A proposta: dedicar uma rua ao autor que desenhou cerca de 1.500 páginas do Ranger criado por Giovanni Luigi Bonelli.
O jornalista italiano de Casale, Francesco Dionigi (na foto abaixo, à direita) propôs recentemente à Administração Camarária de Codogno (uma comuna italiana da região da Lombardia, província de Lodi, com cerca de 13.950 habitantes) dedicar uma rua ao conterrâneo Virgilio Muzzi “está entre os pais da banda desenhada Tex”.
É de Lodi um dos pais de Tex Willer, uma das mais populares bandas desenhadas italianas, escrito e criado por Giovanni Luigi Bonelli e pelo desenhador Aurelio Galeppini (Galep) em 1948 e publicado actualmente pela Sergio Bonelli Editore.
Jornalista Francesco Dionigi, o autor da proposta
Entre os autores, portanto, também está Muzzi (que desenhou também o número 5 de Diabolik datado de Maio de 1963 e três números de Mister No). No final dos anos cinquenta do século passado (em 1957 começou a se envolver com Tex, ora fazendo alguns desenhos a lápis, ora a arte-final em desenhos de Galep, ora trabalhando a quatro mãos com Francesco Gamba como nas últimas 54 páginas de A Quadrilha do Ás de Espadas) o artista juntou-se a Galep na realização das histórias do célebre Ranger. Os Tex de Muzzi caracterizam-se por um traço muito particular: as suas camisas às riscas e em xadrez e os seus personagens bigoduços.
A primeira história que Muzzi desenhou integralmente (considerada a sua estreia oficial com o Ranger) faz parte da série denominada “Città d’Oro“ e intitulava-se “Contrabbando“. Ele baseou-se nos textos do criador da série e no actual formato está incluída no álbum “Un’audace rapina“. Nos anos seguintes foram-lhe confiados outros episódios de Tex até ao número 183 “Caccia all’uomo“, publicado em Janeiro de 1976, do qual desenhou somente 18 páginas e com o qual terminou o seu empenho na série.
O Tex de Virgilio Muzzi
É preciso dizer também que trabalhou em Tex principalmente em parceria com Galleppini, que tinha a tarefa de realizar apenas o rosto do Ranger. A colaboração durou dezasseis anos. Ao todo o desenhador italiano desenhou cerca de 1.500 páginas, num total aproximado de doze mil vinhetas.
Os quatro pards na Arte de Virgilio Muzzi
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Everson Costa: Salve Pards! Meu nome é Everson Costa, eu nasci em São Bernardo do Campo, mas atualmente eu moro em Diadema, São Paulo. Tenho 23 anos e atualmente eu trabalho como encarregado de loja em um comércio de festas e embalagens.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Everson Costa:Eu coleciono quadrinhos há mais ou menos 7 anos, comecei lendo DC/Marvel, mas o tempo vai passando e fui achando todas essas leituras maçantes, tudo igual que já não tinha mais graça, aí resolvi buscar novos horizontes ou no caso, novas pradarias hehehe. Meu interesse por Tex nasceu após um vídeo que vi em um canal no YouTube, de cara já me chamou a atenção, pela arte das páginas, que se não me engano foi de uma das edições coloridas, aquilo me encheu os olhos.
Quando descobriu Tex? Everson Costa: Eu pude realmente conhecer Tex, quando eu pude comprar a edição número 5 de “Tex Willer: As Aventuras de Tex quando jovem”, a partir dali foi só amor. Cada página, cada quadro, com todos aqueles detalhes, encheu meus olhos e meu coração também, hahaha. Ainda lembro de um quadro específico de um sequência de ação, onde Tex após atirar, no quadro seguinte tem um movimento dele recarregando a arma, ali já me conquistou. Além de tudo isso, a personalidade de Tex também me chamou muito a atenção, não tem como não gostar deste personagem, mesmo sendo muito casca grossa, você consegue ver a humanidade e o quanto especial é esse personagem! E um último detalhe que me conquistou, foi o nome e seu cavalo: Dinamite! Que nome espetacular para um cavalo! Hahaha.
Porquê esta paixão por Tex? Everson Costa:Minha paixão por ter foi à primeira vista, ou no caso, “à primeira leitura”. Sinceramente eu não estava esperando tanto, mas fui MUITO surpreendido, tanto pela qualidade, tanto pelos desenhos, tanto pelos personagens. Quando leio Tex, não importa qual edição ou quando eu leio, sempre parece que estou lendo pela primeira vez. As aventuras pelas pradarias, pelo deserto, pelas cidades, pelas tribos, tudo é sensacional, você se sente ali junto com Tex e Carson. A personalidade de Tex também é sempre mantida, não vivem fazendo reboot no personagem como em histórias em quadrinhos da Marvel e DC. Outra coisa que contribui também por esse amor, é a própria comunidade de fãs da obra, nunca vi um grupo tão unido, que compartilham informações, até doam quadrinhos para quem está começando, amo ver essa interação também.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Everson Costa: O que diferencia Tex de outros quadrinhos, no meu ponto de vista, são vários, por exemplo: Tem quadrinhos que você lê e até se diverte, mas no final sente que não mudou nada em sua vida, ao contrário de Tex, que em toda história você aprende algo, Tex sempre passa uma lição de honra, um aprendizado. Outro fator também, foi um que até citei mais acima, onde que: não importa qual roteirista assuma a história, nenhum muda a personalidade dos personagens, eu admiro muito isso, porque em outras histórias acabam mudando tudo e você fica totalmente perdido. E por último, Tex não tem histórias ruins. Geralmente os quadrinhos normais tem edições ruins ou péssimas, que fica até difícil de ler, já Tex não, toda história de Tex é ótima, você pode ir de olho fechado em qualquer história, que você irá gostar.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Everson Costa:Atualmente eu tenho 115 edições de Tex. Para mim, todas são importantes, mas o meu xodó é uma edição que eu consegui em uma visita a uma loja de quadrinhos de um amigo meu. É uma edição que foi encadernada em capa dura por um colecionador, essa edição compila do capítulo 316 a 320 da editora Globo. Uma edição que cuidarei para sempre.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Everson Costa:Coleciono tudo o que é acho e tenho condição de adquirir do personagem.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Everson Costa:O item que eu mais gostaria de ter em minha coleção, seria uma estatueta de Tex ou de algum outro personagem do nosso quarteto.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Everson Costa: Eu tenho duas histórias favoritas, uma é “O Casamento de Tex” e a outra é “A Morte de Lilyth”, elas são muito marcantes. Meu roteirista favorito é o Mestre Gianluigi Bonelli e o outro Mestre é o desenhista, Aurelio Galleppini.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Everson Costa:O que me agrada mais em Tex, com certeza são as histórias e os personagens, a ambientação também e como você pode também começar a ler Tex facilmente.
O que menos me agrada, é que às vezes o Tex tem tanto destaque, que os seus companheiros até ficam um pouco de lado, claro que Tex tem que ter mais destaque por ser o protagonista, mas às vezes parece que deixam seus companheiros mais burrinhos para que Tex pareça mais inteligente, pode ser uma impressão errada minha.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Everson Costa:O que faz Tex um ícone é sua personalidade honrada, os ensinamentos que ele passa, coragem, justiça, justo, tudo isso aplicado em ótimas histórias. Seus Pards também fazem sua parte, com o velho Kit Carson e seu pessimismo, com Kit Willer e sua bravura e com Jack Tigre um silencioso Guerreiro.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Everson Costa: Eu nunca me encontrei com colecionadores, eu não conheço nenhum que more perto, mas eu gostaria de conhecer.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Everson Costa: Eu vejo um ótimo futuro para o personagem, a todo momento vejo novos leitores se interessando. Também pela sua tiragem de histórias, sempre tem algum formato saindo, o que facilita o contato com as histórias. Sua personalidade também é um incrível ponto, o que cativa qualquer leitor. Todo mundo devia conhecer Tex e ver o quão maravilhoso é esse universo. Eu vejo um futuro próspero para Águia da Noite. Eu irei repetir uma fala minha a qual eu disse quando comecei ler Tex: “Eu irei ler Tex para sempre!”.
Prezado pard Everson Costa, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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A cor em Tex: um longo caminho a percorrer, por Pedro Cleto – Página 21
“… eu, como todos sabem, continuo a me declarar fervoroso partidário do desenho em preto e branco. Só que, com o passar do tempo, tornei-me mais complacente, mais sensível aos pedidos e aos gostos modernos dos leitores.”
Eu, como Sergio Bonelli – passe a vaidade da comparação – também prefiro Tex a preto e branco. Possivelmente porque o descobri assim, muito naturalmente porque por Tex têm passado – continuam a passar – excelentes artistas, cultores do preto e branco, de certeza porque é assim que Tex tem sido idealizado pelos seus desenhadores.
O que não invalida que não perceba, aceite e até aplauda a vontade que Sergio Bonelli expressava de ir ao encontro dos “pedidos e gostos modernos dos leitores” actuais.
Só que, até agora, isso tem sido feito de forma equivocada.
Uma breve resenha histórica, antes de entrar propriamente no tema.
Na origem, Tex era a preto e branco.
A razão principal desta opção – acredito eu – era baixar custos e tempos de produção. Tempos, porque era mais rápido para o(s) autor(es) produzir(em) as suas bandas desenhadas a preto e branco; custos, porque a impressão a cor faria disparar o preço das edições.
E – muito justamente – as edições Bonelli – primeiro de Gianluigi, depois do seu filho Sergio – sempre se quiseram e defenderam de cariz popular, como projecto editorial que tem no preço – baixo – uma componente decisiva – daí, possivelmente, a longevidade de Tex (e da editora) e o sucesso redobrado das suas sucessivas edições.
Tanto quanto sei, a cor em Tex surgiu pela primeira vez há já muitos anos – Fevereiro de 1969, mais exactamente – para tornar diferentes, mais apetecíveis, mais apelativos, festivos, os números centenários.
Desconheço – alguém ainda saberá? – se na época foram colocadas sobre a mesa outras hipóteses para assinalar essas edições redondas: números com mais páginas, com oferta de brindes, posters ou separatas. Mas, diz-nos a História das edições Bonelli, que foi a cor o aspecto distintivo introduzida no número #100 de Tex e, desde então, recorrente a cada oito anos e tal.
Pensando em posteriores (re)publicações, em eventuais traduções, apenas porque era esse o modelo ou até porque no momento da criação ainda não era certa qual a história a introduzir no número centenário, a verdade é que as histórias desses números sempre foram desenhadas pelos autores como se destinadas a publicar a preto e branco, levando depois uma ‘cobertura’ colorida – atractiva, pela diferença, para quem lia Tex sempre a preto e branco – mas pouco trabalhada em termos de verdadeira aplicação da cor.
Dando um longo salto temporal, vamos até Fevereiro de 2007, quando a Sergio Bonelli Editore criou uma parceria com o jornal La Repubblica e revista L’Expresso para o lançamento da Collezione Storica a Colori, distribuída semanalmente com aquelas duas publicações, a preço acessível – mais uma vez! – com o propósito de publicar as histórias iniciais de Tex, em grossos volumes, mas desta vez a cores. Pensada inicialmente para ter apenas 50 tomos, teve um sucesso tal – no conjunto acabaria por vender 27 milhões de exemplares e render 186 milhões de euros! – que se prolongou no tempo, acabando por atingir os 239 tomos, republicando todas as histórias da série principal de Tex disponíveis até à data[ii].
Mais uma vez, a cor foi aplicada sobre as pranchas desenhadas a/para preto e branco, sendo equiparável às das edições especiais centenárias. Naturalmente. Era impensável redesenhar quase 60 anos de histórias aos quadradinhos para as preparar para a cor. Mas teria sido possível trabalhá-la melhor. Possivelmente, o facto de a colecção ter sido pensada limitada a apenas 50 volumes não justificava uma aposta diferente aos olhos do editor e depois não fez sentido modificá-la quando já estava em curso.
A cor em Tex: um longo caminho a percorrer, por Pedro Cleto – Página 22
Podendo haver entre os compradores – a par de muitos antigos leitores que coleccionaram Tex por nostalgia e pela hipótese de terem toda a sua longa saga aventurosa num mesmo formato – novos leitores, atraídos pela cor, Sergio Bonelli rendido “diante das entusiásticas reacções suscitadas pela edição histórica da saga texiana distribuída como suplemento do jornal italiano La Repubblica e da revista semanal L’Expresso” [iii] decidiu avançar com uma colecção colorida regular, “uma série especialíssima de Tex” [iv].
Nasceu assim, em Agosto de 2011, Color Tex, edição anual que visava – digo eu – por um lado aproveitar a embalagem da Collezione Storica a Colori e, por outro, avaliar o mercado com o intuito de perspectivar avanços mais significativos nesta área.
Color Tex que entretanto já passou a semestral – prova da boa resposta dos leitores – mesmo que não tenha atingido as vendas da revista regular – e o preço mais elevado poderá, sem dúvida, ser um dos principais factores para esta situação.
Mas não será certamente o único porque aqui, em minha opinião, a Sergio Bonelli Editore falhou, continuando a aplicar nestas edições – criadas para a cor – o seu colorido tradicional, quase mecânico, plano, monótono, sem definição de volume nem de sombras, por vezes sobreposto nas manchas de negro que nos originais criavam contrastes, perspectiva e marcavam as distâncias.
E se a intenção era atender aos “pedidos e aos gostos modernos dos leitores”, Color Tex fica claramente a perder quando comparada – em termos de cor – com os comics americanos e os álbuns europeus que eles – possivelmente – lerão e de onde lhes vem a apetência pela cor. Algo que o próprio Pasquale Del Vecchio, que está a trabalhar num novo Color Tex que será editado em 2015, reconheceu durante a conversa/conferência que teve lugar durante a 1.ªMostra do Clube Tex Portugal, em Anadia, em Agosto último. Afirmou mesmo que lhe foi pedido que desenhasse normalmente, como se a edição fosse ser editada a preto e branco, o que parece um contra-senso, mais a mais em relação a um autor que está habituado a trabalhar de forma diferente para o mercado franco-belga.
Mas, reconheço facilmente que nem tudo tem sido negativo.
Se o número inicial, E chegou o dia[v]me desiludiu, já Os Bandidos da Neblina[vi], de Ruju e Cossu, deu um passo significativo nesse sentido.
A escolha de Ugolino Cossu para o desenho foi um trunfo, uma vez que o seu traço fino, pormenorizado mas limpo e com muitos espaços livres para o desenho respirar, revelou-se ideal para sustentar o trabalho de cor, que surge ao leitor mais distante das habituais cores mecanizadas Bonelli e mais próximo de um verdadeiro trabalho de colorista.
No Color Tex seguinte, O Xamã Demoníaco[vii], o traço duro e mais agreste de Ticci, pleno de manchas de negro para reforçar os contrastes desejados – a preto e branco… – que melhor realçam os ambientes selvagens em que a acção decorre, voltou a revelar-se pouco propício para a aplicação da cor.
Se depois ainda não tive oportunidade de ler ou sequer folhear os números seguintes, pelas páginas já disponibilizadas online, parece haver motivos para alguma satisfação. Na verdade, algumas das páginas do Color Tex #4[viii], mostram uma cor bem mais conseguida, com diversas gradações e sombras e volumes a surgirem da sua aplicação.
O mesmo se passa com o Color Tex #5[ix], onde a assinatura de Civitelli no desenho é garantia de um traço fino e detalhado, com mais espaço livre para o desenho se estender, o que, a par da utilização da cuidada técnica de pontilhado, possibilita que a cor não choque com manchas de preto e surja mais brilhante a atractiva.
Em resumo, apesar de pequenos passos na direcção certa, até agora os exemplos mais conseguidos da utilização da cor em Tex estão mais relacionados com o tipo de traço utilizado no desenho do que propriamente com a técnica utilizada na sua aplicação.
Ou seja, em termos de cor, Tex tem ainda um longo caminho a percorrer. Saltar algumas etapas e aprender com quem já o faz (tão) bem, só trará vantagens, a curto e médio prazo.
A cor em Tex: um longo caminho a percorrer, por Pedro Cleto – Página 23
[i]Do editorial do Tex Colorido #1, Mythos Editora, Abril de 2012 [ii]E sensivelmente no momento de fecho deste texto em termos da sua escrita, a 2 de Outubro de 2014, iniciou-se em Itália um prolongamento da colecção, que terá mais 17 volumes e trará as aventuras de Tex na Collezione Storica a Colori até ao momento presente. [iii]Do editorial do Tex Colorido #1, Mythos Editora, Abril de 2012 [iv]Idem [v]Idem [vi]Tex Colorido #2, Mythos Editora, Abril de 2013 [vii]Tex Colorido #3, Mythos Editora, Maio de 2014 [viii]Color Tex #4, Sergio Bonelli Editore, Novembro de 2013 Este número introduz uma nova fórmula: em lugar da aventura longa, inclui quatro histórias curtas: L’uomo sbagliato, de Tito Faraci e Giampiero Casertano; Un covo di belve, de Pasquale Ruju e Sandro Scascitelli; L’ultimo della lista, de Gianfranco Manfredi e Stefano Biglia; La valle sacra, de Mauro Boselli e Nicola Genzianella. [ix]Color Tex #5, Sergio Bonelli Editore, Agosto de 2014
O regresso da fórmula original com Delta Queen, de Mauro Boselli e Fabio Civitelli.
*Texto de Pedro Cleto publicado originalmente na Revista nº 1 do Clube Tex Portugal, de Novembro de 2014.
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