Portugal – Edições do mês de Junho

Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela LOGISTA PUBLICAÇÕES, para o mês de Junho:

TEX 431TEX 431
JUSTIÇA DA FRONTEIRA

Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Alfonso Font

Tex e Carson têm de usar todos os seus recursos para fazer com que o inescrupuloso Dutronc pague por seus crimes.
E mais: ambos têm de evitar que Raposa Audaz seja incriminado por ter matado um branco ao defender o amigo North, num julgamento com todo jeito de ter sido comprado.
2,90€

TEX COLEÇÃO 223
TEX COLEÇÃO
223
O ÍNDIO BRANCO/O BAIRRO CHINÊS

Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Erio Nicolò/Guglielmo Letteri

Tex, Carson e o agente Anders combatem os comancheros, arriscando o tudo ou nada. Mas será que eles conseguirão encontrar o jovem Foster e concluir sua missão?
E ainda: uma nova aventura se inicia, quando Tex e seus três amigos revêem seu velho amigo Tom Devlin, agora chefe de polícia de São Francisco, e envolvem-se num misterioso caso de tentativas de assassinato e comércio de mulheres chinesas.
2,90€

TEX EDIÇÃO HISTÓRICA 71TEX EDIÇÃO HISTÓRICA 71
O RETORNO DE MONTALES

Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Aurelio Galleppini

Tex e seus companheiros seguem para o México, onde os velhos amigos Pat Mac Ryan e Montales estão às voltas com o bando do criminoso El Gato e uma tropa do general Carranza, um traidor disposto a tudo para recuperar provas incriminadoras que estão em poder de Montales. Este é apenas o início de mais uma emocionante aventura dos quatro justiceiros no México.
7,50€

TEX EDIÇÃO OURO 25TEX EDIÇÃO OURO 25
O TERROR DAS PROFUNDEZAS

Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Guglielmo Letteri

O medo ronda os Montes Sacramento. Misteriosos desaparecimentos de mineiros atribuídos a uma horrenda criatura chamada de Grande Serpente, no povoado de Bendito, provocam caos e morte. Desviados de sua rota devido a uma tempestade de areia, Tex e Carson encontram por acaso um grupo de mineiros que fugiram da região. Informados dos estranhos acontecimentos, os dois rangers decidem desvendar o mistério e dar um fim à sinistra ameaça. Porém, à medida que avançam nas investigações, ambos começam a desconfiar do caso e sentem que algo não está muito certo na história. Seria apenas uma armação de alguém para fazer com que os mineiros abandonem Bendito e deixem para trás as concessões para exploração da mina de ouro ou verdadeiramente um monstro se esconde nos subterrâneos do vilarejo de mineiros?
7,00€

MÁGICO VENTO 66MÁGICO VENTO 66
O POÇO DOS SACRIFÍCIOS

Texto: Manfredi * Desenhos: Parlov

Em busca de testemunhos da guerra dos sioux contra os antigos, eras atrás, Mágico Vento vai procurar o xamã Grande Silêncio para fazer uma regressão no tempo e no espaço. Com isso ele passa a viver em dois corpos e em duas épocas distintas, enfrentando a sua mais arriscada e incrível aventura, desafiando o iluminado poder dos sacerdotes no obscuro e remoto reino dos Antigos.
2,90€


ZAGOR 80ZAGOR
80
O PROFETA SEM ROSTO

Texto: De Angelis – Desenhos: Della Monica

Na região leste de Darkwood os caçadores de McKean têm a sua base para o comércio de peles no Forte Wolf, mas alguém trama nas sombras do posto avançado e, no rio, peles-vermelhas pagos por uma companhia rival atacam os caçadores. Um desses caçadores é Bill Eyck. No caminho de volta eles encontram um xamã mascarado que prediz para Bill um futuro como único dono de Forte Wolf. As profecias de Rosto Falso realizam-se e o fantasma de McKean aparece ao seu assassino preanunciando a vingança… que se prepara pelas mãos de Zagor! Mas a culpa e o arrependimento já estão minando a resistência de Eyck.
2,90€

ZAGOR EXTRA 45ZAGOR EXTRA 45
O HOMEM PINTADO

Texto: Pelò – Desenhos: Torricelli

Um bando de encapuzados semeia o terror entre os índios oneidas. Dois bizarros inventores prussianos vivem num castelo de fábula.
Um misterioso profeta prevê a chegada do Grande Espírito.
E Zagor conhece uma amarga derrota pelas mãos do habilidoso e astuto HOMEM PINTADO.
2,90€


As Aventuras de uma Criminóloga 37
As Aventuras de uma Criminóloga
37
ASSASSINOS SE APOSENTAM?

Texto: Giancarlo Berardi e M. Mantero * Desenhos: A. Macagno e C. Piccoli

Frank D’Angelo é um homem calmo, bom vizinho e apaixonado por sua esposa Lucille. Mas quando alguém manda uma bomba para sua casa, matando sua esposa, Frank transforma-se. Cadáveres começam a aparecer em Garden City e Júlia é chamada para tentar explicar o comportamento do assassino. Numa luta contra o tempo para salvá-lo a criminóloga vai precisar encaixar todas as peças de seu obscuro passado.
3,50€

CONAN, O BÁRBARO 59CONAN, O BÁRBARO 59
Revista mensal, formato magazine, 68 páginas em preto e branco.

O que aconteceria se o demoníaco xamã picto Shooz Dinj fosse catequizado? Enquanto Conan tenta impedir os contínuos massacres pictos aos colonizadores aquilónios, um sacerdote de Mitra acredita que sua ordem religiosa é a única salvação para o território selvagem além do Rio Negro. Don Kraar é o escritor da história curta Mitra nos Guarde, ilustrada por William Johnson e Rey Garcia.

Completando este número, apresentamos nada menos que 51 páginas das inéditas tiras de jornal do Gigante de Bronze. Na primeira aventura, o Cimério junta-se ao guerreiro oriental Yamato, numa insana batalha contra um clã inteiro. Em seguida, em uma história completa, Conan desembarca na Hirkânia, onde encontra um forte aparentemente abandonado e trancado. Quando resolve invadi-lo para averiguar, descobre que pode não sair de lá vivo. Yamato e Fortaleza Amaldiçoada têm roteiro de Roy Thomas, enquanto o excelente Alfredo Alcala assina a arte.
3,50€

Entrevista exclusiva: PAULO GUANAES (tradutor de Tex)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Sílvio Raimundo na formulação das perguntas.

Paulo GuanaesPara começar, fale-nos um pouco das suas origens, desde o nascimento até à sua formação profissional…
Paulo Guanaes: Nasci em 19 de Março de 1953, no bairro Estácio, no Rio de Janeiro. Hoje, a rua em que morei neste bairro não existe mais. Cedeu  lugar ao metropolitano. Fiz o Curso Primário na Escola Pública José Pedro Varela. Naquela época, o Rio ainda era a capital do Brasil e o ensino público era de boa qualidade, tanto que o professor tinha um status importante na sociedade de então. Aliás, dentre outras coisas que vou morrer sem conseguir entender, uma é o tratamento indigno que todos os governos que conheci, desde os militares da ditadura até os ditos “democráticos” actuais, dispensaram aos professores. Fiz o Curso Ginásio e o Curso Científico no Colégio Pedro II, um óptimo colégio federal. Quando terminei o Colégio Pedro II, em 1970, aos 17 anos, fui trabalhar como revisor literário (assim eram chamados os revisores de texto) na editora Vecchi. Quatro anos depois, Tex entrou na minha vida para nunca mais sair. Fiz Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); cursei italiano no Istituto di Cultura Italiana; formação de tradutores inglês-português na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ); MBA em Marketing na Fundação Getulio Vargas.

Como se interessou pela Banda Desenhada e quando é que isso aconteceu?
Paulo Guanaes: Eu me interessei lendo Capitão Marvel, Super-Homem e Batman, o meu preferido. Isso aconteceu aos oito anos de idade, suponho. Também gostava de Bolinha e Luluzinha.

Quais as suas personagens favoritas e o que contém a sua, ou suas colecções de Banda Desenhada? E já agora, colecciona também revistas de outros países em virtude de ser um poliglota?
Paulo Guanaes: Minha personagem favorita é o Bat… não! É Ken Par… não, o que estou dizendo? É o Tex! Na verdade, adoro esses três. As minhas colecções são todas de revistas Bonelli. São tantas revistas que as encaminhei para a biblioteca da escola de um amigo meu. Não colecciono revistas de outros países.

Paulo GuanaesDe que forma se tornou tradutor? Foi aptidão ou consequência?
Paulo Guanaes: Acho que foram as duas coisas. Embora tenha me preparado para fazer vestibular de Engenharia, sempre tive muita facilidade no aprendizado de línguas estrangeiras. As circunstâncias da vida acabaram me proporcionando uma oportunidade de traduzir o italiano para o português. Eu era revisor de texto de traduções de fotonovelas italianas, na Editora Vecchi. Um dia pedi para traduzir uma, sem nunca ter estudado italiano. Tinha apenas a experiência de revisar textos traduzidos desse idioma para o português. O Editor, que certamente gostava de mim, aprovou e me permitiu trabalhar como tradutor free lance. Foi assim que comecei.

Como se deu o seu primeiro contacto com uma revista italiana do Tex? Você já dominava a língua nessa época?
Paulo Guanaes: Vi Tex nascer dentro da Editora Vecchi, em 1974. Meu primeiro contacto foi como revisor do texto traduzido e do letreiramento dos balões de Tex, este feito por Waldemar Valim, um excelente desenhador de letras que até hoje faz as tiras do jornal O Globo.

Há quantos anos é tradutor de Tex e como é que se deu o início dessa “relação”?
Paulo Guanaes: Traduzo o Tex há 30 anos. Mereço até um especial, não?
Quem me deu a oportunidade de começar a traduzir o Tex foi o Otacílio d’Assunção Barros, editor da versão brasileira da revista Mad e um activo participante do boom das histórias em quadradinhos no Brasil em meados da década de 1970. Não posso dizer que dominava, mas eu lia muito texto italiano nessa época, por força do meu trabalho como revisor, e estudava por conta própria a língua, além de consultar infinita e febrilmente o dicionário do Carlo Parlagrecco, tanto na Vecchi quanto em casa nas traduções como free lance. Depois, fiz o curso de italiano no Istituto Italiano di Cultura, no Consulado italiano do Rio de Janeiro.

Sempre foi o tradutor de Tex, ou teve alguma vez que fazer uma pausa nesse trabalho?
Paulo Guanaes: Houve uma pausa quando trabalhei como Subeditor da Divisão Infanto-Juvenil da Editora Globo, em 1987-1988.  Tex ficou em boas mãos: Tizziana Giorgini, uma querida amiga, filha de imigrantes italianos e formada em Letras, traduziu o nosso herói nesse período.

Paulo Guanaes traduzindoPode nos falar do seu método de tradução? E em média quanto tempo gasta para traduzir uma edição de 110 páginas?
Paulo Guanaes: Seria muito fácil deitar regras aqui, mas, na verdade, meu método sempre foi muito intuitivo. Na leitura do texto em italiano, logo percebi o talento de Gianluigi Bonelli. Apesar de ser por demais descritivo, suas histórias sempre foram ricas tanto no argumento quanto na composição de personagens. São duas coisas essenciais. Ele sabia criar uma trama como poucos. Isso, no fundo, é o que prendia o leitor. Então, sempre procurei fazer uma tradução muito aproximada do texto original, o que, para muitos, é um pecadilho, mas, no caso do Tex de Bonelli, eu acho uma obrigação, porque Bonelli revestia Tex de uma aura não encontrada nos demais heróis do western. Então, pensava eu com meus botões, por que querer ser mais realista que o rei?
O Tex actual tem menos texto; as reedições que a Mythos deu continuidade são mais trabalhosas.

Você é uma das principais vozes de Tex no Brasil. Em sua opinião qual a importância dessa missão? E o que é que significa para si ser o tradutor de Tex Willer no Brasil?
Paulo Guanaes: Nunca me dei conta disso. Agradeço pela vossa afirmação. Eu apenas procuro fazer as traduções usando todo o património cultural que acumulei em 38 anos de trabalho na área editorial. Tento também me esmerar na produção do texto, pois sei que ele pode auxiliar muita gente a pegar o gosto pela leitura e ter mais cuidado ao escrever. Essa é uma bela missão e um grande significado no meu acto de traduzir.

Para um fã, ler o seu herói preferido é sempre um prazer, mas para um tradutor, por se tratar de um trabalho, a rotina não cansa?
Paulo Guanaes: Não, porque também sou um fã.

Argumentistas e desenhadores sempre colocam algo de si nos personagens, é possível a um tradutor fazer o mesmo?
Paulo Guanaes: Sim, desde que não descaracterize o perfil do personagem.

Quando traduz um “fumetto” de Tex, faz uma tradução literal ou uma versão, adaptando aquilo que o Ranger diz à nossa forma de falar?
Paulo Guanaes: É preciso encontrar o correspondente na língua de chegada (o português), sem cair na facilidade da tradução literal. Sou contra adaptar totalmente à nossa forma de falar. Há que se respeitar as diferenças de épocas.

Paulo Guanaes, se depender apenas de si, por quanto tempo ainda pretende traduzir as aventuras do Tex?
Paulo Guanaes: Por todo o tempo em que ele for publicado.

Tex e MefistoQuais foram a melhor, e a mais fraca história do Tex que você já traduziu?
Paulo Guanaes: Gosto de todas do Mefisto. Não me lembro da mais fraca.

Em sua opinião, qual o desenhador que melhor dá vida ao Ranger? E argumentista?
Paulo Guanaes: Fabio Civitelli e Gianluigi Bonelli.

O facto de Tex ser desenhado por vários autores (de estilos bem diferentes) é, na sua opinião, mais ou menos vantajoso para a série? E porquê?
Paulo Guanaes: Não sei como aferir se é mais ou menos vantajoso. Há aí uma evidente questão de limitação humana. Só sei que os desenhadores são muito bem escolhidos.

Com a facilidade e rapidez de comunicação que a Internet nos proporciona, é comum leitores de todo o globo terem acesso a edições estrangeiras do Ranger. Com isso você hoje é conhecido não só no Brasil, mas também em Portugal, Espanha, Itália e além. Como você convive com isso?
Paulo Guanaes: Só me dei conta disso há pouco tempo, quando fui convidado pelo Portal TEXBR para dar uma entrevista e, em seguida, por vocês. Eu sinto-me lisonjeado em saber que meu trabalho é conhecido nesses países.

Paulo Guanaes, seu filho Rafael e sua esposa LucianaSua família tem noção de o quanto você é conhecido e admirado? Como convivem com esse factor?
Paulo Guanaes: Creio que não têm noção. Aliás, nem eu mesmo tenho noção disso. Será mesmo que é assim?.

Comente aspectos positivos e negativos do seu trabalho com Tex…
Paulo Guanaes: De positivo: a possibilidade de me manter em constante contacto com a língua italiana; o exercício da escrita de minha língua, o português; a manutenção da chama do prazer lúdico que só as histórias em quadradinhos carregam. De negativo: vários momentos em família se perderam ao longo desse tempo de actividade tradutória….

Para além de Tex, quantas e quais as personagens da Sergio Bonelli Editore que traduz ou já traduziu?
Paulo Guanaes: Já traduzi Ken Parker, Zagor, Martin Mystère, Nick Raider, Nathan Never, Mister No, Dylan Dog e Júlia.

Existe alguma personagem com a qual você não se identificou ao traduzi-la?
Paulo Guanaes: Não. Embora não tenham perguntado, aquele com o qual mais me identifiquei: Ken Parker, do qual tive a honra de ser o primeiro tradutor no Brasil (toda a série da Vecchi).

Tex passou por vários editoras no Brasil; para a maioria dos leitores nenhuma outra deu um tratamento tão especial à personagem quanto a Mythos. Em sua opinião, a que devemos atribuir esse facto?
Paulo Guanaes: Atribuo esse facto à competência de meus contemporâneos Dorival Vitor Lopes e Helcio Carvalho.

Paulo GuanaesDando continuidade ao seu trabalho, que já vinha de outras editoras, como se processou a sua entrada na Mythos? E profissionalmente você é um membro do staff da Mythos, ou um prestador de serviços?
Paulo Guanaes: Foi uma continuidade do trabalho que eu já fazia para o estúdio de Dorival, que editava Tex para a editora Globo. Sou um prestador de serviços.

No universo editorial de Tex no Brasil, além de tradutor, o que mais você já foi?
Paulo Guanaes: Fui revisor dos textos traduzidos e do letreiramento dos balões, na editora Vecchi, e subeditor de Tex na editora Globo.

Tex está para fazer 60 anos de existência, enquanto tradutor dele no Brasil como vê essa marca e o que sente?
Paulo Guanaes: Sinto um orgulho imenso por ter contribuído com uma pequena parcela nessa longa jornada.

O Ranger Tex Willer é um viúvo convicto e celibatário, que sozinho criou e formou o carácter do seu único filho. Isso realmente é possível a um homem?
Paulo Guanaes: Acho possível, sim. A natureza humana é capaz de proezas inimagináveis.

Tex tem uma galeria de arqui-inimigos invejáveis, alguns deles, quando menos se espera, dão um ar da sua graça, você tem preferência por algum em especial? E dos Amigos, qual em sua opinião – exceptuando os Pards – é aquele que o Ranger sempre poderá contar?
Paulo Guanaes: Não dá para deixar de mencionar Mefisto como inimigo. Já como amigo, gosto do Pat, o irlandês, que dá a impressão de ser capaz de qualquer coisa pelo Ranger. Há outros óptimos, como o casaca-vermelha Jim Brandon, por exemplo.

Família GuanaesTex Willer, em sua opinião, é apenas uma personagem de história em quadradinhos, ou é mais que isso?
Paulo Guanaes: Tex já se tornou um mito.

Quais são para si, as características imutáveis de Tex, ou seja, a sua essência, algo que não pode ser mudado?
Paulo Guanaes: A virtude de dar a cada um aquilo que merece; a intolerância com a covardia; o tratamento isento que dá aos índios; o destemor. E tem muito mais…

Diferente do tempo em que Tex foi lançado no Brasil pela primeira vez, a garotada de hoje tem mil e uma possibilidades de diversão, que não apenas as histórias de banda desenhada. Nos dias actuais, existe ainda mercado para esta indústria?
Paulo Guanaes: Sim, apesar das inúmeras possibilidades de diversão, as histórias em quadradinhos ainda têm lugar nos dias de hoje porque têm o dom de ser encantadas.

Paulo Guanaes e sua esposa LucianaSabemos que está planeando para breve uma visita à Itália, inclusive para conhecer a Sergio Bonelli Editore. No dia em que conhecer o Sergio Bonelli, o que lhe dirá?
Paulo Guanaes: Sim, vou realizar o sonho de conhecer a Itália em Julho deste ano. Conheci Sergio Bonelli rapidamente na ocasião em que eu editava o Tex na editora Globo, nos idos de 1988. Certamente ele não se lembraria de mim. Se eu o encontrar, direi: “Muito obrigado por Tex existir.”.

Para finalizar, para além de banda desenhada, que tipo de livros lê? E a nível de cinema e de música, quais são as suas preferências?
Paulo Guanaes: Gosto de ler não-ficção. Quanto a cinema, não tenho um género predilecto, mas sim filmes: todos os longas-metragem de Charles Chaplin, “Amarcord”, “Blade Runner, o caçador de andróides”, James Bond, a nova safra de heróis de quadradinhos transformados em filmes… Quanto à música, Beatles é minha principal referência. Gosto de um género musical chamado Chorinho. Gosto da percussão na música.

Caro  Paulo Guanaes, muito obrigado pela entrevista que gentilmente concedeu ao blogue do Tex.

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Póster Tex Nuova Ristampa 84

Póster Tex Nuova Ristampa 84

Desenho de Claudio Villa, que nos mostra Pat, Tex e Carson protegidos pelo muro da Fazenda Montales, situada junto ao Rio Bravo, no preciso momento em que Pat entrega a Tex a espingarda carregada, para este poder também responder (tal como o faz Kit Carson) ao fogo dos homens do General Carranza, que assediavam a fazenda para arrancar o couro a Montales, um homem de fibra, que de rebelde em luta contra o corrupto regime mexicano, tornou-se depois governador de um Estado, o de Chihuahua…

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #71 e inspirado na história, “Il ritorno di Montales” de G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini (Tex italiano #137 a #139).
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Texto de José Carlos Francisco

Fanzine A Conquista do Oeste – Maio/Novembro 2001 – Páginas 35, 36 e 37 – Autores de Banda Desenhada: Giancarlo Berardi, Ivo Milazzo, Dan Spiegle, Clarence Edward Mulford e Jose Luis Salinas

AUTORES DE BANDA DESENHADA

GIANCARLO BERARDI

Fanzine A Conquista do Oeste - Páginas 35Giancarlo Berardi nasceu em Génova, a 15/7/49. Depois de algumas experiências como autor e actor de Teatro amador, além de cantor, tem os primeiros contactos com a Banda Desenhada, quando andava na Universidade. As suas primeiras colaborações são publicadas nas revistas “Horror” e “Sorry“. O seu encontro com Ivo Milazzo em 1971 é a mola impulsionadora do génio do escritor. “Tarzan”, “Gato” e “Diabolik” serão algumas das personagens para as quais criará argumentos, pouco a pouco.

Em 1974, junto com Milazzo, dá vida à personagem “Ken Parker“, ainda com uma única aventura. Dois anos depois cria o indiozínho “Tiki” para a revista “Il Giornalino” e escreve o conto “Terra Maledetta“, para o desenhador Antonio Canale. Em 1977 é o ano das grandes criações, com a continuação da série “Ken Parker” e “Welcome to Springville“, para o desenhador Ivo Milazzo para a primeira série e de novo para este artista e também para Renzo Calegari, para a segunda série. Com Milazzo produz “L’Uomo Delle Filippine“, as séries “Marvin il Detective” e “Tom’s Bar” e, em 1989 cria a sua Editora Parker.
Entretanto resolve escrever mais guiões para outras histórias dispersas, incluindo “Oklahoma!“, para a série “Tex“, desenhada por Letteri. Alguns argumentos de “Nick Raider” são também seus. A partir de 1998, escreve os argumentos de “Julia“, uma criminologista.

IVO MILAZZO

Ken Parker, Berardi e MilazzoNatural de Tortona, onde nasceu em 20 de Junho de 1947, desde a infância Milazzo vive e trabalha na cidade de Génova.
Depois de concluir o curso secundário e prestar serviço militar como oficial do exército, no início dos anos 70, durante os seus estudos superiores conhece Giancarlo Berardi, com quem consolida uma profunda amizade e também uma sólida e profícua parceria profissional, a partir de 1971, quando ambos escrevem e desenham algumas aventuras de “Tarzan” para o mercado francês. Em seguida colabora na revistas “Horror“, desenha ainda duas histórias de “Diabolik” e outras quatro, com personagens de Walt Disney.
Depois é a vez de “Ken Parker” (1974) e de outras personagens que se seguirão:
“Tiki” (1975), “Welcome to Springville” (1977), além de “Ken Parker” já com revista própria, “Marvin” (1978), um ex-actor do Cinema mudo que passa a ser detective privado, nos anos 30 em Hollywood, “Tom’s Bar“, “O’Henry“, “Nick Raider“, etc., e de novo histórias de “Ken Parker“, depois da série “Giuli Bai & Co.“. Desenha uma história de “Tex” (Sangue no Colorado). Ultimamente tem-se dedicado a desenhar uma nova série chamada “Magico Vento“.

DAN SPIEGLE

Fanzine A Conquista do Oeste - Página 36Dan Spiegle, como outros artistas, tinha 6 anos de idade, quando começou a desenhar, para tentar fugir à rotina dos estudos.
Depois esteve três anos na Marinha, durante a Guerra, onde pintava insígnias nos aviões e desenhava “cartoons” para o jornal da base. Em 1946 é desmobilizado e ingressa então no Instituto de Artes de Los Angeles. Começou a desenhar cavalos e sempre desejou ser um artista ligado ao “western“.
Dan Spiegle nasceu a 10 de Dezembro de 1920.
A primeira prancha dominical de “Hopalong Cassidy” seria publicada no dia 30 de Abril de 1950 e a última a l de Janeiro de 1956. Quanto às tiras, começaram mais cedo, em 1949, tendo desaparecido em 1955.
Depois de “Hopalong Cassidy“, Spiegle tentou oferecer outra série, “Pen & Chris“, que apresentava aventuras de piratas, mas sem sucesso. Volta-se então para os “comic-books” e começa a desenhar “Roy Rogers“. Em 1958 é a vez da série “Maverik“, adaptado da televisão, que terminaria em 1962, depois de ter alcançado alguma aceitação.

Mais tarde a sua carreira apresenta-se com muitas irregularidades, numa tentativa de sobrevivência. Ocupa-se de tudo o que lhe aparece e, lentamente, um artista de craveira transforma-se numa sombra daquilo que era.
Indicam-se alguns dos seus trabalhos:
“Lawman” (11 revistas de 1958 a 1962) e “Sea Hunt” (13 revistas de 1958 a 1962). Desenha igualmente “Shotgun Siade” e “Johnny Ringo” para a Dell, na revista “Four Colour“. A seguir deixa o “western” e dedica-se à ficção-científíca: “Space Family Robinson” (37 revistas de 1962 a 1969) e “Magnus Robot Fighter” (46 revistas de 1963 a 1977).

Quando Russ Manning deixa a Dell em 1967, para desenhar “Tarzan“, será Spiegle a ocupar-se de “Korak, Son of Tarzan” (algumas das suas aventuras seriam publicadas em Portugal, através de APR, na revista com o mesmo nome).
Durante esse período, desenhará também numerosas adaptações dos filmes de Walt Disney, para o formato de “comic-book“. Em 1981 Spiegle volta ao “western“, desenhando a personagem da DC, “Bat Lash“, uma série de humor criada em 1968 por Nick Cardy, com textos de Sergio Aragones. É o princípio do fim…

CLARENCE EDWARD MULFORD

Clarence Edward MulfordNos primeiros anos deste Século, um jovem escriturário, em Brooklyn, Nova Iorque, resolveu escrever um conjunto de obras sobre o Oeste, que foram publicadas no “Outing Magazine“. O jovem escritor chamava-se Clarence Edward Mulford. Essas histórias foram mais tarde recuperadas e publicadas em livro, em 1907. O conhecimento que Mulford tinha do Oeste era nulo. Só depois de 1924 e quando a sua principal personagem já era conhecida como “Hopalong Cassidy“, é que visita a região que descrevia nos seus textos. Sem ligar ao contexto histórico, escreveu uma série de histórias onde “Hopalong“, um cavaleiro sem igual, que mascava tabaco e matava a torto e a direito, vivia as suas aventuras. A fórmula pegou e venderam-se mais de um milhão dessas histórias.

O “Hopalong Cassidy” de Mulford não tem a mínima semelhança visual com a mesma personagem, interpretada no Cinema e para a televisão pelo actor William Boyd. O primeiro tinha 25 anos e era ruivo. O segundo era um homem de mais idade, elegante e só disparava em último recurso, como mandam as normas. O sucesso literário de Mulford foi, ironicamente eclipsado, pelo êxito da própria personagem, encarnada pelo artista William Boyd. Nas adaptações para o Cinema desapareceram as mortes por vingança, as bebedeiras e as lutas constantes, sendo substituídas pelo estilo muito próprio dos “heróis-vaqueiros” dos filmes dessa época. William Boyd vestia de preto, montava um cavalo branco e portava-se à altura de uma personagem mais sóbria e convincente.

Desiludido com o tratamento que deram à sua personagem, Mulford vendeu todos os direitos de “Hopalong Cassidy” e partiu para a sua Quinta no Maine. Quando o interesse pelos filmes desta personagem se esgotou, a televisão resolveria lançá-lo em 66 episódios, que se tornariam num êxito total, com a consequente venda de vários produtos de Marketing. O sucesso na televisão de “Hopalong Cassidy” não levaria à reedição dos livros de Mulford, mas sim ao lançamento de “comic-books” com as suas aventuras. Mais tarde William Boyd, mais velho, aparecia igualmente a viver as suas aventuras com o seu próprio nome, como se vivesse quer as suas aventuras quer as de “Hopalong Cassidy“, Mulford morreu em 1958. Com ele desapareceriam igualmente as histórias da sua personagem.

 JOSE LUIS SALINAS

Fanzine A Conquista do Oeste - Página 37Jose Luis Salinas é considerado, justamente, como um dos grandes mestres da Banda Desenhada argentina em particular, e do mundo em geral. Autodidacta, mas dotado de um grande talento, ele seria influenciado por Harold Foster, na execução dos seus primeiros traços. No entanto, desde o início, ele teria já um estilo muito próprio e de grande impacto visual.
Nascido em 11 de Fevereiro de 1908, em Buenos Aires, irá morrer na mesma cidade, devido a uma crise cardíaca, a 10 de Janeiro de 1985.

Depois de uma breve passagem pela Banda Desenhada, em 1929 resolve, apesar disso, dedicar-se à Publicidade. Mas em 1936 encontramo-lo de novo na Banda Desenhada, ao criar a personagem “Hernan el Corsario” para a revista “Patoruzu“. Com este sucesso, vamos reencontrá-lo dois anos depois a adaptar alguns romances da Literatura. Em 1945 dedica-se à BD humorística com “Ellos“, ao retomar esta série com o pseudónimo de Joseph Louis. Em 1949 vai aos Estados Unidos da América, para apresentar os seus trabalhos à King Features Syndicate. Será então contratado para desenhar “Cisco Kid” de 1950 a 1968.

De 1968 a 1974 Jose Luis Salinas dedica-se à pintura, ao mesmo tempo que em paralelo e a partir de 8 de Janeiro de 1973, cria a série “Gunner“, com textos de Alfredo J. Grassi. Depois de executar oito episódios desta série, abandona-a às mãos de Lucho Olivera, de 5/5/75 a 31/8/81, altura em que a mesma termina. Cego, viria a morrer em 1985. Teve um filho em 1933, chamado Alberto Salinas, que também trabalhou na Banda Desenhada. Recordamos “A Moira, A Escrava de Roma“, publicada no “Jornal do Cuto” e mais tarde toda recuperada numa pequena brochura, por Manuel Caldas.

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