A prova gráfica do próximo Tex Willer Speciale (#6 – “Minstrel Show”)

Argumento e roteiro de Mauro Boselli, desenhos de Marco Ghion e capa de Maurizio Dotti.
Formato: 16×21 cm, preto e branco, 128 páginas, com lançamento a 18 de Julho.

Entre os falsos comediantes e músicos com a cara pintada de preto da companhia dos Minstrels, há um que não precisa de usar maquilhagem: é Joey Nelson, amigo de infância de Tex. Quando, após a Guerra Civil, os guerrilheiros sulistas de Arch Clement e Jesse James atacam a cidade de Lexington, no Missouri, para perturbar o dia das eleições, Tex, Carson e Dan intervêm para defendê-la… De que lado os artistas do Minstrel Show ficarão?

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Tex, “La cavalcata del destino”, a história (inédita) celebrativa dos 75 anos de vida editorial de Tex sairá contemporaneamente, em Setembro, a cores e a preto e branco

Comemora-se neste ano de 2023 os setenta e cinco anos de vida editorial de Tex Willer, personagem criada na Itália, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini e que teve a sua primeira aparição a 30 de Setembro de 1948, nas páginas da revista “Collana del Tex” e, de então até hoje, as suas aventuras sucederam-se, cheias de acção e movimento, num cenário sempre excitante, desfrutando assim vastos consensos no público e acabando por se tornar um sucesso no panorama da literatura popular aventureira, porque Tex foi uma ideia que no decurso do tempo tornou-se um mito, assim como mitos se tornaram também os seus autores.

Logo após a sua primeira aparição, na pele de fora-da-lei por ter sido vítima de uma atroz injustiça, evidencia-se de imediato em Tex uma concepção muito particular do bem e do mal: é um homem verdadeiro e leal que não suporta a opressão e a injustiça e que não rompe nunca pactos ou compromissos e que por isso conseguirá, em seguida, recuperar aquela dignidade que parecia estar perdida para sempre, tornando-se um Ranger do Texas e levando a cabo as mais impensadas e desesperadas missões, no decurso das quais trava amizade com Kit Carson, uma personagem completamente diferente da imagem real que todos conhecemos, que se tornará o quase inseparável companheiro de aventuras de Tex.

‘La cavalcata del destino’, capa provisória

Desde os longínquos anos do início da sua longa saga até hoje, Tex e os seus parceiros nunca deixaram de demonstrar indiferença a todas as raças e cores perante a justiça: o honesto é defendido seja ele branco ou índio, mexicano ou negro, assim como o desonesto é combatido, qualquer que seja a classe social de onde provenha. E uma ulterior confirmação a tal anti-racismo encontra-se na vida familiar e privada de Tex, que casa com uma mulher que não pertence à sua raça, a bela Lilyth, filha do chefe dos Navajos, Flecha Vermelha, a qual lhe deu o filho Kit, que Tex cria com amor espartano e inicia na arte das armas. Adquire, entretanto, um nome índio, Águia da Noite, e aquando da morte do chefe Navajo sucede-lhe na pesada responsabilidade de guiar toda a nação Navajo.

A partir desse momento, a vida do protagonista mudará notavelmente: ele deverá não só manter a ordem entre os seus índios, mas também e sobretudo defendê-los das prepotências dos ávidos homens brancos.

Tex detém um invejável primado: esteve sempre presente no mercado italiano, durante 75 anos, e entre as inúmeras séries de banda desenhada existentes no presente, impõe-se à atenção de todos, seja pela longa duração, seja pela sua difusão. De facto, com o passar do tempo, enquanto as outras séries desapareciam, Tex superou cada crise, ultrapassou todas as críticas que lhe foram movidas, soube aumentar o número de leitores até criar um vasto público que quase identifica nesta série um género exclusivo, aquele do “fumetto” western autenticamente italiano.

Página inédita de Claudio Villa

Os leitores de Tex encontram-se em cada extracto da população e, pode bem dizer-se, em cada classe social. Trata-se de um tipo de leitura evasiva, mas mais do que digna no que diz respeito ao perfil estilístico: os textos são simples, mas eficazes e correctos. Mas abarcar nestas linhas o como e o porquê da validade desta extraordinária personagem é tarefa demasiado árdua. Digamos só que Tex Willer abriu brechas nos corações de milhões de leitores, na Itália e em muitos outros países, inclusive no nosso Portugal, qual profissional sério, diligente e pontual, numa longa série de proezas que têm sempre precisas referências históricas e geográficas.

Hoje, depois de setenta e cinco anos, Tex é não somente a personagem italiana de banda desenhada de maior longevidade e popularidade, mas também uma figura carismática da BD europeia, uma verdadeira e própria epopeia, uma espécie de universo auto-suficiente, tendo-se entretanto tornado até um significativo “alter-ego” para alguns dos seus fãs. É um raro exemplo de produção do imaginário que ainda condensa frescura e fascínio, não obstante os seus setenta e cinco anos de existência.

Para comemorar esta efeméride, a Sergio Bonelli Editore, irá lançar em Itália, quase contemporaneamente, em Setembro, a cores e a preto e branco, a história (obviamente inédita) celebrativa das sete décadas e meia de vida de Tex. Uma história intitulada “La cavalcata del destino“, com argumento de Graziano Frediani, guião de Mauro Boselli e desenhos de Claudio Villa, história essa que será lançada primeiro, a cores, na série mensal, mais precisamente no Tex #755, com o preço de 4,90 € e dias depois numa luxuosa versão cartonada (22×30 cm) a preto e branco com o preço de 21,00€.  

Página inédita de Claudio Villa

Trata-se de uma aventura que vê Tex repercorrer o caminho das memórias até retornar aos trágicos dias que se seguiram à morte de sua amada Lilyth, numa história que está directamente ligada à clássica história “Juramento de vingança“, escrita na época pela dupla Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 34

Por Saverio Ceri [1]

Trigésimo quarto Tex Classic, é o trigésimo quarto post da nossa rubrica dedicada ás origens (pouco) secretas das capas desta colecção.
Como na edição anterior, a capa reutilizada desta vez é quase “inédita”: só apareceu nas bancas italianas em Março de 1955 por um par de semanas. Encontramo-la hoje, após 63 anos, com formas ligeiramente modificadas: foi cortada em cima e em baixo e ampliada à direita e à esquerda, devido às conhecidas necessidades do layout gráfico desta recente série quadricromática dedicada ao ranger bonelliano.
Abaixo, em ordem de aparição, a versão de 2018 e aquela de 1955.

Tex Classic #34 – Terre maledette

Albo d’Oro Tex #12 – Segunda Série

A cena de Tex em que se apresenta no campo indígena com a espingarda bem visível acima da cabeça apoiada nas duas mãos para testemunhar que não tem intenções bélicas, encontramos na décima segunda edição da quinta série das strisce do personagem, a primeira que contém a história Le terre maledette que se desenvolverá e concluirá no próximo Tex Classic.

A tira da inspiração da capa de Galep

Claudio Villa também deve ter gostado da cena quando a escolheu, em Outubro de 1993, como segunda capa de Tex Edição Histórica, reedição brasileira das primeiras aventuras do personagem.

Tex Edição Histórica #2

O elemento gráfico recorrente da história é o totem colorido que aparece à vista tanto na versão de Galep quanto na versão de Claudio Villa.
Na Itália, puderam admirar a imagem apenas em Agosto de 1996, por ocasião da sua publicação como mini-póster no final do sétimo volume  de Tex Nuova Ristampa. Na ocasião, a ilustração de Claudio Villa foi invertida e recolorida em relação à versão brasileira.

Mini-póster de Tex Nuova Ristampa #7

Voltando ao Tex Classic: a capa escolhida vem, como sempre (ou quase sempre), de um dos dois Tex Albo d’Oro, reimpressos neste Classic: neste caso as imagens elegíveis foram as do número 11 ou 12 da segunda série, que por sua vez, reedita os episódios 7 a 12 da quinta série de strisce de Tex.
A capa rejeitada, a do número 11, na verdade teve mais sorte no passado por ser uma das que inspiraram a redacção da Bonelli para a actual série regular  e, portanto, reimpressa várias vezes ao longo dos anos.

A vinheta chave é a que apareceu no número 9 da quinta série. Tex entra furtivamente na habitação do inimigo de turno.

A vinheta da inspiração

A acção furtiva de Tex torna-se uma capa por ocasião da reimpressão da série Albo d’Oro, com direito a um adversário armado à espera. Na aventura não é exactamente assim, mas, como sabemos, uma capa deve atrair o leitor e, portanto, conter um ou mais elementos de perigo para o herói.

Albo d’Oro Tex #11 – Segunda Série

A imagem da capa da publicação quinzenal foi parcialmente utilizada para o 32o álbum, La Morte aspetta nel buio, substituindo o distinto adversário em primeiro plano pelo desenho de uma espingarda, para representar o perigo que aguarda Tex na escuridão.

Tex #32 – La morte aspetta nel buio

Na versão seguinte, a de Tutto Tex, o protagonista curiosamente encontra a sua luva esquerda, perdida na passagem entre o Albo d’Oro e o Tex Gigante (enquanto a direita nunca a usou), e muda a cor do chapéu e do lenço. A espingarda é um pouco enriquecida de pormenores, suponhamos pelo próprio Galep, que assim passou a personalizar o único elemento não seu da capa.

Tutto Tex #32 – La morte aspetta nel buio

Por fim, na última versão conhecida da capa, a de Tex Nuova Ristampa, a espingarda retorna estilizada e em primeiro plano em relação à janela que é ainda mais variada em tamanho e movida em relação às duas encarnações anteriores da capa.

Tex Nuova Ristampa #32 – La morte aspetta nel buio

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 07/06/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri