“SuperTex”, uma nova série colorida com periodicidade mensal cuja primeira capa será da autoria de Stefano Biglia

A primeira imagem promocional de “SuperTex” difundida pela Sergio Bonelli Editore. Ilustração da autoria de Stefano Biglia

A Sergio Bonelli Editore anunciou hoje SuperTex, uma nova série mensal dedicada a Tex. A nova colecção reproduzirá, a cores e no clássico formato bonelliano (16×21 cm), as aventuras publicadas fora da série regular mensal dedicada ao mítico Ranger.

O primeiro número, a ser distribuído em Novembro, trará a primeira parte de Oklahoma!, (enviados pelo Comando dos Rangers para investigar uma série de ataques a colonos, Tex e Carson participam da histórica Oklahoma Land Rush, a grande corrida por lotes de terras no território que se tornaria o Estado de Oklahoma. Nessa acirrada disputa, os pards ajudarão os Paxton, uma família que deixou tudo para trás sonhando com um futuro melhor) história escrita por Giancarlo Berardi e desenhada por Guglielmo Letteri, publicada pela primeira vez no Maxi Tex #1, em 1991.

Capa do volume 1 da Colecção Bonelli Portugal, A Lenda de Tex. Ilustração de Stefano Biglia

.
Tem a particularidade de ter uma capa inédita da autoria de Stefano Biglia, consagrado desenhador italiano que também foi o autor da primeira capa da Colecção Bonelli Portugal, uma colecção de 10 volumes inteiramente dedicada à editora de Milão, onde naturalmente, a honra de abrir a colecção coube obviamente a Tex Willer, o Ranger do Texas criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em 1948, cujo sucesso perene ajudou a escrever a história da editora Bonelli.

Este primeiro volume de SuperTex terá 144 páginas e custará 4,40 euros. Do número 2 em diante os volumes terão 112 páginas.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Tex Willer de Marco Ghion

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer de Marco Ghion

Marco Ghion e Diego Moratti na mostra ghionesa em Martinengo, Itália

Nascido em Milão, Itália, em 25 de Dezembro de 1980, depois do diploma de geómetra, Marco Ghion frequenta a “Scuola del Fumetto” de Milão em 2001 e diploma-se como desenhador realístico.

Depois de uma breve experiência no sector da animação, em 2009 Marco Ghion encontra Bruno Bozzetto, célebre director e animador. Aí ele inicia a sua colaboração no StudioBozzetto de Milão, com animações em gráfica, estudo de personagens e background artist em séries 3D animadas – “Topo Tip” – e spots publicitários – Nutella, Campari, Atalanta -, desenvolvendo uma forte paixão pela animação.

Em 2015, encontra Enea Riboldi, capista de “Dampyr” que o traz para o mundo da banda desenhada. Em Março de 2018, Marco Ghion entra na staff de desenhadores da Sergio Bonelli Editore estreando no álbum especial da série “Tex Willer” lançado em Dezembro de 2019 com o título “Fantasmi di Natale”.

No presente está a trabalhar na série regular “Tex Willer” desenhando a história “I 5 della mano rossa” (título provisório).

Prova para Tex Willer

Prova para Tex Willer

Marco Ghion

Fontes: Imagens: Marco Ghion. Biografia: Sergio Bonelli Editore e Marco Ghion.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Marco Ghion pelo desenho de Tex, para o blogue.
Afrânio Braga

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Vídeo: Tex (publicado em Portugal pela Editora Levoir) em grande destaque no bdnauta

O bdnauta é o espaço, no Youtube, em que a banda desenhada, uma forma de contar histórias de que o português Nelson Chantre (pessoa bem disposta, criativa, polivalente e que gosta de estar presente nas várias etapas do processo criativo. Gosta de ler, escrever, cinema, banda-desenhada, música e desenhar) muito gosta, ganha espaço. Não só a banda desenhada mas também outras formas de contar histórias que buscam actualmente inspiração no campo da banda desenhada.

Nelson Chantre

O bdnauta no seu programa número 15, de Abril de 2018, destacou o Tex, o protagonista do primeiro volume na colecção da editora Bonelli que a Levoir lançou no nosso país, dedicando cerca de meia hora à apresentação do mítico Ranger “italiano” e falando também de algumas edições de Tex publicadas no Brasil e que chegaram a Portugal ao longo dos anos.

Para aguçar ainda mais a curiosidade, apresentamos primeiro o brevíssimo (39 segundos), mas interessantíssimo, preview do bdnauta #15 e somente depois o programa na íntegra onde é também apresentada a Colecção Bonelli de Portugal:

Depois da publicação de Mater Morbi, uma aventura de Dylan Dog incluída em 2017 na terceira série da colecção Novela Gráfica, os fumetti (nome dado à BD em Itália) da Bonelli regressaram a Portugal, com uma colecção de 10 volumes inteiramente dedicada à editora de Milão. Naturalmente, no ano em que completou 70 anos de existência, a honra de abrir esta colecção coube naturalmente a Tex Willer, o ranger do Texas criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em 1948, cujo sucesso perene ajudou a escrever a história da editora Bonelli.

Mas, para além de Tex e de Dylan Dog, que tiveram direito a dois volumes cada (um com histórias curtas a cores, outro com histórias mais longas a preto e branco), esta colecção acolheu ainda outras personagens carismáticas da mais popular editora italiana de fumetti, como Dampyr, o caçador de vampiros, Martin Mystère, o detective do impossível, Júlia Kendall, a criminóloga com as feições de Audrey Hepburn, o explorador Mister No, para além de dois dos mais recentes sucessos da Bonelli, as séries Le Storie e Dragonero, como se pode então assistir no vídeo do bdnauta:

As Leituras do Pedro: Nathan Never – Estación Espacial Internacional

As Leituras do Pedro*

Nathan Never: Estación Espacial Internacional
Bepi Vigna (argumento)
Sergio Giardo (desenho)
Panini Comics
Espanha, 1 de Outubro de 2020
195 x 259 mm, 144 p., cor, capa dura
ISBN: 9788413345451
18,00 €

Credibilizar o incrível

Entre os heróis ‘tradicionais’ – vou escrever assim… – da Sergio Bonelli Editore, onde incluo Tex, Zagor, Martin Mystère, Mister No, Nick Raider, (também) Ken Parker, este Nathan Never é aquele que menos conheço. Possivelmente porque, quando fiz a descoberta da produção popular Bonelli através das edições brasileiras da Mythos Editora, não havia nenhum título dedicado ao herói espacial. E, possivelmente, outra vez, porque entre todas as temáticas que aquelas séries abordam, a ficção científica – base de Nathan Never – é a que menos me atrai.

Com uma mão cheia de edições lidas – portanto sem grandes ligações à personagem nem tão pouco uma opinião sólida sobre ela – este Estación Espacial Internacional apresentava-se como uma leitura de descoberta do desconhecido, bem ajustada à sua temática. No entanto, uma vez concretizada, revelou-me uma outra realidade.

Convém começar por referir que a edição original italiana deste livro – tal como a actual – contou com o apoio da Agenzia Spaziale Italiana (ASI) e da European Space Agency (ESA), cumprindo a primeira o propósito de apoiar anualmente uma obra que contribua para unir ciência e cultura. Daí, o tom mais pedagógico deste tomo, que apresenta um improvável encontro entre o agente espacial Nathan Never (um detective futurista da agência privada Alfa) e o mais experiente astronauta italiano, o comandante Luca Parmitano.

Inevitavelmente, a forma de união entre seres – mesmo que um de papel e outro real – de épocas distintas – NN vive no século XXIII – é um salto temporal involuntário, que traz o herói criado em 1991 por Michelle Meda, Antonio Serra e Bepi Vigna, ao nosso tempo, mais exactamente ao nosso espaço. Vigna, autor do presente argumento, a par de uma base científica sustentável, enriqueceu-o com diversos aspectos próprios de uma história de ficção – o incidente tem origem numa conspiração para a realização de uma experiência não autorizada – e outros bem reais, como o facto de a presença no espaço do italiano corresponder à concretização dos seus sonhos de criança.

Se a resolução do problema surgido acaba por se revelar mais simples do que seria expectável e estão ausentes cenas de acção, é impossível desligar esses factos do tom pedagógico da obra, cujo principal mérito é tornar (mais) credível aquilo que hoje parece incrível – como pareceriam, com certeza, os factos reais aqui narrados, a quem viveu há 50 ou 60 anos atrás, quando (já) se davam os primeiros passos na exploração espacial que aqui conduziram.

Para essa credibilização contribui o traço realista competente de Sergio Giardo, sendo curioso constatar como a (real) Estação Espacial Internacional é retratada de forma mais completa e detalhada, do que a (ficcional) Estação Orbital Calíope onde Nathan Never toma conhecimento da sua missão, na qual, como referido atrás vai ser quase só um simples observador.

Esta é mais uma sólida edição da colecção dedicada às criações Bonelli pela Panini Comics do país vizinho, que encerra com um volumoso dossier que inclui uma conversa entre Beppi e Giardo, sobre as suas influências no que à ficção-científica diz respeito, uma entrevista com Luca Parmitano e uma explicação sobre a Missão Beyhond, que marcou o regresso ao espaço deste último, no segundo semestre de 2019.

Termino, destacando duas questões bastante interessantes – e que para mim sempre foram prementes – levantadas no prefácio por Francisco Rea, responsável pelas relações externas da ASI.

A primeira – partindo de Star Wars – e generalizando eu – o facto de a maioria das histórias de ficção-científica decorrerem em planetas em que as condições de vida – atmosfera, temperatura, gravidade… – são similares à terrestre, O que facilita imenso a narrativa, reconheçamos!

A segunda, relacionada com a vida em estações espaciais e/ou em ambientes sem gravidade, é o papel (narrativamente) secundário dado aos pequenos nadas quotidianos – lavar os dentes, ir à casa de banho, dormir, comer… – que os próprios leitores esquecem…

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)