Tex Willer e Kit Carson por Orestes Suárez

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer e Kit Carson por Orestes Suárez

Orestes Suárez

O meu nome é Orestes Suárez Lemus, eu nasci na província de Pinar del Río, Cuba, no ano de 1950. Actualmente, vivo em Havana, a capital de Cuba.

Graduado electricista industrial, num instituto tecnológico de Havana, em 1971. Eu trabalhei como electricista da Empresa de Obras de la Construcción Provincial e anos depois na Industria Ligera, de 1971 a 1977. Enquanto eu trabalhava como electricista de manutenção, estudei no curso nocturno da Escuela Nacional de Diseño Gráfico.

Em meio a essa etapa de trabalho diurno e estudo nocturno, contrataram-me para ilustrar o meu primeiro livro: “Zoia y Shura”, 1976, editora Gente Nueva do Instituto del Libro de la Habana, baseado em factos reais durante a 2ª Guerra Mundial; uma novela da escritora russa L. Kosmodemianskaia. Em 1979, graduei-me na Escuela Nacional de Diseño Gráfico de la Habana.

Etapa de trabalho editorial

Em 1977, deixei de trabalhar como electricista e comecei a trabalhar como desenhador ilustrador do Departamento de Diseño y Propaganda de la Organización de Pioneros José Martí de Cuba. Mesmo se oficialmente eu era o desenhador ilustrador da equipa de desenho eu pude participar directamente das diferentes especialidades do desenho editorial: eu desenhei livros, dobraduras, outdoors, logótipos, emblemas, etc. Entre outras coisas eu ilustrava anúncios de textos, cartazes, ilustrei livros, eu diagramei folhetos e livros de pequeno formato, entre eles o livro intitulado “La Evolución de una Pregunta”, 1978, de tema científico.

A história aos quadradinhos

O meu primeiro trabalho como banda desenhista começou com a série infantil “Inés, Aldo y Beto”, 1979, com roteiro de Ernesto Padrón, para uma publicação de pequeno formato chamada “Pásalo” – chamava-se assim porque era sem custo algum e só para a distribuição entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio. A primeira história aos quadradinhos que nós fizemos foi “Viaje de exploración a un extraño dibujo”, 1979; “El Planeta Dividido”, 1979; “Una aventura por error”, 1979; “Asalto al Castillo”, 1980; “Las tres frases mágicas”, 1980; “Imperio Inca”, 1980; “La emboscada”, 1982; “El Ataque”, 1986.

Paralelamente, às publicações das três crianças, eu pude atender outras ofertas de trabalhos como a história de banda desnehada do género ficção científica “Trampa de Estrellas”, 1984, uma adaptação de Ana Galindo sobre um conto de Y. Filenki, semanário “Pionero”, editora Abril. Pouco depois, recebi a oferta para desenhar “Timur y su pandilla”, 1984-1985, que foram publicadas no semanário “Pionero”. Uma história escrita e adaptada por Agustín Urra Brito, sobre um conto do escritor russo Arkadi Gaidar e editada pela editora Abril.

Ocorreu-me intentar fazer uma primeira história aos quadradinhos, de minha autoria, com um tema real histórico sobre um dos caudilhos mambises mais importantes da Guerra de Independência Cubana do domínio espanhol do século XIX em Cuba: “Voluntad Férrea”, 1985, editora Pablo de la Torriente. “Días heroicos de Girón”, 1986, roteiro de Manuel Pérez Alfaro, história de banda desenhada baseada num facto real durante a invasão norte-americana da Baía dos Porcos, Cuba, editora Pablo de la Torriente; “La última sonrisa”, 1986, roteiro de Ana Núñez Machín, baseada sobre um facto real histórico, editora Pablo de la Torriente.

A personagem Camila

Em meu começo como desenhador, a história de aventura foi uma de minhas preferências. Em união com Manuel Pérez Alfaro, meu amigo e escritor cubano, nós demos vida a um personagem feminino, uma moça cubana, Camila. Jornalista, aficionada à fotografia e amante da preservação da natureza e, além disso, praticante das artes marciais. Ela acompanha o seu pai, um eminente doutor ecologista, em suas pesquisas nas profundezas da Amazónia.

As histórias aos quadradinhos de Camila

A primeira história desse personagem é “Camila”, 1987, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila II”, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Primera parte, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Segunda parte, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Final, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “La Crecida”, roteiro de M. Pérez Alfaro. Editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “Enemigo Conocido”, roteiro de M. Pérez Alfaro;
“Camila”, 1989, “La Captura”, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “El Desafío”, roteiro de M. Pérez Alfaro. Editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1990, “El Combate”, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
Para um total de 10 historias.

Meu personagem Yakro

Yakro é um personagem de minha autoria. É uma história de ficção científica sobre um homem-lagarto acompanhado de seu assistente D-Lax, o andróide. A sua nave sofre uma avaria em pleno voo espacial e ele se vê obrigado a uma aterrissagem forçada no planeta Terra, na Era Quaternária. Ia ser uma novela gráfica, porém por limitações editoriais e a falta de papel nas impressoras se converteu em uma série de quatro capítulos.

De quatro se publicarão só três capítulos:
Primeiro capítulo: “Yakro” (1987), editora Pablo de la Torriente;
O segundo: “Yakro, D-Lax el androide”, 1989, editora Pablo de la Torriente;
O terceiro: “Yakro, Hacia las Estrellas”, 1990, editora Pablo de la Torriente;
E o quarto: “Yakro, Hacia las Estrellas”, Final, 1990, editora Pablo de la Torriente.

Por fim se pôde publicar completa as quatro histórias de Yakro em uma edição especial dedicada a promover as obras dos autores veteranos da história de banda desenhada cubana. Essa edição especial intitulou-se “Yakro. Clásicos de la historieta cubana. Orestes Suárez”, Ediciones Luminaria, Sancti Spíritus, Cuba.

Mais histórias de banda desnehada conformam o aval de um grande sonho por alcançar e uma experiência que se desenrolava. Essa outra obra ocorre em um cenário etíope durante a guerra na Etiópia e em Angola. História de ficção: “El Jinete del Domingo”, 1988, roteiro de Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente; “Contra los Contras”, 1990 – em tempo das lutas de libertação da Nicarágua -, roteiro de Ernesto Padrón, periódico “Juventud Rebelde”; a história de humor e de fantasia sempre estavam ligadas a mim tanto como ilustrador como banda desenhista e essa vez trabalhando na revista infantil “Zunzún”. É uma série de quatro capítulos publicada para crianças: “La Pañoleta Encantada”, 1990-1993, roteiro de Ernesto Padrón, revista “Zunzún”, Editora Abril.

Nós não tínhamos publicações especializadas para publicar histórias de banda desnehada variadas, com possibilidade de abordar todos os géneros. Por sorte para os autores nacionais, a editora Pablo de la Torriente criou duas publicações de muitíssima importância para nós, “Pablo” e “Comico”, na segunda metade dos anos 1980. Surgiu por bem uma esteira de produções de histórias onde todos participavam – humoristas, escritores, editores, desenhadores gráficos – e, incluso, se começou a organizar diferentes eventos culturais referentes ao género da história de banda desnehada pela primeira vez no país. Surgiram as Bienales de los Historietistas en la Habana e depois Los Encuentros Nacionales e Internacionales de los Historietistas Iberoamericanos. Houve então uma importante aproximação participativa de muitos criadores estrangeiros aos ditos encontros da história aos quadradinhos em Havana. Essas publicações só duraram um período de tempo até que chegou nos anos 1990 o nosso período especial pela queda do campo socialista na Europa. Ao desaparecer os recursos desapareceram as únicas possibilidades de publicar a nossa história de banda desenhada.

Uma de minhas propostas foi o género terror: “El Gato Negro” de Edgar Allan Poe, uma adaptação de Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente, 1991. Publicado na revista “El Gallito Inglés”, México; também foi publicado na revista espanhola “Creepy” nº 14.

Em Havana, no Encuentro Internacional de la Historieta Latinoamericana, eu recebi o prémio La Palma Real, 1993, junto ao roteirista Juan Padrón pela história humorística “Las manos doradas del traidor”. Nesse mesmo ano saiu a história de ficção “Lobos” de minha autoria, editora Pablo de la Torriente. “Lobos” foi publicada, anos depois, na revista “El Gallito Inglés”, México, e na revista belga “Napartheid”.

Em plena etapa do chamado período especial, eu tive a oportunidade de conseguir um novo contacto editorial, graças à ajuda de bons amigos e um desses foi Sergio Bonelli por mediação de outro grande amigo, Dario Mogno. Fez-se um contacto importante com o periódico Eura S.p.A de Roma, Itália, em 1993. Fui contratado para fazer duas histórias: “L’amore de Burton”, com roteiro de Mazzitelli, publicada na revista “Scorpio” nº 20; e a história intitulada “Rushter è tornato” com roteiro de Dempsey, publicada na revista “Lanciostory” nº 23, 1994.

Voltando ao âmbito nacional, foi-me proposto a história de banda desenhada de género histórico – eu já era muito solicitado para realizar esses temas -, essa vez sobre a Guerra Civil Espanhola com o título “Me voy a España”, 1995, roteiro de Ana Núñez Machín, editora Pablo de la Torriente.

Sergio Bonelli visita Havana em 1994 e por proposta do amigo Dario Mogno, que também se encontrava desfrutando do Encuentro de Historietistas Iberoamericanos na capital cubana naquele momento, se encarregou de nos apresentar. Sergio Bonelli pediu-me para ver as minhas páginas de histórias de banda desnehada que eu fazia para as editoras nacionais. Ele valorizou os meus trabalhos e propôs-me imediatamente formar parte da sua equipa da editora Sergio Bonelli Editore como desenhador. Eu estou próximo de completar 27 anos de trabalhos contínuos graças à percepção e à amabilidade de Sergio Bonelli.

Eu não recebi mais ofertas por parte da Eura Editore e entreguei-me por completo a trabalhar para a Sergio Bonelli Editore com um contrato inicial de 10 anos.

O meu primeiro trabalho foi desenhar as histórias de “Mister No”: o primeiro número foi intitulado “Razza selvaggia” nº 239 (1995), textos: Mignacco-Colombo;
“Il giorno degli avvoltoi” nº 240, (1995), textos: Luigi Mignacco-Colombo;
“Giochi pericolosi” nº 245 (1995), textos: Marco del Freo;
“Il mostro della palude” nº 251 (1996), textos: Colombo-Mignacco;
“Notte di morte” N. 261 (1997), textos: Stefano Marzorati;
“Agli ordini della CIA” nº 269 (1997), textos: Stefano Marzorati;
“Nel centro del Mirino” nº 272 (1998), textos: Masiero-Marzorati;
“Le notti di Bahia” nº 286, (1999) textos: Luigi Mignacco;
“I ribelli del Sertão” nº 287 (1999), textos: Luigi Mignacco;
“Vent’anni dopo” nº 292 (1999), textos: Mignacco-Masiero, dibujos: Diso-Suárez;
“Terra e libertá” nº 293 (1999), textos: Mignacco, dibujos: Suárez-Diso-Busticchi & Paesani;
“Caccia spietata” nº 309 (2001), textos: Luigi Mignacco;
“Territorio Jivaro” nº 321 (2002), textos: Stefano Marzorati;
Duas edições em uma: “L’idolo Maya” nº 352 (2004), textos: Masiero-Mignacco, desenhos: Alessandro Bignamini.
“Le Grotte del Vento”, textos: Michele Masiero, desenhos: Suárez;
“Giustizia Yanoama” nº 353 (2004), textos: Michele Masiero;
“Sangue in paradiso” nº 354 (2004), textos: Michele Masiero.

“Mister No” deixou de ser publicado no ano de 2006. Eu não voltei a fazer histórias de Jerry Drake.

Por sorte o senhor Sergio Bonelli selecionou-me para desenhar os “Texones”:  Albo speciale nº 24, “I ribelli di Cuba”, 2010, argumento de Guido Nolitta, roteiro de Mauro Boselli;
Segunda edição em cores de “I ribelli di Cuba” nº 24, 2012, textos de Guido Nolitta – Mauro Boselli. Edição especial para o Gruppo Editoriale L’Espresso S.p.A.  realizada em colaboração com a editora Sergio Bonelli Editore;
Terceira edição, em cores, no Brasil de “Os Rebeldes de Cuba” nº 12, 2018, textos de Guido Nolitta – Mauro Boselli. Editora Salvat do Brasil Ltda.;
“I rapitori”, “Tex Almanacco del West” 2014, textos de Tito Faraci;  reedição em cores;
“I rapitori”, 2014, textos de Tito Faraci.  “I Fumetti di Repubblica-L’Espresso”, “Collezione Storica a Colori” 30, “Le foreste degli spiriti”.

Histórias humorísticas

Colecção de histórias de banda desenhada de humor (contos curtos), 1986 – 2001:
“Cosa de la vida”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Acecho”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“Los refranes”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Caballero”, 1988, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“¡Niño!”, 1990, 3 contos curtos, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Último Acto”, 1994, roteiro: M. Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Mujer con Suerte”, 1994, roteiro: Manuel Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Salidero”, 1996, roteiro: Manuel Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Secuencias y Consecuencias”, 2001, roteiro: M. Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”.
“Blito y Pupi”, 1994, série de personagens infantis criados para as crianças menores, em formato de tiras curtas; revista “Zunzún”, Editora Abril.

Seguindo o ritmo do humor na história, nós começamos a tocar temas sociais urbanos na capital cubana – o roteirista Jorge L. Guerra e eu com o desenho. Esta série nós a intitulamos “Vitralitos”:
A primeira história em quadrinhos foi “La Guagua”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
Seguida por “El mejor amigo”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
 “Lo que no nace no crece”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“¡Agárrate de la bamba!”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Destino Terminal”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
 “Un Cablegrama”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Edificio Georgina”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Abril;
“Rodilla abajo”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Un hombre con una línea puede…”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Amor y Piropos”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Cada loco con su tema”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“El Misionero”, 1990, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Los derechos urbanos”, 1990, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente.

Orestes Suárez

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Orestes Suárez pelo desenho de Tex Willer e Kit Carson, para o blogue.
Afrânio Braga

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 10

Por Saverio Ceri [1] com a colaboração de Francesco Bosco e Mauro Scremin

Décimo encontro com as “origens secretas” das capas de Tex Classic.
Com os episódios contidos neste número, está concluída a reimpressão das tiras da primeira série das aventuras de Águia da Noite. Raciocinando em “albi d’oro“, ao invés, neste volume encontramos, a cores, os números 19 e 20 da primeira série, e como sempre acontece, a capa do Tex Classic provém de um dos dois números citados, ainda que neste caso, filtrado pela passagem em Tex Gigante 2ª série (ou seja a série na qual mensalmente encontramos as aventuras inéditas de Tex).
Mas vamos por ordem: a capa em questão apareceu pela primeira vez em Março de 1953, no vigésimo albo d’oro e pode ser vista de seguida:

Albo d’oro Tex #20

Em 1959, por ocasião do lançamento do quinto número do Tex actual, que na realidade contém as primeiras tiras da segunda série e não as republicadas neste Classic, foi escolhida precisamente esta ilustração para representar o álbum, mas limpa na parte esquerda da inexplicável presença do personagem na parte inferior, e com cores quase totalmente alteradas.

Tex nº 5, 1959

A imagem assim reformulada apareceu depois por ocasião das sucessivas republicações de Tex Tre Stelle a Tex Nuova Ristampa, com pequenas variações que deixamos aos nossos leitores o prazer de descobrir nas respectivas capas que mostramos de seguida:

Tex Tre Stelle nº 5

Tutto Tex nº 5

Tex Nuova Ristampa nº 5

A versão que desembarcou nos quiosques italianos em 2017, na realidade tem pouco a ver com a original e assemelha-se sobretudo com a última incarnação, ou seja com a publicada em Tex Nuova Ristampa. 

Tex Classic #10 – I sicari del Drago

Curiosamente as duas capas elegíveis para este número de Tex Classic, tiveram uma vida editorial “feliz”. Também a capa do número precedente, número 19 dos albi d’oro, foi escolhida pela redacção, no final dos Anos Cinquenta, para revestir o quarto número da série actual de Tex. 
De seguida mostramos a capa original de 1953:

Albo d’oro Tex #19

Graças ao arquivo de imagens recolhidas pelos incansáveis investigadores texianos Bosco e Scremin, descobrimos que a jovem em primeiro plano deve de alguma forma estar relacionada com a actriz Jennifer Jones, imortalizada por Walter Molino na capa do décimo segundo número de I romanzi di Grand Hotel, intitulado Sinfonia Selvaggia.

Sinfonia Selvaggia

As duas “gémeas” de Jennifer Jones apareceram nos quiosques italianos, com dezasseis meses de intervalo, em duas séries diferentes; abaixo podemos vê-las uma ao lado da outra e podemos apreciar as ligeiras diferenças a partir da cor dos olhos.

Tex e Sinfonia Selvaggia

A capa do 19° albo d’oro, como dissemos, foi depois reutilizada em 1959 para o quarto número da actual série de Tex, com o prevosível desaparecimento da “gémea Jones” e acrescida do disparo do revólver do adversário: Tex não pode disparar contra um inimigo que não dispare contra ele, evidentemente. De seguida descubra as variantes das edições sucessivas. Curioso como na mais recente foi adicionada uma caixilharia em madeira. Talvez não fosse claro para todos que se tratava de uma janela e não um quadro bizarro pendurado na parede?

Tex nº 4, 1959

Tutto Tex nº 4

Tex Nuova Ristampa nº 4

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rúbrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 22/07/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017 Saverio Ceri

As Leituras do Pedro: Trilogia Gatilho

As Leituras do Pedro*

Trilogia Gatilho
Carlos Estefan (argumento e cor)
Pedro Mauro (desenho)
Pipoca & Nanquim
Brasil, 2021
212 x 278 mm, 260 p., cor, capa dura

ISBN: 978-6586672480
R$ 79,90

Em nome do(s) filho(s)

‘Não é esse o mundo que quero deixar pro meu filho’
In Legado

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Apreciador confesso – mas não compulsivo – de western, fui lendo, cada vez mais seduzido, os comentários sobre a Trilogia Gatilho, dos brasileiros Carlos Estefan e Pedro Mauro. A leitura desta obra de tom crepuscular e desencantado, permitiu-me descobrir uma saga de contornos familiares, em que a habilidade com o colt é mais uma maldição do que uma bênção que passa de geração em geração.

Começo pela bela edição da Pipoca & Nanquim, em capa dura, formato generoso, bom papel e boa impressão, que compila os três relatos – Gatilho, Legado e Redenção – que compõem esta trilogia, mas a história curta final incluída nos extras – a única a preto e branco – deixou-me a pensar se não teria preferido a toda edição assim. Mas compreendo a necessidade (comercial) da cor, como atractivo extra para quem foi comprando os livros originais a preto e branco.

Não que globalmente haja problemas com a cor aplicada por Carlos Estefan – que além de argumentista também fez a legendagem – apesar da sua proximidade do colorido padrão Bonelli, mas a verdade é que o preto e branco cheio de contrastes de Pedro Mauro, com conseguidos jogos de luz e sombra e ângulos ousados, acentua o seu estilo mais agreste e duro e torna o conjunto mais selvagem e violento, em sintonia com o tom geral.

Tudo começa quando um cavaleiro solitário chega a uma cidade há muito abandonada. Está na pista de um bando que irá defrontar mais à frente, revivendo assim, uma e outra vez, cenas trágicas passadas, evocando os fantasmas que o acompanham – e que só contribuem para agravar a sua solidão.

A história assim iniciada, ir-se-á compondo aos poucos, avançando no presente mas com saltos regulares ao passado, que explicam acções, contextualizam premissas e tornam imperioso o trilho justiceiro assumido.

Longe dos westerns mais tradicionais – e até de Tex, a quem muitos o comparam, talvez (também) por o desenhador ter trabalhado para a Sergio Bonelli Editore – os protagonistas da trilogia – vários elementos masculinos de uma mesma família – surgem como pistoleiros a soldo por obrigação, por ironia (trágica) do destino, nunca por opção. Um dos aspectos mais conseguidos, aliás, é a forma como – sucessivamente – tentam afastar do mesmo trilho os seus descendentes, embora os deuses – zombeteiros e cínicos – tenham claramente outros planos para eles.

Assim, empurrados pelas circunstâncias, com as vidas destruídas, com a perda dos seres amados, cada um dos ‘pistoleiros sem nome’ vai cumprir o seu propósito de anjo – ou demónio? – vingador.

E se cada um dos relatos pode ser lido isoladamente – e foi assim que foram surgindo – a leitura conjunta que esta edição compilatória privilegia, permite uma visão mais ampla e a compreensão de algumas pontas soltas que só o conjunto (finalmente) ata e explica.

Com inspiração bebida nos westerns spaghetti, de grandes espaços selvagens, protagonistas duros, solitários e de destino trágico, e tom crepuscular e desencantado, que acentua a descrença nos homens e nos seus destinos, esta Trilogia Gatilho merece sem dúvida uma leitura atenta.

…e não só por ‘fãs confessos de western’!

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Editora Letra1 lança no Brasil “Tex Willer: Um Caubói na Itália do Pós-Guerra”, da autoria de Elizabeth Leake

* “Tex Willer: Um Caubói na Itália do Pós-Guerra” é uma iniciativa da Editora Letra1, especializada em revistas científicas e livros académicos, cujo editor Ronaldo Machado, aficionado por Banda Desenhada, decidiu unir literatura e quadradinhos e dar a conhecer esse belo material aos leitores de língua portuguesa.

Tex Willer: Um Caubói na Itália do Pós-Guerra

Tex Willer: Un cowboy nell’Italia del dopoguerra, de Elizabeth Leake

A segunda guerra mundial acabou há não muito tempo, um novo herói nasce na Itália e conquista os leitores: é Tex Willer. Com os cenários da iconografia americana clássica, as histórias do lendário Ranger do Texas têm por base a cultura do passado recente da Velha Bota (os filmes do período fascista, a Resistência, o neo-realismo) e a realidade social e política contemporânea (a legalidade constitucional, a corrupção política).

Tex defende os fracos, combate os vilões, não tem dúvidas existenciais, esquece rapidamente as injustiças que sofre e a sua própria raiva, respeita as tradições dos outros e não hesita em violar a lei para fazer triunfar a justiça. Herói da epopeia americana mas testemunha fiel do mundo emocional e dos traços antropológicos dos italianos.

O livro de Elizabeth Leake, contendo 171 páginas, aborda o imaginário americano que serve de pano de fundo para as aventuras (as guerras indígenas, a guerra civil americana, o Far West, os Texas Rangers), o contexto histórico italiano em que o personagem foi criado (com a herança do fascismo, o Plano Marshall, o neo-realismo), e também detalhes do universo narrativo de Tex.

É o resumo básico do livro Tex Willer: Un cowboy nell’Italia del dopoguerra, de Elizabeth Leake, traduzido e publicado em 2018 pela editora italiana Il Mulino, de Bolonha.
Elizabeth Leake é professora e pesquisadora do departamento de língua italiana da Universidade de Colúmbia, EUA, especializada em narrativa e teatro do século 20, história cultural do fascismo, e história e crítica do cinema italiano e europeu.

O material está a ser produzido para publicação em língua portuguesa pela Editora Letra1, de Porto Alegre, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, e, para tradução, além da contextualização das aventuras de Tex publicadas no Brasil, o editor Ronaldo Machado envolveu no projecto o tradutor e redactor Júlio Schneider.

Para saber um pouco mais sobre esta obra, recomendamos os dois vídeos que se seguem, o primeiro, em italiano onde se poderá ouvir um pequeno trecho do livro, e o segundo, em inglês, com a participação da própria escritora Elizabeth Leake numa conversa com Valentina Frasisti:

Revista nº 14 do Clube Tex Portugal nas mãos de sócios do clube espalhados por Portugal e Brasil

Por José Carlos Francisco

Ainda estamos em Junho, mês de publicação da edição de Verão da Revista do Clube Tex Portugal, e já podemos ver a revista nº 14 do Clube Tex Portugal, na posse de muitos dos seus destinatários portugueses assim como, um pouco surpreendentemente, de sócios residentes no Brasil, algo que é um feito inédito até hoje, que de certo modo serve para compensar os sócios do Brasil pelo atraso com que normalmente recebem as revistas do Clube, feito esse motivado pelo facto de assim que as revistas foram entregues pela gráfica ao director Carlos Moreira, rumaram de imediato para o nosso país irmão através de uma pessoa ligada ao Clube que, por grande coincidência, viajou nessa ocasião para São Paulo, sendo as revistas entregues em solo brasileiro em tempo record.

O Sumário da Revista Clube Tex Portugal #14

Para comprovar esse facto bem inusitado, mas de enorme júbilo, vamos divulgar belas fotografias que ilustram este texto e onde podemos ver a revista #14 do Clube, nas suas duas versões (ambas com capas de Stefano Andreucci), nas mãos dos sócios brasileiros José Ricardo Lima, José Manuel Alvarez, Wellington Verdan, Ary Canabarro, Moacir Zanchet, Leonardo Campos e João Marin e dos sócios portugueses Teresa Moreira, Carlos Moreira, Luís Santos e José Carlos Francisco:

José Ricardo e a visível felicidade por já possuir a revista #14 do Clube Tex Portugal

José Manuel Alvarez mostra-nos o seu exemplar da Revista nº 14 do Clube Tex Portugal com a capa principal

Wellington Verdan e o orgulho de já ter a Revista #14 do Clube Tex Portugal

Associado Ary Canabarro exibe o seu exemplar da revista #14 do Clube Tex Portugal

Moacir Zanchet e a visível felicidade por já ter recebido a mais recente revista do Clube

Leonardo Campos exibe as duas versões da revista número 14 do Clube Tex Portugal

João Marin e as suas duas versões da revista nº 14 do Clube Português

Associada Teresa Moreira exibe as duas versões da Revista nº 14 do Clube Tex Portugal

Carlos Moreira exibe orgulhosamente os seus dois exemplares da revista nº 14 do Clube Tex Portugal

Luís Santos e as suas duas versões da Revistas nº 14 do Clube Tex Portugal

José Carlos Francisco exibe as duas versões da revista nº 14 do Clube Tex Portugal

Para fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser consultados em https://texwillerblog.com/?page_id=47999 – e usufruir de todos os brindes e regalias, entre os quais se inclui a revista do Clube, é necessário pagar uma jóia de inscrição de € 5,00 e uma quota mensal de € 2,50 (€ 3,00 para sócios não residentes em Portugal).

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)