60 anos de Tex Willer no FIBDA 2008, na revista ANIM’ARTE nº 71, do trimestre Abril, Maio, Junho de 2009

Texto da revista “ANIM’ARTE” nº 71 (a revista ANIM’ARTE é um projecto editorial do GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), do trimestre Abril-Junho de 2009.
* José Carlos Pereira Francisco

60 anos de Tex Willer no FIBDA 2008

Tex Willer, a carismática personagem da banda desenhada italiana, criada em 1948 pela dupla Giovanni Luigi Bonelli & Aurelio Galleppini e que teve a sua primeira exposição em Portugal, em 2005, por ocasião do 14º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, completou portanto em 2008, 60 anos de vida editorial e a efeméride foi condignamente comemorada no nosso país, integrada na 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), o mais consagrado do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível internacional, que decorreu de 24 de Outubro a 9 de Novembro e cujo tema central apesar de ter sido a “Tecnologia e Ficção Científica”, organizou uma exposição dedicada ao sexagésimo aniversário desta personagem de aventuras da Editora Bonelli, mais precisamente uma mostra que incluiu páginas ORIGINAIS expostas pela primeira vez num país fora da Itália, o que mostra bem a consideração dada pela Sergio Bonelli Editore ao evento português, pois apesar de inúmeras exposições, realizadas em variados países, dedicadas ao inoxidável Ranger do Texas, tal nunca foi autorizado pelos responsáveis da editora italiana.

Estiveram expostas páginas originais que diziam respeito a toda a produção de 2008, com destaque para a história comemorativa dos 60 anos, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, incluindo a exposição também originais da autoria de alguns dos mais consagrados desenhadores de Tex, como por exemplo o italiano Giovanni Ticci, o espanhol Alfonso Font ou o argentino Ernesto Garcia Seijas, mas igualmente pranchas desenhadas por alguns dos mais recentes elementos da equipa de desenhadores, como foram os casos de Marco Santucci, Marco Bianchini, Franco De Vescovi, Rossano Rossi ou Ugolino Cossu. Também estiveram patentes ao público algumas capas originais e respectivas provas de cor, todas da autoria de Claudio Villa, o herdeiro de Galleppini que se despediu dessa função desenhando um pouco antes da sua morte, a capa da edição nº 400.

A exposição teve ainda como hóspedes de honra, o ilustre e incansável Fabio Civitelli, precioso embaixador italiano de Tex, que regressou a Portugal, depois de ter sido o autor estrangeiro homenageado no Salão MouraBD2007, e o seu concidadão e colega, estreante no nosso país, Marco Bianchini, um dos mais antigos e mais conceituados desenhadores da Sergio Bonelli Editore, para onde entrou em 1985, tendo desenhado histórias de Mister No durante 20 anos até que foi promovido para o staff de Tex, tendo-se estreado na série italiana no passado mês de Outubro.

Ambos foram acolhidos com grande afecto por um público afável e bem informado, retribuindo com a sua simpatia e disponibilidade, presenteando os amantes da 9ª Arte com uma galeria de fantásticos desenhos feitos na ocasião, que a todos encantaram, não negando igualmente alguns minutos para falar, para ouvir e para trocar ideias sobre os mais variados assuntos, com as dezenas de ávidos texianos que os rodeavam durante as sessões de autógrafos, recompensando-os também deste modo, pela longa espera a que estiveram sujeitos devido ás longas filas, nunca negando inclusive um sorriso ou uma foto. Uma verdadeira lição de profissionalismo, humildade e amor pelos seus fãs e pelo seu trabalho que perdurarão, certamente, por muito tempo na memória daqueles que tiveram o privilégio de os viver, alguns dos quais vieram de longe, inclusive do estrangeiro, tudo por uma paixão comum: TEX.

A assinalar esta homenagem portuguesa aos 60 anos de Tex Willer, ocorrida no FIBDA foi produzido um gracioso pin oficial, feito propositadamente para o evento, com autorização da SBE e nele consta o logótipo tradicional de Tex, assim como a menção ao sexagésimo aniversário do Ranger e um desenho de Tex a cavalo da autoria de um dos mais consagrados desenhadores do mundo, o americano Joe Kubert!

E assim num curto espaço de tempo (2005-2008) TEX WILLER teve a sua terceira grande exposição no nosso país, facto de grande realce, inclusive porque Portugal é um país onde Tex não é publicado, embora recebendo desde 1971, as edições brasileiras, o que mostra bem o interesse, empenho e carinho dos texianos portugueses pelo lendário Ranger e mostra sobretudo a importância que a Sergio Bonelli Editore concede a Portugal, ao colaborar em exposições de tão alta importância, como bem atesta a mais recente, denominada “60 Anos de TEX“, depois da “Nova vaga de desenhadores” ocorrida na cidade alentejana de Moura em 2007 ou a relativa aos “Autores de Tex Gigante”, em 2005 na nossa cidade, todas elas contribuindo para que a longa cavalgada de Tex continue ainda por muito tempo, nesta sua incansável luta ao serviço de uma causa justa, entre índios e mexicanos, rancheiros e pistoleiros: ontem nos desertos do Arizona, hoje nos pântanos da Florida, amanhã nas infinitas pradarias do Texas, porque depois deste histórico passado de seis décadas, continuará sem a menor dúvida, crescendo no futuro, cada vez mais, a lenda de Tex Willer, o Águia da Noite…

Copyright: © 2009 Revista “ANIM’ARTE“; José Carlos Pereira Francisco
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Entrevista com o fã e coleccionador: Antonio Aldi Brilhante

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Antonio Brilhante: Eu sou uma pessoa simples, nasci no Estado brasileiro do Rio Grande do Norte, onde vivi até aos 18 anos, morava na zona rural e trabalhava na agricultura, do local onde eu morava para a cidade de Campo Redondo, a mais próxima eram 4 km e estudava à noite. Foi na escola José Borges de Oliveira que terminei o curso fundamental. Actualmente moro na cidade de Guarabira, Estado da Paraiba, sou bancário e no final do semestre de 2008 terminei o curso de História na Universidade Estadual da Paraiba – UEPB.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Antonio Brilhante: Quanto à minha paixão pela banda desenhada, ela nasceu por volta de 1970, quando eu li uma variedade de quadradinhos da Disney, Akim, Fantasma, Mandrake, Zorro e outros. Quanto a Tex eu tomei conhecimento de uma forma bem surreal, pois eu estava no campo e colhia algodão quando vi algumas folhas de revista sendo levadas pelo vento. Fui ver o que eram e foi quando eu vi que eram quadradinhos e em preto e branco e na minha curiosidade apanhei e li de imediato e isso despertou em mim o interesse de conseguir o restante daquela história; era a edição de Tex número 70, “Caçadores de Escalpos“.

Porquê o Tex e não outra personagem?
Antonio Brilhante: Porque Tex? Tex é uma personagem carismática, as tramas desenvolvidas pelos contadores de histórias envolvem o indivíduo e quem ler uma vez Tex jamais deixará de ler. No meu ponto de vista Tex é uma criação da casa Bonelli em que nós leitores nos espelhamos e digo mais, ele é totalmente do bem.

O que Tex representa para si?
Antonio Brilhante: Tex para mim é um exemplo a ser seguido, porque ele dá uma demonstração de fidelidade e de segurança. Tex não tem meias palavras, para ele é tudo ou nada, quem pratica o mal deve ser punido e os bons devem protegidos; é isso que Tex representa para mim.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Antonio Brilhante: Actualmente tenho um total de 403 revistas! Para mim há algumas importantes como a edição de Tex Coleção nº 1, “Mão Vermelha“, a edição gigante “O Vale do Terror” e o Almanaque de Tex nº 25 “Retorno a Culver City“. Eu posso dizer que esta edição é importante para mim pelo facto de desvendar mais um pouco do passado de Tex, como por exemplo quando ele fala que quando era menino ia com o irmão Sam pescar no rio, ou quando Tex leva Kit Willer para ver os túmulos dos avós paternos. Estes momentos mostram quanto Tex é humano.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Antonio Brilhante: Além de ser um aficionado leitor de Tex, tenho sim uma pequena biblioteca se é que posso chamá-la assim, porque quando eu estava na Universidade essa minha pequena biblioteca auxiliou-me bastante na área de pesquisa. O que posso encontrar em relação ao Tex não deixo de comprar, mas na Paraiba e principalmente aqui na cidade de Guarabira é muito difícil conseguirmos adquirir todas as edições, quanto mais algo de especial sobre o Ranger.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Antonio Brilhante: As histórias de Tex são tantas, mas posso dizer que “El Muerto“, “Forte Defiance” e “Forte Apache” estão entre as minhas preferidas. Quanto aos desenhadores, dos antigos gosto muito de Galleppini, Ticci e Lettèri, já da safra nova prefiro Claudio Villa. Sobre quem escreve melhor, Bonelli (pai) é inquestionável, mas também gosto muito de Nizzi, embora ele ultimamente venha sofrendo uma crítica pesada.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Antonio Brilhante: O que me agrada mais em Tex? Tudo! Ele é duro quando precisa ser, é irónico e também nunca está na mó de baixo, pois sempre tem uma saída. Também gosto muito da eterna guerra entre ele e Carson, pois é ali que a personagem criada por G. L. Bonelli se completa.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Antonio Brilhante: Na minha opinião, o que faz ser o que Tex é hoje, foi a forma com o decorrer do tempo como foi sendo construído, adequando a personagem a cada mudança que acontece sem ferir a estrutura como um todo, por isso Tex permanece inoxidável.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Antonio Brilhante: Eu vejo que ainda haverá Tex por muito tempo longe das eternas pradarias, pois não será tão cedo que o Ranger irá decair, porque ele sempre se adequa ao momento, não importa como esteja a situação global, porque Tex é Tex!

Prezado pard Antonio Aldi Brilhante, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Capa de Tex italiano # 585: La grande sete

Por José Carlos Francisco

O próximo mês de Julho trará a estreia, na Itália, do argumentista Gianfranco Manfredi na série principal de Tex (depois de se ter estreado com o Ranger no Maxi Tex 2005), numa história intitulada “La grande sete“, desenhada por Fabio Civitelli e que trará também, segundo a opinião de inúmeros fãs italianos de Tex, exprimidas em diversos fóruns, uma das mais belas capas (da autoria de Claudio Villa) de toda a saga de Águia da Noite e que damos a conhecer aqui ao lado.

Mas até chegar a este resultado final, Claudio Villa fez vários esboços e estudos e são algumas dessas fases que damos hoje a conhecer aqui no blogue do Tex graças a diversas fotos tiradas pelo nosso foto-repórter Marco Andrea Corbetta, que recentemente visitou o estúdio de Claudio Villa:


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Tex desembarca na Argentina: Entrevista com Pasquale Frisenda

O blogue do Tex apresenta na nossa língua, uma interessante entrevista feita recentemente pela Sergio Bonelli Editore no seu site, ao desenhador Pasquale Frisenda que irá se estrear oficialmente como desenhador de Tex este mês através da edição 23 (Junho 2009) dos Texoni, numa história intitulada “Patagonia”, escrita pelo argumentista Mauro Boselli.

O Verão aproxima-se e é de novo tempo do Texone (Tex Gigante). Um duo inédito apresenta a aventura deste ano, a vigésima terceira, à venda nos quiosques italianos, a partir de 20 de Junho: se Mauro Boselli não  é por certo a primeira vez que pisa os empoeirados territórios do Oeste texiano, para Pasquale Frisenda trata-se de uma estreia absoluta. Para a ocasião, Boselli confeccionou uma história verdadeiramente especial, com o Ranger empenhado numa missão que o porta muito longe da sua amada reserva navajo… na  Patagónia! Fala-nos o desenhador que, nos últimos três anos, suou nas mais de duzentas páginas de que é composta a aventura…

Um desafio à frente do qual se encontram os desenhadores que contactam com Tex pela primeira vez diz respeito à definição gráfica de Águia da Noite e dos seus pards. Como foi a tua pesquisa? De que modelo partiste?
Procurei ter presente vários modelos e referências que os diversos desenhadores que têm alternado na série podiam oferecer, mas a ideia da personagem que desejava corresponder (aquela de um homem conhecedor e sábio, mas também decidido e com garra, e com quem é melhor não brincar demais) tomei em especial a partir do trabalho de Giovanni Ticci e Claudio Villa. Mas sem omitir alguns elementos do modelo de Galep, que para mim são importantíssimos para definir graficamente Tex.

De Ken Parker a Tex, passando por Mágico Vento: como foi a tua aproximação a estes westerns tão diversos entre eles?
A abordagem foi sempre a disponibilidade em direcção às personagens e suas características específicas. Pertencem todos os três, é verdade, ao género western, mas são universos autónomos e com diferenças substanciais, que temos de aprender a compreender e gerir bem para trabalhar de forma eficaz,  colocando sempre que possível algo de pessoal.

A história escrita por Mauro Boselli leva o Ranger à longíqua Patagónia. Imaginamos que esta escolha insólita te tenha obrigado a trabalhar com una ampla documentação referente à terra dos gaúchos…
Sim, e mesmo muito! E nem sempre foi fácil encontrar material. Em parte foi-me fornecido por Mauro Boselli (que, por seu turno, tinha sido ajudado pela paixão que Mario Fagella nutria pela Argentina), e também por Sergio Bonelli em pessoa, mas estou habituado a fazer esse árduo trabalho que a mim me diz respeito: a ambientação em que coloco personagens e situações, para mim, é muito importante a definir graficamente, “como se fosse una personagem também”, citando um famoso director… A pesquisa dura até ao fim do projecto, pois há sempre modo de corrigir ou melhorar o próprio trabalho.

Conta-nos o teu método de trabalho. De quais elementos partes no definir de uma página? E quantas vezes retornas atrás para adicionar detalhes ou para ajustar o tiro?
Procedo sempre em ordem cronológica, e após ter lido as páginas de uma sequência que constem do guião, por exemplo, começo com a pesquisa da documentação apropriada (vestuário, objectos de género variado, ambientação, armas, etc.) e depois então começo a desenhar. Acontece por vezes de retornar ao que já está desenhado, sempre que na minha opinião, o trabalho possa ser aperfeiçoado ou para remover qualquer erro… O trabalho jamais chegará aos quiosques como temos em mente no início… um desenhador com um mínimo de sentido crítico verá sempre defeitos, mas pode todavia empenhar-se para aproximar-se daquele objectivo e, mal que vá, é um exercício que leva quase sempre a um resultado melhor no trabalho seguinte…

E após o Texone, um esforço que te empenhou por diversos anos, no que estás a trabalhar agora?
No presente estou a realizar uma história breve de Dylan Dog. Variar de personagens e géneros tem sido desde sempre um dos meus interesses específicos. Alternar entre as diferentes interpretações do Oeste, da sua visão mais crepuscular a uma ideia de aventura mais clássica (se bem que a história do Texone tenha sido bastante incomum) é um belo desafio, agora com  Dylan haverá uma pequena incursão no seu mundo, mas gostaria de confrontar-me, mais cedo ou mais tarde, também com o noir e com a ficção-científica, esta última a minha verdadeira paixão.

Material apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore.
Copyright: © 2009, Sergio Bonelli Editore S.p.A.
Tradução e adaptação de José Carlos Francisco.

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