Tex Willer e Kit Carson por Orestes Suárez

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer e Kit Carson por Orestes Suárez

Orestes Suárez

O meu nome é Orestes Suárez Lemus, eu nasci na província de Pinar del Río, Cuba, no ano de 1950. Actualmente, vivo em Havana, a capital de Cuba.

Graduado electricista industrial, num instituto tecnológico de Havana, em 1971. Eu trabalhei como electricista da Empresa de Obras de la Construcción Provincial e anos depois na Industria Ligera, de 1971 a 1977. Enquanto eu trabalhava como electricista de manutenção, estudei no curso nocturno da Escuela Nacional de Diseño Gráfico.

Em meio a essa etapa de trabalho diurno e estudo nocturno, contrataram-me para ilustrar o meu primeiro livro: “Zoia y Shura”, 1976, editora Gente Nueva do Instituto del Libro de la Habana, baseado em factos reais durante a 2ª Guerra Mundial; uma novela da escritora russa L. Kosmodemianskaia. Em 1979, graduei-me na Escuela Nacional de Diseño Gráfico de la Habana.

Etapa de trabalho editorial

Em 1977, deixei de trabalhar como electricista e comecei a trabalhar como desenhador ilustrador do Departamento de Diseño y Propaganda de la Organización de Pioneros José Martí de Cuba. Mesmo se oficialmente eu era o desenhador ilustrador da equipa de desenho eu pude participar directamente das diferentes especialidades do desenho editorial: eu desenhei livros, dobraduras, outdoors, logótipos, emblemas, etc. Entre outras coisas eu ilustrava anúncios de textos, cartazes, ilustrei livros, eu diagramei folhetos e livros de pequeno formato, entre eles o livro intitulado “La Evolución de una Pregunta”, 1978, de tema científico.

A história aos quadradinhos

O meu primeiro trabalho como banda desenhista começou com a série infantil “Inés, Aldo y Beto”, 1979, com roteiro de Ernesto Padrón, para uma publicação de pequeno formato chamada “Pásalo” – chamava-se assim porque era sem custo algum e só para a distribuição entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio. A primeira história aos quadradinhos que nós fizemos foi “Viaje de exploración a un extraño dibujo”, 1979; “El Planeta Dividido”, 1979; “Una aventura por error”, 1979; “Asalto al Castillo”, 1980; “Las tres frases mágicas”, 1980; “Imperio Inca”, 1980; “La emboscada”, 1982; “El Ataque”, 1986.

Paralelamente, às publicações das três crianças, eu pude atender outras ofertas de trabalhos como a história de banda desnehada do género ficção científica “Trampa de Estrellas”, 1984, uma adaptação de Ana Galindo sobre um conto de Y. Filenki, semanário “Pionero”, editora Abril. Pouco depois, recebi a oferta para desenhar “Timur y su pandilla”, 1984-1985, que foram publicadas no semanário “Pionero”. Uma história escrita e adaptada por Agustín Urra Brito, sobre um conto do escritor russo Arkadi Gaidar e editada pela editora Abril.

Ocorreu-me intentar fazer uma primeira história aos quadradinhos, de minha autoria, com um tema real histórico sobre um dos caudilhos mambises mais importantes da Guerra de Independência Cubana do domínio espanhol do século XIX em Cuba: “Voluntad Férrea”, 1985, editora Pablo de la Torriente. “Días heroicos de Girón”, 1986, roteiro de Manuel Pérez Alfaro, história de banda desenhada baseada num facto real durante a invasão norte-americana da Baía dos Porcos, Cuba, editora Pablo de la Torriente; “La última sonrisa”, 1986, roteiro de Ana Núñez Machín, baseada sobre um facto real histórico, editora Pablo de la Torriente.

A personagem Camila

Em meu começo como desenhador, a história de aventura foi uma de minhas preferências. Em união com Manuel Pérez Alfaro, meu amigo e escritor cubano, nós demos vida a um personagem feminino, uma moça cubana, Camila. Jornalista, aficionada à fotografia e amante da preservação da natureza e, além disso, praticante das artes marciais. Ela acompanha o seu pai, um eminente doutor ecologista, em suas pesquisas nas profundezas da Amazónia.

As histórias aos quadradinhos de Camila

A primeira história desse personagem é “Camila”, 1987, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila II”, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Primera parte, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Segunda parte, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila III” Final, 1988, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “La Crecida”, roteiro de M. Pérez Alfaro. Editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “Enemigo Conocido”, roteiro de M. Pérez Alfaro;
“Camila”, 1989, “La Captura”, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1989, “El Desafío”, roteiro de M. Pérez Alfaro. Editora Pablo de la Torriente;
“Camila”, 1990, “El Combate”, roteiro de M. Pérez Alfaro, editora Pablo de la Torriente;
Para um total de 10 historias.

Meu personagem Yakro

Yakro é um personagem de minha autoria. É uma história de ficção científica sobre um homem-lagarto acompanhado de seu assistente D-Lax, o andróide. A sua nave sofre uma avaria em pleno voo espacial e ele se vê obrigado a uma aterrissagem forçada no planeta Terra, na Era Quaternária. Ia ser uma novela gráfica, porém por limitações editoriais e a falta de papel nas impressoras se converteu em uma série de quatro capítulos.

De quatro se publicarão só três capítulos:
Primeiro capítulo: “Yakro” (1987), editora Pablo de la Torriente;
O segundo: “Yakro, D-Lax el androide”, 1989, editora Pablo de la Torriente;
O terceiro: “Yakro, Hacia las Estrellas”, 1990, editora Pablo de la Torriente;
E o quarto: “Yakro, Hacia las Estrellas”, Final, 1990, editora Pablo de la Torriente.

Por fim se pôde publicar completa as quatro histórias de Yakro em uma edição especial dedicada a promover as obras dos autores veteranos da história de banda desenhada cubana. Essa edição especial intitulou-se “Yakro. Clásicos de la historieta cubana. Orestes Suárez”, Ediciones Luminaria, Sancti Spíritus, Cuba.

Mais histórias de banda desnehada conformam o aval de um grande sonho por alcançar e uma experiência que se desenrolava. Essa outra obra ocorre em um cenário etíope durante a guerra na Etiópia e em Angola. História de ficção: “El Jinete del Domingo”, 1988, roteiro de Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente; “Contra los Contras”, 1990 – em tempo das lutas de libertação da Nicarágua -, roteiro de Ernesto Padrón, periódico “Juventud Rebelde”; a história de humor e de fantasia sempre estavam ligadas a mim tanto como ilustrador como banda desenhista e essa vez trabalhando na revista infantil “Zunzún”. É uma série de quatro capítulos publicada para crianças: “La Pañoleta Encantada”, 1990-1993, roteiro de Ernesto Padrón, revista “Zunzún”, Editora Abril.

Nós não tínhamos publicações especializadas para publicar histórias de banda desnehada variadas, com possibilidade de abordar todos os géneros. Por sorte para os autores nacionais, a editora Pablo de la Torriente criou duas publicações de muitíssima importância para nós, “Pablo” e “Comico”, na segunda metade dos anos 1980. Surgiu por bem uma esteira de produções de histórias onde todos participavam – humoristas, escritores, editores, desenhadores gráficos – e, incluso, se começou a organizar diferentes eventos culturais referentes ao género da história de banda desnehada pela primeira vez no país. Surgiram as Bienales de los Historietistas en la Habana e depois Los Encuentros Nacionales e Internacionales de los Historietistas Iberoamericanos. Houve então uma importante aproximação participativa de muitos criadores estrangeiros aos ditos encontros da história aos quadradinhos em Havana. Essas publicações só duraram um período de tempo até que chegou nos anos 1990 o nosso período especial pela queda do campo socialista na Europa. Ao desaparecer os recursos desapareceram as únicas possibilidades de publicar a nossa história de banda desenhada.

Uma de minhas propostas foi o género terror: “El Gato Negro” de Edgar Allan Poe, uma adaptação de Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente, 1991. Publicado na revista “El Gallito Inglés”, México; também foi publicado na revista espanhola “Creepy” nº 14.

Em Havana, no Encuentro Internacional de la Historieta Latinoamericana, eu recebi o prémio La Palma Real, 1993, junto ao roteirista Juan Padrón pela história humorística “Las manos doradas del traidor”. Nesse mesmo ano saiu a história de ficção “Lobos” de minha autoria, editora Pablo de la Torriente. “Lobos” foi publicada, anos depois, na revista “El Gallito Inglés”, México, e na revista belga “Napartheid”.

Em plena etapa do chamado período especial, eu tive a oportunidade de conseguir um novo contacto editorial, graças à ajuda de bons amigos e um desses foi Sergio Bonelli por mediação de outro grande amigo, Dario Mogno. Fez-se um contacto importante com o periódico Eura S.p.A de Roma, Itália, em 1993. Fui contratado para fazer duas histórias: “L’amore de Burton”, com roteiro de Mazzitelli, publicada na revista “Scorpio” nº 20; e a história intitulada “Rushter è tornato” com roteiro de Dempsey, publicada na revista “Lanciostory” nº 23, 1994.

Voltando ao âmbito nacional, foi-me proposto a história de banda desenhada de género histórico – eu já era muito solicitado para realizar esses temas -, essa vez sobre a Guerra Civil Espanhola com o título “Me voy a España”, 1995, roteiro de Ana Núñez Machín, editora Pablo de la Torriente.

Sergio Bonelli visita Havana em 1994 e por proposta do amigo Dario Mogno, que também se encontrava desfrutando do Encuentro de Historietistas Iberoamericanos na capital cubana naquele momento, se encarregou de nos apresentar. Sergio Bonelli pediu-me para ver as minhas páginas de histórias de banda desnehada que eu fazia para as editoras nacionais. Ele valorizou os meus trabalhos e propôs-me imediatamente formar parte da sua equipa da editora Sergio Bonelli Editore como desenhador. Eu estou próximo de completar 27 anos de trabalhos contínuos graças à percepção e à amabilidade de Sergio Bonelli.

Eu não recebi mais ofertas por parte da Eura Editore e entreguei-me por completo a trabalhar para a Sergio Bonelli Editore com um contrato inicial de 10 anos.

O meu primeiro trabalho foi desenhar as histórias de “Mister No”: o primeiro número foi intitulado “Razza selvaggia” nº 239 (1995), textos: Mignacco-Colombo;
“Il giorno degli avvoltoi” nº 240, (1995), textos: Luigi Mignacco-Colombo;
“Giochi pericolosi” nº 245 (1995), textos: Marco del Freo;
“Il mostro della palude” nº 251 (1996), textos: Colombo-Mignacco;
“Notte di morte” N. 261 (1997), textos: Stefano Marzorati;
“Agli ordini della CIA” nº 269 (1997), textos: Stefano Marzorati;
“Nel centro del Mirino” nº 272 (1998), textos: Masiero-Marzorati;
“Le notti di Bahia” nº 286, (1999) textos: Luigi Mignacco;
“I ribelli del Sertão” nº 287 (1999), textos: Luigi Mignacco;
“Vent’anni dopo” nº 292 (1999), textos: Mignacco-Masiero, dibujos: Diso-Suárez;
“Terra e libertá” nº 293 (1999), textos: Mignacco, dibujos: Suárez-Diso-Busticchi & Paesani;
“Caccia spietata” nº 309 (2001), textos: Luigi Mignacco;
“Territorio Jivaro” nº 321 (2002), textos: Stefano Marzorati;
Duas edições em uma: “L’idolo Maya” nº 352 (2004), textos: Masiero-Mignacco, desenhos: Alessandro Bignamini.
“Le Grotte del Vento”, textos: Michele Masiero, desenhos: Suárez;
“Giustizia Yanoama” nº 353 (2004), textos: Michele Masiero;
“Sangue in paradiso” nº 354 (2004), textos: Michele Masiero.

“Mister No” deixou de ser publicado no ano de 2006. Eu não voltei a fazer histórias de Jerry Drake.

Por sorte o senhor Sergio Bonelli selecionou-me para desenhar os “Texones”:  Albo speciale nº 24, “I ribelli di Cuba”, 2010, argumento de Guido Nolitta, roteiro de Mauro Boselli;
Segunda edição em cores de “I ribelli di Cuba” nº 24, 2012, textos de Guido Nolitta – Mauro Boselli. Edição especial para o Gruppo Editoriale L’Espresso S.p.A.  realizada em colaboração com a editora Sergio Bonelli Editore;
Terceira edição, em cores, no Brasil de “Os Rebeldes de Cuba” nº 12, 2018, textos de Guido Nolitta – Mauro Boselli. Editora Salvat do Brasil Ltda.;
“I rapitori”, “Tex Almanacco del West” 2014, textos de Tito Faraci;  reedição em cores;
“I rapitori”, 2014, textos de Tito Faraci.  “I Fumetti di Repubblica-L’Espresso”, “Collezione Storica a Colori” 30, “Le foreste degli spiriti”.

Histórias humorísticas

Colecção de histórias de banda desenhada de humor (contos curtos), 1986 – 2001:
“Cosa de la vida”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Acecho”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“Los refranes”, 1986, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Caballero”, 1988, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“¡Niño!”, 1990, 3 contos curtos, autor: Orestes Suárez, editora Pablo de la Torriente;
“El Último Acto”, 1994, roteiro: M. Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Mujer con Suerte”, 1994, roteiro: Manuel Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Salidero”, 1996, roteiro: Manuel Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”;
“Secuencias y Consecuencias”, 2001, roteiro: M. Pérez Alfaro, revista “Mi Barrio”.
“Blito y Pupi”, 1994, série de personagens infantis criados para as crianças menores, em formato de tiras curtas; revista “Zunzún”, Editora Abril.

Seguindo o ritmo do humor na história, nós começamos a tocar temas sociais urbanos na capital cubana – o roteirista Jorge L. Guerra e eu com o desenho. Esta série nós a intitulamos “Vitralitos”:
A primeira história em quadrinhos foi “La Guagua”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
Seguida por “El mejor amigo”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
 “Lo que no nace no crece”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“¡Agárrate de la bamba!”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Destino Terminal”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
 “Un Cablegrama”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Edificio Georgina”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Abril;
“Rodilla abajo”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Un hombre con una línea puede…”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Amor y Piropos”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Cada loco con su tema”, 1989, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“El Misionero”, 1990, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente;
“Los derechos urbanos”, 1990, roteiro: Jorge L. Guerra, editora Pablo de la Torriente.

Orestes Suárez

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Orestes Suárez pelo desenho de Tex Willer e Kit Carson, para o blogue.
Afrânio Braga

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Será que não teremos mais nenhum trabalho dele em Tex?? É um dos meus favoritos.

  2. Dilecto Jário Costa,
    de facto, Orestes Suárez é um mestre da arte gráfica na banda desenhada.
    Pard Glauber,
    em 2020, na época da tradução da biografia do desenhador cubano – do espanhol para o português – ele me informou o seguinte:

    Nesse momento, eu me encontro a terminar o desenho de uma nova novela gráfica, um romance, escrita por Michele Masiero, entorno de 300 páginas, que ainda não tem título.

    Michele Masiero é o director artístico da SBE, editora italiana detentora dos direitos autorais de “Tex”.

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