Póster Tex Nuova Ristampa 14

Póster Tex Nuova Ristampa 14

Neste desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer com o seu fiel cavalo Dinamite a seu lado, surpreso defronte de uma enorme cruz de madeira, colocada pelos encapuzados Danitas junto ao abandonado povoado de Arrow Springs, onde se encontra pendurado pelos braços na cruz trágica, o cidadão Ted Sinner, já morto, devido a chicotadas recebidas.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #16 e inspirado na história, “La croce tragica” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #22 e #23).
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Texto de José Carlos Francisco

Jesús Blasco: O Mestre dos Mestres

Jesús BlascoÉ difícil determinar qual pode ser a imagem que o leitor médio de banda desenhada em Espanha, pode ter neste momento de um autor como Jesús Blasco. Se esta mesma pergunta fosse colocada há alguns anos, não havia dúvida alguma da resposta:  Blasco era reconhecido  como o Mestre dos Mestres. Duvidamos muito que esta seja a interpretação actual, sobretudo pela falta de memória histórica que sempre caracterizaram os nuestros hermanos.Jesús Blasco Monterde nasce em Barcelona em 1919 e falece nessa mesma cidade em 1995. Irmão mais velho dos também desenhadores Adriano, Alejandro e Pilar, Jesús começa a sua carreira no mundo da banda desenhada com apenas 15 anos na revista Mickey e já em 1935 cria Cuto, o seu personagem mais emblemático e todo um mito da banda desenhada espanhola dos anos pós-guerra. Pese o facto de ter sido criado em outra publicação, Cuto foi popularizado na revista Chicos, da qual se converteu em um autêntico estandarte. A série que beneficiava do elegante estilo do desenho do seu autor, foi um passo adiante na exploração dos quadradinhos de aventuras. Blasco consegue com o seu trabalho em séries de colecções como Tragedia en Oriente ou En los dominios de los Sioux construir uma série de narrativas que, por serem de uma temática de aventuras, não estavam destinadas somente a um público infantil ou juvenil.

Durante as décadas de 60 e 70 Blasco centra uma boa parte da sua produção nos mercados estrangeiros; assim a partir de 1964, para o mercado britânico realizará, com argumento de Tom Tully, a série Zarpa de Acero que se converte em outro dos seus trabalhos mais conhecidos. Uns anos mais tarde Jesús cria Los Guerrilleros, série com ambiente de western escrita em colaboração com Miguel Cusso, e com a qual se encerra, o que poderíamos chamar o triunvirato dos seus trabalhos mais célebres. Sem embargo, a sua imensa capacidade de trabalho, unida ao facto que muitas das suas obras foram realizadas em colaboração com os seus irmãos, fazer uma mera enumeração dos seus trabalhos seria uma tarefa árdua. Não é de estranhar que se possa encontrar a sua assinatura desde uma versão em banda desenhada da Bíblia realizada para o mercado francês, até ao número um do semanário britânico 2000AD – ilustrando a série Invasión – passando pelas diferentes revistas da Warren norte-americana; ou que em França o nomeassem Caballero de las Artes y de las Letras.

Tex em vinhetas de Jesús BlascoA sua participação no relançamento de Capitán Trueno levado a cabo a partir de 1986 e o seu labor na série Tex, confirmam as duas grandes vertentes em que se dividiu o trabalho de Jesús Blasco nos seus últimos anos de carreira. Uma carreira em que demonstrou sempre ser um desenhador elegante, com um traço preciso com o pincel; um ilustrador aparentemente clássico, mas com uma narrativa e uma montagem eminentemente modernas que serviram de referência para os autores que se lhe seguiram em Tex. Inclusive um desenhador com uma trajectória tão extensa, como é o caso de José Ortiz mencionava no início do seu trabalho em Tex que um dos motivos porque havia aceite o convite era poder trabalhar na mesma personagem em que havia trabalhado o seu Mestre Jesús Blasco.

O episódio 307 de Tex, editado na Itália em Maio de 1986 traz a estreia de Blasco na série, tornando-se desse modo no primeiro de uma série de excelentes artificies que incrementaram a fila de desenhadores de Tex. A sua primeira história, Delitto al Morning Star, tal como as restantes, excepto a última, foi escrita por Claudio Nizzi e trata-se de uma história de intriga: um detective da Pinkerton, que está a trabalhar incógnito como jornalista é assassinado. O detective que se encontrava a investigar algo referente a um misterioso bando denominado como A Mão Vermelha, deixa uma nota para Tex, embora este não o conhecesse. Quem Tex conhece, é o mencionado bando, com quem no passado já tinha se confrontado; se bem que não sabe quem é a personagem que dirige o bando e que tem um interesse especial em liquidá-lo.

Prancha de Jesús BlascoLa Banda de Border, segunda aventura ilustrada por Blasco e publicada nos números 326 a 328, começa quando a Pinkerton se põe de novo em contacto com Tex e Carson para solicitar a ajuda de ambos. Nesta ocasião trata-se de desarticular um bando de ladrões de trens que pese o álibi de ex-combatentes sulistas fazendo algo de justo se mostram mais interessados nos proveitos económicos que em algum tipo de reivindicação política. Tanto esta história como a anterior são para Blasco o seu primeiro contacto com a série e servem sobretudo para ir fazendo uma rodagem para se identificar mais com os personagens e cenários. Assim será a partir da terceira história que começará a dar provas do seu grande talento. Fiamme sul Mississippi abarca as edições 351 a 353 e traz-nos de novo a Pinkerton pedindo auxílio a Carson e Tex. Em concreto trata-se de enfrentar um bando de piratas que se dedicam a assaltar barcos fluviais e que assina os seus golpes com uma carta com o desenho de uma caveira. Especialmente em destaque nesta história, são as diferentes imagens dos barcos, incluindo um em especial que o bando utiliza como base de operações, que Blasco desenha com uma singular elegância.

Vinhetas de Jesús BlascoRio Concho, quarta história de Blasco, aparece nas edições 369 a 371. O argumento gira em torno de uma investigação que Tex e Carson levam a cabo sobre uns estranhos ladrões de gado, que em vez de levarem as reses, fazem com que se despenhem por um barranco tentando não deixar pistas. De novo, Nizzi constrói um argumento em que os protagonistas devem dar cabo da cabeça para saberem o que está a acontecer, antes de poderem actuar para solucionar o caso. Os números 397 a 399 trazem o final da ligação Nizzi-Blasco: La citta della paura é uma história clássica de desafio do cowboy com o chefe local que tem atemorizado toda a população de uma cidade, depois de Carson e Tex receberem um pedido de ajuda de um xerife amigo que tenta manter a ordem na cidade de Topeka. A colaboração de Jesús Blasco em Tex conclui em meados de 1994 com Bande rivali, aventura publicada nos números 403 a 405, escrita por Michele Medda. A história apresenta a actuação de dois bandos distintos de delinquentes, em meio dos quais Carson e Tex se encontram quando por encargo da Pinkerton, de que Blasco já devia fazer parte por esta altura, tratam de resolver o sequestro de um jornalista, filho de um governador.

Tex por Jesús BlascoSe alguém perguntar o que trouxe Jesús Blasco a Tex, a melhor resposta, seria a elegância; ao menos é este o adjectivo escrito em maior número nestas linhas. É inegável que os seus desenhos já não eram tão dinâmicos e já lhe custava algum trabalho desenvolver as sequências de acção. Somente para poder desfrutar uma vez mais da mestria com o pincel de Jesús, vale a pena contemplar com atenção cada uma das suas páginas de Tex. A diferença da regra habitual dos desenhadores que fizeram a série no decorrer dos anos, que foi a de se incorporarem na série na primeira fase das suas carreiras de desenhadores, Blasco chegou quando já era um desenhador veterano e com um estilo já formado. E de facto, esse mesmo estilo era um dos mais distanciados dos modelos tradicionais que se deram à colecção, o que não o impediu que se soubesse adaptar ao modelo narrativo da série. Inclusive pode dizer-se que Blasco era um desenhador que casava bastante bem com o estilo de Nizzi: um argumentista de ritmo lento, que gosta de utilizar muitos tempos médios, com grandes sequências dialogadas. E é precisamente nessas sequências onde Blasco conseguia os seus melhores resultados, mediante uma profusa utilização de primeiros planos das personagens que sabia desenhar de maneira impecável.

Várias são as obras pelas quais os aficcionados recordam sempre de Jesús Blasco, mas o seu trabalho em Tex constitui sem dúvida um testamento artístico à altura do que ele foi: um dos maiores desenhadores que a banda desenhada espanhola deu em toda a sua história.

Texto de José Carlos Francisco, baseado no livro-catálogo “Tex Habla Español”.

Póster Tex Nuova Ristampa 13

Póster Tex Nuova Ristampa 13

Desenho de Claudio Villa onde vemos Tex Willer numa posição bastante incómoda, agarrado desesperadamente com uma mão a um arbusto ressequido numa parede rochosa, enquanto luta selvaticamente para se tentar livrar por todos os meios de um índio da seita dos Filhos do Sol, que agarrado a ele, o quer lançar rumo ao abismo para uma morte terrível.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #15 e inspirado na história, “Il mistero delle montagne Lucenti” de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Mario Uggeri (Tex italiano #21 e #22).
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Texto de José Carlos Francisco

Tex Série Normal: Os Invencíveis

Capa Tex 350Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Carlo Raffaele Marcello e capa de Claudio Villa. Com o título original Gli Invincibili, a história foi publicada em Itália nos nº 438 a 440 e no Brasil pela Editora Globo e pela Mythos Editora nos nº 350 a 353.

Um grupo de irlandeses, soldados sulistas durante a Guerra da Secessão, anda a realizar assaltos no Texas e no México. Antigos revolucionários do IRA (Exército Republicano Irlandês), praticam os assaltos com o objectivo de financiar a causa pela independência da Irlanda. Tex é chamado para descobrir o paradeiro deste grupo e tentar alcançar um acordo, tendo como objectivo o seu regresso aos EUA, reabilitando-os dos crimes que cometeram. O ranger conhece alguns dos irlandeses e vai tentar a via legal e pessoal para os convencer a regressar.

Capa Tex 351O que existe em comum entre o IRA, o Imperador Maximiliano de Áustria ou o Presidente Juarez do México? Uma louca e épica aventura texiana que junta os quatro pards por terras mexicanas. Boselli revive todos os mitos e elementos texianos, tal como Bonelli os soube sempre construir. Elementos históricos, um passado carregado de simbolismo, amizade, lealdade, espionagem, caça ao tesouro, acção, e um Tex como nós nos habituámos a gostar.

O elemento histórico está bem patente com o recurso à luta pela independência irlandesa como fio condutor de todo o argumento, uma espécie de leitmotiv agregador da trama, tendo como pano de fundo um México caracterizado pela luta pelo poder entre o Imperador Maximiliano e o Presidente Juarez.

Capa Tex 352Boselli revive ainda um certo passado de Tex, mergulhando o leitor em plena época onde o ranger actual não passava de um fora-da-lei que até teve necessidade de atravessar a fronteira com o México para não cair nas garras da justiça.

Depois, existe uma amizade latente entre Tex e alguns elementos do bando, nomeadamente com Hutch, que de certo modo vai permitir com que Tex acompanhe o grupo na caça ao tesouro, porque o ranger acredita poder convencer os irlandeses de que a melhor maneira de servir uma revolução e os seus ideais é estar do lado da lei. Boselli transmite aqui uma certa ideia de romantismo, um sentimento forte tão ao seu gosto. Porque esta ideia de romantismo é outro elemento sempre presente, não um romantismo de uma época bem precisa, não o romantismo de um grupo ou de homens que se julgam invencíveis, mas um romantismo de uma luta, de uma causa, de um ideal, de um acreditar algo, de um altruísmo. Boselli nunca é inocente ao longo do argumento, o autor escolhe sempre um caminho e não o renega perante o leitor,  transparecendo esta ideia no modo como construiu a personagem de Shane O’Donnel, alguém para quem o ideal revolucionário está sempre presente, existindo sempre causas pelas quais há que lutar.

Capa Tex 353Todas as personagens são fortes, têm o seu próprio carácter bem vincado e uma psicologia bem presente: Halloran é pragmático, Kelly é nostálgico, Hutch sofre por Dolores e vai mudando os seus sentimentos para com Tex, Shane tem tanto de fanático como de idealista ou generoso, é alguém muito seguro de si. As personagens são verdadeiras e plenas de sentimentos, como pátria, amor, amizade, ódio e vingança. E a servir tudo, Boselli constrói um ataque final ao forte de Carrasco pleno de uma literal e puríssima acção, tudo em crescendo dramático até que a pólvora se cale e a poeira assente. Mais do que tratar de uma história de um grupo de invencíveis, Boselli demonstra simplesmente que os ideais é que são invencíveis e que a tudo se sobrepõem.   Marcello denota uma certa característica épica bem presente no seu  traço, um senso do movimento onde transpira poeira, sangue, suor e porque não também lágrimas. Os seu planos nunca são estanques e o seu traço, sem o detalhe de artistas como Villa ou Civitelli, atinge uma dimensão própria, um envolvimento natural com o leitor, convidando-o a permanecer sempre presente e atento na leitura. Marcello desenhou eventualmente algumas das melhores histórias texianas, mas a verdade é que o seu traço também contribuiu para deixar no leitor um sentimento de velho oeste, de um oeste carregado de simbolismos, de um oeste, afinal,  invencível no nosso imaginário.

Texto de Mário João Marques

Póster Tex Nuova Ristampa 12

Póster Tex Nuova Ristampa 12

Neste desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex carregando decididamente às costas, no meio de um pavoroso incêndio ocorrido no hotel El  Dorado, o desmaiado Tenente Oklei do serviço de informações do exército confederado, ferido devido a uma bala que perfurou o seu pulmão direito, para desse modo levá-lo até um médico e assim salvar a vida do Tenente, uma vez que o hotel estava completamente cercado por Rackam e seus comparsas e debaixo de cerrado tiroteio.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #14 e inspirado na história, “Pista di morte” de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Francesco Gamba (Tex italiano #20 e #21).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco