As Leituras do Pedro: Dylan Dog #1 (nova série) – A Despedida

As Leituras do Pedro*

Dylan Dog #1 (nova série) – A Despedida
Paola Barbato (argumento)
Bruno Brindisi (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Dezembro de 1918
160 x 210 mm, 112 p., pb, capa cartão

Capas

Uma capa pode dizer tanto ou tão pouco – mas ser igualmente (des)interessante.
Esta reflexão, surgida a propósito dos dois últimos inquéritos de Dylan Dog que li – este e O número 200, que A Seita editou entre nós há pouco – pode não passar de uma verdade de La Palisse, mas a verdade é que a capa de um livro é a sua primeira porta de entrada e tanto pode seduzir o leitor como afastá-lo de imediato.

Independentemente disso, esta edição confirmou a genialidade permanente (ou quase) que sempre rodeia Dylan Dog. Em comum, ambas as histórias – para além do óbvio protagonista – têm os autores, a escritora Paola Barbatto e o desenhador Bruno Brindisi. Com mais de 130 relatos -mais de dez anos! – entre as duas narrativas – esta corresponde ao Dylan Dog #338 original – em ambas o Detective do Impossível apaixona-se pela cliente ‘do dia’, como é seu timbre.

Reflexão sobre a morte – sobre o tempo final(?) que a antecede, quando o ser humano já está predisposto (alguma vez está?) para ela – A Despedida é também um tratado de humor negro.

Como tantas vezes, preocupado com o que está à sua frente – a reforma de Bloch e a cliente que devia estar morta – Dylan não vê o retrato global: uma Londres pejada de gente – atropelada, estropiada, eletrocutada, assassinada… – que devia ter morrido e continua a viver.

A razão – aos seus olhos e aos ditos cujos esbugalhados dos leitores – só será desvendada no final, especialmente terno e comovente, mais a mais por surgir da boca de quem – quem? – menos se espera.

Entre amizade, paixão, ódio e vingança, A Despedida surge como mais uma bela história sobrenatural com muito de humano, numa longa bibliografia de Dylan Dog que exibe tantos pontos altos.

Capas

Mas vamos então às capas que desencadearam este texto. Não sendo as suas escolhas imputáveis à Mythos, no Brasil, nem a A Seita, em Portugal – pois são unicamente da responsabilidade da Sergio Bonelli Editore – nestes dois casos surgem com estilos diametralmente opostos.

A edição portuguesa ‘herdou’ uma capa comemorativa de 200 edições – infeliz no modo e no estilo, e sem fazer grande sentido fora desse desiderato (e eu sei que a editora lusa lutou para poder usar uma imagem diferente). Já esta edição brasileira, foi ‘contemplada’ com uma bela realização gráfica. Por um lado, porque evoca a sombra tutelar (e protectora) de Bloch sobre Dylan ao longo da série e espelha o desânimo deste perante a partida – a reforma – do amigo de sempre – como O Número 200 nos revelou. Por outro lado, porque o seu autor – Angelo Stano – decidiu piscar o olhos aos leitores de comics da Marvel, emulando com o seu desenho uma célebre capa de John Romita Sénior para The Amazing Spider-Man #50.

Não sendo opostos nem extremos – apenas géneros diferentes, com uma importante qualidade em comum, o serem eminentemente ‘populares’ – não deixa de ser importante ver como comics e fumettis se podem tocar.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

 

Tex por Vas Dessinateur

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex por Vas Dessinateur

Vas Dessinateur nasceu em Messancy, Bélgica, a 14 de Março de 1976. Em criança, acompanhou o seu pai às sessões de dedicatórias onde encontrou René Hausman, François Walthery, Morris. Apaixonado pelo desenho, Vas Dessinateur prosseguiu os seus estudos em humanidades artísticas, onde ganhou o primeiro prémio de sua secção durante dois anos.

Grande apreciador do trabalho dos artistas da Idade de Ouro americana e dos pioneiros da história da banda desenhada realista franco-belga, ele admira as obras de Alex Raymond, Warren Tuffts, Harold Foster, Joseph Gillain, Jean Giraud, Yves Swolfs.

Vas Dessinateur tem trabalhado para diversas sociedades de animação em várias séries. Em paralelo às suas actividades profissionais, continua a desenhar pranchas de banda desenhada assim como ilustrações de todo o estilo para diferentes editores.

Bibliografia
“Baden-Würtemberg” tome 3, Sadifa Media, 2012
“Paroles de Scouts”, TJ Editions, 2014
“Les Armes de l’ouest à cartouches métalliques”, Cre.action Publishers, 2016
“Histoire de France” tome 6, Reynald Sécher Editions, 2017
“Histoire de France” tome 7, Reynald Sécher Editions, 2020
“Dijon, des lingons au château maudit”, Editions Petit à Petit, 2021
“Histoire de France” tome 8, Reynald Sécher Editions, a publicar

Vas Dessinateur

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Vas Dessinateur pelo desenho de Tex para o blogue.
Afrânio Braga

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Vídeo: Ilustrações originais de Tex do Mestre Cubano Orestes Suárez Lemus, que brindará a próxima revista do Clube Tex Portugal com um Tex devidamente dedicado aos amigos do Clube

Orestes Suárez Lemus, desenhador cubano possuidor de um traço realista extremamente detalhado é um dos grandes Mestres estrangeiros que já tiveram o grato privilégio de desenhar oficialmente o mítico Ranger criado em 1948 pela dupla G. L. Bonelli & Galep. E teve-o, para já, por duas vezes, primeiramente em 2010 com o Albo Speciale (Tex Gigante) “I ribelli di Cuba” e posteriormente com o Almanacco del West 2014 – “I rapitori”.

É este consagrado desenhador que brindará todos os sócios do Clube Tex Portugal com uma imponente ilustração (inédita e exclusiva) de Tex em acção, ilustração essa dedicada a todos os amigos do Clube Tex Portugal e que será publicada na contracapa da próxima revista, a número 16, a publicar em Junho, ilustração essa que daremos a conhecer em momento oportuno a todos os visitantes do Tex Willer Blog.

Orestes Suárez Lemus e Tex

Na ilha de Cuba, Sergio Bonelli esteve no longínquo ano de 1994, para visitar um “festival” internacional de banda desenhada sem igual no mundo, já que o festival decorria num bar, cujas paredes, entre uma propaganda de rum e uma outra de cigarros, acolhiam algumas fotocópias de aventuras mexicanas, italianas e francesas.

Apesar da absoluta pobreza da organização, o festival cubano, segundo exprimiu Sergio Bonelli, demonstrou ser uma extraordinária ocasião para conhecer uma porção de pessoas cordiais, ricas de orgulho e vontade de viver. Foi aí também, que Sergio Bonelli conheceu Orestes Suárez Lemus, nascido em Pinar del Rio (Cuba), em 14 de Março de 1950.

A sua estreia no mundo da banda desenhada aconteceu em 1977 com as personagens Inés, Aldo e Beto, criadas por uma publicação da Organização Nacional de Pioneros José Marti, em cujas páginas publicou também inúmeras ilustrações. Diplomado pela Escuela Nacional de Diseño Gráfico, em 1983, colabora com a revista da Editora Abril, Zunzún e com outras séries da mesma editora argentina, como, Pionero e El Guia.

Os seus trabalhos mais importantes foram publicados pela editora Pablo de la Torriente: Vitralitos, Camila e alguns episódios da série histórico-geográfica intitulada precisamente de Pablo de la Torriente, jornalista cubano/porto-riquenho morto durante a Guerra Civil espanhola. Ainda o tema da guerra (mas desta vez tratou-se do conflito hispano-cubano para a independência da ilha das Caraíbas) retorna na produção de Suárez que colaborou graficamente também em algumas curtas-metragens de desenhos animados inspirados nesse argumento. O seu ingresso oficial no mundo bonelliano aconteceu em 1994, quando o próprio Sergio Bonelli o recruta para a esquadra de artistas que realizava as aventuras de Mister No.

Mas hoje estamos aqui para mostrar, em exclusivo, um vídeo feito pelo próprio desenhador cubano, vídeo esse onde Orestes Suárez nos mostra vários desenhos de Tex e dos seus pards, desenhos esses realizados ao longo do tempo, já que sempre que termina um grupo de páginas da história que está a desenhar, o consagrado desenhador sente a necessidade imperativa de desenhar uma imagem em movimento e livre das amarras dos quadradinhos.

EXCLUSIVO: As histórias dos Superalmanaque Tex #4 e #5 a publicar em 2022 pela Mythos Editora

Superalmanaque Tex é uma série relativamente recente da Mythos Editora que se estreou em Dezembro de 2019 com uma periodicidade anual, mas que devido ao sucesso de vendas passará a ser a partir deste ano bianual. Trata-se de uma colecção que intercala uma aventura longa de cerca de 500 páginas com uma colectânea de um grande autor.

A edição de estreia do Superalmanaque Tex, trouxe o título EM NOME DA LEI, uma extensa aventura escrita por  G. L. Bonelli e desenhada por Erio Nicolò, que para além de ser uma das maiores histórias de Tex (mais de meio milhar de pranchas, inclusive aquando da publicação original, a história prolongou-se por cinco números do título mensal do Ranger) é também uma das histórias mais apreciadas pelos fãs.

Superalmanaque Tex #1

Por sua vez o Superalmanaque Tex número 2 foi publicado em Dezembro de 2020 e trouxe então uma colectânea de um dos mais afamados e apreciados desenhadores de Tex: Giovanni Ticci.
Vingança de índia, O massacre de Goldena e Assalto ao trem.
Pela primeira vez num único volume, algumas das primeiras histórias de um dos maiores intérpretes de Tex, Giovanni Ticci. Os trabalhos iniciais do mestre que influenciou mais de uma dezena de desenhadores do Ranger em três histórias escritas por Gianluigi Bonelli, nas quais encontramos as suas inspirações nos clássicos americanos da era de ouro, as homenagens a Galep e o seu amor sem fim pela aventura. Três histórias de Fronteira, três histórias de vingança, de tenacidade, de caçada humana, de espírito de revanche. A alma do oeste em seu mais resplandecente esplendor.

Superalmanaque Tex #2

Por sua vez o Superalmanaque Tex número 3 foi publicado em Dezembro do ano passado, tendo sido uma edição verdadeiramente épica que teve 516 páginas… com uma história de 504 páginas do trio Nizzi/Fusco–Civitelli: “O Homem do Chicote” (no original italiano “L’ uomo con la frusta“; Tex 365 a 369) e com a particularidade de ter tido uma capa inédita da autoria de Claudio Villa que desse modo se estreou como capista nesta série da Mythos Editora.

Superalmanaque Tex #3

Para este ano a Mythos Editora vai-nos brindar então com dois números de Superalmanque Tex, o número 4, com publicação prevista para Abril, será composto por duas histórias, a primeira escrita por G. L. Bonelli e a segunda por Claudio Nizzi, mas ambas desenhadas pelo consagrado e amado Fernando Fusco, respectivamente “Os Encapuzados” (Tex italiano 217 a 219) e “A Volta do Carniceiro” (Tex italiano 279 a 281), totalizando 480 páginas.

OS ENCAPUZADOS
Texto:  G. L. Bonelli * Desenhos: F. Fusco
Em Nogales, um comerciante sem escrúpulos usa um bando de facínoras encapuzados para aterrorizar os rancheiros da região e obrigá-los a vender as suas terras por um preço vil. Chamados para intervir, Tex e Carson compram uma fazenda incendiada pelos fora-da-lei com o objectivo de atrair e prender o especulador.

A VOLTA DO CARNICEIRO
Texto:  Claudio Nizzi * Desenhos: F. Fusco
Paul Balder, vulgo El Carnicero, um bandido perigoso, conseguiu escapar milagrosamente da morte em seu primeiro encontro com Tex. Agora, ele prepara a sua vingança contra os quatro parceiros. O primeiro passo para isso é reaproximar-se do seu antigo sócio, Strasberg, que trabalha num banco.

Por sua vez o Superalmanaque Tex número 5, com lançamento previsto para Setembro deste ano trará apenas uma história, uma longa história, a mais longa de toda a saga do Ranger: “Retorno a Pilares” (Tex italiano 387 a 392); 584 páginas escritas por Sergio Bonelli nas “vestes” de Guido Nolitta e desenhadas por Guglielmo Letteri.

RETORNO A PILARES
Texto:  Guido Nolitta * Desenhos: G. Letteri

De volta de El Paso, Tex passa por Pilares, cidade mexicana onde mora o seu grande amigo El Morisco e onde o seu filho Kit espera-o. Mas uma grave notícia aguarda-o: a casa de Morisco foi incendiada e Kit foi sequestrado por misteriosos homens-onça. Seguindo as poucas pistas que encontram, Tex e Morisco avançam pelo deserto e vão encontrando rastos dos brutais assassinatos cometidos pelos homens-onça. Na cidade de Casas Grandes, após uma feroz batalha com um grupo de soldados mexicanos, eles são presos e só a chegada de um inesperado amigo de Tex pode salvá-lo do pelotão de fuzilamento. Mas a maior angústia de Tex é não saber onde o filho está…

(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

Póster Tex Nuova Ristampa 326

Póster Tex Nuova Ristampa 326

Nesta nova ilustração realizada pelo Maestro Claudio Villa vemos Tex e Kit Willer em Wackett, uma cidadezinha do Texas, mais precisamente no cemitério, aquando do funeral de um velho amigo de Tex e onde este conta ao seu filho Kit a aventura que os dois viveram, muitos anos antes, ao enfrentar a grande invasão dos comanches.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #83 e inspirado na história “La grande invasione” de Mauro Boselli e Carlo Marcello (Tex italiano #497 a #499).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco