POR: SÉRGIO SOUSA – FOLHETIM MENSAL DE DIVULGAÇÃO DAS REVISTAS BONELLI PARA VENDA – ANO 3 – Nº27 – MARÇO 10
O trading post apresenta as revistas que disponho para venda, as condições de venda e o estado de conservação das revistas. Por dificuldades em introduzir as tabelas no blogue, tabelas que contêm toda a informação sobre as revistas disponíveis, o folhetim disponibilizado no blogue apenas mencionará as revistas disponíveis e o intervalo de preços. Os interessados em determinada revista deverão solicitar, não a informação sobre a revista, mas sim o folhetim versão completa.
Além do folhetim serão enviadas diversas fotos adicionais. Recomendo que analisem com atenção as fotografias e a classificação que atribuo a cada uma das revistas, em caso de dúvida podem solicitar mais informação ou fotografia sobre qualquer revista.
Devido à desvalorização do Euro nos últimos meses, têm sido extremamente difícil manter os preços e, este mês fui mesmo forçado a rever os preços de algumas revistas.
DESTAQUES
Rubrica que apresenta as revistas que são novidade relativamente às edições anteriores. Os preços variam entre os 3€ (Zagor Mythos) e os 12€ (Tex Gigante 2 e 3). . Tex 1ª Ed. – 181, 233, 242 a 245, 247, 285, 301, 302 e 341
Tex Coleção – 5, 29, 31, 41, 49, 50, 53, 54, 61, 62, 99, 100, 114, 125, 126 e 127
Tex Almanaque – 21, 22 e 30
Tex a cores Globo – 3 e 4
Tex Ed. Histórica – 18 e 65
Tex Gigante – 2 e 3
Tex Revista poster – 1
Mister No Record – 6 e 9
Hist. Do Faroeste – 20
Ken Parker Italiano – 50
Zagor Mythos – 18, 25, 54 e 56
Zagor Esp. Record – 1, 3, 4, 5 e 6 . NOVIDADES
Rubrica que apresenta exclusivamente revistas novas da Mythos e funciona preferencialmente por encomenda. Os preços variam entre os 2,7€ (Tex 389) e os 21€ (Tex o mocinho do Brasil).
Tex – 389, 460 a 482
G. C. Tex – 17 a 24
Tex Ouro – 27, 34 a 36, 38, 40 a 42 e 45
Tex Ed. Histórica – 70 a 78
Tex Colorido – 1 e 2
Tex Almanaque 36 e 37
Tex Anual – 3 e 8
Tex e os aventureiros – 3
Tex Esp. Férias – 3 e 8
Tex Gigante – 18 a 22
Tex o Mocinho do Brasil
Revista Tex Brasil – 1
Zagor Extra – 1, 2, 54, 56 a 70
Zagor – 6, 92 a 104
Zagor Especial – 1, 13, 14, 20 a 25
Zagor Esp. 30 Anos
As avent. Cico – 1 e 2
Júlia Especial – 2, 3 e 4
Mágico Vento – 1 a 10
REVISTAS.
As revistas aqui apresentadas são as que têm vindo a acumular das edições anteriores. Os preços variam entre os 2,5€ (Martin Mistiere Mythos 14) e os 7,5€ (Grandes Clássicos Tex 16)
Epopeia Tri 1ª ed. – 73
Epopeia Tri 2ª ed. – 2, 3 e 8
Esp. Selvagem de Conan – 20 e 94
Tex 1ª Ed. – 41, 52, 53, 63, 64, 72, 77, 84, 92, 93, 97, 98, 102, 104 a 111, 113, 115 a 117, 121, 123, 129 a 132, 135 a 138, 140, 142, 146, 164, 165, 166, 168, 206, 235, 264, 266, 267, 271, 288, 294, 386, 392, 396, 397, 449 e 450
Tex 2ª Ed. – 20, 24, 27, 35, 38, 42, 44, 45, 47 a 52, 56, 59, 62 a 69, 71, 77, 83, 85, 89, 103, 114, 117, 122, 125, 129, 135, 138 a 143
Tex Colecção – 14, 22, 30, 36, 38, 39, 44, 47, 48, 65, 66, 73 e 242
Tex Ed. Histórica – 35 e 55
Grandes Clássicos Tex – 10, 11 e 16
Tex a Cores (Globo) – 2
Tex Almanaque – 27, 28 e 32
Tex Esp. Férias – 6
Tex MS Merc. da Morte – 1
Tex Ouro – 4, 8, 30 e 31
Histórias do Oeste – 4, 5, 6, 7, 14, 17, 20 e 27
Zagor Mythos – 1 e 88
Zagor Record – 41 e 54
Zagor RGE – 4
Zagor Vecchi – 5
Chacal – 3
Chet – 8, 9, 12, 14 e 19
Ken Parker Vecchi – 17
Mágico Vento – 9
Martín MYstère Mythos – 14
Mister No Mythos – 11
Nick Raider Mythos – 7
Skorpio Vecchi – 9 a 12
ESTADO DE CONSERVAÇÃO DAS REVISTAS .
NOVO (N) – Estado de banca. Novo ou como Novo. SEMI NOVO (SN) – Revista com poucos anos, sem defeitos. Capa perdeu o brilho característico das revistas novas. ÓPTIMO (O) – Capa, lombada e miolo apresentando o desgaste de acordo com a idade. As revistas muito antigas apresentam pequenas imperfeições. BOM (B) – Pequenos defeitos na capa e lombada (rasgos, riscos ou pequenas palavras), miolo amarelado. Revista não recomendada a coleccionadores exigentes. REGULAR (R) – Capa e lombada com falhas, mais que uma palavra escrita na capa. Miolo amarelado ou escurecido. Revista não recomendada a coleccionadores exigentes. USADO (U) – Capa muito gasta ou suja pelo uso, escrita ou com rasgos. Lombada com falhas e miolo demasiado escurecido. Revista não recomendada a coleccionadores exigentes. CONDIÇÕES DE VENDA
Pagamento antecipado efectuado através de transferência bancária.
Entrega em mão, apenas na região de Setúbal.
Os portes dos correios serão sempre por conta do comprador, salvo indicação em contrário. Procuro enviar os pedidos na forma mais económica (seleccionado a verde na tabela abaixo). Para encomendas entre 2 e 3 Kg, apesar do envio como encomenda ser mais económica, a modalidade livros registado compensa, pois a encomenda é entregue no dia útil imediatamente a seguir, o que não acontece com o envio como mercadoria. Caso o comprador prefira outra forma de envio deve expressá-lo no acto da compra
CUSTOS DE ENVIO
FACTORES QUE INFLUENCIAM OS PREÇOS
Estado de conservação das revistas
Raridade das revistas
Dimensão da encomenda
Custos de transporte
Custos alfandegários
Custo de transferência do dinheiro
Flutuação cambial
Como podem verificar, são muitas as variáveis que influenciam os preços das revistas. A mesma revista pode ter preços completamente diferentes, em meses seguidos, devido a estes factores.
OUTRAS INFORMAÇÕES
Aceito listas de faltas. A entrega de lista de faltas não compromete o coleccionador e não é garantia de conseguir as revistas em falta. As listas servem para centralizar as compras nas necessidades dos coleccionadores. Os coleccionadores que entregarem lista de faltas, serão informados da existência das revistas, antes da sua divulgação no “TRADING POST”, exercendo assim o direito de preferência. As listas de faltas serão ordenadas pela data de entrega.
As fotografias apresentadas no folhetim, serão sempre das revistas colocadas à venda. Adicionalmente ao folhetim seguirão outras fotos e enviarei foto de qualquer revista que me seja solicitado, excepto das revistas novas, das quais não vejo necessidade.
Muito excepcionalmente existe mais do que um exemplar de cada número. Somente com a divulgação deste folhetim e a entrega de listas de faltas, será possível colocar à disposição mais exemplares.
Agradeço o contacto de todos os coleccionadores interessados em receber o folhetim, assim como sugestões no sentido de melhorá-lo.
DIVULGAÇÃO
O folhetim será enviado a todos os coleccionadores os quais possuo contacto e aos quais peço a divulgação para os seus contactos. Será também enviado a todos aqueles que expressem vontade em recebê-lo.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Davi Ryba: Meu nome é Davi Rhuan dos Santos Ryba,tenho 15 anos e no momento estou cursando o 2º ano do Ensino Médio. Nasci na cidade de Assis Chateaubriand no Estado do Paraná, Brasil, no dia 28 de Novembro de 1994. Quando tinha 5 meses de idade a minha família mudou-se para Nova Aurora, onde resido até hoje.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Davi Ryba: Foi com uma edição de “Turma da Mônica”, eu devia ter aproximadamente 3 ou 4 anos, sabia ler apenas algumas palavras e a minha mãe ajudava-me a ler as outras, assim, acabei aprendendo a ler muito cedo, crescendo cada vez mais meu interesse pela banda desenhada, ainda mais quando via a colecção de Zagor do meu pai.
Quando descobriu Tex? Davi Ryba: Primeiro foi nas propagandas que tinha nas outras revistas Bonelli, Comecei primeiro lendo Zagor; eu tinha 8 anos, era um daqueles dias chuvosos em que não havia nada para se fazer, olhei na estante e peguei a edição “Vingança Vodu” e passei a tarde toda lendo.
Demorei um pouco para ler Tex. Foi em 2005, de tanto falarem que era o mais vendido da Bonelli um dia resolvi ler, fui à banca e comprei “Grandes clássicos de Tex 1”, gostei da edição e passei a coleccionar tudo o que posso sobre a mítica personagem italiana.
Porquê esta paixão por Tex? Davi Ryba: Gosto devido a ele ter uma grande variedade de assuntos nas histórias: fala de faroeste, espionagem, sobrenatural, misticismo e coisas do género. Sem falar dos desenhadores, que são de grande qualidade.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Davi Ryba:Ele não mede esforços para chegar à conclusão de um caso e não pensa duas vezes para ajudar alguém que precise.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Davi Ryba: Possuo cerca de 290 revistas de Tex e 305 de Zagor. A edição mais importante de Tex que possuo acho que é o primeiro Tex Gigante da Editora Globo (“Tex, o Grande“). De Zagor são as quatro edições italianas que tenho.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Davi Ryba: Normalmente colecciono tudo o que está ao meu alcance, ou seja, aquilo que tenho condições de comprar.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Davi Ryba: Uma edição da Collezione Storica a Colori que está a ser publicada na Itália e a colecção de bonecos da Hachette. Esse objectos são os que mais me fascinam ao ver uma colecção e que eu gostaria de possuir.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Davi Ryba: As minhas histórias favoritas são duas : ”Oklahoma!”, onde é abordado um acontecimento histórico importante e que não se desviou muito da história que realmente ocorreu, e também “Os Fanáticos do Tigre Negro” por ter um bom roteiro e bons desenhos. Acho ele o maior vilão do universo de Tex. O desenhador favorito desde o início sempre achei que é o Civitelli. Quando ao argumentista, Nizzi, pois muitas das histórias da fase Ouro de Tex foi ele quem escreveu.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Davi Ryba: Foi que já disse, a variedade de histórias e ele sempre ajudar a quem precise, não medindo esforços em tirar a informação correcta de um bandido. O que menos me agrada… bem, o modo de narrativa de várias histórias parecerem iguais, tornando-se um pouco repetitivo.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Davi Ryba: Com certeza foi a coragem dos criadores Bonelli & Galep de investirem os seus esforços na personagem e continuarem com a sua publicação pelo resto de suas vidas.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Davi Ryba: Apenas quando o acaso permite; já me encontrei por acaso duas vezes na banca das revistas com pessoas que liam Tex e dias atrás descobri que três pessoas na minha sala de aula já tinham lido Tex.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Davi Ryba: Com muita coisa boa ainda por vir, basta apenas ter-se uma grande ideia e passá-la para os quadradinhos.
Prezado pard Davi Rhuan dos Santos Ryba, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. (Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Tex Edição Histórica #77 – Mescaleros! Giovanni Luigi Bonelli (argumento)
Guglielmo Letteri (desenho)
Mythos (Brasil, Julho de 2009)
135 x 178 mm, 324 p., pb, brochado Resumo Um bando de índios mescaleros, liderados por um tal Lucero, espalha o terror e a morte nos ranchos e povoados próximos da fronteira entre os Estados Unidos e o México, aparentemente desaparecendo neste último território após cada assalto. Nomeados e, depois, retirados do caso pelo governo, para não criarem problemas com o governo mexicano, Tex Willer, Kit Carson, Jack Tigre e Kit Willer, decidem assumir o caso a título pessoal.
Desenvolvimento Esta é mais uma história bem escrita e desenvolvida a bom ritmo por Giovanni Luigi Bonelli que, em relação a outros relatos do ranger, tem algumas particularidades que justificam esta chamada de atenção.
Desde logo o esquema engenhoso e bem montado que permite aos mescaleros desaparecer sem deixar rastos após cada massacre, o que faz com que, durante grande parte do relato, Tex e os seus companheiros andem positivamente às cegas, sem conseguirem antecipar os movimentos dos bandidos, para os impedir, nem encetarem com êxito uma perseguição, para os capturar. Algo que não é muito habitual em histórias protagonizadas por Tex Willer. A boa cobertura de que Lucero dispõe, sob outra identidade, tem também um peso significativo para que as coisas se desenrolem desta forma.
Depois, pese embora os métodos utilizados, a verdade é que o fim a que o chefe dos mescaleros se propõe – a recuperação dos territórios de que o seu povo foi espoliado – noutra conjuntura seria um motivo para o ranger se colocar ao seu lado, como aconteceu em tantas outras das suas aventuras. O que mostra Tex sob a óptica de uma inesperada dualidade de critérios… O que o torna mais humano?
Finalmente – e este é, para mim, a razão principal – o facto de Tex nunca estar face a face com o chefe do bando de mescaleros ao longo de todo o relato, encontrando-o apenas depois de morto e enterrado, nunca conseguindo consumar – pessoalmente – os desejos de justiça (e vingança…) que o movem, confere ao relato – e em Lucero em particular – uma aura especial.
Graficamente, confesso que o desenho de Letteri, possivelmente pressionado pelos prazos de entrega, algo (quase) inevitável em publicações que têm que chegar às bancas periodicamente, não me seduziu com a maioria dos rostos demasiado parecidos, algumas posturas demasiado rígidas e desequilíbrios no tratamento dos fundos das vinhetas.
Para finalizar, a título de curiosidade, pelo invulgar da imagem no contexto do universo do ranger, deixo uma referência para as duas últimas vinhetas da página 310, em que Lucero surge – literalmente – ameaçado pela imagem da morte.
A reter
– Os aspectos originais da historia desenvolvidos atrás.
Menos conseguido – Os desequilíbrios do desenho. Noutros contextos editoriais ou no meio cinematográfico, não seria descabido que um argumento destes fosse redesenhado ou filmado de novo.
Curiosidades – Na vinheta aqui reproduzida do lado direito, Tex faz uma “promessa” que fica por cumprir… outro facto raro na sua carreira.
– Esta história foi originalmente publicada em Itália entre Maio e Agosto de 1973, nos números 151 a 154 do Tex italiano, e no Brasil surgiu na revista Tex, números 62 a 64, e também na Tex Colecção, entre os números 203 e 205.
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. *Pedro Cleto,Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e tambémautor do blogue As Leituras do Pedro..
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caro Pasquale Ruju, bem-vindo ao blogue português de Tex. Para começar, o que é a BD para si, como linguagem e como experiência profissional? Pasquale Ruju: Um modo de me expressar, com palavras e imagens, sem precisar ficar de olho no orçamento, como eu faria se trabalhasse no cinema. Em resumo, o melhor trabalho do mundo!
Que lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo Bonelli, na sua infância? Pasquale Ruju: Desde a adolescência eu fui um grande leitor de Zagor e Mister No, e depois cheguei a Tex e a Dylan Dog. Junto aos romances de Júlio Verne e de Emilio Salgari, os quadradinhos Bonelli contribuíram para formar a minha visão pessoal de história aventurosa.
Você começou a sua carreira artística no cinema e no teatro. O que nos pode contar dessa experiência? Pasquale Ruju: Depois da formatura em Arquitectura, eu trabalhei por alguns anos no teatro, com algumas incursões no cinema e na TV. Durante os estudos universitários eu frequentei uma escola profissional de actores, e assim eu comecei aos poucos a trabalhar nesse sector. Uma experiência muito fascinante, que alguns anos depois levou-me à dobragem (n.t.: dublagem, no Brasil).
Em seguida você destacou-se como dobrador (n.t.: dublador, no Brasil). Como chegou a esse trabalho? E consta que você deu voz a algumas personagens da edição radiofónica de Dylan Dog, transmitida pela RAI (n.t.: a rádio e TV italiana), certo? Pasquale Ruju: A dobragem para TV foi o meu verdadeiro trabalho, até que cheguei à Bonelli. Eu comecei quase por acaso, a fazer uns testes graças a um amigo que conheci no teatro. A experiência radiofónica existiu mesmo, e foi baseada numa história minha. E foi muito divertido.
Em 1995, depois de várias experiências no cinema, teatro e dobragem, aconteceu o seu ingresso no mundo dos quadradinhos. Como você chegou à Sergio Bonelli Editore? Você pensava apenas em Dylan Dog ou tinha ideias também para outras personagens da Editora milanesa? Pasquale Ruju: Meus primeiros contactos foram com Antonio Serra, para Nathan Never, mas foi Mauro Marcheselli quem me deu a primeira chance de verdade, ao sugerir que eu fizesse o roteiro de uma história curta para Dylan Dog (que depois seria publicada com o título de “O Vizinho de Casa“). Isso foi no distante 1994.
Você já havia escrito algum roteiro de BD antes de entrar na Bonelli? Pasquale Ruju: Eu havia tido algumas experiências semi-profissionais, mas até aquele momento eu era substancialmente um grande aficionado, não um verdadeiro roteirista.
Quanto lhe ajudaram na carreira de roteirista de BD as suas experiências de actor e dobrador? Pasquale Ruju: Obviamente é uma base que tem o seu peso. Muitas vezes escrever quadradinhos torna-se o resultado de experiências variadas. Eu busco fazer as minhas darem frutos.
Quais foram as recomendações dos responsáveis por Dylan Dog quando você entrou de forma estável para a equipa de roteiristas? Nestes últimos anos você foi um dos autores mais presentes nas páginas do Investigador do Pesadelo. Em muitas das suas histórias Dylan parece mais um detective e, sem deixar de lado as suas peculiaridades irónicas, um pouco mais levado à acção. Você se reconhece nessas observações? Pasquale Ruju: A personagem de Dylan Dog, assim como foi concebida por Tiziano Sclavi, tem muitas “almas”, e permite tramas profundamente diferentes entre si. Em cerca de 80 histórias escritas por mim, muitas são aventurosas ou de investigação, mas não faltam aquelas mais “intimistas” ou até mesmo declaradamente humorísticas. Eu não me recordo de recomendações particulares além daquela de respeitar as características da personagem (que, deve-se acrescentar, eu conhecia de cor!).
Você escreve histórias de Dylan Dog há quinze anos. Como é o seu relacionamento com a personagem principal, com seu mundo e com as outras personagens da série? Isso mudou com o passar dos anos? Pasquale Ruju: Dylan mudou um pouco, é inevitável. Talvez esteja um pouco mais amargurado e desiludido, como é a nossa época em relação aos anos 80 do século passado. O meu relacionamento com ele ainda é óptimo, e divirto-me como antes a colocar o pobre Dylan em todo tipo de problemas. O ruim é que no início do nosso relacionamento tínhamos a mesma idade (33 anos) enquanto hoje ele ainda tem 33 e eu 47!
Groucho é uma personagem difícil de administrar, ao menos segundo os depoimentos de outros colegas seus. Você teve dificuldades para administrá-lo e para criar os chistes característicos? Pasquale Ruju: Groucho não é apenas alguém que solta chistes… é a verdadeira contraparte de Dylan. Sem ele a série e a personagem não seriam os mesmos. Não tenho problemas em criar os chistes, mas a coisa realmente difícil é manter as características “excêntricas” e fortemente “arrasadoras” da personagem.
A crítica é unânime ao afirmar que Dylan Dog mudou muito desde a sua estreia nos quiosques, há 24 anos, e por um lado isso é perfeitamente lógico porque as pessoas (autores e leitores) mudam como o mundo que as circunda. Mas por outro lado, no passar dos anos você teria recebido indicações especiais da redacção em relação a temáticas que não podem mais ser abordadas ou sugestões sobre as modalidades de roteiro para histórias de Dylan Dog? Pensemos no splatter, que já esteve muito em voga, ou nas temáticas sociais que já foram a base da série e que hoje estão meio que esquecidas. Pasquale Ruju: O splatter passou um pouco da moda, também no cinema. Já as temáticas sociais, essas ainda existem em muitas histórias de Dylan (não em todas, claro). Os roteiristas não sofrem restrições particulares, mas devem manter-se no âmbito das linhas mestras da Editora (Dylan, como Tex e como todas as outras BD Bonelli, devem poder ser lidas por todo o mundo, dos adultos às crianças). Essa é a verdadeira linha de fronteira.
Às vezes a sua versão de Dylan Dog parece um pouco “fria”, quando dá preferência a histórias policiais (embora com toques de terror), ou então quando coloca Dylan Dog às voltas com monstros de todo o tipo mas sempre tangíveis (enquanto o terror e os pesadelos de Sclavi também eram existenciais). Ou seja, falta aquele envolvimento emotivo tão querido do criador da personagem. Não por acaso, muitos leitores afirmam que um dos seus episódios mais bonitos e bem feitos seja “A Eterna Ilusão“, talvez porque foi mais “sentido” por si. O que acha disso? Pasquale Ruju: Eu já respondi em parte a essa pergunta. Eu sou um autor mais aventuroso e menos intimista do que Tiziano ou Paola Barbato. Mas acho que os leitores querem ler histórias diversificadas – ora mais reflexivas, ora mais divertidas ou cheias de adrenalina – por isso pode-se dizer que nós roteiristas nos “completamos” um ao outro.
Você trabalhou com todos os desenhadores da equipa de Dylan Dog: com quais estabeleceu um entendimento particular? Acha mais difícil escrever uma história curta ou uma com as tradicionais 94 páginas? Pasquale Ruju: Eu sinto-me bem com todos os desenhadores. Talvez seja mais difícil uma história curta, você tem que jogar tudo em poucas páginas e, para que tudo funcione, ritmo e estrutura devem ser perfeitos.
Na sua opinião, como a personagem vai se desenvolver? Conseguirá se manter a passo com os tempos? Você planeja alguma novidade a acrescentar à série, de forma compatível com as exigências de Sclavi e da redacção? Pasquale Ruju: Dylan Dog é apreciado justamente porque permanece igual a si mesmo. Eu creio que, se houver alguma novidade, será o próprio Tiziano a inseri-la na série.
Até agora você escreveu dois episódios de Dampyr, os números 72 e 106, e ambos têm como argumento o mundo da mitologia egípcia. É um tema que você aprecia ou a escolha foi ditada por outras exigências? Pasquale Ruju: É um tema que aprecio muito. Um dia destes também vou abordá-lo com Dylan.
Como nasceu a sua colaboração com a série de ficção científica de Nathan Never? Como você se sentiu com a ficção científica social da série? Voltaria a escrever novos episódios? Pasquale Ruju: Eu gostei de escrever para Nathan Never. A ficção científica era uma velha paixão, anterior à do terror e do noir. Eu não excluo que possa voltar a visitar o nosso agente especial do futuro.
Falemos de Demian, a mini-série em dezoito episódios que você criou e na qual você deu vazão à sua paixão pelo noir e pelo género aventuroso. Como nasceu a ideia da série? Você ficou satisfeito com o resultado, tanto em nível de texto quanto gráfico? Pasquale Ruju: Fazer os roteiros de Demian foi uma experiência excitante, por tratar-se de um trabalho completamente “meu”, mesmo se inserido nos padrões bonellianos, nas tradições da Editora. A ideia nasceu há alguns anos e concretizou-se depois de várias conversas com o editor Sergio Bonelli e com Decio Canzio, que na época já pensavam em lançar algumas mini-séries. A aposta, para mim, era propor um “herói” bonelliano que vivesse as suas aventuras num contexto mais próximo a nós, o do Mediterrâneo, e num país como a França, muito diferente dos países anglo-saxões em características e estilo de vida. Assim, a série teve como moldura principal a cidade de Marselha, cadinho de raças, interesses, religiões e economias diferentes. Foi uma aposta, repito, mas a olhar depois, vi que eu não poderia imaginar um palco mais intrigante para o meu protagonista. Depois de dois anos de trabalho – e com muita confiança da parte do editor, que me permitiu trabalhar com grande autonomia – as respostas da crítica e das vendas foram lisonjeiras. Devo dizer que, de um modo geral, todas as mini-séries propostas até agora, de Brad Barron a Rosto Escondido, foram muito apreciadas pelos leitores, tanto que essa nova “fórmula” entrou de forma definitiva na programação da Editora.
Analisada com a visão do “depois”, você mudaria alguma coisa na série? Pasquale Ruju: Não. Ao relê-la, vejo que gosto da série assim como ela é.
Não lhe desagrada ter “queimado”, em 18 edições, ideias para uma série que tinha potencial para durar muito mais? Na sua opinião o futuro da BD bonelliana (e dos quadradinhos populares de modo geral) será constituído apenas por mini-séries com encerramento programado? Pasquale Ruju: Na verdade Demian – em razão de muitos pedidos dos leitores – terá uma espécie de continuação, articulada em algumas edições “especiais” com periodicidade semestral. Dito isso, penso que no futuro as mini-séries marcarão cada vez mais presença ao lado das séries “históricas” da Editora. Mas também estou convicto que nascerão novas personagens com uma vida mais longa. Como sempre, dependerá dos autores.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. A partir de 2004 a sua assinatura aparece também nas revistas de Tex: como você chegou à corte texiana? Pasquale Ruju: Eu fui “convocado” e testado. O autor não se oferece para escrever Tex. Normalmente é a Editora a convidá-lo.
Quais foram as primeiras preocupações que a personagem de Tex suscitaram em si? E como se preparou para escrever as histórias do Ranger? Você já o conhecia bem? Pasquale Ruju: Eu havia lido centenas de histórias da série – metade de todas as publicadas, talvez um pouco mais – e outras centenas eu reli antes de escrever a primeira linha. Roteirizar Tex é difícil justamente porque trata-se de um “clássico”. Não se pode trapacear com Tex, ou você está com ele ou está contra ele.
Que dificuldades e estímulos encontrou ao escrever as suas aventuras? Depois de todos os episódios de Dylan Dog que você escreveu, não veio à sua mente alguma ideia para explorar o filão de histórias fantásticas de Tex? Pasquale Ruju: Por ora não. Eu preferi mudar completamente de estilo e confrontar-me com o faroeste “duro e puro”. Um belo desafio a mim mesmo, mas que foi apreciado também pelos leitores.
Na sua visão Tex é um herói que se destaca pela infalibilidade e certezas ou você considera que, sob uma óptica de adequação aos tempos, seja necessário fazer com que ele enfrente adversários “durões” que lhe criem alguma dificuldade a mais? Pasquale Ruju: Um bom antagonista é o tempero de qualquer história texiana, ainda que o Ranger deva permanecer o que é, um infalível distribuidor de justiça.
O que significa para si escrever histórias de uma lenda da BD como Tex, que recentemente completou 60 anos de vida editorial, uma das personagens mais longevas? Pasquale Ruju: Uma bela responsabilidade!
Na sua carreira de banda desenhista Tex foi apenas um bom momento ou você pensa em escrever novos episódios, em concomitância aos seus outros compromissos? Pasquale Ruju: Acabei de começar a escrever uma nova história, que envolverá os apaches mescaleros e será desenhada pelo grande Font.
Como você se define como autor de Tex? Imagina que tem algo em comum com algum outro autor do Ranger? Pasquale Ruju: O meu ponto de referência é G. L. Bonelli, que obviamente é inatingível.
Seria de seu agrado escrever uma história de Tex especial para algum desenhador? Porque? Pasquale Ruju: Eu gosto muito do traço de Font, assim como também gosto do de Garcia Seijas e de Roberto Diso. Dizer o quê? Eu tive a sorte de trabalhar com todos os três!
Quanto tempo leva para escrever uma história? Segue horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, leitura, informação, busca de novos argumentos, vida familiar? Pasquale Ruju: Eu trabalho oito horas por dia, das dez da manhã às seis/sete da noite. Depois eu saio, vou ao cinema, vou jantar com amigos ou com a noiva, leio livros, navego na Internet. Uma vida normal mas rica de sugestões. Para escrever histórias é indispensável absorver informações e sugestões das mais variadas mídias.
Pode nos antecipar alguma coisa da sua nova mini-série? Sergio Bonelli deixou escapar que será uma trama policial anos 70, e você mesmo revelou que será muito mais cruenta e realística que Demian. Pode nos revelar o nome de algum desenhador que estará envolvido e dar uma ideia, mesmo que mínima, da ambientação dominante? Pasquale Ruju: A minha nova personagem, que estreará na Itália no dia 8 de Maio de 2010, se chamará Cassidy. A série será um hard boiled ambientado em 1977/78. A história de um assaltante de bancos que tem 18 meses de vida será contada em tempo real (18 edições, 18 meses). Terá uma continuidade estreita e será ambientada nos lugares “texianos” por excelência (Arizona, Nevada e Califórnia, com algumas incursões no México). Em suma, será um policial com alma de faroeste, mas com pistolas automáticas no lugar dos colts, e Dodges barulhentos no lugar dos cavalos.
E fora dos quadradinhos, você tem algum novo projecto? Pasquale Ruju: Recentemente eu escrevi dois roteiros para cinema. Mas sobre isso não posso falar mais, de momento!
Caro Pasquale, em nome do blogue português de Tex agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)