O Clube Tex Portugal informa que por razões particulares e completamente alheias à sua vontade, infelizmente o consagrado desenhador Roberto Diso teve que cancelar à última da hora a sua participação na 7ª Mostra do Clube Tex Portugal, nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.
Desejoso de vir ter com os leitores portugueses, e bastante consternado, o autor pede sinceras desculpas a todos e uma vez que estava ansioso pela oportunidade de encontrar os seus fãs portugueses promete vir a Portugal num futuro próximo.
Apesar dos esforços feitos com vista a trazer outro autor de Tex, tal não se mostrou viável. Desde já endereçamos os nossos pedidos de desculpa a todos, solicitando a melhor compreensão para este facto alheio ao Clube Tex Portugal.
É já na 7ª Mostra do Clube TEX PORTUGAL, que se realizará nos próximos dias 30 de Abril e 1 de Maio, no Museu do Vinho, na Anadia que irá ser lançado Rattlesnake, o mais recente trabalho do consagrado desenhador João Amaral em banda desenhada. Esta é a concretização de um sonho que alimenta há muito, que é o de construir um western, que é provavelmente um dos seus géneros favoritos. É verdade que João Amaral já tinha feito algumas aproximações a este tipo de trabalho. O Fim da Linha é um perfeito exemplo disso, pois apesar de se passar numa aldeia portuguesa no fim do milénio, mais não é do que um remake do célebre O Comboio Apitou Três Vezes, de Fred Zinnemann. No entanto, persistia aquela vontade de criar algo numa área com a qual sempre se identificou, desde muito novo… . É então assim que surge Rattlesnake, inicialmente um projeto de sete páginas que João Amaral apresentou a editoras estrangeiras (essas sete páginas poderão ser vistas clicando AQUI!) e que ao longo de alguns anos não passou disso mesmo, uma vez que o desenhador teve respostas negativas e algumas ausências de qualquer tipo de resposta. Após a publicação dessas sete páginas no seu blogue o João Amaral foi então abordado pelo seu atual editor, o Jorge Deodato, que lhe perguntou se ele não teria interesse em publicar o livro. E, é a ele que o desenhador deve um grande agradecimento pelo interesse demonstrado. Conforme lhe disse na altura, o João gostaria mesmo muito de publicar o livro, mas teria ainda que fazer as restantes páginas, apesar de já ter o argumento mais ou menos delineado. É portanto depois deste percurso que, um ano depois, podemos então apresentar na Mostra do Clube Tex Portugal, finalmente o livro pronto que irá então sair sob a chancela da Escorpião Azul. . E chama-se Rattlesnake, porquê? Na verdade, este nome não passa de um alcunha de uma mulher que quis construir com uma certa aura de mistério. Este epíteto surge devido ao facto dela, uma caçadora de prémios, simular o som de uma cobra cascavel antes de matar as suas vítimas. E é o seu percurso que a história irá seguir, apesar de, em momento algum, se conseguir exatamente saber qual é o seu nome e que mistérios é que o seu passado encerra. Sabemos apenas que ela é dotada de um profundo senso de justiça e que está pronta para ser a voz dos que não têm voz… .
Para além disso Rattlesnake marca também a sua estreia numa banda desenhada integralmente feita a aguarela. Esta é uma técnica que o João Amaral só começou a dominar a partir dos 50 anos, mas pela qual foi ganhando uma progressiva admiração quando começou a conseguir alcançar alguns resultados. Por isso, há muito tempo que ele sonhava um dia poder vir a realizar uma BD com esta técnica, facto que agora finalmente concretizou depois de ter feito uma série de gravuras e estudos.
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Fica então feita uma pequena apresentação deste seu próximo livro que ele próprio neste momento aguarda com alguma expectativa, pois foi um trabalho em que depositou muito de si mesmo, não só na criação artística, mas também na construção das próprias personagens e da história. O João Amaral só espera que dê tanto gozo às pessoas a ler, como a ele lhe deu a produção de todo este universo onde faz algumas pequenas homenagens a dois cineastas que adora: John Ford e Sergio Leone.
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Tex Gigante #34: A Vingança de Doc Holliday Mauro Boselli (argumento) Laura Zuccheri (desenho) Mythos Editora Brasil, Outubro de 2019 185 x 275 mm, 256 p., pb, capa mole, semestral
Diferença
Na sua origem os Tex Gigante (da Mythos Editora), réplicas dos Texone (da Sergio Bonelli Editore – SBE) eram (geralmente) destinados a desenhadores fora do universo de Tex – e mesmo dos outros universos Bonelli. Foi por isso que por eles passarem nomes como Bernet, Buzzelli, Kubert ou Magnus.
Se em tempos mais recentes isto nem sempre tem acontecido, com os Texone entregues aos nomes maiores da casa, não há dúvida que A Vingança de Doc Hollidaytambém se destaca pela diferença. Mas uma diferença diferente, se me permitem escrever assim: é a primeira história do ranger desenhada por uma mulher – Laura Zuccheri, que muitos identificarão como uma das mais profícuas desenhadoras de Julia e que, a propósito, estará presente na 7.ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Anadia, nos próximos dias 30 de Abril e 1 de Maio.
Se para alguns o facto não deveria merecer destaque nem referência de per si, sendo apenas (mais) uma evidência do machismo que ainda reina em certos sectores das histórias aos quadradinhos – e este é uma discussão que nos poderia levar longe, mas nos afastaria do livro que hoje quero destacar – o facto de ter demorado mais de 70 anos a ser entregue uma aventura de Tex a uma desenhadora, justificaria todo e qualquer destaque mas, passada a simples curiosidade, a obra deverá ser julgada pela sua qualidade intrínseca – até por uma questão de justiça para com Laura Zuccheri.
Que, naturalmente, se saiu bem da enorme tarefa – e dificilmente seria de outra forma, pois a apertada selecção de desenhadores por parte da SBE apontaria sempre nesse sentido (apesar de um ou outro percalço ao longo dos anos).
Não estando em causa a qualidade da desenhadora, a principal dúvida seria avaliar como ela conseguiria passar dos cenários contemporâneos urbanos de Julia para o universo do oeste selvagem de Tex; mais ainda, de uma personagem feminina frágil e tímida, para um cowboy duro, violento q.b. e (quase) sempre sem dúvidas.
É verdade que, em especial nas primeiras aparições de Tex e Kit Carson, se encontram algumas hesitações ao nível dos rostos, mas no restante da obra, nos cenários agrestes, nas povoações com casas de madeira ou ao nível dos cavalos, ninguém diria que era a primeira obra de fôlego da desenhadora num género que tem reputação de difícil.
Fugindo de uma linha um pouco mais limpa e clara que é apanágio de boa parte das aventuras do ranger, Laura Zuccheri trouxe para o seu Texone, um pouco dos tons mais escuros e sombrios com que sempre retratou (a) Garden City (de Julia), aplicou em flashbacks os cinzas que muitas vezes servem para pesadelos naquela outra série, e teve um cuidado notório com o visual – nada estereotipado – das personagens secundárias: as belas e curvilíneas Helen e (a nada) Big Nose Kate, um xerife barrigudo aqui, uns fora da lei espadaúdos acolá…
Aliás, não inocentemente, penso eu, Mauro Boselli, o escritor de (mais) este Texone, introduziu na sua trama não uma, mas (as) duas mulheres citadas – e como é raro isso acontecer em Tex… – dando-lhes espessura e, de formas diferentes, protagonismo. Não só em ‘homenagem’ à sua desenhadora, mas também atendendo ao seu à vontade com o ‘belo género’ em Julia.
Para além disso – e para quem estiver de fora do universo do ranger estes aspectos passam despercebidos – escolheu como personagem central Doc Holliday, um ser com tanto de real quanto de ficção, sendo difícil hoje conseguir distinguir biografia e lenda.
Longe de ser um herói na normal acepção do termo, estimulante até pela duplicidade da sua personalidade, (quase) sempre numa ténue fronteira entre o bem e o mal, entre a lei e o crime, entre a ordem e o abuso da força, Doc Holliday surge na ‘sua’ Vingança como alguém incompreendido, a quem se presume tudo.
O argumento de Boselli, aliás, assume um tom misto de western tradicional e de policial encapotado, com Tex e Carson – e não só – apostados em descobrir o responsável pelas mortes de membros de um bando de quem em tempos Holliday se jurou vingar e em encontrar o produto dos roubos feitos e desaparecido desde há anos. Boselli (e Zuccheri) têm o cuidado de esconder o executor das mortes durante boa parte do relato, acumulando assim as dúvidas sobre a sua autoria e passando aos leitores a dúvida que (quase) não existe nos intervenientes.
Aquela segunda característica confere ao relato um registo de suspense com as dúvidas que se vão amontoando a serem dissipadas apenas no final, mas sem que isto retire a mais um Texone as particularidades expectáveis neste western: acção, grandes espaços, cavalgadas e tiroteios, embora seja notório – e não interpretem mal o que vou escrever a seguir – um maior cuidado no desenvolvimento e no trabalhar da história, que se revela mais consistente e estimulante.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogueAs Leituras do Pedro
(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)
Data: 30 de abril (sábado) e 1 de maio (domingo) Horário: Sábado das 15h00 – 19h00 horas / Domingo das 11h00 – 19h00 horas Local: Museu do Vinho Bairrada – ANADIA Entrada:GRATUITA, com direito a entrada, também gratuita, na Exposição Permanente, designada por Percursos do Vinho e exposta ao longo de seis salas temáticas, com peças de valor arqueológico, etnográfico e técnico, reunidas com a colaboração de diversos vitivinicultores, entidades locais e nacionais; e nas Exposições Temporárias “XXIII PortoCartoon – World Festival” e “Pablo Picasso visto pela Caricatura Internacional”. Tema: A Mostra tem como ponto alto a presença de dois consagrados desenhadores italianos de banda desenhada: Laura Zuccheri e Roberto Diso, que vêm expor trabalhos de sua autoria relacionados a Tex:
Laura Zuccheri com “Doc!” – Uma dúzia de pranchas da primeira autora a desenhar oficialmente o Ranger, seleccionadas pela própria, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes, no seu formato original, algumas da mais belas páginas desta sua primeira história de Tex.
Roberto Diso com “La grande corsa” – Uma dúzia de pranchas do autor, seleccionadas também pelo próprio, que pretendem dar a conhecer, aos visitantes da 7ª Mostra do Clube Tex Portugal, algumas das páginas da sua mais recente história de Tex.
Programa
Sábado, 30 de abril 15h00 – Inauguração Oficial da 7ª Mostra do Clube Tex Portugal (Auditório); 15h30 – Inauguração das Artes de Laura Zuccheri e Roberto Diso na Ala Tex do Museu do Vinho Bairrada; 15h45 – Espumante de Honra, aberto aos convidados e público presente. 16h15 – Visita guiada por Laura Zuccheri e Roberto Diso às suas exposições; 16h30 – Apresentação por João Miguel Lameiras, Mário João Marques e José de Freitas, do novo livro de Tex, com o selo da editora A Seita, “Justiça em Corpus Christi”, da autoria de Mauro Boselli e arte de Corrado Mastantuono (Auditório); 17h00 – Sessão de autógrafos com Laura Zuccheri e Roberto Diso, disponível para todo o público presente, durante a qual os autores terão oportunidade de assinar os desenhos feitos por cada um especialmente para os cartazes da Mostra; 17h45 – Desenho ao vivo com Laura Zuccheri e Roberto Diso, EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes); 20h30 – Jantar/Tertúlia com a participação de Laura Zuccheri e Roberto Diso (Restaurante “Nova Casa dos Leitões”).
Domingo, 1 de Maio 11h00 – Desenho ao vivo com Laura Zuccheri e Roberto Diso, EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes); 12h00 – Sessão de autógrafos com Laura Zuccheri e Roberto Diso; 12h30 – Almoço/Tertúlia com a participação de Laura Zuccheri e Roberto Diso (Restaurante “O Sargento”); 15h00 – Conferência “Júlia e Tex, na Itália, Portugal e Brasil” com as participações de Laura Zuccheri, Roberto Diso, Dorival Vitor Lopes, Júlio Schneider, João Miguel Lameiras, José de Freitas e Mário João Marques (Auditório); 16h00 – Apresentação pela editora Escorpião Azul de “Rattlesnake”, com as participações do autor João Amaral, do editor Jorge Deodato e do prefaciador Mário João Marques (Auditório); 16h30 – Sessão de autógrafos com Laura Zuccheri e Roberto Diso; 17h00 – Desenho ao vivo com Laura Zuccheri e Roberto Diso, EXCLUSIVO para sócios do Clube Tex Portugal (desenhos para não sócios somente depois de atendidos os pedidos dos sócios presentes); 18h30 – Festa de Encerramento.
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Dampyr: El verdugo negro Inclui Dampyr #175 (2004) Giovanni Di Gregorio (argumento) Claudio Stassi (desenho) Aleta Ediciones Espanha, 2016 215 x 290 mm, 112 p., pb, capa dura
Mesmo aqui ao lado…
A presença de Dampyr em Portugal – em edições oportunamente publicadas pela Levoir e por A Seita – não são caso único nas visitas desta personagem Bonelli a cidades de outros países para explorar as suas lendas – e para tentar popularizá-lo nos respectivos países (ou pelo menos para tentar ‘vender’ lá essas edições).
El verdugo negro regista uma passagem por Barcelona, mas Dampyr também já andou por Bordéus ou Palermo e já visitou o Botsuana ou a Nicarágua.
Isto, conforme indica o argumentista deste livro, Giovanni Di Gregorio, no muito interessante posfácio em que explica a génese da obra e os passos seguidos de forma a credibilizar a presença do caçador de vampiros na capital da Catalunha.
A combinação entre história e lenda, aproveitando as execuções públicas que tiveram lugar durante séculos e o uso ‘mágico’ dos despojos – materiais e carnais – dos supliciados, e a sua ligação a trágicos acontecimentos ocorridos durante a Guerra Civil espanhola, resulta num relato que vai bem mais além da Barcelona turística como assume o escritor, e nos leva pelos recantos mais esconsos e sombrios das suas ramblas, do Bairro Gótico e dos locais que só conhece quem lá vive – como é o caso de Di Gregorio.
Com um argumento sustentado e coerente, aprendemos um pouco do lado sinistro da História da Catalunha, ao mesmo tempo que acompanhamos Harlan Draka, Tesla e Kurjak em perseguição de criaturas que não são os habituais vampiros.
O desenho de Claudio Stassi, com uma forte base fotográfica bem diluída no seu traço duro e nos bem conseguidos contrastes de branco e negro, não foi muito beneficiado pelo grande formato (franco-belga) do álbum – compreensível pela vontade da editora de chegar mais além dos leitores Bonelli, mas melhor andaram a Seita e a Levoir ao optarem por um tamanho menor (embora superior ao original).
Uma referência final para a edição que inclui um dossier com o tal texto – muito interessante – de Di Gregorio e alguns esboços e páginas de teste de Stassi, e que também se destaca por ter uma capa – com ‘mais’ de Barcelona – feita especialmente para ela. .
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogueAs Leituras do Pedro
(capa disponibilizada por Aleta Ediciones; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)