Argumento de Guido Nolitta, desenhos de Ferdinando Fusco e capas de Aurelio Galleppini. Com o título original Missione a Great Falls , a história foi publicada em Itália nos números 203 a 207 em 1978 e no Brasil, pela Editora Vecchi, nos números 131 a 134.
Roger Goudret, um revolucionário que anda a fomentar a revolta das tribos índias no norte do Canadá contra o domínio inglês, é libertado da prisão onde se encontrava recluso pelo seu primo Big Bear Pierre com a cumplicidade de um sargento do exército britânico. Tex vai ajudar Jim Brandon a caçar este revolucionário pelos territórios francófonos do Canadá, onde a população tem um ódio de morte pelos ingleses, que os considera como invasores.
Ao longo de mais de 300 páginas, Nolitta assina aqui mais uma das suas grandes aventuras, sendo que esta assume de modo mais ou menos indirecto um certo cariz político, tocando na tradicional rivalidade que sempre existiu entre as comunidades britânicas e francófonas no Canadá. Não que a aventura sirva para o autor soltar o seu alerta ou denunciar o que quer que seja. Em bom entendimento, parece-nos sempre que Nolitta, apesar de apresentar a luta dos rebeldes contra o domínio da coroa britânica, acaba por nunca tomar evidente partido por qualquer lado da contenda.
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Aquilo que nos parece sempre mais evidente, apelativo e propriamente denunciado pelo autor é o modo como são feitas e idealizadas algumas revoltas, muitas vezes partindo de premissas ideológicas válidas, mas caindo rapidamente num apelo às massas verdadeiramente demagógico que acaba por desvirtuar aquilo que no início era assumido e julgado como puro, honesto e justo.
No fundo, este é um argumento bem identificado com a sensibilidade de Nolitta, porque o seu Tex surge muitas vezes manietado pelos acontecimentos e até dependente de acções alheias, não se podendo confundir isso como alguma fraqueza do herói. Veja-se, por exemplo, toda a cena do ranger preso ao poste com Jim Brandon, uma cena que hoje em dia, eventualmente apresentada por outros autores (leia-se Nizzi), provocaria um acérrimo coro de críticas.
Tex surge como um herói mais humano e menos lendário, mais estratega e menos dotado a quem tudo corre bem, um conjunto de limitações, se podemos assim chamar, que o torna mais próximo do leitor.
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Ferdinando Fusco assina aqui um dos seus primeiros trabalhos, conseguindo um resultado admirável, compondo um Tex ainda muito ticciano, sempre dotado daquele olhar cínico que o autor lhe conferiu desde o início. Aqui o Tex de Fusco ainda não tinha a densidade física daquele que o autor foi desenvolvendo ao longo dos anos e que o assemelham com John Wayne. Este Tex é ainda um ranger jovem, audaz e irreverente, numa palavra, muito clássico.
O excelente e prestigiado fórum (italiano) de Tex Willer publicou neste mês de Abril, a sua segunda edição da revista “TEX WILLER MAGAZINE“, um suplemento (agora com periodicidade semestral) de informação texiana do fórum texwiller.forumfree.org.
A edição, de 36 páginas, encontra-se disponível no formato PDF, mas para poder ter acesso ao conteúdo total da revista (que recorda um fanzine), há que ser um utente registado do fórum italiano, pelo que recomendamos o registo a quem quiser visualizá-la, até porque a edição tem sido alvo de grandes elogios, inclusive de membros do próprio staff de Tex, como por exemplo Claudio Villa e Mauro Boselli.
Os destaques deste segundo número que conta com a participação de José Carlos Francisco (popularmente conhecido como Zeca) na redacção e do qual o blogue português de Tex já faz parte integrante conforme se pode constatar no expediente da revista, vão para a entrevista exclusiva com o conceituado desenhador Claudio Villa, para a recensão crítica de “L’uomo di Baltimora“, a recente história da autoria da dupla Faraci & Bruzzo, para um exaustivo dossier dedicado a Mefisto, para um belo texto dedicado a um famoso rapaz no Faroeste: o Kit Willer de Boselli e o texto sobre astrilhas europeias e americanas com Tex. Mas há muito mais material de qualidade, de que não falamos para deixarmos o prazer da descoberta a quem desejar adquirir a revista.
Para aguçar o apetite publicamos de seguida, com a devida autorização, o texto da autoria de José Carlos Francisco à TEX WILLER MAGAZINE nº 2, devidamente traduzido para português:
Pelas trilhas europeias e americanas com Tex
A longa cavalgada de Tex à volta do mundo, levou-o nos últimos anos aos Estados Unidos, Portugal e Rússia. A popularidade da mítica personagem da Casa Bonelli, a maior editora transalpina de fumetti não parece assim conhecer fronteiras.
Em Dezembro de 2003, numa etapa importante e almejada há muito pela Sergio Bonelli Editore, a Dark Horse editou o primeiro de quatro volumes previstos, da história que na Itália foi publicada no “Albo Speciale” nº 15, com o título “The Four Killers”. A história escrita por Claudio Nizzi e desenhada pelo americano Joe Kubert, foi publicada numa prestigiosa edição cartonada e a cores, confirmando a modalidade editorial realizada antes na Holanda, Alemanha e França. Só que devido a um conflito entre a Dark Horse e a Venture, a edição existiu fisicamente, mas nunca foi posta à venda, tornando-se por isso mesmo, uma edição raríssima que somente alguns poucos editores, como por exemplo Dorival Vítor Lopes, da Mythos (Brasil), e Pedro Silva, da Vitamina BD (Portugal), possuem. Mas Tex chegou a ver a luz do dia na sua “terra natal”, quando finalmente em 2005 a própria SAF Comics, detentora dos seus direitos internacionais, publicou “Tex: The Lonesome Rider”, numa edição impressa na Eslovénia, com 240 páginas a preto e branco, capa em brochado e com o custo de $15,95 dólares.
2005, mais precisamente no dia 14 de Agosto, foi também o ano em que Tex “nasceu” em Portugal, depois de mais de 30 anos a ser distribuído com o selo de editoras do Brasil. A honra coube à aventura “Tex contra Mefisto”, da dupla Giovanni Bonelli e Aurelio Galleppinni, publicada no volume 8 da 2ª Série dos Clássicos da BD, rebaptizada com o nome “Colecção BD Série Ouro” numa iniciativa do jornal “Correio da Manhã” que quis oferecer ao seu público uma versão “falada” no mais clássico idioma lusitano.
Em 2008 por ocasião do sexagésimo aniversário de Tex, o BDJornal # 24, uma publicação Pedranocharco, dedicou um dossier especial ao Western, onde incluiu aquela que é a segunda história de Tex editada em Portugal, a história de 14 páginas da autoria da dupla Guido Nolitta e Giovanni Ticci, intitulada “Uma Tarde Quente…”, gentilmente cedida pela SBE e que para já encerra o ciclo português de Tex.
Provando que a popularidade de Tex Willer parece não ter limites, em 2007, a mais popular personagem da Casa Bonelli começou também a ser editada na Rússia, através da editora “Green Cat“, para satisfação dos apreciadores da banda desenhada daquele longínquo país de Leste. A chegada de Tex à Rússia é a enésima aposta que a Bonelli joga fora dos confins italianos: um desafio que data desde os primórdios (pode datar-se de 1948, a estreia de Tex num país estrangeiro, mais precisamente em França, no dia 29 de Novembro, apenas dois meses depois da sua estreia na pátria italiana, com o nome “Texas Boy” e no formato apelidado de striscia,) e cuja história marcada por diversos sucessos e algumas desilusões seria útil percorrer para compreender as dimensões da popularidade de Águia da Noite, que se pode encontrar em língua hebraica, no doce idioma grego e até em tamil, sem esquecer países como Turquia, Espanha ou Argentina…
Mas voltemos a Portugal porque o objectivo deste texto é falar das edições do Ranger em língua portuguesa. Assim como na Itália e no Brasil também em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é Tex. Ainda que pequeno em relação ao italiano, ou ao brasileiro, o mercado português de Banda Desenhada é constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que esperar que os seus Tex’s venham do outro lado do Oceano, mais precisamente do Brasil (país cuja língua oficial também é o português). Tex apareceu pela primeira vez em Portugal no final de 1971, editado pela Editora Vecchi, do Brasil. Tratava-se do número 1, com formato idêntico ao italiano e trazia o preço de capa de 10$00 (0,05€). A trajectória de Tex em Portugal foi tortuosa e a vida dos coleccionadores portugueses sempre foi muito difícil, pois continuamente estiveram dependentes da vontade das editoras brasileiras, além de que as revistas chegavam a Portugal sempre com seis a nove meses de atraso e algumas delas em mau estado de conservação, devido a serem sobras recolhidas das edições postas à venda no Brasil. Mas o pior é que algumas vezes as editoras brasileiras “esqueciam-se” de enviar alguns números para Portugal e os leitores lusos ficavam privados de algumas histórias.
Este foi sempre um problema grave que sucedeu algumas vezes durante a trajectória de Tex em Portugal e com todas as editoras brasileiras, tratando os leitores portugueses de uma forma que eles não mereciam, já que sempre se mantiveram fieis à compra das edições. Para piorar a situação, tanto a editora Vecchi, como a Rio Gráfica/Globo nunca atendiam o pedidos dos coleccionadores lusitanos de enviar pelo correio as revistas que não vinham para Portugal, ao contrário da Mythos Editora que, nesse aspecto, foi muito benévola e profissional, compreendendo os anseios dos fãs portugueses. Apesar de todos estes obstáculos, graças ao empenho, persistência, dedicação e paixão, existem coleccionadores em Portugal com toda a colecção brasileira de Tex e inclusive alguns com a colecção italiana!
Voltando ao Brasil, seguramente o país que deu mais satisfações à Casa Bonelli, a nação sul-americana deu vida a Tex em 1951, através da Rio Gráfica Editora, tendo o Ranger tido a sua primeira aparição na revista Júnior nº 28, com o nome de “Texas Kid” tendo o mesmo formato da edição original italiana. “Texas Kid” despede-se dos leitores brasileiros em Julho de 1957 e durante toda a década seguinte ninguém mais ouviu falar de Tex no Brasil, até que em Fevereiro de 1971 a Editora Vecchi relançou Águia da Noite em revista própria, sendo também distribuída em Portugal, como dissemos anteriormente. Em 1977 devido ao grande sucesso comprovado por vendas superiores a 150.000 exemplares, a Vecchi lança a 2ª edição de Tex e em 1980 publica aquela que ainda hoje é considerada a mais sofisticada edição brasileira, o luxuoso álbum cartonado “O Ídolo de Cristal”. Em 1983, Tex muda-se para a Rio Gráfica Editora, mantendo a numeração e formato. Em Janeiro de 1987, Tex passa a ser apresentado aos leitores pela Editora Globo, na verdade a mesma Editora Rio Gráfica, porém com outro nome. Em finais de 1998 é a Editora Mythos quem assume a publicação de Tex, tendo no presente várias séries (entre inéditas e reedições, almanaques e especiais num padrão que nenhuma editora anterior tinha conseguido dar no passado, a que correspondem boas vendas) dedicadas a Águia da Noite, todas elas enviadas também para Portugal, para deleite dos Texianos portugueses, mostrando que Tex continua bem vivo entre os leitores de língua portuguesa, como também atestam as diversas exposições realizadas em Portugal (primeiro e único país até hoje a expor originais de Tex fora da Itália), inclusive com a presença de artistas do calibre de Fabio Civitelli e Marco Bianchini…
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IT’S MY LIFE, é o título de uma famosa canção dos Bon Jovi que o pard italiano conhecido como Coronel Jim Brandon, resolveu usar para realizar uma excelente montagem vídeo-musical com o nosso amado Ranger de camisa amarela, onde ao ritmo da melodia, se assiste a um desfilar de maravilhosas ilustrações coloridas na sua maioria da autoria de Claudio Villa!
Trata-se igualmente de mais uma iniciativa que visa uma vez mais, divulgar sobretudo, o excelente fórum (italiano) de Tex Willer…
A Mythos Editora, a editora brasileira que edita Tex Willer, estará representada ao mais alto nível nas comemorações do 25º aniversário de carreira de Fabio Civitelli a desenhar Tex integradas no 6º Festival Internacional de BD de Beja, com destaque para a exposição de originais do artista italiano, já que será representada pelo editor do Ranger, Dorival Vitor Lopes e pelo legendador (letrista, no Brasil) Marcos Maldonado Rodriguesque virá acompanhado da sua esposa, Dolores Maldonado, também ela um nome grande da história de Tex no Brasil, já que no passado também foi legendadora de Tex.
O editor (de Tex, Zagor e outros títulos Bonellianos) Dorival Vitor Lopes regressa a Portugal pela enésima vez e é já sobejamente conhecido da grande maioria dos fãs portugueses do Ranger, pelo que já dispensa apresentações. Marcos Maldonado Rodrigues, natural de Sorocaba, Estado de São Paulo, Brasil, nasceu em 25 de Abril de 1940 e é legendador de Banda Desenhada desde 1969, tendo iniciado a sua ligação com Tex no dia 3 de Março de 1980 (tratava-se de Tex nº 110, “A Sombra do Patíbulo“, 130 páginas), portanto já lá vão 30 anos participando das aventuras deste nosso destemido herói do oeste.
Já de Dolores Maldonado reza a lenda que aquando do legendamento (letreiramento, no Brasil) manual, a sua caligrafia era tão semelhante com a do seu marido que não se conseguia identificar o início de uma e o fim de outra. Durante muito tempo ambos legendaram juntos, pois na época tinham tanto trabalho e algumas histórias tinham o prazo tão apertado que eles dividiam as páginas legendando por vezes a mesma história de Tex para a Editora Vecchi. Depois de publicadas as revistas ambos tentavam sem sucesso descobrir o que um ou outro tinha legendado. Isso era possível por terem iniciado juntos o treino de legendamento, ainda em 1969, copiando histórias de revistas da época e seguindo o estilo de letras de Antonio Maldonado, irmão de Marcos Maldonado, também ele legendador e que já era muito conhecido no meio das Histórias em Quadradinhos.
A presença de tão ilustres visitantes oriundos da editora brasileira é certamente mais um motivo de peso a juntar à presença do consagrado desenhador Fabio Civitelli, para a comunidade Texiana se deslocar em força à histórica cidade de Beja nos dias 29 e 30 de Maio de 2010, por isso prezado pard, esperamos por si em Beja!
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