SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 30

Por Saverio Ceri [1]

Bem-vindo de volta ao encontro com a redescoberta das capas vintage Tex que servem de referência para as capas da série Tex Classic. Depois de algumas edições “fora das regras” com esta trigésima edição voltamos agora aos trilhos que caracterizaram o primeiro ano da série, ou seja, a escolha da capa recai sempre sobre uma das duas edições da colecção Albo d’Oro reimpressos no livretovolume em questão.
Comecemos pela origem: Os seis álbuns de tiras repropostos neste Tex Classic são os que vão do 7º ao 12º da quarta série de strisce do personagem publicados entre Fevereiro e Março de 1952. Após uma primeira “reimpressão” nas colecções em 1953, os episódios foram reeditados em formato “Bonelliano” no 3º e 4º número da segunda série dos Albi d’Oro em Novembro de 1954.
As vinhetas que inspiram a capa deste Tex Classic estão ambas no número 12 e são exactamente a primeira da striscia 24 e a segunda da 27.

Mostramo-las espelhadas acima, pois foram assim utilizadas para compor a capa do Albo d’Oro n°4, aquele escolhido para capa deste trigésimo volume. Encontramos três personagens na primeira vinheta,  o quarto encontramos na segunda.
Abaixo na sequência mostramos a capa de 2018 comparada com a de 1954.

Tex Classic #30 – Sulle soglie dell’inferno

Albo d’oro Tex #4 – Nuova serie

A edição recente é marcada pelo desaparecimento de um personagem (que, tendo levado um tiro nas costas em 1954, justamente não reapareceu para o remake atual), e pela censura, infelizmente tardia, das rochas fálicas que formam o pano de fundo da cena. Brincadeiras à parte, a ausência mais significativa é a de Tex: hoje na série regular uma capa sem o herói principal não seria concebível, mas então, como também nesta reedição, evidentemente era, e é tolerável. Certamente o logótipo que se destaca na parte superior do Tex Classic não deixa margem para dúvidas sobre quem é o protagonista da colecção.
Porém, como costuma acontecer, a capa que mais satisfação nos dá para esta secção é a rejeitada, ou seja, a do terceiro Albo d’Oro da segunda série. Também neste caso não há Águia da Noite, mas o seu filho Kit ocupa o seu lugar, para quem naqueles anos também se supôs uma brilhante carreira editorial para substituir o pai, na esteira de personagens adolescentes como o Pequeno Xerife ou o Capitão Mike . Na realidade, o protagonista da série permaneceu sendo o Tex, e o Pequeno Falcão conseguiu um papel coadjuvante ao lado de Jack Tigre e de Kit Carson.

Albo d’oro Tex #3 – Nuova serie

Também para lá do Oceano, os rapazes eram protagonistas de histórias em banda desenhada, como no caso de Kid Cowboy, o jovem prodígio do selvagem Oeste que apareceu, do modo que veremos de seguida, na capa do sexto número das suas aventuras, datado do Inverno de 1951 e publicado pela Ziff-Davis Publishing Company. Nota alguma semelhança?

Kid Cowboy #6

À parte um distanciamento ampliado entre o rapaz e o bandido, e as formações rochosas ao fundo, a capa italiana sobrepõe-se perfeitamente à americana.
Mas voltemos a Itália: como demonstração da renovada confiança no Tex, em 1962 quando foi decidido reaproveitar a imagem para torná-la capa do vigésimo quinto número da actual série, Franco Bignotti substituiu o jovem Kit pelo seu mais famoso pai.

Tex #25 – L’agguato

Pode-se notar que o bandido em primeiro plano por ocasião do Tex #25 (acima) não tira nenhuma arma do seu coldre: ele quase parece estar a ajustar o lenço em volta do pescoço.Esta curiosa variante tem raízes francesas. De facto, em Abril de 1956, a capa de Galleppini para o Albo d’Oro número 3 foi usada em França pela editora Lug para a capa do número 56 da colecção Rodeo. Naquele caso, nem Kit nem o seu adversário estavam armados: evidentemente não era educativo manusear armas na capa.

Rodeo #56

Depois, por ocasião da reedição dos anos oitenta, em Tutto Tex, Galep deu-se ao trabalho de redesenhar o mesmo Tex, único elemento que não era seu naquela capa.

Tutto Tex #25 – L’agguato

Na versão de 1998, a de Tex Nuova Ristampa, Tex finalmente reencontra as suas calças azuis oficiais, depois de ter usado por mais de quarenta anos as verdes herdadas de Kit, que as usava na primeira versão da capa.

Tex Nuova Ristampa #25 – L’agguato

Divirtam-se, como sempre, descobrindo as outras grandes e pequenas diferenças das várias encarnações desta capa.

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 11/04/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri

 

DUELOS MÍTICOS

Por Júlio Schneider*

Um momento mítico do Velho Oeste, presente em incontáveis filmes, romances e histórias aos quadradinhos é o duelo. Em setenta anos de vida editorial, a saga de Tex Willer apresentou aos leitores embates de todo tipo, muitas histórias concluíram-se com um confronto do herói com o vilão da vez, mas nem todos esses confrontos têm a aura espetacular do duelo tradicional, um contra o outro, no meio de um saloon ou de uma rua, em que os contendores olham-se, apreensivos, até ao momento em que sacam e o vencedor é o mais rápido, ou o que tem a melhor mira. Ou o que trapaceia.

O primeiro duelo

Tex participou de muitos duelos, e o primeiro que se viu aconteceu na segunda história da série, A Mão Vermelha, no capítulo que recebeu o subtítulo Na Trilha da Morte: o mexicano Alonzo ameaça liquidar Tex porque este ofendeu o seu chefe, o bandido El Diablo, e o nosso herói propõe que a questão seja resolvida no confronto direto. O resultado do desafio envolveu, além de boa mira, a velocidade: antes de atirar, ambos tiveram que correr às extremidades do balcão para recuperar a arma.

El Muerto

No pódio dos duelos memoráveis merece um lugar de honra o que foi disputado com El Muerto, personagem tão bem caracterizada pelo roteirista Guido Nolitta que deixou saudades nos leitores, além de um desejo de que o vilão não tivesse morrido e pudesse regressar noutras histórias. A cena antológica do duelo final entre Tex e El Muerto no cemitério de Pueblo Feliz (nome bem apropriado) é uma homenagem assumida, inclusive nos enquadramentos, ao realizador Sergio Leone e a uma de suas obras-primas, Por Mais Alguns Dólares (no Brasil, Por Uns Dólares a Mais). Assim como no filme, nesta trama o sinal para os desafiantes sacarem a arma é dado por um velho carillon, um relógio de bolso.

Duelo com Ruby Scott

Dentre os duelos resolvidos de forma desleal, o mais famoso aconteceu na rua principal do vilarejo de Silver Bell. O patife Ruby Scott tenta deixar Tex na pior posição num confronto, com o sol nos olhos, mas o ranger é experiente, não se deixa enganar e posiciona-se de modo favorável. Mas o astuto pistoleiro joga mais sujo ainda e, antes que a contagem chegue até três e sem nem mesmo sacar a arma, dispara e tira o adversário de combate. Um duelante leal sequer pensaria na possibilidade de usar um coldre montado com um elo giratório, mas o inescrupuloso Scott não conhecia o significado de palavras como honra e lealdade.

Arizona Kid, o homem do revólver de ouro e o desafio a Tex para um duelo

O primeiro duelo colorido de que Tex participou foi na aventura fora de série chamada justamente de O
Duelo, lançada quando Tex completou 50 anos, em 1998, naquela que foi a primeira história com argumento de um desenhador, Fabio Civitelli. Arizona Kid, o homem do revólver de ouro, desafia Tex a um duelo, mas um jovem inconsciente que brinca com armas não pode jamais levar a melhor sobre alguém que usa os seus revólveres imbuído de um ideal de justiça.

René Valjean, artista do piano e do revólver, e o duelo com Tex

O recorde de duelos numa só edição ocorreu recentemente, numa edição da série Tex Especial Colorido, em que o Ranger é desafiado nas cinco histórias do volume, e participa de dois duelos tradicionais: no primeiro, o artista do piano e do revólver René Valjean recorre até a uísque drogado para tentar levar vantagem contra o nosso herói, e, no segundo, o jovem Rick Short treina durante anos para se vingar de Tex que, para igualar as forças no ato do confronto, mantém a mão direita amarrada às costas. O final deste duelo é surpreendente.

O inusitado duelo do jovem Rick Short com Tex

Sozinho, com todos os pards ou em dupla com Carson, como no duelo no Sunset Corral, contra um ou contra vinte, Tex é um campeão de duelos, e muitos outros combates ainda estão por vir na carreira deste jovem de setenta anos.

* Texto de Júlio Schneider publicado originalmente na Revista nº 8 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2018.

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De Portugal para Itália e Brasil… Revista #17 do Clube Tex Portugal

Publicada em Dezembro a revista CLUBE TEX PORTUGAL #17 (com capas – principal e variante – de Giampiero Casertano) acabou por chegar aos sócios do Clube Tex Portugal espalhados por Portugal e pelo mundo (como se pode visualizar abaixo, vendo-a na posse de muitos dos seus destinatários tanto no Brasil como na Itália) enriquecendo  as colecções de cada um dos sócios e que assim puderam desfrutar de uma leitura prazerosa e bastante cobiçada como se comprova pela entrada de novos sócios que inclusive desejam, ao inscrever-se, possuir os números anteriores.

O Sargento Wellington Verdan aprovou a mais recente revista do Clube Tex Portugal

Ricardo Elesbão no Brasil, com a revista #17 do Clube Tex Portugal

Enrico Valcamonica exibe a revista portuguesa e a magnífica ilustração original da autoria de Giampiero Casertano

O sócio brasileiro José Manoel Alvarez Vilas Porto exibe orgulhosamente a revista publicada em Dezembro

Rafael Machado do Brasil, exibe o seu exemplar da revista #17 do Clube Tex Portugal

Rouxinol do Rinaré com a mais recente publicação do Clube Tex

Jesus Nabor e a visível felicidade por já possuir as duas versões da revista #17 do Clube Tex Portugal

João Marin exibe as duas versões da revista número 17 do Clube Tex Portugal

Francesco Micoli, de Itália, mostra-nos os seus dois exemplares da Revista nº 17 do Clube Tex Portugal

Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui pode inscrever-se escrevendo via e-mail para José Carlos Francisco sendo necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,50 € (3,00 € se não for residente em Portugal).

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As Leituras do Pedro: Ken Parker #15 – ‘Parker e… Julia’

As Leituras do Pedro*

Ken Parker #15
Inclui Ken Parker #29 e #30 (Itália, 1980)

El magnífico pistolero
Giancarlo Berardi e Alfredo Castelli (argumento)

Giovanni Cianti (desenho)

Hogar, dulce hogar
Giancarlo Berardi (argumento)

Ivo Milazzo (desenho)

ECC Comics
Espanha, Outubro de 2018
140 x 210 mm, 200 p., pb, capa fina com badanas
ISBN: 978-84-17549-47-3
9,90 €

Não tendo nada em comum para lá do argumentista – e que argumentista! – este díptico fez-me lembrar as histórias de Júlia, não pelas tramas em si ,mas pela forma como elas estão construídas – e pela forte carga humana de ambas.

Na primeira narrativa, El magnífico pistolero, um encontro casual revela uma verdade escondida e um encontro com uma lenda do Oeste – enquanto evoca a inevitável decadência humana e que até os mitos têm o seu fim.

No segundo, Hogar, dulce hogar, os encontros são mais banais. A história parece correr lentamente, com várias linhas a convergir para um mesmo ponto, mas sem que durante boa parte do relato nos apercebamos muito bem do que se passa e de qual a finalidade do que decorre perante os nossos olhos. Na verdade, parece que tudo gira em torno do encontro entre Ken Parker e um velho amigo de infância e, mais tarde, do reencontro de ambos com a mulher que amaram. As diferentes formas de ser, a inconstância de uns, a disponibilidade de outros, vai transformar uma história que podia ser simples e romântica, numa tragédia em vários capítulos que terminará de forma brutal.

Relembro que é aqui que se encerra o longo ciclo do regresso de Ken à casa onde nasceu e ao reencontro com os pais, reencontro breve com pouco dito e muito por dizer, mas que o destino, o acaso ou, no caso, o exército, decidiram abreviar, reenviando o protagonista a calcorrear outras paragens.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

(capa disponibilizada pela ECC Comics; clicar nela para a aproveitar em toda a sua extensão)