Tex Willer: A lenda

TEX WILLER: A LENDA, é o título da vídeo-montagem que damos a conhecer hoje no blogue do Tex. Trata-se de uma sucessão de maravilhosos desenhos (na sua grande maioria, realizados por Fabio Civitelli, inclusive o desenho de Tex em Moura – Portugal) de Tex Willer que ajudam a compreender o porquê de Tex ser um mito!
A abrilhantar este vídeo, temos a banda sonora composta por John Barry, pertencente ao filme “Danças com Lobos” (no original: “Dances with Wolves“):

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 21 e 22 – O “Western” em Espanha

0 “WESTERN” EM ESPANHA

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 21OS «CUADERNOS»

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Se nos Estados Unidos da América, o campo de “comic-books” dedicados ao “western” é vasto, um dos poucos países que não lhe fica atrás é, sem dúvida, a Espanha, não esquecendo igualmente do Brasil, embora neste país não houvesse tanta criação e sim, unicamente, muitas edições retiradas das norte-americanas. No entanto, os espanhóis, iniciaram-se neste género de Banda Desenhada muito cedo, em virtude dessas mesmas histórias serem publicadas em “cuadernos” semanais, um género de publicações que rapidamente granjearam sucesso.

Este tipo de revistas surgiu durante a Segunda Guerra e embora impressos num papel muito fraco e fino, algumas vezes nem sempre branco ou amarelo, outras vezes cinzento, sépia ou de cor indefinida (a Guerra assim o obrigava), possuíam sempre capas atractivas, de melhor papel e de cores quentes e vistosas, com excelente cenas de emoção, onde se salientava o heroísmo das personagens e cativavam o “olho“, de quem olhava para elas. Os seus formatos variavam, mas eram quase sempre impressos horizontalmente.

El Intrepido ArizonaA primeira personagem a ser publicada e também, a que maior sucesso alcançaria ao longo dos anos, seria “Roberto Alcazar y Pedrin” de Vaño (muito fraco desenhador, por sinal), com textos de T. Puerto. Esta série iniciada em 1940, iria ter 1219 cadernos com as suas aventuras, número nunca alcançado por qualquer outra personagem (mesmo o “Capitão Trovão“). Estas revistas apresentavam-se normalmente com 16 páginas, mas às vezes tinham mais.

Foram muitos os desenhadores espanhóis que utilizaram esse género de publicações, para apresentarem os seus trabalhos.
Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 22Muitos deles, só apresentaram as suas personagens durante toda a sua vida artística, desta forma. Outros, quando surgiu a oportunidade de publicarem as suas obras noutras publicações, mais cuidadas e de melhor aspecto gráfico, passariam a colaborar nelas.

Não vamos mais uma vez ser exaustivos nestas informações, até que, cada vez mais, se torna mais difícil conseguir-se um consenso com tanta informação a que temos acesso, pois continuamos sempre a conhecer novas edições, novas teorias e novas enciclopédias e livros e as páginas disponíveis estão a diminuir. Mas de um modo, mais ou menos informativo, iremos indicar a seguir, por ordem alfabética, algumas das várias séries de “western“, que viriam a ser publicadas nesses cadernos.
Não são todos, servem unicamente como uma referência.

Nome das Personagens – Anos – Desenhadores/Argumentistas
Apache (1ª Série)           1956     Luis Bermejo
Nota: Este artista desenhou outras personagens.
Apache (2ª Série)           1957    C. Tinoco
Buffalo Bill                      1956    Ferrando – J. B. Artes
Nota: Desenhou igualmente “Tom Clark” e “Hazañas Del Oeste”, além de outras personagens.
Buffalo Bill                      1965    Joaquin Blázquez
El Coyote                       1947    Francisco Batet
El Charro Temerário       1953    Matias Alonso – P. Munoz
Chipita el Hijo del
Jinete Fantasma              1951    Ambrós – F. Amorós
Nota: Desenhou igualmente “El Jinete Fantasma”, “Rin-Tin-Tin” e outras personagens.
Hazañas del Oeste         1950    Vários – Vários
El Intrepido Arizona       1942    Luis Bermejo, Jesus Blasco e Sabatés
El Jinete Fantasma         1942    Alamar – F. Amorós
La Mascara de los
Dientes Blancos             1948   Martínez – F. Amorós
Mascarita                      1949   P. Alferez – F. Amorós
Mendonza Colt              1955   M. Salvador – González Casquel
Pecos Bill                      1951    Jesus Blasco
Nota: Trata-se de uma personagem de origem italiana mas algumas das histórias publicadas em Espanha, foram desenhadas por este autor.
El Pequeño Luchador   1960    Manuel Gago – Gago e M. Quesada
Nota: Desenhou outras personagens também.
El Pistolero                  1961    A. Tauroni – F. Medina
El Pistolero Justiciero   1951    Manuel Gago – P. Quesada
Rayo Kit                     1949    G. Iranzo
Nota: Desenhou outras histórias.
El Rey del Oeste         1950    Manuel Gago – P. Gago
Pistol Jim                    1944    Carlos Freixas
El Temerário               1947    Vários
Yuki, el Temerário      1958     José González – F. Amorós
Nota Final: Quando não se indica o nome do argumentista a seguir ao nome do desenhador, depreende-se que é este o autor do texto também.

Mendoza ColtÉ claro que o número de desenhadores espanhóis, a ocuparem-se da criação de histórias subordinadas ao tema do Oeste, nunca mais acaba. Eles são dezenas e vamos salientar a seguir, mais alguns: R. Beyloc, Francisco Darnis, Vicente Roso, Chatillo, F. Biélsa, Vaña, José Lafond (que viria posteriormente a trabalhar para França, o que aliás aconteceria a muitos dos desenhadores espanhóis. Não só para este pais, como para Inglaterra também), Armando, Boixcar, José Luis, Serchio, Martin Salvador, Martínez Osete, Fuentes Man, Antonio Garcia, Sebastián Vagas, José Ortiz, Emilio Freixas, Estèban Maroto, Tomas Marco, Longarón, Jorge Macabich, Antonio Hemandez Palacios, etc., etc..
Quanto aos argumentistas, eles são menos, como do costume: R. Acedo, Sesen, M. Bañolas, Miguel Tortajada, etc..

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

Tex Gigante: Chumbo Ardente

Tex Gigante - Chumbo ArdenteArgumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Sergio Zaniboni. Com o título original Piombo Rovente, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 4 em 1991 e no Brasil pela Mythos Editora em 2001.

Chumbo Ardente é uma homenagem de Claudio Nizzi à cidade do velho oeste. Pensar em western sempre nos levou a evocar grandes planícies, extensas pradarias, montanhas, natureza, enfim a liberdade que sempre  nos permitiu sonhar e galopar longe da civilização.
Mas o velho oeste também é feito das suas míticas cidades, com a sua habitual artéria principal, com tudo a crescer em seu redor, onde todos se encontravam no velho saloon, não sem antes deixarem a sua montada na estrebaria e de tomarem um retemperado banho no hotel, muitas vezes também associadas a bandos mais ou menos organizados ou a senhores que a dominavam a seu bel-prazer.

Arte de Sergio Zaniboni

O que Nizzi nos vem invocar em Chumbo Ardente é uma velha cidade (Serenidade) e toda uma comunidade dominada por um senhor (Morgan Slattery), contra quem Tex e os seus companheiros vão ter que lutar. Mais uma vez, Nizzi soube escolher a linha mestre do seu argumento, tocando num tema muito recorrente no género e que, por exemplo, Hollywood soube muito bem explorar.

Arte de Sergio Zaniboni

Mas se Chumbo Ardente tinha os ingredientes necessários para poder ser (mais) uma aventura ímpar do nosso ranger, pelo seu classicismo, pelo círculo fechado que a cidade sempre encerra, pelo ambiente omnipresente e sempre constante da luta entre o bem e o mal, a verdade é que o resultado final surge-nos muito fraco, desigual mesmo. Não por culpa do argumento, já focámos a sua riqueza, mas mais pelo desenho do italiano Sergio Zaniboni, um pouco na esteira da linha clara, tão do agrado de vários artistas franco-belgas.

Arte de Sergio Zaniboni

O traço de Zaniboni não é cativante, pois limita-se a reproduzir pouco de cada cena, não vai mais além do que é estritamente necessário à reprodução do argumento, falta sempre um detalhe, um traço, algo que saiba transpor o mero retrato. O estilo adoptado não se enquadra bem nas aventuras de Tex, um western e, para mais, sempre duro, rude, cínico, afinal as características que nunca estão presentes ao longo da trama.

Tex e Carson por Sergio ZaniboniPara os aficionados, onde nós nos incluímos, é sempre bom poder ler este tipo de aventuras para podermos efectuar as necessárias comparações, realçando sempre a sensibilidade e a coerência de cada autor, mas no fundo, Chumbo Ardente é uma oportunidade seguramente perdida, uma obra que, com outro traço, poderia ter ido muito mais além.

Texto de Mário João Marques