
A fascinante Marie Gold em acção, agora na série Tex Willer, numa história de Mauro Boselli que está a ser desenhada por Roberto De Angelis
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Jornal Libertà, de Placência, Itália
15 de Agosto de 2024
* Artigo de Elisa Malacalza com um contributo de Giangiacomo Schiavi
Campo Frati, a poucos quilómetros de Mezzano Scotti di Bobbio. A estrada leva até ao curral e depois termina. No entanto, existe uma mesa de madeira com pés robustos, com vista para o vale e para o rio. Aurelio Galleppini, que começou a desenhar Tex Willer em 1948, ficava ali sentado a desenhar por horas e horas. Fazia-o por toda a aldeia, que corria ao seu encontro e olhava para ele como se, no fundo, também ele pudesse ser invulnerável às balas.
Trinta anos se passaram desde a sua morte, em 1994. Poucas semanas antes, ele havia assinado a sua última capa, a número 400: Tex Willer despede-se. Ao fundo o sol amarelo de dezenas de milhares de páginas, das edições estrangeiras que rodaram o mundo, das tiras de velhas aventuras. Alguém viu a luz que Campo Frati criava.
Em Mezzano uma rua recorda-o, a poucos metros do cemitério onde permanece a lápide com a sua assinatura, Galep, mesmo que o túmulo esteja vazio porque o corpo foi transferido para Chiavari. Porém, ficam as lembranças de muitos, em Campo Frati: “Assim que o tio Galep chegava era uma festa, era a festa”, dizem Sergio e Lucia Quattrini, os sobrinhos. Quattrini, assim como a esposa de Aurelio, a senhora Ines de Campo Frati (Agnese no cartório), conhecida em Rapallo onde ela, jovem e bela, era parteira.
Para alguns, Galep é um monumento: “Tex, para mim, é um monumento nacional da banda desenhada”, explica o jornalista e historiador Ermanno Mariani, um dos coleccionadores de Placência. Em casa ele tem mais de 750 números. “Pergunta-me porque leio Tex Willer? Porque qualquer um gostaria de ter um amigo como Tex Willer”.
Na Via Roma, porém, todos os dias pode-se encontrar um outro autor importante, Giovanni Freghieri, do staff de Dylan Dog: “Lembro-me muito bem do meu primeiro Tex. Custava 200 liras e por isso comprei-o escondido da minha mãe, que me teria dito para poupar dinheiro, e que custava demasiado para nós. Mas eu queria-o muito. Então coloquei-o debaixo do casaco para que ela não visse e acelerei o passo da banca de jornal da Via Alberoni até casa. Galep sabia tratar um justiceiro como Tex com poesia”.
* Copyright: © 2024 Elisa Malacalza e Giangiacomo Schiavi & Editoriale Libertà, Placência, Itália
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Quando comecei a ler e colecionar a série Dampyr, entre muitos e bons desenhadores dois nomes sobressaiam nas minhas preferências. Falo de Maurizio Dotti e de Alessandro Bocci, cujo estilo e puro talento, pelo menos numa fase inicial criaram-me alguma dificuldade em distinguir quem era quem entre os dois. O tempo veio dar-me razão nesta minha preferência, pois quer Dotti, primeiro, quer Bocci, mais tarde, acabaram por prestar provas em Tex e cimentarem-se na série de maior popularidade no panorama do fumetto, algo a que muitos talentosos autores aspiram e tarde ou nunca conseguem. Mas não é apenas este percurso comum em Dampyr e Tex que acompanha a carreira destes dois talentosos desenhadores, também o Clube Tex Portugal tem a honra e o orgulho de poder ter tido a oportunidade de se “imiscuir” neste trajeto. Primeiro, pelo facto de ambos já terem estado em Portugal, nomeadamente em diferentes edições da Mostra de Anadia, Maurizio Dotti em 2016 e Alessandro Bocci em 2018, assim como, depois de Dotti ter desenhado as magníficas capas do nº 5 desta nossa revista, surge agora a oportunidade para Bocci, de igual modo, nos presentear com outros magníficos trabalhos.
Alessandro Bocci nasceu em Siena em 1965 e desde muito cedo cultivou uma grande paixão pelos quadradinhos, primeiro com o fascinante mundo da Disney, sobretudo Mickey, e posteriormente com Astérix, o pequeno herói gaulês de Goscinny e Uderzo: “eu gostava muito das histórias que viam esses poucos gauleses oporem-se à grande potência de Roma de forma humorística, mas o fundamental eram os desenhos, belíssimos ainda hoje”.[i] Tal como aconteceu, por exemplo, com Fabio Civitelli, outro grande nome do fumetto e de Tex, Bocci não teve nenhuma formação artística e, apesar do seu desejo em estudar no Instituto de Arte de Siena, acabou por se tornar agrimensor. Estávamos no início dos anos oitenta do século passado, época em que este Instituto não gozava de boa reputação, o que, a juntar ao facto de não poder contar com o apoio dos pais, levou-o a optar por uma atividade pouco motivadora e que não o preenchia, algo de que ainda hoje se arrepende. Curiosamente, Bocci também foi designer de interiores de lojas, tendo trabalhado na montagem e instalação das lojas Stefanel, inclusive em Portugal.
No entanto, a recusa expressa dos pais nunca foi contra o desenho, mas sim com a entrada do filho no Instituto, pois sabiam da sua paixão, o que motivou Bocci a nunca abandonar os lápis, as canetas e os pincéis, ocupando os seus tempos livres a desenhar. Quando soube que a Star Comics procurava jovens desenhadores para um novo projeto de super-herói, Bocci foi apresentar o seu trabalho à editora. Os seus desenhos, ao estilo americano, convenceram pouco o editor responsável Sergio Cavallerin que, mesmo assim, sugeriu que Bocci voltasse mais tarde, mas desta vez com material mais adaptado ao estilo italiano, dado que se aproximava o Festival de Lucca, durante o qual a editora iria apresentar oficialmente uma nova personagem. Bocci acabou por viajar até ao certame, mas cansado e desiludido por não ter conseguido encontrar Sergio Cavallerin e mostrar os seus novos desenhos, acabou por sentar-se num sofá. “Ao meu lado sentaram-se casualmente dois jovens que eu não conhecia e que começaram a falar, com termos muito técnicos, de quadradinhos e roteiros. Deixei-me ali estar a escutar, até que lhes perguntei se podiam ver os meus desenhos. Eles olharam e apreciaram muito. Esses dois jovens eram Ade Capone (criador de Lazarus Ledd) e Stefano Vietti (futuro roteirista de Nathan Never)”.[ii] Bocci acabará por entrar para a Star Comics, iniciando assim a sua aventura no mundo mágico da banda desenhada, transformando o que era um hobby numa atividade profissional motivante, que vai pedir ao desenhador o maior sacrifício e empenho.
Depois de um início duro, devido aos muitos testes que Capone pediu a Bocci, o desenhador vai estrear-se finalmente em 1994, no número 16 de Lazarus Ledd, um trabalho que vai conquistar crítica, leitores e os próprios responsáveis da Star Comics, que acabarão por entregar as capas da série ao jovem desenhador, logo a partir do número 18. O habitual capista, Giancarlo Olivares, passou para outro título e deixou o trabalho para Stefano Raffaele que, por seu lado, acabou por abandonar a editora e rumar aos Estados Unidos. Bocci desenhará cerca de 100 capas entre a série regular e os especiais, o que se tornou num envolvimento fascinante, mas ao mesmo tempo um trabalho que exigiu sempre muita concentração: “desenhar uma capa é muito gratificante, mas também muito difícil. Encontrar uma nova imagem todos os meses é algo complicado, mas dá-te também a oportunidade de estares constantemente presente nas bancas com o teu trabalho. Naturalmente, eu segui muitos autores, observei como faziam o seu trabalho e passo a passo fui construindo o meu estilo. Este é um dos segredos desta tarefa… nunca deixar de ser curioso, observar o trabalho dos colegas e aprender com eles algo que te possa ajudar a melhorar… não copiar, mas observar e aprender![iii]”. O trabalho de capista acabará por valer a Bocci o Prémio Inca da melhor capa de 2001 com Il Cavaliere di San Giorgio. Mas este não será o primeiro dos vários prémios, entretanto obtidos por Bocci, porque já em 1997 o autor tinha sido galardoado com o Prémio Fumo di China para o melhor desenhador jovem.
Nesse mesmo ano de 1997, Bocci realiza um episódio de Conan para a Marvel Itália: “Conan é uma das personagens mais famosas da Banda Desenhada e eu, como leitor, sempre achei as suas aventuras excecionais, especialmente porque os desenhos eram fabulosos. Por isso, poder desenhar uma aventura era algo incrível, até porque também me permitiu conhecer pessoalmente John Buscema que para mim foi e será sempre um verdadeiro mito. Passei um dia inteiro com ele e conversámos muito sobre desenho, sobre o seu trabalho e também sobre o meu, visto que eu tinha comigo as primeiras páginas do meu Conan. Ao ver o meu trabalho, ele deu-me conselhos valiosos e revelou-me alguns truques e segredos da nossa função. Foi um dos melhores dias da minha vida profissional”[iv].
Chega então um telefonema de Mauro Boselli a convidar Bocci para trabalhar em Dampyr, para a Sergio Bonelli Editore. Apesar de ter despontado na Star Comics e ciente do papel que Ade Capone representou neste período da sua carreira, nomeadamente na confiança transmitida, que lhe permitiu crescer quer a nível gráfico/narrativo, quer na personalidade e segurança nos próprios meios[v], a verdade é que a editora já não oferecia ao desenhador certas garantias. Além disso, o convite de Boselli permitia-lhe continuar a trabalhar na banda desenhada e fazer o que mais gostava, o que o leva a mudar-se para a Via Buonarroti. Curiosamente, esta mudança poderia ter acontecido mais cedo na carreira de Bocci, dado que já tinha surgido a oportunidade de trabalhar em Nathan Never, o que acabou por não se concretizar devido à quantidade elevada de desenhadores na série de Serra, Vigna e Medda.
Bocci estreia-se em Dampyr em 2003, com a aventura Il Mare della Morte, com a qual obtém o prémio Cartoomics-If como jovem promessa. E é em Dampyr que o desenhador vai acentuar o seu traço realista, o que torna as suas páginas de uma beleza quase fotográfica, característica que não é alheia ao facto de os cenários onde se desenrola a ação serem reais: “… para desenhar assim é necessário procurar muitas fotos, entrar num mecanismo de trabalho que conduz a uma documentação bastante apurada. Para isso, como documentação eu uso muitos filmes, livros fotográficos ligados ao tema e sobretudo – ainda bem – a internet, com todos os motores de busca fotográfica disponíveis. Para cada história eu arquivo uma quantidade enorme de imagens…”.[vi] Prova disso, encontra-se, por exemplo, na história de Dampyr ambientada em Portugal (Lo sposso della vampira), na qual o desenhador revela um grande rigor nos cenários e nos trajes das gentes de Trás-os-Montes, tudo extraído de fontes na internet, com exceção do castelo de Monforte da Estrela, que Bocci vai desenhar misturando a realidade com uma visão pessoal. Dampyr foi para Bocci “… uma série divertidíssima de desenhar e que, ainda hoje, considero como dos melhores produtos da Sergio Bonelli Editore”.[vii] E é ainda com o seu trabalho nesta série que o desenhador vai conquistar outro prémio Fumo di China, desta vez em 2005, como melhor desenhador realista, com a aventura I Danatti di Praga.
Em 2004, o autor vai desenhar a Contrada dell’Istrice (um bairro de Siena), a história da última vitória deste bairro no célebre Palio de Siena, uma corrida de cavalos que se desenrola no centro de Siena, e na qual participam 17 bairros, que desfilam com trajes tradicionais e bandeiras. Bocci aceitou fazer o trabalho na condição que lhe fosse fornecida toda esta documentação iconográfica, acabando por ser uma experiência que o autor guarda com carinho.
Entretanto, a sua carreira vai sofrer uma nova mudança, uma vez que, depois dos ambientes góticos, surreais e de horror de Dampyr, Bocci vai colocar toda a sua arte ao serviço de Tex, o western italiano por excelência e o maior símbolo do fumetto, novamente convidado por Mauro Boselli. Desenhar Tex sempre foi um dos objetivos de Bocci, mas a verdade é que o convite tardava em chegar. Numa entrevista concedida ao blogue Tex Willer em 2009, foi o próprio desenhador que fez eco deste seu desejo, sugerindo à editora que lhe propusesse uma série de testes, sabendo de antemão que desenhar Tex não era uma tarefa fácil e que um dos segredos do seu sucesso está na elevada qualidade gráfica dos seus autores. Aldo Capitanio e Giovanni Ticci são desenhadores que impressionaram Bocci, mas é em Civitelli que o autor vai colher influência: “Sempre gostei e gosto do Tex desenhado por Civitelli, porque foi em suas páginas que estudei para me tornar desenhador de quadradinhos.”[viii]
A estreia no ranger ocorre no Tex Magazine 2016, com a breve história Maria Pilar, que relata um episódio da juventude de Kit Carson, quando o ranger vai em auxílio de uma caravana de hispânicos guiada por uma jovem corajosa mulher. “Na verdade, a minha estreia em Tex deveria ter acontecido com uma história para um Color Tex, mas quando estava na redação para falar sobre este trabalho, de repente, Mauro Boselli propôs-me que fizesse a história com Carson e eu, obviamente, aceitei imediatamente. Como nasceu a ideia na cabeça de Boselli eu realmente não sei, mas fiquei muito feliz e orgulhoso em a ter realizado”.[ix] Bocci adapta o seu traço rico e detalhado ao género, oferecendo ao leitor pranchas de enorme impacto e eficácia. A composição de Carson constituiu um enorme desafio para o autor, que vai tomar como referência o pard desenhado por Carlo Marcello em Il Passato di Carson. Bocci vai tentar construir uma personagem fiel ao seu modo de desenhar as anatomias, e por isso o seu Carson surge ainda mais jovem, resultando daqui uma magnífica reconstituição nos gestos, nas expressões e sobretudo na postura física e psicológica que o leitor tanto aprecia na personagem do “velho camelo”. A já referida história que deveria ter marcado a estreia de Bocci em Tex surge no mesmo ano, no Color Tex 10, Il Mescalero senza volto, uma aventura de 32 páginas a cores escrita por Jacopo Rauch e que conta a história de um cavaleiro mascarado que aterroriza o sudoeste dos Estados Unidos.
Para um desenhador que ama o realismo e o detalhe, o western surge como o terreno ideal para Bocci patentear toda a arte. Naturalmente, existe o Western e existe o Western de Tex, o que obriga a estudar uma conotação gráfica e cénica muito precisa. Mas para Bocci, perceber uma personagem e o seu mundo é um dos melhores aspetos desta atividade e todo este esforço acabará por levar o desenhador a abandonar Dampyr e a dedicar-se em exclusivo a Tex, chegando à série mensal em 2009, com La Regina dei Vampiri (Tex italiano 701 e 702), aventura escrita por Gianfranco Manfredi: “depois de 21 anos de atividade… isto significou um ponto de viragem na minha carreira. Cimentar-se com um ícone do fumetto não é para todos e eu espero ter feito um trabalho à altura, até para poder retribuir a confiança que me foi dada pela editora”.[x] A história vai levar dois anos de trabalho a concluir e parece ter sido escrita à medida do desenhador, com ambientes estranhos e fantásticos, o irracional e a magia, trazendo de volta a personagem de El Morisco, numa aventura que se desenrola no México e que vem provar que Bocci está tão à vontade nas atmosferas mais sombrias, como nas cenas de pura ação.
Desde o início da carreira, Bocci guarda o desejo de publicar uma história por si idealizada. Inicialmente destinada ao mercado francófono[xi], em 4 ou 5 álbuns de cerca de 60 páginas cada, a verdade é que devido à evolução ocorrida em Itália nos últimos anos, sobretudo com a chegada da coleção Le Storie, que publica histórias auto-conclusivas e sem esquemas pré-concebidos, e a aposta cada vez mais saliente da Sergio Bonelli Editore no mercado livreiro, a oportunidade poderá surgir da própria editora, propondo a Bocci a sua publicação. Um dos géneros apreciados por Bocci são mesmo as novelas gráficas, em Itália também conhecidas por Romanzo a Fumetti, tendo também já recebido uma proposta de um seu amigo para uma história com um tema interessante e atual.
Ideias e projetos alimentam constantemente Alessandro Bocci, um “solitário” do desenho, não só pelo seu caráter autodidata, mas também pelo facto de não conseguir separar-se da relação individual que mantém com o seu trabalho: “fazer carreira como desenhador é a ambição de muitos jovens quando começam a trabalhar profissionalmente. Eu estou muito contente com o que já fiz, mas quero novos desafios, novas aventuras, porque neste trabalho nunca deixamos de aprender e sobretudo o melhor e o mais importante trabalho é sempre o próximo… eu tenho alguns projetos em mente, mas para já não tenho tempo para lhes dar continuidade, já que Tex consome todo o meu tempo e eu estou muito contente com isso.”.[xii]
[i] Entrevista ao Blogue Tex Willer de Portugal, conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli, João Miguel Lameiras, Júlio Schneider e Gianni Petino – dezembro 2009.
[ii] Idem.
[iii] Pequena entrevista concedida pelo autor na preparação deste artigo.
[iv] Idem.
[v] Entrevista ao Blogue Tex Willer de Portugal, conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli, João Miguel Lameiras, Júlio Schneider e Gianni Petino – dezembro 2009.
[vi] Idem.
[vii] Entrevista ao site UbcFumetti.
[viii] Entrevista ao Blogue Tex Willer de Portugal, conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli, João Miguel Lameiras, Júlio Schneider e Gianni Petino – dezembro 2009.
[ix] Entrevista ao site UbcFumetti.
[x] Entrevista concedida ao site da SBE.
[xi] Mercado para o qual Bocci trabalhou, tendo assinado Fontainebleau e um volume de Prométhea, ambos com Christophe Bec para a editora Soleil e Bunker Fondation, também com Bec, para a editora Dupuis.
[xii] Pequena entrevista concedida pelo autor na preparação deste artigo.
* Texto de Mário João Marques publicado originalmente na Revista nº 12 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2020.
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Disponível nas bancas italianas desde o dia 6 de Julho, “La collera di Falco Giallo” traz o regresso de Giovanni Ticci às páginas da série mensal de Tex para o início de uma aventura completa quase seis anos depois da sua última presença. A 7 de Agosto foi lançada “Fuga verso il Canada“, segunda e última parte da história escrita por Claudio Nizzi. Não poderíamos perder a ocasião para realizar uma entrevista com o grande desenhador de Siena ouvi-lo falar deste seu mais recente trabalho!
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► Caro Giovanni, é um prazer receber notícias suas! E será um prazer para os nossos leitores encontrá-lo nas páginas do Tex!
O prazer certamente é meu! A aventureira história que Claudio Nizzi escreveu para mim desenrola-se em duas edições… 220 páginas não são uma brincadeira para desenhar e dou-me conta que já passou algum tempo desde o meu último trabalho, o Tex 695, mas tive alguns problemas de saúde… Mas Águia da Noite, como os Navajos o chamam, também me ajudou nisso: fez-me companhia durante o tratamento e incentivou-me a voltar mais rapidamente para a sela! Agora recuperei um certo ritmo e acredito que para mim pintar e desenhar são terapêuticos, como ir pescar é para algumas pessoas: relaxas, entras num outro mundo ti rilassi, entri in un altro mondo e e essa fuga ajuda a superar as dificuldades!
► Aproveito a ocasião para agradecer publicamente a história breve que realizámos juntos no ano passado, por ocasião das comemorações do septuagésimo quinto aniversário do nosso Ranger. O engraçado, eu acho, foi que além de Tex e Kit Willer, a história tinha como protagonistas John, o pintor do Oeste de título, e sua esposa Monica…
Sim!… Éramos eu e minha esposa, lado a lado como na vida real! Casámos em 1971 e desde então, Monica tem estado ao meu lado tanto na minha vida privada quanto profissional, pois talvez nem todos saibam que a minha esposa ainda hoje é a minha letrista (legendadora) e foi por várias décadas também do meu colega Fabio Civitelli.
O letrista é quem desenha os balões e depois escreve dentro deles seguindo os textos do escritor. Uma tarefa que considero verdadeiramente importante e que, se feita em sinergia com o autor dos desenhos, aumenta a qualidade, o dinamismo, a legibilidade e o desempenho gráfico da banda desenhada. Lembro-me com prazer da primeira história com os meus desenhos e as suas letras, aquela que todos chamámos de “Terra Promessa“, uma obra-prima narrativa de Gianluigi Bonelli que narrou o empreendimento épico de uma caravana de pioneiros Quaker em direcção ao Oeste liderada por Tex, Carson, Tigre e Kit e ameaçada pelos Cheyennes de Kento!
► Kento não perdoa! Quem pode esquecer esse marco! Em vez disso, encerrarei a nossa conversa perguntando no que você está a trabalhar agora…
Já estou a trabalhar nas personagens e na ambientação com alguns esboços preparatórios, vamos chamá-los de “estudos”, como aqueles que mostrámos na nossa breve história que você mencionou antes, publicada noTex Magazine dos 75 anos, para uma aventura escrita para mim por Mauro Boselli.
Conversámos por telefone e ele perguntou-me onde eu preferiria que fizéssesmo cavalgar o nosso Tex para uma nova história e, das primeiras páginas do roteiro que tenho em mãos, parece-me que o Mauro satisfez-me… Há também seis misteriosas personagens que percorrem uma pista desértica numa diligência… O Mauro disse-me que em breve descrever-me-á melhor, porque elas terão um papel importante: não vejo a hora!
Saudações a todos os amigos texianos!
[1] (Artigo publicado originalmente no Sítio Internet Sergio Bonelli Editore, em 10 de Agosto de 2024) – Copyright: © 2024 Sergio Bonelli Editore & Giorgio Giusfredi.
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