Revista do Clube Tex Portugal #12 Vários autores Capas de Alessandro Bocci Clube Tex Portugal Portugal, Junho de 2020 210 x 280 mm, 48 p., cor, capa mole, semestral Exclusiva para sócios (ver condições de adesão aqui)
‘Fanático’, segundo uma das definições da Infopédia, é um “indivíduo que se dedica entusiasticamente a algo ou alguém; apaixonado”. E esta é uma definição que assenta como um luva nos directores do Clube Tex Portugal, organizadores da mostra anual de Anadia dedicada a Tex, responsáveis pela presença em Portugal de diversos autores do Ranger em diversos eventos dedicados à BD e editores da revista, cujo 12.º número hoje trago aqui.
.
Pelo seu título e pelo acima escrito, será aceitável a conclusão que que esta publicação se direcciona a ‘fanáticos‘ – outra vez! – da principal criação Bonelli – Tex Willer, claro – mas isso seria redutor pois os apreciadores de banda desenhada em geral – e os de western em particular – poderão encontrar nas suas páginas motivos de interesse – consoante as temáticas ou os escribas envolvidos. .
Revista Clube Tex Portugal #12 – Capa variante
Se nos primeiros números, a autoria dos textos ficou (quase?) exclusivamente a cargo de (alguns) sócios, aos poucos, a publicação foi-se impondo e o número de colaboradores alargou-se, quer ao Brasil, quer mesmo a Itália, com elementos da própria redacção da Sergio Bonelli Editore e autores do peso, por exemplo, de um Mauro Boselli.
No presente número, sem querer ser exaustivo, mas servindo de montra da diversidade habitual, há artigos sobre Alessandro Bocci, A Juventude de Blueberry ou A primeira série gigante de Tex, uma entrevista com Giorgio Giusfredi ou curiosidades sobre Os porta-chaves (oficias) de Tex ou as 2000 edições de Tex no Brasil. Para além disso, como sempre, há ilustrações/esboços originais de autores de Tex, que também têm sido responsáveis pelas duas capas – a comum e a alternativa – de cada número da revista.
Completamente a cores, bem impressa, em bom papel, com cerca de meia centena de páginas, a publicação encontra-se em fase de mudança de grafismo devido ao falecimento de Jorge Machado Dias que o assegurava desde o número inicial, estando agora nas mãos de João Marin.
Sabendo que nestes casos, a ‘cada cabeça’ corresponde uma ‘sentença’, atrevo-me mesmo assim a deixar algumas sugestões: a diminuição do tamanho de letra dos textos, o que permitiria que (algum)as imagens respirassem melhor, e alguma uniformização da dimensão das ilustrações– que são ‘originalmente similares’, quer para evitar reduções extremas, quer para que não haja, por exemplo, capas iguais na origem, com dimensões (muito) diferentes na revista. Questões de pormenor – que o são – dirão alguns – com razão – que não questionam o interesse do conteúdo apresentado mas que podem ser estudadas porque o crescimento e a expansão – e o prestígio, até – atingidos pela Revista do Clube Tex Portugal o justificam.
Esta não é uma publicação que se encontra à venda, pois destina-se exclusivamente aos membros do Clube Tex Portugal, que recebem um exemplar com a capa comum, podendo encomendar outro(s) exemplar(es) dessa mesma capa ou da alternativa.
Por isso, para os interessados, termino citando o – renovado! –TexWillerBlog, “Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aquipode inscrever-se escrevendovia e-mail para José Carlos Franciscosendo necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,50 € (3,00 € se não for residente em Portugal)“.
.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro .
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Giovanni Ticci e a tridimensionalidade gráfica Por Giancarlo Malagutti [1]
Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 1
Giovanni Ticci, nascido em Siena a 20 de Abril de 1940, chega à banda desenhada quase por acaso. “Em 1956″ – como o próprio declara – ″tinha um tio que vivia em Milão, no mesmo palácio em que habitava Rinaldo Dami. Mostrei-lhe alguns dos meus desenhos e ele convidou-me a visitá-lo, para eu conhecer o mundo da banda desenhada. Assim o fiz e, depois de um mês de provas, pediu-me para fazer parte do seu staff, no qual permaneci até ao final de 1957. Naquele período eu frequentava contemporaneamente cursos nocturnos para me tornar contabilista, mas por sorte a paixão pela banda desenhada levou a melhor e assim passei a ser desenhador“.
No período em que colabora com o Estúdio Dami, Giovanni Ticci realiza o lápis para “La pattuglia dei bufali” (“A patrulha dos búfalos“), das Edições Araldo, e várias séries, entre as quais «Battle Britton» e «Dick Daring» para a Fleetway Publications de Londres, que certamente desenvolveram no jovem autor propensão à perfeição e à dedicação no trabalho, porque como bem se sabe, o mercado exterior sempre foi mais selectivo. “Naturalmente” – precisa Ticci – “não é que as várias histórias ou episódios fossem desenhados integralmente por mim. No estúdio éramos uns 5 ou 6 (entre os quais Porciani, Trevisan, Calegari) e tentávamos aprender como se fazia banda desenhada; tratava-se, portanto, de um trabalho de equipa“.
No início de 1958 Ticci abandona o estúdio Dami e regressa a Siena onde retoma os estudos, mas após três meses, por mérito de Carlo Porciani, foi posto em contacto com Franco Bignotti, que o convence a levar a sério a ideia de fazer banda desenhada. Inicia assim a fazer os desenhos a lápis para este último e, de tal modo, a desenvolver os próprios dotes artísticos tendo, em primeiro lugar, a possibilidade de trabalhar em estreito contacto com um valente artista e, em segundo lugar, a de desenhar apenas a lápis e, portanto, aperfeiçoar dia após dia a técnica e o estudo do desenho sem ter de fazer pausas para o repasso da tinta-da-china.
Os primeiros trabalhos, «Kansas Kid» e «Dick Daring», ainda foram realizados para a Fleetway, que os encomendava ao estúdio Dami com o qual Bignotti colaborava. Em seguida o editor Bonelli confia à arte de Bignotti uma nova série, «Il ragazzo nel far west», com textos de Guido Nolitta, que depois deixará a série nas mãos de Giovanni Bonelli. Bignotti, depois de três ou quatro volumes em tiras, conforme era moda naquele tempo, passa os guiões ao jovem (por isso a mão de Ticci já é vista no primeiro álbum da série republicada), o qual realiza mais uma vez apenas o lápis, porque como o próprio admite, tendo feito anteriormente apenas desenhos a lápis, tinha pouca destreza com a tinta.
Tira de «Un Ragazzo nel Far West», lápis de Ticci e tinta-da-china de Bignoti
O editor no início não sabia desse facto, mas em seguida foram indicados dois desenhadores, com a sigla «Bignoticci». Naquele ano há um breve parêntesis dedicada à realização gráfica de um texto de Francesco Bernini, a história de um rapaz, ambientada no Japão medieval, publicada em cinco edições do mensal «Piccolo Sceriffo» da Editora Dardo.
Tomando como medida a longa saga do «Ragazzo nel far west» (série republicada na colecção Rodeo e concluída com um episódio realizado integralmente por Bignotti com textos de Decio Canzio), pode-se notar o caminho gráfico percorrido pelo desenhador. Nos primeiros álbuns ainda não se nota a mão do jovem autor que, embora hábil, ainda não possuía um estilo pessoal, devido sobretudo ao facto de ter trabalhado num estúdio onde cada indivíduo realizava uma pequena parte do trabalho, aquela onde se sentia melhor, acabando assim por especializar-se e às vezes por despersonalizar-se. O lápis de Ticci acaba portanto por ser coberto pelo estilo de Bignotti, sendo este último alguns anos mais velho e consequentemente mais experiente.
Mas conforme gradualmente as edições do «Ragazzo nel far west» prosseguem, Ticci torna-se cada vez mais um perfeccionista do desenho; a produção de edições no formato de talões de cheques com 32 ″striscias″ (tiras) dá-lhe a possibilidade de aplicar-se com calma, sem o frenesim que se apodera do artista quando tem de realizar volumes corposos onde existem muitas páginas para entregar num curto prazo ao editor.
No final de 1960, acontece um facto muito significativo na vida de Giovanni Ticci: o regresso à Itália de Alberto Giolitti, que já tinha conhecido anteriormente. Os dois desenhadores encontram-se em Roma, começando a trabalhar juntos em algumas séries, também elas para o mercado externo; porém desta vez trata-se dos Estados Unidos, meta sempre ambicionada por qualquer autor, tanto para os que escrevem como para os que desenham.
Um exemplo da convincente e eficaz ambientação da ficção científica na série «Judok» (textos de G. L. Bonelli)
Inicia assim a colaboração com «Gunsmoke», «Have Gunwill Travel» e «Tales of Wells Fargo», versões em banda desenhada de famosas séries televisivas para os álbuns da colecção Gold Key Comics da Western Publishing CO. de Nova Iorque, para além de algumas histórias para «Boris Karloff» e «Twilinght Zone», sempre para a mesma editora. Ticci a trabalhar com Giolitti deve por força das circunstâncias adaptar-se ao estilo que já era conhecido na América. A confirmação desse facto vê-se na já citada série do «Ragazzo nel far west», onde se nota uma notável mudança no desenho. Tal não é apenas devido à convivência com Giolitti, que certamente influenciou bastante o jovem Ticci, mas também à inata habilidade deste que, ajudado pelo autor mais experiente, consegue deitar cá para fora toda a sua capacidade com que é dotado. E pode-se mesmo dizer que o “aluno” superou o “mestre”.
Enquanto prossegue a série na companhia de Bignotti, em 1962 inicia com o amigo Giolitti a série «Turok», publicada em Itália pelos irmãos Spada. A vinheta alarga-se, as figuras dos personagens passam a ser mais cuidadas e a qualidade do desenho do desenhador de Siena melhora cada vez mais. Nota-se aqui e ali a influência de Dan Barry e de John Cullen Murphy, dois grandes autores americanos que inspiraram inúmeros desenhadores italianos e de muitos outros países. As cenas são dotadas de maior movimento e o enquadramento torna-se mais cinematográfico, que será cada vez mais uma característica de Ticci.
As duas fases principais do processo criativo de Giovanni Ticci: O desenho a lápis e aquele final já repassado com tinta-da-china
O rigor da descrição histórica tende a melhorar graças sobretudo ao cuidado no desenho dos detalhes, tais como armas, roupas e acessórios. Cada vez mais a personalidade do desenhador deixa a sua marca, e o arte-finalista Bignotti não pode deixar de aprimorá-la, e com uma certa complacência, visto que abandona o seu estilo próprio (que depois retoma quando finaliza os seus próprios desenhos a lápis) para começar a pintar mais finamente, seguindo muito fielmente os desenhos a lápis subjacentes.
Para além das figuras humanas, saltam imediatamente à vista o cuidado e a beleza de certas paisagens, cidades ou acampamentos índios, pradarias e sobretudo canyons, que Ticci realiza com toque magistral. Porém, não obstante a paixão pelos grandes espaços, os índios, os cavalos e tudo aquilo que faz parte do Oeste americano do século XIX, o desenhador deve produzir também séries de tipo diverso, entre as quais «Voyage to the botton of the sea», uma série de ficção científica na qual uma vez mais derrama toda a sua habilidade.
Vinhetas do álbum «King Kong» realizado juntamente com Alberto Giolitti
Até 1968 leva por diante esta enorme quantidade de trabalho, à qual se soma o volume «King Kong», traduzido e publicado em Itália pelos irmãos Spada, e republicado depois pela Cenisio, na onda do sucesso cinematográfico do filme homónimo. Também desenha «Sword for Hire» e «The Fiery Furnace», um par de histórias para a Fleetwey Publications. Em 1963 tinha iniciado, para as Edições Araldo, uma série de ficção científica muito bela, com textos do multifacetado G. L. Bonelli e intitulada «Judok», mas nem sequer consegue concluir o primeiro episódio, devido aos inúmeros empenhos.
Vinhetas de «Vendetta Indiana», a primeira aventura de Tex desenhada por Ticci, nas quais eram já evidentes o domínio dos meios expressivos e a forte carga dinâmica
Um dos primeiros rostos de Tex desenhados por Giovanni Ticci
A história foi depois republicada na colecção Rodeo (nº 8, Judok), mas completada por outro desenhador. A tudo isso adicione-se o facto de, em 1966, ter sido contactado pelo editor Sergio Bonelli para iniciar uma colaboração com Tex, para o qual realiza a história «Vendetta indiana», na qual, mesmo respeitando o seu próprio estilo, consegue um trabalho bastante homogéneo com relação aos precedentes desenhos de Galleppini. Daí em diante abandona aos poucos as produções antecedentes, terminando-as definitivamente em 1969 para dedicar-se exclusivamente a Tex, objectivo certamente muito cobiçado. As únicas excepções são uma história de guerra para o «Corriere dei Ragazzi» (L’aereo di Al-Agaila, nº 25 de Junho de 1970), à época revista muito cotada, e uma história do género fantástico sobre o Palio de Siena para a série «Twilight Zone» dos Gold Key Comics.
Nos últimos dez anos dedicados a Tex, Giovanni Ticci realiza dez aventuras, mais ou menos longas, publicadas em 24 volumes, segundo o hábito da editora de publicar aventuras não limitadas a um número fixo de páginas, para não pôr limites à inspiração criativa do escritor.
Os detalhes da arte de Giovanni Ticci em Tex
Essa produção pode parecer escassa em confronto com o trabalho dos outros colaboradores de Tex, mas examinando as vinhetas uma a uma e prestando a devida atenção, não se pode deixar de notar que cada vinheta é estudada e realizada com muito cuidado e cheia de detalhes, os quais exigem bastante tempo mas produzem um efeito final extremamente agradável. Nas suas páginas existem ares de epopeia de um filme western de grande qualidade, graças à precisão dos detalhes destinados a transmitir um sentido histórico e temporal àquele mundo matizado que foi o Oeste americano. Apesar das reduzidas dimensões da vinheta, o artista consegue passear a sua classe e criar uma tridimensionalidade que salta para além dos estreitos limites do quadradinho. Como faz com outras publicações, a editora poderia mandar realizar também para as edições de Tex vinhetas maiores, pelo menos do tamanho de duas vinhetas actuais para valorizar ao máximo a arte ambiental e paisagística. Cada vinheta de Ticci é realizada cuidadosamente: as cidades, as pradarias, os canyons são sempre muito realísticos e dotados de profundidade. Não por acaso Ticci é um dos artistas mais copiados por aqueles desenhadores que, dotados de pouca habilidade e escassa fantasia criativa, se inspiram fortemente no trabalho dos outros; assim, por vezes encontramos vinhetas inteiras recalcadas das suas, em outras publicações. Nós revimos a produção deste desenhador que se demonstrou um dos mais válidos desta geração italiana e que – no nosso entender – é tido talvez em fraca consideração, porque fazendo parte daquela lista de honestos profissionais que se dedicam a tempo inteiro e exclusivamente ao trabalho de série (naturalmente de boa qualidade), não têm tempo para andar à procura de glória em outros lugares, sobretudo nos periódicos considerados ″intelectuais″ e que seguem a moda do momento.
A tridimensionalidade da arte de Giovanni Ticci em Tex
A concluir este rápido perfil de Giovanni Ticci, cremos poder legitimamente exprimir um desejo e, ao mesmo tempo, fazer um convite à editora CEPIM para tomar em séria consideração a possibilidade de confiar a realização de um volume da afortunada colecção «Un uomo, un’avventura» a um desenhador como Ticci, que honrou com dignidade gráfica, talento criativo e seriedade profissional a banda desenhada italiana.
Giancarlo Malagutti
Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 2
Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 3
Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 4
Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 5
A impressionante BiblioTex de Valdivino Otilio de Almeida
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Valdivino Otilio de Almeida: O meu nome é Valdivino Otilio de Almeida/Val, nascido em Vassoural, um distrito do município brasileiro de Ibaiti, no Paraná, estando hoje com 53 anos (nasci em 1966) e exercendo profissionalmente a área de logística.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Valdivino Otilio de Almeida:Desde a primeira vez em que tive contacto com um gibi (revista de banda desenhada). Devia ter entre 6 e 7 anos de idade e foi uma edição do Rato Mickey.
Quando descobriu Tex? Valdivino Otilio de Almeida:Bom, Tex foi amor à primeira folheada. Acredito que aos 9 anos fui apresentado com a história que até hoje sou apaixonado, o número 48, “Desfiladeiro da morte” e 49 “A ponte trágica“, por isso a paixão pelo vilão que se auto-denomina o Dr. Anatas, o Dr. Fiesmont ou simplesmente o grande Mefisto, mas o mais triste de tudo foi que fiquei quase uns 3 anos para ver a conclusão desta história pois faltavam justamente as páginas finais onde Jack Tigre atira no Mefisto. Quando me mudei para Curitiba, do qual já fazem 41 anos que aqui resido, é que finalmente pude ver o final da história.
Porquê esta paixão por Tex? Valdivino Otilio de Almeida:Porque é encantador, simplesmente você começa a ler e não quer parar. Como eu já disse, são 40 anos que o grande personagem me acompanha, seja nas horas tristes, seja nas horas de alegrias. O gostoso é que tudo começa com uma revista e de repente uma dezena, logo depois uma centena e num piscar de olhos você está com toda a colecção completa, depois de muito batalhar atrás de números que de repente se tornam difícil de encontrar. Posso dizer que nunca tive grandes dificuldades para ter os gibis em mãos, o mais complicado mesmo era achar os números em falta. A paixão por Tex não adianta nada impor, ela tem que vir ao natural pois tenho o exemplo em casa, tenho dois filhos e ambos têm pouco ou nenhum interesse pelo personagem.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Valdivino Otilio de Almeida:Acredito que é por serem roteiros muito bem elaborados, sendo alguns baseados em factos reais e ao longo do tempo você conhece toda a história que está por trás do personagem. Além de ser admirador, posso dizer que sou um coleccionador médio. Tenho na minha biblioTex todos os personagens Bonelli publicados no Brasil, mas também leio todo tipo de quadradinhos, gostando mais de uns e menos de outros.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Valdivino Otilio de Almeida:Bom, acredito que devo ter um total de mais ou menos duas mil (2.000) edições do Tex. Só não tenho completa a primeira série, que foi a Júnior, no restante todas completas e em perfeito estado pois sempre cuidei com muito carinho desde o primeiro exemplar. Para além de Tex tenho também uns cinco mil (5.000) exemplares de outros personagens (Bonelli, Marvel, DC, Disney, Fantasma, etc.). Acredito que a mais importante é a que sempre sairá no mês seguinte.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Valdivino Otilio de Almeida:Na medida do possível procuro ter nem que seja um item de cada objecto, às vezes a vontade fala mais alto e procuro ter mais de um, mas qualquer coisa que tenha o nome Tex sempre será guardado com carinho, desde um simples pedaço de papel até um livro caro.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Valdivino Otilio de Almeida:Esta é uma pergunta difícil, pois mesmo que você queira ter tudo sempre terá algo que você não vai ter, mas acredito que ficaria contente em ter um desenho de Tex, exclusivo, feito pelo grande Giovanni Ticci ou pelo Claudio Villa, mas já me conformaria por um desenho qualquer de um deles, mas algo feito com carinho.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Valdivino Otilio de Almeida:Não poderia ser diferente, tem que ser a história dos Tex 48 e 49 (“Desfiladeiro da morte” e ” A ponte trágica“) e toda a saga de Mefisto. Mas também aprecio imenso o Tex 34 “Navajos em pé de guerra“, Tex 62, 63 e 64 “Os Apaches atacam“, “O refúgio dos Mescaleros” e “Os sinos dobram por Lucero“, mas notem que sendo esta história uma das favoritas, o desenhador não o é. E falando em desenhadores, a minha lista sempre terá Galep, Ticci, Fusco, Civitelli, Villa e os irmãos Gianluca e Raul Cestaro. Nos argumentos, Gian Luigi Bonelli, Claudio Nizzi e finalmente Boselli que segura o timão nos dias actuais.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Valdivino Otilio de Almeida:Tex já foi melhor explorado com o seu criador Gian Luigi Bonelli, gosto quando ele impõem a lei e a ordem seja em um povoado, seja na aldeia. Também gosto muito das histórias onde participam os quatro pards. O que me desagrada é querer mudar o jeito de ser do personagem, pois ele foi criado para ser um cowboy do velho Oeste e tudo o que está ligado com o velho Oeste tem que acompanhar o personagem; se tomava whisky, tem que tomar whisky e não um refrigerante, se fumava um cigarro de palha, tem que continuar a fumar…
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Valdivino Otilio de Almeida:O bom senso, não aceita ser contrariado, justiça e ordem acima de tudo. É a fidelidade dos leitores ao redor do mundo ao personagem, que já tem mais de 70 anos de história editorial.
A esposa Célia e o filho John Lucas com Valdivino na presença de Fabio Civitelli em São Paulo, 2010
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Valdivino Otilio de Almeida:Sim, é muito prazeroso sentar em volta de uma mesa junto com os pards tomando aquela cerveja gelada e aquele papo gostoso e por fim conhecer amigos pessoalmente, pois no virtual são muitos e muitos de longa data, amigos do Brasil, Itália, Holanda, Grécia, Espanha, França, Portugal. Com Tex nada é impossível pois este que vos escreve teve o prazer de conhecer pessoalmente e poder apertar as mãos e dar aquele abraço no ícone que se tornou o grande José Carlos Francisco, ou simplesmente o Zeca.
Célia, John Lucas, Valdivino e José Carlos Francisco em São Paulo, 2010
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Valdivino Otilio de Almeida: Para falar em futuro é complicado, mas é certo que tudo se acaba um dia e com o nosso Ranger não será diferente, mas enquanto ele existir vamos aproveitar e desfrutar do máximo possível, hoje temos muita tecnologia, mas o bom ainda é poder pegar uma revista nas mãos, sujar com tinta, sentir o cheiro do papel… E por fim dizer a todos que histórias em quadrinhos/banda desenhada é cultura, não se sinta envergonhado. E do Brasil mando aquele abraço para todos os pards é Lilyths que gostam um pouco ou que amam de paixão o eterno Ranger. E viva Tex!
Prezado pard Valdivino Otilio de Almeida, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Valdivino Otílio Almeida exibe orgulhosamente as revistas do Clube Tex Portugal na sua imponente BiblioTex
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
NÃO! Não é um show ou uma reunião com os nossos heróis como na foto de capa desta matéria. Até porque, certamente, reuniria muita gente, e não seria recomendado nestes tempos. Os dias fechados em casa parecem-nos intermináveis e nem os nossos filmes e séries podem preenchê-los. O facto de alguns de nós já estarmos há mais de um mês em isolamento social e/ou quarentena, pode levar-nos a pensar que ir para a “fase 2” seja apenas coisa de super-heróis. Chegou a hora certa de começar a jogar! Pois é, não existem apenas quadradinhos na Loja Online da Sergio Bonelli Editore.
Para os leitores do Brasil, também podem encontrá-los, ou encomendá-los, na Loja Online da Bonelli HQ Megastore ou pelo Whatsapp (21 3904-4183).
Nos últimos anos, a empresa também propôs alguns passatempos para todos os fãs dos nossos heróis. Passatempos perfeitos para ajudá-lo a preencher estes longos dias de permanência social em casa. Embora algumas actividades comerciais e de manufactura não tenham parado ou estejam voltando lentamente, para muitos de nós o isolamento social ainda está longe de terminar. Assim, a Dream Factory pode ajudá-lo com este lote de produtos.
Os amantes de quebra-cabeças, que em dias como este têm todo o tempo que precisam, podem escolher entre os sete temas diferentes disponíveis na loja on-line: um instantâneo de Águia da Noite chegando em uma vila navajo com os seus pards, desenhado por Stefano Biglia; um retrato de Tex e seus pards de Aldo Di Gennaro; um Tex com o seu cavalo Dinamite, feito por Giovanni Ticci; duas cenas de batalha de Dragonero, como imaginado por Gianluca Pagliarani; uma ilustração de Gallieno Ferri, que mostra muitas das mais Os clássicos Zagor; e um desenho clássico de Claudio Villa, representando os nossos heróis Bonelli.
Se você prefere jogos de tabuleiro em vez de paciência, a SBE também tem para si! O jogo Tex criado pela Cranio Creations encena um emocionante duelo até à última bala entre duas equipas, no desafio mais clássico entre o bem e o mal. Zagor Odisseia Americana, criado pela Ergo Ludo Editions, recria a aventura clássica do “Espírito com a machadinha”, permitindo que os jogadores revivam esse épico inesquecível. Por fim, a Pendragon Game Studio criou o Bonelli Kids – O jogo de cartas, um emocionante desafio entre Zagor e Martin Mystère que permite que jovens e idosos compitam em igualdade de condições na tentativa de conseguir os seus quadradinhos Bonellianos favoritos.
Então o que você está esperando? Você tem tempo para brincar, não é?
Mauro Boselli exibe orgulhosamente vários exemplares de Tex Willer nº 19 que contém uma história de sua autoria
No passado dia 19 de Maio a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 19 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “Fuga sul mare” (“Fuga para o mar“) que contém a segunda parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Michele Rubini, que se estreou nesta série precisamente com esta história!!
A capa deste décimo nono número, tal como as dezoito anteriores e as que se seguirão nesta nova colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, assim como de alguns outros esboços alternativos e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:
Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Segundo esboço (o eleito) para a capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Quarto esboço para a capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Arte a lápis da capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #19, da autoria de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #19, com as cores originais de Maurizio Dotti
Capa de Tex Willer #19
(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)