Estando ainda na primeira metade do mês de Julho, podemos continuar a ver a revista nº 14 do Clube Tex Portugal, publicada no passado mês de Junho com duas magníficas capas do Mestre Stefano Andreucci, a chegar aos sócios espalhados pelo mundo, como se pode visualizar abaixo, vendo-a na posse de muitos dos seus destinatários tanto em Portugal como na Itália ou até mesmo no Brasil… inclusive aos sócios honorários do staff oficial de Tex na Mythos Editora como são os casos de Marcos Maldonado, Dolores Maldonado, Paulo Guanaes e Júlio Schneider.
Os lendários legendadores (letristas) Marcos Maldonado e Dolores Maldonado exibem cada um a sua versão da revista nº 14 do Clube Português, ambas com capa de Stefano Andreucci
O mítico tradutor de Tex, Paulo Guanaes, feliz pela recepção da revista nº 14 do Clube Português
O carismático tradutor de Tex, Júlio Schneider, exibe orgulhosamente não somente as duas versões das suas revistas nº 14 do Clube Tex Portugal, mas também as duas versões da Revista número 13
Para comprovar esse facto de enorme júbilo, vamos divulgar outras belas fotografias onde podemos ver a revista #14 do Clube também nas suas duas versões (ambas com capas de Stefano Andreucci como dissemos anteriormente), nas mãos dos sócios Pedro Cleto, Roberto Roli, Rafael Machado, Valdivino Otilio de Almeida, Jesus Nabor, Antonio Moreira e Renato Frigo.
Pedro Cleto e a aprazível leitura da Revista do Clube Tex Portugal #14
Roberto Roli exibe com orgulho e satisfação a Revista nº 14 do Clube Tex Portugal
Rafael Machado visivelmente feliz por já ter na sua posse a Revista Clube Tex Portugal #14
Valdivino Otilio de Almeida e o orgulho de já ter na sua posse a Revista #14 do Clube Tex Portugal
Jesus Nabor mostra-nos os seus dois exemplares da Revista nº 14 do Clube Tex Portugal, ambas com capas de Stefano Andreucci
Antonio Moreira e a sua aprovação da Revista Clube Tex Portugal #14
Renato Frigo absorvido pela prazerosa leitura da revista nº 14 do Clube Tex
Decorreu, em Itália, neste último domingo, 11 de Julho, o evento “Nuvolosa“, um Festival de Banda Desenhada realizado no Município de Biella que contou com a participação de Claudio Villa, consagrado desenhador do staff oficial de Tex e responsável pela realização das capas do Ranger após ter sucedido a Aurelio Gallepppini, em 1994.
Claudio Villa no evento ‘Nuvolosa’ com um desenho de Dylan Dog dedicado a um casal de fãs
Claudio Villa para além de estar à disposição dos fãs para os autógrafos da praxe, ofertou também diversos desenhos, feitos na hora, não somente de Tex, mas também de Dylan Dog, Batman e até do Demolidor, mas o destaque principal da sua presença foi para uma conversa com o público. «O encontro com os leitores é sempre um momento belíssimo, porque o nosso trabalho é solitário, mesmo que, enquanto desenhamos, aconteça de pensarmos nos leitores e nos perguntarmos se eles entenderão ou não o detalhe em que estamos trabalhando.». É Claudio Villa, desenhador de Tex Willer, a sintetizar o significado de eventos como «Nuvolosa», o evento dedicado à nona arte, que no domingo durante todo o dia no Palazzo Ferrero em Biella disponibilizou conferências, assim como workshops, desenhos ao vivo e sobretudo a oportunidade de conhecer os criadores das personagens que ganham vida no papel.
Claudio Villa à conversa com o público
Dialogando com Fulvio Gatti, anfitrião dos encontros com os autores, Villa falou da relação entre os argumentistas e os desenhadores: «Com cada um é diferente, mas o fundamental é encontrar um ponto de equilíbrio, caso contrário o leitor percebe. Tito Faraci, com quem trabalhei nos super-heróis Marvel em Itália, foi um dos poucos que me perguntou o que eu gostava de desenhar. Também Alfredo Castelli, com quem desenhei uma história de Martin Mystere, tendo que representar uma luta contra sete ou oito rivais, apenas me disse que o protagonista devia derrotá-los a todos, dando-me total liberdade sobre como fazê-lo. Claudio Nizzi, por sua vez, detalhava-me tudo ao mais ínfimo pormenor, enquanto Gianluigi Bonelli, fazia pequenos esboços, aproveitando eficazmente a realização técnica». O trabalho dos desenhadores é de facto um trabalho de régie. A eles cabe a tarefa de dar movimento à história: «É necessário escolher os enquadramentos, fazer a prancha mover-se com alterações no ponto de vista da cena. Para ser eficaz, um desenhador deve-se surpreender em primeiro lugar a si mesmo. Só assim pode despertar emoções no coração do leitor».
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Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #32 – I pionieri del Montana
No passado dia 19 de Junho a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 32 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “I pionieri del Montana” que contém a quarta parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Pasquale Del Vecchio!
A capa deste trigésimo segundo número, tal como as trinta e uma anteriores e as que se seguirão nesta colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial (descartado), assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti (que teve uma segunda versão com o fundo a ter uma colorização digital) devido à gentil cortesia do próprio Dotti:
Esboço (não aproveitado) para a capa de Tex Willer #32, da autoria de Maurizio Dotti
Arte a lápis para a capa de Tex Willer #32, da autoria de Maurizio Dotti
Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #32, da autoria de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #32, com as cores originais de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #32, com as cores originais (segunda versão) de Maurizio Dotti
Capa de Tex Willer #32 – I pionieri del Montana
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Revista do Clube Tex Portugal #14 Fabio Civitelli, Giorgio Bonelli, Hernâni Portovedo, Jesus Nabor Ferreira, João Marin, José Carlos Francisco, Mário João Marques, Moreno Burattini, Pedro Pereira, Rui Cunha e Sandro Palmas Clube Tex Portugal Portugal, Junho de 2021 210 x 290 mm, 52 p., cor, capa mole, semestral Exclusiva para sócios do Clube Tex Portugal(condições de assinatura disponíveis aqui)
Experiências
Por vezes, quando abrimos um álbum ou (cada vez menos…) uma revista de BD, esquecemos todo o trabalho editorial que esteve por detrás do que nos chega às mãos, quase nos parecendo que ela surgiu de geração espontânea ou por obra de um qualquer génio – e alguns até o são, mas…
Mas o argumentista teve de escrever/riscar/corrigir/reescrever/ajustar e o desenhador teve de procurar referências, fazer esboços, apropriar o traço, mudar cenários, enquadramentos, poses…
Um dos artigos da Revista do Clube Tex Portugal deste semestre – já o décimo-quarto desta publicação que explora o mundo de Tex em particular e o universo do western em geral – possivelmente aquele que mais despertou a minha atenção, intitula-se Os Tesouros da Via Bunarroti (onde fica a sede da Sergio Bonelli Editore) e refere uma série de originais lá existentes – ou perdidos ao longo dos tempos – cuja publicação, por uma razão ou por outra, foi recusada pela editora.
E, onde escrevi ‘uma razão ou outra’, leia-se maioritariamente dois motivos: o desvio às normas instituídas para as aventuras do ranger ou a falta de qualidade dos artistas. Ou, no mínimo, a inadequação do seu traço para o género em causa.
[Numa revista que é um bom exemplo de tentativa/erro/melhoria em curso de publicação, que para mais, recentemente sofreu alteração de grafista – e de grafismo – os passos dados têm contribuído para a tornar mais legível e arejada, sendo de referir a utilização de cor(es) nos fundos das páginas como forma de identificar os diversos artigos. E já que esta referência à revista se tornou mais longa do que tinha pensado, fica a nota de que este número volta a incluir a secção A minha prancha de Tex (desta vez com a escolha de Fabio Civitelli) e, entre outros, os artigos Stefano Andreucci, destinado a Tex! (sobre o percurso do autor das duas capas), Até sempre mestre Ennio Morricone e As memórias de Giorgio (sobre o seu pai, Gianluigi Bonelli).]
Tex Edição Especial Colorida #14 Mauro Boselli, Antonio Serra, Moreno Burattini, Fabrizio Accatino e Mario Rossi (Majo) (argumento) Alfonso Font, Patrizia Mandanici, Raffaele Della Monica, Giorgio Trevisan e Mario Rossi (Majo) (desenho) Oscar Celestini (cor) Alessandro Piccinelli (capa) Mythos Editora Brasil, Fevereiro de 2020 160 x 210 mm, 160 p., cor, capa mole R$ 29,90
Finda esta variante ao tema, inicialmente inexistente, retomo a ideia acima expressa para referir que uma das histórias que não deveria ter passado no crivo da editora Bonelli é A Voz do matador, um dos cinco relatos incluídos no Tex Edição Especial Colorida #16, pois nela o traço clássico e sujo do veterano Giorgio Trevisan, surge estático, pouco expressivo, demasiado rígido e com claras dificuldades no tratamento da figura humana, especialmente ao nível dos rostos que por vezes parecem ‘colados’ nos pescoços, acabando por tornar penosa a leitura de uma ideia base que também está longe de ser original.
Isto reforça a ideia que aqui já expressei outras vezes, de que esta publicação – a italiana Tex Color – é como um laboratório experimental para testar argumentistas e desenhadores que eventualmente aspirarão a entrar nos ‘quadros’ do ranger, pois nela, a par de criadores de créditos firmados – como até é o caso de Trevisan ou de Boselli e Font que abrem este número com Teton Pass, mais um relato (quase) sem Tex, com Kit Carson a assumir as rédeas dos acontecimentos – surgem nomes novos na bibliografia do ranger, claramente para (de)mo(n)strarem a sua arte e a sua capacidade de trabalho – factores fundamentais para uma série de ritmo mensal, onde apesar da sucessão de artistas, não se admite baixar o elevado nível de qualidade gráfica que, note-se, sempre foi uma nota distintiva nas edições Bonelli.
O experimentalismo que caracteriza esta publicação revela-se – a níveis diferentes – em duas das outras histórias para ela seleccionadas. A primeira, Cuidado com o lobo!, assinada por Serra e Mandanici (mais uma desenhadora a trabalhar em Tex), é uma das raras narrativas mudas nos mais de 70 anos de vida do herói – embora em termos de argumento, tal como no caso já citado atrás, recupere uma premissa recorrente na BD (e não só): o auxílio a um animal selvagem que posteriormente devolve a ajuda, bem servida por um traço expressivo e uma planificação que parece cristalizar momentos: um gesto, um olhar, um movimento brusco… Quanto à segunda, é também uma raridade na cronologia texiana, mas por motivos díspares, pois é obra de autor único (!), no caso Majo que, no que diz respeito ao argumento consegue dar corpo a uma narrativa típica das histórias do ranger, encorpada e com bastante consistência, que até ‘soa’ maior do que a trintena de páginas disponíveis; no entanto, a nível gráfico mostra-se uns furos abaixo do que as aventuras do ranger (normalmente) exigem, quase me atrevendo a escrever que só foi publicado porque a cor ajudou a disfarçar as (evidentes) limitações de um traço ‘indeciso’ entre o realista e o semi-caricatural.
Para o fim – sem motivo específico – ficou a história que melhor assume o espírito tradicional do ranger: um herói solitário, decidido e imbatível, que não hesita em fazer justiça pelas próprias mãos – afinal o que a maioria dos seus leitores procura. Tal como na BD de abertura, Uma armadilha para Kit é também uma narrativa (quase) sem Tex, uma vez que o protagonismo está entregue a Kit Willer, que aqui passa bem pelo progenitor! Sem grandes originalidades – Kit é capturado por bandidos que decidem usá-lo para atrair o ranger – está escrita de forma sólida por Burattini, que inclui dois pormenores atípicos mas bem imaginados no seu desenvolvimento, que contribuem para dotar Kit daquela aura quase irreal que orna o seu pai. No desenho, o traço seguro e dinâmico de Della Monica, bem servido por um colorido vivo, sem descaracterizar os tons típicos do velho Oeste, realça o tom acelerado do relato e deixa a certeza que se a história fosse publicada a preto e branco brilharia de igual forma.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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