Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 51 e 52 – Lucky Luke

Lucky Luke e o seu divertido cavalo Jolly JumperLUCKY LUKE
Segundo a canção do próprio “Lucky Luke”, ele é um “cow-boy” solitário, longe da sua casa. Quanto aos editores, dizem que ele dispara mais rápido que a sua sombra. Nestas condições, nada foi mais natural, do que abandonar as suas vacas e transformar-se num “herói” do Oeste. Com o tempo, a sua figura viria igualmente a transformar-se, ainda que a sua personalidade, à partida, ficasse reconhecida como boa. Também o cigarro que era peculiar surgir-lhe nos lábios, com o tempo, transforma-se em palha, fruto de alguma censura nos Estados Unidos da América e de outros países. Mas manter-se-ia sempre elegante, amigo da lei e da ordem, rápido a sacar e esperto que nem uma raposa, sempre que necessário.

JOLLY JUMPER
É um cavalo branco, mais hábil e inteligente que a maioria das figuras que rodeiam o nosso “herói”, a quem ele tem salvo várias vezes de situações difíceis. “Jolly é capaz de preparar a comida, de jogar ao xadrez e de fazer tudo que seja necessário, para nos divertir.

RANTANPLAN
“Rantanplan” foi uma personagem a surgir já tarde, nos álbuns de “Lucky Luke”. No entanto, a sua aceitação junto dos leitores foi de tal modo, que já possui no seu activo, cerca de 10 aventuras suas publicadas em Portugal, apesar de, ao contrário do cavalo, ser tão estúpido ou mais do que uma porta.

OS DALTONS
Os “Daltons” surgem na aventura “Fora-da-Lei” e nela são mortos. São 4 personagens baseadas nos bandidos com esse nome, que deram muitas dores de cabeça às autoridades, no tempo dos bandidos célebres do Oeste.

Mais tarde, Morris volta a criar os 4 irmãos e a lançá-los em outra aventura de “Lucky Luke”. A partir daqui, passam a sair da prisão no início de cada aventura e a voltarem para ela no fim, depois de capturados e conduzidos pelo nosso “herói”. São imbecis e maus e cada um deles possui uma estatura diferente, dos outros três irmãos. Quanto mais alto, mais estúpido. Quanto mais baixo, mais mau.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 51LUCKY LUKE
Quando Morris iniciou as histórias da sua personagem, baseou-se em filmes do Oeste para o fazer, já que era um espectador assíduo desse género de divertimento.

Em 1948, para poder ter maiores conhecimentos do Oeste, de modo a retratá-lo de uma forma mais fiel nos seus álbuns, resolve partir para os Estados Unidos da América. “Lucky Luke” tinha sido criado dois anos antes. Durante esses anos estuda e documenta-se sobre a História do “Far-West”, enquanto vai criando novas aventuras da sua personagem em paralelo e, ao mesmo tempo, conhece René Goscinny que ali se tinha deslocado com o mesmo fim, mas para criar os seus argumentos.

Quando regressa à Bélgica em 1954, será Goscinny a ocupar-se dos argumentos da série. Escusado será de salientar a melhoria dos diálogos, da narrativa e das próprias histórias, que passam a ser estruturadas de uma forma sólida e diferente.

Entretanto e ao longo dos anos, a personagem principal vai perdendo protagonismo em relação a outras figuras ocasionais ou já pertencentes à série, como são o caso de “Rantanplan”, os “Daltons” e outros. Ao mesmo tempo a série passa a ganhar novos leitores e a manter os anteriores, mesmo quando estes chegam à idade adulta.

Em Março de 1974 “Lucky Luke” terá direito a revista própria, unicamente por 12 números.

Com a morte de Goscinny em 1977, leva a que Morris se veja em sérias dificuldades para encontrar um novo guionista, até porque a simbiose encontrada entre os dois, dificilmente voltaria a estar presente com outro autor, apesar das várias tentativas do desenhador nesse sentido. Vicq, Greg, De Greott e outros são os seguintes.

Duas componentes caracterizam as aventuras de “Lucky Luke”: o cenário e o humor. Através de um e outro, são conseguidas umas largas dezenas de combinações e, consequentemente, várias largas dezenas de álbuns, quase sem perderem a sua fórmula inicial, embora com altos e baixos.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 52Os temas são vários e à escolha, como sempre: problemas com a imprensa, lavandarias chinesas, médicos charlatões, linchamentos, caça aos bisontes, colonizações de territórios, febres de ouro ou prata, não esquecendo o ouro negro, o nascimento do telégrafo, os caminhos de ferro, etc., etc..

Evidentemente que quer os autores quer o desenhador, nunca quiseram transformar a sua série em uma fonte de conhecimentos ou numa enciclopédia. Os factos reais, às vezes narrados ou que servem de fundo ao desenrolar das histórias, não obedecem necessariamente, às datas cronológicas quer de uns quer de outras.

As personagens, mais ou menos reais, que povoam as aventuras do nosso “herói”, também são adaptadas ou caracterizadas, no que tiverem de maior ligação com o humor. O interesse é divertir os leitores, sem deixar, de qualquer dos modos, de dignificar o tema do “western”. Digamos que em outras séries, a sua criação poderá ou deverá obedecer a um rigor histórico e a um aprofundar de situações e de personagens, o que já não acontece em “Lucky Luke”. Nem é isso que se deseja, já que os próprios pele-vermelhas nem sempre são abrangidos pela tradição e tão pouco, são apresentados como um povo sanguinário e o principal objectivo de todas as situações que encontramos é divertir e, se possível, obrigar os leitores a darem algumas gargalhadas.

Devido ao falso puritanismo norte-americano, que sempre censuraram o que tem origem estrangeira, obrigou a que os autores sempre se preocupassem com a inclusão de certas e determinadas cenas, que acabavam por ser auto-censuradas. Mas, mesmo assim, algumas vinhetas e pranchas tiveram que ser alteradas: menos roupa nas raparigas dos salões, derramamento de sangue e até a Censura francesa obrigou Morris a substituir uma vinheta, onde Billy The Kid, bebé, mamava numa pistola.

Quando “Lucky Luke” mudou de revista, da “Spirou” para a “Pilote”, alguns desses problemas acabaram por ser ultrapassados, já que esta última publicação, era já destinada a leitores mais velhos.

Rantanplan possui uma certa notoriedade nas aventuras de Lucky Luke
LUCKY LUKE NO CINEMA

Morris trabalhou num estúdio de Animação, antes de resolver desenhar o seu “herói”, pelo que sempre teve esperanças de um dia poder ver a sua personagem a viver as suas aventuras de uma forma animada. Inclusive, os seus planeamentos de prancha, seguem de muito perto, os de Animação. Mesmo alguns actores e realizadores de Cinema, acabam por serem envolvidos na obra de Morris.

Mas, finalmente, Lucky Luke” surge em duas longas-metragens no Cinema: “Daisy Town” (1971) e “A Balada dos Dalton” (1978).

Hoje estão publicados mais de 50 álbuns, com as aventuras de “Lucky Luke”. São mais de 3.000 pranchas desenhadas, ao longo de mais de 50 anos de carreira do nosso “herói” e de Morris, naturalmente. Infelizmente, Morris desapareceu há algum tempo e com ele, provavelmente, a nossa personagem, que irá por certo continuar a cavalgar na nossa memória ainda por largos anos e nas pradarias do Celeste Império das Histórias aos Quadradinhos, onde todos os “heróis” de papel têm um lugar cativo.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

Póster Tex Nuova Ristampa 94

Póster Tex Nuova Ristampa 94

Neste desenho da autoria de Claudio Villa vemos Tex Willer enquanto cavalgava numa floresta perto de um pântano na zona tropical do México em busca de Yama, prestes a ser atacado por índios descendentes dos antigos Maias, comandados pelo filho de Mefisto, que graças aos seus formidáveis dons sobrenaturais tinha conseguido se impor como chefe.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Il ritorno di Yama” de G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini (Tex italiano #162 a #164).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

Exposição “60 anos de Tex”, um dos pontos altos da 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA)

60 anos de TexDe 24 de Outubro a 9 de Novembro, integrada na 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) , cujo tema central é “Tecnologia e Ficção Científica”, ocorrerá uma Exposição sobre a personagem emblemática da BD italiana de aventuras, Tex Willer, da Editora Bonelli, mais precisamente uma Exposição dedicada aos 60 anos de tão mítica personagem, exposição que contará com cerca de quatro dezenas de pranchas ORIGINAIS que dizem respeito a toda a produção de 2008 (muitas delas serão inclusive mostradas pela primeira vez em todo o mundo), com destaque para a história comemorativa dos 60 anos, desenhada por Fabio Civitelli e com argumento de Claudio Nizzi!

É a segunda vez (a primeira foi no MOURABD2007) e pelo segundo ano consecutivo, que TEX WILLER tem uma grande exposição em Portugal, facto de grande realce, inclusive porque Portugal é um país onde Tex não é publicado, embora receba as edições brasileiras desde 1971 e que mostra bem o interesse, empenho e carinho dos Texianos portugueses pelo mítico Ranger e mostra sobretudo a importância que a Sergio Bonelli Editore concede a Portugal, ao colaborar numa Exposição de tão alta importância, como são os “60 Anos de TEX“.

Em breve daremos mais informações a respeito desta Exposição de Tex, que decerto ficará gravada a letras de ouro no historial do Festival da Amadora, assim como na própria história de Tex Willer no nosso país!

Falando agora do Festival em si:

A 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) abre as portas no dia 24 de Outubro. A Banda Desenhada transforma a Cidade da Amadora na capital portuguesa da BD e no ponto de encontro internacional da banda desenhada em Portugal.

Este ano, o núcleo central do Festival localiza-se, novamente, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa. Situa-se a cerca de 5 minutos (de viatura) do CC Colombo e servido por diversas carreiras da LT oriundas da Amadora, Colégio Militar e Benfica.

O tema central da edição 2008 do FIBDA é “Tecnologia e Ficção Científica”. No FIBDA deste ano, realce, para as seguintes mostras: uma grande exposição subordinada ao tema central, com exposição de pranchas de autores estrangeiros e nacionais, como Kevin O’Neill, Juan Gimenez, Pat Mills e outros; uma exposição dedicada à série Star Wars; uma exposição de Liberatore e uma outra que assinala os 60 anos do Tex; e uma mostra de Luís Henriques, autor do desenho original dos diversos materiais gráficos.

O FIBDA descentraliza, novamente, exposições por outros equipamentos: Galeria Municipal Artur Bual, Casa Roque Gameiro, Recreios da Amadora e Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem. Este ano, mais dois locais podem ser visitados: Escola Superior de Teatro e Cinema e Núcleo Museológico do MFA, no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha. São duas exposições paralelas que integram a programação do FIBDA.

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora confirma-se, uma vez mais, como o mais consagrado do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível internacional.

A presença de autores, exposições, concursos, área comercial, lançamento de novos álbuns, Prémios Nacionais de Banda Desenhada, sessões de autógrafos, debates… faz do FIBDA uma grande Festa da BD!

O “mundo dos quadradinhos” está na Amadora.

DATA

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2008 decorre entre 24 de Outubro e 9 de Novembro.

INAUGURAÇÃO

dia 24 de Out

18.00 horas – Recepção na Galeria Municipal Artur Bual – Inauguração da exposição

21.30 horas – Inauguração do núcleo central do FIBDA – Fórum Luís de Camões

dia 25 de Out

16.00 horas – Casa Roque Gameiro – Inauguração das exposições

17.30 horas – Recreios da Amadora – Inauguração da exposição

19.00 horas – CNBDI

Visita à exposição

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
O horário de funcionamento do 19º Festival Internacional de Banda Desenhada, no núcleo central, será o seguinte:

de 25 de Out a 9 de Nov

dom. a 5ª feira e feriado – das 10h às 20h

6ª feira e sáb. – das 10h às 23h

ACESSO AO FESTIVAL
Na edição de 2008 o acesso às exposições no núcleo central terá as seguintes modalidades:

Escolas da cidade da Amadora e organizações de carácter de solidariedade social

Acesso gratuito

Escolas exteriores à cidade da Amadora

Acesso mediante bilhete no valor de 5,00 euros por turma

Profissionais da comunicação social, editores, autores e outros profissionais de BD devidamente creditados junto do comissariado

Acesso gratuito mediante confirmação ou inscrição na base de dados do Festival – com direito a cartão de livre acesso

Público em geral e maiores de 12 anos

Acesso mediante aquisição de bilhete no valor de 3,00 euros

Público menor de 12 anos

[se acompanhado(s) por adulto]

Acesso gratuito

Estudantes + cartão-jovem +           + pensionistas + seniores (+65)

Acesso mediante aquisição de bilhete com desconto no valor de 2,00 euros

Munícipes da Amadora +

Grupos de funcionários – mínimo de 3 – de outras empresas, lojas e instituições instaladas na Amadora

Acesso mediante aquisição de bilhete no valor de 2,00 euros e:

a) Apresentação de Bilhete de Identidade;

b) Apresentação de cartão ou credencial da entidade;

“Amigos da BD” – Bilhete de Entrada Permanente

Acesso mediante inscrição na base de dados do FIBD’A e aquisição de bilhete no valor de 10,00 euros

Visitantes mascarados da sua personagem favorita de BD, desde que se identifiquem à entrada por razões de segurança.

Acesso gratuito mediante inscrição na base dados do Festival

Cartaz da 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA)Relativamente às exposições patentes na Galeria Municipal Artur Bual, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Recreios da Amadora e Casa Roque Gameiro, o acesso é gratuito.

ENTREGA DE PRÉMIOS
A cerimónia de entrega de prémios realiza-se no dia 1 de Novembro, pelas 18.30 horas, nos Recreios da Amadora. Na ocasião, serão entregues os prémios referentes aos Concursos de Ilustração, BD e Cartoon e Prémios Nacionais de Banda Desenhada.

ANIMAÇÃO
À semelhança das edições anteriores, o FIBDA programou um conjunto de actividades: ateliers de cinema de animação e de cores, hora do conto e outras animações, diferenciadas consoante as idades.

No que se refere a espectáculos musicais, podemos informar que o recinto do Festival vai ser palco de um concerto dos Space Boys (inauguração).

O Comissariado está, ainda, a preparar uma programação de filmes de animação, com a parceria da Casa da Animação, para exibição no auditório do Festival.

PROGRAMA DE EXPOSIÇÕES

O tema central da edição deste ano do Festival é “Tecnologia e Ficção Científica”.

Para a edição deste ano, o FIBDA apresenta as seguintes exposições:

FÓRUM LUÍS DE CAMÕES – Núcleo Central

Piso 0 (Astroporto)

– Tema Central – Tecnologia e Ficção Científica:

Apresentação em 5 núcleos. Pretende-se que a exposição apresente a evolução na própria BD (técnicas gráficas e narrativas e o tratamento do tema). Assim, em cada uma das 4 primeiras categorias (a, b, c e d) a exposição evidenciará dois exemplos: um clássico e um mais moderno.

a) Personagens:

a.1) Flash Gordon

Autor: Alex Raymond

a.2) Valérian

Autores: Pierre Christin e Jean Claude Mézières

b) Desenhadores:

b.1) Esteban Maroto

b.2) Leo

c) Argumentistas:

c.1) Hector German Oesterheld (Argentina, 1919-1977)

Autores: Alberto Breccia, Oswal e Solano Lopez

c.2) Alejandro Jodorowsky (Chile, 1929)

Autores: Juan Gimenez, Das Pastoras, Zoran Janjetou

d) Publicações:

d.1) Métal Hurlant (revista francesa de BD de terror e ficção científica criada em 1974 pelo colectivo “Les Humanoïdes Associés”)

Autores: Moebius, Druillet

d.2) 2000 AD (revista britânica de BD de ficção científica publicada desde 1977 até ao presente)

Autores: Pat Mills, Kevin O’Neill, Ian Gibson

e) Tecnologia e Ficção Científica na BD portuguesa

e.1) Jayme Cortez: Os Dois Amigos na Cidade dos Monstros Marinhos, Uma Espantosa Aventura, Os Seis Terríveis  – histórias publicadas n’O MOSQUITO

Fernando Bento: Adaptações de clássicos de Júlio Verne  – publicadas no DIABRETE

Vitor Péon: O Segredo do oceano;

António Barata: Pânico no Ar  – publicada no SENHOR DOUTOR

José Garcês: O Império Enlutado –  publicada n’O MOSQUITO

Monteiro Neves: Baroon  – publicado n’O MOSQUITO

Nuno San Payo: O Mistério de Castel-Diablo  – publicado no CAMARADA

Júlio Resende e Jorge Brandeiro: Viagem à Estratosfera  – publicado no PAPAGAIO

Jorge Brandeiro: Uma aventura no Planeta Zúrius

e.2)

Fernando Relvas: Rosa-Delta-Sem-Saída  – publicada no TINTIN

Vitor Mesquita: Eternus 9; Trilogia com Tejo ao Fundo; Sindroma de Babel  + inéditos

Augusto Mota e Nelson Dias: Wanya – Escala em Orongo

Zé Paulo e outros autores da Visão

Luís Louro: Eden 2.0

Luís Diferr: Os Deuses de Altaír

José Ruy: A Ilha do Futuro

– Prémios Nacionais de BD 2007:

Melhor Álbum Português/Argumento e Desenho

Tratado de Umbografia, de Luís Henriques e JC Fernandes

Melhor Álbum Estrangeiro

Alguns meses em Amélie, de Jean-Claude Denis

Melhor Álbum de Tiras Humorísticas

Há vida em Markl 2: Opus, de Nuno Markl

Melhor Álbum Português em Língua Estrangeira

Merci Patron, de Rui Lacas

Clássicos da 9ª arte

A trágica comédia ou cómica tragédia de Mr. Punch, de Neil Gaiman e Dave McKean

Melhor Fanzine

Venham + 5, colectivo da Bedeteca de Beja

– 19º Concurso de BD

Exposição dos trabalhos concorrentes e dos vencedores dos dois escalões etários

60 anos de TexPiso -1 (Nave Cósmica)

– Colectiva de BD de Ficção Científica da China:

Autores: Yu Lu e Hong Lee

– Liberatore: RankXerox vs Lucy

– Star Wars

Em parceria com o Star Wars Clube de Portugal

– Retrospectiva de Tara McPherson

Em parceria com a editora KingPin of Comics

– Cyril Pedrosa

Em parceria com o Institut Franco-Portugais

– Blake & Mortimer

Autores: Yves Sente e André Juillard

– 60 Anos de TEX

– Homenagem a João Abel Manta

Autores: banda desenhada, ilustradores, cartoonistas e caricaturistas

Exposição que esteve patente no CNBDI, em parceria com a Humorgrafe e Pedra no Charco

– Espaço Infantil

Espaço dedicado aos mais novos com exposições de Carla Pott (vencedora do Prémio Nacional de BD para o Melhor Álbum de Ilustração Infantil 2007); Emmanuel Guibert e Mathieu Sapin (Sardine de l’Espace) e Exposição STOP TBC/Luís Figo

– BD e Voz

Em parceria com a Amnistia Internacional

– BD e Música

Exposição das pranchas dos primeiros 3 livros/discos desta colecção: BDFado (com desenhos de Nuno saraiva); BD Rock-Pop Português (com desenhos de Alex Gozblau) e BD Música Clássica (com desenhos de Jorge Mateus)

Em parceria com a Tugaland, Edições Multimédia

– Zblu Cops

Exposição que explica, através de painéis e multimedia, como se passa de uma banda desenhada para um videojogo

Em parceria com a Biodroid Entertainment

– Amnistia Internacional em BD

– João Mascarenhas

Exposição de O Menino Triste

Além do Fórum Luís de Camões, as exposições do FIBDA são descentralizadas por outros espaços da Amadora:

GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL

– Zero Figura – Homenagem a José Garcês

CASA ROQUE GAMEIRO

– Cristina Valadas: Prémio Nacional de Ilustração Infantil da DGLB com o livro “O Rapaz que sabia acordar a Primavera”, com texto de Luísa Dacosta (Edições ASA)

RECREIOS DA AMADORA

– Concurso de Cartoon

– Carlos Laranjeira, Ricardo Galvão e Louis Hellman

CNBDI

– Como se desenham os sonhos – História da Amadora em BD, Homenagem a José Ruy

Exposições paralelas

ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA

– Desenhar a Música, de José Garcês (de 28 de Outubro a 9 de Novembro)

NÚCLEO MUSEOLÓGICO DO MFA – REGIMENTO DE ENGENHARIA 1, PONTINHA

– BD’s de Abril, colectiva (até Abril de 2009)

Entrevista com o fã e coleccionador: Paulo Ricardo Abade Montenegro

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Paulo Ricardo MontenegroPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Paulo Ricardo Montenegro: Vamos lá. Nasci em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, em 24 de Abril de 1958. Sou Farmacêutico-Bioquímico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mas não exerço a minha profissão, pois sou funcionário público da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul.
Tenho como um dos meus hobbies coleccionar revistas de histórias em quadradinhos (os famosos “gibis”), hábito que mantenho há 26 anos. Porém, sou leitor de quadradinhos desde que aprendi a ler, ainda com 6 anos de idade, quando devorava os gibis do meu pai, mormente revistas Disney (Pato Donald, Zé Carioca e Mickey). Além de coleccionar gibis, também fui coleccionador de fanzines, além de ter editado dois deles no final dos anos 80, o OPINIÃO e o NATA DOS QUADRINHOS.
Actualmente, possuo algumas listas de discussão sobre banda desenhada, por meio do Yahoogrupos, a GibiHouse, destinada à troca de ideias sobre os quadradinhos em geral, a DC Brasil e a Marvel BR, o nome já diz a que elas se referem, e a Sebo de Gibis, destinada à compra/venda/troca de gibis.
Paulo Ricardo Montenegro e suas revistas de BDPorém, entendo que o formato lista de discussão está, aos poucos, ficando ultrapassado, e, por isso, criei recentemente o Fórum GibiHouse, um local único de discussão sobre qualquer assunto que se refira a quadradinhos (editoras, títulos, autores e personagens), e que está dividido em várias pastas: Bonelli, DC Comics, Disney, Histórias em Quadrinhos Brasileiras – HQB, Mangás, Marvel, Vertigo/Wildstorm e Quadrinhos Diversos. Além disso, temos também espaço para a toca de ideias sobre Filmes e Séries de TV baseados nos quadradinhos e Action Figures e Memorabilia, além de um Sebo de Gibis.
Finalmente, possuo um site, o GibiHouse – A Memória Virtual dos Quadrinhos, que tem a pretensão de divulgar as capas das revistas de histórias em quadradinhos publicadas no Brasil. Actualmente, o site está passando por um período de reforma e actualização, mas pretendo retornar com ele o mais breve possível. Quem tiver interesse em colaborar com o site, basta entrar em contacto para receber informações sobre esta colaboração, a qual já agradeço antecipadamente.

Colecção de Paulo Ricardo MontenegroQuando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Paulo Ricardo Montenegro: Como comentei na resposta anterior, minha paixão pelos quadradinhos começou quando aprendi a ler com as revistas do meu pai. Além das revistas Disney mencionadas antes, eu lia, também, algumas publicações da EBAL que ele possuía, como Mindinho (com Pernalonga), Papai Noel (com Tom & Jerry) e Údi-Údi, o Pica-Pau.
Além desses, eu lia tudo o que me caía em mãos, naqueles maravilhosos anos ’60: Sobrinhos do Capitão, Brucutu, Fantasma, Mandrake, Cavaleiro Negro, Águia Negra, Flecha Ligeira, Gasparzinho, Brasinha, Riquinho, Bolinha, Luluzinha, Luísa, Os Flintstones, Pepe Legal, Zé Colméia, Os Jetsons, Dom Pixote, Batman, Superman, Os Justiceiros, Turma Titã, Legião dos Super-Heróis, Superboy … enfim, tínhamos uma variedade fantástica de títulos e personagens, variedade esta que aumentou ainda mais com a chegada da Marvel ao Brasil, com os famosos Super-Heróis Shell (Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Namor e Thor), chegada esta que tive o prazer de acompanhar “ao vivo e a cores”.
Porém, na infância, eu vivia de mesada, então não tinha muita disponibilidade financeira para comprar revistas. Quando acabaram as revistas do meu pai, eu comprava o que conseguia, com a mesada, e depois trocava, na base de 2 x 1, em um “sebo” que havia em frente ao apartamento onde morávamos. Li muita revista da EBAL, da O Cruzeiro e da RGE nessas trocas.
Tex Willer 82 com a história “Pat, o Irlandês”Mais tarde, durante os anos 70, eu parei de comprar gibis, estava fazendo faculdade e não tinha tempo nem dinheiro. Porém, meu irmão, no Verão de 1978, adquiriu aquela edição que me levou a conhecer o fantástico universo de Tex Willer, a edição 82 da Vecchi, com a história “Pat, o Irlandês”. De quebra, a revista ainda trazia a primeira aventura de Tex. A família estava toda na praia e o André Luís, meu irmão, adquiriu a revista em uma das banquinhas do Centro de Tramandaí, uma cidade praiana ao lado do balneário onde veraneávamos. Bom, não preciso dizer que “devorei” a revista e ficamos, ambos, maravilhados com o universo texiano.
Dali para a frente, meu irmão começou a comprar todas as edições de Tex, tanto da primeira como da segunda edição, que já estava avançada, além de tentar buscar números atrasados. E tanto fez que praticamente completou a colecção, faltando apenas a edição # 3, que nunca conseguiu, nem da primeira nem da segunda edição. Logo em seguida, meu irmão, empolgado, começou a coleccionar outros títulos, iniciando pelas revistas Marvel da Editora Abril (a partir do primeiro número de Capitão América, em 1979).
Anos mais tarde (em 1984), eu também comecei a coleccionar quadradinhos, com a chegada da DC na Editora Abril. Então, fazíamos assim: meu irmão comprava as revistas da Marvel (Abril) e Tex e eu comprava as revistas da DC. Logo em seguida, eu resolvi aumentar minha colecção e passei a comprar revistas Disney, Turma da Mônica e outras menos votadas. Quando o meu irmão parou de comprar revistas em quadradinhos, eu continuei de onde ele parou, com a Marvel e o Tex.
Os Tex de Paulo Ricardo MontenegroFicamos, então, em uma situação inusitada, ele tinha o início da colecção do Tex (menos a edição # 3) e eu a continuação. Mais algum tempo e eu comprei dele a sua colecção de revistas Marvel/Abril. Ele se desfez de praticamente todos os seus gibis, menos Tex, que guardava com carinho. Por muitos anos ficamos assim, até que ele resolveu vender-me, também a sua colecção de Tex.
Claro que aquilo foi motivo de muita alegria para mim, pois finalmente eu teria a colecção (praticamente) completa do Tex, faltando ainda a malfadada edição # 3. Isso durou até o início dos anos 2000 quando eu, já como “owner” das listas de discussão no Yahoogrupos, conheci o amigo e coleccionador Zé Mário, aqui do Rio Grande do Sul, e ele comentou que havia visto em um sebo de Porto Alegre a edição # 3 de Tex, perguntando se eu queria que ele comprasse a revista para mim. Eu quase caí para trás: mas claro que queria! O Zé Mário, então, gentilmente, foi até o sebo e comprou-me a revista. Após praticamente 25 anos depois de ter lido a primeira revista do Tex, eu tinha finalmente a colecção completa!!!
Contei toda esta história para fazer aqui dois agradecimentos: ao meu irmão, André Luís, por ter me apresentado ao Tex e seu universo, e ao amigo Zé Mário, por ter me proporcionado a alegria de possuir a colecção completa desta que é, sem dúvida, uma das maiores personagens da banda desenhada de todos os tempos.

Paulo Ricardo Montenegro e O Ídolo de CristalPorquê o Tex e não outra personagem?
Paulo Ricardo Montenegro: Bom, na verdade, o Tex está entre as minhas personagens preferidas na banda desenhada, ao lado de Mickey, Batman, Ken Parker, Brucutu, Tintim e Asterix (não necessariamente nesta ordem). Eu não saberia escolher um deles. Mas o Tex ocupa um lugar especial nesta galeria, não só pelos seus artistas, que roteirizam espectacularmente suas histórias e as ilustram melhor ainda, como pela temática das mesmas. Além de eu ser fã de histórias e filmes de faroeste, e aficionado pela história norte-americana em geral, Tex e seus parceiros representam algo que está cada vez mais difícil de se ver hoje em dia, a justiça, a honestidade, o desprendimento de pensar-se nos menos afortunados, nos desprotegidos, nos injustiçados, antes de pensar em si. Além de tudo isso, outra característica que me agrada nas histórias do Tex é o facto do bem sempre triunfar sobre o mal, algo que me acostumei a ler nos quadradinhos nos anos 60, e que está cada vez mais distante hoje nas histórias de super-heróis da Marvel e da DC. Nas histórias de Tex o leitor tem sempre bem definidos quem são os mocinhos e quem são os vilões, e isso sempre me agradou em histórias em quadradinhos. Sempre gostei deste “preto-e-branco” de mocinho/bandido, e sempre gostei, mais ainda, do mocinho invariavelmente se dar bem no final das histórias. Não gosto dos tons de cinza que existem hoje na maioria de histórias em quadradinhos de super-heróis, facto que me afastou bastante delas.

Capa de Tex emolduradaO que Tex representa para si?
Paulo Ricardo Montenegro: O Tex é uma das personagens de banda desenhada que melhor encarna a noção de justiça, do certo e errado, e tem perfeita consciência que o bem deve sempre prevalecer sobre o mal … se eu penso em justiça a toda prova, penso logo no Tex.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Paulo Ricardo Montenegro: Eu tenho exactas 873 revistas de Tex (até o momento desta entrevista), desde a Editora Vecchi. A única publicação que não colecciono é a Tex Edição Histórica, por ser uma repetição de Tex Coleção, e não possuo nenhuma das revistas da Rio Gráfica onde Tex saía primordialmente, antes de ser publicado pela Vecchi. Quanto ao resto, tenho a pretensão de possuir todas as revistas já publicadas com o Tex. A mais importante é, sem dúvida, a edição de Pat o Irlandês, pelas razões antes expostas.

A colecção de Paulo Ricardo MontenegroColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Paulo Ricardo Montenegro: Sou coleccionador apenas das revistas e álbuns de histórias em quadradinhos do Tex, publicados no Brasil. A única excepção às revistas e álbuns é o filme “Tex e o Senhor dos Abismos”, que também possuo.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Paulo Ricardo Montenegro: Bom … mesmo tendo um carinho todo especial pela história “Pat, o Irlandês”, a história que mais gosto, de Tex, é “El Muerto”… aquele final, com o duelo entre os dois, é de um suspense a toda à prova e, mesmo sabendo que o Tex vai vencer, fica aquele “friozinho na barriga” dos velhos e bons filmes de faroeste.
Quanto a argumentistas e desenhadores, sou um purista e um conservador assumido: para mim, não tem ninguém melhor do que a dupla Bonelli/Galep.

Paulo Ricardo Montenegro e algumas capas famosas, devidamente emolduradasO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Paulo Ricardo Montenegro: São vários os factores que me agradam em Tex: a noção de justiça, como comentei antes, a amizade sem limites que ele dedica aos seus pards, o desejo constante de ajudar a quem precisa, sem medir as consequências dos seus actos. Difícil, entretanto, encontrar algo que me desagrade em Tex. Como um romântico incurável, talvez eu gostasse de ler algumas histórias em que ele se envolvesse romanticamente com alguém, mesmo reconhecendo que isso prejudicaria sua carreira de paladino da justiça. Quem sabe um “elseworld”? (risos)

Revistas bem conservadasEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Paulo Ricardo Montenegro: Creio que o facto de Tex ser praticamente uma “personagem de autor”, mesmo que já tendo passado por inúmeras mãos, nos roteiros e desenhos, fazem deste uma personagem única. A mão firme com que os Bonelli (antes Gianluigi e agora Sergio) conduzem a questão ajuda muitíssimo nisso. Quem compra Tex quer ler o Tex justiceiro e durão, e temos a certeza de que assim ele continuará. É uma personagem que não está sujeita aos “ventos da modernidade” nem suas histórias andam ao bel-prazer dos autores, sinal que temos uma linha bem definida e esta linha é mantida por todos que trabalham com ele, o que nos dá, sempre, a certeza de lermos óptimas histórias e de não termos surpresas ao longo do percurso.

Paulo Ricardo Montenegro e El MuertoPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
Paulo Ricardo Montenegro: Tendo atingido 60 anos de publicações ininterruptas e já tendo sido publicado por 5 editoras no Brasil, sempre com muito sucesso, comprovado ainda pelo facto de estas editoras terem mantido sua numeração original, em uma prova de muito respeito aos leitores, coleccionadores e fãs, vejo com muito optimismo o futuro de Tex.
Mesmo com o falecimento de alguns autores, muito carismáticos e competentes, e com o envelhecimento de outros, a Bonelli soube preparar novos desenhadores e argumentistas que “seguram muito bem a bola”, mantendo a personagem, como comentei acima, sempre dentro de uma linha de actuação que agrada a todos.
Portanto, tenho a certeza de que Tex terá um futuro grandioso pela frente, e eu espero poder acompanhá-lo ainda por muitos anos, sempre com a mesma qualidade de roteiros e desenhos. E se existe lugar para a justiça no Mundo, certamente ela passa pelos quadradinhos e histórias de Tex Willer.
Um grande abraço a todos e meu muito obrigado ao amigo José Carlos Francisco (Zeca) pelo convite.
Vida longa a Tex!!! Ou, como costumamos dizer lá no Fórum GibiHouse, TEX RULES!!!

Prezado pard Paulo Ricardo Abade Montenegro, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

Entrevista: Sergio Bonelli

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Sergio BonelliExiste uma geografia de Tex, que não é aquela das pradarias, dos desertos e das montanhas atravessadas pelo Ranger na sela do seu fiel Dinamite. É uma geografia totalmente italiana que se estende entre Milão, onde ficava a Editora Audace (dirigida no pós-guerra por Tea Bonelli, esposa de G. L. Bonelli) e a Ligúria (Génova e depois Varazze) para onde G. L. Bonelli, após se separar da esposa, se transferiu e iniciou uma pequena actividade editorial de onde desenfornava roteiros para História em Quadradinhos. Daquelas centenas de folhas escritas surge um pistoleiro de nome Tex Killer que, rapidamente se transformará em alguém mais tranquilo, Tex Willer, a quem o desenhador Aurelio Galleppini dará um rosto semelhante a um jovem Gary Cooper, mas que na realidade é o seu próprio. Quando em 30 de Setembro de 1948, sai pelas edições Audace o primeiro número da Série de Tex, uma pequena revista em formato de tiras (talão de cheques), Sergio Bonelli, filho de Tea e G. L. Bonelli tem pouco menos de 16 anos, mas já trabalha na Editora. A partir de 1957 assume a direcção e ainda hoje resiste ao leme de uma indústria que lançou quadradinhos como Zagor, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Nathan Never, Júlia, Mágico Vento e tantos outros.

Sergio BonelliEm suma, Sergio Bonelli, Tex é um herói do Oeste ou um herói italiano? Quanto do nosso País (Itália) existe no seu sangue?
Sergio Bonelli: Existia muito, ao menos no início. E isto por falta de documentos e livros que nos explicassem como de facto era o Oeste. Naqueles anos, em Milão, não se encontrava um livro ou uma revista americana nem que pagasse um milhão. Lembro-me que, no quiosque da Piazza della Scala, chegava apenas uma cópia de True West e de algumas Histórias em Quadradinhos, que eram sempre compradas por Rinaldo D’Ami (desenhador e posteriormente editor – NDT) que falava bem o inglês. Assim, nas revistas de Tex daquela época, existem espingardas improváveis, desenhados por gente que jamais tinham visto uma Winchester de perto, existem panoramas e paisagens italianas, montanhas que são um pouco do Grand Canyon e das Dolomitas (montanhas italianas que ao amanhecer e ao entardecer, assumem uma coloração rósea – NDT), onde Galleppini passava as suas férias. Existem também córregos da Sardenha, onde o desenhador viveu por anos, ranchos que lembram povoados toscanos ou do Agro Pontino. E ainda há a camisa sem mangas que Tex mostra em alguns quadradinhos, diferente das longas ceroulas que os heróis dos filmes de faroeste costumavam usar: dizem que ela nasceu em Marselha, mas a camisa sem mangas é um pouco a roupa-símbolo do italiano daquela época.

Sergio BonelliNa Itália do pós-guerra Tex poderia ser um debandado à procura de uma relação institucional onde se reencontrar, como lhe aconteceu nos quadradinhos: de fora-da-lei a Ranger?
Sergio Bonelli: Sobretudo ele é alguém que sofreu um revés e quer fazer justiça sozinho. De resto o nome Tex Killer agradava demais a Gianluigi Bonelli. Meu Pai amava o pugilismo e as histórias cheias de acção, socos, mortos e feridos. Havia uma paixão particular para os duros à maneira de Mike Spillane.

Mas as raízes de Tex e as fontes de Gianluigi Bonelli estão mais na literatura ou no cinema?
Sergio Bonelli: Meu Pai leu de tudo, ele gostava sobremaneira dos romances de capa e espada e as aventuras africanas, mas na realidade escolhia o cinema porque era mais próximo da sua linguagem de argumentista.

Sergio Bonelli no meio de Texianos na SBETer-lhe-ia sido aprazível fazer cinema?
Sergio Bonelli: Certamente. Ele desenvolveu um guião com o improvável título de “Os falcões voam sobre os montes” e outro, sobre Cagliostro (Conde Alessandro Cagliostro, foi um viajante, ocultista e mago, nascido em Palermo Itália em 1743 – NDT), era bonito terminado e encadernado, mas permaneceram na gaveta. O mundo do cinema tinha uma atitude snobe em relação à banda desenhada: disse não ao grande Hugo Pratt, imagine a Bonelli…

O mito do Oeste ainda resiste?
Sergio Bonelli: Nos jovens cada vez menos, e depois a facilidade das viagens, mais ou menos organizadas, exauriu o fascínio das aventuras do Velho Oeste ou das aventuras exóticas tipo Legião Estrangeira. Tex é um sobrevivente, expressão de sentimentos simples…

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor LopesPorém ainda vende as suas boas 200.000 cópias mensais, sem considerar os álbuns especiais, os Tex Gigantes, etc. Depois dele não faltam releituras em quadradinhos de heróis do Velho Oeste: de Ken Parker a Mágico Vento, mas nenhuma teve um sucesso tão duradouro e substancioso. Por quê?
Sergio Bonelli: Porque nenhuma dessas personagens, embora importantes e de grande qualidade, têm a facilidade comunicativa de Tex.

Existe algo de inédito, de novo a respeito de Tex que Gianluigi Bonelli nunca tenha revelado?
Sergio Bonelli: Bem, praticamente foi dito e escrito de tudo. Uma coisa curiosa, porém devo lhe dizer: Gianluigi gostava de contar aos outros que ele, não era senão uma espécie de intermediário, um médium em uma sessão espírita. Ele começava a escrever a história, mas depois eram as personagens que lhe diziam como levá-la adiante, como enredar as acções. Talvez acreditasse nisso de verdade, mas por certo era de tal modo convencido da sua capacidade de autor que não traçava nunca um argumento e a história crescia assim, como se já estivesse escrita.

Entrevista apresentada no sítio L’Unità.it
Copyright: © 2008, L’Unità.

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Tradução e adaptação a cargo de Sílvio Raimundo.
NDT – Nota do tradutor