Tex Willer de punhal na mão, por Enrico Marini

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer de punhal na mão, por Enrico Marini

Enrico Marini

Enrico Marini

Autor – Roteiro – Desenho – Cores
Enrico Marini, de nacionalidade italiana, nasceu em 13 de Agosto de 1969 na Suíça onde, durante quatro anos, estudou o grafismo na École des Beaux-Arts (Escola de Belas Artes) de Basileia.

O seu traço é então influenciado pelos comics americanos, os fumetti italianos e o mangá japonês e a sua admiração se conduz sobre autores tais como Hermann, Jordi Bernet, Milton Caniff, Alfonso Font, Jean Giraud e Otomo.

A sua carreira debuta em 1987 no Festival de la Bande Dessinée de Sierre, Suíça, onde concorre com os novos talentos. Reconhecidamente muito rápido, ele vê confiar sua primeira série “Oliver Varèse”, sobre um roteiro de Thierry Smolderen, na editora Alpen Publishers.

Em 1992, Marini e Smolderen mudam de universo e criam Gipsy, um verdadeiro herói de carne e de sangue. Marini percorre em seguida, com Jean Dufaux, o mundo dos vampiros com “Rapaces”, do qual o primeiro tomo saiu em 1998.

Com Stephen Desberg, concretiza um sonho de criança, desenhar um western, e publica o primeiro volume de “L’Étoile du Désert” em 1996. Desse encontro nasce igualmente, quatro anos mais tarde, “Le Scorpion”, um grande afresco de capa e espada. Desde 2007, Marini, autor completo, faz reviver a antiguidade com “Les Aigles de Rome”.

Em 2017, liga-se a um novo desafio: oferecer a Batman a sua primeira aventura sob os lápis de um autor de história em quadrinhos franco-belga. Publicado pela Dargaud em colaboração com a DC Comics, o díptico consagrado ao Cavaleiro das Trevas se conclui em Junho de 2018.

Fonte: Dargaud Éditeur, Paris, França.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Enrico Marini.
Afrânio Braga

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Póster Tex Nuova Ristampa 325

Póster Tex Nuova Ristampa 325

Nesta nova ilustração da autoria do Maestro Claudio Villa, vemos Lobo Manco (um dos jovens chefes que participaram de uma caçada fracassada aos Rangers na estrada do Forte) e alguns dos seus melhores guerreiros, posicionados em cima de árvores (num ponto onde os galhos que crescem dos dois lados da trilha se tocam, formando um túnel) perto da cascata que os índios chamam de ‘o grande salto dos salmões’, prestes a pularem em cima de Tex e Carson, já que os queriam apanhar vivos…

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “La maschera dell’orrore” de Claudio Nizzi e José Ortiz (Tex italiano #494 a #496).
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Texto de José Carlos Francisco

As Leituras do Pedro – Comissário Ricciardi: Primeiros inquéritos

As Leituras do Pedro*

Comissário Ricciardi: Primeiros inquéritos
Inclui os relatos Dez Cêntimos, Os vivos e os mortos e Mammarella
Colecção Aleph
Sergio Brancato e Claudio Falco (argumento)
Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi (desenho)
A Seita
Portugal, Outubro de 2021
170 x 230 mm, 128 p., pb, capa dura
13,00 €

O princípio

Presença(ir)regular neste blogue, o Comissário Ricciardi chega agora a Portugal pelas mãos de A Seita, na sua colecção Aleph, dedicada aos títulos ‘de heróis’ Bonelli, que chega assim (já) ao décimo volume.
Primeiros inquéritos, com as suas primeiras investigações, revela-se a porta ideal de entrada no mundo deste inspector da polícia italiana, criado literariamente pelo escritor Maurizio de Giovanni.

Introvertido, Ricciardi carrega consigo desde criança um enorme peso: ele vê as vítimas de crimes violentos, nos locais em que eles aconteceram, e ouve as últimas palavras que proferiram. É esse dom – maldição? – sobrenatural que, por um lado, o torna introvertido e fechado em si mesmo, mas, por outro, provoca nele uma enorme sede e necessidade de que a justiça seja feita, sejam quem forem os envolvidos, impulsionando-o a investigar até às últimas consequências.

Ambientadas na cidade de Nápoles dos anos 1930, bem caracterizada na sua dualidade natural entre os (muito) ricos aristocratas, por um lado, e os (muito) pobres por outro, para mais entre duas guerras que deixaram marcas profundas, e com a sombra cada vez mais ameaçadora da ascensão ao poder dos fascistas de Benito Mussolini, as investigações do comissário Ricciardi são também um retrato sociológico de uma cidade e de uma época em que pensar pela própria cabeça era um grande risco.

Avesso ao poder, às imposições dos superiores, aos interesses políticos e ao peso social de alguns dos criminosos, Ricciardi, sob o peso das visões violentas e e do sofrimento final das vítimas que lhes está associado, é um homem transtornado e cada vez mais isolado, a que poucos conseguem aceder, ganhando por isso alguma preponderância junto dele, como bóias de salvação lançadas a um náufrago, o sargento Maione, a sua governanta Rosa ou a jovem vizinha que diariamente observa à distância e em silêncio.

Assentes em relatos intimistas, introspectivos e penosos, pela forma como nos aproximam e nos fazem partilhar a dor e o tormento do protagonista, as investigações do comissário Ricciardi têm apresentado uma assinável unidade apesar das diferentes equipas criativas que as transpõem dos romances para os quadradinhos, embora (também) neste livro me pareça justo destacar a componente gráfica assinada por Daniel Bigliardo.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

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Entrevista com o fã e coleccionador: Genivaldo Alberto Custódio

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Genivaldo Alberto Custódio: Olá! Meu nome é Genivaldo Alberto Custódio, nasci em 15 de Fevereiro de 1962, no bairro Vila Real, cidade de Balneário Camboriú, Estado de Santa Catarina, Brasil. Esse bairro já viveu com mais intensidade suas características açorianas. Aliás, foi na Barra, bairro vizinho à Vila Real, que iniciou-se a colonização da cidade de Camboriú, que depois dividiu-se em duas cidades: Balneário Camboriú e Camboriú.
Quanto a mim, vivo no mesmo lugar onde nasci e atualmente sou servidor público estadual. Nas horas vagas, continuo lendo e colecionando TEX.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Genivaldo Alberto Custódio: Desde quando aprendi a ler, já adorava gibis e não recusava nenhum, lia de tudo: Heróis da TV, Mandrake, Fantasma, Recruta Zero, Hagar, o Terrível, Disney, etc… Lia de tudo com muito interesse. Até jornais e revistas velhas.

Quando descobriu Tex?
Genivaldo Alberto Custódio: Foi um pouco depois desse (+- 75/76). Não tinha dinheiro para comprar gibis e ia sempre na casa de um amigo de escola pegar alguns para ler; Num dia, junto com os personagens citados acima, veio um gibi de bang-bang em preto e branco com um nome estranho e chamativo na capa: TEX. Não lembro o nome da história, mas lembro que depois da leitura voltei à casa desse meu amigo e pedi mais gibis daquele TEX. Me emprestou mais alguns que ele tinha e depois disso, a coisa ficou viciante. Esse meu amigo me disse que conseguia os gibis com um primo mais velho que já trabalhava e podia comprar gibis e colecionava TEX e tinha o mesmo espírito dos colecionadores de hoje: Gostava de incentivar a leitura do herói italiano e emprestava com prazer suas revistas.

Porquê esta paixão por Tex?
Genivaldo Alberto Custódio: Costumo dizer que a paixão por TEX não se explica, se multiplica! Suas histórias e seus desenhos eram e ainda são cativantes. Em minha criancice eu era tão fanático por TEX que em todas as situações vividas por mim ou que assistia na TV em noticiários, imaginava que tudo se resolveria se TEX estivesse presente. Isso se estendeu, sem vergonha de admitir, até mesmo na adolescência.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Genivaldo Alberto Custódio: TEX tem a densidade na medida exata de todas as qualidades de um ser humano. Tem caráter, é honesto, companheiro leal, determinado e possui um senso de justiça inigualável.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Genivaldo Alberto Custódio: Possuo a coleção completa das seguintes edições: SALVAT, Os Clássicos de TEX, As Grandes Aventuras de TEX, Superalmanaque TEX, TEX Anual, TEX colorida, TEX Edição Histórica, além das duas minisséries publicadas no Brasil: A Volta de Mefisto e Mercadores de Morte. Me desfiz de TEX mensal (tinha até o 432) porque dei preferência às edições com histórias completas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Genivaldo Alberto Custódio: Coleciono as edições acima e todos os livros publicados no Brasil com referência à TEX, em especial os de G.G. Carsan e Adriano Rainho.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Genivaldo Alberto Custódio: Sem dúvida, meu objeto de desejo é o Albúm de TEX com todas as figurinhas.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Genivaldo Alberto Custódio: Não gosto de citar essas preferências porque parece que estou traindo todas as demais belíssimas histórias de TEX (E, no caso de GL BONELLI e GALEP, são TODAS, mesmo). Entretanto, para não fugir da pergunta, entendo que devemos responder essas perguntas dividindo as respostas em 02 fases.
Na fase GL BONELLI/GALEP, a história republicada no Superalmanaque TEX nº 1: “A Grande Intriga”, mas que originalmente foi publicada no início dos anos 80 em 05 revistas e depois em TEX EDIÇÃO HISTÓRICA Nº 73/74. Quanto aos desenhos, GALEP é insuperável (considerando as duas fases).
Na fase PÓS GL BONELLI/GALEP: Adoro as histórias de Mauro Boselli, em especial “Os Invencíveis”, publicado na mensal do TEX nº 351 a 353 e no TEX OURO nº 61, (O bando dos irlandeses) mas que li no volume 4 de “As Grandes Aventuras de TEX”. Quanto aos desenhos, quase todos são excelentes (alguns são terríveis!), mas prefiro os argentinos Miguel Angel Repetto e Ernesto Garcia Seijas.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Genivaldo Alberto Custódio: Como mencionei acima, do personagem me agradam, o caráter, a fidelidade e o senso de justiça; das histórias, o enredo e a dinâmica das ações. O que me desagradam são histórias e desenhistas que tiram a essência do personagem. Gente que tenta, inutilmente, ser melhor do que os originais. Ninguém tem autoridade para alterar o caráter de TEX, que seus falecidos criadores delinearam.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Genivaldo Alberto Custódio: Tirando todas as razões já mencionadas acima, o fato de sua longevidade editorial no Brasil é um grande contribuidor para todo o sucesso de TEX.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Genivaldo Alberto Custódio: Infelizmente, ainda não. Mas pretendo.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Genivaldo Alberto Custódio: Não muito auspicioso, infelizmente! Temo que a longevidade citada como fator importante para o sucesso do personagem seja interrompida por diversos fatores; dentre eles, o que está acontecendo agora, que é a interrupção da distribuição das revistas nas bancas físicas, o que limita não só a venda, mas também a divulgação da revista. Acrescento, ainda, o fato de alguns aproveitadores “espertos” (entre aspas, porquê no mau sentido) vendam e outros do mesmo naipe comprem revistas digitalizadas de TEX, retirando alguma receita da editora e desistimulando, a longo prazo, criadores e revendedores. Acredito que só não é mais tenebroso em razão de abnegados divulgadores como vocês do Blog Tex Willer, José Carlos Francisco, G.G. Carsan, Adriano Rainho e tantos outros que acompanho em redes sociais.

Prezado pard Genivaldo Alberto Custódio, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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