Fanzine VIRIATVUS n.º 1 integrado na revista Anim’arte nº 117, dedicou uma página a Tex e ao seu Clube

A prestigiosa revista “ANIM’ARTE” (um projecto editorial do GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, uma das cidades capitais da Banda Desenhada em Portugal) a partir do seu número 117, do trimestre Julho-Agosto-Setembro de 2020, passou a incluir um fanzine (VIRIATVUS) dedicado à BD/Ilustração, mais um espaço nobre para a divulgação da Nona Arte, onde Tex Willer está por mérito próprio logo neste primeiro número, cujo editorial, assinado por Carlos Almeida, divulgamos de seguida e onde se pode ver que a cidade de Anadia já é, por mérito próprio, também ela considerada uma das cidades capitais da BD em Portugal:

Editorial do fanzine VIRIATVUS n.º 1 integrado na revista Anim’arte nº 117

Mas Tex Willer tem um destaque maior ao ver uma página (a nº 9) deste primeiro número do fanzine VIRIATVUS dedicado ao Ranger:

Fanzine VIRIATVUS n.º 1 integrado na revista Anim’arte nº 117, dedica uma página a Tex e ao seu Clube

“O nosso amigo e colaborador Lança Guerreiro ofertou-nos há algum tempo uma maravilhosa ilustração conjugando dois ídolos festejados em diferentes circunstâncias: o nosso Viriato senhor dos agrestes Montes Hermínios visitado pelo festejado e mui apreciado por centenas de fãs por todo o mundo o fantástico Ranger do Texas (e que aqui se reproduz).

O Festival TEX (Anadia) tornou-se já uma referência no panorama bedéfilo nacional muito por mérito e esforço do nosso grande amigo ZECA (José Carlos Francisco) reunindo críticos e editores, autores e colecionadores. Aqui fica a nossa lembrança: foi em Viseu que pela primeira vez se realizou em Portugal uma exposição alusiva ao famoso Ranger, a convite do GICAV BD, e que se tornou depois motor de outras mostras de peso em Viseu e multiplicadas por visitas a todos os demais Festivais e Salões da nona arte em Portugal. Por isso existe uma forte ligação umbilical diríamos entre estas duas cidades bedéfilas.

O encontro reúne anualmente na aprazível cidade de Anadia um alargado clube de entusiastas para apreciarem exposições e apresentações de novos trabalhos ou reedições, com a presença de um ou mais artistas do universo Bonelli. A atividade do Clube TEX vem sendo reforçada com a edição regular de uma fantástica revista/fanzine com novidades e entrevistas, para além de artigos de investigação e crítica de excelente qualidade.

Parabéns ao Clube TEX pela força e dedicação e que continuem a emprestar a esta figura ímpar do universo Western nascido em Itália pela Editora Bonelli.“

Mas o fanzine também dedica um nobre espaço à programação editorial do GICAV na década de 2011/2020, dividida entre salões e exposições, espaço esse onde Tex também está presente por intermédio dos desenhadores Fabio Civitelli e Andrea Venturi e do fã e bedéfilo José Carlos Francisco, recordando a presença deste trio por terras de Viriato no decurso desta década que acabou de findar, como se pode ver de seguida:

Programação editorial do GICAV na década de 2011-2020, que contou com as presenças de Fabio Civitelli (2011) e Andrea Venturi (2013)

Artistas e bedéfilos que passaram por Viseu ao longo dos anos

Copyright: © 2020 Revista “ANIM’ARTE“
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Vídeo: As OBRAS DE ARTE de Fabio Civitelli expostas no evento ArtePadova!

* A trigésima edição da Feira de Pádua dedicou uma substancial exposição de desenhos originais a Fabio Civitelli, um dos mais apreciados desenhadores do nosso Ranger.

Tela de Tex pintada por Fabio Civitelli

No âmbito da trigésima edição do evento denominado ArtePadova, a galeria de arte milanesa Cà di Fra’ dedicou, em 2020, a Fabio Civitelli uma exposição pessoal com dezena e meia de telas em preto e branco e trinta e duas pranchas aguareladas pelo próprio desenhador, expostas ao lado das artes originais a preto e branco.

As pranchas aguareladas pertencem à história intitulada “L’apache bianco” (“O apache branco“), publicada no décimo quarto Color Fest, as telas em preto e branco, verdadeiras obras de arte, são, por sua vez, ilustrações realizadas a tinta-da-china no típico estilo do autor aretino, como se pode observar no vídeo que divulgamos em seguida:

https://youtu.be/P73-rxqSYys

Bonelli Point torna-se… Loja Bonelli!

Após três anos intensos e ricos de eventos, o Bonelli Point na via Marghera em Milão encerrou a 31 de Dezembro de 2020. Mas não se preocupem: após uma pausa de poucas semanas será inaugurada a nova Bonelli Store num novo local ainda mais acolhedor.

A 31 de Dezembro de 2020, o Bonelli Point na via Marghera em Milão interrompeu as suas actividades devido ao encerramento da Mondadori Megastore que o acolhia desde Novembro de 2017.

José Carlos Francisco no Bonelli Point

Foram três anos intensos e ricos de satisfações, para um lugar que se tornou uma verdadeira referência para os fãs de banda desenhada em geral e da Editora Bonelli em particular, tanto para comprar todas as novidades lançadas ao longo dos tempos como para comprar todo o catálogo Bonelli, quanto para conhecer autores profissionais no decorrer de inúmeros encontros e lançamentos.

Mas isto não é um adeus, muito pelo contrário!

A partir de 2021, o Point torna-se uma verdadeira Bonelli Store: um novo ponto de venda com 160 m2 dedicado aos fumetti daquela Fábrica dos Sonhos chamada Sergio Bonelli Editore!

O local será igualmente na cidade de Milão, desta vez na viale Coni Zugna. O quando é cedo, muito cedo. Assim que possível, informaremos o dia exacto da inauguração.

A Loja Bonelli está a chegar!

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Vídeo: O luxuoso regresso de “O Vale do Terror” desenhado por Magnus

Vinte e cinco anos depois, o Texone do Magnus retornou numa luxuosa edição gigante, disponível também em versão limitada e numerada. Apresentamos algumas páginas, acompanhadas do trailer e de uma parte do editorial de Davide Bonelli.

O luxuoso regresso de “O Vale do Terror” desenhado por Magnus

Página inicial de “O vale do terror” – Desenhos de Magnus, textos de Claudio Nizzi

Com o sincero editorial que pode ser parcialmente lido a seguir, Davide Bonelli comemora o lançamento da nova edição do Texone do Magnus vinte e cinco anos após a sua primeira publicação, que infelizmente também coincidem com os anos que nos separam do falecimento do inesquecível mestre bolonhês.

O volume, impresso em formato gigante, chegou às livrarias italianas no dia 3 de Dezembro, mas a partir do dia 9 de Dezembro também passou a estar disponível em edição limitada e numerada no Shop online da Sergio Bonelli Editore e no Bonelli Point de Milão. Apresentamo-lo neste post numa galeria de imagens e no trailer realizado como sempre pelo Alex Dante, recordando-vos que nas suas páginas pode ser lido a versão integral deste editorial. Boa leitura!

Página de “O vale do terror” – Desenhos de Magnus, textos de Claudio Nizzi

Entre as muitas que marcaram indelevelmente a septuagenária saga de Tex, as histórias apresentadas na colecção “Tex Speciale” constituem, desde sempre, uma parada de incursões-excursões surpresa. Assinar um “Texone” é um esforço, uma honra, e também – porque não? – um prestigioso ponto de referência.

Com toda a certeza, foi uma honra para a nossa Editora poder publicar uma obra importante como “O vale do terror“, em cujas páginas um dos mais brilhantes e inesquecíveis Mestres da banda desenhada mundial trabalhou durante sete anos: Roberto Raviola, também conhecido por Magnus. Não quero falar-vos da sua longa e extraordinária carreira, que infelizmente terminou prematuramente em 5  de Fevereiro de 1996, poucos meses antes do seu Tex chegar aos quiosques. Desde então passou-se um quarto de século, e “O vale do terror” ainda é, talvez hoje mais do que nunca, uma obra-prima atemporal.

Página de “O vale do terror” – Desenhos de Magnus, textos de Claudio Nizzi

Por este motivo, quisemos reapresentá-lo numa versão preciosa e limitada, enriquecendo-a com alguns dos inúmeros esboços preparatórios que o Magnus preparou, mês após mês, enquanto estudava meticulosamente e incansavelmente os cenários arquitectónicos e naturalistas, as fisionomias e as psicologias de Tex Willer, de Kit Carson e de todas as personagens – da mais importante ao menor dos “figurantes” – que entram e saem de uma trama envolvente e complexa, exótica e às vezes até horripilante, um western-thriller que Claudio Nizzi escreveu sobre medida para ele.

Além disso, não podiam faltar dois textos que acompanharam tanto a edição original de 1996, assim como a reimpressão que propusemos, em Fevereiro de 2009, na colecção “Tex Stella d’Oro”: a biografia sobre Magnus de Graziano Frediani e a “carta” que o meu pai Sergio Bonelli escreveu de imediato quando, com cerca de dez dias de atraso (encontrava-se num vilarejo remoto às margens do Rio Negro, na Amazónia), recebeu a notícia do falecimento do Magnus, autor por quem nutria (e era igualmente retribuído) fortes sentimentos de afecto e admiração.

Davide Bonelli

Gianluigi Bonelli é Tex!

Não acontecia com frequência e não acontecia com todos, mas, às vezes, Gianluigi Bonelli falava de si mesmo. De como Tex, o seu filho literário predilecto, acabou por se parecer com ele. Ou vice-versa. Gianni Bono relatou essa semelhança num novo livro.

Nas livrarias italianas e lojas especializadas de banda desenhada a partir de 11 de Janeiro mas já disponível na loja online da Sergio Bonelli Editore, GL Bonelli. Tex sou eu! é o novo livro de Gianni Bono, que depois da história de toda a família Bonelli (e consequentemente da editora milanesa), desta vez se concentra no criador do mais famoso Ranger da banda desenhada italiana, contando notícias e anedotas que Gianluigi Bonelli lhe narrou durante anos. De seguida propomos o início da história, com algumas das páginas que compõem o livro e um trailer feito por Alex Dante para apresentar o livro.

Mauro Boselli exibe o livro G L Bonelli – Tex sono io!

Giorgio Bonelli também exibe orgulhosamente o livro dedicado ao seu pai

Estava particularmente frio naquela manhã em Milão. Assim, tomei outro café no bar antes de me deslocar ao prédio da via Buonarroti 38, na redacção Bonelli, e folheei o jornal Repubblica que estava sobre uma mesa. Era quarta-feira, 18 de Janeiro de 1989.

A capa de G L Bonelli – Tex sono io!

E pouco depois ei-lo, na minha frente, G.L. Bonelli. Ele recebe-me no gabinete de Decio Canzio, braço direito e esquerdo de Sergio. O homem que, se o mundo caísse, era capaz de manter as coisas a funcionar de qualquer maneira na editora; aquele em que você sempre pode confiar. De acordo com o rito, sentamo-nos nas poltronas de couro em lados opostos de uma simples secretária branca, cheia de papéis e artigos de papelaria e na qual se destacam três modelos de dinossauros. Talvez Decio os use para intimidar os redactores. O chefe é certamente um tiranossauro de cerca de vinte centímetros de altura que olha casualmente para o cinzeiro próximo.

G.L. mesmo com oitenta anos, mesmo quando sentado, ainda é um pedaço do homem; uma presença não desprezível, que se destaca contra simples estantes brancas às suas costas. Será o contraste com o casaco escuro, será a luz fria que o inunda da janela que dá para a avenida arborizada, mas há uma atmosfera que, senão de espanto, incute pelo menos um respeito reverencial. G.L. deve tê-lo intuído porque começa a falar dirigindo-me um elogio:

– Meu jovem, simpatizo consigo, porque não me pede, como todos os seus colegas da imprensa, para falar de Tex. Eu não aguento mais. Sempre as mesmas perguntas: Tex é de direita? Tex é de esquerda? A que se deve o sucesso de Tex… Quantas balelas! Eles são monótonos, não têm imaginação.

– Bem, imaginação a si não lhe falta certamente!

– Pode dizê-lo bem alto, meu amigo! É verdade, fiz os meus personagens viajarem para longe, para lugares onde nunca pus os pés. Assim como Salgari. Só que eu, ao contrário do Emilio, pelo menos tinha visto esses territórios no cinema. Eu gostava das paisagens que os filmes de faroeste me revelaram. Combinei aquela vida e aqueles ambientes com o meu carácter e as minhas ideias, ou seja, que o bem é bem e o mal é o mal; como o preto e branco da banda desenhada. Depois, no final, para comemorar os meus oitenta anos de vida, com alguns meses de antecedência, os meus filhos Sergio e Giorgio levaram-me aos Estados Unidos e eu vi com os meus próprios olhos todos os lugares onde Tex e Carson muitas vezes acamparam e combateram por mais de quarenta anos. Ambientes imensos e impressionantes que me eram familiares sem nunca ter estado lá. Na verdade, o que mais me impressionou foi o seu tamanho e beleza. Estou muito grato aos meus dois rapazes por este presente.
Além disso, o Sergio, não sei se fez de propósito, mas abriu ao público a etapa de Mantova da Mostra itinerante “La balata di Tex”, no Palácio da Ragione, precisamente por ocasião do meu aniversário. Oitenta anos eu, e quarenta ele, o Tex. Que êxtase!

– Mas o senhor não me disse que não queria que falássemos de Tex?

– Sim, tem razão, mas que o diabo me carregue, como se faz para não mencioná-lo?

– Mas o senhor fala exactamente como ele!

– Bem, o que é que isso tem de estranho… Não sabe que eu sou o Tex?

Ele sorri matreiramente, ciente de que esta brincadeira, com algumas variações, é já um clássico do seu “repertório”.

Gianni Bono