Texto da secção Cultura de 11/06/2010
Banda Desenhada F. Cleto e Pina
“Festival de Beja na despedida”
Ainda é possível visitar, até depois de amanhã, as 21 exposições propostas pelo VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que durante 15 dias animou a pacata cidade alentejana. Satisfeito com a forma como tudo decorreu, Paulo Monteiro, o seu director, estima que o número de visitantes poderá “atingir os oito milhares”.
Últimas oportunidades, portanto, para apreciar a arte de Fabio Civitelli (que há 25 anos desenha Tex), dos gémeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá ou dos menos sonantes Hippolyte, Dame Darcy ou Igor Hofbauer, o que comprova uma das linhas condutoras do evento desde o seu início: “juntar autores consagrados e alternativos no mesmo espaço”.
Beja é também espelho do que se vai fazendo por cá aos quadradinhos – 10 novos títulos foram lançados durante o festival, como o JN destacou esta semana – sendo também possível apreciar as pranchas de Jorge Coelho, Miguel Rocha, Regina Pessoa, João Fazenda ou do The Lisbon Studio, em exposições com a mesma montagem sóbria mas cuidada, em que apenas ressalta a ampliação de um ou outro desenho, para que sejam os originais a ter todo o destaque.
Neste último fim-de-semana, destaque para o concerto de amanhã, às 23 horas, na galeria do Dessassossego, e para a festa de encerramento, no domingo, às 19 horas.
Ao JN Paulo Monteiro revelou que a sétima edição terá lugar de 30 de Maio a 12 de Junho de 2011 e também que “já estão confirmados o italiano Andrea Bruno, e o português Alberto Varanda, há anos radicado em França”.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? André Caliman: Nasci em São Paulo, Brasil, em 1986. Sou banda desenhista.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? André Caliman: Mudei para Curitiba (onde moro até hoje), com 13 anos. Sempre gostei de desenhar, mas nunca havia levado a sério, mas durante essa mudança, enquanto eu ajudava a tirar as coisas das caixas na casa nova e organizar tudo, descobri alguns álbuns do Príncipe Valente e fiquei curioso. Perguntei ao meu pai o que eram aqueles álbuns e ele disse: “É a melhor história em quadradinhos de todos os tempos”. Eu fiquei fascinado pela história e pelos desenhos. Foi como ligar um interruptor, de repente eu tive certeza de que queria fazer aquilo! Nas primeiras páginas de um dos álbuns tinha uma biografia do autor, Harold Foster, e lá dizia que ele havia cursado Belas Artes. Foi o que eu fiz, formei-me e comecei a trabalhar com isso.
Para aqueles que ainda não estão bem identificados com a sua carreira profissional, gostaríamos que fizesse uma pequena apresentação própria e do caminho entretanto percorrido na sua carreira? André Caliman: Ainda enquanto eu cursava a Belas Artes, lancei com o Leonardo Melo e outros amigos a revista independente Quadrinhópole. Foi um pontapé inicial que ajudou muito a aprimorar o traço, receber críticas e conhecer o mercado. Ganhamos o prémio HQMIX com a Quarta edição da Quadrinhópole. Depois lancei a revista Avenida, com o Wellington Marçal e o Rui Silveira. Enquanto publicava essas revistas, coloquei as minhas páginas em alguns sítios da Internet e fiz contacto com um escritor americano que tinha um projecto de fantasia chamado E.L.F., e comecei a trabalhar com ele. O primeiro número dessa série será lançado em Julho deste ano na San Diego Comic Con.
Tex teve alguma influência no facto de você se ter tornado um desenhador? André Caliman: Com certeza.
Quando descobriu Tex? André Caliman: Quando eu descobri O Príncipe Valente, eu fiquei fascinado pelo clima que o preto e branco causava. Eu não lia nada de super-heróis, achava quadradinhos em cores um absurdo. Então o passo seguinte foi conhecer o Tex. Eu considerava a única publicação de qualidade que havia nas bancas.
Porquê esta paixão por Tex? André Caliman: Ele é apaixonante.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? André Caliman:Eu acho que é uma personagem que guarda valores, mas apesar de ser o “cara” certinho, Tex é um pouco anárquico e vê o certo e o errado de um ponto de vista muito pessoal. Dá impressão que você pode confiar nele. Acho que é por isso que dura há tanto tempo. As pessoas ficam fiéis às personagens em que elas acreditam.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? André Caliman: Não sei dizer. A maioria dos especiais e muitos números aleatórios. Nunca fui um bom coleccionador. Mas tenho muita coisa.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? André Caliman: Tive um póster do Tex no meu quarto por muito tempo. Mas só livros.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? André Caliman: As revistas. Mas queria ter o revólver dele. (só para poder desenhar…)
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? André Caliman: Antes vou contar uma história minha. Há uns cinco anos atrás eu estava viajando pela Itália e fui a Milão com o endereço da Sergio Bonelli Editore no bolso, e encontrei a editora. Entrei, fui muito bem recebido. Quer dizer, antes de encontrar a porta certa, bati numa porta e ela se abriu sozinha, dei uma olhada para dentro e era um quarto com um monte de revistas do Tex para tudo quanto é lado, tipo um depósito. Aí saiu uma pessoa de trás de uma pilha de revistas e indicou-me a porta certa. Aí fui muito bem recebido. Eu não falava quase nada de italiano, mas quis mostrar o meu portfólio, eles olharam, conversaram comigo, foi muito bom. Lembro-me que nas paredes da editora tinham quadros emoldurados de desenhos e pinturas de desenhadores do Tex com dedicatórias. Fiquei um tempão lá babando. Fiquei até de mandar mais coisas para eles avaliarem, mas na época eu achava que o meu desenho ainda não estava bom ( e não estava mesmo). Mas aquela visita foi o que me incentivou a lançar a primeira Quadrinhópole. Lançamos ela assim que voltei para o Brasil.
Quanto à história favorita do Tex, com certeza é o especial “Arizona em Chamas”. O Victor de La Fuente é o meu desenhador preferido do Tex. De argumentista, gosto também do Antonio Segura.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? André Caliman: Gosto da relação entre Tex e o Kit Carson. É sempre uma parte bem-humorada das histórias. Não gosto muito das histórias que focam na política americana. Gosto mais das aventuras em paisagens desérticas.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? André Caliman: Os fãs confiam e acreditam na personagem. O Tex é o tipo de personagem que pode dar força e confiança ao leitor.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? André Caliman: Não regularmente.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? André Caliman: Desejo que ele viva por muito tempo. Do jeito que ele é. Sem mudança de uniforme ou realidade paralela!
Prezado pard André Caliman, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. (Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Durante o decurso do VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, o FIBDB 2010, Fabio CIVITELLI brindou dezenas de Texianos presentes com desenhos feitos no momento por si, para gáudio de todos, tal como já acontecera no MouraBD2007 ou aquando do FIBDA 2008.
O blogue do Tex mostra a todos os interessados, inúmeros desses fantásticos desenhos que esperamos sejam do agrado de quem acessa o blogue.
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Tex 593 – “La mano del morto“, de Março de 2010, Tex 594 – “Quel treno a mezzogiorno“, de Abril de 2010 e Tex 595 – “Deadwood“, de Maio de 2010. Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.
James Butler Hickok, mais conhecido por Wild Bill Hickok foi uma das lendas do velho oeste americano. Lutou no exército da União durante a Guerra Civil e, depois desta, ganhou fama como jogador profissional e fora da lei. Envolveu-se em vários duelos épicos, rapidamente explorados pela imprensa sensacionalista da época, acabando por morrer durante um jogo de póquer num saloon em Deadwood, no Dakota.
Reza a lenda que, não encontrando vago o seu lugar habitual, Hickok acabou por sentar-se de costas para a porta, sendo baleado por Jack McCall. Na altura, dispunha de um par de ases, um par de oitos e uma dama, conjunto de cartas este que ficou para sempre conhecido como a “Mão do Morto”. E é desta forma que Boselli inicia esta aventura, certamente uma das melhores de sempre da série.
Não se trata de retratar a vida preenchida desta personagem símbolo da história do oeste, nem tão pouco colocar Tex novamente ao lado de figuras históricas. Boselli vai mais além, aproveitando a História para subir ao patamar da intriga política.
Tudo começa em Deadwood, em Agosto de 1876. Um homem entra num saloon e é convidado para se juntar a um jogo de póquer. Os factos seguintes fazem parte da História, mas o argumento de Boselli é suficientemente rico e de tal modo bem elaborado que em breve nos vemos em presença de um magistral complot político.
Uma história de delitos aparentemente sem ligação entre si, mas que Tex, Carson e Kit vão conseguir interligar chegando até ao episódio do assassinato de Will Bill Hickok. Uma história rica em acontecimentos, em acção, em elementos históricos, verdadeiramente fascinante, com personagens que fazem parte do imaginário do velho oeste, enriquecedoras de uma aventura épica onde Boselli consegue conjugar na perfeição a história do velho oeste com toda a atmosfera texiana, mantendo sempre latente a tensão e o mistério, apesar da extensão da aventura.
Nota-se que estamos em presença de um projecto ambicioso do autor, com uma grande concentração de factos e personagens, algo que Boselli consegue gerir espantosamente, provando, uma vez mais, ser um autor de enormes recursos narrativos, caracterizando densamente personagens e manipulando factos históricos com uma simplicidade notável.
Mais um excelente trabalho para Alfonso Font. Já o dissemos, o espanhol parece estar talhado a desenhar os melhores argumentos de Boselli. Aqui, uma vez mais, um trabalho de elevada qualidade em qualquer cenário e na composição das personagens. Will Bill está excelente, mister Black inesquecível. Óptimas sequências, como toda a que decorre no teatro, a cena do assassinato de Will Bill, no hotel, o duelo final no saloon de Deadwood.
Font está no auge das suas possibilidades, domina recursos, domina personagens e ambientes. Um traço sintético aqui, mais elaborado acolá. Menos porco que o de Ortiz, mas um traço que parece ser particular nos autores espanhóis.
Esta aventura vem afirmar Boselli como um autor que agarra em pleno a personagem de G.L. Bonelli, modelando-a ao sabor do tempo, deste tempo, sem deixar cair o mito. Mas demonstra também um autor que, ao mesmo tempo, actua em redor do protagonista, sublinhando sempre o seu lado mais épico e justiceiro, em detrimento do ranger duro e viril bonelliano.
No final, a verdade dos factos não é desvendada, porque para Tex o mais importante é que os assassinos paguem pelo que cometeram. Já que a História deixa tantas pontas soltas, permitindo assim inúmeras interpretações subjectivas, é bom que, de quando em vez, surja um autor tão dotado como Boselli disposto a dar-nos a sua interpretação para deleite de nós leitores.
Ao longo dos últimos 25 anos, o nome de Fabio Civitelli tornou-se num dos nomes mais associados a Tex, a mítica personagem italiana criada por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em Setembro de 1948.
Desde 1985, que Civitelli vem concitando as atenções gerais, em relação às quais tanto público leitor como crítica especializada tecem uma opinião global tida como elogiosa, seja na Itália, seu país de origem, ou nos mais diversos países onde o Ranger tem sido publicado.
Fabio Civitelli, considerado por muitos como um dos melhores desenhadores de sempre da série Tex, comemorou em Portugal os 25 anos de carreira a desenhar Tex Willer, onde foi protagonista de uma exposição (que ainda decorre até ao dia 13 de Junho) integrada na VI Edição do Festival Internacional de BD de Beja e que contou inclusive com a presença do artista italiano aquando da sua inauguração nos dias 29 e 30 de Maio, que com a sua presença abrilhantou ainda mais a efeméride.
A ocasião foi aproveitada pela família Texiana para homenagear carinhosamente Fabio Civitelli, entregando-lhe um troféu em vidro, uma bonita peça idealizada por Carlos Moreira, com um desenho fora do vulgar, onde constava o acontecimento assim como o famoso logótipo de Tex. A entrega ocorreu na presença dos Texianos presentes em Beja, mas em nome de toda a família Texiana, num gesto que muito emocionou Fabio Civitelli.
O desenhador aretino falou do orgulho que sentiu ao ser reconhecido de tal forma num país estrangeiro: “Ser reconhecido desta forma num país que sempre me recebeu com muito afecto, é uma honra e a prova do carinho que os Texianos portugueses têm por mim.“, disse comovido.
Como esta homenagem foi feita em nome de todos os Texianos, quem quiser ficar com o seu nome associado a ela, terá de deixar o seu nome num comentário a este post e de seguida contactar o pard Carlos Moreira, de modo a pagar a sua parte num prazo máximo de 3 dias, para que possamos elencar todas as pessoas que colaboraram na homenagem e enviar a lista completa a Fabio Civitelli.
A lista de aderentes está para já constituída pelas seguintes pessoas (o preço a pagar por cada um, será obviamente o valor da peça de arte dividido pela totalidade das pessoas que desejarem aderir à homenagem):
Dorival Vitor Lopes – Editor de Tex no Brasil e Portugal
Marcos Maldonado – Legendador de Tex
Dolores Maldonado – Ex-legendadora de Tex
Tizziana Giorgini – Ex-tradutora de Tex
Álvaro Machado
António Freire
António Lança Guerreiro
Camilo Prieto
Carlos Moreira
Catherine Labey
Fabio Nardelli
Fernanda Martins
Gianni Petino
Hernâni Portovedo
Jorge Magalhães
José Carlos Francisco
Jorge Monteiro
José Eduardo Monteiro
Mário João Marques
Orlando Santos Silva
Pedro Fernandes Pereira
Ricardo Leite
Rui Rolo
Sérgio Sousa
Parabéns Fabio, e que venham (no mínimo) mais 25 anos de bons desenhos em Tex!
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)