ENTREVISTA EXCLUSIVA: UGOLINO COSSU (AUTOR CONVIDADO PARA A 11ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL, EM ANADIA, NOS DIAS 9 E 10 DE MAIO)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil)  na tradução e revisão.

Clube Tex Portugal realiza, em Anadia, nos dias 9 e 10 de Maio próximo a 11ª Mostra do Clube Tex Portugal e traz UGOLINO COSSU ao nosso país, motivo mais que suficiente para esta entrevista do blogue português do Tex com o autor italiano que estará então presente na capital da Bairrada no fim de semana de 9 e 10 de MAIO no mui nobre MUSEU DO VINHO BAIRRADA.

Caro Ugolino Cossu, seja bem-vindo ao blogue português do Tex! Você será protagonista de uma mostra do Clube Tex Portugal, na cidade de Anadia. O que representa para si esse evento que poderá contar com a sua presença num país estrangeiro?
Ugolino Cossu: O convite para participar da mostra do Clube Tex Portugal deixou-me muito feliz, será a oportunidade de visitar um país em que nunca estive mas que há muito tempo desejo ver. Além de conhecer um país cheio de história e beleza, este convite representa a oportunidade de encontrar pessoas que, como eu, têm interesse no mundo da BD, que, no que a Tex diz respeito, acredito que seja mais do que um simples interesse, eu diria quase uma verdadeira paixão, visto que criaram um Clube Tex e há onze anos organizam com sucesso um evento dedicado ao famoso ranger.

O que convenceu Ugolino Cossu, autor de fama mundial, a aceitar um convite tão inusitado?
Ugolino Cossu: Convencer-me a participar deste evento dedicado ao Tex não foi difícil. Para mim, que estou entre os artistas que ilustram as suas histórias há quinze anos, vir a Anadia e participar deste evento será uma grande honra.

Quais as suas expectativas em relação à 11ª Mostra do Clube Tex Portugal?
Ugolino Cossu: Em Portugal espero encontrar pessoas simpáticas, hospitalidade calorosa, boa comida e ótimo vinho, além de uma multidão de leitores entusiastas de Tex que comparecerão em massa à mostra.

Ampliemos um pouco o horizonte da entrevista: o que o convenceu a entrar para a indústria dos quadradinhos?
Ugolino Cossu: A minha aptidão para o desenho guiou-me na escolha do ciclo de estudos, desde o Ensino Médio de Arte até à Academia de Belas Artes. Com o tempo, porém, percebi que sentia-me mais atraído pelo desenho gráfico do que pela pintura, e o mundo dos quadradinhos, do qual sempre fui fã, representou o epílogo natural.

Como se sentiu ao receber o convite para desenhar Tex?
Ugolino Cossu: Quando recebi o convite para desenhar Tex eu já trabalhava há quinze anos com outra grande personagem do universo Bonelli, Dylan Dog, que aprendi a conhecer bem e que já desenhava com muito prazer. Passar a Tex não foi simples, em parte em razão da ambientação que não havia explorado antes, depois pelos cavalos, as rédeas, as armas, sem falar de Tex e seus pards, que, com mais de sessenta anos de histórias às costas, eram ícones sagrados de fazer tremer os pulsos. A primeira história ajudou-me a enfrentar essa tarefa árdua. Eu recebia poucas páginas do roteiro por vez, mas a história não terminava, e no fim revelou-se um Maxi Tex de 330 páginas. Deu muito trabalho, mas a satisfação foi imensa e fez-me abandonar qualquer receio inicial.

Como analisa a evolução da sua carreira?
Ugolino Cossu: A minha carreira abrange cinquenta anos de trabalho, e engloba um grande número de experiências, de BD popular, com histórias curtas e independentes até séries de fantasia, a passar pela chamada BD de autor, a atuar com diversos argumentistas e a escrever histórias para personagens criadas por mim, até chegar a Dylan Dog e atualmente Tex. No geral, não posso reclamar.

Como avalia seu trabalho hoje em relação ao passado?
Ugolino Cossu: O meu trabalho de hoje tem o mesmo entusiasmo de sempre. Cada nova história é um desafio a fazer o meu melhor, com a mesma vontade de melhorar, a mesma curiosidade que leva-me a documentar-me, a buscar soluções que possam interessar e intrigar os leitores, a manter sempre uma fácil legibilidade. Em última análise, trata-se de contar uma história da melhor maneira possível.

Como se forma um desenhador do seu nível?
Ugolino Cossu: A minha formação deu-se principalmente com a leitura das BDs dos grandes mestres: Flash Gordon, de Alex Raymond; Príncipe Valente, de Hal Foster; Valentina, de Guido Crepax; Tarzan, de Burne Hogarth; Corto Maltese, de Hugo Pratt; e também Sergio Toppi, Dino Battaglia, Milo Manara e muitos outros, sem esquecer Jean Giraud e seu alter ego Moebius. De cada um deles tentei aprender algo.
No que está a trabalhar atualmente?
Ugolino Cossu: Atualmente continuo a trabalhar nas histórias de Tex, principalmente para a série Maxi. No tempo livre, estou a levar adiante uma interpretação pessoal da epopeia de Gilgamesh, uma história colorida de 120 páginas que conta como foi escrita em caracteres cuneiformes em tabuletas de argila uma das primeiras histórias contadas pelo homem.

O que Tex representa para si e qual a importância dele na sua vida?

Ugolino Cossu: No momento Tex representa um grande compromisso quotidiano, não passa um dia sem que eu sinta o desejo de sentar-me à mesa de trabalho e realizar cenas, avaliar as páginas já concluídas ou delinear as seguintes. Às vezes até levanto no meio da noite para anotar uma ideia ou fazer algumas correções.Para concluir, quer deixar uma mensagem aos seus admiradores que irão a Anadia?
Ugolino Cossu: Espero que participem em muitos, que apreciem a mostra das minhas páginas e que a ocasião seja favorável para criar novas amizades, quem sabe diante de algumas taças de ótimo espumante.

Caro Ugolino, em nome do blogue português do Tex agradecemos muito pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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