Homenagem a Fernando Fusco

Por Italo Marucci*

As páginas de Tex desenhadas por Fernando Fusco são variadas e bem desenvolvidas, contam histórias, temas e personagens da fronteira americana, onde o autor mostra a sua grande capacidade introspetiva e a sua propensão a desenhar Tex e os seus pards, através de imagens de uma originalidade nova. Com efeito, de um lado pode-se dizer que Fernando Fusco sabe dar da fronteira uma visão bonelliana simples e tranquila, que não o leva a um modo diferente de fazer banda desenhada, mas de outro também consegue representar o mundo de Tex Willer de um modo totalmente novo e particular.

Tex na arte de Fernando Fusco

Fusco desfolha aquele mundo do falso mito romântico e o reconduz a uma atmosfera, cuja narrativa torna-se um discurso em que se pode ler a história da evolução do Oeste Selvagem a mostrar inclusive, os desconfortos do quotidiano, as imperfeições, os defeitos, a sua verdadeira realidade. Fernando Fusco é filho do seu tempo e, como tal, sente que a sua banda desenhada não é só desenho ou facto puramente estético, mas o documento de uma civilização, de um período histórico: as suas personagens são homens do oeste longínquo que tornam-se símbolo de uma condição humana que supera a própria narrativa e na qual podem-se ver refletidas as ansiedades e dores daquele mundo.

Prancha de Tex desenhada por Fernando Fusco

As páginas de Fusco têm uma linguagem natural que pode parecer simples e destituída de complicações culturais, mas representam um desenho de carácter introspetivo e psicológico, que leva Fusco a dar mais importância aos gestos e ao comportamento das personagens do que apenas ao rigor estilístico; o seu Tex tem o justo equilíbrio entre ambientação histórico-realista e narrativa fantástica, regulado pela precisa cadência de uma eficácia gráfica e emotiva.

Tex em acção, na arte única de Fernando Fusco

Pode dizer-se que, no senso construtivo da verdade formal – mas condicionado por exigências de ritmo e plasticidade – e no espaço que o realismo gráfico de Fernando Fusco ocupa, deve-se procurar o significado de um método compositivo fundamental com que ele torna possível a reconstrução da fronteira através da observação do real que ele analisa e recompõe para realizar a banda desenhada.

O último desenho de Fernando Fusco

* Texto de Italo Marucci publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 16

Por Saverio Ceri [1]

E aqui estamos novamente a falar, com a desculpa da republicação no Tex Classic, das históricas capas das diversas séries de Águia da Noite e das curiosidades a elas relacionadas.
No décimo sexto Tex Classic encontramos republicadas a cores, as aventuras publicadas originalmente nos números 31 a 36 da segunda série de striscias (tiras) do Ranger lançados no Verão de 1950; aventuras caracterizadas pela presença de Lupe Velasco como coadjuvante; a mexicana é uma personagem tão forte que até ganhou a capa deste número, que repropõe a capa do 31° albo d’oro de Setembro de 1953.

Tex Classic #16 – Tex alla riscossa

Albo d’oro Tex #31

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Assinalando que desta vez o fundo impõe uma mudança de cor da camisa aos coloristas bonellianos, deixamo-vos descobrir as diferenças entre a edição de há sessenta e quatro anos e a actual.
O outro albo d’oro republicado neste Tex Classic, o trigésimo segundo, ostenta uma capa que fez muito mais sucesso desde que foi escolhida na Primavera de 1961 como imagem de abertura do 14º volume da actual série de Tex, sendo depois republicada na série Tre Stelle, em Tutto Tex e por fim em Tex Nuova Ristampa.
Abaixo, em sequência, encontram-se todas as várias encarnações da capa, em ordem cronológica. Divirtam-se a descobrir as muitas diferenças cromáticas.
Antes das capas, deliciem-se também com a vinheta que deu origem a tudo, vista pela primeira vez na abertura do número 35 da segunda série de striscias.

A vinheta inspirativa

Albo d’oro Tex #32

Tex número 14 – La gola segreta

Tutto Tex número 14 – La gola segreta

Tex Nuova Ristampa número 14 – La gola segreta

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 12/10/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017 Saverio Ceri

As Leituras do Pedro: Hollywoodland

As Leituras do Pedro*

Hollywoodland
Michele Masiero (argumento)
Roberto Baldazzini (desenho)
Paquet
França, Maio de 2021
197 x 268 mm, 288 p., pb, capa dura

25,00 €

Aparências

Convencido pela forma como Michele Masiero recontou as origens de Mister No em Revolution, decidi avançar para este Hollywoodland, a história de dois irmãos separados pela forma de ser, pelas mulheres que amaram e pelas escolhas que fizeram, nos Estados Unidos dos anos 1920, com a meca do cinema em plena ascensão sob a sombra ameaçadora/protectora da Mafia, numa terra que ainda era de todos os sonhos.

Monty é o modelo ideal: bem parecido, atlético, herói de guerra, polícia condecorado, casado com uma bela mulher, com um filho…

Hollywoodland – Página 5

Quanto a Danny, é rude, tem peso a mais, acabou transformado no homem-de-mão de diversa gente importante, mas muitas vezes pouco recomendável, para executar as tarefas mais esconsas e desagradáveis.

Entre eles há um segredo – que vem desde a infância e Masiero só revela no final – que moldou e direccionou as suas existências e os transformou no que são hoje.

Hollywoodland – Página 6

Durante este verdadeiro romance policial de tom negro e contornos dramáticos, mais uma bela narrativa oriunda da tão recomendável colecção Le Storie, Masiero traça-nos um retrato realista, cru e decepcionante de uma indústria – a cinematográfica – que geralmente surge aureolada em tons brilhantes e glamorosos, mas que se fez e cresceu assente em inúmeras intrigas, nas influências mafiosas, em jogos escusos, na destruição de carreiras de actores impolutos e na ascensão daqueles que se deixavam comprar ou dirigir.

Hollywoodland – Página 8

Neste meio conspícuo e violento, onde as paixões têm tanto de inevitável quanto de insustentável, com o dinheiro – e a droga, e o crime… – a imporem a sua lei, Monty e Danny vão acabar por se encontrar em lados diferentes da barricada – tendo mesmo que se defrontar… – quando os cadáveres se começarem a acumular, os segredos vierem ao de cima e muito do que nós fomos lendo e, por isso, intuindo, se revelar enganador.

Hollywoodland – Página 108

Porque, se em Hollywwodland – assim se chamava a meca do cinema nas suas origens – o mais importante são as aparências, raramente o que vemos realmente é e Masiero mostra-se um mestre em enganar o seus leitores, acompanhado pelo desenho a preto e branco de Baldazzini, feito de fortes contrastes de branco e negro e onde apetece adivinhar influências de Chester Gould – nos retratos mais caricaturais – e de Charles Burns – quando vem ao de cima um certo realismo mais chocante.

Hollywoodland – Página 239

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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