O Inimigo Sem Rosto – Tex contra o Estripador!

Por Jesus Nabor Ferreira*

“De todas as criaturas já feitas, o homem é a mais detestável. De toda a criação, ele é o único, o único que possui malicia. São os mais básicos de todos os instintos, paixões, vícios – os mais detestáveis. Ele é a única criatura que causa dor por desporto, com consciência de que isto é dor.”
Mark Twain

Personagens principais:
– Tex Willer  – Ranger do Texas e chefe dos Navajos, torna-se Xerife de Glenwood (Colorado) para investigar os crimes do Estripador.

– Nebraska – um veterano auxiliar de Xerife na cidade de Glenwood
– O Estripador – misterioso assassino que traz a morte para a cidade de Glenwood
– Vance Holden – Prepotente fazendeiro da região
– Larry Casey – Capataz do rancho de Vance Holden, preso em Glenwood
– Sally McGuire – Jovem independente e corajosa
– Hebbert J. Addison – Jovem jornalista que investiga os crimes do Estripador
– Wendy Barlow – A primeira vitima do Estripador

O Homem da Lei chega à cidade!

Durante a sua longa carreira de homem da lei, Tex Willer enfrentou os mais diversos inimigos, fossem eles rancheiros prepotentes, banqueiros gananciosos, políticos corruptos, militares autoritários, homens da lei desonestos e uma gama de criminosos comuns entre ladrões, assaltantes e sequestradores. Todos eles tinham em comum o desejo de que com suas ações obterem vantagens financeiras ou pessoais. Ganância e poder norteavam os seus atos. Alguns outros, aqueles ditos os arqui-inimigos, engendravam os seus planos por conta de um desejo de vingança pessoal contra a figura do famoso homem da lei.  Mas e se o ranger enfrentasse um inimigo que não se enquadrasse em nenhum destes perfis? E se o inimigo na sombra fosse alguém que simplesmente nutrisse um desejo compulsivo de matar, sem motivo aparente algum? Um serial killer, um assassino frio, impiedoso e mortal!  Estaria Tex preparado para enfrentar alguém que criou para si uma personagem acima de qualquer suspeita? Poucas vezes na sua longa trajetória o herói se viu às voltas com um adversário tão complexo. Tex tem de assumir nesta aventura o papel de coadjuvante de luxo. Ouso dizer que nesta aventura desaparece a figura do grande herói, mitologicamente criada por Gianluigi Bonelli, Guido Nolitta e por Claudio Nizzi, em centenas de histórias anteriores, e surge um Tex que, mesmo guardando as principais características do heróico ranger daqueles três autores, está mais para um valente homem da lei da Fronteira Americana, rude, firme, decidido, mas quase um comum homem do oeste.

Tex chega à cidade de Glenwood como um cavaleiro solitário, velho homem da lei do Oeste selvagem, implacável em busca da sua presa – neste caso um ladrão de gado e assassino – e depara-se com uma cidade aterrorizada que perdeu o seu Xerife recentemente, onde um matador já cometeu três assassinatos e onde o maioral da região ameaça destruir tudo e todos para fazer valer sua vontade. Ao aceitar a estrela de Xerife, Tex além de investigar os crimes do Estripador (apelido dado ao assassino pelo jovem repórter Hebert Addison, que chega a Glenwood depois de fazer uma elaborada investigação sobre o matador, levantando a suspeita que ele poderia ser o que os jornais europeus alcunharam de “O Monstro de Edimburgo” e que, depois de deixar a Europa voltou a cometer os seus crimes no Novo Mundo), tem também de desvendar quem matou o Xerife e também proteger a cidade contra Vance Holden.  Quando cai a noite sobre Glenwood, debaixo de uma torrencial chuva, a violência explode na cidade, os homens de Holden atacam e Tex conta apenas com a ajuda de Nebraska, do jornalista Hebert e da valente Sally. Mas, inesperadamente alguns moradores do lugar deixam a sua cobardia de lado e lutam junto com Tex para protegerem o seu lar. A coragem infelizmente cobra um alto preço e mais vitimas caíram no fim do confronto. E em meio ao combate, nas sombras, cobardemente o assassino ataca mais uma vez. “Já são quatro, quem será a quinta?”: estas são as palavras encontradas ao lado do corpo no tradicional bilhete deixado pelo assassino. Mas alguma coisa estava diferente em relação aos outros assassinatos. Algo parecia não se encaixar…

O herói não luta só!

Há na verdade, nesta aventura, duas tramas que correm em paralelo, uma mais conhecida do leitor, em que estão presentes aqueles grandes momentos tão caros aos fãs: a luta quase desigual do ranger e alguns poucos aliados contra o maioral da região, um rancheiro autoritário que quer e faz valer a sua vontade com mão de ferro, oprimindo uma população que se encontrava indefesa até à chegada de Tex. Para esta linha argumental o autor traz elementos que já ficaram famosos principalmente em vários filmes de faroeste, entre estes talvez o mais lembrado pelos fãs da sétima arte seja “Onde Começa o Inferno” (título brasileiro do filme Rio Bravo de 1959, realizado por Howard Hawks), quando um Xerife, interpretado por John Wayne, tem de defender-se contra um poderoso adversário, contando apenas com os seus auxiliares, um bêbado desacreditado por todos, um veterano ancião que mal se aguenta e um  jovem pistoleiro intempestivo. Mas também me faz recordar uma clássica aventura de Ken Parker: Sangue nas Estrelas, em que Ken também assume a estrela de xerife de uma cidade aterrorizada por um rancheiro violento.  Aqui o Xerife é Tex Willer, que precisa enfrentar o poderoso do lugar contando com a ajuda apenas do seu auxiliar, um velho vice-xerife que já viu dias melhores. Esta é a linha argumental mais ao estilo tradicional das histórias de faroeste típicas. Uma luta entre o herói e os seus poucos amigos contra o maioral do lugar que sempre está cercado por capangas dispostos a todo tipo de violência para fazer valer os seus desejos.

O Assassino Misterioso!

Mas é na outra trama da história que iremos encontrar um momento quase que sem precedentes na grande mitologia do personagem, quando Tex se depara com os assassinatos de algumas prostitutas da cidade de Glenwood e da região, crimes cometidos com uma ferocidade pouco vista antes pelo valente homem da lei e que causou repulsa, até mesmo no experiente médico, e também ao agente funerário do lugar, tamanho era o grau de violência. Será a partir da investigação destes misteriosos e macabros crimes que o autor traz para o universo do ranger elementos até então pouco ou nunca explorados: conceitos de misoginia, por exemplo, onde o assassino pratica os seus crimes de maneira odiosa, violenta, quase que patológica contra a figura feminina, e a presença no roteiro de um serial killer, algo que usualmente não encontramos antes nas aventuras do ranger, fazem desta história um momento especial na carreira do herói.

O papel da mulher no universo de Tex

Nos diversos argumentos feitos até hoje para as aventuras do ranger não encontrámos em nenhum deles uma figura feminina que destoasse do padrão criado por Gianluigi Bonelli, ou seja, a dama em perigo, ou a companheira do vilão, ou a filha ou esposa de um amigo em apuros, ou em raríssimas vezes a inimiga por trás de uma máscara. Nunca se viu nas tramas texianas uma criação feminina que assumisse as rédeas do seu destino, que fosse independente e que enfrentasse de igual para igual os perigos do Oeste selvagem (quando foi assim, a personagem em questão vestia as roupas da vilã(o) da história. Dentro da estrutura criativa e do modelo criado por Gianluigi Bonelli para as aventuras do ranger e seus pards, a mulher, quando aparecia na história, assumia sempre o papel de figura decorativa, para compor uma cena… Mas nesta aventura em particular, o autor abandona o perfil anteriormente traçado para a figura feminina e apresenta mulheres que ganham a vida trabalhando como prostitutas (uma atividade comum e porque não dizer necessária a todas as cidades do velho Oeste) e também uma personagem independente, segura, dona da sua vontade, sem vínculos com a tradicional e protetora figura masculina. Encontramos a jovem Sally, uma mulher independente que vive na sua propriedade sem necessitar da ajuda masculina (ao menos isto parece) e que incomoda os “valentões” do lugar pela sua atitude altiva. Corajosa, será uma das poucas pessoas da cidade a lutar ao lado de Tex contra o bando de Holden.

Ao analisar este “O Estripador”, fica bem nítido realmente a existência destas duas tramas distintas, que afinal irão encontrar-se para revelarem todo o mistério sobre as mortes das vitimas do serial killer e, enquanto se desenvolvem, permitem-nos ver a magistral qualidade do texto de Medda. Nenhum acontecimento ficará sem explicação e até mesmo eventos que pareciam banais no inicio se mostraram relevantes para a conclusão da história. O elemento psicológico das motivações do assassino deverá ser estudado profundamente para que se possa chegar à sua identidade. Mas estes motivos apenas serão conhecidos futuramente com a conclusão da aventura, pois Tex não tem meios de conhecer o passado do matador e, portanto, não poderia encontrar a chave para desvendar o mistério dos assassinatos. Esta revelação vem ao conhecimento do herói apenas nas últimas páginas e aqui, novamente, vemos como trabalha Medda diferentemente dos seus colegas escritores, sem a obrigação de centralizar em apenas um personagem todo o protagonismo da trama. O final é totalmente inspirado em outras grandes obras da literatura policial, com suspense, reviravoltas, revelações e por fim aparece a verdadeira face do louco assassino.

Medda inspirou-se claramente nos crimes cometidos pelo cruel assassino inglês Jack, o Estripador, para compor a trama desta aventura. Porém, diferentemente do que aconteceu com o criminoso da História, que nunca foi identificado, o autor desta vez deu um rosto, um motivo e um final para as séries de mortes do monstro de Glenwood, pois mesmo com todos os elementos “sui generis”, esta ainda é uma aventura de Tex e nas tramas do ranger o mal não irá ficar impune, tem de haver punição, preferencialmente de maneira exemplar. Porém, não espere o amigo leitor um confronto titânico entre o herói e o seu adversário misterioso, não, pois esta história tem seus diferenciais e lembre-se, o tempo das lutas e tiroteios já passou, estamos no anti-clímax onde vai cair a cortina final para o último ato do Estripador. Resta saber quem serão os atores principais deste último ato. Talvez seja a mão do destino que irá escrever a palavra fim…

E ao finalizar a sua missão, vemos mais uma vez a figura do cowboy solitário deixando a cidade, que fica entregue aos seus próprios fantasmas, cavalgando em direção ao horizonte sem olhar para trás, rumo a novas aventuras. E jaz, para sempre, numa sepultura recente no cemitério de Glenwood, aquele que ficou conhecido como o ESTRIPADOR! 

Jack, o Estripador, na banda desenhada e outras publicações

Mas Tex não foi o único herói dos quadradinhos a envolver-se com a figura do Estripador dentro da própria casa Bonelli. Dois outros conhecidos personagens também já enfrentaram a figura misteriosa do assassino de mulheres: Dylan Dog e Martin Mystère também já andaram às voltas com “encarnações” do famoso serial killer. Jack The Ripper tornou-se fonte de inspiração para centenas de escritores teorizarem sobre a sua identidade e também inspirou argumentos fictícios de todo tipo. Um dos mais lembrados por nós é o famoso encontro entre o mitológico Sherlock Holmes e Jack The Ripper relatado no livro brasileiro O Xangô de Baker Street do multifacetado artista Jô Soares. Também os super-heróis já tiveram os seus encontros com Jack, como por exemplo o Batman em Batman Gotham 1889, onde o famoso detetive enfrenta um Jack the Ripper que assombra a Gotham City da era vitoriana. Mas nos últimos tempos nenhum outro autor conseguiu trazer o mito do matador de Londres para os quadradinhos como Alan Moore na sua obra, chamada apropriadamente Do Inferno (From Hell). Um trabalho de fôlego nas suas mais de 500 páginas repletas de referências. Do Inferno originou um filme do mesmo nome com o ator Johnny Depp que também obteve sucesso em todo mundo, demonstrando que as massas ainda nutrem um mórbido interesse pelo estripador de Whichapel, seja em que media for.

Assassinos em Série: Loucura ou Maldade?

O mais famoso de todos os serial killers sem duvida foi Jack, o Estripador, não tanto pelo número de vitimas que fez, mas principalmente pelo mistério em torno da sua identidade – que permanece até hoje – e pelo destaque que os media da época (e após) deram aos seus crimes. O sensacionalismo da imprensa inglesa explorou à exaustão as circunstâncias das mortes, o perfil das vítimas, e todo e qualquer elemento misterioso do caso era potencializado ao extremo para vender jornais e garantir que o público permanecesse interessado no caso. Dezenas ou centenas de estudos da sua personalidade, a partir das famosas cartas que Jack teria enviado à policia, deram origem a dezenas de teorias especulativas a respeito de quem seria o matador do Distrito de Whitechapel. Assim como Jack, dezenas de outros serial killers notabilizaram-se por cometerem os seus crimes sem que parecesse haver qualquer tipo de motivação especial para os mesmos, que não fosse apenas o desejo de sacrificar uma vida humana, pelo simples facto de poderem fazê-lo sem sofrer consequência alguma.  Estes indivíduos são chamados psicopatas e estas são algumas das suas características principais:
– Psicopatia;

– Modus Operandi definido – todos executam os seus crimes de maneira ritualística;
– O ato de matar costuma ser compulsivo/obsessivo;
– São massiva e predominantemente homens brancos solteiros;
– E parece ser um fenómeno, se é que se pode chamar assim, predominantemente Americano.

A despeito do que se imagina ou se lê nos jornais, o serial killer não é um ser frio, tende a ter QI elevado, os seus atos são movidos por uma forte emoção e fundamentados num componente social que, geralmente, está associado à infância. Vindos de um ambiente familiar danoso, muitas vezes tendo sofrido abuso físico ou psicológico quando crianças, possuem um elevado grau de isolamento e um desprezo geral por outros indivíduos, dificuldade de lidar com a presença autoritária masculina, geralmente têm alguma obsessão pela mãe, todas estas características estão presentes na psicologia do matador.  Mas será que podemos dizer que estes indivíduos são seres do “mal”? Ou serão não mais que homens possuídos por uma patologia que deve ser estudada e compreendia?

“Além da Loucura”

– Devido ao caráter aterrador dos atos praticados pelos serial killers, alguns especialistas consideram que esses criminosos não se encaixam em nenhuma das categorias tradicionais de transtorno mental. Para eles, serial killers pertencem a uma classe própria, em algum lugar além dos limites do comportamento humano compreensível.

John Brophy escreve no seu livro The Meaning of Murder (O Significado do Assassinato), que estes assassinos “são Monstros” que vivem além da fronteira da loucura, pois até mesmo a loucura é algo concebível para a maioria das pessoas. Outros especialistas, mais recentemente, decidiram abandonar de vez o jargão psicológico e apelar para o entendimento milenar de “MAL” para estudar tais indivíduos. Como conceito de Mal, o psiquiatra forense Michael Welner, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, define: “Uma tentativa de causar trauma emocional, aterrorizar ou atingir os desamparados, de modo a prolongar o sofrimento e obter satisfação de tudo isso”.

Sempre existiram serial killers, eles apenas não eram chamados assim antes. No século XIX, por exemplo, eles eram chamados de “demónios”, “monstros”, seres “endiabrados”. E muitos deles não alcançaram a fama dos seus pares mais famosos e hoje estão relegados ao esquecimento, mas sempre existiram. Assim como sempre existiu o interesse das pessoas por estes homens e mulheres e seus trabalhos macabros. O culto e o fascínio por estes assassinos alcança nos dias de hoje uma proporção assombrosa, devido à exposição que os media fazem de tudo o que seja escabroso ou violento. Programas de televisão, séries, filmes, livros, memórias, histórias aos quadradinhos, são vastos os artigos e textos que procuram destrinchar, com o perdão do trocadilho, as regiões sombrias onde habitam estes seres das trevas. Especialistas proliferam, principalmente nos Estados Unidos, procuram toda a noite, em frente a bilhões de telespectadores, buscar uma explicação para os motivos por trás destas mentes perversas, desde traumas na infância, até mesmo disfunções genéticas. Mas ainda existem perguntas que não foram e nem podem ser respondidas a respeito destes psicopatas, que faz com que todos nós temamos a noite escura e os seus predadores. Há uma sombra lá fora e você deve sentir medo!

Referências bibliográficas:
– Serial Killers Anatomia do Mal – Schechter, Harold
–  Do Inferno – Alan Moore / Eddie Campbell

* Texto de Jesus Nabor Ferreira publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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Mefisto – O meu Inimigo preferido

Por Rui Cunha*

Nota: Salvo algumas excepções pontuais, a relação das aventuras em que aparece Mefisto, seguirá a ordem original da sua publicação, ou seja a edição Italiana.

O primeiro número da revista Tex que comprei foi o número 10 da edição brasileira, intitulado “A Flecha Negra”. Não conhecia e ao folhear aquela pequena revista a preto-e-branco, fiquei logo cativado. Os seus cenários, os ambientes, a acção, o desenho e, não menos importante que tudo o resto, a história. Ao longo dos muitos anos que já levo a ler Tex, nunca deixei de me encantar com a revista que nunca me decepcionou, muito pelo contrário, mantive sempre o entusiasmo a cada número que adquiria (e continuo a adquirir!).

Entre a enorme panóplia de histórias e personagens que têm surgido a preencher o universo texiano, quer sejam os bons da fita (Tex e companhia) ou os maus  (índios, ladrões, vilões, feiticeiros, bruxos, etc.), a minha preferência sempre foi para as histórias em que o tom sobe do simples livro com as personagens tipícas de um bom e velho western, em que as regras do género estipuladas são escrupulosamente cumpridas, para um tom mais negro e sobrenatural em que surgem os inimigos menos convencionais do que aqueles a que estamos geralmente habituados, e em que as regras estipuladas, raramente são cumpridas, nomeadamente as histórias em que surge Mefisto, aquele que é o verdadeiro arqui-inimigo de Tex e dos seus companheiros. Inicialmente não se chama assim, o seu verdadeiro nome é Steve Dickart, um prestidigitador (uma espécie de mágico que faz espectáculos de hipnotismo), cujo nome artístico nos espectáculos de magia é Mefisto. Mas na realidade, os seus  espectáculos nas cidades, são apenas para disfarçar a sua verdadeira actividade, a de espião a soldo de potências estrangeiras, principalmente do México com o qual os Estados Unidos estão em guerra.

Aparece pela primeira vez, pela mão dos criadores Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini, ainda com o nome de Steve Dickart, na aventura de Tex intitulada “Mefisto, o Espião” (Tex Italiano nº 3) e a sua aparência é ainda a de um jovem, acompanhado de sua irmã, Lily Dickart, sua assistente, que se entretém a fazer espectáculos de magia em El Paso, ao mesmo tempo que faz o trabalho para que lhe pagam. Descobertos por Tex, os dois irmãos, mesmo acusando o ranger de perseguição criminosa, têm de fugir. Em “Tex – O Herói do México”, (Tex Italiano nº 4), a continuação do número anterior, Tex, mesmo tendo a lei contra si e contando com a ajuda do seu amigo Montales, um revolucionário oposicionista do regime no México, o ranger acaba por apanhar os Dickart e entrega-los à justiça. No final, Steve Dickart assume o nome de Mefisto e jura vingar-se de Tex e dos seus companheiros. Enquanto os inimigos de Tex usam armas convencionais como a espingarda Winchester, o Colt 45, o machado, a lança ou o punhal, que tornam o ranger praticamente imbatível, Mefisto, por seu lado, usa poderes mágicos e habilidades individuais contra as quais é difícil lutar, entra nas mentes das suas vítimas, cria ilusões e consegue ver acontecimentos a uma grande distância através do uso de uma esfera. Torna-se no verdadeiro nemesis do ranger e companhia.

Ao longo do tempo em que andou desaparecido da série, sabemos mais tarde,  dedicou-se de corpo e alma à magia e desenvolveu poderes  sobrenaturais,  tudo com um único objectivo na vida: derrotar Tex e os seus companheiros (de sua irmã, Lily, nunca mais ouvimos falar. A biografia de Tex “A História da minha vida” escrita por Mauro Boselli e ilustrada por Fabio Civitelli nada nos diz sobre o seu destino). Nesta altura, Mefisto ainda não é o inimigo mais temível de Tex, mas não tardará a sê-lo. Dickart já não é mais o jovem mágico nem se chama Steve, assumiu a sua identidade de palco, Mefisto e transfigurou-se completamente, passa a ser apresentado como um velho louco, cabelo, barba e bigode completamente brancos, sempre com um olhar maldoso que o torna uma personagem com uma verdadeira natureza maléfica que o acompanhará toda a sua vida.

Os caminhos do ranger e do mágico voltam a cruzar-se algum tempo depois. Em “Tex contra Mefisto” (Tex italiano, nºs 39 e 40). Durante uma caçada, Kit Willer e o seu companheiro, o índio Navajo, Binal  são atacados pelos Hualpais, uma tribo índia que veio de longe. Binal é morto e Kit capturado. Tex e Kit Carson, preocupados com a ausência de Kit, formam uma patrulha de índios Navajo, chefiados por Águia da Noite (nome índio de Tex)  e vão em busca dos desaparecidos até à “Mesa dos Esqueletos” onde Kit terá sido visto pela última vez. Chegados lá, encontram o corpo de Binal, mas nem sinal de Kit. Com a ajuda de Jack Tigre, companheiro de Tex e Carson, encontram nos vestígios deixados, um medalhão de prata com a letra “M” gravada. Decidem continuar as buscas. Kit Carson, vítima de uma emboscada,  acaba também por ser apanhado e os seus companheiros Navajos, mortos. Tex, agora mais preocupado e decidido que nunca,  continua a sua incessante busca que o levará a encontrar-se frente a frente com Mefisto,  o qual ele não reconhece a principio e a quem os Hualpais  obedecem cegamente e tratam por “Sagrado Filho do Fogo”. Os combates sucedem-se sem que haja um vencedor certo. A história atinge o seu auge quando, depois de estarem  presos numa gaiola e suspensos num abismo,Kit e Carson são enfeitiçados pelo mágico de modo a matarem os  Navajos, mas apanharem Tex  vivo.  De certa maneira, o feitiço acaba por se voltar contra o feiticeiro e Mefisto vê-se obrigado a fugir  e a assumir uma nova identidade, o Doutor Anatas (Satana, Diabo lido ao contrário).  Dedica-se a roubar bancos, mas, eventualmente, Mefisto acabará por ser encurralado e, ferido, cai  num abismo onde o seu corpo, impossível de se recuperar, é dado como morto.

Mefisto volta a aparecer em “A Herdeira de Montezuma” (Tex italiano,  nºs 76 e 77, editado no Brasil com o nome “O Tesouro do Templo” (Tex nº 76)). A história, escrita por G. L. Bonelli e desenhada por Guglielmo Letteri, leva o ranger e o seu inseparável companheiro Kit Carson até ás regiões entre os Rios Pecos e Bravo (Texas), na pista dos índios Comanche que torturaram e mataram um amigo seu. A perseguição levará os dois companheiros a penetrar no território mexicano, onde, após alguns combates contra os Comanche, chefiados por Tonito, acabam por descobrir um vale secreto onde vive a bela Esmeralda,  última descendente de Montezuma, o chefe dos Astecas, derrotado pelos Conquistadores Espanhóis no século XVI, que guarda o tesouro do templo, do qual é protectora. À sua volta gravita o perigoso Fidel Romulio, que com os seus cavaleiros percorre as pradarias a roubar gado que vende ao melhor preço a rancheiros de ambos os lados da fronteira, e que, secretamente, ambiciona casar com Esmeralda e apoderar-se do tesouro. Nesta história surge também, pela primeira vez, a personagem do “Bruxo Mouro” ou simplesmente “El Morisco”, uma espécie de cientista, de sábio, de biólogo, que estuda a fauna e a flora do México e que é também versado em ciências ocultas e que, nesta aventura, coloca Tex na pista de Fidel e da sua ligação com os Comanches de Tonito e, posteriormente, o leva, tardiamente, ao vale secreto, ao templo e também a Esmeralda. “El Morisco virá a tornar-se um poderoso aliado de Tex  e é ele que, quase, no final da aventura, ao dar a provar a Tex uma mistura de cogumelos alucinogénios, provoca-lhe uma visão, na qual o ranger vê Mefisto, o seu inimigo jurado e percebe que afinal ele não morreu e que a sua aparição poderá acontecer a qualquer momento.  

Mefisto reaparece em “Pesadelo!” (Tex italiano nºs 78, 79 e 80, editado no Brasil, em dois números,  com o nome “Pesadelo!” (Tex nº 77) e “Espectros” (Tex nº 78)). Ficámos então a saber que o corpo do mágico foi recuperado do abismo onde caíra, atingido por Jack Tigre,  por um monge chinês, de nome Padma, expulso do templo onde estudou. Padma cura o espírito e recupera o corpo de Mefisto, tentando assim encontrar o caminho que o leve à sua própria paz de espírito e ganhar o perdão dos seus superiores. Com o tempo e a ajuda do monge, Mefisto torna-se mais poderoso do que já era e alimenta  ainda mais o seu ódio por Tex Willer e seus companheiros. O mágico começa então a arquitectar um plano em que irá apanhar um por um os seus inimigos e fazê-los sofrer horrores (é o que diz Mefisto nas primeiras aparições que faz ao ranger e seus companheiros) até implorarem que ele os mate. Para o ajudar no seu plano, Mefisto conta com os seguidores do “Dragão Vermelho”, uma organização chinesa chefiada por Padma, com os seus fiéis índios Hualpai e dá o seu toque maquiavélico ao criar uma nova identidade para si, o Doutor Fiesmot (anagrama de Mefisto), com a qual vive entre os habitantes de Golconda que de nada desconfiam. O ódio que tem  ao ranger é tanto que, progressivamente, se vai tornando numa obsessão. Padma apercebe-se disso e quando o tenta chamar à razão, Mefisto mata-o sem piedade. Mas Tex está sempre um passo à frente dos seus inimigos e  com Mefisto não faz excepção. Apesar de Kit, Carson e Jack Tigre estarem nas mãos do mágico,  o ranger não vacila  e avança com o seu plano de o derrotar a qualquer custo. Tex acaba por desmascarar Fiesmot e este quando tenta atingir o ranger é impedido pelo falecido monge, a quem foi dada uma última oportunidade de limpar o seu nome, que chama a si toda a magia, derrotando-o a tal ponto que Mefisto acaba por enlouquecer totalmente. É preso e condenado a passar o resto dos seus dias num manicómio.

Mas  o internamento de Mefisto não será de longa duração. Em “Terror na Savana” (Tex italiano nºs  93, 94 e 95, editado no Brasil, em dois números, com o nome de “Terror na Selva“ (Tex nº 83)  e “Black Baron” (Tex nº 84)), Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini excederam-se no trabalho e fizeram aquela que é, na minha opinião, a melhor  e a mais épica história com Mefisto. Tex e Kit Carson são chamados ao  Forte Myers, na Flórida, para investigar a estranha e bizarra história do Tenente Moore, que faz parte do guarnição e fora investigar, juntamente com dois outros soldados uns estranhos acontecimentos relatados por um outro militar da mesma guarnição, que tiveram lugar na selva que fica para lá da orla da floresta onde se situa o forte. Moore regressa, cerca de duas semanas depois de ter partido do forte, sozinho e completamente transtornado, semi-enlouquecido, com um medalhão na mão  e apenas consegue pronunciar a palavra  “Voodoo”. O medalhão é triangular , tem um grande “M” na base e diversas outras marcas. Depois de saberem que Mefisto fugiu do asilo onde estava internado na companhia de outro paciente, de nome Jean Lafayette, que se intitula a si próprio “Barão Samedi”, também conhecido como “Rei dos Mortos”, percebem que o seu arqui-inimigo está de volta e, se calhar, mais perigoso que nunca. Segundo se sabe, ambos vivem num castelo, no meio dos pântanos da Flórida e fundaram, juntamente com Loa, uma negra de grande beleza e sacerdotiza do Voodoo, Otami, um  “Xamã” (uma espécie de feiticeiro) e Dambo, um negro grande, chefe do bando de negros que executa as ordens de Jean e Mefisto, a Ordem da Grande Serpente, uma espécie de império de negros, baseado no Voodoo e na Magia Negra que pretende, a longo prazo expulsar, a bem ou a mal, todos os brancos da região e também os índios Seminoles. Tex  e Carson , chamam Kit e Tigre e decidem ir investigar o que se passa na região pantanosa da Flórida.

Depois de alguns contratempos na investigação, muitos deles provocados pelos seguidores da Grande Serpente que tentam impedir os quatro companheiros de encontrar o castelo, Tex acaba por se aliar aos Seminoles para tentar apanhar Mefisto e o barão no seu esconderijo e, para isso, deitam fogo à selva que circunda o castelo, tornando-a numa espécie de “terra-de-ninguém” para evitar quaisquer armadilhas que os esperassem  e obrigar os dois vilões a sair, enquanto a guarnição de Forte Myers , auxiliada pelos guerreiros Seminoles cercam por completo o castelo, acabando este por ser bombardeado com um canhão e reduzido a um amontoado de ruínas, debaixo das quais Jean Lafayette e Mefisto ficam soterrados, tornando impossível a localização e remoção dos seus corpos. Dambo morre nos pântanos com a maior parte dos seus guerreiros; Otami é morto pelas flechas dos Seminoles e Loa, a única sobrevivente, fica como escrava de Yampas, o chefe dos índios Seminoles. A Ordem da Grande Serpente é destruída para sempre. 

Mas, o mal dificilmente se deixa apanhar, matar ou até mesmo destruir e quem pensasse que Mefisto estava morto, não poderia estar mais enganado. Em “O Filho de Mefisto” (Tex italiano nºs 125, 126, 127 e 128, editado no Brasil, em três números  com os títulos de “O Filho de Mefisto” (Tex nº 101), “Magia Negra” (Tex nº 102) e “O Veleiro Maldito” (Tex nº103)),  quase uma continuação de “Black Baron”, Mefisto, emerge debaixo das ruínas do castelo, percebe que está impedido de  sair da gruta em que se encontra, grita todo o seu ódio, cada vez mais profundo, contra Tex. Quando percebe que está condenado a morrer, decide invocar todo o seu  poder maléfico e, através duma esfera mágica, chama pelo seu sangue e surge em cena o seu filho, Blacky Dickart (nascido da relação que Mefisto manteve com uma bruxa chamada Myriam, com a qual o seu filho ainda vive), o qual o mágico encarrega de, não só receber toda a sua herança maléfica, pela qual deverá deixar de ser quem é e tornar-se noutro que seja digno de Mefisto, mas também de vingar a sua morte e destruir aqueles que a provocaram. Blacky, emocionado, aceita a missão de seu pai e momentos depois vê-o ser devorado por ratos e morrer. Decidido a começar uma vida nova (agora dedicada a vingar o seu pai), Blacky deixa Myriam e parte em busca de quem o possa ajudar na sua missão e o primeiro nome que lhe é dado a conhecer é o de Loa, a sacerdotiza da Grande Serpente, que agora vive como escrava de Yampas, o chefe dos índios Seminoles. Os dois vão até às ruínas do castelo e entram por uma entrada secreta que só Loa é que conhecia e é lá que Blacky toma conhecimento da sua herança e assume a identidade de Yama, o  Deus da Morte e prepara a sua vingança contra Tex e seus companheiros.

Mefisto, apesar de estar morto ainda fará algumas aparições em histórias subsequentes de Tex. Reaparece em “O Retorno de Yama” (Tex italiano nºs 162, 163 e 164, editado no Brasil em dois números, com o título de “A Volta de Yama” (Tex nº 113) e “A Dança do Fogo” (Tex nº 114)), vindo do Além e é ele quem salva a vida ao seu filho e à sua braço-direito, Loa, de morrerem no mar, no seu veleiro negro que Yama adquirira para funcionar como seu quartel-general, e continuará a acompanhar a vingança de Yama. Em “A Sombra de Mefisto” (Tex italiano nºs 265, 266, 267 e 268), Mefisto continua, do túmulo, a enviar instruções ao seu filho para que ele destrua o ranger e o vingue condignamente, mas Yama, por muito que se esforce e utilize os mais improváveis aliados,  falha o seu objectivo continuamente.

A pedido de muitos leitores, a personagem de Mefisto acabaria por voltar às histórias de Tex. Em “O Retorno de Mefisto” (Tex italiano nºs 501, 502, 503 e 504), Claudio Nizzi e Claudio Villa, além de trazerem de volta o velho inimigo do ranger, trazem também a sua irmã Lily (que julgávamos ter desaparecido há muito tempo), que será a principal responsável pelo reaparecimento de Mefisto. Lily, que é casada com o Conde Boris Leonov, um nobre russo de ascendência francesa, está com o marido numa sessão espírita (ela desenvolveu alguns poderes extra sensoriais graças ao que aprendeu com o irmão quando ele era um simples mágico de espectáculo), trava conhecimento com Narbas, um médium Hindú que consegue comunicar com os mortos e trazê-lo de novo à vida. Lily consegue convencer o marido a viajarem para os Estados Unidos e recuperar os ossos de Mefisto. Quando lá chegam, encontram-se com Loa, que os ajuda a chegar às ruínas do castelo onde Mefisto pereceu. Após os rituais mágicos, Mefisto regressa à vida e toma posse do corpo de Narbas e o seu espírito vai para o Além.

Mefisto, de novo vivo, começa imediatamente a tratar de se vingar de Tex. Com a cumplicidade do seu cunhado, Boris, (que entretanto se instalara em Phoenix, onde abre um restaurante que funciona como esconderijo do mágico), Mefisto apanha Kit Carson e, algum tempo depois, apanha também Kit e Jack Tigre. Tex, sem saber dos seus companheiros, mas com algumas suspeitas, conhece e interroga Leonov que nada lhe diz, mas torna-se óbvio que o conde sabe de alguma coisa e começa a tornar-se um perigo, pelo que terá de desaparecer de circulação e então Lily pede ao seu irmão que mate o seu marido antes que ele lhes estrague os planos de vingança. Mefisto assim faz e prossegue o seu plano de vingança contra o ranger, surge-lhe em carne e osso e ataca-o directamente. Tex defende-se dos seus ataques  graças a um medalhão que usa sempre e que lhe foi dado pelo feiticeiro dos Navajos. O ranger procura a ajuda do xerife de Phoenix  e do seu adjunto para apanhar Mefisto que, mais uma vez tenta escapar com a identidade de Doutor Parker. Surpreendem os dois irmãos e Lily é presa. Antes de ser apanhado, Mefisto tenta matar os seus três prisioneiros. Tex consegue salvá-los a tempo, mas falha em apanhar o mágico e este consegue, uma vez mais, fugir. Alguns dias depois destes acontecimentos, Mefisto surge aos quatro companheiros, prometendo-lhes uma nova vingança no futuro e desaparece no meio da sua própria magia.

Ficando então a promessa de novas aventuras com a diabólica personagem, que, na minha opinião (e se calhar de muitos outros leitores), com todo o seu poderio mágico e natureza maléfica, sendo quase imortal, faz falta no universo texiano, mesmo sendo esse universo o do velho Oeste com todas as suas regras e simbolismo. Entendo que Mefisto e, mesmo, Yama (embora este tenha tido menos impacto), têm sempre lugar reservado nas aventuras de Tex  e quantas mais vierem, melhor!

* Texto de Rui Cunha publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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Antevisão do Tex Gigante desenhado por Giovanni Freghieri e escrito por Gianfranco Manfredi: “I due fuggitivi”

É já neste mês de Junho, mais precisamente no dia 22, em pleno Verão europeu, que teremos, na Itália, o habitual Albo Speciale de Tex, popularmente designado por Texone (Tex Gigante). Será o número 38 desta colecção e trará uma aventura escrita por Gianfranco Manfredi e desenhada, durante vários anos por Giovanni Freghieri, história essa cujo título será “I due fuggitivi”: Billy é um bandido de meia-tigela que decidiu abandonar a sua carreira criminal em troca de uma fuga de amor com a sua bela Josephine… No entanto os dois levam consigo o saque do bando de Wade Gorman, que lhes faz uma  caçada implacável… O saque e as recompensas pelos bandidos são tentadores até mesmo para um impiedoso grupo de caçadores de recompensas… Mas na pista também estão um misterioso mago da chuva e os Colts de Tex Willer e Kit Carson!

Speciale Tex #38 – ‘I due fuggitivi’

Falando dos autores deste Tex Gigante, temos então na escrita Gianfranco Manfredi, que terá uma das suas últimas aparições na saga de Tex, porque já há algum tempo que deixou de fazer parte do staff de escritores do Ranger, mas não será ainda a despedida final porque Manfredi ainda verá mais uma história sua ser publicada, já que está a ser desenhado, por Giacomo Danubio, um Color Tex de 160 páginas, com textos seus.

Já quanto a Freghieri, à quarta foi de vez, isto porque no passado Giovanni Freghieri, conceituado desenhador italiano, começou por três vezes a desenhar histórias de Tex e também por três vezes ele acabou por abandonar os projectos. Freghieri à época, aquando da sua terceira tentativa, essa para um Color Tex, confessou ser muito mais lento a desenhar uma história destinada a ser publicada a cores do que a desenhar um álbum normal a preto e branco. E disse que o motivo era a ausência das sombras. Ter que fazer um trabalho “liso” não lhe saía como gostaria, o que o levou a desenhar com muita lentidão para além de não ser do seu agrado. E como tinha prazos a cumprir com relação a Dylan Dog, a série bonelliana em que trabalha regularmente acabou por ter que abandonar uma vez mais o projecto “Tex”, tal como aconteceu anos antes, por exemplo com o Maxi Tex “Lo squadrone infernale“, de Outubro de 2008, que acabou por ser desenhado por Ugolino Cossu. Mas felizmente, para nosso deleite, Freghieri desta vez levou a bom porto as 220 páginas deste Tex Gigante, como se pode ver nas páginas que apresentamos de seguida em ante-estreia:

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Conversa com Laura Zuccheri no Auditório do Museu Vinho da Bairrada

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos e vídeo)

Conversa com Laura Zuccheri no auditório do Museu do Vinho Bairrada

Um dos pontos mais altos da 7ª Mostra do Clube Tex Portugal foi uma aprazível e interessante Conversa, em pleno Auditório do Museu do Vinho Bairrada, com Laura Zuccheri e que teve as participações de Mário João Marques, do jornalista brasileiro Thiago Gardinali e de Júlio Schneider, este último também no papel de intérprete.

Laura Zuccheri no uso da palavra

Conversa essa onde a Laura Zuccheri fez a retrospectiva da sua carreira e onde nos contou relatos deliciosos, como por exemplo explicando como entrou para o staff de Ken Parker e porque, a determinada altura, se teve de disfarçar de homem para poder executar a sua carreira profissional, abordando também a sua paixão pela pintura, mas melhor que ler é ouvir as palavras da boca da própria Laura nos vídeos que se seguem: