As Leituras do Pedro – Martin Mystère: Expediente Excalibur

As Leituras do Pedro*

Martin Mystère: Expediente Excalibur
Inclui: La Espada del Rey Arturo (publicado originalmente em Martin Mystère 15 e 16. 1983) e El Secreto de San Nicolás (Martin Mystère Gigante #1, 1995)
Alfredo Castelli (argumento)
Giancarlo Alessandrini (desenho)
Aleta Ediciones
Espanha, 2007
160 x 210 mm, 432 p., pb, capa cartão

Lenda, verdade, ficção…

Entre a grande diversidade do catálogo da Sergio Bonelli Editore, há um título que se destaca pelo seu lado culto – deixem-me escrever assim, para me facilitar a tarefa. Refiro-me a Martin Mystère, o detective do impossível, um misto, antes do tempo, de Indiana Jones e do professor Robert Langdon, que investiga lendas antigas, casos que roçam o paranormal e mesmo o extraterrestre ou os grandes mistérios da humanidade.

Assentes geralmente num fundo de verdade – ou em lendas que advêm da antiguidade – as narrativas são depois compostas com um misto de verdade e ficção, sendo apresentadas ao leitor como casos reais que o protagonista investiga e apresenta – ou não… – no seu programa televisivo. Em Martim Mystère, em especial na sua fase inicial, estamos perante argumentos muito consistentes, bem escritos e desenvolvidos, com muita informação para o leitor se sentir a par do – lado culto do – protagonista.

Ao seu lado, está sempre Java, um homem do Neanderthal que encontrou numa das suas aventuras e, muitas vezes, Diana, primeiro sua noiva eterna, depois sua esposa – sem que a mudança de estado civil tenha alterado grandemente a relação de ambos ou o peso e a importância da participação dela.

Como opositor recorrente – assim como Olrik em Blake e Mortimer – surge Sergej Orloff, antigo companheiro de Mystère que ficou desfigurado num dos seus primeiros confrontos, tendo abraçado definitivamente o lado do mal.

Em termos pessoais, sinto-me mais atraído pelos relatos baseados em lendas ou mitos que passaram de geração em geração, como a eventual existência da Atlântida, a Arca de Noé, Stonehenge ou Excalibur, a espada do Rei Artur, que está no centro da primeira das duas histórias deste (grosso) volume.

De forma interessante, Mystère coloca a mítica espada em épocas mais antigas, confere-lhe uma curiosa origem e faz dela um símbolo de poder, cobiçado por inúmeros ditadores ao longo dos tempos, entre os quais Hitler. Este passeio pela História permite ao argumentista ir saltitando entre o passado e o presente, alternando entre a maior carga informativa daquele e a acção deste, para assim agarrar o leitor e mantê-lo interessado e suspenso dos desenvolvimentos, para chegar ao fim e descobrir que afinal lhe foram contadas duas histórias.

No segundo relato, com muitos pontos de contacto com o primeiro, São Nicolau – que é como quem diz o Pai Natal – surge em destaque quando Mystère, num outro contexto, mais uma vez é arrastado para a procura daquele antigo símbolo antigo de poder e domínio

As duas histórias, pertencentes à primeira dúzia de anos do detective do impossível, considerada por muitos a fase mais criativa e original do seu argumentista e criador, Alfredo Castelli, surgem aqui com o desenho de Giancarlo Alessandrini, assente num traço fino um pouco rígido no tratamento do rosto humano, mas com toda a credibilidade para nos transportar aos sucessivos locais que o protagonista visita.

Com prefácio de Javier Serra e um posfácio em que Castelli esclarece a base dos dois argumentos e como define os limites entre a lenda, a realidade e ficção, este generoso volume quanto ao número de páginas pode ser uma boa porta de entrada num universo que aparentemente é o nosso, mas em que os limites das verdades que nos transcendem ou temos dificuldade em aceitar são bem mais estendidos.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 15

Por Saverio Ceri [1]

Tex Classic 15, como o volume precedente, possui uma ilustração de capa cuja ideia nasceu na série das “striscias” do Ranger. O primeiro esboço (e neste caso, para o protagonista, o termo não poderia ser mais apropriado) remonta ao número 30 da segunda série da Collana del Tex, intitulado, como o classic de 2017, Il covo sulla sierra. Tex jaz por terra, preso e vigiado por felinos ameaçadores. O seu dono, Raimundo el Loco, parece atrair a atenção de cúmplices que vêm de trás das rochas. Entre a edição de 1950 e o volume de 1957, diferenças gráficas à parte, é sobretudo a clássica camisa amarela, em vez da original vermelha.

Collana del Tex nº 20 – 2ª Série “Il covo sulla sierra”

III Série Raccolta Tex – Série Rossa, nº 13

Em 1953, porém, quando a aventura foi publicada no trigésimo albo d’oro, a cor vermelha ainda estava no auge; nessa ocasião Galep, podendo contar com uma dimensão tripla, faz a capa de forma diversa, Tex está numa posição frontal, embora ainda deitado e imobilizado e além da fera do eremita louco, paira sobre Tex um par de abutres. Adquirem maior evidência os personagens que surgem de trás das rochas, mas em vez de serem cúmplices do bizarro personagem em primeiro plano, desta vez vêm em auxílio do Ranger, tanto que “el loco” parece surpreso.
A mais recente versão, a do Tex Classic, apresenta a mesma cena, embora perdendo, como sempre, muito fascínio, sobretudo cromático, comparativamente ao albo d’oro de 1953. 

Albo d’oro Tex #30

Tex Classic #15 – Il covo sulla sierra

Curiosamente, em comparação com o passado, hoje em dia não há mais a preocupação de mudar a cor da camisa do protagonista e assim a cor vermelha é quase um indicador do Tex das origens, comparativamente ao Tex maduro que elege a cor amarela na sua camisa. Um jovem Tex de camisa vermelha vestida apareceu também na capa de um Maxi Tex de posterior publicação, cuja capa mostramos mais abaixo. Nesse caso a cor da roupa não foi escolhida para contrastar com o fundo, mas deliberadamente para reiterar, como se houvesse necessidade, que o protagonista da história não é o ranger dos nossos dias, mas sim o jovem Tex Willer.

Nueces Valley – Maxi Tex 31

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 07/10/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017 Saverio Ceri

“A minha história favorita (de Tex)”, na opinião do editor Dorival Vitor Lopes

Por Dorival Vitor Lopes*

Talvez seja exagero meu, mas creio que uma das tarefas mais difíceis neste mundo é escolher a melhor história de Tex. Claro que cada texiano deve ter a sua, escolhida pelas mais diferentes motivações, mas se alguém tentar fazer uma escolha consciente, motivada por análise fria do roteiro e do desenho é muito difícil escolher uma só. Afinal, são 67 anos de vida editorial, mais de 500 aventuras, que ocupam cerca de noventa mil páginas. Muitos leitores têm essa curiosidade de saber qual seria a melhor aventura de Tex. Até já me pediram para promover uma votação entre os fãs do ranger para ver se é possível pinçar uma única aventura, aquela que seria “A” história de Tex. Mas como poucos texianos se manifestaram indicando suas preferidas, ainda não tive votos suficientes para fazer uma escolha confiável. Como editor de Tex creio que já li todas as suas aventuras – até mais de uma vez –, mas para escolher uma só talvez eu tenha que repassar todas as histórias, e mesmo assim não sei se conseguiria. Fazer uma lista das dez ou vinte mais interessantes é bem mais fácil, mas eu gostaria de chegar na obra-prima definitiva e incontestável, na Mona Lisa das histórias aos quadradinhos do nosso ranger.

Tex atua em diversos terrenos e regiões: nas pradarias e montanhas do sudoeste americano, no norte do México, nas geladas terras do Canadá, nas grandes cidades do Leste, como Boston e Washington, nas do Oeste como São Francisco, nas do Sul como Nova Orleans. Dessas, histórias que sempre me agradam muito são as passadas no Canadá. Na chamada última fronteira, com seus bons amigos Jim Brandon e Gros-Jean, Tex e seus parceiros sempre viveram grandes e emocionantes aventuras. Numa lista das mais-mais, essas aventuras geladas certamente estariam presentes.

Mas enquanto eu não crio coragem para iniciar essa árdua tarefa, duas aventuras me vêm à mente sem precisar puxar muito pela memória. Uma delas é O Vale do Terror, de Nizzi e Magnus. Quando a li pela primeira vez, há quase vinte anos, ela me impressionou tanto que, mesmo depois de ler mais algumas dezenas de aventuras, ela sempre continuava na minha memória como a mais incrível. Nem tanto pela absurdamente detalhada arte de Magnus, mas principalmente pela história da criação e desenvolvimento da Califórnia, que Nizzi pesquisou e usou com tanta competência. Então essa seria a minha Mona Lisa? Talvez, se depois eu não tivesse lido a história O Resgate de Montales, uma história nem tão longa – 118 páginas, mas onde acontece tanta coisa que daria para contá-la em trezentas páginas sem encher linguiça.

O resgate de Montales

Essa história é do comecinho da aventurosa carreira de Tex, quando seu criador, G. L. Bonelli, usava a máquina de escrever como uma metralhadora giratória que disparava balas sem parar e sem nunca errar o alvo. Era um tempo em que as histórias não tinham título, nem começo, nem fim, pois mal Tex saía de uma confusão e já entrava em outra, sem tempo para respirar. Com desenhos de Mestre Galep, nessa história nosso herói se vê envolvido em uma briga de bar, em um duelo na rua principal e, traído por uma bailarina de saloon, tem que enfrentar uma patrulha de soldados mexicanos. Quando ele acha que vai ter um instante para descansar, encontra Lupe Velasco, uma linda jovem mexicana que está fugindo de seu prepotente e violento patrão. Claro que o herói fora da lei terá que enfrentar a fúria do homem e de seus guarda-costas. Em seguida, na trilha para salvar Montales, Tex alia-se sem querer ao desperado El Fierro e, quando é traído por este, mais tiroteios e fugas desesperadas, agora acompanhado de Lupe, que se revela uma corajosa e leal aliada, e de Drigo, um seguidor de Montales. Mais algumas peripécias na cidade, fuga em um trem desgovernado, e o trio parte para a Ilha Tiburón, onde Montales está preso. Porém, como nada é fácil, eles são traídos pelo capitão do navio e vão parar nas gaiolas de uma tribo de selvagens que querem vendê-los como escravos. Tudo isso nas primeiras 40 páginas da história. E como não quero estragar as surpresas e as emoções de quem vai ler ou reler essa história, não contarei mais nada. A esses ávidos leitores eu lembro que essa história saiu pela Mythos em Os Grandes Clássicos de Tex nr. 20 e em Tex em Cores 4 (a partir da página 197) e no início do 5.

Pois bem, amigos texianos portugueses e brasileiros, enquanto eu não fizer aquela famosa revisão de toda a coleção, eu afirmo para vocês que essa é a melhor aventura de Tex que já li. A história chamada “O Resgate de Montales”, mas que poderia se chamar “a aventura em que Tex encontrou aquela que deveria ter sido sua eterna companheira”. Nunca haverá outra mulher como Lupe Velasco. Hasta la vista.

Lupe Velasco e o pedido de casamento a… Tex!

* Texto publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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Autores do staff oficial do Tex posam com a revista nº 15 do Clube Tex Portugal

As DUAS capas de MICHELE BENEVENTO para a revista nº 15 do Clube Tex Portugal

Quando estamos a pouco mais de três meses do lançamento da Revista nº 16 do Clube Tex Portugal, lançamento esse que ocorrerá no mês de Junho, em pleno Verão Europeu, damos hoje a conhecer aos nossos leitores, diversos autores do staff oficial do Tex a posarem com a Revista nº 15, publicada no passado mês de Dezembro, em plena Comic Con Portugal, e com capas (principal e variante) de Michele Benevento (que também esteve presente no lançamento abrilhantando ainda mais o Maior Festival de Cultura Pop do país), comprovando assim uma vez mais que a Revista do Clube Tex Portugal continua a fazer furor junto dos mais consagrados autores do staff oficial do Ranger Tex Willer, não só pela elevada qualidade mas também pelo prestígio já que são cada vez em maior número os autores que se disponibilizam para colaborar na revista do Clube Português com capas, desenhos e textos EXCLUSIVOS tornando a edição portuguesa cada vez mais cobiçada entre os fãs e coleccionadores do Ranger, levando a que o número de sócios do Clube vá aumentando gradualmente já que para poder ter direito aos já tão cobiçados exemplares é necessário ser-se sócio do Clube Lusitano que é cada vez mais um verdadeiro Clube Internacional do Tex, tantos e tão variados são os países de origem dos associados.

Autores do staff oficial do Tex posam com a revista nº 15 do Clube Tex Portugal

O Mestre Michele Benevento exibe orgulhosamente as suas duas capas (principal e variante)

Mauro Boselli e a satisfação pela recepção da Revista do Clube Tex

Andrea Venturi exibe orgulhosamente a Revista do Clube Tex Portugal

Giuseppe Candita radiante ao exibir a sua ilustração exclusiva feita para a contracapa da Revista #15 do Clube Português

Um divertido Dante Spada exibe a Revista #15 do Clube Tex Portugal

Alessandro Piccinelli e felicidade pela posse da Revista #15 do Clube Tex Portugal

Maurizio Dotti exibe no seu estúdio a Revista #15 do Clube Tex Portugal

Pasquale Del Vecchio também fez questão de se fotografar com a Revista #15 do Clube Tex Portugal

Um sorridente Alessandro Bocci exibe a Revista #15 do Clube Tex Portugal

Alessandro Nespolino aprova revista #15 do Clube Tex

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