Hoje no blogue do Tex vamos dar, uma vez mais, conhecimento aos nossos leitores de inúmeras páginas INÉDITAS de Tex que estão sendo desenhadas por alguns dos grandes nomes do staff de Tex, de Laura Zuccheri a Roberto De Angelis passando por Mario Atzori, Andrea Venturi, Lucio Filippucci e Fabio Civitelli:
Prancha inédita de um álbum cartonado em produção, da autoria de Laura Zuccheri
Página inédita da história “Juliet”, de Mauro Boselli e Mario Atzori, a ser publicada no Color Tex 14 neste mês de Novembro
Página inédita da história “Golden Queen”, de Luca Barbieri e Andrea Venturi, a ser publicada no Color Tex 14 neste mês de Novembro
Página inédita da história “La casacca magica”, de Gabriella Contu e Lucio Filippucci, a ser publicada no Color Tex 14 neste mês de Novembro
Página inédita da história “L’Apache bianco”, de Chuck Dixon e Fabio Civitelli, a ser publicada no Color Tex 14 neste mês de Novembro
Página inédita de Roberto De Angelis para uma aventura do jovem Tex Willer
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Por Zenaldo Nunes – Caruaru / Pernambuco / Brasil [1]
Kit Carsonjá era um famoso Ranger na ocasião em que apareceu pela primeira vez nas aventuras de Tex (TXC-002), embora mais jovem e ainda com cabelos e bigode pretos. No início Carson participava esporadicamente das aventuras de Tex. Geralmente era Tex que de vez em quando era designado pelo comando dos Rangers a ajudar Carson em algum caso escabroso de difícil solução.
A amizade de Carson com Tex foi crescendo aos poucos e forjou-se definitivamente em aço no episódio em que Tex fora condenado injustamente à forca pela corte marcial norte-americana (TXC-005). Pondo em risco a sua própria carreira na corporação dos Rangers, Carson faz uma visita a Tex na prisão poucos dias antes da execução e entrega a ele a sua própria arma, com a qual Tex consegue fugir da prisão e, tempos depois, provar a sua inocência.
Nas aventuras iniciais de Tex, vemos Carson esporadicamente na reserva Navajo, normalmente quando este vai requisitar ao amigo para participar de alguma missão, mas à medida que o tempo passa, Carson adopta a reserva Navajo como sua casa, sendo respeitado e conhecido pelos índios como “Cabelos de Prata”.
O personagem que na vida real era um batedor, um explorador do exército norte-americano, nos quadradinhos é representado como um cinquentão bem conservado, de olhos castanhos e cabelos e barba brancas. Mas ressalte-se que o personagem Kit Carson, companheiro de Tex, não foi inspirado no batedor que realmente existiu. O próprio G.L. Bonelli, criador de Tex, revelou que o Kit Carson bonelliano foi inspirado no personagem homónimo criado por Rino Albertarelli, anteriormente ao surgimento de Tex, em 1948 na Itália. Uma espécie de homenagem ao Rino.
Kit Carson empresta às histórias um ar maduro e ao mesmo tempo irónico e brincalhão, servindo às vezes como escada cómica. Com as mulheres sempre se desmancha em atitudes galanteadoras e gentis, com pose de sábio e conquistador. Sem nunca ter casado, Kit teve no passado uma grande paixão, Lena Parker, com quem pode ter tido uma filha de nome Donna (TEX-317), que é apaixonada por Kit Willer.
Chamado por Tex amistosamente de “Velho Camelo”, Carson é o pessimista de plantão que está sempre achando que a coisa vai acabar mal. Cansado de perder apostas para Tex nas mais diversas circunstâncias, Kit adoptou uma postura pessoal de não mais apostar com o amigo, pois senão teria sempre os bolsos vazios.
Dono de um apetite fora de série, a especialidade de Carson ao chegar num restaurante é pedir ao cozinheiro os famosos bifes com três dedos de altura e ainda sepultados numa montanha de batatinhas fritas e crocantes… E não é só: depois da refeição e de alguns canecos de cerveja, Carson é ainda capaz de comer uma torta inteira de maçã…
Sobre a carreira nos Rangers, pouca gente sabe, mas Kit Carson chegou ao posto de Coronel. Na página 57 de TEX-193, na aventura O Killer sem Rosto e com arte do saudoso Galep, vemos um soldado da cavalaria dirigir-se a ele com a seguinte frase: “Exactamente, Coronel Carson! Acho que se chama assim!“. Na página 84 da mesma edição, um outro soldado corre na direcção de Carson utilizando as seguintes palavras para chamar-lhe a atenção: “Carson! Coronel Carson!“.
Quanto à idade de Tex, em TEX- 265 – Fuga de Alcatraz, enquanto vestem os uniformes de guardas nesta aventura, Tex e Carson são indagados sobre qual idade deve constar nos documentos falsos que serão preparados pelo funcionário de Sam Brennan. Tex revela então que sua idade é 40 anos e a de Carson é 56. Carson, por sua vez, resmunga dizendo que sua idade é 55. E ainda diz algo mais ou menos assim: ” Que foi? Quer saber mais que eu?“
Kit Willer– Neto legítimo de Flecha Vermelha, o grande chefe de todos os Navajos, o filho de Tex e de Lilyth aparece ainda bebé em TEX-043 – Juramento de Vingança. Na ocasião, o menino estava com uma tosse teimosa que o curandeiro da tribo não conseguia curar e como Lilyth estivesse muito preocupada, Tex resolve levar o menino até um médico na Missão de Taos.
Lilyth fica na aldeia porque o seu pai Flecha Vermelha estava adoentado e Tex parte com o pequeno Kit rumo a Taos. É nesse período que os Navajos são vítimas de uma epidemia de varíola, na qual Lilyth, mãe do pequeno Kit morre, fazendo com que o pequeno garotinho crescesse órfão de mãe, embora desfrutando de todas as atenções e regalias que um neto de um grande chefe possuía.
Quando tinha cerca de 7 anos (TXC-017 – O Rastro do Medo, a aventura tida por muitos como a mais bela de toda a saga de Tex), Kit reaparece novamente e acerta de surpresa uma flechada no chapéu de Carson, o qual fazia uma visita à aldeia. Nessa mesma história o pequeno garoto é sequestrado pelos assassinos de Arkansas Joe e já começa a dar mostras do tipo de sangue que corria nas suas veias, fazendo ameaças a um dos raptores: “Entre os Navajos se ganham penas de águia matando um inimigo… espero ganhar as minhas primeiras matando você!“.
Depois, amarrado ao poste onde seria queimado vivo, age como um verdadeiro guerreiro Navajo e pensa: “Não devo gritar! Tenho que mostrar que o filho de Águia da Noite sabe morrer sem gemer! Papai, você que é o homem mais corajoso do mundo… me dê forças para morrer como um guerreiro de verdade!” Mas Tex chega na hora “h” e liberta o menino, varrendo os assassinos de Arkansas Joe definitivamente da face da terra.
Tendo como tutor o fiel Jack Tigre quando Tex estava resolvendo alguma missão, o mestiço Kit Willer cresceu aprendendo todos os truques e sabedoria dos índios, sendo por estes conhecido como Pequeno Falcão, o filho de Águia da Noite. Atendendo a um desejo de Lilyth, já falecida, Tex manda o filho para a Missão de Santa Anita, onde o mesmo recebe a instrução escolar necessária.
O desejo de Tex era que Kit seguisse a carreira militar porque desde muito jovem provava ter coragem e uma inteligência ágil, mas demonstrando ter o instinto aventureiro do pai, Kit preferiu a vida selvagem das amplas pradarias à monotonia das cidades, facto que fez com que Tex ensinasse pessoalmente ao filho o manuseio do Colt 45 (TXC-021).
Nesse episódio, Kit aprende a atirar de alçada, em movimento ascencional, o que lhe dá vantagem de fracções de segundo para sacar mais rápido que qualquer adversário, fracção de segundos que num tiroteio, duelo ou confronto pode significar a vida ou… a morte.
Representado hoje como um rapaz audaz de cabelos negros, em algumas aventuras Kit precisou vestir-se de mulher para ludibriar bandidos astutos e assim, conseguir fazer triunfar a justiça, como na aventura Morte em Pecos City, a primeira vez que esse artifício é utilizado (TXC-025). Como o seu pai, também utiliza métodos não convencionais para arrancar uma confissão ou obter vantagens frente a assassinos e ladrões.
E também como o seu pai entrou para o corpo dos Rangers, recebendo o distintivo e prestando solenemente o juramento diante do Senhor Hovendal, deixando o seu pai emocionado, assim como Carson, que na época já era major (veja TXC-031, pág. 80). Esta história foi repetida em Tex Edição Histórica 12. Também temos indícios de que Kit Willer é mesmo um Ranger em TEX-011, quando Tex afirma no diálogo que ambos, Carson e Kit são guardas-rurais (pág. 7, 2ª edição). Mais indícios em TEX-111, quando ele, num saloon, apresenta-se como Ranger em missão especial (pág. 86, 1ªedição).
Ao que sabemos, pelo menos duas são as paixões de Kit Willer. A primeira é Flor da Lua, uma índia da tribo dos Utes que, da mesma forma que Lírio Branco – a mulher de Tex, acabou morrendo tragicamente. Podemos dizer que foi uma morte talvez até mais dramática, já que esta doce squaw jogou-se à frente do seu homem para salvá-lo da morte certa.
A segunda paixão de Falcão Pequeno é Donna, filha de Lena Parker. Sempre que se encontram, há mais do que um affair entre ambos, que envolve passeios ao luar, conversas animadas e um namoro jovial e encantador.
Kit Willer herdou em muito as características do pai, a astúcia de Jack Tigre e também parte da sabedoria do velho Carson, a quem chama de tio, mesmo sem ter laços sanguíneos com o velho rabugento, que na realidade é seu padrinho (ver TXC-022). Ágil no gatilho, o jovem Kit por muitas vezes salvou o próprio pai da morte certa.
Jack Tigre– Por ser um índio de poucas palavras, Jack Tigre é o pard mais sério de Tex. No decorrer das aventuras, o seu monossilábico “ugh” assume os mais diversos significados, entendido na hora por Tex, por Carson e pelo jovem Kit.
Irmão de sangue de Águia da Noite e representado nos quadradinhos com cerca de 40 anos, com olhos e cabelos negros, Tigre é também um exímio explorador, capaz de descobrir a pista mais remota, deixada por quem quer que seja. Grande caçador e profundo conhecedor das tradições de seu povo, foi Jack Tigre o instrutor do jovem Pequeno Falcão, ensinando a este com maestria o uso do arco e flecha, as primeiras lições no uso do Colt e todos os truques utilizados pelos índios na hora do perigo.
Um índio que “fala pouco, mas age muito”. Assim Tex o definiu na sua primeira aparição, na épica história “A Quadrilha dos Dalton” (TXC-015). Esperto, rápido e certeiro com o arco e flecha, Tigre manuseia com maestria seu Winchester e também sabe todos os truques dos índios, recorrendo a eles nas ocasiões mais inusitadas, quer seja para derrotar um facínora ou mesmo para salvar os companheiros da sombra da morte.
Nas primeiras aventuras que Jack Tigre acompanha Tex, seguidamente o vemos sentado num canto do quarto do hotel fumando um longo cachimbo indígena, enquanto que o Ranger conversa com alguém ou fuma um cigarro (veja TXC-019, pág. .82).
Companheiro de verdade, o silencioso Tigre esteve sempre presente nos momentos difíceis da vida de Tex, como naquele em que os assassinos de Arkansas Joe sequestraram Kit Willer, ainda um menino de cerca de 7 anos, e o levaram para o Canadá (TXC-019); ou no momento em que o Ranger soube da morte de sua doce e adorada Lírio Branco e deflagrou o juramento de vingança (TEX-043, TEX-044 e TEX-045).
Ao contrário do que muitos pensam, Jack Tigre e Tex não se conheceram na reserva navajo e sim em Santa Fé, pouco tempo depois do pacto de sangue de Tex com Lilyth, numa aventura trágica em que Tigre perdeu o grande amor de sua vida, uma jovem squaw Navajo de nome Taniah, revelações que vieram à tona na história Orgulho Navajo (TEX-294, TEX-295, TEX-296 e TEX-297). Para quem não sabe, foi a partir desse momento que o Tigre alegre, sonhador e brincalhão deu espaço ao homem reservado, sério e contemplativo que conhecemos hoje.
Tem uma cena em TEX-088 (página 176, primeira vinheta, primeira edição) na qual os leitores brasileiros têm a impressão de ver um pontinho preto na camisa de Tigre, de tal forma que poderia ser aquele pontinho uma pataca de Ranger. Este descuido ocorreu também na edição italiana original de TEX, primeira edição de TEX-047 italiano, na qual Tigre aparece de facto com a estrela de Ranger ao peito. Mas isso foi corrigido (desenho alterado) nas reedições italianas seguintes do Tex italiano, já que efectivamente foi um descuido dos autores, porque Jack Tigre não era, nunca foi e nem é um Ranger. Na segunda edição de TEX-088, edição nacional, o erro já foi consertado e Tigre já aparece sem o pontinho preto no peito.
Por conta deste erro, o editor de Tex brasileiro afirmou tempos depois no Secção de Cartas de TEX-265 que Jack Tigre é um Ranger (na resposta ao leitor Airton Geraldo Coelho Santiago, de Cantagalo de Peçanha / MG), mas fontes da SBE confirmam que na verdade o índio Navajo não é e nem nunca foi um Ranger. Tigre não participa de todas as aventuras de Tex, mas isto porque, junto com Kit Willer, ajuda a coordenar os destinos da reserva Navajo quando Tex e Carson estão fora da reserva.
Mágico Vento retorna, com novas aventuras, em 2019
Depois de cerca de 15 mil pranchas que compõem a longa saga do herói Bonelli Mágico Vento (personagem criado por Gianfranco Manfredi – nascido em 1948, em Senigallia, Itália, formado em História da Filosofia e que, para além de argumentista de fumetti, é também cantor e escritor. No universo Bonelli, para além de Mágico Vento, assinou também argumentos para Dylan Dog, Nick Raider ou Tex – , cujo nome é Ned Ellis – um antigo soldado ferido numa explosão de um comboio que lhe apagou a memória, que ele foi recuperando em fragmentos ao longo da trama, descobrindo quem era e o que fez ao mesmo tempo que o leitor) e de um interregno de cerca de oito anos, podemos informar os nossos leitores que Mágico Vento terá, na Itália, novas aventuras em 2019 e 2020.
Gianfranco Manfredi
Quem o disse foi o próprio Gianfranco Manfredi: “Sim, voltei a escrever Mágico Vento. Eu não me lembrava mais do trabalho que dá elaborar episódios históricos remotos mesclando com necessárias tramas de fantasia. As quatro edições com as novas histórias devem sair a partir de Junho ou Julho de 2019, e depois haverá outros três episódios no Verão de 2020. Se os leitores tiveram paciência, espero que fiquem satisfeitos.
Eu também estou a me re-habituar com as clássicas 94 páginas, porque ultimamente passei pelos mais variados formatos. Manter o necessário equilíbrio narrativo sempre mudando de formato não é muito fácil.“
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Tendo em conta que toda a saga de Mágico Vento foi publicada no Brasil, com o selo da Mythos Editora, talvez o nosso egrégio editor Dorival Vitor Lopes ao tomar conhecimento desta notícia possa acrescentar algo do tipo “Sim, caros leitores, certamente publicaremos!”. .
Por José Carlos Francisco (texto) e Thiago Gardinali (fotos)
O jornalista Thiago Gardinali com Tex Willer na Grande Exposição de Banda Desenhada, no Museu da Imagem e do Som (MIS)
Foi inaugurada na passada quarta-feira, dia 14 deste mês de Novembro, uma das maiores exposições já realizadas no Brasil sobre a Nona Arte. Exposição essa denominada,’Quadrinhos‘ (com curadoria de Ivan Freitas da Costa) e que contém uma ampla retrospectiva do universo da Banda Desenhada e que decorre no Museu da Imagem e do Som (MIS) até ao dia 31 de Março de 2019.
O Museu da Imagem e do Som – MIS – localiza-se na Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo e está aberto ao público de terça a sábado, das 10h às 20h (com permanência até às 22h) e aos domingos e feriados, das 9h às 18h (com permanência até às 20h). Os ingressos custam 30 Reais (bilhete inteiro) e 15 Reais (meio-bilhete) e podem ser adquiridos no site www.ingressorapido.com.br
Quadrinhos, a Grande Exposição de Banda Desenhada, no Museu da Imagem e do Som (MIS)
Nas 16 áreas da exposição (Origens, Caricaturas e charges, Tiras, Europa, Mangá, Erótico, Mauricio de Sousa, Angelo Agostini, Ziraldo, Brasil, Brasil nas últimas décadas, América Latina, América do Norte, Disney, DC e Marvel) temos expostas revistas, artes originais e itens raros dos diversos géneros das histórias aos quadradinhos – super-heróis, infantis, terror, aventura, romance, mangá, faroeste, erótico e muitos outros,inclusive o Oeste do nosso Tex Willer – em ambientes temáticos e imersivos que ocupam os dois andares do Museu, apresentando também a influência da Histórias aos Quadradinhos na cultura pop e em outras mídias como cinema, rádio e TV.
Tex Willer na Grande Exposição de Banda Desenhada, no Museu da Imagem e do Som (MIS)
Entre os itens expostos o público poderá ver de perto raridades como a revista com a primeira aparição de Luluzinha, publicada na The Saturday Evening Post em 1935; a edição número 1 de “O Pato Donald” (1950); uma ilustração original de Tintim, de As Aventuras de Tintim, uma das histórias mais conhecidas do belga Hergé; uma arte original da personagem erótica Valentina desenhada pelo seu criador, o italiano Guido Crepax; exemplar da revista Giant-Size X-Men 1 (1975); uma ilustração original de The Spirit, que traz o personagem mais conhecido de Will Eisner; uma edição do jornal O Mosquito (1873) com capa de Angelo Agostini, desenhista ítalo-brasileiro que teve intensa actividade em favor da abolição da escravatura no Brasil,assim como a mítica capa nº 1 de Tex (1971) e ainda a revista Júnior nº 263 (1957) que conteve a última aparição de Tex na colecção Júnior, para além de um belíssimo quadro e algumas artes originais como podemos ver nas fotos enviadas pelo nosso correspondente Thiago Gardinali.
Míticas e valiosíssimas edições de Tex Willer na Grande Exposição de Banda Desenhada, no Museu da Imagem e do Som (MIS)
Aproveitamos também para dar a conhecer uma reportagem-vídeo divulgada na Globo, no passado dia 14 e que mostra um pouco desta fantástica exposição que aconselhamos a todos que amam a Nona Arte e que a possam visitar:
Também mostramos um segundo vídeo, onde a presença do Ranger Tex Willer é bem visível (a partir do terceiro minuto), vídeo esse realizado pelo Canal Yotube BesTV Oficial e que mostramos de seguida:
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Primavera del 68 Gianfranco Manfredi (argumento) Luca Casalanguida (desenho)
Panini Comics
Espanha, 25 de Outubro de 2018
195 x 259 mm, 144 p., cor, capa mole 25,00 €
Desdobramentos
Se há algo que se tem de reconhecer à actual direcção da Sergio Bonelli Editore, é a capacidade de diversificar a sua linha editorial, sem trair os seus princípios e as suas linhas mestras.
Os resultados, estão à vista de todos.
[E o crossover com a DC Comics, anunciado há dias em Lucca, cujas hostilidades abrirão em 2019 com a parceria entre Zagor e Flash, é apenas mais um passo.]
O predomínio de Tex mantém-se, seguro nas bancas – tanto quanto é possível nos dias que correm -, omnipresente em sucessivas colecções com jornais e invadindo paulatinamente as livrarias em edições cuidadas que, se de alguma forma renegam as origens e o espírito populares do ranger, por outro fazem jus à arte – escrita e desenhada – que o suporta e satisfazem o gosto de leitores que (outr)os hábitos de leitura tornaram mais exigentes.
Ao mesmo tempo, há uma aposta concreta e definida numa diversificação temática, quer em publicações regulares de banca, quer em edições soltas.
Desta forma – desdobrando-se na forma, no estilo e no(s) conteúdo(s) – a Bonelli tem chegado a outros públicos e, também a outros países. A colecção que a Levoir editou este ano em Portugal – fora dos parâmetros ‘tradicionais’ da casa italiana – é um exemplo; as diferentes editoras que no Brasil vão editando os seus heróis é outro; a recém-criação de um ‘selo’ Bonelli pela Panini espanhola pode ser um terceiro modelo.
Este último acaba de se estrear, em edições (muito) cuidadas, com fartos extras, de formato similar à colecção da Levoir, em capa (mais) dura e papel de boa (e melhor) gramagem (que aquela) – apontando claramente às livrarias e a leitores com outras exigências quanto ao ‘objecto’ de leitura. E desdobra-se numa temática dual, apresentando por um lado o mais ‘popular’ Dragonero – a que voltarei em breve – e por outro um one-shot que parte de uma base histórica – como o muito interessante Le Storie: Sangue e Gelo – como sustentáculo da ficção que o preenche.
Primavera del 68 – com edição original italiana de Maio deste ano – tem a assinatura – na ideia base, na concepção e no argumento – de Gianfranco Manfredi – a quem volto mais cedo do que esperava – e está segmentada em duas partes distintas. Na primeira, passada na tal Primavera de 1968, acompanha a participação, mais ou menos empenhada, por razões díspares, de seis jovens – Lina, Margherita, Paolo, Armando, Milo y Turi – nas manifestações e movimentos que tiveram lugar em Milão, a exemplo do modelo que chegava de França.
Na segunda, vinte anos mais tarde, um fotógrafo que os retratara numa das manifestações, tenta descobrir o que foi feito deles, no que se tornaram, como os sonhos e expectativas de então se concretizaram – ou não – nas suas vivências actuais.
Estimulante na sua ideia base, Primavera del 68 sofre pelo facto de ter sido confinado apenas a um volume único e não ter originado, por exemplo, uma mini-série – (mais ou menos extensa) a exemplo de Face Oculta, outra criação de Manfredi – pois no final da quase centena e meia de pranchas deste volume fica a sensação de que ficou por narrar muito dos percursos – com opções, incidentes e acidentes – que levaram cada um deles a ser o que são no presente (do relato).
Os condicionalismos do início, a força de vontade de cada um, a sua condição social e financeira, os ideais – ou a falta deles -, as relações, o oportunismo, a dedicação, a entrega, a capacidade de reagir às derrotas, a vontade de impor – e de se impor -, os encontros e desencontros ficam maioritariamente à imaginação do leitor, com a certeza que ‘nada ficou como dantes’ depois da vivência daquelas semanas intensas, vistas aqui sob uma outra óptica, mais humana, à margem de condicionalismos sociais e políticos.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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