Clube Tex Portugal, realizado em pleno Saloon Regiões situado em Cacém City onde foi entregue aos Sócios do Clube a revista nº 5 do Clube Tex Portugal, dois dos presentes foram agraciados com um desenho de Tex (para cada um deles) para gáudio de ambos os felizardos, mais precisamente os directores do Clube:Mário João MarqueseCarlos Moreira. Desenhos esses realizados pelo consagrado desenhador português, João Amaral, também ele um grande fã e coleccionador da mítica personagem italiana, e que obviamente acabaram por ser devidamente guardados como preciosidades que o eram depois de terem sido devidamente autografados pelo próprio autor.
João Amaral, artista português multifacetado de banda desenhada, que já conta com vários álbuns publicados: A Voz dos Deuses, História de Manteigas – No Coração da Estrela, Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve, História de Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens, Cinzas da Revolta e A Viagem do Elefante, para além de ter colaborado também no álbum Vasco Granja – Uma Vida. Mil Imagens e de ter publicado nas Selecções BD, Rua Sésamo, jornal Cruz Alta e Alentejo Popular e ilustrado o livro A Espada Desaparecida, de Fernando Bento Gomes e de ter efectuado também ilustrações para publicidade, tem sido inclusive uma presença constante nos eventos realizados em Portugal organizados pelo Clube do Tex!
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)