SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 17

Por Saverio Ceri [1]

O evento imortalizado na capa da Tex Classic 17 é fundamental na história do protagonista da série e consequentemente tem sido tema de muitas capas e enquadrado sob muitos pontos de vista.
Tudo começou em Agosto de 1950, no nonagésimo oitavo álbum de striscias de Tex (ou seja o trigésimo oitavo da segunda série) intitulado Il patto di sangue (O pacto de sangue). Na sexta das trinta e duas tiras que compõe o volume, Lilyth a filha do chefe Flecha Vermelha, estraga a festa aos seus companheiros Navajos, prontos para torturar o nosso herói: Tex tornar-se-á o seu homem! A sensacional reviravolta desse acontecimento terá repercussões inimagináveis para a série.

A bela Lilyth anunciando aos Navajos que Tex será o seu homem

Obviamente a capa daquele pequeno volume não podia ignorar o acontecimento,mas enganou-se no protagonista: No centro da cena está Tex e não a Lilyth. Obviamente mesmo no interior da redacção ninguém poderia saber o quão memorável e importante seria a intervenção de Lilyth no decurso da saga.

Collana del Tex nº 38 – 2ª Série “Il patto di sangue”

Entretanto em Outubro de 1953, com o lançamento do trigésimo terceiro albo d’oro, que republicou a história em questão, houve a decisão de focar na capa a entrada em cena da Lilyth, em auxílio do futuro Águia da Noite. E é precisamente esta a capa escolhida para o décimo sétimo Classic a cores. Seguem-se as duas versões:

Albo d’oro Tex #33

Tex Classic #17 – Il patto di sangue

Apenas um ano depois, em 1954, por ocasião do lançamento das reencadernações dos albi d’oro, colecção conhecida como Tex Gigante 1ª série, é proposta como capa inédita do terceiro volume, a corajosa acção de Lilyth visando salvar o seu futuro marido. Dessa vez a jovem navajo é enquadrada de frente e é consagrada definitivamente como protagonista deste acontecimento na vida de Tex (personagem e colecção).

Tex Gigante 1ª série – Volume 3

Façamos agora um salto de quarenta anos! Tex  é agora o embaixador da banda desenhada popular italiana no mundo. No Brasil, onde o Ranger tem um grande sucesso, é decidido começar uma republicação dos primeiros volumes de Tex, com a especificidade de serem publicadas as histórias completas. A Bonelli empenha-se em apoiar esta iniciativa ao fazer com que Claudio Villa, que acabara de substituir Galep como capista da série principal, as ilustrações inéditas que servirão para capas de Tex Edição Histórica. Foi inevitável para o quinto número escolher a jovem Lilyth que com o seu próprio corpo faz de escudo ao jovem cara-pálido em dificuldade por estar amarrado ao poste da tortura. Os desenhos realizados por Villa para esta colecção concebida no outro lado do oceano são tão bonitos que seria um pecado negá-los ao público italiano. É decidido então inseri-los como mini-pósteres, publicados no interior da série Tex Nuova Ristampa, a mais recente encarnação itálica  de Tex em rampa de lançamento precisamente por aquela altura. É esta a primeira aparição italiana desta ilustração que será explorada nos anos sucessivos também para um volume da Mondadori e para a mais recente colecção agregada ao La Repubblica dedicada ao Ranger Bonelliano. De seguida mostramos, em sequência, as quatro encarnações da capa.

Tex Edição Histórica nº 5

Póster Tex Nuova Ristampa nº 3

Tex Story – “Il patto di sangue”

Le Grandi Stori di Tex

Fechemos o círculo, em todos os sentidos, com a quarta capa da Collezione Storica a Colori do periódico La Repubblica realizada por Claudio Villa em 2006. O ilustrador de Lomazzo inspira-se directamente na vinheta de 1950, aquela que usamos na abertura deste texto, e imortaliza a esposa índia de Tex com o braço esquerdo levantado para suster os seus, e com o jovem protagonista marcado no peito pelo feiticeiro navajo com uma brasa, o sinal da tortura em curso, escondido em todas as versões posteriores à primeira edição publicada na striscia.

Collezione storica a colori, nº 4 – Il rapimento di Lilyth

Curiosamente este acontecimento fundamental na vida do Ranger Bonelliano, nunca apareceu numa capa da actual série principal. Os leitores de Tex tiveram de esperar até 2008 para verem a Lilyth numa capa, graças à aventura em flashback, Sul sentiero dei ricordi, narrada no volume comemorativo dos 60 anos, o Tex nº 575! 

Tex nº 575 – Sul sentiero dei ricordi

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 26/10/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017 Saverio Ceri

So long, Fernando (Fusco)

Por Moreno Burattini*

Fernando Fusco e Gallieno Ferri

Em 9 de agosto de 2015, com 86 anos de idade, faleceu Fernando Fusco. A foto que podem ver aqui ao lado, foi tirada por mim mesmo, em 2011, em Città di Castelo (onde vivia desde há anos, úmbrio por adoção depois de ter nascido na Ligúria, e onde faleceu). Junto a ele está Gallieno Ferri, a mesma geração (a de 1929) e a mesma experiência francesa antes de acostar na editora Bonelli. Recordo Fusco como uma pessoa extremamente simpática e sorridente, que me gozava quando eu lhe confessava a minha emoção em conhecê-lo pessoalmente, depois de muitos anos passados a ler as suas histórias. Não apenas as de Tex, porque, para além disso, em criança eu era apaixonado por duas séries suas que eram publicadas no Intrepido e no Il Monello, intituladas Lone Wolf e I Due dell’Apocalisse, escritas por Luigi Grecchi.

Depois de ter admirado o seu trabalho numa das melhores (e longas) histórias de Tex, I ribelli del Canada (do nº 203 ao nº 207 – edição italiana), escrita para si por Guido Nolitta, fiquei sempre muito contente em reencontrá-lo nas aventuras de Águia da Noite e recordo algumas das suas aventuras verdadeiramente memoráveis, caraterizadas pelo seu traço vigoroso e por um herói maciço, que impunha respeito só ao olhar para ele. O seu primeiro trabalho texiano data de 1974, com o episódio L’idolo smeraldo (nº 168 – edição italiana), com argumento de Giovanni Luigi Bonelli, mas não podemos deixar de assinalar o facto de Sergio Bonelli o ter escolhido a ele para a sua própria estreia como argumentista texiano, quando em 1976, com Caccia all’uomo (Tex nº 183 – edição italiana), aparece na série, até então sempre escrita pelo pai. No Almanacco del West 2010 é publicada a aventura La banda dei messicani (argumento de Claudio Nizzi), com a qual Fusco decide retirar-se do mundo da banda desenhada para se dedicar a uma sua outra paixão, a pintura.

Uma opção corajosa, uma vez que foi tomada quando ainda se encontrava perfeitamente capaz, apesar da idade, de apresentar pranchas mais do que satisfatórias: no entanto, evidentemente que sentia-se no dever de saudar os seus leitores deixando-lhes a melhor recordação possível. Ao todo, realizou quase sete mil páginas de Tex (atualmente é o quarto desenhador mais prolífico depois de Ticci, Letteri e Galleppini). Foi seguramente um dos autores que mais enriqueceu o meu imaginário de leitor de fumetti, nos muitos anos em que me presenteou com sonhos e emoções.

Ao compilar o competente Gli anni d’oro di Tex, incluído em 1998 na obra “Tex, un eroe per amico” (Federico Motta Editore), analisei, entre outros, o momento da entrada de Fusco na equipa de desenhadores de Águia da Noite.
Recordo em seguida, aquilo que então escrevi. So long, Fernando.

Tex e Carson na arte de Fenando Fusco

NOLITTA & FUSCO: Os dois do Apocalipse (alusão à série western I Due dell’Apocalisse que Fusco desenhou nos anos 60, antes de integrar a equipa de desenhadores de Tex)

A primeira aventura nolittana de Tex, Caccia all’uomo (nº 183 – edição italiana) foi realizada em conjunto com um outro autor, também ele quase estreante na série, o desenhador Fernando Fusco. O ilustrador, nascido em Ventimiglia em 1929, trabalhava na banda desenhada desde 1948, o mesmo ano em que nasceu Tex. Colaborador do Vittorioso, transferiu-se para Paris em 1957 onde trabalhou para dezenas de jornais, personagens e diversos editores, até ao seu regresso a Itália em 1970. Aqui, destacou-se ao realizar, com argumento de Luigi Grecchi, duas séries de grande sucesso publicadas em L’Intrepido e Il Monello: Lone Wolf e I Due dell’Apocalisse.

Mas já em 1974, Sergio Bonelli alicia-o para Tex. Conta o próprio Fusco: encontro Sergio Bonelli quando regresso a Itália vindo de Paris. Encontrámo-nos durante três anos, consolidando a nossa amizade, após o que iniciei a minha colaboração com a editora. Tinha um certo receio no início em enfrentar a realização de Tex (que Sergio já me havia proposto nos nossos primeiros encontros) devido ao facto de, nunca ter trabalhado numa personagem já criada por outros. Tinha sempre desenhado as minhas personagens. Também me preocupava a extensão das histórias, uma vez que estava habituado a desenhar episódios muito curtos e histórias auto conclusivas. No início isto desgastou-me. No resto, o género western já o desenhava desde algum tempo; no western um desenhador encontra um pouco de tudo o que gosta de desenhar: a aventura, paisagens variadas, os animais e finalmente os homens, com as suas paixões, os seus ideais e os seus inevitáveis conflitos (extraído de Tex, tra la leggenda e il mito). 

Em resumo, a editora já em meados dos anos setenta sentiu a necessidade de expandir o leque de autores e procurar novos recrutas, quer seja entre os desenhadores quer seja entre os argumentistas, e desejava fazê-lo escolhendo nomes capazes de produzir páginas de qualidade. Fusco foi sem dúvida uma aquisição acertada, quer pela sua capacidade em representar os espaços, quer pela sua interpretação das personagens, muito pessoal ainda que sempre de acordo com as exigências da história e da tradição, baseada sobretudo numa narração gráfica extremamente dinâmica.

* Texto de Moreno Burattini publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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FAÇA JÁ A SUA RESERVA: Jantar/Tertúlia e Almoço/Convívio em Anadia com a participação de Laura Zuccheri e Roberto Diso


Conforme constará no Programa Oficial da 7ª Mostra do Clube Tex Portugal, histórico evento a realizar nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, está programado para a noite de sábado 30, um convívio tertuliano à mesa com as participações de Laura Zuccheri e Roberto Diso, autores italianos presentes no evento bairradino e onde estarão também presentes algumas das maiores personalidades do mundo texiano como por exemplo os editores Dorival Vitor Lopes, Mário João Marques  e Rui Brito e os tradutores Júlio Schneider, Thiago Gardinali (também jornalista) e José Carlos Francisco e ainda o Confrade brasileiro Ricardo Elesbão para além de alguns dos maiores fãs e coleccionadores do Ranger e respectivas famílias!

Da ementa da tertúlia à mesa, constará, para quem o desejar, o famoso leitão assado à moda da Bairrada assim como do não menos popular espumante a acompanhar e igualmente muito Tex para degustar… tudo isto acontecerá na Mealhada, mais precisamente no restaurante “Nova Casa dos Leitões”, situado a 7 km da saída da A1 (Mealhada), sentido Sul-Norte, e a 3 km (Norte) da Mealhada (IC2), no Peneireiro no jantar/convívio de sábado, 30 de Abril.

Devido à proximidade da data e ao facto de ser um fim de semana, onde há muita afluência ao famoso restaurante da região, a Direcção do Clube Tex Portugal pede desde já que os pards presentes no evento de Anadia se vão programando e quem desejar comparecer à tertúlia, que informe aqui mesmo na forma de comentário a este texto, ou por e-mail (josebenfica@hotmail.com) até ao dia 25 deste mês da sua comparência e da dos demais acompanhantes, já que como tem sido hábito nos eventos texianos realizados em Portugal, a grande maioria dos pards vêm acompanhados das famílias a estes fantásticos convívios, para que possamos fazer a respectiva reserva no restaurante bairradino. O preço por pessoa é de 32,50€.

O almoço/convívio de domingo, dia 1 de Maio, será no Restaurante “O sargento”, na Malaposta (https://pt-pt.facebook.com/Sargento-Casa-de-Sargento-1657546494526456/). O menu é composto por entradas, sopa, churrasquinho e sobremesa com bebida à discrição. Quem não quiser comer churrasquinho (a especialidade da casa e que o Clube Tex Portugal recomenda) pode optar por outro prato. O preço é de 22,50 € por pessoa e quem quiser confirmar já a sua presença também o pode fazer até ao dia 25 deste mês.

Tertúlia Texiana à mesa com as presenças de Bruno Brindisi e Roberto De Angelis; 2019

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