O Melhor Presente de Natal: “O segredo do juiz Bean” à venda na FNAC

Ler um livro impresso da “velha forma” ainda é um acto prazeroso para milhões de pessoas ao redor do mundo, mesmo com a popularização da Internet e o acesso praticamente livre a todas as obras literárias que se deseje através dos e-books, por isso os livros são um dos melhores presentes para oferecer a qualquer pessoa, em qualquer ocasião.

Símbolos da cultura e de inteligência, são um presente apreciado por jovens e adultos. Quando oferecemos um livro, devemos ter o cuidado de o escolher consoante os gostos da pessoa que queremos presentear. Afinal, o intuito é que ela entre na viagem que o livro consagra e desfrute ao máximo.

E neste Natal vamos sugerir um livro para si, prezado leitor do nosso blogue, de modo a que possa presentear-se a si próprio com algo que você, como fã e coleccionador de Tex, goste: o recente livro (de banda desenhada) de Tex com o selo da Polvo: “O segredo do juiz Bean“, com textos de Mauro Boselli e arte de Pasquale Frisenda.

Livro esse (“O segredo do juiz Bean“) que já se encontra à venda nas lojas FNAC espalhadas pelo país, tal como ainda se pode encontrar nas FNAC’s, Patagónia, outra das mais emblemáticas aventuras de Tex, igualmente escrita por Mauro Boselli e também superiormente ilustrada por Pasquale Frisenda, e “Tempestade sobre Galveston“, da dupla Pasquale Ruju (textos) e Massimo Rotundo (desenhos), ambos igualmente editados em Portugal pela editora Polvo, tornando-se assim qualquer um destes livros uma excelente oferta de Natal…

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Entrevista exclusiva: WALTER VENTURI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Walter Venturi caricaturado por Bira Dantas inspirado por uma arte de Pasquale Del Vecchio

Olá, caro Walter Venturi, bem-vindo ao blogue português de Tex! Como muitas crianças da sua geração, você cresceu a ler muita BD: às quais ficou mais ligado?
Walter Venturi: Olá a todos do Blogue, obrigado pelo convite! Eu comecei a ler ainda pequeno, divertia-me com os desenhos de Jacovitti, em seguida com os de Magnus, Pazienza, Giardino, Fenzo e os grandes mestres italianos, e depois vieram os super-heróis da Editora Corno, mas eu também lia com avidez todos os clássicos da BD, a sonhar sobretudo com os heróis da Bonelli, principalmente Zagor, Tex e Martin Mystère.

Quando é que você começou a familiarizar-se com lápis e pincéis?
Walter Venturi: Eu sempre desenhei, sabia que queria desenhar quadradinhos já por volta dos dez anos de idade e desde então jamais parei de exercitar-me.

A partir de 1994, com muita coragem, você auto-produziu uma série, Capitan Italia: o que nos pode dizer dessa experiência?
Walter Venturi: Por ter pouca prática no desenho, claro que ninguém publicava os meus trabalhos, então eu decidi apresentar-me ao mundo da BD com a minha resposta à moda dos vários super-heróis da americana Image, muito em moda na época. Assim nasceu Capitan Italia, algo meio trash e grotesco que foi bem recebido pelo público e que me permitiu publicar 12 edições que, no fim, acabaram por me servir como cartão de visita. Eu lembro-me bem de quando Sergio Bonelli ficou curioso e quis comprar o número um. Bastante emocionado, eu dei-lhe de presente e disse-lhe que era uma honra ver o meu trabalho a ser folheado pelo meu editor preferido!

Tempos depois, junto com Roberto Recchioni, você deu vida à série Lost Kidz, auto-produzida pelo grupo Factory: como nasceu essa série e como você a vê, depois de tantos anos?
Walter Venturi: A Factory era um grupo de amigos com muitas ideias e muita vontade de criar. Os três números de Lost Kidz, que eu desenhei em estilo americano-mangá, nasceram de uma ideia de Roberto Recchioni e o tema ainda hoje é actual, visto que fala de zumbis! A mini-série foi relançada em volume único em 2008, e pode até ser que no futuro próximo volte ao mercado.


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Como é que conheceu Roberto Recchioni e Lorenzo Bartoli?
Walter Venturi: Nós somos de Roma e, na época, não havia tanta gente ligada à BD, nós encontrámo-nos e daí nasceu uma boa amizade, daquelas a se conservar bem.

Com os dois argumentistas você fez alguns episódios de John Doe e Detective Dante: como foi trabalhar com os dois autores?
Walter Venturi: Na base de tudo está o facto de que éramos e somos amigos, e quando se trabalha em tranquilidade, tudo se torna mais leve, mesmo considerando que era o meu início com produções maiores e com mais páginas, com prazos precisos a respeitar, que a actividade tornava-se realmente a minha profissão e que trabalhei com todo o empenho possível. Mais uma vez agradeço ao Roberto e ao Lorenzo por me terem dado essa possibilidade e por terem acreditado em mim.

Quantos episódios você fez no total?
Walter Venturi: Dois de Detective Dante e cinco de John Doe, e mais três a fazer apenas a arte-final.

Depois de várias experiências com a Disney e com as Edições BD, com o número 16 de Brad Barron começou a sua actuação na Sergio Bonelli Editore: como você chegou à Editora?
Walter Venturi: De tempos em tempos eu enviava provas à redacção, que sempre eram descartadas pelo meu evidente despreparo, mas depois da experiência com John Doe e Detective Dante eu fui considerado pronto para ter material publicado, visto que, graças a Tito Faraci – que gostou das minhas páginas de Detective Dante – eu fui contactado por Mauro Marcheselli para trabalhar com Brad Barron. Quando recebi a ligação eu estava a almoçar e por pouco não me engasguei com a emoção, há tantos anos eu sonhava com aquele momento.

Depois de também desenhar Demian, sempre para a Bonelli, você fez O Grande Belzoni, um romance aos quadradinhos do qual foi autor completo (texto e desenhos): fale um pouco dessa experiência, que foi muito apreciada pelo público e pela crítica.
Walter Venturi: Eu fiquei fascinado pela semi-desconhecida figura de Belzoni graças a um documentário do History Channel. A vida dele era perfeita para um herói de BD, o MEU herói de BD! Depois de dez anos de pesquisas, intercalados com outros trabalhos, eu propus a minha ideia à redacção com um storyboard a lápis muito detalhado, legendado, em um volume bem costurado. Depois de folhear o material, Sergio Bonelli aprovou e eu comecei a desenhar. Infelizmente ele não pôde ver a edição impressa, mas eu sei que teria se divertido.


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No mesmo ano de 2013, com texto de Jacopo Rauch, você desenhou o primeiro Zagor Color: como nasceu esse trabalho zagoriano?
Walter Venturi: Há anos eu pedia a Moreno Burattini para deixar-me desenhar ao menos uma história de Zagor e, quando a chance apareceu, eu fui escolhido para inaugurar essa nova série. Para mim foi outra enorme alegria, porque finalmente eu podia trabalhar com uma das minhas personagens preferidas.

Nessa edição, além de uma interpretação eficaz das personagens, você mostra muita atenção ao elaborar os interiores, o que lembra certas páginas do grande Magnus no seu Tex Gigante. Essa aventura tomou-lhe quanto tempo?
Walter Venturi: A lição de Magnus está sempre presente no meu trabalho, é o autor que mais aprecio e que mais me inspirou. Eu até o homenageei na minha segunda história de Tex, no último quadradinho da última página! Quanto ao empenho, além de muitos estudos preliminares eu elaborei uma página por dia, como sempre.

Antes de passarmos às perguntas sobre Tex, fale um pouco da aventura de Zagor que você está a desenhar.
Walter Venturi: São três edições que sairão no final de 2017, escritas por Mignacco, com o retorno de Smirnoff, um inimigo implacável criado por Alfredo Castelli. A história é cheia de complôs, traições, enganos, índios, russos, fora-da-lei, soldados e o tragicómico conde La Palette, outra figura histórica do Espírito da Machadinha.


Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: como aconteceu o seu ingresso na equipa dos desenhadores de Tex?
Walter Venturi: Ao retornar de um festival em Zagreb, eu fui à redacção e cheguei no momento certo e no local certo, ou seja, a sala de Mauro Boselli e Giorgio Giusfredi. Eles propuseram a história curta do Color (n.t.: Tex Edição Especial Colorida, no Brasil e em Portugal), e eu aceitei de braços abertos: outro mito a encarar! Logo depois do Color, eu fiz uma história para a edição Magazine (Brasil e Portugal: Almanaque Tex), e em tempo recorde devido ao prazo de entrega bastante curto e, principalmente, à personagem com quem eu estava a trabalhar.


Como se sente a trabalhar com o Ranger?
Walter Venturi: Honrado e vacilante, dada a importância de Tex, mas sem hesitar muito. Eu ilustrei páginas e mais páginas sem grandes problemas. É claro que as primeiras histórias serão mais fracas, mas com um pouco de prática eu sei que não trairei o Ranger.


Ao desenhar Tex, você encontrou dificuldades?
Walter Venturi: Não muitas, além de dever dedicar mais atenção aos cavalos e à caracterização dos pards.


Você teve que modificar o seu estilo costumeiro?
Walter Venturi: Ao fazer o Color eu busquei fazer traços mais limpos, em função da cor, mas prefiro o branco e preto para os meus trabalhos.


Como define graficamente o seu Tex?
Walter Venturi: Eu uso como referência pilares como Villa e Ticci e, mesmo a considerar-se que eu jamais chegarei ao nível deles, sempre buscarei a melhor solução.


Nos últimos tempos vários desenhadores tiveram uma rápida passagem com Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. Na sua intenção, trabalhar com Tex será um compromisso duradouro?
Walter Venturi: Eu tenho um feeling particular com Zagor, com ele fico bem à vontade e ainda tenho muitos trabalhos a concluir, mas é claro que se o Ranger me convocar, eu não poderei recusar e devo estar sempre atento, sobretudo porque já temos um encontro praticamente acertado!


Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Walter Venturi: Tex é a justiça, aplicada de forma dura contra os duros. Algo contra? 🙂


Para concluir o tema, como você vê o futuro de Tex?
Walter Venturi: Como um monumento da BD italiana, um amigo de família que sempre estará com as portas abertas e, se deverá enfrentar momentos difíceis, será sempre acompanhado pelos seus fiéis leitores.


Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, leituras, actualização de informações, ócio, vida familiar?
Walter Venturi: Despertar às cinco da manhã e trabalho directo até às 13, almoço, sesta, mais trabalho até às sete, jantar, meio filme e, bum, dormir. Em média eu faço uma página por dia, mas já houve ocasiões em que entreguei 63 páginas num mês, às vezes até mais para outros editores. Em suma, de acordo com o tempo à disposição, também posso ser ainda mais veloz! No tempo livre eu gosto de viajar com a família e pescar.


Como é a sua técnica de trabalho?
Walter Venturi: Eu elaboro um sketch rápido da página, directo na folha impressa com o roteiro, em seguida faço o lápis e depois a arte-final com pincel. Eu gosto de juntar a documentação no início da história, faço os estudos de todas as personagens, dos cenários, das armas, para que tenha tudo sob controle antes de começar.


Como é o seu relacionamento com os argumentistas? As instruções que lhe passam são detalhadas ou a montagem do quadradinho é deixada à sua criatividade? Eles fornecem material informativo?
Walter Venturi: Eu trabalhei de vários modos, com amigos e não, com quem é mais detalhado e com quem é menos, há quem fornece mais documentação e quem nada fornece, há quem escreve um desenho animado (no sentido de que move tanto as personagens que só poderia ser feito em animação), quem deixa ao desenhador liberdade e responsabilidade pelas cenas, quem entrega duas páginas por mês – e faz o ilustrador correr para não ultrapassar o prazo – e quem entrega o roteiro pronto e completo! Sclavi dizia que “desenhador não é gente“, mas os argumentistas não ficam atrás!


Há outra série bonelliana com a qual você nunca trabalhou mas que gostaria de desenhar? Caso positivo, qual seria e porque?
Walter Venturi: Eu gostaria de trabalhar com Dylan Dog, não tanto por ele, mas pelo Groucho, vista a minha propensão ao grotesco; eu creio que me divertiria muito em criar a gestualidade dele. Também gostei demais da mini-série Greystorm e do recente Adam Wild, e daria pulos de alegria com Mister No e Martin Mystère.


A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você gostaria de fazer a chamada BD de autor como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Walter Venturi: A fronteira entre as definições popular e de autor é ténue. Os três nomes citados não são de nicho e são conhecidos por todos, logo também são populares. De todo modo, o meu objectivo sempre foi a BD made in SBE, essas são as minhas raízes.


Quais são os seus projectos imediatos?
Walter Venturi: Algumas ideias giram pela minha cabeça, com trappers e imperadores loucos, mas preciso arrumar tempo para pensar melhor, agora estou por demais ocupado com Zagor!


Quais BDs você lê actualmente?
Walter Venturi: Edições Bonelli, of course, e aquelas que chamam-me a atenção pelos desenhos; ultimamente tenho apreciado muito o trabalho de Matthieu Bonhomme, de Sean Murphy, de Ralph Meyer, de Goran Parlov, de Denis Bodart e muitos outros.

Além de BD, o que mais você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Walter Venturi: Enquanto trabalho eu escuto audio-livros, no cinema eu prefiro aventura e reconstruções históricas, gosto menos de ficção científica, divirto-me com terror e com os monstros gigantes – não vejo a hora de apreciar Kong: Skull Island! Ouço principalmente hardcore, metal, techno, e, até há poucos anos, eu cantava em uma banda chamada Down Kids – há alguns vídeos no YouTube.

Bem, chegamos ao fim. Você gostaria de dizer algo mais? Algo que não lhe foi perguntado e que você gostaria que os nossos leitores soubessem?
Walter Venturi: Eu sou muito ligado sentimentalmente a Portugal. Em criança, quando eu deixava a minha avó Anna nervosa, ela ralhava e, para se livrar de mim, dizia em dialecto romano “E vatte a fa ‘n giretto in Portogallo!” (Vá passear em Portugal), no sentido de que eu deveria ir para bem longe, para um País na visão dela exótico e distante da Itália! Então, espero logo estar com vocês e finalmente poder visitar o vosso País! Obrigado pelo interesse e viva Tex!


Caro Walter, agradecemos muitíssimo pela entrevista que muito gentilmente nos concedeu.

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Intervista esclusiva: WALTER VENTURI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.


Ciao, carissimo Walter Venturi, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Come molti ragazzini della tua generazione, sei cresciuto leggendo moltissimi fumetti: quali sono stati quelli a cui sei più legato?
Walter Venturi: Ciao a tutti voi del blog, grazie per avermi invitato! Ho iniziato da bambino divertendomi con i disegni di Jacovitti per poi passare a Magnus, Pazienza, Giardino, Fenzo e ai grandi maestri italiani, poi arrivarono i supereroi della Corno, leggevo avidamente anche tutti i classici della BD ma soprattutto sognavo con gli eroi della Bonelli – Zagor, Tex e Martin Mystère su tutti.

Quando hai cominciato a prendere confidenza con matite e pennelli?
Walter Venturi: Disegno da sempre, sapevo di voler disegnare fumetti già intorno ai dieci anni e da allora non ho mai smesso di esercitarmi.

A partire dal 1994, con molto coraggio, autoproduci una serie, Capitan Italia: puoi parlarci di quell’esperienza?
Walter Venturi: Essendo ancora acerbo nel disegno, nessuno logicamente mi pubblicava, così decisi di presentarmi al mondo del fumetto con la mia risposta alla moda dei vari supereroi della Image, tanto in voga all’epoca. Ne uscì Capitan Italia, dal gusto trash e grottesco, che ricevette un buon riscontro di pubblico e che mi permise di pubblicare 12 albi. Mi servirono, alla fine, come biglietto da visita. Ricordo chiaramente quando Sergio Bonelli volle assolutamente comprare il numero uno, incuriosito. Emozionatissimo glielo regalai, dicendogli che per me era un onore vederlo sfogliare dal mio editore preferito!

Tempo dopo, con Roberto Recchioni, dai vita alla serie Lost Kidz, autoprodotta dal gruppo Factory: com’è nata questa serie e come la consideri a distanza di molti anni?
Walter Venturi: La Factory era un gruppo di amici con tante idee e tanta voglia di fare. I tre numeri di Lost Kidz, che disegnai in stile american-manga, nascono da un’idea di Roberto Recchioni e il tema risulta ancora oggi attuale, dato che si parla di zombie! La mini è stata ristampata in volume unico nel 2008 e chissà se prossimamente non ritorni sul mercato.

Come hai conosciuto Roberto Recchioni e Lorenzo Bartoli?
Walter Venturi: Siamo di Roma e la scena del fumetto, allora, non era poi così vasta, ci siamo incrociati e ne è uscita una buona amicizia, di quelle per cui tenere.

Con i due sceneggiatori hai realizzato alcuni episodi di John Doe e Detective Dante: com’è stata la collaborazione con i due autori?
Walter Venturi: Alla base di tutto eravamo e siamo amici, quindi quando si lavora in tranquillità tutto appare più leggero, anche se per me erano i primi approcci a produzioni maggiori e di foliazione più lunga, con scadenze ben precise da rispettare, diventava veramente la mia professione e ci misi tutto l’impegno possibile. Ancora ringrazio Roberto e Lorenzo per avermi dato questa possibilità e per aver creduto in me.

Quanti episodi hai realizzato in tutto?
Walter Venturi: Due di Detective Dante e cinque di John Doe, più altri tre alle chine.

Dopo varie esperienze, con la Disney e le Edizioni BD, con il numero 16 di Brad Barron inizia la tua collaborazione con la Sergio Bonelli Editore: in quali circostanze ti sei avvicinato alla Casa Editrice?
Walter Venturi: Ciclicamente inviavo prove in redazione, sempre logicamente scartate per ovvie ragioni di impreparazione, ma dopo l’esperienza con John Doe e Detective Dante evidentemente mi trovarono pronto per essere pubblicato dato che, grazie a Tito Faraci, al quale piacquero le mie tavole di Detective Dante, venni contattato da Marcheselli per collaborare su Brad Barron. Quando mi chiamarono ero a pranzo e per poco non mi strozzai per l’emozione, erano anni che sognavo quel momento.

Dopo aver disegnato anche Demian, sempre per la Bonelli, hai l’occasione di realizzare Il grande Belzoni, un Romanzo a Fumetti di cui sei autore completo: raccontaci di quest’esperienza molto apprezzata dal pubblico e dalla critica.
Walter Venturi: Mi appassionai alla misconosciuta figura di Belzoni grazie a un documentario di History Channel, la sua vita era perfetta per un eroe a fumetti, il MIO eroe a fumetti! Dopo dieci anni di ricerche, intervallate da altri lavori, proposi in redazione la mia idea realizzando uno storyboard a matita molto dettagliato, già letterato e rilegato a misura. Dopo averlo sfogliato, Sergio Bonelli mi diede la sua approvazione e iniziai a disegnare. Purtroppo non ebbe modo di vederlo stampato, ma sono sicuro che si sarebbe divertito.

Sempre nel 2013, su testi di Jacopo Rauch, disegni il primo Zagor Color: com’è nata questa collaborazione zagoriana?
Walter Venturi: Erano anni che mi proponevo a Moreno Burattini per poter disegnare almeno una storia di Zagor, così, appena si presentò l’occasione, venni scelto per inaugurare questa nuova testata e per me fu un’altra grandissima gioia perché finalmente potevo lavorare su uno dei miei personaggi preferiti.

Nell’albo, oltre a una valida interpretazione dei personaggi, mostri un’accuratezza nel realizzare gli interni che a noi ricorda certe tavole del grande Magnus nel suo Texone. Quanto tempo ti ha impegnato quell’avventura?
Walter Venturi: La lezione di Magnus è sempre presente nel mio lavoro, è l’autore che amo di più e che più mi ha ispirato e che, ad esempio, ho omaggiato nella mia seconda storia di Tex, nell’ultima vignetta dell’ultima pagina! In quanto all’impegno, oltre a molti studi preliminari, ho viaggiato su una tavola al giorno, come al solito.

Prima di passare alle domande su Tex, parlaci in breve dell’avventura di Zagor a cui stai lavorando.
Walter Venturi:
Sono tre albi che usciranno il prossimo inverno e, su testi di Mignacco, vede il ritorno di Smirnoff, un acerrimo nemico creato a suo tempo da Alfredo Castelli. La storia è ricca di complotti, tradimenti, inganni, indiani, russi, fuorilegge, soldati e il tragicomico La Palette, altra figura storica dello Spirito con la Scure.

Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: vuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex?
Walter Venturi: Di ritorno da un festival a Zagabria, passai a salutare in redazione e capitai al momento giusto nel luogo giusto, cioè nell’ufficio di Mauro Boselli e Giorgio Giusfredi. Mi proposero la breve storia del Color che accettai a braccia aperte, un altro mito da affrontare! Subito dopo il Color, ho realizzato una storia per il Magazine in tempi record, dato che la consegna era abbastanza stretta e soprattutto dato con chi stavo confrontandomi.

Come ti senti a misurarti con il Ranger?
Walter Venturi: Onorato e tremolante, data l’importanza di Tex, ma senza esitare troppo, ho macinato tavole su tavole senza enormi problemi. Logicamente le prime storie saranno più deboli ma con un po’ di rodaggio sono sicuro che non tradirò il Ranger.

Nel disegnare Tex, che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate?
Walter Venturi: Non troppe, se non portare ovviamente più attenzione ai cavalli e alle caratterizzazioni dei pards.

Hai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no?
Walter Venturi: Per quanto riguarda il Color, ho cercato di essere più pulito nel segno, in funzione del colore, ma preferisco il bianco e nero per i miei lavori.

Come definisci graficamente il tuo Tex?
Walter Venturi: Guardo a colonne come Villa e Ticci come riferimento e anche se non arriverò mai ai loro livelli, sarò sempre alla ricerca della soluzione migliore.

Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni?
Walter Venturi: Ho un feeling particolare con Zagor, mi ci trovo a mio agio e ci sono ancora tanti impegni da portare a termine, chiaramente appena il Ranger mi chiamerà a rapporto, non potrò negarmi e devo stare sempre sveglio dato che già è fissato un mezzo appuntamento!

Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Walter Venturi: Tex è la giustizia, fatta rispettare duramente contro i duri, qualcosa in contrario? 🙂

Per concludere il tema, come vedi il futuro di Tex?
Walter Venturi: Come un monumento del fumetto italiano, un amico di famiglia che avrà sempre porte aperte, e se dovrà affrontare momenti difficili, sarà sempre seguito dai suoi fedeli lettori.

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Walter Venturi: Sveglia alle cinque di mattina e tirata fino alle 13, pranzo, siesta, altra tirata fino alle sette, cena, mezzo film e bum, a dormire. Di media realizzo una tavola al giorno, ma ci sono state volte dove in un mese ho consegnato 63 tavole, per altri editori anche molte di più, insomma, a seconda del tempo a disposizione, posso essere ancora molto veloce! Nel tempo libero mi piace viaggiare con la mia famiglia e andare a pesca.

Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Walter Venturi: Realizzo uno sketch veloce della pagina, proprio sulla stampata della sceneggiatura, poi faccio la matita e dopo inchiostro, a pennello. Mi piace documentarmi molto all’inizio della storia, faccio gli studi di tutti i personaggi, delle location, delle armi, in modo d’avere tutto sotto controllo prima di partire.

Quali sono i tuoi rapporti con gli sceneggiatori? Le istruzioni che ti passano sono particolareggiate o la vignetta è lasciata alla tua creatività? Ti consegnano del materiale informativo?
Walter Venturi: Ho lavorato in tutti i modi, con amici e non, con chi è più dettagliato e chi meno, chi fornisce più documentazione e chi nulla, chi ti scrive un cartone animato (nel senso che fa muovere talmente tanto i personaggi che solo con un’animazione si potrebbe fare), chi ti lascia libero e responsabile della scena, chi ti consegna due pagine al mese, e ti costringe a fare le corse per non sforare i tempi, chi consegna la sceneggiatura già bella e completa! Sclavi diceva che “i disegnatori non è gente“, ma pure gli sceneggiatori mica scherzano!

Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Walter Venturi: Mi piacerebbe lavorare su Dylan Dog, non tanto per lui, quanto per far muovere Groucho, vista la mia propensione al grottesco, credo che mi divertirei molto a farlo recitare. Poi mi è piaciuta molto la mini Greystorm e anche il recente Adam Wild e farei salti di gioia anche per Mister No e Martin Mystère.

Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Walter Venturi: Il confine tra le due definizioni è labile, visto i tre nomi da te citati non sono di nicchia e sono conosciuti da tutti, quindi anche loro sono popolari, in fondo. Comunque, il mio obiettivo è sempre stato il fumetto made in SBE, quelle sono le mie radici.

Quali sono i tuoi progetti immediati?
Walter Venturi: Ho un paio d’idee che mi frullano per la testa, a base di trappers e imperatori matti, ma devo trovare il tempo per ragionarci, adesso sono troppo impegnato con Zagor!

Quali fumetti leggi attualmente?
Walter Venturi: Gli albi Bonelli, of course, e quelli che mi colpiscono per i disegni, ultimamente apprezzo molto il lavoro di Matthieu Bonhomme, di Sean Murphy, di Ralph Meyer, di Goran Parlov, di Denis Bodart e tanti altri.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Walter Venturi: Mentre lavoro ascolto gli audiolibri, al cinema preferisco avventura e ricostruzioni storiche, meno la fantascienza, mi diverto con l’horror e i mostri giganti, infatti non vedo l’ora di godermi Kong: Skull Island! Ascolto principalmente hardcore, metal, techno e fino a qualche anno fa, cantavo in una band di nome Down Kids, su YouTube ci sono un po’ di video.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Walter Venturi: Vi racconto di come io sia legato sentimentalmente al Portogallo… Quando da bambino facevo arrabbiare mia nonna Anna, lei mi sgridava e per levarmi di torno mi diceva in romanesco: “…E vatte a fa ‘n giretto in Portogallo!“, nel senso di allontanarmi il più possibile, in un paese per lei esotico e distante dall’Italia! Quindi spero di essere presto da voi e poter finalmente visitare il vostro Paese! Grazie per l’interesse e viva Tex!

Caro Walter, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.

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