As críticas do Marinho: Tex Willer “L’Agente Federale” (números 18 a 23)

Por Mário João Marques

Terminei a leitura da mais recente aventura de Tex Willer, iniciada no número 18 com L’Agente Federale, e terminada no número 23 em Nelle Mani della Legge.

Inicialmente prevista em flashback para a série principal, que narra as aventuras do Tex adulto, a história acabou por se desenvolver durante a juventude de Tex e apresenta em 6 álbuns e cerca de 400 páginas um conjunto de fugas, batalhas, traições, romance e muitos dos valores do herói pelo meio, num épico a lembrar as grandes narrativas aventurosas da literatura e do cinema, ou grandes aventuras de Tex como Sangue Navajo ou Patagónia.

O jovem Tex Willer conta aos seus amigos, o chefe Cochise e o ex-ladrão de cavalos Jimmy, um dos episódios por si vividos e que teve origem na perseguição que um agente federal lhe moveu sem piedade, o que o levou a fugir para a Louisiana, estado onde acaba por se ver arrastado para as fileiras do exército que combatia os índios Seminoles. Aqui, o jovem herói acaba por desertar e juntar-se aos índios, organizando a guerrilha movida contra o exército com vista à obtenção de um tratado de paz.

Uma grande aventura que mais uma vez vem provar que Tex é muito mais que um simples cowboy que deambula entre tiroteios e perseguições e sem grande espessura psicológica. Esta superficialidade que o herói aparenta não é fácil de obter (e prova disso a dificuldade que alguns autores encontram) e mais não é do que a afirmação de uma personagem em cenários e ambientes que muitos teimavam em ver como maniqueísta.

Quando Hollywood passou a ver o western com outro olhar, Gianluigi Bonelli já o fazia desde 1948 com o seu herói. O Tex Willer desta aventura, mais não é que o mesmo herói adulto, defensor dos oprimidos, anti-racista, e que não se inibe de estar contra a prepotência de alguns militares. Este Tex Willer procurado pela lei, no fundo não atira para matar, nem se coloca radicalmente de um lado da barricada contra o outro, sabendo que a razão não está só de um dos lados.

Para alguns poderá não ser a melhor aventura de Tex Willer, mas é seguramente a que melhor exalta os valores daquele que se veio a tornar num mito, num herói justo, humano e um perfeito exemplo de intercultura entre povos.

Parabéns a Boselli pelo trabalho de interpretação de um grande herói, parabéns a Rubini, com o seu traço polido, ao mesmo tempo expressivo e detalhado, pelo trabalho gráfico.

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Edições Bonelli no Brasil são notícia no jornal Correio do Cidadão: “Com 80 anos de história, editora Bonelli vem ganhando mais espaço no Brasil”

Texto do jornal Correio do Cidadão (Notícias de Guarapuava e região), Brasil
11 de Novembro de 2020

Por Cristiano Martinez*

Com 80 anos de história, editora Bonelli vem ganhando mais espaço no Brasil

Nos últimos anos, o mercado editorial brasileiro assiste à chegada de novas publicações bonellianas em português (edições independentes ou por grandes casas), rompendo com o senso comum de que só se lê/conhece Tex Willer no país

Aventuras de Dylan Dog envolvem terror e mistério

A Sergio Bonelli Editore completa 80 anos de história em 2020. Famosa pela publicação das aventuras do ranger Tex Willer, essa casa italiana tem um catálogo diversificado de personagens que vai além das fronteiras do Velho Oeste.

Mas somente nos últimos anos é que o leitor brasileiro vem tendo oportunidade de conhecer edições em português desse material eclético.

Por isso, engana-se quem acha que os fumetti da Bonelli são apenas para “tiozinho”. As clássicas revistinhas mensais editadas pela Mythos continuam inundando as bancas de jornal do Brasil, com predomínio de títulos protagonizados por Tex e seus pards. Geralmente, são revistas impressas no famoso “formatinho” (capa mole e tamanho menor), em preto/branco e arcos de história.

No entanto, nos últimos três anos apareceram novas editoras e publicações mais diversificadas, abrindo espaço para outros personagens bonellianos. Claro que isso não é de hoje, pois no passado ocorreram ações pontuais, mas que não vingaram. Agora, parece que é um momento consolidado, com maior oferta e procura do público. Talvez seja a melhor época para se conhecer Bonelli em terras tupiniquins.

Até mesmo a Mythos experimentou novos tipos de edição, lançando graphic novel e mais títulos. Inclusive, com direito à volta de Dylan Dog, o Detetive do Pesadelo, personagem muito popular na Itália que conta hoje com publicação regular no Brasil.

De tudo isso, o que chama atenção mesmo é a profusão de editoras independentes, ao melhor estilo de “fã para fã”, que apostaram com sucesso em edições especiais e séries menos conhecidas da Bonelli.

Uma das primeiras casas é a gaúcha Lorentz (www.facebook.com/editoralorentz), empreendimento familiar, que deu o pontapé em 2017 com uma trilogia de terror estrelada por Dylan Dog, personagem até então fora do mercado brasileiro. Eram volumes com 100 páginas cada um e histórias completas. Material de qualidade.

Coincidentemente, após a circulação desse material a Mythos (www.lojamythos.com.br) anunciou o retorno de uma série regular desse personagem.

Aliás, a Mythos é um prato cheio para quem gosta de Bonelli, entre publicações atuais e catálogo: Dragonero (fantasia), J. Kendall (mistério), Mágico Vento (western místico), Martin Mistère, Nathan Never, Nick Raider, Zagor e as dezenas de títulos do Tex.

Editora 85 apostou com sucesso na publicação da série “Dampyr”

85
Criada por Leonardo Campos, a editora 85 (https://www.editora85.com.br/) tem hoje uma oferta bonelliana bem interessante ao leitor.

O editor começou com a série vampiresca “Dampyr” (em volumes de 1 a 5), mas hoje conta com o aventureiro “Mister No” (cinco edições) e a ficção científica “Morgan Lost” (um número). Geralmente, Campos lança os materiais em campanhas de financiamento coletivo (via Catarse), para depois distribuir em sites de vendas.

Sediada em São José dos Campos (SP), a 85 é o projeto pessoal de um colecionador de quadrinhos, engenheiro e, de uns anos para cá, também editor. Além dos fumetti da Bonelli, Campos também publica o italiano “Diabolik”, em um verdadeiro trabalho de resgate editorial.

FC
Já a Graphite (www.facebook.com/editoragraphite/) centrou suas atenções em ficção científica ao estilo Bonelli, casos de “Nathan Never Gigante Vol.1 – Futuro Duplo”, que foi financiado no Catarse; e “Brad Barron Vol.1”, à venda na Amazon.

Atualmente, a editora está em campanhas de financiamento coletivo para o bonelliano “UT Vol.1”, inédito no Brasil e produzido pela dupla Corrado Roi e Paola Barbato (https://www.catarse.me/ut1).

Nesse segmento, outro destaque é a Red Dragon (www.reddragonpublisher.com/), que vem publicando a série “Lilith”, uma cronoagente (viajante do tempo) criada por Luca Enoch.

Editora Graphite deu foco às séries de ficção científica da Bonelli

LE STORIE
Editora recém-surgida, a Trem Fantasma anunciou para dezembro o lançamento no Brasil de duas aventuras da série bonelliana “Le Storie” (série especial com histórias fechadas): o clima de espionagem “Mugiko”, de Gianfranco Manfredi e o brasileiro Pedro Mauro; e a mistura de Tolstói/Lovecraft em “Sangue e Gelo”, por Tito Faraci e Pasquale Frisenda.

E não apenas as pequenas editoras que têm diversificado a publicação de Bonelli no país. A Panini (loja.panini.com.br/) publicou uma trilogia em formato de álbum de luxo capa dura, com a proposta de reimaginar o personagem Mister No: “Revolução”, “Revolução – Califórnia” e “Revolução – Amazônia”.

Essa multinacional italiana ainda lançou uma trinca que se passa num Velho Oeste sujo e racista: “Deadwood Dick”, “Deadwood Dick: Entre o Texas e o Inferno” e “Deadwood Dick – Black Hat Jack”. Sem contar também a experiência sensorial “Monolith” e “Chanbara – O Caminho do Samurai”.

Edição especial da coleção Le Storie tem desenho do brasileiro Pedro Mauro

ECLETISMO
Como se pode ver, Bonelli, que é a maior editora da Europa, não é apenas Tex e o Velho Oeste. A recente enxurrada de fumetti (como são chamados os quadrinhos na Itália) no Brasil revela uma bela diversidade italiana, com altas doses de violência, espionagem, ficção científica, terror, mistério, vampiros, samurais e violência.

*Copyright: © 2020 Cristiano Martinez & Jornal Correio do Cidadão (Notícias de Guarapuava e região), BrasilEditor

Biblioteca Tex – Tex e os justiceiros de Vegas, da Panini Comics: A capa (em alta resolução), a contracapa e o… preço

Tex Willer continua a ser um fenómeno extraordinário de vendas à escala planetária tendo em conta os milhões de exemplares que a cada novo ano são vendidos em países, sobretudo, como Itália e Brasil, mas também Portugal, França, Finlândia ou até na Índia, apesar da “crise” que assola a banda desenhada mundial onde praticamente se constata que a cada ano a Nona Arte vai perdendo milhares de leitores no seu todo.

E um dos países onde Tex tem uma extraordinária pujança e até uma expansão cada vez maior é no Brasil, a segunda casa do Ranger, já que depois de Itália não há a menor dúvida que a legião mais fervorosa de texianos se encontra no Brasil, sobretudo em número de exemplares adquiridos, número esse que somente é suplantado, obviamente, pelo mercado italiano.

Actualmente Tex é publicado pela Mythos Editora, a casa de Tex no Brasil há mais de duas décadas, mas também é publicado pela Editora Salvat que tem vindo a distribuir a luxuosa série Tex Gold. E a partir deste mês de Novembro, outro colosso mundial passa a publicar Tex no Brasil, a Editora Panini Comics. 

Trata-se da “Biblioteca Tex“, cujo número inaugural trará a história “Os justiceiros de Vegas” escrita por Mauro Boselli e ilustrada por Corrado Mastantuono.

Em Vegas, Novo México, a paz e a tranquilidade reinam graças a um grupo de justiceiros do gatilho rápido que faz a lei ser respeitada a qualquer custo. Seguindo a pista de uma quadrilha de assassinos e assaltantes que agem na fronteira sul do Estado, Tex descobre que alguns dos bandidos foram enforcados justamente em Vegas. Mas as contas não fecham porque, depois da data da morte dos facínoras, eles assaltaram uma diligência! Para conseguir esclarecer a situação, os quatro pards devem enfrentar Hoodoo Brown e Dave Mather, respectivamente presidente municipal e xerife daquela que, aparentemente, é uma cidade livre do crime.

Terá 224 páginas, a cores e o mesmo formato (17×26 cm) da colecção Tex Gold da Salvat sendo o miolo couchê, com capa dura e lombada quadrada. O preço é de 84,00 Reais. Quanto à periodicidade é especial.

Relativamente à capa, que apresentamos de seguida em alta resolução, com as presenças de Tex e Carson em posição de duelo, é da autoria do desenhador da aventura: Corrado Mastantuono.

Capa Biblioteca Tex: Os Justiceiros de Vegas

Contracapa Biblioteca Tex: Os Justiceiros de Vegas

Guarda do volume Biblioteca Tex: Os Justiceiros de Vegas

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“Armadilha Diabólica” de Nizzi, Fusco e Civitelli: A história do Superalmanaque Tex #3 a publicar em Dezembro de 2021

Superalmanaque Tex é uma série recente da Mythos Editora, com periodicidade anual, que se estreou em Dezembro do ano passado e que intercala uma aventura longa de cerca de 500 páginas com uma colectânea de um grande autor e com a particularidade de estar disponível em dois formatos: o chamado formatinho, em papel jornal, que é distribuído pelas bancas do Brasil e o denominado formato italiano, com papel offset, que está à venda somente através do site da Mythos Editora.

A edição de estreia do Superalmanaque Tex, trouxe o título EM NOME DA LEI, uma extensa aventura escrita por  G. L. Bonelli e desenhada por Erio Nicolò, que para além de ser uma das maiores histórias de Tex (mais de meio milhar de pranchas, inclusive aquando da publicação original, a história prolongou-se por cinco números do título mensal do Ranger) é também uma das histórias mais apreciadas pelos fãs.

Superalmanaque Tex #1

Por sua vez o Superalmanaque Tex número 2 será publicado no próximo mês e trará então uma colectânea de um dos mais afamados e apreciados desenhadores de Tex: Giovanni Ticci.
Vingança de índia, O massacre de Goldena e Assalto ao trem.
Pela primeira vez num único volume, algumas das primeiras histórias de um dos maiores intérpretes de Tex, Giovanni Ticci. Os trabalhos iniciais do mestre que influenciou mais de uma dezena de desenhadores do Ranger em três histórias escritas por Gianluigi Bonelli, nas quais encontramos as suas inspirações nos clássicos americanos da era de ouro, as homenagens a Galep e o seu amor sem fim pela aventura. Três histórias de Fronteira, três histórias de vingança, de tenacidade, de caçada humana, de espírito de revanche. A alma do oeste em seu mais resplandecente esplendor.

Superalmanaque Tex #2

Mas a um ano de distância, o Tex Willer Blog já pode apresentar o Superalmanaque Tex número 3, a publicar futuramente em Dezembro de 2021, devido ao comentário público do editor Dorival Vitor Lopes, AQUI mesmo no Tex Willer Blog. O Superalmanaque # 3 será verdadeiramente épico… com uma história de 504 páginas do trio Nizzi/Fusco-Civitelli:
“Armadilha diabólica” (no original italiano “L’ uomo con la frusta“; Tex 365 a 369).

L’uomo con la frusta

Dada a sua extensão, esta história foi, na época da sua realização (1991), sujeita a uma interessante experiência: foi dividida em duas partes (com a segunda que é obviamente a continuação da primeira), confiada a dois desenhadores diferentes e que a Mythos Editora vai então agrupar numa única edição verdadeiramente especial.

Quanto à história em si: Ao receber o que pensa ser um pedido de ajuda de seu amigo Montales, Tex vai até ao México para encontrar-se com ele. Porém, tudo não passa de uma farsa para prender o Ranger numa armadilha diabólica e encerrar a sua existência. Tex é acusado falsamente da morte de dois Rurales e é condenado à morte, chegando a ficar frente a frente com o pelotão de fuzilamento. Enquanto isso, os seus amigos tentam de todas as formas livrá-lo da execução, mas parece que todas as portas se fecham…

Para finalizar e de modo a antecipar as próximas histórias longas a publicar nesta série já fadada ao sucesso, apresentamos a tabela com as 10 mais longas aventuras de Tex:

Capas Mythos/Bonelli de Dezembro de 2020 (Superalmanaque Tex #2, Tex Anual #22, Tex Graphic Novel #9, Tex Platinum #30, Zagor Nova Série #1 e Dragonero #5)

Superalmanaque Tex #2

Superalmanaque Tex #2

Tex Anual #22

Tex Anual #22

Tex Graphic Novel #9

Tex Graphic Novel #9

Tex Platinum #30

Tex Platinum #30

Zagor Nova Série #1

Zagor Nova Série #1

Dragonero #5

Dragonero #5

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