Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Manuel Almeida: Nasci na cidade de Coimbra, há cerca de 43 anos, mas sempre residi no concelho de Miranda do Corvo. Trabalhei na Figueira da Foz, nos anos 80, mas hoje trabalho aqui, em Miranda do Corvo, onde tenho um café-restaurante. O café São Miguel.
Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
José Manuel Almeida: O primeiro contacto que tive com o Tex, já foi há mais de 25 anos, quando ainda era um teenager… Na aldeia onde vivia (Pedreira) havia lá uns amigos que tinham uns livros de cowboys, e era frequente emprestarem-se livros a uns e a outros. Li, gostei, e comecei a comprar, mas sem a preocupação de o coleccionar, como hoje.
Porquê o Tex e não outra personagem?
José Manuel Almeida: Sempre gostei do Tex pelo ideal de vida dele. É um personagem que defende a justiça, os desfavorecidos, e eu admiro muito essas qualidades. Talvez até projecte nele aquilo que eu gostaria de ser…
O que Tex representa para si?
José Manuel Almeida: Tex representa a eterna luta do Bem contra o Mal, num contexto de western. São histórias com muita humanidade e recheadas de bons exemplos que eu gostaria que o meu filho levasse para a vida.
O herói Tex é honesto, sincero, lutador, com sentido de justiça, destemido e por isso gosto tanto de ler as suas aventuras.
Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Manuel Almeida: Bem, parece-me que tenho entre 700 a 800 revistas. Tenho o “Tex normal”, o Ouro, o Gigante, o Anual…. todas as que saíram até ao momento. E tenho que dizer uma coisa muito importante: sem a ajuda do José Carlos Francisco, do editor Dorival e do Gervásio, não teria conseguido completar a colecção. Um bem haja a eles e que voltem a nossa casa, aqui em Miranda do Corvo, que recebe-los-emos de braços abertos.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
José Manuel Almeida: Só colecciono livros, embora tenha um poster.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Manuel Almeida: Gosto de todas as histórias relacionadas com o Mefisto. Também gosto do El Mourisco. De um modo geral, gosto de todas as histórias.
Não vou referir nenhum argumentista nem desenhador em particular, uma vez que, regra geral, gosto de todos.
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O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Manuel Almeida: O que mais me agrada é quando ele mostra o seu lado humano, defensor dos desfavorecidos. Não gosto quando as histórias têm violência em excesso.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
José Manuel Almeida: Tudo. Na minha opinião, o motivo do enorme sucesso reside no facto das histórias serem boas e, sem dúvida, a mestria dos desenhadores, os pormenores com que desenham, não escapando, por exemplo, uma pequena lagartixa no meio das pedras, o modo de desenhar…
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Manuel Almeida: O futuro terá que passar por uma “modernização” das histórias, adaptando-as à realidade actual. Talvez histórias com alguma preocupação ecológica, ou até mesmo uma luta com barões do petróleo, ou uma luta contra o tempo para salvar alguma espécie em perigo. Numa época tão conturbada e preocupada com as alterações climáticas, seria fácil encontrar um modo de aplicar o ideal deste cowboy…
Prezado pard José Manuel Almeida, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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CONAN, O BÁRBARO
Arturo Del Castillo nasceu em 1925, em Concepciòn, no Chile.
De tal modo as situações se repetem, que em alguns países, incluindo Portugal, indistintamente, as quatro figuras aparecem, desempenhando o lugar uns dos outros. Quando cria “Kendall“, ele aproxima-se da personalidade de um xerife, que vive numa pequena cidade, mantendo a lei e a ordem, eliminando os que as não respeitam. É também uma personagem só, percorrendo lugares de um lado para o outro.



Nascido em 1955, na bela cidade de Bolonha, Filippucci – vêem-no num auto-retrato aqui do lado esquerdo – estreia-se aos vinte anos, graças à editora “Edifumetto” de Renzo Barbieri; em 1979, substitui Milo Manara na série “Chris Lean” na revista “Corrier Boy”, para a qual ilustra também numerosas histórias breves.
Desde há um par de anos, que aceitou submeter-se à prova com o nosso Ranger, do qual vos mostramos aqui do lado direito um belo primeiro plano, distinto do inconfundível estilo gráfico de Filippucci, que nos confessou: “Ao início, passar do traço sintético e moderno de Martin Mystère àquele mais clássico e realista de Tex, foi difícil, quase traumático. Depois, lentamente consegui adaptar-me, entrando em sintonia com o seu particular ritmo narrativo, e superando as dificuldades maiores, entre as quais, por exemplo, representar de modo credível os cavalos. Quem nunca os desenhou não pode aprender de um dia para o outro. Neste sentido, mais que abarcar repertórios fotográficos ou livros ilustrados, preferi ver o trabalho de dois grandes autores western, Jean Giraud de Blueberry e o inolvidável Rino Albertarelli. A eles, segundo a minha opinião, se devem os cavalos mais belos, aqueles que se movem com um movimento mais fluído. No futuro, antes de passar a uma nova história, procurarei documentar-me melhor…