No próximo dia 7 de Maio a Sergio Bonelli Editore publicará a edição número 715 de Tex, intitulada “L’odissea della Belle Star” que contém a segunda parte de uma história escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Corrado Mastantuono.
A capa, tal como todas as posteriores à número 400 (inclusive) desta colecção, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, que na verdade foram dois esboços ligeiramente diferentes, e da arte finalizada a tinta da china, mas também da capa original pintada pelo próprioClaudio Villa tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex:
Esboços iniciais da capa de Tex #715, da autoria de Claudio Villa
Esboço inicial da capa de Tex #715, da autoria de Claudio Villa, descartado
Esboço inicial da capa de Tex #715, da autoria de Claudio Villa, aprovado
Esboço eleito da capa de Tex #715, da autoria de Claudio Villa
Arte final a preto e branco da capa de Tex #715, da autoria de Claudio Villa
Capa de Tex #715, com as cores originais de Claudio Villa
Capa de Tex #715
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Capa de Nathan Never Gigante Vol.1 – Futuro Duplo, pela Graphite Editora
* Inédito no Brasil, a origem da saga dos Tecnodroides, a primeira parte de uma trilogia.
.Por Paulo Guanaes (tradutor de Nathan Never) “Temos mesmo um único futuro pela frente? E quantos passados deixamos para trás? Em um remoto amanhã, onde a terra é devastada por uma guerra violenta, um incrível experimento está em fase de pesquisa, um desafio aos paradoxos espaço-temporais que desencadeará uma espiral de eventos imprevisíveis e espectaculares. No centro desta dramática sequência, que colocará em risco a própria existência do género humano, Nathan Never terá que enfrentar um desafio sem precedentes.“
É tempo de celebrar, no Catarse (para fazer a sua reserva e escolher o combo, clique AQUI)!
Nathan Never em formato gigante será publicado pela primeira vez no Brasil pela Graphite Editora. No primeiro número, que abre a série de edições gigantes do Agente Especial Alfa no Brasil, o escritor e argumentista Antonio Serra e o excepcional desenhador e ilustrador Roberto De Angelis contam uma história permeada por um dos mais intrigantes temas da ficção científica: a viagem através do tempo.
Futuro Duplo, uma BD de ficção científica completa, com mais de 200 páginas, é a primeira de três histórias de uma trilogia que traz o futuro (só existe um futuro?) como tema e a antológica série Jornada nas Estrelas como inspiração.
Além desse tema central, a história aborda outro assunto muito actual: um experimento que está em fase de pesquisa num planeta Terra devastado por uma guerra violenta fará com que Nathan Never enfrente um desafio que coloca em risco a própria existência do género humano!
Se você já conhece Nathan Never, não pode perder esta história inédita no Brasil. Se não conhece o personagem, não se preocupe, tem tudo sobre ele em Futuro Duplo!
Nascido na cidade de Gadalas, Nathan Never ficou órfão por causa da Yakuza. No fim da adolescência, alistou-se na Infantaria Espacial (uma alusão a Tropas Estelares, clássico da literatura sci-fi de Robert Henlein). Durante esta época, conheceu a sua esposa, Laura Lorring. Após completar o seu tempo de serviço militar, retornou à Terra, entrando para a polícia. A sua filha Ann nasceu um ano depois.
Como sargento, Nathan Never destacou-se na sua unidade policial. Porém, obcecado pelo trabalho, tornou-se nervoso e egoísta. Com o casamento em crise e em meio a várias brigas e discussões, Nathan iniciou uma relação extraconjugal com a Sarah McBain, uma procuradora distrital. Num dos encontros com a amante, Nathan recebe a notícia de que a sua esposa foi assassinada pelo criminoso Ned Mace, que fez a sua filha refém. Meses depois, Ann é libertada, mas, devido ao choque de ter testemunhado a morte da mãe, fica alterada mentalmente, sendo internada no sanatório Sinclair.
Sentindo-se culpado por ter estado ausente quando a sua família mais precisou dele, Nathan refugia-se na estação orbital Tersicore, onde se dedica a aprender a arte marcial Jeet Kune Do (estilo criado por Bruce Lee), tornando-se um mestre shaolin. Alguns anos depois, Edward Reiser, um empresário, propõe a ele que faça parte da sua agência de segurança, a Agência Alfa. Nathan apenas aceita o convite, pois precisa pagar o tratamento de Ann.
No entanto, Nathan não é mais o mesmo homem. Triste e sozinho, quando não está absorto nas suas investigações, distrai-se com os seus livros e discos antigos que, por alguma razão, adora coleccionar.
As suas histórias mesclam o clássico policial urbano, a estética noir e o drama, com incursões ocasionais por outros géneros, como o suspense político, o terror de sobrevivência e a space opera. As suas aventuras transcorrem num futuro após uma terrível catástrofe com o magma do núcleo terrestre em 2024, evento que fez o mundo atrasar o seu calendário em 78 anos, trazendo a Terra de volta ao ano de “1946”, a fim de implementar uma espécie de “renascimento psicológico”. Actualmente, as histórias de Nathan Never passam-se no ano 2105, o que equivaleria ao ano 2183 d.C., portanto, final do século XXII.
Trata-se de uma civilização dominada pela tecnologia e que constantemente luta com problemas como poluição e o poder esmagador das massas. As cidades assumiram a aparência de infinitas megacidades e o Estado, percebendo que a polícia sozinha não podia lidar com crimes desenfreados, incentivou a criação de agências criminais particulares – numa delas trabalha Nathan Never-, parcialmente subsidiadas com dinheiro público
Nathan Never foi o primeiro fumetto de ficção científica lançado pela Sergio Bonelli Editore em Junho de 1991.
Nathan Never, Legs Weaver e o seu universo de ficção científica são o resultado da colaboração de três autores: MICHELE MEDDA, ANTONIO SERRA e BEPI VIGNA.
Medda, Serra e Vigna conheceram-se, no início dos anos 80, no Centro Cultural “Il Circolo”, dirigido por Gianfranco Ghironi. Embora sejam de origens diferentes (Medda, formado em literatura com tese sobre histórias de detectives italianos, colaborou num programa de rádio; Serra criou uma revista de ficção científica amadora intitulada Fate largo!; Vigna, formado em Direito, trabalhou como advogado antes de se dedicar ao jornalismo e à publicidade televisiva), os três unem-se pela sua paixão comum pelos quadradinhos, participando do grupo “Bande Dessinée”. Graças ao encontro com Alfredo Castelli, escrevem a sua primeira história do Detective do Impossível (Martin Mystère) a seis mãos, chegando assim à Sergio Bonelli Editore. Ainda trabalhando em trio, criam outros roteiros para Martin Mystère, Dylan Dog e Zona X. Finalmente, após criarem os projectos Nathan Never e Legs Weaver, começam a trabalhar separadamente nos roteiros de histórias individuais.
Medda assinou aventuras de Tex, Nick Raider e Dylan Dog, além de “Digitus Dei”, desenhado por Casini e publicado pela Magic Press, além e ter colaborado em histórias aos quadradinhos de numerosos editores como a Disney, Arco-íris, Marvel/Panini Comics.
Serra, que também é chefe do conselho editorial de Nathan Never e Legs Weaver, lança o seu novo personagem, Gregory Hunter, em 2001 e em 2009 estreou Greystorm, uma mini-série co-criada com Gian Mauro Cozzi.
Vigna escreveu roteiros para Nick Raider e Zagor e iniciou a série Asteroide Argo, um spin-off da série mensal de Nathan Never.
Após mais de 40 anos de paixão pelos quadradinhos e coleccionismo, nasceu um desejo incontrolável de participar activamente da produção e do licenciamento de conteúdo de quadradinhos no Brasil. Assim, criou-se a oportunidade dos fãs conhecerem histórias nunca antes publicadas no Brasil, dando continuidade às séries que foram interrompidas abruptamente, além de dar chance para novos autores publicarem as suas histórias, cumprindo o papel como incentivadores da produção de conteúdo original brasileiro de qualidade.
Assim, com essa motivação, nasceu a Graphite Editora, trabalhando de fã para fã, buscando espaço em meio ao nicho do coleccionismo de obras clássicas e contemporâneas. Para isso, também utilizam a ferramenta do financiamento colectivo de projectos, tendo escolhido a plataforma Catarse, que já ajudou diversas editoras iniciantes como a Graphite que, muitas vezes, não dispõem de grande verba para sustentar os seus primeiros projectos.
Depois do sucesso de Brad Barron vol.1 e Nathan Never vol.1, a Graphite quer trazer mais e mais fumetti da Bonelli para o Brasil, Nathan Never é um sonho que estão a realizar, pois, é um personagem muito querido por toda a equipa da Graphite Editora.
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Nesta ilustração nocturna, da autoria de Claudio Villa, vemos TexWiller entrando determinadamente por uma janela para apanhar Tom Smith, um patife escondido numa casa de Federation (Califórnia) ao ter sido encurralado, pela dupla Tex & Carson, depois de ter tentado matar os Rangers a mando de um jogador chamado Leroy.
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “A sangue freddo” de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #483 e #484).
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PASQUALE DEL VECCHIO – PERCURSO DE UM TRAÇO ELEGANTE
Para além do desenhador dotado, a visita de Del Vecchio a Anadia permitiu conhecer uma pessoa afável, muito simpática, prestável e incansável. Um verdadeiro texiano!
Nascido a 17 de março de 1965 em Manfredonia, Del Vecchio deu os primeiros passos no mundo da banda desenhada publicando pequenos trabalhos na revista 1984. Colaborou também com Il Giornalino e adaptou para BD as viagens em África de Walter Bonatti, célebre explorador e alpinista. Em 1991 desenhou com Davide Tuffolo Memphis Blue, escrita por Daniele Brolli. Pouco tempo depois, o contato com a Bonelli permitiu-lhe iniciar a colaboração com esta editora, desenhando um álbum da série Zona X (nunca publicado). Em 1993 inicia a sua colaboração no policial Nick Raider, estreando-se com a aventura Duri a Morire escrita por Gino D’Antonio, passando mais tarde a desenhar outra série da Sergio Bonelli Editore, Napoleone de Carlo Ambrosini.
A partir de 2003 começa também a trabalhar para o mercado francófono, criando com Richard Nolane a série Russel Chassepublicada pela editora Humanóides Associés. Durante alguns anos ensinou banda desenhada, atividade que entretanto abandona para se dedicar ao desenho e quase em exclusivo a Tex. Desde 2005 que faz parte da equipa regular de desenhadores da série, ao mesmo tempo que vai trabalhando para o mercado francês, onde desenha a série Les Montefiore para a editora Glénat. Todo este percurso permitiu a Del Vecchio obter conhecimentos em áreas e estilos diferentes.
Com Nick Raider aprendeu a desenhar ambientes metropolitanos, a mergulhar em atmosferas citadinas e de certa forma, diferentes do velho oeste. A série ajudou-o a não exceder-se nos detalhes dos ambientes, por isso o autor não é particularmente adepto de um desenho servido por muitos efeitos, a não ser que estes possam contribuir para as exigências da história. O desenho deve sobretudo estar ao serviço da história, deve ser apelativo no sentido de permitir uma leitura fácil, considerando-se, neste aspeto, um autor muito clássico.
Com Napoleone, Del Vecchio sublinha a oportunidade que teve em desenhar ambientes diferentes, mas foi com Tex que surgiram algumas dificuldades, porque o velho oeste americano requer do desenhador uma constante atenção à luz, aos planos, à caraterização das personagens de acordo com os diversos cenários, aos espaços abertos, à sua monumentalidade, tal como obrigam ao desenho dos cavalos e dos seus movimentos, pontos ambiciosos e com algum grau de dificuldade, mesmo para quem é um apaixonado pelo western desde a infância, como Del Vecchio.
Para o autor, Tex sempre representou o cume, o fumetto italiano por excelência, o representante máximo do western clássico de John Ford, pelo que desenhar um ícone desta importância comporta em si grandes dificuldades, em virtude das muitas regras a obedecer fruto de uma longa tradição.
Na esteira de muitos desenhadores que já serviram a série, Del Vecchio teve como principal ponto de referência Giovanni Ticci. Mas foi com Claudio Villa que aprendeu muito, porque se trata de outra das grandes referências texianas, não só pelo seu sumptuoso desenho, por ser o capista da série, mas também porque desde há muito que vem contribuindo para o desenvolvimento gráfico e sobretudo da caraterização do ranger.
O primeiro trabalho de Del Vecchio em Tex surge em 2007 com aventura escrita por Claudio Nizzi Soldi Sporchi. Em pleno deserto, no Arizona e a sul de Gila River, uma patrulha do exército que deveria levar o pagamento dos salários dos militares, instalados em Forte Gila, é brutalmente atacada. Tex e Carson não acreditam nos fortes indícios que parecem acusar um grupo de índios, julgando que no meio de tudo possam estar brancos. Nizzi apresenta uma aventura num espaço delimitado pelo deserto com o forte Gila a servir de principal cenário, mas onde parece faltar alguma emoção e tudo é previsível, denotando já a fadiga de que foi acusado nos últimos anos.
Em 2009 surge a segunda aventura, La Rivolta dei Cheyennes, ainda com argumento de Claudio Nizzi. Dois especuladores ambicionam que a linha do caminho-de-ferro ,em pleno desenvolvimento, atravesse a reserva dos Cheyennes, e para tal contratam os serviços de uma sinistra personagem e de um agente índio, provocando a revolta entre os índios. Tex e Carson são chamados a intervir para evitar uma guerra que tende a explodir. Uma vez mais, uma aventura previsível e sem grande chama, caraterística de um tempo onde Nizzi já se mostrava incapaz de renovar, depois de tantos e bons anos dedicados à série.
Em 2012 Del Vecchio apresenta o seu terceiro trabalho em Tex, agora com Tito Faraci a escrever Braccato, uma aventura que traz um Tex ferido depois de se envolver no meio de um tiroteio. Socorrido por um velho sargento reformado e pelo seu jovem ajudante, este vai avisar o xerife local do sucedido, não suspeitando que por trás do representante da lei encontra-se um perigo insuspeito.
Del Vecchio colhe críticas positivas, apesar de, sobretudo no início, ser acusado aqui e ali de um traço polido de mais para os ambientes do velho oeste. A verdade é que o autor soube ultrapassar esse aspeto e assumiu-se como um valor seguro, jogando com os contrastes específicos dos ambientes do western, sobretudo através do branco que permite uma claridade, utilizada por Del Vecchio como eventualmente por mais nenhum outro desenhador da série. A construção de cenários e a caraterização das personagens, sobretudo dos índios, vem revelar um desenhador documentado e que confere muita importância ao rigor, caraterísticas que não passaram despercebidas ao mais exigente leitor texiano.
Por isso, Del Vecchio é hoje considerado um dos desenhadores que veio refrescar a série, contribuindo deste modo para a sua evolução constante e para a modernidade que os novos tempos exigem. O seu Tex teve uma entrada algo tímida, porque o autor não apresenta logo um ranger pessoal, antes inspirando-se noutros modelos. Com o decorrer do seu trabalho, Del Vecchio tem vindo a assumir uma abordagem mais pessoal no ranger, assim como na forma e no modo como constrói as suas pranchas. Mas é na composição de Águia da Noite que Del Vecchio parece estar sempre mais à vontade, aproximando-se muito dos desenhadores clássicos e fundamentais que serviram a série nos primeiros anos.
O seu traço pode ser definido com vários adjetivos: clássico, elegante, claro, polido, preciso, cuidado ou nítido, mas não evita que alguns, cada vez menos, o acusem de pouco espetacular, crítica que, de certa forma, pode levar a alguma subvalorização do trabalho deste excelente desenhador. Nada mais incorreto, ou pior, nada mais injusto. Nos últimos anos foi mesmo uma das melhores aquisições para a equipa regular de desenhadores da série, acrescendo o facto de ser um autor regular e que regra geral obedece aos apertados prazos de entrega.
PASQUALE DEL VECCHIO – PERCURSO DE UM TRAÇO ELEGANTE
*Texto de Mário João Marques (director da revista Clube Tex Portugal) publicado originalmente na Revista nº 1 do Clube Tex Portugal, de Novembro de 2014.
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