Poucas são as personagens que já estiveram no altar, trocaram beijos, alianças, juras de amor eterno ou cortaram os pulsos. Enfim, casar mesmo, com direito a lua-de-mel, ter filhos e tudo o mais.
Mas tal já aconteceu com um certo ranger que conquista leitores ao longo dos anos desde a longínqua década de 1940. A história Pacto de Sangue, da década de 1950, é uma das mais aclamadas BDs do mestre Aurelio Galleppini (Galep). E acabou ficando marcada na mente dos leitores como O Casamento de Tex, que de justiceiro solitário passou a respeitado ranger e pai de família.
Tex – O Casamento
Tex estava em mais uma de suas aventuras, dessa vez investigando o tráfico de armas que acabariam nas mãos dos índios. De repente, viu-se perseguido e encurralado pelos selvagens. E nem imaginava que naquele momento era traçado seu destino.
Em sua desesperada tentativa de fuga, Tex acaba perdendo a consciência. Ao acordar, encontra-se amarrado ao poste dos martírios, sendo preparado para sacrifício! Mas Lírio Branco, filha do chefe Flecha Vermelha, intervém e salva a vida do cara-pálida. Como? Com uma proposta de casamento! (Não deixando claro se por piedade ou por amor!) Sem opção melhor, pois já havia se entregado à morte, Tex aceita.
Ao interceder pela vida do prisioneiro, a índia invocara o pacto de sangue, cerimónia que representa o casamento segundo as leis do seu povo, os Navajos. Fenomenal e rápida, a cerimónia (ou pacto) inclui o ritual de cortar os pulsos e misturar os sangues, selando assim a união.
A BD é marcante, pois Pacto de Sangue revela muito de Tex a seus leitores, sobretudo sua trajectória. A trama mostra como ele conquistou a confiança dos Navajos, que de inimigos passaram a fieis admiradores, dando-lhe inclusive o nome indígena de Águia da Noite. E logo depois, a honra de chefiar a tribo.
A bela indígena Lilyth — ou Lírio Branco — acabou encontrando acidentalmente o amor de sua vida. E este sentimento foi correspondido à altura. Tex, mesmo em suas grandes aventuras pelas vastas pradarias americanas e com belas mulheres a seus pés, manteve-se sempre fiel à sua amada — mesmo após sua morte (coisas do destino!).
A Publicação
No Brasil a publicação da história é marcada por algumas curiosidades. A capa da megafantástica edição de Tex #94 (Vecchi, Dezembro/78) foi desenhada pelo brasileiro Watson Portela. Abaixo, vemos nessa capa o subtítulo O Casamento de Tex chamando a atenção do leitor.
Aqueles que por qualquer motivo não tiveram a oportunidade de comprar esse Tex #94 aguardavam, então, a republicação da história na 2ª Edição, o que ocorreria em 1983.
Mas… uma pena, uma decepção! O que acabou chegando às bancas foi um Tex 2ª Edição #94 com Pacto de Sangue interrompida pela metade, com a promessa de continuação da edição seguinte — o que nunca ocorreria, pois a Vecchi viria a fechar —, e se isso não bastasse, a revista viria com quase um centímetro menor que o tamanho normal, destoando do restante da colecção (provavelmente por economia de papel).
A Vecchi passava por profunda crise financeira. A editora, que era famosa por seus excessos de propaganda nas revistas, chegou a lançar um Tex com duas contracapas em branco.
Bem, quando a Rio Gráfica e Editora assumiu a continuidade das publicações da Bonelli, herdou também um probleminha: como seguir a numeração da 2ª Edição sem abandonar a ‘2ª Parte’ de Pacto de Sangue e ao mesmo tempo sem descaracterizar a revista? Solução encontrada: lançar um número 94A de Tex. E assim foi: no final de 1983, Tex 2ª Edição #94A foi às bancas com a conclusão da história e com uma exclusiva capa de Galep.
Fica fácil de se compreender, então, porque a edição #94 tornou-se o item mais raro dessa colecção, seguido pelo 94A. Eles simplesmente desapareceram!
Dentre as capas para o clássico, nenhuma supera a versão de Claudio Villa, que ‘esculpiu’ divinamente seu traço para a edição brasileira Tex Edição Histórica #5 (Globo, Abril/94)
Em Abril de 1994, a Globo reeditou Pacto de Sangue em Tex Coleção Histórica #5. E onze anos depois, a Mythos a republicaria com nova tradução, com comentários e, de brinde, uma gag inédita e hilária com Tex apanhando da esposa (Os Grandes Clássicos de Tex #1, Março/05).
Onde ler Pacto de Sangue Tex #94 Tex 2ª Edição #94 e 94A Tex Coleção #12, 13 e 14 Tex Edição Histórica #5 Os Grandes Clássicos de Tex #1
(Texto publicado originalmente noPlaneta Gibi Blog, em 20 de Agosto de 2009)
[1]José Rivaldo Ribeiro é um grande coleccionador brasileiro de banda desenhada, tendo participado activamente de pesquisas para edições, blogues e sites referentes a BD de diversos géneros!
Considera-se um crítico de banda desenhada e é também leitor e coleccionador de Tex.
Na imagem acima (para aproveitar a extensão completa da página, clique na mesma) mostramos uma homenagem do conceituado desenhador espanhol Jordi Bernet (para além do seu Tex Gigante é conhecido também por seus trabalhos em Torpedo e Jonah Hex) ao célebre ranger (assim como ao seu colega Kit Carson) criado pela dupla G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, Tex Willer, extraída de um álbum de “Clara da Noite“.
Note-se que enquanto no Tex Gigante “O Homem de Atlanta” (editado no Brasil, pela Mythos Editora, em Março de 1999, no número 1 da colecção “Tex Gigante“, originária da série italiana ”Albo Speciale“, conhecida popularmente por “Texoni“, número 10) com a participação da cantora Lola Dixieland era Carson a fazer as despesas humorísticas de Nizzi, nesta página é por sua vez Tex a balbuciar confusas palavras…
Ainda a propósito de “Clara da Noite“, uma prostituta espanhola de bom coração, a personagem é uma criação de Jordi Bernet, Carlos Trillo e Eduardo Maicas para as páginas de quadradinhos da El Jueves, revista de humor espanhola, onde aparece desde 1992. Inspirados na rainha das pin-ups, Bettie Page, os três homens imaginaram uma mulher tão esperta quanto curvilínea, em histórias que equilibram o humor com toques de crítica social.
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex e Zagor para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caro Raffaele Della Monica, bem-vindo ao blogue português de Tex. Vamos abrir com uma pequena apresentação pessoal e do percurso da sua carreira. Raffaele Della Monica: Eu nasci em Cava dei Tirreni, na província de Salerno, Itália, e frequentei o ensino artístico. Em 1977 fui um dos fundadores do estúdio CAF, que depois faria a revista “Trumoon”. Comecei a trabalhar profissionalmente em 1980, com Giovanni Romanini. Em seguida desenhei Alan Ford e depois passei a fazer parte do “Staff di IF” (n.t.: Immagini e Fumetti, ou seja, Equipe de Imagens e Quadradinhos), a desenhar Bravestar e Topolino (Mickey Mouse, na Itália). A minha colaboração com a Bonelli iniciou-se por meio do Staff di IF e depois directamente. Comecei com Mister No e prossegui com Martin Mystère e Tex. Trabalhei em publicidade com comerciais para a TV (Tringo e Mentamela), e também escrevi e desenhei histórias de Tiramolla (que significa Puxa-e-Solta) e Gordon Link para a Editora Dardo. Actualmente desenho Zagor para a Bonelli.
Que lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo os bonellianos, na sua infância? Raffaele Della Monica: Os quadradinhos foram muito importantes, e os da Bonelli ocupavam o primeiro lugar. Eu lia principalmente Zagor e Tex, e depois todos os outros.
Como nasceu a sua paixão pelo desenho? E em que momento você decidiu que ele seria a sua profissão? Raffaele Della Monica: A paixão pelo desenho começou bem cedo, na infância. Depois, por volta dos dezassete anos, decidi tentar fazer com que se tornasse um ofício.
Em 1983 ocorreu seu primeiro salto de qualidade, quando chegou à Editora Corno para desenhar Alan Ford. Um compromisso enorme, visto que sucedeu a um decano da BD italiana como Paolo Piffarerio. Como foi a sua abordagem da personagem? E analisando posteriormente, você acha que foi fácil assumir essa herança? Você gostava e achava fácil desenhar no estilo grotesco? Raffaele Della Monica: Eu gostava de desenhar Alan Ford, mas infelizmente não havia condições para continuar.
Depois de inúmeras experiências com várias editoras, veio o ingresso na Bonelli. Seu primeiro trabalho datado é de 1988, um episódio de Martin Mystère publicado num dos primeiros Almanaques do Mistério, mas algumas biografias informam que anteriormente você havia auxiliado Franco Bignotti numa história de Mister No. Você participou do estúdio de Bignotti, do qual saíram alguns dos grandes nomes da BD italiana (dois nomes por todos, Ticci e Villa)? Foi ele quem o colocou em contacto com Bonelli e Canzio? Raffaele Della Monica: Eu não fiz parte do estúdio de Bignotti, mas é verdade que, por conhecê-lo – durante um período fomos vizinhos de bairro – eu o ajudei a realizar poucas páginas de um episódio de Mister No. Eu havia feito os primeiros contactos com a Bonelli um pouco antes, e depois trabalhei para a editora por meio de um agente (Gianni Bono), com quem comecei a fazer os primeiros trabalhos importantes. Eu lhe sou muito grato.
Em seguida você também desenhou duas histórias de Mister No. Você sentiu-se à vontade com as atmosferas do piloto amazónico? Raffaele Della Monica: Sim, Mister No é uma personagem de quem gostei demais.
Envolver-se com duas personagens tão diversas (Martin Mystère e Mister No) causou-lhe alguma dificuldade? Raffaele Della Monica: Não, eu conhecia bem a ambos.
Os bons resultados obtidos nas páginas de Mister No e a evidente necessidade da redacção de encontrar novos jovens autores para ladear os veteranos logo levaram a sua arte para a série principal da Editora, Tex. Em 1989 foi publicada a sua primeira história, “A Cruz Flamejante“, seguida dois anos depois por “Além da Fronteira“, ambas com texto de Claudio Nizzi. Como aconteceu a sua passagem para Tex? Qual foi o modelo de referência gráfica? Em razão da sua pouca idade, você sentiu alguma dificuldade particular ao desenhar as aventuras do ranger? Raffaele Della Monica: Fiz algumas páginas de teste de Tex na época em que eu estava a fazer “Veracruz“, de Mister No, Sergio Bonelli gostou delas e deu-me aquela chance.
No início dos anos ’90 você abandonou o seguro e prestigioso porto texiano e passou para a Editora Dardo, onde criou graficamente a personagem Gordon Link, um dos tantos títulos nascidos na esteira do enorme sucesso de público alcançado por Dylan Dog. Os roteiros, propositalmente trash, eram de Gianfranco Manfredi, então conhecido compositor, romancista e roteirista de cinema mas em absoluta estreia nos quadradinhos. Foi uma decisão ditada pela vontade de criar uma personagem sua ou simplesmente desejo de experimentar novos caminhos? Em seu ponto de vista já se podia intuir que Manfredi se tornaria um dos melhores roteiristas italianos? Raffaele Della Monica: Dava para ver que Gianfranco Manfredi sabia se mover também com os quadradinhos.
Pouco tempo depois você voltou à SBE e entrou para a equipe de Zagor, da qual faz parte até hoje. Você diverte-se ao desenhar as histórias dessa personagem, cujas temáticas vão do faroeste clássico ao exótico, do terror à ficção científica? Raffaele Della Monica: Eu me divirto muito, sou aficionado por Zagor. E agradeço muito a Bonelli e a toda a equipe de Zagor, eles são fantásticos, principalmente Moreno Burattini.
A sua primeira história de Zagor foi “Os Predadores” (no Brasil, Zagor Extra 19), com texto de Boselli. Ambientada na Califórnia sob o domínio do México, a história destaca-se pela presença de Nat Murdo, um dos vilões mais fascinantes do novo curso zagoriano, e os seus desenhos mostram uma criatividade renovada. Seria só impressão? Raffaele Della Monica: Obrigado pelo elogio.
Também com Boselli você fez duas histórias de terror, “Vampyr” (no Brasil, Zagor 22 a 24) e “A Nave Negra” (Zagor 53 e 54). Nessas histórias, entre outras coisas, surgiu a figura de Ylenia Varga. E, nas suas páginas, não há como não admirar a beleza crepuscular da vampira. O que pode nos dizer sobre os dois episódios e, em particular, sobre Ylenia? Raffaele Della Monica: São histórias muito bem escritas, com interessantes mudanças de cenários, as tomadas nocturnas e a psicologia das personagens.
Ainda sobre o tema personagens femininas, em “Vampyr” Boselli também trouxe de volta Frida, figura idealizada por Guido Nolitta (Sergio Bonelli) e entre as mais amadas pelos zagorianos. Gallieno Ferri deu a ela uma caracterização suave e sensual. Como você buscou personalizar a sua Frida? Raffaele Della Monica: Eu busquei respeitá-la fielmente. O mestre Ferri a havia caracterizado muitíssimo bem.
Você é um dos poucos autores (ao lado de Ferri, Gamba e Mastantuono) capaz de se movimentar bem tanto no estilo realista quanto no cómico. O seu Chico é particularmente bem feito e dotado de uma mímica facial extraordinária. Se a redacção lhe desse a possibilidade, você gostaria de fazer uma edição especial dedicada ao gorducho mexicano, sentindo-se reviver as passagens iniciais da sua carreira? Raffaele Della Monica: Certamente, seria um trabalho que eu faria com entusiasmo.
Recentemente você trabalhou com Jacopo Rauch, autor de uma nova história com Ylenia Varga. Os roteiros de Rauch têm soluções gráficas particulares. Pode falar alguma coisa sobre isso? Raffaele Della Monica: Jacopo Rauch é um óptimo roteirista, capaz de visualizar bem a história. Ele também costuma fazer esboços enquanto escreve a trama, que são muito úteis para o desenhador. Sou grato a ele por ter escrito essa história e posso dizer que foi muito bom trabalhar em sua companhia.
Concluída a nova aventura com a vampira Ylenia, no que está a trabalhar agora? Raffaele Della Monica: Estou a desenhar uma história de Mágico Vento escrita por Manfredi.
Quanto tempo leva para desenhar uma página? Você cumpre horários? Como seria a sua jornada padrão entre trabalho, leituras, informação, ócio, vida familiar? Raffaele Della Monica: Eu trabalho em média 8 horas diárias, produzindo cerca de 15 páginas por mês. Uma vez por semana jogo futebol society (depois das 21h), nas manhãs de domingo costumo jogar uma partida de bilhar.
Você colaborou com todos os roteiristas de ponta da Rua Buonarroti, como Castelli, Nizzi, Boselli, Burattini, Manfredi, Capone. Com qual deles você teve um feeling particular? Raffaele Della Monica: Eu me senti bem com todos e a eles agradeço muito.
Em 2006 você concluiu a última história de Tex desenhada por Lettèri, infelizmente falecido pouco antes de escrever a palavra fim no Maxi Tex “O Veneno do Cobra” (no Brasil, Tex Minissérie 3, 2007). Depois dessas 30 páginas – nas quais você mostrou um estilo mais “sujo” e menos ancorado ao modelo ticciano – não lhe agradaria voltar a fazer parte do time de Tex? Raffaele Della Monica: Eu gostaria e estou à disposição.
Quais quadradinhos você lê actualmente, com quais mais se identifica? Raffaele Della Monica: Sobretudo os quadradinhos Bonelli.
Como você imagina o futuro da BD popular na Itália? Raffaele Della Monica: E quem saberia?
Além de BD, você lê livros? Quais? E quais são suas preferências no cinema e na música? Raffaele Della Monica: Leio os livros de Camilleri, de Agatha Christie. Gosto de todos os bons filmes, em particular os policiais e de faroeste, que assisto no cinema e também alugo. Meus actores preferidos são De Niro, Morgan Freeman, Al Pacino. Música eu ouço De Andrè, Dalla, De Gregori, mas também um monte de música italiana e não-italiana. E assisto muita TV, não tenho vergonha de dizer.
Caro Raffaele, agradecemos muitíssimo pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu. Raffaele Della Monica: Eu é que agradeço a todos vocês. Um grande e afectuoso abraço.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex e Zagor per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Caro Raffaele Della Monica, benvenuto sul blog portoghese di Tex. Cominciamo con una piccola autopresentazione ed il percorso della tua carriera. Raffaele Della Monica: Sono nato a Cava dei Tirreni (SA) e ho frequentato studi artistici. Nel 1977 sono tra i fondatori dello studio CAF, che realizzerà la rivista “Trumoon”. Iniziai nel 1980 a lavorare professionalmente, collaborando con Giovanni Romanini. Successivamente disegno Alan Ford. Poi entro a far parte dello “Staff di IF”, disegno Bravestar e anche Topolino. Inizio la collaborazione con la Bonelli dapprima tramite lo Staff di IF e poi direttamente. Comincio con Mister No, poi Martin Mystère e poi Tex. Ho lavorato nel campo pubblicitario con spot televisivi (Tringo e Mentamela). Ho scritto e disegnato degli episodi di Tiramolla poi Gordon Link per la Dardo. Attualmente disegno Zagor per la Bonelli.
Che posto hanno avuto i fumetti, soprattutto i Bonelli, nella tua infanzia? Raffaele Della Monica: Sono stati molto importanti, i fumetti Bonelli poi hanno occupato sicuramente il primo posto. Leggevo soprattutto Zagor e Tex, poi anche tutti gli altri.
Come è nata in te la passione per il disegno? E in quale momento hai deciso che questo sarebbe stato il tuo lavoro? Raffaele Della Monica: La passione per il disegno l’ho avuta da subito, dall’infanzia. Poi verso i diciassette anni ho deciso di provare a farne diventare un mestiere.
Nel 1983 hai fatto il primo salto di qualità, arrivando all’Editoriale Corno per disegnare Alan Ford. Un impegno non da poco, perché sei subentrato ad un decano del fumetto italiano come Paolo Piffarerio. Com’è stato il tuo approccio con il personaggio? E a posteriori, pensi che sia stato agevole raccoglierne il testimone? Ti piaceva e trovavi facile disegnare il grottesco? Raffaele Della Monica: Mi piaceva disegnare Alan Ford, ma purtroppo non vi erano le condizioni per continuare.
Dopo numerose esperienze con svariate case editrici, c’è stato l’ingresso alla Bonelli. Il tuo primo lavoro firmato è datato autunno 1988, un episodio di Martin Mystère apparso su uno dei primi Almanacchi del Mistero, ma alcune tue biografie riportano che precedentemente avevi aiutato Franco Bignotti in una storia di Mister No. Hai fatto parte del suo Studio, dal quale provengono alcuni dei più bei nomi del fumetto nostrano (due nomi su tutti, Ticci e Villa)? E’ stato lui a metterti in contatto con Bonelli e Canzio? Raffaele Della Monica: Non ho mai fatto parte dello studio di Bignotti, vero e’ però che conoscendolo, visto che per un periodo abitavamo vicini, l’ho aiutato a realizzare poche tavole a matita in un episodio di Mister No. I primi contatti con la Bonelli li avevo presi un po’ di tempo prima, poi successivamente lavorai per la Bonelli tramite un agente (Gianni Bono), con lui ho iniziato ad eseguire i primi importanti lavori. Lo ringrazio di cuore.
Successivamente hai anche disegnato un paio di storie di Mister No. Ti sei trovato a tuo agio con le atmosfere del pilota amazzonico? Raffaele Della Monica: A mio agio, Mister No è un personaggio che ho amato molto.
Accostarti a due personaggi così diversi (Martin Mystère e Mister No) ti ha causato delle difficoltà? Raffaele Della Monica: No, li conoscevo bene entrambi.
I buoni risultati ottenuti sulle tavole di Mister No e la manifesta necessità della redazione di trovare nuovi giovani autori da affiancare ai veterani, ti portano rapidamente alla testata regina della Casa Editrice, Tex. Nel 1989 viene pubblicato il tuo primo episodio, “La croce fiammeggiante“, cui seguirà un paio di anni dopo “Oltre la frontiera“, entrambi su testi di Claudio Nizzi. Come è avvenuto il tuo passaggio a Tex? Qual è stato il modello di riferimento grafico? Tenendo conto della tua giovane età, trovavi particolari difficoltà nel disegnare le avventure del ranger? Raffaele Della Monica: Effettuai delle prove di Tex, nel periodo in cui stavo realizzando “Veracruz” di Mister No, a Bonelli sembrarono buone e cosi mi diedero quella possibilità.
Agli inizi degli anni ’90 abbandoni il sicuro e prestigioso approdo texiano e passi all’Editoriale Dardo, laddove crei graficamente il personaggio di Gordon Link, una delle tante testate nate sulla scia dell’enorme successo di pubblico riscontrato da Dylan Dog. I testi, volutamente trash, sono di Gianfranco Manfredi, allora conosciuto cantautore, romanziere, sceneggiatore cinematografico ma all’esordio assoluto in campo fumettistico. E’ stata una decisione dettata dalla voglia di creare un tuo personaggio oppure semplicemente la volontà di sperimentare nuove strade? A tuo parere si poteva già intuire che Manfredi sarebbe diventato uno dei migliori sceneggiatori italiani? Raffaele Della Monica: Si capiva che Gianfranco Manfredi ci sapeva fare anche con i fumetti.
Poco tempo dopo ritorni in SBE, questa volta entrando nello staff di Zagor, di cui fai parte tuttora. Ti diverti a disegnare le storie di questo personaggio, le cui tematiche spaziano dal western classico all’esotico, dall’horror alla fantascienza? Raffaele Della Monica: Mi diverto molto. Come ho detto, a Zagor ci sono affezionato. Poi desidero ringraziare Bonelli e tutto lo staff di Zagor, sono fantastici, soprattutti Moreno Burattini.
La tua prima storia di Zagor è con l’episodio “Bandidos!” (Zagor nn. 353-354) su testi di Boselli. Ambientato nella California sotto il dominio del Messico, il racconto si segnala per la presenza di Nat Murdo, uno dei cattivi più affascinanti del nuovo corso zagoriano. I tuoi disegni mostrano una rinnovata creatività. È una nostra impressione? Raffaele Della Monica: Grazie per i complimenti.
Sempre con Boselli hai realizzato due episodi horror, “Vampyr” (Zagor nn. 397-399) e “La nave nera” (Zagor nn. 429-430). In quei racconti, tra l’altro, è apparsa la figura di Ylenia Varga. E, nelle tue tavole, non possiamo non ammirare la crepuscolare bellezza della vampira. Cosa puoi dirci dei due episodi e in particolare di Ylenia Varga? Raffaele Della Monica: Sono episodi molto bene scritti, interessanti i cambi di scena, i notturni e la psicologia dei personaggi.
In tema di personaggi femminili, in “Vampyr” Boselli ha inoltre riproposto Frida, figura ideata da Guido Nolitta (Sergio Bonelli) e tra le più amate dagli zagoriani. Gallieno Ferri le aveva dato una caratterizzazione morbida e sensuale. Come hai cercato di personalizzare la tua Frida? Raffaele Della Monica: Ho cercato di rispettarla fedelmente. Il maestro Ferri l’aveva caratterizzata benissimo.
Sei uno dei pochi autori (al pari di Ferri, Gamba e Mastantuono) capace di destreggiarsi sia nel realistico che nel comico. Il tuo Cico è particolarmente azzeccato, e dotato di una mimica facciale straordinaria. Se la redazione te ne desse la possibilità, ti piacerebbe realizzare un albo speciale dedicato al pancione messicano, ripercorrendo così le tappe iniziali della tua carriera? Raffaele Della Monica: Certamente, sarebbe un lavoro che affronterei con entusiasmo.
Di recente hai lavorato con Jacopo Rauch, autore di un nuovo episodio con Ylenia Varga. Le sceneggiature di Rauch hanno delle soluzioni grafiche particolari. Puoi parlarcene? Raffaele Della Monica: Jacopo Rauch è uno sceneggiatore bravo, capace di visualizzare bene il racconto, spesso esegue anche degli schizzi mentre sceneggia, schizzi che sono per il disegnatore molto utili. Lo ringrazio molto per aver scritto questa storia. Posso dire che ho lavorato con lui molto bene.
Terminata l’avventura sulla vampira Ylenia, a cosa stai lavorando adesso? Raffaele Della Monica: Sto disegnando un episodio di Magico Vento, scritto da Manfredi.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare? Raffaele Della Monica: Lavoro in media 8 ore, producendo circa 15 tavole mensili. Gioco a calcetto una volta a settimana (dopo le 21,00), la domenica mattina faccio una partita a biliardo.
Hai collaborato con tutti gli sceneggiatori di punta di Via Buonarroti: Castelli, Nizzi, Boselli, Burattini, Manfredi, Capone. Con quale di essi hai maturato un particolare feeling? Raffaele Della Monica: Mi sono trovato bene con tutti e li ringrazio molto.
Nel 2006 hai portato a termine l’ultima storia di Tex disegnata da Lettèri, purtroppo mancato poco prima di poter mettere la parola fine al maxi “Il veleno del cobra“. Dopo queste 30 tavole, in cui hai sfoggiato uno stile più “sporco” e meno ancorato al modello ticciano, non ti piacerebbe tornare a far parte della scuderia di Tex? Raffaele Della Monica: Mi piacerebbe, qualora fossi apprezzato sarei disponibile.
Quali fumetti leggi attualmente, con quali ti identifichi maggiormente? Raffaele Della Monica: I fumetti Bonelli soprattutto.
Come credi si evolverà il fumetto popolare nel tuo Paese? Raffaele Della Monica: E chi lo sa?
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica? Raffaele Della Monica: Leggo i libri di Camilleri, Agatha Christie… mi piacciono tutti i bei films, in particolare i gialli e i western, spesso li vedo a casa visto che ho la tessera per affittarli. I miei attori preferiti sono De Niro, Morgan Freeman, Al Pacino. Nella musica ascolto De Andrè, Dalla, De Gregori, ma anche tutta la musica italiana e non. Poi guardo molto la TV, non avendo la puzza al naso, non me ne vergogno.
Caro Raffaele, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso. Raffaele Della Monica: Sono io che ringrazio tutti voi. Un abbraccio con affetto.
(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)