O Vale da Lua Tex Edição em Cores #33 Gianluigi Bonelli (argumento) Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Julho de 2017
160 x 210 mm, 210 p., cor, capa mole
Inesperado
O que se espera de um western? Cavalgadas pela pradaria, confrontos com índios ou bandidos, problemas relacionados com a posse de terrenos ou minas, tiroteios…
A história (completa) que dá título a este texto, incluída no 33.º volume de Tex Edição em Cores, assume (sem surpresa) tudo o escrito acima. Mas também um elemento inesperado, que faz dela uma das mais atípicas histórias do ranger.
O Vale da Lua inicia-se com um pedido de ajuda de um velho amigo do ranger, que enfrenta alguns problemas para explorar uma mina que comprou e que alguns dizem assombrada por um estranho ser, o que parece comprovado por acontecimentos recentes.
Como habitualmente, Tex e Kit Carson correspondem ao apelo e dirigem-se para a dita mina. A história vai avançando dentro dos moldes tradicionais no Tex dos anos 60, mas também com um inquérito junto dos habitantes da cidade vizinha e das tribos índias circundantes que lhe confere um tom de investigação/dedução que também não é muito habitual neste western. A sucessão de acontecimentos- narrados pelos inquiridos ou vividos perante os olhos do leitor – permitem a este último – detentor de conhecimentos mais avançados, ao contrário do próprio protagonista, limitado ao que se conhecia no final do século XIX – descortinar o que ou quem está afinal na origem dos ditos problemas, apesar de tal nunca ser afirmado nem claramente mostrado ao longo do relato.
E que é – atenção ao spoiler que aí vem, uma vez que a revelação que se segue é um facto mais ou menos conhecido – com toda a certeza, um extraterrestre à procura na Terra de um mineral raro e radioactivo!
Dessa forma, O Vale da Lua, que até sucede a uma outra aventura, mais longa, também pouco tradicional, pois o seu principal vilão é um negro que se dá ares e pose de imperador romano em pleno Canadá (!), vale sobretudo pela curiosidade, não sendo mais do que uma narrativa dissonante, uma ‘brincadeira’ dos criadores e/ou o acompanhamento de uma certa apetência da época pelo desconhecido.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
O Blogue do Tex anuncia hoje os lançamentos brasileiros da Mythos/Bonelli para este mês deJaneiro, onde se destaca a estreia de TEX WILLER, a nova série dedicada ao jovem Tex e a centésima edição de Tex Ouro, que apresenta duas histórias completas!
Ainda no que ao Ranger diz respeito, teremos ainda Tex (regular), Tex Coleção, Tex Especial Colorido e Tex Edição Histórica, o que totaliza SEIS edições de Tex. Mas nem só Tex é publicado em Janeiro, pois também teremos edições Bonelli de Júlia, Martin Mystère e Dylan Dog, este último, a duplicar!
Aventuras de uma Criminóloga 138–16 de Janeiro Formato: 13,5 x 17,6 cm
264 páginas – R$ 24,90 OS DOIS LADRÕES Texto: Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero * Desenhos: Luigi Pittaluga Retorna à cena Tim O’Leary e, como sempre, a vida de Júlia fica movimentada. O ladrão cavalheiro envolve a criminóloga de Garden City num caso pessoal e espinhoso: o seu irmão Theo, seguindo a vereda do crime de Tim, está nas mãos de uma quadrilha de criminosos que ameaça devolvê-lo em pedaços, a menos que Tim roube para eles um quadro que está guardado num cofre aparentemente inexpugnável! REDE MORTAL Texto: Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza * Desenhos: Claudio Piccoli Uma jovem e atraente jogadora de voleibol é encontrada morta. Partindo de uma análise das amizades e contactos da moça, Júlia descobre que ela levava uma vida confusa, com amantes possessivos e relacionamentos complicados, tanto dentro como fora do ambiente desportivo. Alguém, em particular, parecia interessado em prendê-la numa rede mortal.
Tex Coleção 468 – 16 de Janeiro
Formato: 13,5 x 17,6 cm
116 páginas – R$ 9,90 CRIME NO PORTO Texto: Claudio Nizzi * Desenhos: Fabio Civitelli Tex Willer e Kit Carson estão em Boston, no rasto de um traficante de armas. O chefe da poderosa quadrilha de traficantes é o rico corso Paul Beaumont, que se vale da cumplicidade do Capitão Corbett, da polícia local, e de um patife chamado Requin. É este último que os dois pards começam a seguir na fria e nevoenta noite bostoniana até caírem numa armadilha.
Dylan Dog 6 – 18 de Janeiro
Formato: 16 x 21 cm
116 páginas – R$ 26,90 O GUARDIÃO DA MEMÓRIA Texto: Carlo Ambrosini * Desenhos: Carlo Ambrosini Em nenhum tempo, em nenhum lugar… Só ali se pode encontrar a memória perdida: nos arquivos de um inferno, bem guardada por funcionários eficientes. Quem é realmente Gordon Skindler, um assassino comum ou um anjo caído? Talvez ele não seja desta Terra, talvez tenha traído a sua missão e escondido uma verdade terrível por trás do véu da amnésia. Talvez tenha feito tudo isso por amor, para deter as engrenagens do destino e fugir de si mesmo… do guardião da memória!
Dylan Dog NOVA SÉRIE 2 – 18 de Janeiro
Formato: 16 x 21 cm
116 páginas – R$ 26,90 LONDRES ESTÁ EM CHAMAS Texto: Gigi Simeoni * Desenhos: G. Casertano Depois que Bloch se aposenta, novos eventos alteram a estrutura da Scotland Yard e a vida do Investigador do Pesadelo. Entra em cena o inspector Carpenter e, por ordem dele, Dylan deve devolver, de forma definitiva, a antiga identidade funcional de policial. Como se não bastasse, DyD é levado algemado à Central de Polícia enquanto, nas ruas de Londres, explode a revolta, violenta e mortal!
Tex 591 – 21 de Janeiro
Formato: 13,5 x 17,6 cm
116 páginas – R$ 9,90 CORAÇÃO APACHE Texto: Pasquale Ruju * Desenhos: Ginosatis
Johnny Wharton é um menino apache que, após ser criado por um militar, resolve voltar para a terra de seus avós. Na reserva apache de San Carlos, ele encontra-se com Tex e Carson, os quais, após expulsarem o corrupto agente indígena Barkley, nomeiam o Johnny agente temporário no lugar dele. Cheio de boas intenções, o rapaz começa a trabalhar, mas o destino tem outros planos para ele…
Martin Mystère 6 – 21 de Janeiro
Formato: 16 cm x 21 cm
100 páginas – R$ 26,90 A ESSÊNCIA DO MAL Texto: Paolo Morales * Desenhos:Luisa Zancanella Diana foi sequestrada e está nas mãos do mestre indiano Asoka Surya e dos seguidores de uma sinistra e obscura seita.
Após uma frenética busca, Martin Mystère consegue descobrir o cativeiro da sua noiva.
Mas ele sozinho não conseguirá salvá-la de um destino trágico. E Java não pode ajudar.
Tex Edição Histórica 107 – 24 de Janeiro
Formato: 13,5 x 17,6 cm
232 páginas – R$ 27,90 OS ENCAPUZADOS Texto: G. L. Bonelli * Desenhos:F. Fusco Em Nogales, um comerciante sem escrúpulos usa um bando de facínoras encapuzados para aterrorizar os rancheiros da região e obrigá-los a vender as suas terras por um preço vil. Chamados para intervir, Tex e Carson compram uma fazenda incendiada pelos fora-da-lei com o objectivo de atrair e prender o especulador.
Tex Ouro 100 –24 de Janeiro
Formato: 13,5 x 17,6 cm
332 páginas – R$ 29,90 INTRIGA NO KLONDIKE Texto: Mauro Boselli * Desenhos:Miguel Angel Repetto No encalço de dois assassinos impiedosos, Tex e Carson chegam ao Canadá e ali eles encontram o Sargento Lafferty, da Polícia Montada Canadiana, que está preocupado com o destino de seu colega, Cabo Ryan, que deveria testemunhar num julgamento em defesa do esquimó Ayaklut, acusado pelo homicídio de um outro jaqueta vermelha. Sem o testemunho, Ayaklut é condenado à morte, mas consegue fugir. Na caçada que se inicia, Tex e Carson começam a ver que há muita gente interessada em calar o esquimó, indicando que o assassino pode ser outro. ONDE MORA O MEDO Texto: Claudio Nizzi * Desenhos:Fernando Fusco
Poucos quilómetros além da fronteira do Arizona com o México fica o povoado de Moctezuma, lugar dominado pelo latifundiário Diego Villalta. O tirano explora os seus empregados e faz-os passar fome. Quem ousa rebelar-se contra a opressão é morto pelos seus capangas. Até que Tex chega ao local para restabelecer a justiça e dar uma dura lição no pequeno tirano. Para comemorar a centésima edição, uma edição de 332 páginas, com duas excelentes aventuras.
Tex Especial Colorido 12 – 30 de Janeiro Formato 160 x 210
160 páginas – R$ 27,90
Um volume inteiramente colorido com cinco histórias curtas que levarão o Ranger a encarar um pianista perigoso, uma estranha aliança entre um jovem e vingativo pistoleiro e uma quadrilha de bandidos chefiados por um louco, um bando de caçadores de recompensa sedentos por justiça sumária, uma sangrenta intriga entre cowboys e um covil de serpentes venenosas aninhadas num pequeno vilarejo.
Tex Willer 1 – 31 de Janeiro
Formato: 16 x 21 cm
68 páginas – R$ 14,90 VIVO OU MORTO Texto: Mauro Boselli * Desenhos: Roberto De Angelis Setenta anos depois da sua entrada em cena, reencontramos Tex seguido por xerifes e caçadores de recompensa no primeiro número de uma nova série, rápida e seca como um tiro de espingarda, que narrará os episódios desconhecidos da juventude do herói! Neste episódio inicial, de autoria de Boselli e De Angelis, descobrimos factos jamais contados da histórica primeira aventura de Tex, O Totem Misterioso, com o nascimento do ódio entre Tex e o sujo Coffin e a história trágica da bela índia Tesah, em meio a tiroteios, emboscadas e galopadas a toda do jovem cavalo de raça Dinamite!
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
J. Kendall #132 – Aventuras de uma criminóloga Myhtos Editora
Brasil, Janeiro/Fevereiro de 2018
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,80 / 9,00 €
Amor que mata Berardi e Calza (argumento)
Roberto Zaghi (desenho)
Além da fronteira Berardi e Mantero (argumento)
Antonio Marinetti (desenho)
Actualidade por antecipação
No meu regresso a Julia – finalmente!, preenchendo um vazio que (me) é difícil de explicar – percebi, ao ler o resumo da contracapa, que uma das histórias desta edição da Mythos abordava uma temática que está na ordem do dia. Actualidade por antecipação, pois a edição original data de 2011. .
Uma actualidade que, afinal – já o sabíamos, mas talvez andássemos (mediaticamente) esquecidos – era anterior a megalomanias murais de um determinado presidente e que espelha, apenas, uma das muitas situações de desigualdade que persistem neste mundo.
Em Além da Fronteira, tudo começa quando um grupo de clandestinos mexicanos tenta passar a fronteira a salto, em busca (das ilusões) do sonho americano. Como uma delas sentirá – na pele, no corpo, na carne… – de imediato, como outros sentirão após meia dúzia de passos no paraíso sonhado que se revela inferno, como alguns – que conseguiram o objectivo primário de vivenciar o sonho, ou viver apenas ao seu lado… – carregarão como um fardo toda a vida.
.
A história de Berardi, que arranca como descrito e ganha de imediato contornos incómodos e chocantes – pela grande probabilidade estatística de espelharem alguma (parte da) realidade – assume depois um rumo diferente, com Julia Kendall e Leo Baxter a deslocarem-se ao México em busca da mãe (retida no país) de uma menina (que passou a fronteira), numa narrativa que, sem nunca descurar o lado humano, se apresenta com mais acção – e menos reflexão – do que é habitual nos relatos da criminóloga de Garden City. .
Antes dela, a abrir a edição, somos presenteados com Amor que mata, um thriller de suspense em que a protagonista surge como vítima de um perseguidor/raptor.
Com um longo intróito em que o desespero de Julia, presa, tentando libertar-se e fugir, numa extensa sequência muda, alterna com a sua procura por parte dos seus amigos, esta é mais uma narrativa em que o tom geral apresenta diferenças substanciais em relação ao habitual, sem contrariar o espírito que preside à série, servindo antes para um alargar sustentado do seu âmbito narrativo, da dimensão do seu universo e da exposição da forma distorcida de pensar de alguns daqueles com quem convivemos quotidianamente.
Em tempo útil
Numa curiosa coincidência, daquelas em que o Detective do Impossível antevê sempre algo mais, já este texto estava meio escrito quando, ao ler Martin Mystère #2 (Mythos Editora, 2018) deparei com o início da história O Segredo da Mina, da autoria de Piero Prosperi e dos irmãos Cassaro, originalmente datada de 1988 que mostra uma outra tentativa de passagem clandestina da fronteira entre o México e os EUA.
.
Se a abordagem é em tudo díspar, aqui com o tom realista substituído por um relato fantástico baseado em lendas locais sobre uma criatura demoníaca e misteriosa, não deixa de ser curioso que uma questão (local) dos EUA, seja abordada por dois autores italianos, em épocas diferentes – o que a torna, se não universal, pelo menos globalmente abrangente.
.
E reforça a tal ‘actualidade por antecipação’ de uma questão que possivelmente nunca terá solução enquanto houver seres humanos de um e outro lado da linha imaginária – bem real… – que divide ricos e pobres… .
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro .
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Hoje no blogue do Tex vamos lançar um olhar à programaçãoOFICIAL*das edições de Tex em 2019 para descobrir em antestreia, através de uma viagem de várias etapas, o que Tex oferecerá aos seus leitores nos próximos doze meses.
Por Mauro Boselli e Giorgio Giusfredi*
O ano passado Tex completou setenta anos! Este ano supera a barreira do número 700. Cada ano batemos novos records e, como sabem, há alguns meses que o nosso herói se desmultiplicou: no clássico álbum mensal está sempre presente o valoroso Ranger e chefe dos Navajos que todos conhecemos, rodeado dos seus leais e letais pards, enquanto, na nova colecção Tex Willer,que teve um sucesso imediato, Tex é o jovem fora-da-lei das primeiras histórias escritas por Gianluigi Bonelli, um imprudente aventureiro, com cerca de vinte anos, que desafia o risco sempre com um sorriso no rosto.
Começando pela série regular, depois da sensacional super-aventura em Nova Iorque teremos o fantástico número 700 a cores, em que – em contemporânea com o final da primeira história de Tex Willer – o nosso ranger reencontra a Tesah e o tesouro dos Pawnee. Imediatamente depois, vamos reencontrar o El Morisco numa aventura na selva mexicana contra a rainha dos vampiros. Na nebulosa San Francisco encontraremos por sua vez Tom Devlin e descobriremos o que é feito do pistoleiro Bowen e de Tim, o rapaz cujo pai ele matou.
Um famoso anti-herói do Oeste aparecerá no Texone de Laura Zuccheri, primeira mulher a desenhar Tex, mas será aliado ou adversário dos nossos heróis? Um álbum cartonado totalmente a cores desenhado pela guest starR.M. Guéra irá apresentar-nos os jovens rangers Tex e Carson contra o homem do revólver de ouro! E, a propósito de juventude, na nova série paralela, o jovem bandido Tex Willer irá procurar a desaparecida Tesah no México entre comancheros, soldados e Apaches, para depois – nas margens do Mississippi – se ver envolvido numa intriga política com a participação dos irmãos Steve e Lily Dickart, da bela agente da Pinkerton Kate Warne e do aspirante a senador Abraham Lincoln!
E ainda vos iremos mostrar ataques de Comanches, desastres ferroviários, pistoleiros de pele vermelha, e selvagens saqueadores de Netdahe, os rurais, uma aventura a solo de Gros-Jean, seitas satânicas e mil outras ocasiões de aventura na fronteira do Far West!
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Júlio Pereira: Sou de Ribeirão Preto – São Paulo, tenho 52 anos e trabalho numa empresa gráfica.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Júlio Pereira: Gosto de ler bandas desenhadas desde a infância, com meus 7, 8 anos. A leitura sempre me fascinou e comecei a ler histórias, como Disney, heróis Marvel e DC e em seguida TEX.
Quando descobriu Tex? Júlio Pereira: Descobri TEX quando tinha pouco mais de 10 anos através de um amigo da escola. Paixão imediata. Foi o TEX número 72 com a história TEXAS BILL. A segunda história que li foi logo em seguida a de número 71 com a história ASSALTO AO TREM.
Porquê esta paixão por Tex? Júlio Pereira:Como sempre gostei de ler, e em TEX temos essa questão de aventuras, de histórias com bom roteiro, bem montadas e estruturadas e a sua busca por justiça.
Creio que outro detalhe é por ter 10 anos na época em que o conheci, e já ter gosto por leitura e livros de aventuras (como Jules Verne, Robert Louis Stevenson por exemplo), as revistas de TEX me pareciam mais adultas (do que Disney por exemplo, que sempre gostei, mas de forma diferente) e isso me fascinava.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Júlio Pereira: Creio que se analisarmos unicamente a sua personalidade ou actos de coragem e altruísmo, vários personagens e heróis em quadrinhos têm isso. Claro que isso me impactou, mas creio que além disto temos mais dois factores:
Primeiro, algo que me chamou a atenção desde o início foi o estilo da revista, com histórias longas e roteiros bem elaborados e pelos desenhos em preto e branco. Além disso, conheci a revista numa época clássica com nomes incríveis como o próprio criador G.L. Bonelli e os artistas Aurelio Galleppini, Giovanni Ticci, Erio Nicolò, Guglielmo Letteri, dentre outros.
Os de hoje são excelentes, mas os desenhadores dessa época de ouro eram incríveis e em conjunto com Bonelli criaram verdadeiros clássicos.
E o segundo factor, especificamente para mim, as revistas TEX significam muitas recordações de minha infância, dos sonhos e planos de futuro, das descobertas.
Creio que parte desta admiração e paixão tenha um pouco de nostalgia.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Júlio Pereira: Infelizmente, quando jovem nunca tive condições financeiras de coleccionar a revista, sempre acompanhei, lia através de amigos que me emprestavam ou comprava uma ou outra quando do lançamento, mas nunca pude coleccionar.
De alguns anos para cá resolvi iniciar uma colecção, com isso tenho poucas revistas, e hoje tenho em torno 240 revistas.
A maior dificuldade é que não gostaria de comprar revistas em sebos/antiquários, pois muitas vezes estão desgastadas pelo tempo.
As que mais gosto e são importantes para mim, são da colecção EDIÇÃO HISTÓRICA números 90 (ASSALTO AO TREM) e a 91 (O XERIFE TEX) por serem as primeiras que li na infância.
Colecciona apenas livros do Tex ou também de outras personagens? Júlio Pereira:Como comecei a coleção há pouco tempo, tenho apenas as revistas.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Júlio Pereira: Estou planeando iniciar uma colecção italiana de TEX (Nuova Ristampa, Tutto Tex e Tex), e espero conseguir.
Será a realização de um sonho inimaginável para aquele garoto que há muitos anos não tinha nem a edição brasileira.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Júlio Pereira: Minhas histórias favoritas são TEX número 72 com a história TEXAS BILL e a de número 71 com a história ASSALTO AO TREM, pois foram as primeiras que li.
Mas tem histórias incríveis que gosto muito como TAMBORES DE GUERRA (número 51), A NOITE DOS ASSASSINOS (número 58), A MARCA DO DRAGÃO (número 88), O GRANDE GOLPE (números 107 a 110) dentre inúmeras outras.
Quanto a desenhadores, gosto de todos desta época clássica, mas em especial Galep e Ticci, que para mim é o melhor. Seu traço forte e realista me impressiona até hoje.
Dos actuais gosto muito de Fabio Civitelli, um traço incrível e maravilhoso e também de Alessandro Piccinelli e Claudio Villa que são excelentes.
Com argumentistas, o maior de todos G.L. Bonelli, clássico e atemporal e também Guido Nolitta (saudoso Sergio). Os argumentos de Claudio Nizzi também são incríveis.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Júlio Pereira: O que mais me agrada, é a estrutura das histórias, argumentos bem elaborados e desenhadores fantásticos.
O que menos me agrada? Difícil dizer, não tem nada que não goste, a não ser o facto de não ter mais itens em minha colecção.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Júlio Pereira: Creio que sua luta por justiça e defesa dos mais fracos seja algo marcante em TEX, porém isso é comum a todos os heróis das bandas desenhadas, creio que aliado a isso os grandes desenhadores e argumentistas que trabalharam muito para criar este ícone.
Apesar da passagem do tempo (lá se vão 70 anos), TEX manteve a aura de Bonelli e Galep na estrutura das revistas e suas histórias. Isso é muito marcante.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Júlio Pereira: Devido a questões de trabalho e por ter iniciado a colecção há pouco tempo ainda não, mas pretendo participar de encontros e festivais de banda desenhada com certeza.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Júlio Pereira:Espero que o nosso ranger continue a conquistar fãs pelo mundo, apesar de toda a tecnologia e inovações, os nossos jovens precisam de incentivo à leitura e conservação de valores, muitos deles defendidos por TEX.
Vida longa ao nosso ranger.
Prezado pard Júlio Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)