Póster Tex Nuova Ristampa 339

Póster Tex Nuova Ristampa 339

Em mais uma bela ilustração nocturna da autoria do Mestre Claudio Villa vemos Tex, Carson e Tigre, em plena floresta junto à estrada que liga Helena a Great Falls, a surpreenderem um bando de facínoras comandados pelo sórdido Snake Bill, que por sua vez queriam surpreender os pards durante o sono num acampamento nocturno.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #84 e inspirado na história “Il mercante francese” de Claudio Nizzi e Fernando Fusco (Tex italiano #508 a #510).
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Texto de José Carlos Francisco

DE GALEP A TEX

Por Sandro Palmas*

Aurelio Galleppini

Quando nasceu TexWiller? A resposta parece ser muito simples: em 30 de setembro 1948, com o aparecimento, nas bancas italianas, do primeiro álbum de tiras da aventura O Totem Misterioso. Mas como se chegou até à publicação deste número histórico? Para podermos descobrir, será necessário recuarmos um pouco no tempo…

Estamos na primavera de 1945. Terminada a guerra e liberto da aviação, Aurelio Galleppini, na altura com 28 anos, encontra-se na sua Sardenha (considerava-se mais sardo do que toscano), em Cagliari, e sem uma Lira no bolso. Nesta cidade em reconstrução, cujo centro histórico tinha sido arrasado pelos bombardeamentos, Galep vive um momento de impasse artístico e é o seu amigo Marcello Serra, com quem divide o pequeno estúdio na Via Sardenha, que o vai apresentar gradualmente no ambiente literário e cultural da cidade. O encontro com o pintor Fantini revela-se decisivo, um famoso retratista com quem Galep, autodidata, vai aprender muito do ponto de vista da técnica. Ao longo do ano, prepara-se para duas mostras pessoais e participa com alguns dos seus trabalhos em mostras coletivas. Com os amigos Marcello Serra, Vittorio Stagno e Beppe Marongiu, dá vida ao semanário satírico L’Arcobaleno di Sera. Jago Mazza, proprietário de dois cinemas na Via Roma, o Éden e o Olimpia, encomenda-lhe os cartazes para os filmes, dada a dificuldade em fazer chegar os originais da Península, uma vez que as vias marítimas e aéreas ainda se encontram interrompidas.

O quadro de San Vincenzo (São Vicente) pintado por Galep, em 1947

Em agosto de 1946, Galep começa a colaborar com o diário l’Unione Sarda, para o qual ilustra as páginas de verão com caricaturas e retratos grotescos das figuras mais importantes da cidade, personalidades que se alternam na rotunda do Lido e do Poetto, a praia da cidade, onde à noite também se exibem os cantores populares da Rádio Sardenha. É mesmo no Poetto que Galep encontra pela primeira vez Gianluigi Bonelli, que se instala na ilha em férias. O pai de Tex fica fascinado pela beleza dos cartazes de cinema realizados por Galleppini!

As Surpreendentes Aventuras do Barão de Munchausen com ilustrações de Aurelio Galleppini

Com a pintura, através da qual passa a ser um dos nomes célebres da cidade, o artista consegue apenas um sustento modesto, sendo obrigado a alternar a sua atividade pictórica com o ensino em duas escolas de Cagliari, os Institutos Industrial e Salesiano. Naqueles anos, contará Galep, não era bem visto trabalhar nos fumetti. Não lhe restará senão abandonar a Sardenha, de modo a encontrar uma oportunidade na Península.

A ocasião chega com a editora florentina Nerbini, com quem já tinha colaborado durante o período da guerra. Nesta altura, nascem trabalhos como As Surpreendentes Aventuras do Barão de Munchausen e As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi, este último realizado apenas em banda desenhada. Ao mesmo tempo, Galep retoma a colaboração com a editora Universo, para quem realiza outras ilustrações para clássicos da literatura como Os Três Mosqueteiros, As Mil e Uma Noites e Os Noivos de Alessandro Manzoni. No entanto, adensam-se nuvens negras no futuro do artista. De facto,no decorrer do ano, a editora Nerbini encontra-se em grandes dificuldades económicas e Galep é, infelizmente, obrigado a regressar a Cagliari.

As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi com arte de Aurelio Galleppini

Estamos no final de 1947, quando Tea Bonelli, esposa de Gianluigi Bonelli e responsável da editora Audace de Milão, que naquela altura republicava episódios da série Furio e pensava em novas publicações destinadas aos jovens para relançar a sua atividade, vai contactar com Galep, pedindo-lhe para colaborar em regime de exclusividade para a sua editora. As novas publicações acabarão por ser Occhio Cupo e Tex, e é Galleppini quem propõe a Tea Bonelli um fumetto western. O género sempre lhe foi familiar, desde 1925, quando veio da Toscana instalar-se com a sua família na Sardenha, na cidade mineira de Iglesias, onde o tio era proprietário do único cinema e onde o jovem Galep tinha naturalmente livre acesso para admirar as películas de Tom Mix, Ken Maynard e de todo o cinema mudo de western. Nem mesmo um sucesso do fumetto western como Il Piccolo Sceiffo escapou a Galep, uma série que desde há algum tempo vinha sendo publicada, com genial intuição editorial, no conhecido formato de tiras. Na mente de Galep, onde sem dúvida ainda permanecia bem viva a recordação dos seus cartazes de cinema feitos para Jago Mazza, assim como, acrescentamos nós, os de Bonelli, o projeto começava a delinear-se lentamente: um western em formato de bolso, o preferido dos jovens pela facilidade com que se podia esconder, numa época onde o fumetto era ostracizado pelas cabeças bem pensantes. Restava apenas convencer Tea Bonelli!

Occhio Cupo, com arte de Aurelio Galleppini

O artista leva a peito a iniciativa, trabalhando no duro para desenhar a partir de recortes de trabalhos de Walter Molino, uma das suas fontes de inspiração, juntamente com o norte-americano Alex Raymond. Para protagonista, decide inspirar-se em dois atores como Gary Cooper e Randolph Scott, intérpretes de filmes que tinha visto e apreciado na sala do cinema Politeama Margherita em Cagliari. Os cavalos, elementos típicos das paisagens toscanas de Casale di Pari, onde Galep passou a sua infância, era um dos seus temas preferidos desde muito novo. Em 31 maio de 1948, Tea Bonelli escreve uma carta a Galep pedindo-lhe que vá a Milão conhecer as duas novas publicações. Galep apresenta então à senhora Tea os desenhos que tinha realizado, os quais serão em seguida enviados para Gianluigi Bonelli, que dará nome à personagem e escreverá a sua primeira história: Il Totem Misterioso.

Tex – Il Totem Misterioso, com arte de Aurelio Galleppini

O nome da personagem é-lhe sugerido por um armazém de vestuário denominado Tex Moda, localizado na Via XX Settembre em Génova, cidade onde o autor é anfitrião de um amigo editor para o qual estava a escrever curtas histórias, entre as quais a de Red Killer, que não é uma banda desenhada, mas que Galep considera estar na origem do nome de Tex. Não esqueçamos que, dentro de alguns meses, a personagem se chamará na verdade Tex Killer, nome que ainda iremos encontrar, por exemplo, no oitavo álbum de tiras. O nome não agrada muito a Tea Bonelli, uma vez que o herói da nova publicação é um paladino da justiça e a palavra Killer sugere aos leitores uma associação com aqueles contra quem ele se bate: bandidos e assassinos. Galleppini propõe à editora substituir com um V a letra inicial do apelido e Tex torna-se assim Viller. No entanto, esta solução também não agrada à senhora Tea e será ela própria que acabará por escolher para Tex o apelido de Willer, tão conhecido e popular junto dos leitores.

Primeira página original de Tex – Il Totem Misterioso; 1948 – Arte de Aurelio Galleppini

O resto da história já é conhecido. Galep realiza as primeiras tiras de Tex na Sardenha, mas rapidamente se instalará em Milão, trabalhando num pequeno quarto da modesta sede da editora, onde um jovem Sergio Bonelli o encontra a trabalhar horas extraordinárias (desenha Tex das oito da noite até às cinco da manhã) ou num estúdio que divide com um outro desenhador, o qual, para além de lhe oferecer hospitalidade, também escreve as legendas das primeiras histórias do Ranger. Trabalha-se afincadamente, com prazos de entrega obrigatórios. As primeiras tiras são desenhadas diretamente, sem a prévia ajuda dos esboços a lápis. Conforme admitido pelo próprio Galleppini, é um trabalho que no início revela um absoluto desconhecimento do western, por exemplo, com as armas a serem inventadas, caraterística que se manterá até à publicação de um ensaio fundamental elaborado pelo experiente e conhecedor Gattia. Gradualmente, a qualidade das tiras melhora, a começar nas calças pretas que Galep tinha vestido de início à personagem, fruto de um tratamento demorado, mas que se veio a revelar pouco eficaz nas cenas noturnas. As portas para um sucesso à escala mundial, que ainda hoje continua a surpreender os apaixonados, estavam doravante abertas para uma personagem… nascida um pouco por acaso!

Aurelio Galleppini e o jovem Sergio Bonelli

* Texto de Sandro Palmas publicado originalmente na Revista nº 8 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2018.

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 27

Por Saverio Ceri [1]

Com o 27º número Tex Classic entrou no seu segundo ano de vida editorial, e pela primeira vez apresentou na capa uma imagem não ligada directamente aos episódios contidos no volume.
Comecemos por ordem: a revista em questão reproduz a cores as ‘strisce’ números 22 a 27 da terceira série da Collana del Tex, lançados entre Outubro e Novembro de 1951; que depois reaparecerem novamente no formato ‘striscia’ nas ‘raccoltine’ em 1953, tendo depois os seis episódios sido remontados na clássica página bonelliana em Agosto de 1954 nos ‘albi d’oro‘ números 53 e 54; normalmente é a capa de um dos dois albi d’oro de referência que é escolhida pela redacção para se tornar a capa do Tex Classic, mas desta vez não foi assim: preferiram ressuscitar uma das ilustrações não usadas em ocasiões anteriores, ou seja, a capa do Albo d’Oro 50.  De seguida podemos ver as duas capas em confronto.

Tex Classic #27 – La banda degli orsi

Albo d’oro Tex #50

Na capa eleita Tex não está presente, mesmo que haja um personagem vestido de amarelo, que está ligeiramente adiantado em relação à versão original da capa e que, para a ocasião, também está despojado de sua arma, baixando significativamente o nível de perigo da história.
Agora uma curiosidade: a capa do quinquagésimo albo d’oro é inspirada na capa da striscia que contém a aventura La vendetta di Gros-Jean que pode ser vista de seguida, enquanto que no vigésimo sétimo Tex Classic a capa é dedicada à reimpressão da striscia Sangue sulla neve, da qual pode-se ver a capa original logo depois.

Collana del Tex nº 15 – La vendetta di Gros-Jean

Collana del Tex nº 23 – Sangue sulla neve

Como podem observar, as duas cenas são muito parecidas: em ambas nos encontramos numa taberna (isso pode intuído pelas inevitáveis ​​escadas que podem ser vistas em todas as capas mostradas anteriormente), no meio de uma luta, e em ambas o protagonista barbudo prepara-se para lançar um elemento típico das tabernas no adversário: um barril no primeiro caso, uma cadeira no segundo. As duas capas lançadas com alguns meses de diferença são quase intercambiáveis: evidentemente naquele  distante ano de 1951 a luta em tabernas atraía leitores. Dada a semelhança da história, a redacção provavelmente optou por usar a capa de um episódio anterior, ao invés de uma das duas candidatas para a ocasião, provavelmente consideradas menos eficazes.
O título do volume, La banda degli orsi, retirado do terceiro episódio contido neste Tex Classic, remete-nos a uma das duas capas descartadas, a do Albo d’Oro 54, que pode ser vista abaixo:

Albo d’oro Tex #54

A posição do protagonista, ainda que espelhada, é sem dúvida inspirada na da capa da 28ª striscia da Série Verde, a sexta do Ranger, de Novembro de 1953.

Collana del Tex nº 28 – Sulla pista di Sterling

O Tex desta ilustração acima tornou-se familiar aos fãs do Águia da Noite, pois usado a partir desta capa foi utilizado, em Junho de 1962, para compor a capa histórica de Piutes!, número 23 da actual série. Na primeira versão, vê-se ainda entre as pernas de Tex um extracto da capa original, depois eliminado nas reedições subsequentes Tutto Tex e Tex Nuova Ristampa. As cabeças dos índios e o totem que completam a ilustração desta reedição foram desenhados por Franco Bignotti.
Como sempre, divirta-se encontrando as mínimas diferenças, neste caso, entre a capa original e as reedições posteriores.

Tex #23 – Piutes!

Tutto Tex #23 – Piutes!

Tex Nuova Ristampa #23 – Piutes!

Uma última curiosidade em termos de capas, ligada a este 27º Tex Classic: o volume abre com a reedição de L’impronta misteriosa, como dito no 22º volume da terceira série de tiras do Tex. A primeira vinheta da história, que pode ser vista a seguir, serviu de referência a Claudio Villa para a criação da sexta capa da Collezione Storica a Colori em 2007.

A vinheta de inspiração a Claudio Villa

Collezione Storica a Colori #6 – Capa de Claudio Villa

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 06/03/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri