Tex Anual 08: A Trilha das Emboscadas

Tex Anual 08 - A Trilha das EmboscadasArgumento de Gianfranco Manfredi, desenhos de Miguel Angel Repetto e capa de Claudio Villa.
Com o título original La pista degli agguati, a história foi publicada em Itália no Maxi Tex nº 9 em Outubro de 2005 e no Brasil pela Mythos Editora em Dezembro de 2006.

Sob um forte temporal, Tex e Carson deparam-se com um grupo de vaqueiros que tenta, a todo custo, reorganizar uma extensa manada de gado que, desenfreadamente, foge dos homens. Depois de um árduo trabalho, os pards conseguem ajudar os vaqueiros a reunir os animais e juntam-se ao grupo. Este é chefiado por June Peacock, uma viúva que pretende vender a manada em Dodge City, pois só assim conseguirá salvar o seu rancho das mãos de Thorn Miller. Mas a caminhada até à cidade vai ser marcada por peripécias e um traidor manobra na sombra.

VinhetaA aventura marca a estreia de Manfredi a escrever aventuras texianas. O autor, sobejamente conhecido por argumentos mais intimistas e que ressaltam mais o aspecto psicológico das personagens, de que Mágico Vento é a sua imagem de marca, constrói uma trama que roça a epopeia. Porque, no fundo, a caminhada de um grupo de vaqueiros, chefiados por June, uma mulher de fibra, até Dodge City, ultrapassando os obstáculos da natureza, mas sobretudo os que o Thorn Miller vai planeando, acaba por sublinhar a persistência, a tenacidade, porque não mesmo a teimosia, em levar por diante a sua vontade.

Manfredi assina um argumento vivo e dinâmico, pautado aqui e ali por cenas mais contidas onde os diálogos servem para acentuar as características mais específicas do autor, mas sem nunca descurar a construção de um Tex carismático e actuante. Rico em personagens (June é marcante) e situações, a aventura poderá pecar eventualmente na sua linearidade, uma vez que Manfredi conduz sempre a história por caminhos previsíveis e não deixa também de ser excessivamente moralista no final.

TexRepetto é já um “habitué” nestas andanças, sendo esta a sua quarta aventura texiana, nesta colecção. O autor argentino já comprovou sobejamente a sua aptidão na construção do ranger, decalcando, diríamos quase fielmente o modelo ticciano. Mesmo a figura de Carson é notável nas semelhanças que denota com a personagem desenhada por Ticci. Esta aventura serve para comprovar, uma vez mais, essa opção do autor, mas também vai servir para Repetto dar azo ao seu traço detalhado, perfeito nos contrates e tão exemplificativo de um modelo concreto, o sul-americano, que teve em Arturo Del Castillo ou José Luis Salinas perfeitos exemplos. Modelo este que mantém-se inalterável e imutável, denotando porventura algum conservadorismo narrativo que o leva a não ser amplamente aceite pelos leitores texianos.

Texto de Mário João Marques

Póster Tex Nuova Ristampa 23

Póster Tex Nuova Ristampa 23

Desenho da autoria de Claudio Villa, onde vemos Tex cavalgando pelo deserto de arma na mão, debaixo de um céu estrelado, onde se vislumbra o rosto satânico de Mefisto (Steve Dickart), o bruxo já derrotado no passado e que retorna alguns anos depois para se tentar vingar, capturando o jovem Kit e o velho Carson com a ajuda dos ferozes índios Hualpai, subjugados devido à terrível magia do bruxo.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #24 e inspirado na história, “La mesa degli scheletri” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #39 e #40).
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Texto de José Carlos Francisco

TEX WILLER

Boneco Tex WillerUnanimemente considerada a mais popular personagem do fumetto (banda desenhada) italiano, Tex Willer cavalga sobre as pistas do selvagem Oeste desde 1948, ano em que se inicia nas bancas italianas. Deram-lhe vida o escritor-argumentista Gian Luigi Bonelli e o desenhador Aurelio Galleppini (Galep), que para esboçar a sua figura, baseou-se originariamente nas estrelas do cinema da época.

Depois, com o passar dos anos, o estilo gráfico foi evoluindo, chegando ao Tex que hoje todos conhecemos. E o mesmo aconteceu às histórias: no início G. L. Bonelli imaginou a sua personagem como um fora-da-lei, depois como um justiceiro solitário, e finalmente um herói de Fronteira generoso e impulsivo, que não hesita em defender quem quer que sofra sem motivo, qualquer que seja a cor da sua pele.

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Tex Willer da HachetteQUEM É TEX WILLER
Para os Navajos é Águia da Noite, sábio chefe branco e irmão de cada pele-vermelha. Para os caras-pálidas é o agente índio da reserva navajo e um ranger de pistolas infalíveis. Para os fora-da-lei é puro veneno!
TEX WILLER – Uma carreira recorde ao serviço da lei!

Tex Willer nasce em 30 de Setembro de 1948, quando Tea Bonelli mandou para as bancas a primeira revista – intitulada “Il totem misterioso” assinado por Gian Luigi Bonelli e por Aurelio Galleppini, respectivamente nos papeis de argumentista e desenhador – no formato “striscia” que na época era o usado.

O sucesso de Tex não era previsto nem esperado. Bonelli estava habituado a produzir novas personagens a um ritmo contínuo, que viviam até as vendas as justificarem e aos primeiros sinais de fraqueza eram substituídas. Nas expectativas da editora “Edizioni Audace”, Tex deveria ter uma sorte desse tipo. Pelo contrário, esperavam mais de uma sua outra criação: “Occhio Cupo”, um justiceiro mascarado – também realizado pela dupla Bonelli & Galep – que tinha como pano de fundo os anos da guerra franco-inglesa para a posse do Canadá. Enquanto “Occhio Cupo” teve uma vida brevíssima, Tex, inversamente, continuou aventura após aventura. Não foi uma explosão, mas um lento, contínuo e incessante crescimento, destinado a durar até aos dias de hoje.

TexTex constitui, aquando da sua aparição, uma importante novidade no panorama da banda desenhada italiana. No início é um cavaleiro solitário, procurado pela Lei e ao seu lado não estavam ainda Kit Carson, o fiel Jack Tigre e o filho Kit.

Quanto aos quatro “pards”, (um termo americano que significa “amigos”, “sócios”) representavam um ícone do imaginário colectivo (e também um dos segredos do sucesso da saga, ligada à forte figura de um protagonista, mas também a um variado microcosmo de outras personagens) e começaram a actuar sistematicamente juntos somente cinco anos após o início da série e quando Tex já estava reabilitado e até incorporado no corpo de Rangers na qualidade de agente secreto.

Tex Willer“Era uma personagem tradicional, mas muito mais dura e real do que certas personagens adocicadas protagonistas da banda desenhada que andavam na moda na altura”, explicava Galep. Em “Il totem misterioso”, é até um fora-da-lei: vítima de uma atroz injustiça, reage à situação, sem dúvidas nem incertezas. Herói carismático e não super-herói, Tex tem uma capacidade instintiva: a de conseguir estabelecer de imediato quem está da parte da razão e quem está do lado contrário, quem engana e quem não, quem proteger e quem castigar.

Uma vez distinguidos os Bons dos Maus, atinge duramente sem olhar a caras, mesmo contra a Lei, que para ele é uma coisa distinta da Justiça. E, para mais, numa época em que na banda desenhada e no cinema os índios eram frequentemente representados nos papéis de inimigos, Tex casa com Lilyth, uma mulher pele-vermelha (destinada porém a desaparecer depressa, morta devido a uma epidemia de varíola) e torna-se chefe dos Navajos , com o nome de Águia da Noite.

Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 1 de “Il Mondo di Tex”, editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 8 de Outubro de 2005.