As Leituras do Pedro: Tex Anual #10 – O esquadrão infernal

As Leituras do Pedro*

Tex Anual #10 – O esquadrão infernalTex Anual #10 – O esquadrão infernal
Claudio Nizzi (argumento)
Ugolino Cossu (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Dezembro de 2008)
136 x 176 mm, 332 páginas, preto e branco, capa brochada


Resumo
Tex Willer e Kit Carson são enviados para o Colorado, onde um misterioso bando de ladrões semeia o terror e a morte, desaparecendo misteriosamente após cada investida.

Desenvolvimento
Se não se pode falar de revolução, mesmo que tranquila, a verdade é que nos últimos anos Tex tem passado por uma renovação, para uma maior adequação ao tempo em que vivemos, embora sem perder as características marcantes que lhe permitiram resistir durante 60 anos.
Essa renovação surge quer a nível gráfico, com a chamada de alguns mestres – especialmente espanhóis, como Font, Ortiz ou Sommer – e de novos e talentosos autores, quer a nível temático, com a elaboração de enredos mais consistentes, com o ranger a perder um pouco da sua invencibilidade e da sua aura de intocável e com a introdução de elementos geralmente ausentes das suas aventuras.
Esta história é um bom exemplo disso.

Flor de Inverno prisioneiraGraficamente, Cossu apresenta um traço limpo e agradável, pouco habitual em Tex – a excepção será Civitelli – com um bom uso de tramas e pontilhados, as personagens bem proporcionadas e um bom trabalho na reconstituição dos cenários, sejam urbanos ou naturais que nalgumas pranchas, desculpem a comparação, que não tem qualquer tom acusatório, apenas pretende apontar uma referência, me fez lembrar o de Manara em “Quatro dedos – O Homem de papel”, um atípico western desenhado pelo mestre do erotismo. Como contra há que apontar algum estaticismo dos intervenientes, o que num western é sempre de considerar.

Tex e Flor de InvernoComo elementos inovadores no relato, há a presença de mulheres na história, com algum protagonismo, em especial a índia Flor de Inverno que – oh, heresia! – na capa surge abraçada a Tex. E em algumas poses bem sensuais, por diversas vezes, durante o relato. Também nada habituais são as cenas de cariz sexual, como a violação com que termina o assalto inicial, logo na página 24, e as acusações de abuso que Flor de Inverno faz ao coronel que a mantinha prisioneira. Que apesar de invulgares em Tex, fazem todo o sentido no conjunto do relato, no contexto da acção e na época em que ele decorre.

Vinhetas de Ugolino CossuQuanto à narrativa em si, ganharia se a identidade dos ladrões fosse mantida em segredo até mais perto do final, pois o facto de o leitor descobrir muito cedo a quem imputar responsabilidades retira-lhe um potencial suspense que só a beneficiaria. Fora isso tem, na generalidade, com um bom nível, os padrões habituais em Tex, ou seja: é longa e bem estruturada, com algumas inflexões se surpresas, momentos de tensão e acção q.b.. Ou seja, trezentas páginas de western que permitem passar um bom par de horas.

A reter
– O traço de Cossu, em especial quando aplicado nos cenários.

Menos conseguido
– Volto ao tema. Eu conheço e compreendo as razões da Mythos para optarem pelo “formatinho” em lugar do formato original italiano (160 x 210 mm) para as suas edições Bonelli: menor desperdício de papel e, consequentemente, preço de capa bem mais baixo. Mas será que, pelo menos pontualmente – por exemplo, no caso desta colecção anual ou no do especial colorido dos 60 anos de Tex – não seria possível abrir uma excepção e oferecer aos leitores o formato maior – como está a acontecer agora no Brasil com a edição colorida –  que permitiria desfrutar melhor e apreciar com mais justiça a parte gráfica?

Curiosidades
– Não apostaria, mas possivelmente esta é uma das poucas capas de Tex em que aparece uma mulher. Possivelmente, uma das raras em que ela abraça Tex. Fico o desafio aos admiradores do ranger para descobrirem quantas são!.
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Pedro Cleto

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Entrevista exclusiva com VIRGINIA LETTERI CASTELBRANCO, filha de GUGLIELMO LETTERI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Pedro Cleto na formulação das perguntas.

Virginia Letteri CastelbrancoPrezada Virginia, bem-vinda ao blogue português de Tex. Para aqueles que ainda não estão bem identificados, fale um pouco de si, fazendo uma pequena apresentação própria. Onde e quando nasceu? Qual a sua formação? O que faz profissionalmente? Etc..
Virginia Letteri Castelbranco: O meu irmão, Guglielmo Marco e eu, nascemos em Buenos Aires. Crescemos em Roma. Eu deixei a Itália aos 19 anos, residi em França e Inglaterra; um dia resolvi visitar Portugal, um país que os meus pais sempre adoraram e onde viveram durante uns tempos nos anos 60; apaixonei-me pelo país, resolvi ficar e casei com um português em finais dos anos 80. Tenho dois filhos: o Pedro e o Tommaso (Tomás). Em Lisboa licenciei-me em Direito pela Faculdade Clássica, mas não exerço como advogada. Actualmente sou responsável pela central de tradução jurídica de um escritório de advogados em Lisboa.

Tex Willer por Guglielmo LetteriQual a sua relação com uma das grandes paixões do seu pai, a Banda Desenhada, mais precisamente, Tex Willer, a mítica personagem italiana que ele desenhou durante mais de 40 anos?
Virginia Letteri Castelbranco: Arrisco-me a ser politicamente incorrecta e decepcionar alguns, mas devo dizer que a banda desenhada não é nem nunca foi uma paixão minha.
Mas o Tex é diferente; em criança achava que o Tex era um irmão mais velho que vivia algures por ai, que nós nunca víamos em pessoa sendo por isso que o pai passava a vida a desenhá-lo…
De alguma forma, ainda hoje, o Tex faz parte da família. Não é uma personagem da banda desenhada, é uma cara muito próxima e familiar.

Que lembranças você guarda do seu pai, da sua convivência familiar?
Virginia Letteri Castelbranco: O pai era uma pessoa pouco familiar; não era daqueles pais que passam a vida a brincar com os filhos, ensiná-los a andar de bicicleta, pescar ou coisas assim. De certa maneira o melhor da nossa relação com o pai despontou apenas na idade adulta, sobretudo em relação ao meu irmão que ficou a viver em Roma.
Penso que o pai formou uma família sem que isso fosse realmente uma prioridade na sua vida mas depois, ao longo dos anos, foi apreciando a família cada vez mais, até tornar-se avô.
O pai era uma pessoa extremamente reservada; hoje em dia acho que tinha rasgos de genialidade que nunca cultivou (e não me refiro ao desenho); eu, só me apercebi disso mais tarde, já adulta.

Como era Guglielmo Letteri, o homem?
Guglielmo LetteriVirginia Letteri Castelbranco: O meu pai nasceu em Roma nos anos 20, no bairro de “Parioli”. O meu avô era engenheiro e o meu pai, talvez tivesse achado que o curso de engenharia a seguir à escola fosse a escolha natural. Após o terceiro ano, abandonou o curso e foi viver para Veneza onde tocava com o Trio para as tropas americanas; depois da guerra, acho que as fronteiras da Europa começaram a ficar-lhe apertadas e transferiu-se para Buenos Aires.
O pai era um perfeccionista. Reservadíssimo. Extremamente discreto. Muito “Low profile”. Pouco comunicativo.
Mas sobretudo uma negação em termos de “marketing pessoal”. Nunca teve paciência para promover-se …
De resto o pai vivia no mundo dele e pouco descia à terra. Tenho para mim que talvez o decepcionasse e o entediasse a vertente prática do dia a dia; por isso tentava fugir para uma dimensão só dele. Por isso também era alguém de uma distracção quase fatal …
Tinha uma intuição e, uma sensibilidades quase místicas. Havia também nele um lado sombrio. Um lado melancólico, solitário, muito inquieto com o qual era praticamente impossível estabelecer um contacto.

Guglielmo LetteriE o pai?
Virginia Letteri Castelbranco: Não era um pai convencional e talvez fosse até um pai ausente. Não fisicamente ausente, mas emocionalmente ausente. Vivia nesse mundo dele que não conseguia ou não podia transmitir.
Mas quando estabelecia um contacto connosco, esse contacto era intenso, inesperado porque muito diferente do da minha mãe e talvez diferente do que costumam estabelecer a maior parte dos pais com os filhos.
Lembro-me por exemplo de ir com o pai à noite às jam sessions no “Music Inn” um local onde, na Roma dos anos 70, num clima meio improvisado, meio profissional mas sobretudo intrinsecamente boémio, o príncipe Pepito Pignatelli e sua mulher Picchi, eram anfitriões de um grupo fiel de apreciadores daquele género musical, um local onde nasceram alguns dos maiores artistas de jazz italianos.
Para mim, apenas adolescente, a luz difusa do “Music Inn” era um meio sofisticado e intelectual novo, o país das maravilhas, muitíssimo “adulto” e todo a descobrir, a milhões de anos-luz das notas de “Another Brick in the Wall” dos Pink Floyd e “Heroes” do David Bowie, que era o que ouvíamos nas discotecas com os amigos.

O que você aprendeu com ele?
Virginia Letteri Castelbranco: A seguir o meu instinto, que herdei dele.
Mas sobretudo que esse mergulhar na música ou, em geral, nos nossos pensamentos, naquele mundo só nosso, transporta-nos para um lugar mágico, maravilhosos porque exclusivamente nosso, mas que ao longo da vida podemos vir a pagar um preço muito alto por isso porque o mais das vezes quem nos rodeia, quem gosta de nós não consegue mergulhar connosco e seguir-nos, por isso, se não tivermos cuidado, podemos estar a afastar essas pessoas.

Crystal Trio - Guglielmo Letteri, Carletto Loffredo e Umberto Cesari.Seu pai, foi um viajante incansável que, antes de se tornar desenhador de quadradinhos, teve diversas ocupações entre as quais avulta a de músico de jazz, com discos gravados como integrante do Crystal Trio, com Carletto Loffredo e Umberto Cesari. O que nos pode dizer dessa outra paixão do seu pai: o jazz?
Virginia Letteri Castelbranco: Pois; a música, muito mais do que a banda desenhada foi a paixão do meu pai. Penso que a música fosse, verdadeiramente, a única coisa que penetrava essa personalidade fechada.
Em criança por vezes ouvia o meu pai tocar jazz (guitarra) num intervalo ou outro. Hoje em dia percebo que era um momento de introspecção. Certamente um momento que ele privilegiava.
O Carletto Loffredo tocou, entre outros, com o Romano Mussolini, filho do Benito Mussolini, e com Pepito Pignatelli.
Mas o Umberto Cesari, em particular, foi um capítulo especialíssimo da vida do meu pai. Com o Umberto, o pai partilhava essa vivência intensíssima da música. O Umberto Cesari era um pianista de excepção, um homem com uma personalidade complicada que optou por fechar-se ao mundo. Acontece que a RAI (televisão italiana) tinha convidado o Umberto para tocar com o Trio para a Televisão, sem nunca o conseguir. O meu pai sabia bem que pressioná-lo era impossível. Por isso, em dada altura, a televisão italiana resolveu que se o Maomé não ia à montanha só restava a montanha ir até ao Maomé e, com a organização impecável de Carletto Loffredo, instalou-lhe um estúdio de gravação em casa para fazerem o concerto a partir daí. E assim foi.
O pai e o Umberto Cesari – que muitos achavam um homem lunático e intratável -, tinham em comum aquele lado fechado para o mundo e aberto apenas para a música.

Guglielmo LetteriVocê tinha um contacto frequente com ele, ou não, pelo facto dele viajar muito?
Virginia Letteri Castelbranco: O pai viajou muito de facto, Albânia, Inglaterra, França, América do Sul, Canárias, Portugal, Espanha. Durante uns tempos viveu em Veneza antes de estabelecer-se em Buenos Aires onde conheceu a minha mãe.
No entanto, realizou a maior parte das viagens antes de eu nascer, por isso não interferiram em nada com o contacto com os filhos.

O que nos pode dizer da passagem do seu pai pelo nosso país?
Virginia Letteri Castelbranco: Os meus pais adoravam Portugal. Nos anos 60 viveram em Lisboa, perto do Jardim das Amoreiras. Mais tarde, quando já residíamos em Roma, passámos também um ou dois verões aqui, numa casa na Marginal, na zona do Estoril.
Acho que o que o meu pai mais gostava de Portugal era a serenidade do seu povo e um certo ambiente vagamente tropical e descontraído que também me fascinou a mim quando, nos anos 80 regressei pela primeira vez em adulta.
Nos anos que se seguiram então era o pai que aproveitava o facto de eu viver no Estoril para vir até Portugal matar saudades.
Arrastava-nos para os restaurantes da zona para comer peixe, que adorava, e entretinha-se a mimar os netos.

Guglielmo LetteriE da passagem pelo Brasil, já que muitos dos nossos leitores são brasileiros?
Virginia Letteri Castelbranco: Na altura em que o meu pai viajou pelo Brasil não era nascida e por isso sei pouco. O que posso dizer é que, mais uma vez, era a música que acho que desempenhou um papel fundamental na relação entre o meu pai e o Brasil. O Vinicius de Moraes, Tom Jobim, o João Gilberto. Nasci a ouvir o “Samba de Uma Nota Só” e “Desafinado”.
Lembro-me de ver a cara do João Gilberto nas capas dos discos no estúdio do meu pai desde que nasci. O meu pai adorava os sons da bossa nova.
Curiosamente o João Gilberto faz-me lembrar o meu pai. Quero dizer mesmo fisicamente até. E depois por causa daquela sofisticação do gosto musical, a forma absorta como ele toca a olhar para a guitarra, quase debruçado sobre as cordas, essa intimidade com a música…

Como foi que o seu pai chegou a autor de Banda Desenhada? Por vocação ou por necessidade?
Virginia Letteri Castelbranco: Acho que não foi nem uma coisa nem a outra. Foi uma situação que foi ter com ele e não o contrário. Por outro lado, o meu pai não era o género de ficar fechado num escritório, sempre no mesmo espaço, sujeito a horas certas, por isso, deve ter achado interessante a liberdade que o trabalho lhe proporcionava; o facto de poder trabalhar às horas que entendia, onde entendia, da forma que entendia e de poder conciliar isso com a música. Às vezes trabalhava pela noite dentro, sempre com o jazz ou a bossa nova como música de fundo.

Arte de Guglielmo LetteriEle mostrava os seus desenhos à família ou guardava o seu trabalho para si?
Virginia Letteri Castelbranco: Uma vez idealizada a personagem pelo autor do guião, creio que a concretização gráfica dessa personagem coubesse ao meu pai. A minha mãe participava bastante nessa tarefa, especialmente nos primeiros tempos e sobretudo relativamente às personagens femininas. Era a única pessoa que participava no trabalho do meu pai.

Alguma vez ele incentivou (ou não) os filhos a seguirem as suas pisadas?
Virginia Letteri Castelbranco: Não, incentivar propriamente nunca. O meu irmão em tempos considerou essa hipótese, tinha algum jeito, mas rapidamente reparou que a sua verdadeira vocação era o direito e não a banda desenhada. Hoje em dia é advogado em Roma. Eu, pelo meu lado, licenciei-me em direito em Lisboa e trabalho também na área jurídica. Nunca vimos a banda desenhada como uma opção profissional. No fundo acho que era qualquer coisa que se ajeitava perfeitamente à maneira de ser do meu pai pela liberdade que lhe deixava mas que nunca teve muito interesse para nós.

Auto-retrato de Guglielmo LetteriSabe de alguma história especial de G. Letteri relacionada com Tex?
Virginia Letteri Castelbranco: Apenas que muitas vezes desenhava bocadinhos de Tex aqui e acolá em bocados de papel nos restaurantes, bancos ou onde quer que fosse que lhe calhava encontrar fãs que lho pediam.
Também houve um miúdo, acho que era dinamarquês, que um dia lhe mandou um envelope com uma cartinha amorosa. A questão era que o miúdo dizia que juntava um selo dentro do envelope para o meu pai não ter de gastar dinheiro, caso o meu pai decidisse mandar-lhe um desenho, que era um grande desejo que ele tinha…

Que autores frequentavam com maior assiduidade a vossa casa?
Virginia Letteri Castelbranco: O pai era amigo do Hugo Pratt, autor de Corto Maltese. De resto, não me lembro de mais nenhum que fosse especialmente próximo.

Guglielmo Letteri com os seus netos portuguesesSe pudesse falar alguma coisa para todos os inúmeros fãs do seu pai, o que você diria?
Virginia Letteri Castelbranco: Apenas que fico muito contente e que desconhecia que o meu pai tinha fãs em Portugal ou no Brasil. Tentei dar uma imagem do meu pai que sei ser um bocado inédita mas que reflecte outras facetas que não a do desenhador. Para nós filhos, no fundo o Tex foi o pano de fundo de uma vida que andava à volta da música, da família e, mais tarde, dos netos…

Caríssima Virgínia Letteri Castelbranco, em nome do blogue português do Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Intervista esclusiva con VIRGINIA LETTERI CASTELBRANCO (figlia di GUGLIELMO LETTERI)

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Pedro Cleto per la formulazione delle domande e di Gianni Petino (collezionista di Tex dal 1949) per la traduzione.

Virginia Letteri CastelbrancoCara Virginia, benvenuta al blog portoghese di Tex. Per coloro che ancora non ti conoscono, parla un po’ di te, facendo una piccola autopresentazione: dove e quando sei nata? Cosa fai professionalmente?…
Virginia Letteri Castelbranco: Mio fratello Guglielmo Marco ed io siamo nati a Buenos Aires, ma siamo cresciuti a Roma. Ho lasciato l’Italia a 19 anni, e sono vissuta in Francia ed Inghilterra; un giorno ho deciso di visitare il Portogallo, un Paese che i miei genitori hanno sempre adorato, e mi sono sposata con un portoghese verso la fine degli anni 80. Ho due figli: Pedro e Tommaso. A Lisbona mi sono laureata in Diritto dalla facoltà Classica, ma non esercito l’avvocatura. Attualmente sono responsabile della centrale di traduzione giuridica in un ufficio di avvocati in Lisbona.

Tex Willer por Guglielmo LetteriCosa pensi di una delle grandi passioni di tuo padre, il Fumetto, e più precisamente di Tex Willer, il mitico personaggio italiano disegnato da lui per oltre 40 anni?
Virginia Letteri Castelbranco: Temo di essere politicamente non corretta e disilluderò qualcuno, ma devo dire che il fumetto non è e non è mai stato una delle mie passioni… Ma Tex è diverso: da bambina pensavo che lui fosse un fratello più anziano che viveva da qualche parte, che noi non vedevamo mai di persona e per questo papà passava la vita a disegnarlo.
In qualche modo ancora oggi Tex fa parte della famiglia: non è un personaggio dei fumetti, ma una persona molto vicina e familiare.

Quali ricordi hai di tuo padre, della sua convivenza familiare?
Virginia Letteri Castelbranco: Papà era una persona poco familiare, non era di quei padri che passano la vita a giocare con i figli, insegnargli ad andare in bicicletta, a pescare o cose del genere… In un certo senso il meglio della nostra relazione con lui è venuto alla luce in età adulta, soprattutto nei riguardi di mio fratello che è rimasto a vivere a Roma.
Forse papà ha formato una famiglia senza che ciò fosse una priorità della sua vita, ma con il trascorrere degli anni l’ha apprezzata sempre di più, soprattutto dopo essere diventato nonno. Era una persona molto riservata; oggi penso che avesse punti di genialità mai coltivati (e non mi riferisco al disegno). Mi sono accorta di questo più avanti, da adulta.

Com’era l’”uomo” Guglielmo Letteri?
Guglielmo LetteriVirginia Letteri Castelbranco: Mio padre è nato a Roma negli anni 20, nel quartiere dei Parioli. Mio nonno era ingegnere e papà forse ha pensato che il corso di ingegneria da seguire all’università fosse la scelta naturale. Dopo il terzo anno ha abbandonato il corso ed è andato a vivere a Venezia, dove suonava con il Trio per le truppe americane; dopo la guerra, penso che le frontiere europee abbiano cominciato a stargli strette e si è trasferito a Buenos Aires.
Papà era un perfezionista. Riservatissimo. Molto discreto. Molto “low profile”, poco comunicativo. Ma soprattutto una negazione in termini di “Marketing personale”. Non ha mai avuto la pazienza di promuovere sé stesso.
Del resto papà viveva nel suo mondo e scendeva ben poco sulla terra. Ritengo che forse la quotidianità con le sue cose pratiche lo deludesse e lo annoiasse e perciò tentava di fuggire verso una dimensione tutta sua; era anche di una distrazione quasi fatale…
Aveva un intuito ed una sensibilità quasi mistici. C’era in lui anche un lato oscuro. Un lato malinconico, solitario, molto inquieto con il quale era praticamente impossibile stabilire un contatto.

Guglielmo LetteriE il padre?
Virginia Letteri Castelbranco: Non era un padre convenzionale e forse era anche un po’ assente. Ma  emozionalmente assente, non fisicamente. Viveva in questo suo mondo che non riusciva e non poteva trasmetterci. Però, quando stabiliva questo contatto, questo era intenso, insperato, perché molto diverso da quello con mia madre e forse diverso da quello che di solito stabilisce la maggior parte dei padri verso i figli.
Ricordo ad esempio di andare alle volte di sera alle jam sessions nel “Music Inn”, un locale in cui, nella Roma degli anni 70, in un clima un po’ improvvisato e un po’ professionistico, ma soprattutto intrinsecamente bohémien, il principe Pepito Pignatelli e sua moglie Picchi erano anfitrioni di un gruppo fedele d’intenditori di quel genere musicale, un locale dove sono nati alcuni dei maggiori artisti italiani di jazz. Per me, appena adolescente, la luce soffusa del “Music Inn” era un posto sofisticato ed intellettuale nuovo, il paese delle meraviglie, decisamente “adulto”e tutto da scoprire, a milioni di anni-luce dalle note di “Another Brick on the Wall” dei Pink Floyd e “Heroes” di David Bowie, che erano i pezzi che ascoltavamo nelle discoteche con gli amici.

Cosa hai imparato con lui?
Virginia Letteri Castelbranco: A seguire il mio istinto, cosa che ho ereditato da lui. Ma soprattutto che questo tuffo nella musica, o, in generale, nei nostri pensieri, in quel mondo solo nostro, ci trasporta in un luogo magico, meraviglioso perché solo nostro, ma che nel corso della vita possiamo essere chiamati a pagare un prezzo molto alto a causa di questo, in quanto il più delle volte chi ci vive intorno, coloro che ci amano, non riescono a nuotare con noi e seguirci, per cui se non facessimo attenzione, potremmo allontanare queste persone.

Crystal Trio - Guglielmo Letteri, Carletto Loffredo e Umberto Cesari.Tuo padre è stato un viaggiatore instancabile che, prima di diventare disegnatore di fumetti, ha avuto diverse occupazioni tra cui emerge quella di musicista jazz, con dischi incisi come parte integrante del Crystal Trio, con Carletto Loffredo e Umberto Cesari: Puoi dirci qualcosa di quest’altra passione di tuo padre, il jazz?
Virginia Letteri Castelbranco: Certamente la musica, molto più del fumetto, è stata la passione di mio padre. Penso che la musica sia stata, davvero, l’unica cosa che riusciva a penetrare questa personalità chiusa. Quando ero bambina a volte sentivo mio padre suonare jazz (chitarra) durante qualche intervallo. Oggi mi accorgo che era un momento di instrospezione, di sicuro un momento che egli privilegiava. Carletto Loffredo ha suonato, fra gli altri, con Romano Mussolini, figlio di Benito, e con Pepito Pignatelli.
Ma Umberto Cesari, particolarmente, è stato un capitolo specialissimo della vita di mio padre. Papà divideva con Umberto questa vivibilità intensissima della musica. Umberto Cesari era un pianista eccezionale, un uomo con una personalità complicata che aveva deciso di isolarsi dal mondo. E’ successo che la RAI Televisione Italiana volesse invitarlo per suonare con il Trio per la televisione, senza mai riuscirci. Mio padre era cosciente che fare pressioni su di lui era impossibile. Perciò, a un certo punto, la televisione decise che se Maometto non andava alla montagna, l’unica cosa che rimaneva era che la montagna andasse da Maometto, e, con un’organizzazione impeccabile di Carletto Loffredo, gli installò uno studio d’incisione in casa per fare un concerto da lì, e ci riuscirono !! Papà e Umberto Cesari – che molti ritenevano uomo lunatico ed intrattabile – avevano in comune quel lato chiuso al mondo ed aperto solamente alla musica.

Guglielmo LetteriAvevi contatti frequenti con lui oppure no, per via del fatto che viaggiava parecchio?
Virginia Letteri Castelbranco: Ineffetti papà ha viaggiato molto: Albania, Inghilterra, Francia, America del Sud, Canarie, Portogallo, Spagna. Per un po’ di tempo è vissuto anche a Venezia prima di stabilirsi a Buenos Aires dove ha conosciuto mia madre. Ha realizzato la maggior parte dei viaggi prima che io nascessi, pertanto non hanno interferito assolutamente con i contatti con i figli.

Puoi dirci qualcosa di quando tuo padre è passato dal nostro Paese (il Portogallo)?
Virginia Letteri Castelbranco: I miei genitori adoravano il Portogallo. Negli anni 60 hanno vissuto a Lisbona, vicino al Jardim Amoreiras. Più tardi, quando già risiedevamo a Roma, abbiamo passato una o due estati qui, in una casa nella Marginale, zona Estoril.
Penso che ciò che mio padre amava di più in Portogallo fosse la serenità del suo popolo ed un certo ambiente vagamente tropicale e sereno che ha affascinato anche me quando negli anni 80 vi sono ritornata da adulta. Negli anni seguenti fu lui che approfittava del fatto che io vivevo all’Estoril per venire fino in Portogallo per abbattere la nostalgia… ci trascinava per ristoranti della zona a mangiare pesce, che adorava e s’intratteneva a giocare con i nipotini.

Guglielmo LetteriE dato che molti dei nostri lettori sono Brasiliani, cosa ci dici del suo passaggio dal Brasile?
Virginia Letteri Castelbranco: Quando mio padre andò in Brasile io non ero ancora nata e perciò ne so ben poco. Quello che posso dire è che, ancora una volta, penso che sia stata la musica a svolgere un ruolo fondamentale nella relazione fra mio padre ed il Brasile. Vinicius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto. Sono nata ascoltando “Samba de uma nota sò” e “Desafinado”… Ricordo di avere visto il viso di João Gilberto sulle copertine dei dischi nello studio di mio padre sin da quando sono nata. Papà adorava i ritmi della bossa nova. Curiosamente, João Gilberto mi ricorda mio padre, voglio dire perfino fisicamente. E poi anche per via di quella sofisticazione del gusto musicale, la forma assorta in cui guarda la chitarra mentre la suona… quasi ripiegato sulle corde, questa intimità con la musica…

Com’è che tuo padre è arrivato a disegnare fumetti? Vocazione o necessità?
Virginia Letteri Castelbranco: Penso che non sia stata nessuna delle due. E’ stato un qualcosa che ha trovato lui e non viceversa. D’altra parte mio padre non era il tipo da chiudersi in un ufficio, sempre nello stesso spazio, con orari certi, per cui ritengo che abbia trovato interessante la libertà che il lavoro gli permetteva: il fatto di poter lavorare quando e dove gli pareva e come desiderava, conciliando il tutto con la musica. Spesso disegnava durante la notte, sempre con il jazz o la bossanova come musica di fondo.

Arte de Guglielmo LetteriLui mostrava i suoi disegni alla famiglia o li teneva per sé?
Virginia Letteri Castelbranco: Una volta idealizzato il personaggio da parte dello sceneggiatore ritengo che la sua realizzazione grafica fosse di pertinenza di mio padre. Mia madre partecipava molto in questo compito, specialmente nei primi tempi e per i personaggi femminili: era l’unica persona che partecipava al lavoro di papà.

Ha mai incentivato i figli a seguire o meno le sue orme?
Virginia Letteri Castelbranco: No, incentivare effettivamente mai. Mio fratello in qualche momento ha  considerato l’ipotesi, era relativamente bravo, ma ha compreso subito che la sua vera vocazione era il diritto e non il fumetto. Oggi fa l’avvocato a Roma. Dal mio canto io mi sono laureata in diritto a Lisbona e lavoro nell’area giuridica. Non abbiamo mai visto il fumetto come un’opzione professionale, in fondo penso che fosse qualcosa che si adattava perfettamente al modo d’essere di mio padre per via della libertà che gli lasciava, cosa che invece non ha mai avuto molto interesse per noi.

Auto-retrato de Guglielmo LetteriSai di qualche storia particolare di G.Letteri in relazione a Tex?
Virginia Letteri Castelbranco: Solamente che spesso gli capitava di disegnare pezzetti di Tex qua e là su pezzi di carta nei ristoranti, in banca o in qualsiasi posto gli capitasse d’incontrare dei fan che glielo chiedevano.
C’è stato anche un ragazzino, penso fosse danese, che un giorno gli inviò una busta con una letterina molto dolce. Il fatto era che il ragazzino diceva che allegava un francobollo affinché papà non spendesse soldi nel caso che decidesse di inviargli un disegno, che era un suo grande desiderio.

Quali autori frequentavano la vostra casa con maggior assiduità?
Virginia Letteri Castelbranco: Papà era amico di Hugo Pratt, autore di Corto Maltese. Non ricordo nessun altro che fosse particolarmente vicino…

Guglielmo Letteri com os seus netos portuguesesCosa diresti a tutti i numerosi fans di tuo padre, se potessi dire loro qualche cosa?
Virginia Letteri Castelbranco: Solamente che sono molto contenta e che non ero a conoscenza del fatto che mio padre avesse dei fans in Portogallo o in Brasile. Ho cercato di dare un’immagine di mio padre che riconosco essere inedita, ma che riflette sfaccettature diverse da quella del disegnatore. Per noi figli Tex è stato il sottofondo di una vita imperniata sulla musica, della famiglia, e, più tardi, dei nipoti.

Carissima Virginia Letteri Castelbranco, a nome del Blog Portoghese di Tex ti ringrazio moltissimo per l’intervista che hai gentilmente concesso.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Entrevista com o fã e coleccionador: José Lázaro da Gama

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

José Lázaro da GamaPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Lázaro da Gama: Meu nome é José Lázaro da Gama, nasci no dia primeiro de Maio de 1990, no interior do Estado do Rio Grande do Norte, na bela e pacata cidade de Currais Novos, na qual moro até hoje. Sou uma pessoa muito calma, gosto de fazer as minhas coisas sempre pensando muito bem antes de efectuá-las. Sou amigo, muito sincero. Cometo também muitos erros, mas também quem nunca errou antes? Gosto de praticar desportos, fazer academia e correr no sábado à tarde para desfrutar o pôr do sol, conversar com amigos no banco da praça e fazer o que todo o mundo com menos de 20 anos faz. Sou muito caseiro, às vezes prefiro ficar em casa lendo um bom Tex ou na Internet verificando as novidades no Portal TexBR e no próprio Blogue português do Tex que está sempre trazendo muitas novidades. Tenho 19 anos de idade e nunca trabalhei, por enquanto estou estudando para concursos e graças a Deus tive uma boa classificação no primeiro que fiz, não dentro das vagas (eram 400 e fiquei em 471º), mas já é um bom começo a meu ver.

Colecção de José Lázaro da GamaQuando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
José Lázaro da Gama: Assim que aprendi a ler por volta de 1994, com quatro anos de idade. Primeiro lendo Tex e mais algumas personagens famosas como Pato Donald, Turma da Mónica, Super-Homem, Homem-Aranha, X-Men, Batman, entre tantas outras, mas a minha maior paixão mesmo pelos quadradinhos é e sempre será Tex Willer!

Quando descobriu Tex?
José Lázaro da Gama: Aprendi a ler por causa de Tex. Meu irmão Wescley tinha trocado umas tralhas dele por cerca de 10 revistas Tex, no ano de 1994. Eu achava as revistas muito interessantes e decidi que aprenderia a ler para poder degustar daquelas maravilhas, e o meu irmão todos os dias pressionava-me para que eu aprendesse logo. Digo que não demorou muito para eu poder ler e reler inúmeras vezes aquelas belas historias, dentre elas “Oklahoma”. Eu sempre perguntava para ele se não iria comprar mais revistas, mas ele dizia que não vendiam mais, que Tex tinha acabado a sua saga, e eu acreditei nele.
Passaram-se então 10 anos. Em Setembro de 2004 fui à banca com um amigo meu comprar um sorvete e deparei-me com uma belíssima miragem: Tex. “Não tinha acabado?”. Veio à mente o que o meu irmão disse uma década atrás. Não pensei duas vezes, peguei a minha mesada e comprei a revista Tex nº 417 – A Guerra das Peles, justamente de um dos desenhadores que mais gosto, o Fusco. Depois disso o meu irmão também ajudou a comprar as edições seguintes. Mas nunca me falou por que mentiu ou talvez não soubesse mesmo se Tex tinha acabado. O certo é que continuo até hoje, apesar das dificuldades.

Colecção de José Lázaro da GamaPorquê esta paixão por Tex?
José Lázaro da Gama: Porque Tex simplesmente é único. Nenhum outro herói consegue ter o carisma que o nosso Ranger desperta. Não tem medo de nada, sempre se arrisca em empreitadas dificílimas. Carson consegue enfeitar ainda mais as aventuras. Os dois completam-se: o Tex sempre optimista e sério com as dificuldades, enquanto Carson dá um show de pessimismo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
José Lázaro da Gama: Pode-se dizer que Tex e seus pards são “normais”, não têm poderes e nem artimanhas como a maioria dos heróis que existem. Isso é o ponto forte de Tex, ele conta apenas com as suas astúcias e artimanhas para revirar situações simplesmente caóticas. Sou mais ver o Tex duelando frente a frente com o adversário de que ver carros ou super-poderes voando na direcção do oponente (sem querer desmerecer todos os super-heróis consagrados). Tex é símbolo de garra, destreza, amor aos fracos e oprimidos, de uma mente típica de Sherlock Holmes, de uma força similar a Aquiles. Pelo menos é o que acho na minha humilde opinião.

Colecção de José Lázaro da GamaQual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Lázaro da Gama: Tenho 180 revistas Tex, colecciono há cinco anos e ainda não tive a oportunidade de completar a colecção. Para mim todas são importantes, sem excepção. Mas a que mais me chama a atenção é o Tex 300 “Oklahoma!“. Simplesmente fantástica, foi o maior trabalho que Letteri fez de Tex a meu ver, além de ser um romance de tirar o fôlego.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
José Lázaro da Gama: No momento compro revistas com muita dificuldade, imagina coleccionar outras coisas sobre Tex. Mas assim que estiver trabalhando penso sim em comprar tudo que encontrar sobre a mítica personagem italiana.

Colecção de José Lázaro da GamaQual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
José Lázaro da Gama: O único objecto de Tex que tenho sem ser revistas é um chaveiro que veio junto com o Tex Anual “O Filho do Vento”, o qual levo para todos os lugares. Não tenho algo como bonequinho dos pards, mas seria muito interessante colorir a estante com isso, quem sabe num futuro próximo…

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Lázaro da Gama: A minha historia favorita com certeza é Okalhoma!, porque foi a primeira aventura que li do Ranger e também por ser uma verdadeira obra-prima, a trama é muito boa e Letteri arrasou nos desenhos. Civitelli é o meu preferido entre todos os desenhadores de Tex, pois os seus traços são magníficos, desenhados quase que à perfeição. Mas também não quero desmerecer todos os demais desenhadores que admiro tanto, como Fusco, Marcello, Venturi, Ortiz, Letteri, Magnus, Jesus Blasco, Buzelli, Erio Nicolò, Claudio Villa, Font e Frisenda. Esses foram os que eu li, ou seja, gosto de absolutamente todos, mas o Civitelli para mim é um ícone.
O Nizzi certamente é um grande argumentista e gosto muito do seu trabalho como um todo, o G. L. Bonelli foi o grande protagonista de tudo e adoro ainda mais o trabalho dele, com o seu Tex sempre irreverente, que não errava nunca. Actualmente Mauro Boselli está criando aventuras sensacionais, de tirar o fôlego. Portanto gosto de todos os roteiristas de Tex.

Colecção de José Lázaro da GamaO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Lázaro da Gama: As coisas que mais me agradam em Tex são o seu instinto e a sua personalidade como chefe da aldeia Navajo e o seu lado “pai coruja” com Kit Willer. A maneira com que enfrenta as dificuldades e como toma as suas decisões sempre na hora certa e com a maior responsabilidade possível. Não consigo dizer apenas uma coisa que me agrade, pois gosto de Tex como um símbolo. O que me agrada menos é o facto de Tex não sofrer muito, pois os heróis têm o habito de sofrer um pouco para poder conseguir as suas conquistas. Ele poderia levar mais socos, tiros de raspão, mais emboscadas, sofrer mais emocionalmente por causa de seus pards em perigo.

Colecção de José Lázaro da GamaEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
José Lázaro da Gama: Por vários motivos. Sua personalidade e o seu amor pela justiça são pontos fortes para que ele possa se ter tornado esse ícone. Para um homem branco se tornar chefe de aldeia como a Navajo é necessário que ele seja querido por todos, e Tex é um guerreiro que conforta os que estão ao seu lado assim como coloca pânico naqueles que se atrevem a ficar no seu caminho ou os que trilham o caminho do mal. Tex é o desenho de um homem quase que perfeito, leal, corajoso, defensor dos fracos e oprimidos, seguro de si, sincero e sempre optimista. O retrato perfeito de um verdadeiro ícone a se seguir. Seus conselhos são sempre sábios, correctos, que levo até para a vida real, como acredito que muitos fãs e coleccionadores fazem isso também.
Uma personagem que fica mais de sessenta anos na activa, inevitavelmente tem que ter algo de especial, como numa relação para que seja duradoura. Posso dizer que sinto um afecto muito grande com a minha colecção, gosto sempre de estar limpando, guardando e lendo, aliás, leio Tex quase que diariamente, entre estudos e outras leituras como livros de Sherlock Holmes e outras mais de aventuras, coisas que para mim também lembram um pouco o Ranger.
O segredo para Tex ser um ícone é que quando se lê uma aventura dele pela primeira vez fica uma sensação de querer ler muito mais ainda. Eu sou um exemplo disso, quando comprei a minha primeira revista, o Tex nº 417 – A Guerra das Peles, li-a uma vez na mesma tarde que cheguei da banca e, não satisfeito, de madrugada estava com insónias e aproveitei para reler a aventura e fiquei ali admirando aquela revista como uma criança que ganha a sua primeira bicicleta. Acima de tudo Tex é uma obra de arte.

Colecção de José Lázaro da GamaCostuma encontrar-se com outros coleccionadores?
José Lázaro da Gama: Apenas com um amigo meu que começou a comprar Tex há pouco tempo. Ele tem 11 anos e começou a ler o Ranger graças também ao meu irmão que doou as dez revistas com que aprendi a ler para ele e de vez em quando nós nos vemos e empresto algumas revistas, falamos sobre a coragem de Tex, do pessimismo de Carson, só falta o bife e as batatas fritas para completar. Gostaria de conhecer mais fãs e coleccionadores de Tex, é uma experiência muito interessante.

Colecção de José Lázaro da GamaPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Lázaro da Gama: Durante esse mais de sessenta anos em que Tex está na activa, já foram grandes as possibilidades de que ele poderia ter deixado de existir, com a invenção da televisão e do computador, com a Internet e suas infinidades de recursos. A meu ver, não existe essa possibilidade pelo menos recente de Tex se aposentar. O futuro do Ranger está nas nossas mãos; as mãos dos leitores que nunca desistem do seu amor pelo faroeste, e o amor que cada coleccionador tem pelas suas revistas é inexplicável. Mas também Tex poderia ter uma publicidade maior, para que mais e mais pessoas possam conhecer esse quase já esquecido mundo Western. Tex ainda pode durar mais 60 anos de vida, basta que cada leitor não desista desse maravilhoso sonho que é ler BD e acima de tudo que a promova, apresente algumas revistas a amigos, façam com que seus filhos e sua família saboreiem esse espectacular mundo que se esconde em meio às grandes obras.
Vida Longa a Tex!

Prezado pard José Lázaro da Gama, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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