As Leituras do Pedro – Tex: O Homem das Pistolas de Ouro

As Leituras do Pedro*

Tex: O Homem das Pistolas de Ouro
Pasquale Ruju (argumento)
r. m. Guéra (desenho)
Giulia Brusco (cores)
A Seita
Portugal, Julho de 2021
200 x 280 mm, 56 p., cor, capa dura
14,00 €

Ser (ou não) Tex

A diversificação, como forma de combater a não renovação e/ou o natural abandono por parte dos leitores das edições tradicionais, tem sido o instrumento utilizado pela Sergio Bonelli Editore para manter viva a chama dos seus fumetti.
Esta colecção de que A Seita acaba de editar o segundo tomo – e que no Brasil foi erroneamente chamada Tex Graphic Novel – é um dos exemplos, aqui sob o signo do formato franco-belga.

Que é como quem diz álbuns de capa dura, com tamanho próximo do A4, cerca de 48 páginas a cores e liberdade para uma planificação mais dinâmica e arrojada (em comparação com os padrões Bonelli).

Neste contexto, quer A Chicotada – o álbum de estreia da colecção portuguesa – quer este O Homem das Pistolas de Ouro ostentam naturalmente o nome de Tex como chamariz para os muitos fãs que o ranger tem em diversas latitudes e longitudes, mas também como afirmação da ‘bandeira’ mais marcante da editora.

Em termos práticos, para o desenvolvimento da narrativa que hoje me ocupa – que realço desde já ser um bem conseguido western de acção – ter o protagonismo entregue a Tex Willer e Kit Carson ou a um qualquer outro cowboy famoso da BD, seria praticamente igual, pois o relato sustenta-se por si mesmo.

Situado pouco tempo após o fim da Guerra Civil norte-americana, com Tex recém-admitido nos Texas Rangers e, consequentemente, um Kit Carson mais novo – próximo da idade ‘habitual’ do seu pard – esta é uma história de vingança protelada no tempo. Como o era, aliás, A Chicotada, surgindo assim esta temática como ponto de ligação entre os dois relatos.

No caso presente, Carson e outros ex-rangers são o alvo escolhido por um bandido mexicano, disposto a vingar acontecimentos que tiveram lugar anos antes, durante a guerra entre os futuros EUA e o México.

Sem grandes surpresas, apesar de um ou outro pormenor curioso e distinto, o argumento de Pasquale Ruju é sólido e coerente dentro dos parâmetros definidos e assenta em sucessivos momentos de muita acção, com perseguições e tiroteios intensos, moderados aqui e ali com regressos pontuais ao passado com que Carson vai esclarecendo Tex – e os leitores – sobre as razões (passadas) dos acontecimentos (presentes). Teria ganho mais algum interessante – digo eu – se a situação dos irmãos do bandido fosse mais dúbia, justificando de alguma forma as acções deste e algumas reticências de Carson, e introduzindo assim uma dúvida moral que retirasse alguma linearidade.

Mas, acima de tudo, o relato foi escrito a pensar na arte de r.m. Guéra – e isso é notório e louvável no sentido em que potencia as qualidades do desenhador. E se é verdade que se lhe podem apontar dificuldades pontuais com os rostos, especialmente o de Tex, o seu traço mais duro do que o habitual na série, belas cenas de conjunto, grandes planos e um bom uso da mudança do ângulo das tomadas de visão, em função do ritmo e da espectacularidade da planificação e, consequentemente, da narração sequencial, são os pontos fortes deste livro, a que há que acrescentar ainda o uso adequado de uma paleta de cores bem definidas, para pontuar momentos específicos.

No traço de Guéra – como já tinha sido evidenciado em Os Malditos – há igualmente algo de visceral, uma invulgar capacidade de transmissão da violência e das suas consequências, que justifica a sua escolha para este relato e dá um outro impacto aos confrontos ou, por exemplo, às cenas de tortura ou enforcamento. E que talvez atinja o seu auge na (maxi-)vinheta final, cuja beleza estética é contrasta cruamente com a dureza da situação.

Escrevi acima, antes deste texto ganhar vida e seguir outros rumos, que ‘ ter o protagonismo entregue a Tex Willer e Kit Carson ou a um qualquer outro cowboy famoso da BD, seria praticamente igual’. Escrevi-o consciente de que não era totalmente verdade. Para além dos benefícios então citados – a sua popularidade, a projecção da principal ‘marca’ da SBE – tê-los como principais figuras de O Homem das Pistolas de Ouro, garante à partida uma identificação (até moral) por parte d(e muitos d)os leitores e um conhecimento prévio do seu historial, da sua forma de ser e estar e dos seus métodos que, concedo, aportam uma determinada dimensão ao relato.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Dos novos (assombrosos e insólitos) esboços iniciais às páginas impressas, passando pelas artes originais de Bruno Brindisi em Tex Willer

Bruno Brindisi a desenhar para os seus fãs em Anadia

Na edição italiana número 24 de Tex Willer, lançada em Outubro de 2020 com o título “I razziatori del Nueces“, iniciou-se uma longa aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi, que se estendeu até Fevereiro de 2021 já que durou cinco números.

E é precisamente dessa edição número 24 que vamos hoje abordar novamente os assombrosos e insólitos esboços iniciais de algumas páginas da história desenhada por Bruno Brindisi, mostrando também os esboços finais de cada uma dessas páginas, assim como a página já arte-finalizada e até a página impressa para se poder mostrar como procede a criação de cada página de Tex Willer realizada por Brindisi nesta história onde… durante uma pausa na sua vida errante, o jovem Tex Willer relembra o passado recente, quando, da noite para o dia, ele teve de abandonar o rancho paterno no Vale de Nueces e a sua vida mudou para sempre…
Pessoas amadas caem ao seu redor, mas o jovem pioneiro não pára para chorar. Com lágrimas nos olhos, não se atinge o alvo … e cada bala que sai dos seus Colts é chamada de vingança!

Os esboços inusitados de Bruno Brindisi já foram parcialmente divulgados AQUI no Tex Willer Blog  e causaram um grande impacto porque é algo incaracterístico e creio mesmo que seja algo feito apenas pelo Mestre Brindisi…

Para mostrar melhor essa característica filmei os originais que possuo, inclusive os esboços, que realmente têm a característica do Bruno Brindisi num lado da folha fazer o esboço a preto e no lado posterior da folha fazer o esboço mais completo na cor azul… como se pode ver então no vídeo dos meus originais do Tex e Carson em Anadia que o Mestre me presenteou…

Destaque-se que as páginas originais de Bruno Brindisi medem 33×48 cm, enquanto os peculiares esboços são realizados numa única folha (frente e verso com tinta-da-china, lápis e lápis de cor azul)  com 29,5×42 cm.

Página número 13 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 13 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 13 de Tex Willer #24

Página original (nº 13) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 13 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 14 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 14 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 14 de Tex Willer #24

Página original (nº 14) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 14 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 15 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 15 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 15 de Tex Willer #24

Página original (nº 15) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 15 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 16 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 16 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 16 de Tex Willer #24

Página original (nº 16) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 16 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 28 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 28 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 28 de Tex Willer #24

Página original (nº 28) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 28 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 29 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 29 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 29 de Tex Willer #24

Página original (nº 29) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 29 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 32 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 32 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 32 de Tex Willer #24

Página original (nº 32) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 32 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

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Póster Tex Nuova Ristampa 322

Póster Tex Nuova Ristampa 322

Nesta nova ilustração realizada pelo Maestro Claudio Villa vemos, em plenas florestas de Montana, um atónito Tex a deparar-se com o indivíduo desfigurado que se escondia por trás da máscara do Caveira, indivíduo que fugia de um tenebroso incêndio ocorrido na sua cabana de caça, fogo esse ateado pelo major Parker como forma de se vingar pelo facto do Caveira, na verdade o capitão Loraine, ser o amante da sua esposa Isabel….

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #81 e inspirado na história “La maschera dell’orrore” de Claudio Nizzi e José Ortiz (Tex italiano #494 a #496).
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Texto de José Carlos Francisco

Antevisão das aguardadíssimas histórias de Tex desenhadas pelos irmãos Cestaro, Giovanni Bruzzo e Lucio Filippucci

Mauro Boselli brinda às novas histórias de Tex que estão a chegar

Em produção existem, obviamente, mais de três dezenas de histórias de Tex e três delas são das mais aguardadíssimas pelos fãs e coleccionadores de Tex espalhados pelo mundo… uma delas é a história que trará a primeira parte da aventura onde teremos o novo regresso de Mefisto, primeira parte essa composta por 330 páginas desenhadas pelos irmãos Gianluca e Raul Cestaro (a segunda parte terá 440 páginas e está a ser desenhada por Fabio Civitelli).

Uma história escrita por Mauro Boselli que narra o ansiado retorno de Mefisto, onde veremos o némesis de Tex instalado em São Francisco onde dirige uma clínica para loucos. Entre os pacientes, para além do seu filho Yama, que perdeu a memória na aventura anterior, como o leitor certamente se recordará, está também… Tom Devlin, o chefe da polícia da cidade.

Uma história de grande intensidade e atmosfera gótica, em que então o arqui-inimigo de Tex e o seu filho Yama unirão forças para poderem derrotar os pards que, desta vez, vão poder contar com a ajuda inesperada do monge Padma. Esta história contará com 770 páginas e estender–se-á por 7 álbuns mensais. São então dos irmãos Cestaro as páginas desta história que damos a conhecer de seguida:

A segunda história que vamos dar a conhecer um pouco mais hoje, está a ser desenhada por Giovanni Bruzzo há vários anos e tem como título de trabalho “Erebus“. Está prestes a ser concluída e também foi escrita por Mauro Boselli tendo contornos verídicos e, obviamente, e ficcionais.

A aventura, de 440 páginas, desenrola-se no extremo norte do Canadá, perto do Pólo Norte, entre os Inuit e os Casacas Vermelhas de Jim Brandon. Nesta aventura teremos também a participação da heroína das histórias “Giovani assassini” e “Winnipeg”, a Dallas, exacerbada pela morte do seu irmão e também a participação da mestiça  Kathy Dawn.

A história aborda a expedição perdida do Lord John Franklin, oficial da Marinha Real do Reino Unido, que em 1845 a bordo do navio a vapor Erebus iniciou a exploração  do Ártico à procura da famosa “Passagem do Noroeste”. O mesmo tema já tinha sido tratado por Mauro Boselli numa velha história de Zagor, provavelmente a sua maior obra nessa série, segundo a opinião de muitos fãs zagorianos. A viagem de Tex e de Jim Brandon através das baías do Ártico será destinada a salvar de uma terrível ameaça alguns amigos que tinham partido anteriormente precisamente à procura do Erebus de Franklin. Historicamente numerosas expedições tiveram lugar no curso do século para encontrar o navio.

Por fim, a terceira história foi retomada recentemente por Lucio Filippucci depois de uma pausa para desenhar uma edição especial de Martin Mystère comemorativa dos 80 anos da editora Bonelli. História essa escrita por Claudio Nizzi e que terá 220 páginas cujo título provisório é “Un maledetto imbroglio” e também será publicada na série principal de Tex.

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Fotos e Vídeo: A inauguração, em Lunigiana, da Praça Tea Bertasi Bonelli, a mulher que lançou Tex Willer em 1948, com a presença de Davide Bonelli

Praça Tea Bertasi Bonelli

* Ontem, sábado, dia 24 de Julho durante o evento “Nuvole a Montereggio” (em Lunigiana), decorreu a homenagem à artífice do nascimento da Editora Bonelli: Tea Bertasi Bonelli, a empresária que tornou possível o sucesso da Sergio Bonelli Editore após a Segunda Guerra Mundial, a quem foi dedicada uma Praça e onde esteve presente na inauguração o seu neto Davide Bonelli, actual proprietário da editora milanesa.

A vista é de tirar o fôlego e o leitor pode sentar-se em dois bancos em formato de livro. Onde? Em Montereggio, na nova praça dedicada a Tea Bertasi Bonelli. A pequena fracção do Município de Mulazzo acolheu este fim de semana o Festival “Nuvole a Montereggio”, ocasião em que uma pequena praça recebeu o nome da editora e empresária do que viria a ser a Sergio Bonelli Editore, que precisamente neste ano de 2021 festeja os 80 anos de actividade. Ela definia-se como “uma editora improvisada, ainda por cima sem um passado como leitora de banda desenhada…“, mas era uma definição que surgiu devido à sua grande modéstia, porque Tea (de Aristea) Bertasi Bonelli foi uma figura nuclear na história da banda desenhada italiana.

A Praça Tea Bertasi Bonelli trouxe ainda uma surpresa, dois bancos especiais em forma de livro – peças originais patenteadas pelo empresário Aldino Albertelli – decorados com desenhos retirados de Tex e Zagor, em homenagem aos mais duradouros e célebres personagens dos fumetti criados pela família Bonelli.

O empenho de Tea Bertasi Bonelli, já envolvida na gestão da editora Audace na década de 1940 pelo seu marido Gianluigi Bonelli, criador do famoso Tex, foi decisivo nos anos da Segunda Guerra Mundial e no imediato pós-guerra. Aliás, foi ela quem escolheu o desenhador Aurelio Galleppini para duas novas séries criadas por Gianluigi em 1948, Occhio Cupo e Tex Killer, e foi também ela quem mudou o nome do segundo personagem para Tex Willer, contribuindo assim para o lendário sucesso do personagem símbolo da banda desenhada italiana.

“É uma alegria dedicar uma praça de Montereggio a Tea Bertasi Bonelli – comentou o Presidente da Câmara Municipal de Mulazzo, Claudio Novoa –, uma figura importante no campo editorial, pela tenacidade e visão. A cidade dos livreiros enriquece-se, entrando também no mundo da banda desenhada.“.

Davide Bonelli, neto de Tea e actual dono da editora milanesa, não poderia faltar, tendo inclusive feito um pequeno discurso, onde a emoção esteve bem presente, como se poderá ver no vídeo que publicamos mais abaixo (reportagem de Roberto Davide Papini). A cerimónia oficial foi seguida por uma conversa com Michele Masiero, director editorial da Sergio Bonelli Editore, conduzida por Matteo Stefanelli, director artístico do festival. 

A nova praça insere-se na tradição toponímica de Montereggio, localidade da Lunigiana conhecida como a “terra dos livreiros”, berço da tradição secular dos livreiros itinerantes e único burgo italiano inserido na rede das Cidades Mundiais do Livro. A Praça Tea Bonelli estará localizada entre ruas e praças como a praça Arnoldo Mondadori, a praça Angelo Rizzoli, a rua Aldo Garzanti, a rua Giangiacomo Feltrinelli e a rua Umberto Mauri.