
Maurizio Dotti caminha a passos largos para a conclusão da história da Ilha dos Tubarões que será publicada neste Verão
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Quais são as principais novidades da 11ª Mostra em relação às edições anteriores?
(Convidados internacionais, novos formatos, iniciativas interativas ou atividades especiais.)
As principais novidades todos os anos são mesmo a vinda dos autores (e os excelentes desenhos exclusivos que têm oportunidade de fazer para os cartazes do evento), sempre de uma simpatia e generosidade que contagiam todos os presentes. Num projeto que tem vindo a recolher cada vez mais a simpatia, a adesão e a curiosidade em Portugal, e além fronteiras, pois cada vez mais são os que visitam o evento vindos do estrangeiro, queremos, no fundo, jogar seguro, atuar pela certa.
Este ano quisemos trazer um autor mais experiente em contraponto com outro com uma carreira menos extensa. Ugolino Cossu é um autor de longa data da Sergio Bonelli Editore, que trabalhou em várias séries, tornou-se num dos mestres de Dylan Dog e tem vindo a cimentar-se em Tex. Por outro lado, Frederic Volante é um dos nomes que têm vindo a despontar no atualidade do panorama do fumetto (nome dado à BD em Itália) italiano, até porque, para além de não ter nascido em Itália, mas na Bélgica, a sua carreira tem sido feita também no mercado franco-belga.
Assim sendo destacam-se também as duas exposições de páginas dos dois autores, sendo a exposição dedicada a Ugolino Cossu constituída por uma dúzia de pranchas (a preto e branco, mas também a cores) do autor, selecionadas pelo próprio, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes, no seu formato original, algumas da mais belas páginas das suas histórias de Tex ao longo dos anos. Quanto à exposição dedicada a Frederic Volante teremos uma dezena de pranchas, todas a preto e branco, da sua mais recente aventura de Tex (‘I regolatori’), selecionadas igualmente pelo próprio, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes, algumas das mais belas páginas desta sua história de Tex que está no presente disponível nas bancas italianas.
As participações dos dois autores estão confirmadas, assim como toda a logística envolvente. O Clube trabalha muito por antecipação, não só porque faz parte da nossa forma de atuar, mas sobretudo porque, nos últimos anos, a Sergio Bonelli Editore tem criado alguns obstáculos que não nos permitem ter a voz ativa, ou, de certa forma, termos a última palavra em todo o processo. A escolha dos autores é apenas um dos pontos em que o Clube deixou de ter alguma autonomia, porque se antes podíamos escolher os autores e eles viriam, caso estivessem livres, de há uns anos a esta parte, o Clube lança uma lista de nomes para que a editora italiana escolha dois que possam vir ao evento. Claro que para nós, apaixonados que somos, qualquer autor é bem-vindo e queremos poder dizer um dia que já cá estiveram todos, mas muitas sugestões e inovações que tínhamos em mente, pura e simplesmente não são aceites e aquilo que menos nos importa é saber porque é que o fazem.
Com relação à participação dos dois desenhadores, a presença de ambos proporciona aos visitantes uma imersão direta no universo da banda desenhada italiana (fumetti) na generalidade, mas em especial no mundo do Tex, destacando-se o facto dos visitantes durante os dois dias poderem assistir e participar, entre outras coisas, a conversas, sessões de autógrafos e de desenho ao vivo, numa excelente atmosfera e num belo ambiente a viver num fim de semana que será verdadeiramente texiano, podendo desfrutar inclusive da presença dos dois autores que durante todo o fim de semana estarão à disposição dos visitantes, inclusive para conversas, participando ambos também de um jantar/tertúlia no sábado e de um almoço no domingo, abertos também a todos os visitantes que se desloquem a Anadia e que desejem estar presentes.
A nível de material exposto o público pode apreciar um panorama impressionante, tanto de edições raras como de peças de “merchandising”, já que vamos ter também em exposição dezenas de livros e revistas de Tex oriundas de diversos países onde o personagem foi/é publicado, quadros, estatuetas, bonecos, desenhos originais, porta-chaves, selos, calendários, cartazes, folhetos, azulejos, pins, cadernos, diários, desenhos animados, filmes, etc., relacionados com a famosa personagem de BD italiana e que fazem parte das coleções de alguns dos maiores colecionadores portugueses.
Qualquer evento que sirva para dignificar e elevar o nome de uma localidade, a sua comunidade, as suas gentes, os seus usos e costumes, no fundo a sua cultura, acreditamos que é importante. No caso da cidade de Anadia, cujo Município e Museu do Vinho Bairrada, desde a primeira hora acolheram a nossa ideia e a nossa sugestão, vem ao encontro do que temos vindo a sublinhar. O poder local e todos os instrumentos culturais servem também para se juntarem a projetos que sirvam para dignificar a sua cidade e as suas gentes. No início, alguns torceram o nariz pelo facto de ser um herói de banda desenhada, por sinal um cowboy, coisa rara nos nossos dias, e que sai ininterruptamente para as bancas italianas desde setembro de1948, pudesse ser este veículo cultural, este elo de ligação entre fãs e apaixonados da série com as gentes de Anadia e arredores. Para nós é um enorme orgulho que isso tivesse acontecido e que Anadia seja hoje também conhecida pela capital portuguesa do Tex. A manutenção da Mostra do Clube Tex Portugal em Anadia pelo 11.º ano consecutivo consolida efetivamente a cidade como a capital portuguesa do Tex. Esta continuidade é vital para ambas as partes já que para o clube há um cada vez maior reconhecimento internacional, já que o evento é hoje um dos principais certames mundiais dedicados à personagem, atraindo autores e material oficial diretamente da Sergio Bonelli Editore em Itália, permitindo reunir sócios e fãs de diversos países reforçando o papel do Clube como o primeiro clube oficial de Tex no mundo, estabelecendo um marco temporal e geográfico fixo para o “fumetto” em Portugal, garantindo a vitalidade do clube dando uma projeção cultural à capital bairradina já que reforça a identidade de Anadia como um polo de referência da banda desenhada e um centro de dinamismo cultural na região da Bairrada, dinamizando turisticamente e economicamente a região já que o evento atrai dezenas de visitantes estrangeiros e nacionais, beneficiando a restauração e hotelaria local, ao mesmo tempo que há a valorização de equipamentos municipais, já que a utilização do Museu do Vinho Bairrada para a mostra integra a cultura popular com a herança vitivinícola da região, atraindo novos públicos ao museu tornando esta parceria entre o clube e a cidade uma parceria institucional sólida, demonstrando o sucesso da colaboração contínua entre o Município de Anadia e a sociedade civil organizada.
O Clube Tex Portugal é composto pelos seus sócios que pagam uma quota anual que nos permite organizar esta Mostra Anual, publicar duas revistas semestrais, trazer anualmente, pelo menos dois autores a Anadia e ainda disponibilizar um dia para visitarem Lisboa e arredores. Claro que temos tido da parte da Município de Anadia e do Museu Vinho Bairrada algum apoio, mas quase tudo é o Clube que paga. Isto para dizer que a programação tem que ser toda muito bem estudada, planeada, programada. Haverá as habituais exposições de pranchas de cada um dos autores, sessões de autógrafos e desenhos feitos ao vivo e em exclusivo para os sócios. Ao contrário de muitos autores de outras partes do mundo, os desenhadores italianos de Tex não cobram nada pelo seu trabalho e fazem questão de salientar que os leitores são o mais importante para um autor, por isso os autores devem saber retribuir a sua generosidade e tendo tudo isso em conta, o evento mantém a tradição de oferecer uma programação variada para os fãs de banda desenhada em geral e do Tex em particular, destacando-se também este ano um workshops e uma conferência, focadas na história e produção da personagem, com as participações dos dois autores, assim como de profissionais ligados à publicação de Tex, vindos do Brasil, mas também de Portugal, como são os casos do editor brasileiro Dorival Vitor Lopes e português Mário João Marques, já que a inclusão de workshops e aulas de desenho nos eventos ajuda a renovar a base de fãs, assegurando que o legado de Tex Willer continue a marcar gerações.
A receção às mostras do Clube Tex Portugal tem sido extremamente positiva, consolidando o evento como um marco de referência no panorama da banda desenhada, tanto a nível nacional como internacional, atraindo centenas de fãs e colecionadores de todos os quadrantes e inclusive temos sido surpreendidos de ano para ano com um crescente interesse. E esse interesse revela-se em duas facetas: por um lado são cada vez mais aqueles que aproveitam a Mostra para se deslocarem a Anadia e ao Museu, talvez porque o Clube faz uma divulgação regional bastante assertiva, destacando-se ainda o facto do evento ser amplamente noticiado pela comunicação social regional e nacional; e por lado, assistimos a uma crescente vinda de apaixonados do Brasil, de Itália, de França ou Espanha. Por exemplo, este anos virão mais apaixonados do Brasil e de Itália, o que torna o evento cada vez mais internacional. Por exemplo, em Itália, pátria de Tex, todos os que já tiveram oportunidade de cá estar falam apaixonadamente deste evento, salientando o seu cariz familiar, porque as nossas famílias também estão presentes, o que aguça o apetite para outros poderem visitar-nos mais tarde. A palavra dos autores que nos têm visitado também se faz sentir e é muito importante, salientando a beleza do país, da região, da organização e do cunho familiar que, por exemplo em Itália, não acontece, salientando-se ainda que o clube Tex Portugal goza de um estatuto único, tendo o apoio direto da Sergio Bonelli Editore, sendo Davide Bonelli, diretor da editora, sócio honorário e autorizando o uso oficial da marca nos eventos do clube, com isso proporcionando feitos que não podem ser desfrutadas em outros eventos realizados noutras partes e por outras entidades, para gáudio dos fãs e colecionadores que se deslocam a Anadia, tornando o evento português em algo único a nível mundial.
O papel dos colecionadores e da comunidade foi o motor fundamental para o crescimento e a continuidade da Mostra do Clube Tex Portugal, transformando um pequeno encontro de fãs num dos principais eventos anuais dedicados à personagem em todo o mundo. E o crescimento da Mostra deve-se aos apaixonados, que formam uma comunidade homogénea composta por algumas centenas de pessoas. Apesar de ser o Clube Tex Portugal a organizar o evento, ele não seria possível sem o carinho, a presença e a motivação da comunidade Texiana, assim como da colaboração do município de Anadia e do Museu do Vinho Bairrada. A Mostra no presente serve como o grande ponto de encontro para a “família Texiana”, permitindo o contacto direto entre fãs que colecionam a personagem há décadas.
Por outro lado, o Tex Willer Blog é outro dos veículos catalisadores deste interesse e deste crescimento. Diariamente, sem falhas, o blogue traz sempre uma notícia, um facto, uma entrevista, algo que é agregador da comunidade texiana em volta da sua personagem preferida e dos seus autores já que através do Tex Willer Blog, a comunidade mantém um fluxo constante de informações que alimenta o interesse pela Mostra durante todo o ano.

José Carlos Francisco, Mário Marques, Carlos Moreira; a direção e o brinde à Mostra do Clube Tex Portugal
Sim, o Clube Tex Portugal continua a expandir as suas atividades em 2026 e 2027, com foco na consolidação dos eventos anuais, das edições exclusivas da nossa revista e uma presença contínua em grandes feiras e festivais de banda desenhada que ocorrem ao longo do ano em outras cidades do país, como tem sido os casos mais recentes das presenças no Festival Amadora BD, aquando das comemorações dos 75 anos de vida editorial do Tex e da Comic Com Portugal onde tivemos o privilégio de contar com as presenças dos consagrados Fabio Civitelli e Michele Benevento.
Há também um projeto para o Clube subir mais um degrau. Hoje tudo é feito com base no amadorismo, no amor de cada um pela personagem, na amizade e na camaradagem que nos une. Mas as dificuldades, sobretudo económicas, são crescentes, e o Clube tem de dar azo à sua imaginação para inventar receitas. Por isso, estamos a pensar em tornar o Clube Tex Portugal como entidade tipo fundação, o que, desde logo, nos abriria outras portas, mas também outras responsabilidades.
No campo editorial o clube mantém uma colaboração estreita com a Mythos Editora (Brasil) e com a editora portuguesa A Seita, colaborando em projetos como o livro “Tex: Mais que um Herói”. Além de tudo isso, o Clube também promove Convívios Texianos (como o de Natal) em diferentes localidades para entrega de revistas e confraternização entre sócios.
Copyright: © 2026 Jornal de Anadia; Margarida Verdade
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Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) na tradução e revisão.
O Clube Tex Portugal realiza, em Anadia, nos dias 9 e 10 de Maio próximo a 11ª Mostra do Clube Tex Portugal e traz UGOLINO COSSU ao nosso país, motivo mais que suficiente para esta entrevista do blogue português do Tex com o autor italiano que estará então presente na capital da Bairrada no fim de semana de 9 e 10 de MAIO no mui nobre MUSEU DO VINHO BAIRRADA.
Caro Ugolino Cossu, seja bem-vindo ao blogue português do Tex! Você será protagonista de uma mostra do Clube Tex Portugal, na cidade de Anadia. O que representa para si esse evento que poderá contar com a sua presença num país estrangeiro?
Ugolino Cossu: O convite para participar da mostra do Clube Tex Portugal deixou-me muito feliz, será a oportunidade de visitar um país em que nunca estive mas que há muito tempo desejo ver. Além de conhecer um país cheio de história e beleza, este convite representa a oportunidade de encontrar pessoas que, como eu, têm interesse no mundo da BD, que, no que a Tex diz respeito, acredito que seja mais do que um simples interesse, eu diria quase uma verdadeira paixão, visto que criaram um Clube Tex e há onze anos organizam com sucesso um evento dedicado ao famoso ranger.
O que convenceu Ugolino Cossu, autor de fama mundial, a aceitar um convite tão inusitado?
Ugolino Cossu: Convencer-me a participar deste evento dedicado ao Tex não foi difícil. Para mim, que estou entre os artistas que ilustram as suas histórias há quinze anos, vir a Anadia e participar deste evento será uma grande honra.
Quais as suas expectativas em relação à 11ª Mostra do Clube Tex Portugal?
Ugolino Cossu: Em Portugal espero encontrar pessoas simpáticas, hospitalidade calorosa, boa comida e ótimo vinho, além de uma multidão de leitores entusiastas de Tex que comparecerão em massa à mostra.
Ampliemos um pouco o horizonte da entrevista: o que o convenceu a entrar para a indústria dos quadradinhos?
Ugolino Cossu: A minha aptidão para o desenho guiou-me na escolha do ciclo de estudos, desde o Ensino Médio de Arte até à Academia de Belas Artes. Com o tempo, porém, percebi que sentia-me mais atraído pelo desenho gráfico do que pela pintura, e o mundo dos quadradinhos, do qual sempre fui fã, representou o epílogo natural.
Como se sentiu ao receber o convite para desenhar Tex?
Ugolino Cossu: Quando recebi o convite para desenhar Tex eu já trabalhava há quinze anos com outra grande personagem do universo Bonelli, Dylan Dog, que aprendi a conhecer bem e que já desenhava com muito prazer. Passar a Tex não foi simples, em parte em razão da ambientação que não havia explorado antes, depois pelos cavalos, as rédeas, as armas, sem falar de Tex e seus pards, que, com mais de sessenta anos de histórias às costas, eram ícones sagrados de fazer tremer os pulsos. A primeira história ajudou-me a enfrentar essa tarefa árdua. Eu recebia poucas páginas do roteiro por vez, mas a história não terminava, e no fim revelou-se um Maxi Tex de 330 páginas. Deu muito trabalho, mas a satisfação foi imensa e fez-me abandonar qualquer receio inicial.
Como analisa a evolução da sua carreira?
Ugolino Cossu: A minha carreira abrange cinquenta anos de trabalho, e engloba um grande número de experiências, de BD popular, com histórias curtas e independentes até séries de fantasia, a passar pela chamada BD de autor, a atuar com diversos argumentistas e a escrever histórias para personagens criadas por mim, até chegar a Dylan Dog e atualmente Tex. No geral, não posso reclamar.
Como avalia seu trabalho hoje em relação ao passado?
Ugolino Cossu: O meu trabalho de hoje tem o mesmo entusiasmo de sempre. Cada nova história é um desafio a fazer o meu melhor, com a mesma vontade de melhorar, a mesma curiosidade que leva-me a documentar-me, a buscar soluções que possam interessar e intrigar os leitores, a manter sempre uma fácil legibilidade. Em última análise, trata-se de contar uma história da melhor maneira possível.
Caro Ugolino, em nome do blogue português do Tex agradecemos muito pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu.
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