Entrevistas conduzidas por José Carlos Francisco, com a colaboração deGiampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Bira Dantas na caricatura, de Omar Bacis nas fotos, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino nas traduções e revisões. MAURO BOSELLI
A alma narrativa de Patagónia é o Tex com seu inato senso de justiça: o herói é respeitado pelos homens livres justamente por isso. O seu Tex transborda indignação, mas ao mesmo tempo mantém uma lucidez que lhe permite sair vencedor de uma situação desesperada. A continuidade do Tex de Gianluigi Bonelli é evidente. Fale um pouco sobre esse ponto. Mauro Boselli: Bem, eu não acho que Tex tem DOIS modos de agir, quer o escreva eu ou o escreva (observar o tempo presente) G. L. Bonelli! Ele age como Tex. Em “Patagónia” ele é colocado numa situação entre as mais difíceis da sua vida e deve fazer escolhas extremas, mas sempre escolhas “de Tex”. E ele sai vencedor no plano moral. Só nesse.
Desde as primeiras páginas, em “Patagónia” se respira um ar melancólico e de tragédia, quase se tem a sensação que é iminente uma tragédia. É um aspecto que tem poucos precedentes na saga de Tex, normalmente marcada pelo optimismo. Vem à nossa mente somente o clássico “Entre Duas Bandeiras” e, em menor escala, o mais recente “O Homem Sem Passado”. Quando fazia o roteiro desta aventura você tinha em mente o final trágico e épico ou avaliou a hipótese de “forçar” a história, coisa que muitas vezes acontece na série, a buscar um final mais consolador, se podemos definir assim, e voltado ao optimismo? Mauro Boselli: A escolha foi ditada pela realidade histórica dos factos. No fundo, trata-se de uma história bastante única e da qual não poderemos repetir as escolhas extremas que mencionei (tipo bandear-se abertamente para o lado do povo vermelho e matar os soldados argentinos). O caminho do argumento, da ideia da história, era esse desde o início. Ao falar com Bonelli eu tive caminho livre para “pegar duro”. Não estava previsto um epílogo diferente.
Falemos das sombrias e sensíveis cenas finais. Você acha possível imaginar de modo semelhante, num futuro longínquo, o “fim” de Tex, isto é, ver o ranger empenhado em difundir seus ideais de liberdade e justiça em outras partes do mundo, durante outras guerras esquecidas? Mauro Boselli: Absolutamente não. Tex viverá sempre e não quero imaginar seu fim. Mas se ele fosse um homem real, eu não o veria agir como um “sargento Kirk” ou um Che Guevara ao lado dos nativos americanos. Tex é chefe dos navajos e os navajos até hoje têm seu território soberano nos EUA. Tex envelheceria e morreria sereno na reserva, depois de uma velhice a caçar pumas e cervos no Arizona.
No início a figura de Mendoza parece delinear-se como uma espécie de segundo Montales. Em seguida a personagem se molda às ordens recebidas e revela a própria hipocrisia. Foi Mendoza quem, no curso do roteiro, ditou essa mudança? Mauro Boselli: Idem como na segunda resposta. É verdade que muitas vezes declarei que não faço argumentos detalhados e que improviso muito, mas certas viradas narrativas e certas personagens são por demais importantes para não serem claras desde o início.
As personagens multifacetadas e atormentadas, o ténue limite entre o bem e o mal, o resgate moral de algumas figuras aparentemente negativas são aspectos sempre presentes na sua produção texiana. Em “Patagónia” também se sobressaem, sobretudo na última – belíssima – parte, inovações técnicas que raramente haviam sido vistas na série mensal: flashbacks ousados, montagens alternadas, cenas mudas de 4 páginas. Neste Tex Gigante você actuou com maior liberdade também nesse sentido, possivelmente em virtude da particularidade da trama? Você pensa em usar esses expedientes no futuro? Mauro Boselli: Só se for necessário. Esta não é a série regular de Tex e, por isso, pode-se permitir algo mais.
Em algumas das suas histórias anteriores você deu muito destaque à figura de Kit Willer. Neste Tex Gigante você escreveu várias sequências tocantes e fortes: o abraço entre os dois Willer é uma dessas. Giuseppe Pollicelli (no facebook) escreveu: “Deve-se dizer que Boselli sempre fez escolhas corajosas, às vezes até com o risco de ser impopular (lembro-me, por exemplo, da história texiana de Thunder Jack, que a mim agradou bastante)“. Quando você quer inserir situações inovadoras – em nossa opinião necessárias – você tem hesitações ou segue em frente na sua estrada? Mauro Boselli: As duas coisas!
PASQUALE FRISENDA
Em “Patagónia”, graças também ao formato, o impacto dramático do seu traço atingiu emotivamente o leitor. Como você encarou as muitas sequências de batalha escritas por Boselli? Pasquale Frisenda: A ocasião pareceu-me grande demais para ser desperdiçada com páginas aquém do devido ou feitas com pouco esmero. Procurei evidenciar o mais possível as indicações e sugestões recebidas do roteiro, a trabalhar as expressões das personagens, o gestual, a usar um contraste de branco e preto bastante acentuado, quase expressionista e típico da BD latina, para aumentar a dramaticidade da trama narrada.
Embora já acostumado com atmosferas de faroeste, graças à colaboração com Ken Parker e depois com Mágico Vento, quais dificuldades e quais estímulos você sentiu ao passar ao faroeste de Tex, tão distante em termos de tempo de narração, psicologia das personagens e “visão do mundo” das duas sagas precedentes? Você acha que abordar Tex e seu mundo com uma história tão abertamente fora dos padrões de algum modo lhe ajudou? Pasquale Frisenda: Se bem que não de imediato, a ambientação anómala jogou em meu favor na tentativa de retratar um Tex mais pessoal. Como se disse, Ken Parker, Mágico Vento e Tex são personagens e universos bem distintos, com a sua identidade e códigos narrativos precisos e fortes, por isso a minha abordagem de um ícone como Tex foi na direcção de aprender os novos tempos narrativos e as características da nova série como eu já havia feito com Ken Parker e Mágico Vento.
Desde o início salta aos olhos o grande esmero que você colocou em seu trabalho: os ambientes são tão bem delineados e “vivos” que nos sentimos realmente dentro do barco, nos Pampas e nas montanhas andinas. As personagens também são dotadas de uma extraordinária mímica facial e em todas as cenas o realismo absoluto domina. Além de ser fruto do facto de, no início da carreira, ter tido um mestre do calibre de Ivo Milazzo, na representação gráfica de personagens e ambientes você recebeu indicações precisas de Mauro Boselli ou teve total liberdade expressiva? Qual modelo de Tex você tomou como referência? Pasquale Frisenda: Bem, agradeço pelo juízo sobre o trabalho. Buscar fazer o leitor “entrar” na atmosfera da história, e desde a primeira página, sempre foi meu objectivo maior, por isso eu não poderia receber elogio maior. O trabalho feito ao lado de Ivo Milazzo foi muito valioso para entender esses aspectos. Muitas indicações para os ambientes e para as personagens eu recebi no roteiro de Mauro Boselli e em fotos que ele acrescentava, mas estou acostumado a colocar muita coisa minha nesse sentido, e normalmente a pesquisa segue até a conclusão do projecto. Para Tex eu olhei muitos desenhadores que o levaram a ser o mito dos quadradinhos que é, a começar por Aurelio Galleppini, para depois passar a Ferdinando Fusco, Giovanni Ticci, Vincenzo Monti, Alfonso Font e Claudio Villa em particular.
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As personagens que aparecem nesta edição têm uma personalidade marcante: quanto o intenso roteiro de Boselli criou em si a responsabilidade de não trair essa figuras? Pasquale Frisenda: Em todas as 224 páginas do volume.
Além do óptimo Tex, você deu ao jovem Kit uma vitalidade não fácil de captar na primeira experiência texiana. Emergiu sobretudo a humanidade de Kit Willer. Quais foram as dificuldades de uma personagem aparentemente menor? Pasquale Frisenda: Eu sei que Kit sempre teve menos destaque que os demais coadjuvantes, mas eu sempre gostei dele. Aliás, na minha opinião ele deveria ter mais espaço, atenção e energias no futuro; poderia crescer mais e se tornar uma bela personagem também em razão dos leitores mais jovens. No argumento inicial de “Patagónia” Kit teria um papel mais incisivo na trama e, nos estudos realizados para a personagem, eu busquei lhe dar um ar mais determinado, mas obviamente sem lhe tirar o esplendor de sua idade. Sergio Bonelli gostou dos estudos e essa imagem ficou. As referências para caracterizá-lo foram principalmente o Kit visto nas histórias “Ao Sul de Nogales” e “O Solitário do Oeste”, desenhadas por Giovanni Ticci, e “A Marca de Cruzado” de Galleppini.
Você gostaria de acrescentar algo que não lhe foi perguntado? Pasquale Frisenda: Apenas que agradeço como sempre pela atenção e paixão de vocês.
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Interviste condotte da José Carlos Francisco, con la collaborazione diGiampiero Belardinelli e Roberto Paganiper la formulazione delle domande, di Bira Dantas per la caricatura, di Omar Bacis per le foto, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.
MAURO BOSELLI
L’anima narrativa di Patagonia è il Tex con il suo innato senso di giustizia: l’eroe viene rispettato dagli uomini liberi proprio per questo. Il tuo Tex gronda di indignazione, ma allo stesso tempo mantiene una lucidità che gli permette di uscire vincitore da una situazione disperata. La continuità con il Tex di Gianluigi Bonelli è evidente. Dicci qualcosa su questo punto. Mauro Boselli: Beh, ritengo che Tex non abbia DUE modi di comportarsi, che lo scriva io o lo scriva (notare il tempo presente) GL Bonelli! Lui si comporta da Tex. In “Patagonia” viene messo in una situazione tra le più difficili della sua vita e deve fare scelte estreme, ma sempre “da Tex”. E ne esce vincitore sul piano morale. Solo su quello.
Fin dalle prime pagine di “Patagonia” si respira un’aria malinconica e di tragedia, si ha quasi la sensazione che una tragedia sia imminente. E’ un aspetto che all’interno della saga di Tex, solitamente improntata all’ottimismo, ha pochi precedenti. Ci vengono in mente solo il classico “Tra due bandiere” e, in misura minore, il più recente “L’uomo senza passato”. Quando stavi sceneggiando questa avventura avevi ben chiaro in mente il finale tragico ed epico oppure hai valutato l’ipotesi di “forzare” la storia, cosa che spesso avviene nella serie, cercando un finale più consolatorio, se vogliamo, e quindi più rivolto all’ottimismo? Mauro Boselli: La scelta è stata dettata dalla realtà storica dei fatti. Si tratta di una storia abbastanza unica, in fondo, che non potremo ripetere, nelle scelte estreme di cui ho detto (tipo schierarsi così apertamente con il popolo rosso e uccidere i soldati argentini). La strada del soggetto era quella fin dall’inizio. Parlandone con Bonelli ho avuto via libera per “andarci giù duro”. Non era previsto un diverso epilogo.
E parlando delle cupe e toccanti scene finali, credi che sia possibile immaginare i un modo simile, seppure in un lontano futuro, la “fine” di Tex, cioè vedere il ranger impegnato a diffondere i suoi ideali di libertà e giustizia in altri parti del mondo, durante altre guerre dimenticate? Mauro Boselli: Assolutamente no. Tex vivrà sempre e non voglio immaginare la sua fine. Ma, se fosse un uomo reale, non lo vedrei comportarsi da “sergente Kirk” o da Che Guevara al fianco dei nativi americani. Tex è capo dei Navajos e i Navajos tuttora hanno il loro territorio sovrano negli USA. Tex invecchierebbe e morirebbe sereno nella Riserva, dopo una vecchiaia trascorsa cacciando puma e cervi in Arizona.
La figura di Mendoza all’inizio sembra delinearsi come una sorta di secondo Montales. In seguito il personaggio si adegua agli ordini ricevuti e rivela la propria ipocrisia. È stato Mendoza, nel corso della sceneggiatura, a dettarti il cambiamento? Mauro Boselli: Idem come alla risposta 2. E’ vero che ho spesso dichiarato di non stendere soggetti dettagliati e di improvvisare spesso, ma certe svolte narrative e certi personaggi sono troppo importanti per non averli chiari fin dall’inizio.
I personaggi sfaccettati e tormentati, l’esile confine tra il bene e il male, il riscatto morale di alcune figure all’apparenza negative sono aspetti che ricorrono abbastanza spesso nella tua produzione texiana. In “Patagonia” spiccano, soprattutto nell’ultima bellissima parte, anche delle innovazione tecniche che sulla serie raramente erano apparse: flashback arditi, montaggi alternati, scene mute di 4 tavole. In questo Texone hai beneficiato di maggiori libertà anche in questo senso, forse in virtù della particolarità della trama? Pensi di riproporre anche in futuro tali accorgimenti? Mauro Boselli: Solo se occorre. Questa non è la serie regolare di Tex e quindi ci si può permettere qualcosina in più.
In alcune tue storie precedenti hai dato molto risalto alla figura di Kit Willer. In questo Texone hai scritto diverse sequenze toccanti e forti: l’abbraccio tra i due Willer è una di queste. Giuseppe Pollicelli (su facebook) ha scritto: «Va detto che Boselli le scelte coraggiose le ha sempre fatte, a volte anche rischiando l’impopolarità (ricordo per esempio la storia texiana di Thunder Jack, che peraltro a me piacque non poco)». Quando vuoi inserire situazioni innovative – secondo noi necessarie – ti poni dei dubbi o vai dritto per la tua strada? Mauro Boselli: Ambedue!
PASQUALE FRISENDA
In Patagonia, grazie anche al formato, l’impatto drammatico del tuo segno ha travolto emotivamente il lettore. Come ti sei trovato nella resa delle molte sequenze di battaglie scritte da Boselli? Pasquale Frisenda: L’occasione mi è sembrata troppo grossa per sciuparla con tavole sottotono o poco curate. Ho cercato di evidenziare il più possibile le indicazioni e gli spunti che mi arrivavano dalla sceneggiatura, lavorando sulle espressioni dei personaggi, la gestualità, e usando un contrasto di bianco e nero piuttosto netto, quasi espressionista e tipico del fumetto latino, per aumentare la drammaticità della vicenda narrata.
Pur essendo già avvezzo ad atmosfere western, grazie alla collaborazione prima con Ken Parker e poi con Magico Vento, quali difficoltà e quali stimoli hai provato a passare al western di Tex, così lontano in termini di tempi narrativi, psicologia dei personaggi e “visione del mondo” dalle due precedenti saghe? Credi che aver approcciato Tex ed il suo mondo con una storia così palesemente fuori canone ti abbia in qualche modo aiutato? Pasquale Frisenda: L’anomala ambientazione, anche se non subito, ha poi giocato a mio favore per cercare di ritrarre un Tex più personale. Come dicevi, Ken Parker, Magico Vento e Tex sono personaggi e universi ben distinti, con la loro identità e dei codici narrativi precisi e forti, dunque il mio approccio ad un’icona come Tex è stato in quella direzione: imparare i nuovi tempi narrativi e le caratteristiche della nuova serie, almeno per me, come già avevo fatto con KP e MV.
Fin dall’incipit balza all’occhio la grande cura che hai messo nel tuo lavoro: gli ambienti sono così ben delineati e “vivi” che sembra di essere davvero catapultati sul battello, nelle Pampas ed infine sulle montagne andine; anche i personaggi sono dotati di una straordinaria mimica facciale e in tutte le scene la fa da padrone un realismo assoluto. Oltre che derivante dall’aver avuto agli inizi della tua carriera un Maestro del calibro di Ivo Milazzo, nella rappresentazione grafica di personaggi ed ambienti hai ricevuto precise indicazione da parte di Mauro Boselli o invece hai goduto di una totale libertà espressiva? Quale modello di Tex hai preso come riferimento? Pasquale Frisenda: Intanto vi ringrazio per il giudizio espresso sulle tavole; cercare di “far entrare” il lettore nell’atmosfera della storia, e fin dalla prima pagina, è da sempre la cosa su cui punto di più, dunque non mi potevi dire nulla di più gradito. Il lavoro fatto al fianco di Ivo Milazzo è stato molto prezioso per capire questi aspetti. Molte indicazioni per gli ambienti e per i personaggi sono arrivate da Mauro Boselli in sceneggiatura o da foto ad essa allegate, ma sono abituato a metterci molto di mio in questo senso, e spesso la ricerca dura fino alla conclusione del progetto. Per Tex ho guardato molti dei disegnatori che lo hanno portato ad essere il mito fumettistico che è, a cominciare da Aurelio Galleppini, per poi passare a Ferdinando Fusco, Giovanni Ticci, Vincenzo Monti, Alfonso Font e Claudio Villa in particolare.
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I personaggi apparsi in questo albo hanno una personalità prorompente: quanto l’intensa sceneggiatura di Boselli ti ha responsabilizzato a non tradire queste figure? Pasquale Frisenda: In tutte le 224 tavole del volume.
Oltre all’ottimo Tex, hai dato al giovane Kit una vitalità non facile da cogliere alla prima prova texiana. Soprattutto è emersa l’umanità di Kit Willer: quali sono state le difficoltà un personaggio in apparenza minore? Pasquale Frisenda: Mi rendo conto che Kit ha avuto sempre meno risalto rispetto ad altri comprimari, ma a me è sempre piaciuto. Anzi, forse converrebbe, per come la vedo io, dedicargli più spazio, attenzione ed energie in futuro, potrebbe crescere tanto e diventare un bel personaggio anche per i lettori più giovani. Nel soggetto di partenza di “Patagonia”, Kit aveva un ruolo piuttosto incisivo nella vicenda, e negli studi realizzati per il personaggio ho cercato da subito di dargli un’aria più determinata, senza ovviamente fargli perdere la solarità dei suoi anni. Gli studi sono piaciuti a Sergio Bonelli, e quell’immagine è passata. I riferimenti per caratterizzarlo sono stati principalmente il Kit visto nelle storie “A sud di Nogales” e “Il solitario del west” disegnate da Giovanni Ticci, e “Il segno di Cruzado” di Galleppini.
Tra le cose che non ti sono state chieste, c’è qualcosa che vuoi aggiungere? Pasquale Frisenda: No, se non che vi ringrazio come sempre per la vostra attenzione e passione.
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Tex Edição Gigante #19 – Arizona em chamas Claudio Nizzi (argumento) Victor de La Fuente (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Maio de 2007)
182 x 277 mm, 242 páginas, preto e branco, capa brochada
Resumo Tex Willer e Kit Carson são enviados por Washington ao Arizona, para tentarem evitar uma nova guerra com os apaches, mas para isso terão que vencer a desconfiança dos indígenas e as armadilhas dos grupos interessados nas confrontações.
Desenvolvimento Álbum escrito à medida do seu desenhador – como raramente terá acontecido em Tex – privilegiando uma temática – os confrontos brancos invasores/índios invadidos, uns protagonistas – os apaches – e uma localização – as regiões semi-desérticas da fronteira do Arizona com o México – “Arizona em Chamas” brilha, desde logo e por isso, pelo traço realista e seguro do veterano espanhol Vítor de La Fuente, em especial no tratamento que dá aos cavalos e às zonas montanhosas.
A reter – A forma como a conspiração contra os rangers e o representante enviado por Washington se vai desenvolvendo, a diversos níveis, num crescendo, até explodir com consequências imprevisíveis e, nalguns casos, irreparáveis.
– O traço algo “sujo” e duro, mas vivo e dinâmico de La Fuente.
Menos conseguido – É curioso que cavaleiros experientes como Tex e Carson desperdicem o seu tempo em constantes trocas da sua posição relativa ao longo do caminho. Surpreendidos?
Vejam a sequência das páginas 52 a 54 em que os dois cowboys trocam repetidamente da direita para a esquerda e vice-versa!
. Curiosidades – Publicado inicialmente em 1992, esta BD foi republicada em Itália em Fevereiro de 2007, na colecção Tex Stella D’Oro #5. No Brasil, foi o primeiro Tex Edição Gigante em 1995, então editado pela Globo, surgindo agora como o 19º volume da colecção da Mythos.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
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Nova ilustração de Claudio Villa, inspirada naquela que muitos fãs e coleccionadores do Ranger, consideram uma das mais épicas histórias de Tex Willer. Desta vez, vemosTex lutando desesperadamente, no calor de um incêndio, com Diego Ordoñez, um dos irmãos de El Muerto.
Desenho INÉDITOno Brasil e inspirado na história “El Muerto” de Guido Nolitta e Aurelio Galleppini (Tex italiano #190 e #191).
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O faroeste, como ficção de entretenimento, esteve presente com muita força em todo o mundo durante os anos 50, 60 e 70. Nessa época, impulsionado, em grande parte pelo cinema norte-americano, que buscava recontar de forma romântica a história daquele país, o faroeste deu-nos diversas obras-primas cinematográficas, literárias e quadrinísticas. Enquanto na literatura, talvez com a honrosa excepção da série Winnetou do alemão Karl May, foram os americanos quem mais se destacaram no género, principalmente graças à obra de Elmore Leonard (Valdez vem aí; Hombre e Na mira da arma, para citar alguns de seus livros), e, assim, também foi no cinema, com filmes como No Tempo das Diligências, Sangue de Heróis e Rio Bravo de John Ford, passando por Meu Ódio Será Sua Herança de Sam Peckinpah, até Dança com Lobos de Kevin Costner, ou o actual Os Indomáveis de James Mangold – apesar do cinema italiano ter investido no género, que imortalizaria Giuliano Gemma e o americano Clint Eastwood, como dois grandes interpretes de cowboys, o que nos deu grandes filmes.
Mas, são nas BDs (HQs no Brasil) de faroeste que os italianos se destacam tanto em qualidade como em quantidade: obras como Ken Parker só tem paralelo em qualidade com o francês Tenente Blueberry, sem falar em sagas como História do Oeste de G. D’Antonio (no Brasil editado também como Epopeia Tri) e Personagens do Oeste de Rino Albertarelli, além de séries como Zagor e Mágico Vento, todas italianas.
Porém, é com TEX que os italianos se destacaram ao criar o cowboy mais famoso e vendido até hoje na Itália e no Brasil, e que sobreviveu mesmo quando o género faroeste teve seu maior declínio no final dos anos 1980 e durante toda a década de 1990. Tex ainda continua vendendo bem no actual mercado desses dois países, que, além da tradicional concorrência com super-heróis americanos, agora sofrem uma arrasadora invasão dos mangás japoneses.
Tex chegou às bancas italianas pela primeira vez em 30 de Setembro de 1948, sob a pena de Gianluigi Bonelli e arte de Aurelio Galleppini, trazendo a aventura O Totem Misterioso, na qual Tex ajuda Tesah, filha de Urso Cinzento, Sakem dos Pawnees a recuperar um símbolo de Totem, roubado de seu pai pelo bandido Coffin, e, depois, a achar o próprio Totem, que esconde uma passagem para um suposto tesouro. Esta história foi publicada na edição comemorativa dos 50 anos de Tex pela editora Opera Graphica.
Inicialmente, Tex era publicado na Itália em formato pequeno e horizontal, com 32 páginas e cerca de três quadradinhos por página. Actualmente, o formato dos Fumetti (quadradinhos italianos) é de 3 tiras por páginas com três quadrinhos por tiras, seguindo rigorosamente este modelo, o que os torna prontamente reconhecidos. Mas, por outro lado, deixa pouca margem às inovações, para que artistas e roteristas trabalhem de forma inovadora, com novos tipos de enquadramento.
No Brasil, Tex foi inicialmente publicado em uma revistinha com o nome de Júnior, formato horizontal de 16 cm de largura por 7 cm de altura, no formato de talão de cheques, como a italiana. A primeira edição saiu em 25 de Fevereiro de 1951, trazendo o titulo As Aventuras de Texas Kid (como foi renomeado a personagem aqui no Brasil). A publicação perduraria até 1957.
Tex voltaria às bancas brasileiras em Fevereiro de 1971 pela editora Vecchi, agora no formatinho (inicialmente, no italiano, de 16 cm por 21 cm e, posteriormente, no formato no qual Tex é tradicionalmente publicado até hoje, 13,5 por 17,5 cm), e permanece sendo publicado sem interrupções, apesar dos altos e baixos do mercado de quadradinhos no Brasil.
Actualmente, Tex é um sucesso nas bancas brasileiras, e é sem dúvida a personagem com maior número de publicações que levam o seu nome – são ao todo nove séries e, por vezes, algumas minisséries. A seguir vou comentar as principais características de cada série.
As revistas de Tex no Brasil.
Tex: revista mensal, actualmente no número 467, traz sempre histórias seriadas, quase sempre passando por dois ou três volumes. A edição actual traz Tex em uma aventura no México, para trazer de volta uma tribo de índios apaches a sua reserva, ao mesmo tempo em que enfrenta uma conspiração contra sua vida.
Tex Coleção: republicação de todas as histórias da personagem em ordem cronológica, actualmente no número 260.
Tex Edição Histórica: republicação de Tex Coleção, mas quase sempre com cerca de 250 a 300 páginas. Actualmente no nº. 75, Terra Prometida. Sempre com histórias completas.
Tex Almanaque: publicação de histórias completas e artigos sobre o mundo do faroeste. Actualmente no nº. 36.
Tex Ouro: publicação de histórias completas da personagem com tratamento especial, ou seja, capa e lombada dourada. Actualmente no nº. 38.
Grandes Clássicos de Tex: republicação de todas as principais histórias da personagem, o último número nas bancas trouxe a história Sangue Navajo – resenhada na parte deste texto em que falo dos navajos.
Tex Gigante: Os melhores profissionais dos quadradinhos mundiais são chamados para produzir esta série de Tex. Actualmente no nº. 22, que está para sair trazendo a história Seminoles (sobre os indígenas da Flórida).
Tex Anual: todo ano a publicação de uma história completa da personagem.
Tex de Férias: republicação das edições mais pedidas da personagem. Sempre em Julho.
Tex Especial 60 Anos: Para comemorar os 60 anos de Tex, a Editora Mythos lançou uma edição especial colorida da personagem, no ano de 2008. Nesta edição, Tex recorda uma aventura que teve anos antes ao lado de sua esposa Lilyth, quando lutaram juntos contra um bando de apaches revoltosos. Edição especial com 128 páginas coloridas.
Tex também já teve três minisséries publicadas; um Tex de Capa dura (O Ídolo de Cristal); o livro Tex 50 anos pela Opera Graphica, história curta e colorida no especial Fumetti: o melhor dos quadrinhos italianos; cinco histórias curtas (uma colorida) e uma longa na série Tex e os Aventureiros, na qual eram publicados diversas personagens; Bonelli, álbum de figurinha; revista-póster e várias histórias coloridas. Também é bom lembrar que, em Abril de 1996, Tex recebeu no Brasil o Prémio HQ Mix, como a melhor revista de aventura e ficção.
Personagens.
Tex Willer: é ranger (espécie de patrulheiro ou agente federal), líder de uma nação indígena e agente indígena de uma reserva. Em suas aventuras conta com a parceria de seus pards (como são chamados os amigos de Tex), que são:
Kit Carson: ex-batedor do exército, ranger e amigo de Tex. Se Tex teria cerca de 40 anos em seus quadradinhos, Kit teria uns 50 ou 55 anos, Tex sempre o chama de Coruja Velha devido a seu pessimismo. As constantes discussões entre os dois traz uma certa comicidade a muitas aventuras de Tex, afinal ambos falam um para o outro coisas que só a verdadeira amizade permite.
Jack Tigre: navajo da tribo de Tex, tem mais ou menos a mesma idade que o ranger, seu relacionamento com Tex é pouco mais distante do que aquele entre Tex e Kit, afinal, sendo Tex o chefe da tribo, Tigre o respeita também como tal e não apenas como amigo.
Kit Willer: filho de Tex, com mais ou menos uns 20 anos, é conhecido entre os índios como Falcão Pequeno, já que seu pai Tex tem o nome indígena de Águia da Noite e Kit Carson de Cabelos de Prata (por seus cabelos grisalhos). Kit viveu com os navajos e teve em Tigre seu principal preceptor, é quase tão rápido no gatilho quanto o pai.
Tex tem vários outros amigos secundários que aparecem em suas histórias, podemos destacar Gros-Jean, Jim Brandon, Montales, Pat o irlandês e El Morisco (o meu preferido). Mas, também, tem ferrenhos inimigos, o mais recorrente é o bruxo Mefisto, em uma galeria ampla de inimigos esquisitos: Yama (bruxo), O Mestre (alquimista), El Muerto, Proteus, Tigre Negro, Zhenda, etc., além dos tradicionais pistoleiros, criminosos do colarinho branco, índios, e outras personagens recorrentes em histórias de faroeste.
Temas:.
As temáticas das histórias de Tex também são bastante variadas, para dar uma amostra, seguem algumas microrresenhas de histórias da personagem:
Sangue no Colorado (Tex Gigante nº. 8), Tex e pards vão a uma vila de mineradores ajudá-los em sua luta contra uma companhia mineradora que quer as terras desses trabalhadores autónomos. Destaque para os desenhos de Ivo Milazzo, o mesmo de Ken Parker.
Pirâmide Misteriosa (Almanaque Tex nº. 21), Tex e Carson têm que ajudar seu amigo El Morisco (bruxo egípcio) a enfrentar um feiticeiro imortal que domina com mãos de ferro a região de Sierra del Hueso, utilizando-se de seus Ushebti (animais de argila que criam vida através de feitiçaria).
A Ilha Misteriosa (Almanaque Tex nº. 16), Tex e Carson vão ao Canadá ajudar Jim Brandon e deparam-se com remanescente de uma expedição Viking que chegou à América 500 anos antes de Colombo..
Sangue no Pasto (Grandes Clássicos de Tex nº. 12), Tex e seus pards deparam-se com um criador de ovelhas que está para ser expulso das terras comunitárias que é usada por criadores de gado local. Tex compra as ovelhas do criador e as terras que, até então, eram do governo, somente para afrontar os criadores de gado. Após dar uma lição nos criadores de gado, acaba por vender as terras pelo dobro do preço.
A Cidade de Ouro (Grandes Clássicos de Tex nº. 12), Tex e Tigre descobrem uma cidade habitada por antigos conquistadores espanhóis, e tem que enfrentar o tirano local.
O Pântano Negro (Almanaque Tex nº. 35), Tex, em uma aventura sem seus pards, enfrenta um pistoleiro que planeja suas acções com base nas cartas de tarô e busca vingança contra o homem que ajudou Tex a prendê-lo anos antes.
A Cidade Corrompida (Almanaque Tex nº. 34), em um único dia, Tex e Carson livram uma cidade inteira de um bando de corruptos que extorque dinheiro de comerciantes locais. Tiroteio e pancadaria quase incessantes.
O Comboio dos Apaches (Tex Especial de Férias nº. 6), Tex e Carson partem para libertar índios apaches que estão para ser deportados pelo governo americano. Para tanto, enfrentam o exército americano com tácticas de guerrilha.
Aventura no Caribe (Tex e os Aventureiros nº. 1), Tex e Kit, em uma ilha do Caribe, têm de enfrentar perigosos dinossauros.
O Diabólico Mefisto (Grandes Clássicos de Tex nº. 9), Tex enfrenta seu maior inimigo, Mefisto, que usa magia para vingar-se do ranger, inclusive capturando e, através de hipnose, tornando Kit e Carson bandidos procurados.
O Ídolo de Cristal (Tex Coleção 252), quando índios Hualpais roubam um ídolo religioso dos navajos, ferindo o xamã navajo que cuidava dele, Tex e seus amigos partem para recuperar o ídolo.
O Preço da Honra e Força do Destino (Almanaque Tex nº. 30), história sobre o preconceito e a corrupção nas esferas militares americanas, que levam à morte de um jovem índio apache acusado injustamente de matar um homem branco (por acaso um traficante de armas). Mais tarde, seu filho busca vingança, matando o General que anos antes caçou, até a morte, seu pai e sua mãe. Estas histórias destacam-se, entre as da personagem, justamente pela falha de Tex em conseguir resolver a situação. Tex não consegue salvar Natay, o índio rebelde acusado injustamente, que é morto com sua esposa, também não consegue levar à justiça o oficial corrupto do exército, e, por fim, quando Santos (o filho de Natay) mata o corrupto general, Tex não consegue livrá-lo da forca.
O filme de Tex.
Tex e o Senhor do Abismo é a única filmagem de uma personagem da Bonelli Editora, sem falar nos dois filmes trash de Zagor, filmados na Turquia sem consentimento de direitos autorais, e do desenho animado (e totalmente contrário ao espírito das BDs da personagem) Martin Mystery.
O filme de Tex estreou em 1985 nos cinemas italianos, tendo uma arrecadação de aproximadamente 780 mil dólares, o filme seria o piloto de uma série de TV, que não teve continuidade. A história do filme é baseada na aventura publicada no Brasil, em três volumes, com os seguintes títulos: Tex nº. 40, O Bruxo Mouro; Tex nº. 41, O mistério das pedras venenosas; Tex nº. 42, A Caverna do vale dos Gigantes, história escrita por G. L. Bonelli e desenhada por Guglielmo Letteri. A história foi republicada em Tex Coleção números 146, 147 e 148 e em Tex Edição Histórica, 57.
Na trama do filme, Tex, Tigre (na legenda do filme usou-se Tigla), e Carson vão investigar o desaparecimento de uma carga de espingardas na fronteira mexicana, mas, deparam-se com estranhas mortes, que deixam as pessoas “petrificadas” graças a uma misteriosa substância. Para resolver o caso, Tex pede ajuda a El Morisco (um bruxo egípcio que mora no México e ajuda Tex em diversas histórias em que o ranger se depara com factos fantásticos).
Por fim, descobre-se a trama de índios yaquis (descendentes dos astecas) que querem criar uma nação indígena separada do México.
Ao que parece, a mistura entre faroeste e fantasia não agradou o grande público do género (ainda que seja comum aos leitores de BDs Bonelli como Zagor e Mágico Vento). O filme não fez grande sucesso e a série pretendida nunca saiu do papel. Na verdade, o filme é até muito bom, estando na média do género, inclusive os elementos fantásticos dão-lhe certo destaque em qualquer colecção de faroeste.
No Brasil, é muito difícil de ser encontrado – minha cópia é em VHS, já com a qualidade meio comprometida devido à pouca durabilidade desta tecnologia –, mas, quem quiser, pode adquirir cópias em DVD no site TEXBr (lembrando que são gravações do original em VHS). Penso que já passou da hora da Mythos comprar os direitos do filme e publicá-lo, acompanhado da republicação da história original em quadradinhos. O filme mais a revista poderiam ser vendidos, com lucro, por volta de trinta reais (duvido que algum fã de Tex não os compraria), e seria um bom marketing para a revista, já que coleccionadores de filmes de faroeste poderiam passar a comprar a revista.
O Verdadeiro Tex Willer.
Dizem que toda a lenda tem um fundo de realidade. A personagem Tex Willer também teria sido inspirada em um homem de verdade, um tal de Captain Jack, que segundo o articulista Rino Di Stefano, em texto publicado no Almanaque Tex nº. 20, teria inspirado Bonelli na composição de Tex.
Jack é considerado o mais temido e respeitado Texas Ranger que já existiu, Tex é também considerado, em suas histórias, como o mais temido ranger da corporação. Apesar de óptimo combatente, Jack, assim como Tex, não se impressionava pelos galões e formalismo militares.
Também tinha como parceiro um índio, o lipan Flacco, assim como Tex tem, em Jack Tigre, um navajo, um parceiro recorrente. Jack era considerado chefe dos índios lipans, assim como Tex o é, dos Navajos. Jack foi nomeado como agente indígena de uma reserva, assim como Tex. São muitas as similaridades entre as vidas aventurosas de Tex e Jack (guardadas as devidas proporções ao se comparar uma personagem real com uma fictícia), ainda assim, podemos dizer que, de certa forma, Tex realmente esteve presente na conquista do Oeste americano.
Os Navajos.
Tex é chefe da nação indígena dos navajos, recentemente popularizada no seriado Arquivo X (em Portugal: Ficheiros Secretos, onde um ancião navajo ajuda Mulder a decifrar códigos militares) e no filme Códigos de Guerra (sobre a participação destes indígenas na segunda guerra mundial). Tex torna-se chefe dessa nação após a morte de Flecha Vermelha, pai de Lilyth, esposa de Tex, com quem ele se casou na clássica história Pacto de Sangue (Tex nº. 94).
Nos quadradinhos, a liderança de Tex é contestada por uma de suas mais fervorosas inimigas, a Bruxa Zhenda, na história Sinistros Presságios (Tex Edição Histórica nº. 40), Zhenda tenta agrupar algumas tribos navajos em uma revolta contra a liderança de Tex, a fim de colocar seu filho Sagua no comando dos navajos. Por fim, Zhenda fracassa, sendo que a maioria dos navajos prefere seguir Tex na guerra civil que se aproxima, ainda que esta não venha a acontecer.
Mas é a história Sangue Navajo (Os Grandes Clássicos de Tex nº. 16) que busca retratar o papel de Tex como líder dos navajos. Nesta história, escrita por Gianluigi Bonelli, alguns jovens navajos são mortos futilmente por um rancheiro e um comerciante, que têm poderosos aliados políticos. Quando Tex pede a prisão e julgamento destes homens, o comandante militar do Forte Defiance não só se recusa a fazer imperar a lei, que deveria ser igual para todos, como manda prender Tex (que escapa) e, depois, move uma guerra contra os índios navajos.
Tex, à frente dos navajos, empreende técnicas de guerrilha e terra arrasada para conter o exército americano, ao mesmo tempo em que ataca os dois ricos comerciantes que mataram os jovens navajos. Por fim, graças à ajuda de um jornalista e de Kit Carson, os dois assassinos acabam mortos e Tex consegue um tratado de paz com o exército americano.
Esta história não é de toda ficcional, no ano de 1860, Manuelito liderou seus navajos em um ataque contra o Forte Defiance, quase o destruindo (o que aconteceu na história de Tex). Entre 1860 e 1866, houve guerra entre os navajos e o exército dos Estados Unidos, que, sob o comando de Kit Carson (a personagem real, claro!), obteve vitória sobre os navajos, capturando oito mil deles e levando-os para uma nova reserva em Bosque Redondo no Novo México.
Carson inclusive queimou os pomares dos navajos e matou suas ovelhas, para obrigar a sua rendição e migração, no episódio conhecido como A Grande Caminhada. Mas, já em 1868, os navajos voltariam à sua antiga reserva graças ao superintendente A. B. Norton, que atestou a improdutividade da nova reserva. Desse ano em diante, não haveria mais hostilidade entre o governo americano e os navajos, segundo Dee Brown no clássico “Enterrei meu coração na curva do rio”, e talvez este tenha sido o motivo pelo qual Bonelli tenha escolhido os navajos como nação indígena para Tex, afinal, boa parte das aventuras de Tex passa-se nos últimos 30 anos do século XIX, e seria complicado nações, que resistiram por muito tempo, como os Apaches e os Sioux, terem um líder branco como chefe e, ainda por cima, ranger.
CHET: o Tex brasileiro.
No início da década de 1980, a editora Vecchi, que então publicava Tex, satisfeita com as vendas da revista da personagem, encomendou a Otacílio Barros a criação de um novo herói do faroeste intitulado CHET (que é, na verdade, TEX escrito ao contrário, trocando o X pelo CH), invenção do então vice-director executivo da editora, o Sr. Lotario Vecchi.
As histórias de CHET foram escritas e desenhadas pelos irmãos Wilde e Watson Portela, com histórias inicialmente publicadas na revista Ken Parker e, posteriormente, em revista própria, tendo sido publicadas 22 edições.
Em depoimento dado a Gonçalo Júnior, para composição do artigo “Um Herói contra as adversidades”, publicado na edição comemorativa dos 50 anos de Tex pela editora Opera Graphica, Otacílio diz que “Chet tinha um pouco de oportunismo sim, mas não era uma cópia exacta de Tex e eu me preocupei com isso. Tanto que cheguei a sugerir que as personagens tivessem características diferentes”.
Uma destas características diferentes foi o relacionamento de Chet com as mulheres. Se Tex só teve uma esposa e, após sua morte, não se relacionou mais com outras mulheres, Chet não perdia a oportunidade de estar com uma bela mulher. Na edição nº. 19 de Chet, o herói desiste de sua carreira de agente federal para virar rancheiro e casar-se com a bela Virgínia, que, por acaso, é uma portadora de Necessidades Especiais, sendo uma cadeirante, na qual já se nota uma preocupação do roterista da revista com as minorias, normalmente não representadas nessas histórias.
Foram editadas ao todo 22 edições de Chet, que se encerraram no número 22 com a história Os Proscritos (edição de Setembro de 1982), na qual é anunciado, para Dezembro do mesmo ano, o número 23, com a história Vampiro de Muskegon, que, até onde sei, nunca foi publicada. Também foi lançado um número especial intitulado Desejo de Vingança (esta edição apresenta uma aventura completa, que foi publicada em capítulos na revista KEN PARKER).
As histórias eram muito bem escritas e, com 22 edições, esta revista sobreviveu mais que a maioria das BDs brasileiras, devendo seu cancelamento ter sido mais em decorrência da falência da editora Vecchi, que se iniciou já no segundo semestre de 1982 e tornou-se facto consumado no primeiro semestre de 1983.
Tex na Internet:.
Para maiores informações sobre Tex, recomendamos o site TexBr que traz resenhas, artigos e fórum sobre a personagem. Site muito bem feito, actualizado constantemente e rico em informações. Tudo sobre a pena do webmaster e editor Gervásio Santana de Freitas e seus colaboradores. Um dos melhores sites de quadradinhos da Internet brasileira.
Para contactar fãs de Tex em todo o Brasil, sugiro a lista Bonelli HQ, lista muito bem moderada por José Ricardo, que, além de cuidar para que não se tenham incómodas discussões fora do tema e spam, também faz sorteio de brindes e busca divulgar todos os lançamentos Bonelli no país. Para o novo leitor de Tex, que espero que seja você ao terminar de ler este texto, é uma óptima oportunidade para conversar sobre Tex.
Por fim, temos o blogue português Tex, com óptimas matérias, trazendo notícias internacionais sobre o ranger. O destaque são as traduções de artigos e entrevistas realizadas pelos webmasters do blogue. Excelente qualidade! Para aproveitar o máximo do blogue, é sempre bom fazer uma visita aos arquivos, que estão divididos por tema.
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* Edgar Indalecio Smaniotto é filósofo, mestre em Ciências Sociais e doutorando do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da UNESP – FFC Marília. Resenhista do Jornal GRAPHIQ, das revistas Scarium Magazine (http://www.scarium.com.br/) e macroCOSMO.com e articulista da revista portuguesa BD Jornal.
Autor do livro: A FANTÁSTICA VIAGEM IMAGINÁRIA DE AUGUSTO EMÍLIO ZALUAR: ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na ficção científica brasileira. Rio de Janeiro: Editora Corifeu, 2007.