* Texto de José Carlos Francisco e fotos deMarco Andrea Corbetta!
Em Janeiro de 2005, foi publicada na Itália a capa da edição nº 531 de Tex Willer, intitulada “I predoni del fiume“.
Capa como sempre após o número 400, ilustrada por Claudio Villa (que em 1994 foi chamado para substituir Aurelio Galleppini na árdua missão de realizar as capas de Tex) e que retrata uma cena da aventura desenhada por Fernando Fusco, na segunda parte da história escrita por Claudio Nizzi denominada “Athabasca Lake“, mas até chegar a este resultado final que vemos aqui ao lado, Claudio Villa fez vários esboços e versões alternativas conforme se pode ver graças a diversas fotos tiradas pelo nosso foto-repórter Marco Andrea Corbetta, que recentemente visitou o estúdio de Claudio Villa e que mostram o quão difícil (e demorada) é por vezes desenhar uma “simples” capa de Tex:
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O pequeno Kit Willer na sua primeira aparição – Collana del Tex – terceira série – nº 1 – páginas 6 e 7, de 22 de Maio de 1951
O seu nome é Kit, Kit Willer. É apenas um rapaz, mas no momento da necessidade, sabe defender-se com a astúcia e habilidade dos mais experimentados “frontier-men”. De resto, como se diz, filho de peixe sabe nadar… Porque Kit – que os índios chamam de Pequeno Falcão – é o digno filho de Tex, nascido do (infelizmente brevíssimo) matrimónio de Tex Willer com uma índia navajo, de nome Lilyth.
Desde a sua primeira aparição, a 22 de Maio de 1951, nas páginas 6 e 7 do número 1 da terceira série da Collana del Tex, nas vestes de um pequeno arqueiro (acertando em cheio no chapéu do “padrinho” Carson, de quem herda o nome) faz-se notar pela sua vivacidade e inteligência. Crescido entre os índios e tendo Tex e Jack Tigre como professores, Kit Willer torna-se um óptimo atirador, grande lançador do laço e do punhal, experiente seguidor de rastos, cavaleiro hábil (portentosas as suas acrobacias na sela do seu mustang Diablo) e discreto lutador.
Graficamente, como o conhecemos, Kit nasce a 8 de Janeiro de 1952, período em que na Itália estava em voga e faziam furor “os heróis jovens” (Capitão Miki, O Pequeno Xerife, Sciuscià, só para citar os nomes mais conhecidos) e por isso GianLuigi Bonelli pensa em enriquecer o contexto das histórias de Tex, também com fantásticas aventuras que narrassem as proezas heróicas de um rapaz prodígio.
Desse modo, crescia cada vez mais a importância do jovem Kit, tanto que seis anos depois, em 1958, o editor pensa em lançar uma nova série dedicada ao filho de Tex.
O próprio GianLuigi Bonelli escreveu os argumentos (para a arte de Francesco Gamba) dos primeiros quatro álbuns (no habitual formato striscia da época), que porém jamais foram publicados, porque a “moda” dos heróis jovens começou a enfraquecer e a própria figura de Kit passou a ser cada vez menos usada, aparecendo amiúde.
Mas conforme mostramos neste texto, a série dedicada a Kit Willer esteve mesmo para se tornar uma realidade, como facilmente o comprovam alguns storyboards, feitos com o punho de GianLuigi Bonelli, que reproduzimos aqui e que mostram, entre outras coisas, uma coincidência deveras interessante… o primeiro título da série de Kit Willer seria precisamente o mesmo título do primeiro volume da actual e mais popular colecção italiana de Tex: “La mano rossa”…
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O excelente e prestigiado fórum (italiano) de Tex Willer publicou neste mês de Outubro, a sua primeira edição da revista “TEX WILLER MAGAZINE“, um suplemento (com a periodicidade bimestral) de informação texiana do fórum https://texwiller.ch/.
A edição, de 31 páginas, encontra-se disponível no formato PDF, mas para poder ter acesso ao conteúdo total da revista (que recorda um fanzine), há que ser um utente registado do fórum italiano, pelo que recomendamos o registo a quem quiser visualizá-la, até porque a edição tem sido alvo de grandes elogios, inclusive de membros do próprio staff de Tex, como por exemplo Claudio Villa e Mauro Boselli.
Os destaques deste primeiro número vão para a recensão crítica do Tex Gigante “Patagonia” da autoria da dupla Boselli & Frisenda, um exaustivo dossier dedicado ao Tigre Negro, um belo texto dedicado ao Zagor de GianLuigi Bonelli e as entrevistas exclusivas com o conceituado autor Gianfranco Manfredi e com o coleccionador e fã de Tex, José Carlos Francisco. Mas há muito mais material de qualidade, de que não falamos para deixarmos o prazer da descoberta a quem desejar adquirir a revista.
Para aguçar o apetite publicamos de seguida, com a devida autorização, a entrevista concedida por José Carlos Francisco (popularmente conhecido por Zeca) à TEX WILLER MAGAZINE, devidamente traduzida para português:
Caríssimo Zeca, podes apresentar-te brevemente aos nossos leitores? José Carlos Francisco “Zeca”: Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, nasci a 13 de Dezembro de 1967, em Moçambique (África) tendo vindo para Portugal em 1977. Sou casado, pai de duas filhas e profissionalmente sou chefe de produção numa indústria de mobiliário metálico, sendo também no campo da banda desenhada, o representante em Portugal da brasileira Mythos Editora.
Como e quando nasceu a tua paixão por Tex? José Carlos Francisco “Zeca”: Descobri Tex, já em Portugal, em 1980, quando os meus avós ao mudarem de residência, foram morar para uma quinta. Durante as limpezas do sótão da habitação principal, descobri uma caixa com muitas revistas de BD e entre elas somente um exemplar de Tex, mas era uma edição especial que muito me cativou de imediato. Tratava-se de “Pacto de Sangue“, uma aventura onde acontece o casamento do Ranger e fiquei de tal forma impressionado que mesmo depois de quase 30 anos aqui estou eu a falar desta paixão, que aumenta a cada nova história!
Que coisa representa Tex para ti? José Carlos Francisco “Zeca”: Tex representa para mim o irmão mais velho, o grande companheiro e amigo, já que com ele fui consolidando valores como a honra, a honestidade e a integridade uma vez que Tex coloca a justiça acima da lei.
Entre os grandes méritos de Tex está seguramente o facto de que Tex é um herói que une as pessoas… José Carlos Francisco “Zeca”: Tex é lido por gente de todas as idades e de todos extractos sociais e quem o lê não consegue ficar indiferente ao Ranger, porquanto Tex agrada a jovens e a adultos, porque representa um companheiro, um amigo ou mesmo um irmão, como no meu caso e é maravilhoso descobrir como Tex une as pessoas e cria fortes laços de amizade entre quem o lê, inclusive entre pessoas de países distintos, pois uma coisa que o Tex tem é a capacidade de quebrar fronteiras, criar pontes e formar grandes laços de amizade.
Qual dos restantes três pards te é mais simpático e porquê? José Carlos Francisco “Zeca”: Jack Tigre, que apesar de ser o pard mais sério de Tex, é um índio que fala pouco, mas age muito (para além de ser muito inteligente) e nas histórias de Tex priorizo sobretudo a acção.
Entre os amigos dos quatro pards, qual é para ti o mais simpático e qual apreciarias ver mais vezes nas histórias? José Carlos Francisco “Zeca”: O amigo dos pards que mais aprecio é Jim Brandon, o “casaca-vermelha” oficial da Polícia Montada, que inclusive é um dos primeiros grandes amigos de Tex, e é sem dúvida alguma uma das grandes personagens do mundo de Tex, comparecendo periodicamente de tempos em tempos e as aventuras que contam com a sua participação são normalmente sublimes, envolvendo muita acção e perigos anormais.
Já a personagem que gostaria de rever com mais assiduidade nas histórias de Tex, era Cochise, o irmão de sangue de Tex e chefe de todas as tribos apaches, uma figura serena mas marcante na saga. Espero que um dia ainda seja contada a história sobre em que circunstâncias Tex e Cochise se conheceram.
Podes elencar quatro ou cinco das tuas histórias preferidas? José Carlos Francisco “Zeca”: Não é fácil fazer uma selecção das melhores histórias de Tex, pois são muitas as histórias que me deixaram uma recordação inolvidável, mas as mais marcantes talvez sejam “El Muerto”, “O Passado de Kit Carson”, “Oklahoma”, “Flechas Pretas Assassinas” e a muito recente “Patagonia”, uma autêntica obra-prima da 9ª Arte, não podendo esquecer “O Vale do Terror“, sobretudo pelo brilhantismo gráfico alcançado por Magnus.
E uma história que particularmente não te tenha agradado… José Carlos Francisco “Zeca”: Por incrível que possa parecer, não há nenhuma história de Tex que não seja do meu inteiro agrado, pois não consigo me lembrar de uma história negativa, pois sempre há algo que a salva, seja a nível de roteiro, seja sobretudo a nível de desenhos, já que Tex tem os melhores desenhadores do mundo.
Das histórias de Tex, que filão preferes? (western clássico, histórias mágicas, guerras índia, etc.)? José Carlos Francisco “Zeca”: Para mim o mais importante é que a história seja credível e que tenha um bom roteiro, não importando o género pois gosto da diversidade que existe em Tex, mas a ter que escolher, o filão tipicamente de faroeste (western clássico) é o meu preferido, mas tenho um gosto especial também pelas aventuras nórdicas ambientadas na neve e no gelo do Canadá e Alasca que contam com as presenças de Jim Brandon e Gros Jean, trapper divertido e irascível, sempre envolvido em mil problemas.
Habitualmente, preferes as histórias longas (3, 4 ou 5 álbuns) ou aquelas breves (1 ou 2 álbuns)? José Carlos Francisco “Zeca”: Para mim a beleza de uma história não tem muito a ver com a sua duração, pois temos excelentes histórias curtas assim como longas, tal como temos histórias menos conseguidas independentemente do número de páginas, mas por norma prefiro as histórias longas, até porque os escritores têm muito mais liberdade de criação com histórias mais extensas já que permitem ao autor situações diversas e mais complexas e personagens melhor caracterizadas. Quanto ao quesito número de páginas fixo que predomina na actualidade, aí já tenho uma opinião menos flexível, porque entendo que esse critério condiciona mais a liberdade do escritor já que este tem um determinado número de páginas para realizar a história, algo que não acontecia nos primórdios de Tex com G. L. Bonelli.
Qual história de Tex verias apropriada para um filme? José Carlos Francisco “Zeca”: Se “El Muerto” não fosse de certo modo uma transposição cinematográfica, pois é no fundo uma história que recupera elementos cinematográficos, seria a minha eleita. Não podendo ser, optaria por “Flechas Pretas Assassinas”, uma aventura que considero bem cinematográfica, pois trata-se de uma história épica e que aborda de certo modo, um pouco de todos os componente característicos da saga de Tex, ou seja tem uma temática apropriada, com acção ininterrupta e cenas memoráveis e que para além disso, “Sulle piste del Nord” (ndt: título italiano) é a aventura texiana genuína por excelência, pese embora a história ocorrer no Canadá.
Quais são os teus autores e desenhadores texianos preferidos? José Carlos Francisco “Zeca”: Todos os quatro grandes argumentistas de Tex têm o seu lugar na saga e cada um deles marcou-me de modo muito especial e é difícil eleger um somente. G. L. Bonelli, por ter criado e ter dado a alma ao Ranger e por ter descoberto a fórmula certa com histórias cheias de acção, Guido Nolitta por ter escrito histórias épicas com um Tex mais humano, Nizzi por ter continuado a obra não desvirtuando Tex e continuando a mostrar-nos um Tex genuíno, duro, incisivo e sempre justo e Boselli que trouxe à série ideias renovadoras, dando uma maior espessura e densidade psicológica às personagens, portanto, todos eles merecem ser considerados, num patamar semelhante, os meus escritores predilectos. Já no quesito desenhadores, Fabio Civitelli e Claudio Villa, ambos com um estilo cristalino, caracterizado por grandes cuidado nos mínimos detalhes e por um hábil uso do preto e branco e do extremo asseio dos traços elegantes e harmoniosos, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo modernos e cativantes, são para mim o expoente máximo, sem desprimor para artistas de tão grande calibre como por exemplo o Ticci nos seus tempos áureos.
Como julgas as histórias escritas nos últimos 5/10 anos e em particular o trabalho desenvolvido por Nizzi, que tem sido amiúde objecto de críticas? José Carlos Francisco “Zeca”: Começando pelo presente, estamos a viver uma bela e pujante fase de Tex, com histórias excelentes e muito dinamismo à mistura, como facilmente se comprova com os elogios unânimes às mais recentes histórias, sejam elas escritas por Boselli ou por Faraci e Manfredi e que de certo modo compensam as últimas histórias de Nizzi, que de há alguns anos a esta parte, entrou numa fase mais decadente construindo histórias com pouca acção e diálogo a mais, mas na minha opinião, todos nós temos que estar eternamente gratos a Nizzi, porque ele também escreveu histórias assombrosas, como por exemplo “Chamas de Guerra” e talvez, se não fosse ele, hoje Tex não estaria vivo!
Pensa num novo Tex Gigante desenhado por… Qual o nome que proporias a Sergio Bonelli, escolhendo um entre os grandes nomes da BD internacional que ainda não se envolveram com Tex ? José Carlos Francisco “Zeca”: Antes de falar de um nome externo à série, penso que é da mais elementar justiça dizer que Fabio Civitelli já é merecedor de um convite de Sergio Bonelli para desenhar um Texone, mas a propor um nome que nunca tenha desenhado Tex, eu sugeriria Hermann Huppen, um dos artistas belgas mais conhecidos e talentosos da actualidade, desenhador da excelente série “Comanche” e onde se comprova o talento incontestável de Hermann na ilustração de histórias realistas como Tex. Actualmente, e embora tenha já uma carreira bem preenchida e diversificada, Hermann não deixa de explorar, continuamente, novos caminhos e quem sabe se um dia ainda não o veremos num Texone.
Falemos agora da tua colecção de banda desenhada. Quais são as preciosidades (álbuns, revistas, desenhos originais, estatuetas, etc.) aos quais sentes-te mais ligado? José Carlos Francisco “Zeca”: O que começou por ser apenas uma colecção de BD, passou a ser uma colecção de todo e qualquer objecto que tenha a ver com Tex e por isso são muitos os itens pelos quais tenho um carinho muito especial. Entre todos, talvez possa destacar os desenhos originais e exclusivos que tenho recebido de muitos desenhadores do staff do Ranger, já que foram feitos propositadamente para mim; o argumento do recente Texone “Patagonia” (nas duas versões, o original de Boselli e um outro com as anotações de Sergio Bonelli); o roteiro completo de “Terre maledette” e “Tornado!”; uma página original de Claudio Villa e uma caneta de nanquim autografada, com a qual Marcos Maldonado letreirou, durante décadas, muitas edições brasileiras de Tex. Quanto a livros com grande valor sentimental, há um especial carinho pelo primeiro livro de Tex editado em Portugal, que contou com a minha colaboração, para além das diversas edições italianas e brasileiras onde os editores Sergio Bonelli e Dorival Vitor Lopes me citam, inclusive com fotos.
Como é a situação geral da banda desenhada em Portugal? E fala-nos do intenso trabalho de promoção de Tex no teu país. José Carlos Francisco “Zeca”: A BD popular, aquela onde se integra Tex, quase que não existe mais em Portugal, pois hoje em dia nos quiosques portugueses praticamente só temos as revistas oriundas do Brasil.
Quanto à divulgação de Tex, felizmente os críticos profissionais continuam a escrever sobre Tex nos seus jornais, sobretudo porque Tex continua a estar presente no mercado português após quase 40 anos, mas para além deles, há também alguns fãs, onde modestamente me incluo, que tudo fazem para promover o Tex, seja na Internet, seja em outros meios de comunicação social, seja também junto dos grandes eventos relacionados com a BD em Portugal e graças a esse conjunto de factores, Tex tem sido uma presença assídua nos grandes festivais portugueses dos últimos anos, com destaque para a exposição de pranchas originais e para a presença de autores consagrados e com isso, tem tido muitas repercussões, tornando-se cada vez mais popular e deste modo possibilitando que a Mythos Editora continue a enviar as revistas desde o Brasil.
Dois ou três adjectivos para descrever o blogue português de Tex. José Carlos Francisco “Zeca”: Informação, credibilidade e paixão.
O blogue destaca-se pelas interessantes iniciativas que promove, como por exemplo as belíssimas entrevistas aos autores e desenhadores. Podes antecipar-nos qualquer coisa sobre o que poderão ler os visitantes do blogue nos próximos meses? José Carlos Francisco “Zeca”: Neste momento estão já em fase de tradução entrevistas com Raffaele Dela Monica e Roberto De Angelis e estão em curso entrevistas com os irmãos Cestaro, Giovanni Romanini, Giovanni Bruzzo, Leomacs, Lucio Filippucci, Tito Faraci e Bruno Brindisi. Entretanto vamos iniciar muito brevemente uma nova rubrica, com pequenas entrevistas aos autores de determinada história e começaremos com os autores de “Patagonia” e “Missouri!”.
Como nasceu a relação de amizade que te liga a Sergio Bonelli? José Carlos Francisco “Zeca”: Em 2002, fui convidado pelo editor brasileiro Dorival Vítor Lopes, para o acompanhar numa visita de cortesia à SBE, convite que de pronto aceitei, porque um dos meus grandes sonhos era conhecer Sergio Bonelli e a casa dos sonhos de papel. Chegados a Milão, fui apresentado a Sergio Bonelli como sendo o maior coleccionador português de Tex e como tendo inclusive a colecção brasileira completa, o que surpreendeu (e agradou) Sergio Bonelli, que como reconhecimento pelo feito, me presenteou com toda a colecção italiana do Ranger. A partir daí fomos trocando correspondência e telefonemas e a amizade foi crescendo, tendo eu depois retornado algumas outras vezes a Milão, visitando e fortalecendo os laços de amizade com Sergio, seu filho Davide e restantes colaboradores da editora.
O que prevês para o futuro de Tex? José Carlos Francisco “Zeca”: Penso que o futuro de Tex será ainda muito auspicioso, pois vislumbro ainda muitos anos de aventuras para o Ranger, até pela política actual da SBE com a renovação em curso, notando-se a entrada de tantos e tão bons novos desenhadores, mas sobretudo pelo reforço a nível de argumentistas, para ajudarem Mauro Boselli a manter Tex novamente no auge, como mito que é e mais reforçado fico com esta ideia, ao ver que Tex continua ainda a cativar tantos jovens, um pouco por todo o mundo, como se constata facilmente visitando os diversos fóruns espalhados pela Internet.
Imaginemos que tu possas dar a tua opinião sobre a condução da série, em suma, que possas mudar qualquer coisa de relevante na série… o que proporias ao editor? José Carlos Francisco “Zeca”: Tex continua bem vivo apesar dos seus sessenta anos de vida editorial, sempre evoluindo conforme as necessidades dos tempos, mas sem mudanças bruscas ou radicais e esse é um grande mérito do editor Sergio Bonelli, que quanto a mim deve ser mantido e por isso penso que nada de relevante deve ser introduzido na série, sob pena de acabar por prejudicar mais o nosso herói do que beneficiar.
Uma última pergunta. Tu estás inscrito no fórum TWF. Fala-nos de algo que aprecias em modo particular e por outro lado, algo que te agrade menos… José Carlos Francisco “Zeca”: O TWF é um espaço na Internet que muito aprecio e que visito diariamente, porque o clima de amizade e harmonia entre todos os participantes é muito bom, para além de diariamente estarem a ser “discutidos” assuntos pertinentes e actuais relacionados com Tex e o seu mundo, inclusive com a presença de autores consagrados que enriquecem bastante as trocas de ideias. De negativo não tenho nenhum ponto a salientar.
Obrigado pela entrevista que gentilmente nos concedeste. José Carlos Francisco “Zeca”: Eu é que agradeço muitíssimo a vocês por esta esplêndida oportunidade que me concederam para me dar a conhecer melhor nesta entrevista, inaugurando um vosso novo projecto, que desejo seja coroado de êxito.
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Às 19 horas do dia 30 de Setembro de 2009, integrado na 4ª. Expo-Tex de Jampa, ocorreu na Fundação Casa de José Américo, situada na praia do Cabo Branco, na avenida de mesmo nome, número 3336, na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, Brasil, o lançamento livro “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste” (Editora Sal da Terra) da autoria de G. G. Carsan, o escritor, fotógrafo e webdesign de 44 anos, um dos maiores leitores, coleccionadores e divulgadores do Ranger criado em 1948, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini na Itália.
Tanto assim, que o próprio G. G. Carsan, nos diversos eventos que promove para tentar reacender o interesse das novas gerações pelo ídolo, transfigura-se em Tex Willer, com direito a chapéu e botas de couro, camisa amarela e calça azul, lenço e colt conforme se comprova nas fotos tiradas pelo pardAry Otávio Canabarro dos Santos, presente no lançamento do livro e que percorreu o Brasil quase de uma extremidade a outra. Ary Otávio que é também o autor do relato que se segue, para que todos os Texianos possam saber como decorreu o evento.
* Texto e fotos de Ary Otávio Canabarro dos Santos
Buenas…
Que distancia tem de São Pedro do Sul no Estado do Rio Grande do Sul, até João Pessoa no Estado da Paraíba?
Não sei e nem vou pesquisar. Para mim, João Pessoa é logo ali. Digo isto, porque toda distância é curta, quando vale a pena.
E minha ida à Paraiba, valeu muito a pena.
Para começar a recepção.
Cheguei um pouco antes do previsto, logo, não vi ninguém com aquela famosa plaquinha. Que neste caso, seria “Ary Canab“. Mas logo, logo, chegou o G. G. Carsan, quase correndo e encontramos-nos então, pela primeira vez pessoalmente. Que emoção ver o meu amigo e poder abraçá-lo. A seguir, sem parar de falar, já saímos a fazer coisas, como se já nos conhecêssemos há muito tempo.
A noite chegou e nós já na casa do G. G. continuamos com a prosa e agora mexendo em coisas da colecção. Nas coisas do Tex. TEX que nos uniu. E fomos dormir tarde. Fui hóspede do G. G. e de dona Olinda, sua esposa. Pessoa MARAVILHOSA a D. Olinda.
No dia seguinte, depois do Chimarrão e do café do casal (o G. G. acorda depois do primeiro gole de café), saímos para ver coisas da Exposição e do lançamento do Livro. Foi um corre-corre por João Pessoa. Vê isso, vê aquilo. E o LIVRO? Até então nada. Cadê o LIVRO????? Somente às 18 horas e 37 minutos, já no local da Exposição, o Livro aparece. Foi quando o G. G. abriu o primeiro pacote contendo 50 volumes. Foram exactos dois minutos examinando o material. Nesse instante o brilho no olhar do G. G. compensou todos os esforços e sacrifícios feitos até então.
Para que então eu preciso saber que distancia tem entre São Pedro do Sul e João Pessoa? Quanto tempo gastei para chegar à Paraíba? Não calculei. Nem vou calcular.
Continuando o meu relato de viagem, tenho a dizer que após os dois minutos de silêncio profundo no recinto, a alegria foi geral entre as poucas pessoas presentes. Mas dali a pouco a coisa mudou. A Casa de Cultura, ou melhor, a Fundação Casa de José Américo começou a encher de gente. O espaço reservado para a actividade começou a ficar pequeno. E a alegria de G. G. Carsan aumentava.
Entre os presentes estavam familiares, coleccionadores, autoridades e Amigos. E também alguns curiosos, que se deliciaram com as conversas agradáveis sobre o Tex, naturalmente. E todos folheavam um exemplar do Livro.
Apareceram pessoas que sempre aparecem e outras que dificilmente aparecem. No Auditório, quase não sobraram lugares. Muito poucos, e foram em umas cadeiras que colocaram de reserva em uma lateral. E o G. G. apresenta o Livro. Muitos já haviam adquirido a Edição e estavam ansiosos pelo autógrafo. Que veio logo. E a fila foi longa. E demorada.
O G. G. não teve tempo de saborear os salgadinho e docinhos do cocktail. Aliás, óptimas guloseimas preparadas com amor e carinho por D. Olinda. Sorte nossa. Dos convidados e óptimo também para ele, que massageava seu ego. Muito bom.
Mais tarde, já perto da meia noite, tomamos o caminho de casa. A casa do G. G. Carsan e de D. Olinda. No caminho saboreamos um delicioso suco de Açaí com uma porção de outras frutas dentro e então felizes, fomos para os braços de Orfeu.
No dia seguinte, aniversário de D. Olinda, fomos todos para a casa de uns amigos, onde comemoramos a data. Estou até agora impressionado com a recepção. A educação, a gentileza e a amizade dessa gente marcaram-me muito profundamente. Muitas Felicidades D. Olinda. À senhora e a seus Amigos.
Parabéns GG. Pela acolhida. Pelas gentilezas. Pelos passeios, rápidos, mas valiosos. Pelo Livro também, que ainda não li, além da Apresentação. Quero lê-lo descansado e começarei amanhã. Cansei um pouquinho, a idade já pesa um pouco. A cavalgada foi longa. Quanto tempo durou? Não sei, nem quero saber. Estou Feliz, agradecido e isso basta-me.
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O blogue do Tex tem o privilégio de apresentar em mais um exclusivo, um fantástico Tex desenhado por Antonio Carlos Moreira, mais conhecido por AMoreira, em mais uma bela homenagem deste talentoso artista brasileiro, a Tex Willer.
Natural da cidade brasileira de Niterói, no Rio de Janeiro e nascido no dia 18 de Setembro do longínquo ano de 1949, AMoreira teve como primeira formação profissional, desenhador arquitectónico, e paralelamente a isso, fez o curso de “Desenho Artístico e Publicitário” na Escola Pan-americana de Arte, tentando fazer carreira como ilustrador.
Como essa carreira não foi avante, formou-se em Ciências Contábeis, com Pós Graduação em Engenharia Financeira, e hoje em vez de ser um desenhador profissional, trabalha na área da contabilidade, mas para nosso gáudio, não deixa de nos brindar com a sua arte, sempre que possível, mas para conhecer melhor o autor de tão bela ilustração do Ranger, leia a entrevista que AMoreira concedeu em exclusivo, ao nosso blogue.
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