Póster Tex Nuova Ristampa 136

Póster Tex Nuova Ristampa 136

Nesta nova ilustração de Claudio Villa, vemos Tex Willer acabado de entrar de rompante no teatro de Virginia City, no Estado de Nevada, onde estava a ser apresentada a peça “Hamlet”, uma das mais famosas e exigentes tragédias de Shakespeare, local onde concluiu a perseguição que movia a Ned Rampling, criminoso que acabou por morrer em pleno palco perante o olhar do atónito público que assistia à peça teatral.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #37 e inspirado na história “Virginia City” de Guido Nolitta e Erio Nicolò (Tex italiano #220 a #223).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

Entrevista exclusiva: GIOVANNI BRUZZO

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Carlo Monni e Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Giovanni Bruzzo por Bira DantasCaro Giovanni Bruzzo, bem-vindo ao blogue português de Tex. Comecemos com uma pequena apresentação.
Giovanni Bruzzo: Olá a todos. Eu nasci no dia 26 de Maio de 1961 em Génova, Itália. Como não consegui ser uma personagem de BD, ajustei a mira e tornei-me um autor.

Que lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo Bonelli, na sua infância?
Giovanni Bruzzo: Sem a mínima dúvida tiveram um lugar de destaque absoluto! Eu ainda não sabia ler e já passava horas a olhar as figuras do Correio das Crianças em formato tablóide que eram lidos pela minha irmã. Depois, quando aprendi a ler, eu não via a hora de ter febre para poder ficar em casa e passar dias inteiros com as Revistas de Ouro de Mickey Mouse, Astérix, Smurfs e os italianos Geppo, Tiramolla, Soldino. Aí eu cresci um pouco mas as coisas não mudaram muito. Das personagens humorísticas eu passei a Tex, Corto Maltese, Blueberry, Bernard Prince, Tarzan. Os quadradinhos Bonelli entraram na minha vida de modo arrasador no dia em que um amigo fez-me uma desfeita e eu lhe furtei um Tex (Flechas Pretas Assassinas). Depois que o li a doença começou. Quando eu conseguia duas liras, corria a comprar um Tex. Geralmente eu procurava edições usadas porque custavam menos. Depois tentei – com sucesso – contagiar também o meu pai. De início ele parecia não se interessar, mas aí um dia eu vi-o sair da casa de banho (banheiro, no Brasil) com um dos meus Tex nas mãos. A partir daquele dia eu e o meu irmão pudemos ler os Tex novos sem gastar uma lira. Eu  recordo-me de uma coisa que teve sobre mim um efeito viciante: o cheiro da impressão! Eu também havia começado a ler Zagor e Comandante Mark. Eu achava-os belíssimos mas também pelo facto de que eu não podia comprar três revistas por mês, abandonei-os. Aí saiu Mister No e conquistou-me de imediato. A Amazónia! O desconhecido e incontaminado labirinto verde! Para mim ainda é a mais bela BD em série que saiu na Itália.

Auto-retratoComo nasceu a sua paixão pelo desenho? E em que momento você decidiu que esse seria o seu trabalho?
Giovanni Bruzzo: Bem, um pouco como acontece com quase todos os meninos, eu gostava de desenhar em qualquer superfície (paredes de casa, pavimento, páginas dos livros do meu pai, nos móveis… e às vezes até em papel). Depois, no primeiro ano de escola, ao desenhar dois veleiros, eu descobri que se o de segundo plano eu o desenhasse um pouco menor e ligeiramente erguido e que, se do mesmo modo, eu também levantasse a linha do mar no horizonte, o efeito era mais realista. Eu havia descoberto a perspectiva e a terceira dimensão! Eu lembro-me bem porque a professora elogiou bastante. Aos 8 anos eu decidi fazer uma revistinha toda minha. Decidi o formato das páginas, recortei o papel, desenhei a história de um palhaço que se chamava Ciccio Bombo, costurei as páginas juntas com agulha, linha e dedal, escrevi o preço e vendi-o à minha tia por 50 liras. Ao crescer eu apaixonei-me cada vez mais pelas aventuras exóticas. Eu lia Salgari, Verne, Edgar Rice Burroughs, alguns livros de faroeste com muitas figuras. Eu ficava fascinado com as personagens extraordinárias que via nas páginas dos livros e dos quadradinhos. A minha atracção aumentava cada vez mais por essas figuras, mas não só por elas.
Creepy nº 3Entre as personagens extraordinárias também havia os meus heróis desportistas da época: Riva, Albertosi, Thoeni, Gross, Plank, Benvenuti, Monzon ou aqueles que faziam coisas extraordinárias como Bonatti, Moitessier, Chichester, Baumann, Scott. Depois começaram a surgir também os nomes de banda desenhistas como Hugo Pratt, Bonelli, Galep, Ticci, Russ Manning. A essa altura, uma miscelânea de elementos como atracção, desejo de aventura e egocentrismo acendeu o estopim. Eu começava a imitar as minhas personagens extraordinárias. No futebol como guarda-redes (goleiro, no Brasil), no esqui como um craque do slalom, na vela como proeiro, na música como cantor de música folk tipo Bob Dylan, na aparência eu tentava imitar James Dean. Eu tinha uns quinze anos. Tudo isso também aconteceu no que dizia respeito aos banda desenhistas. Sobre a BD, eu gostava sobretudo de contar histórias. Mas eu não via de bom grado o facto de apenas escrever ou apenas desenhar. Eu queria escrever e desenhar. Contar histórias com desenhos. No início era uma coisa eminentemente amadora, apesar do objectivo ser o de transformar tudo numa expressão artística remunerada. Antes de decidir chegar ao ponto de transformar tudo em trabalho, passou-se um bom tempo. Dos 17 aos 31 anos eu fiz um pouco de tudo (mas de tudo mesmo!). Por volta dos 31 anos a minha infância terminou e entrei na adolescência. Aos 33 anos eu decidi transformar uma das minhas paixões – e actividade já praticada anteriormente – num trabalho de verdade.

Creepy nº 5Você teve uma formação artística? Se sim, de que tipo?
Giovanni Bruzzo: Se por formação a referência é à escola, a minha reposta é não. Sei que algumas lacunas que tenho derivam justamente desse facto, mas creio que a formação que eu tive enriqueceu-me mais do que qualquer escola em outras facetas da expressão artística e no núcleo da minha vida. Ainda hoje eu creio que a melhor formação seja a estrada. E, claro, unida à nobre mas também ignóbil paixão pelas várias expressões artísticas.

Quais são os desenhadores italianos e não-italianos aos quais você se inspirou durante a sua carreira? Há algum que, mais que os outros, você considera como seu mestre?
Giovanni Bruzzo: Foram muitos. Em ordem de tempo eu começaria com Hugo Pratt, Dino Battaglia, Alberto Breccia, Sergio Toppi, Jean Claude Forest, Guido Buzzelli, Attilio Micheluzzi, Joe Kubert, Juan Zanotto, Giovanni Ticci, Gino D’Antonio, Ivo Milazzo, Jean Claude Giraud, Vittorio Giardino e sabe-se lá quantos mais. Mas aquele que eu mais estudei, admirei e invejei foi certamente Hermann. Para mim, ele tem um modo de contar extraordinário. As suas BD são apreciadas a ler, não a olhar como se cada quadradinho fosse uma ilustração isolada. Alguns desenhadores dedicam todo o seu ser na angustiante necessidade de realizar uma sequência de ilustrações espectaculares, mas geralmente sem conexão uma com a outra e inexpressivas. Assim, Hermann conquistou-me durante a leitura e não no momento em que eu escolhia a revista a comprar, a olhar as figuras. Esse é o tipo de BD que eu gosto. A BD que não imita nem o cinema, nem a literatura, nem a pintura. Não é um misto dessas três expressões artísticas. A meu ver, Hermann é o que, mais que os outros banda desenhistas que conheço, consegue fazer dos quadradinhos uma expressão artística única. Outros como Andrea Pazienza, Pratt e Giardino têm essa característica, mas Hermann, a meu ver, tem mais.

Aliens MorbosVocê começou a trabalhar em âmbito profissional já aos dezassete anos: ilustrações para um álbum de cromos dedicado a Goldrake e, para o Staff di If, com histórias para as séries Oltretomba e Storie blu. Fale-nos dessas experiências.
Giovanni Bruzzo: Bons tempos aqueles! A primeira experiência, sobre o álbum de cromos de Goldrake, foi puramente casual. A minha namorada de então tinha um tio em Turim, dono de um estúdio gráfico que se chamava Imagens e Palavras. Ele fazia principalmente quadradinhos. Há pouco haviam sido lançados os primeiros (que eu odiei) desenhos japoneses de Goldrake e Mazinga, e no seu estúdio eram produzidas as BDs para a França e os álbuns de cromos para a Itália. Uma tarde eu fui a Génova e mostrei a ele os meus trabalhos. Ele fez-me algumas perguntas e propôs-me ir a Turim por uns tempos a trabalhar para si. Eram anos de contestação, vi-me diante do problema de trabalhar com alguma coisa claramente comercial ou recusar. Mas também era uma aventura nova. Por fim aceitei. O primeiro trabalho que ele me passou foi, na verdade, legendar (letreirar, no Brasil) o livro de futebol em quadradinhos na tradução para a França, depois passei aos cromos de Goldrake. O trabalho consistia em inserir os diapositivos extraídos dos filmes num projector, copiar e repassar o nanquim com o pincel. Era uma espécie de cadeia de montagem. De todo modo, foi uma experiência muito formativa.
Giovanni BruzzoDe volta a Génova, decidi morar sozinho. Eu precisava de um emprego. Alguns amigos aconselharam dirigir-me ao Staff di If. Assim, eu recebi de Gianni Bono um roteiro para Oltretomba. Creio que eram cerca de setenta páginas com duas tiras cada. Para mim, um trabalho enorme! Eu e a minha nova namorada alugamos um apartamento de pequenas proporções (sala, corredor e quarto) com uma pequena janela sobre os telhados dos becos. Na verdade era o mezanino de um grande apartamento cujas salas eram alugadas separadas a outras pessoas. Casa de banho, cozinha e entrada eram em comum. A pequena sala tornou-se o meu estúdio. Mal cabiam uma carteira de escola, uma estante e uma cadeira. As paredes eram cobertas por páginas de revistas pornográficas das quais eu tirava ideias para os desenhos. Na estante algumas BDs e uma caixa em que eu criava dois escorpiões.
Roma - Live al Tube (1981)Eu também me inspirava na minha namorada, mas contar aqui os detalhes transformaria a entrevista em algo bukowskiano (n.t.: uma autobiografia hiper-realista). Eram anos efervescentes. A banda punk em que eu tocava (os Dirty Actions) havia recentemente gravado um disco de 45 rpm para o selo Cramps, estávamos a gravar músicas novas e mais sofisticadas e fazíamos apresentações. Os outros membros do grupo também eram banda desenhistas (Ugo Delucchi, Johnny Grieco, Mario Benvenuto). Nós tocávamos, desenhávamos e passávamos um bom tempo a passear e frequentar bares. O computador não existia, não tínhamos televisor e os dias pareciam bem mais longos. Tínhamos tempo e energia de sobra! Em 1980, no Teatro do Giglio de Lucca, durante o salão dos quadradinhos, junto a Vincenzo Sparagna, Filippo Scozzari, Massimo Mattioli, Stefano Tamburini e Tanino Liberatore (Andrea Pazienza estava em Nova York), fizemos a apresentação que marcava a saída nos quiosques do n° 1 da revista Frigidaire. Eram esses os tempos, não havia como se entediar.

KongosA quais trabalhos você se sente mais ligado ou que mais importaram na sua formação, antes da chegada à Bonelli?
Giovanni Bruzzo: Creio que foi a experiência com Frigidaire, em que, na maioria das vezes, eu assinava com o pseudónimo de J. Razor. Eu trabalhava em dupla com Ugo Delucchi e o que fazíamos era absolutamente diferente do que faço hoje. Nós passávamos a maior parte do tempo em Florença, as histórias nasciam entre uma risada e outra. Para colorir eu costumava usar óculos para ver as imagens em 3D, aqueles com uma lente azul e outra vermelha. Ajudava-me a combinar as cores com prevalência de azul àquelas com prevalência de vermelho. Elas se destacavam mais. E depois as cores que eu chamava de neutras, isto é, aquelas com prevalência de amarelo, completavam o mosaico. A técnica usada era composta de papel de gelatina, canetas hidrocores marca Pantone e aerógrafo. Os desenhos eram de Ugo.
ChenTambém recordo-me de outra experiência colaborativa, talvez mais determinante, e anterior àquela de Frigidaire. Nós estávamos em Génova, Gualtiero Skiaffino e Ferruccio Giromini levavam em frente uma revista que se chamava La Bancarella (n.t.: pequeno quiosque), com dedicação profissional e anti-conformista. É uma recordação para mim muito afectuosa também pelo falecimento de Skiaffino, ocorrido há poucos anos. Na revista moviam os seus primeiros passos como autores, além de mim, Salvatore Deidda (também falecido, trabalhou com Lancio Story, Orient Express, Martin Mystère), Ugo Delucchi (depois trabalhou com Il Male, Frigidaire, Zut, Emme), Marco Torricelli (hoje Zagor, Dampyr e Tex), Pappo Attomapepe (hoje gráfico de sucesso em Paris), Gianni Bellocchio (fez Lancio Story), Gianfranco Grieco (o actual Grieco das estatuetas), Mario Benvenuto (hoje designer de sucesso) e outros. Acabou que criamos uma espécie de fábrica. Eu desenhei as minhas primeiras tímidas e vacilantes histórias de autor, mas foi uma experiência que me fez entender muitas coisas que depois seriam úteis no futuro. Mas no curso de toda a década de Oitenta a minha principal actividade profissional era a de ilustrador publicitário. Eu era um hiper-realista do aerógrafo. Aquela longa experiência formou-me mas também desgastou-me um bocado. Ao fim daquela década dei o adeus definitivo ao mundo da publicidade e, em vez de voltar a ele, passei a trabalhar como marceneiro.

Mister NoEm 1995 você entrou para a equipa de Mister No, numa fase de mudanças profundas. Agradou-lhe a renovação adoptada por Masiero, Mignacco, Marzorati e Colombo?
Giovanni Bruzzo: Como eu disse antes, durante a minha adolescência eu fui um grande leitor de Mister No. Em 1988 fiz uma longa viagem à Venezuela, aos Andes, à Amazónia e ao Caribe, em ambientes descritos com paixão e leveza por Nolitta. E Mister No voltou-me à mente. Já no ano anterior em Wasini Island, uma ilhota entre o Quénia e a Tanzânia, eu havia conhecido um inglês que morava lá. A fisionomia e o modo de se vestir recordavam muito o piloto amazónico. Ele usava até as mesmas polainas! Pode ter sido uma brincadeira do destino, mas quem diria que um dia eu o desenharia? Sobre a renovação aplicada pelos amigos mencionados, o que posso dizer? Eu cheguei num momento em que tentava juntar os cacos da minha vida. Eu havia acabado de sair de um período realmente obscuro. A minha personalidade estava em pedaços e qualquer coisa que me dessem para desenhar para mim estaria bem. E deram-me justamente a personagem que me era mais simpática, assim não constituíram um problema as mudanças que estavam em curso.
Giovanni Bruzzo em acçãoAliás, devo dizer que eu estava entusiasmado com elas. Mudavam o ambiente e os trajes, mas o carácter de Mister No era tão marcante que a mim parecia que não podia ser danificado. Eu sabia que o facto de fazê-lo percorrer caminhos desconhecidos, à espera de um retorno à ambientação original, alargaria e multiplicaria as possibilidades de criar histórias fascinantes. E foi o que aconteceu. Os leitores têm o direito absoluto à crítica, mas penso que alguns deles não entenderam que a sua personagem preferida era sempre a mesma, Por um período mudariam apenas os ambientes e isso aumentaria os estímulos. Masiero, na época um jovem de trinta anos, foi extraordinário ao dirigir essa mudança num momento em que a personagem que encarnava um pouco o alter ego do seu editor – além de ser uma criatura sua – encontrava-se em meio a uma revolução sócio-ambiental. Claro que as histórias não eram mais aquelas de Nolitta, mas em minha opinião o carácter de Jerry Drake permaneceu inalterado, e justo por isso Masiero foi óptimo. E mais, eu fiquei super-feliz por ter desenhado a história de Marzorati na qual o piloto encontra e passa 94 páginas na estrada com um dos meus mitos juvenis, Jack Kerouac.

Maxi Mister No n° 2Com Maurizio Colombo você fez aquela obra-prima publicada no Maxi Mister No n° 2, Era Uma Vez em Nova York (1999). O seu desenho deu um suporte notável ao dinâmico roteiro de Colombo. Conte alguma coisa sobre o trabalho, consideradas a ambientação, o momento histórico e o grande número de personagens.
Giovanni Bruzzo: Desenhar aquela história foi um privilégio e um prazer imensos. No início ainda não se sabia que tipo de colocação editorial ela teria. Não sabíamos nem quantas páginas seriam. No início eu encarei como outro roteiro qualquer, mas depois, à medida em que os trabalhos avançavam, a história me/nos conquistou. E conto um facto curioso sobre isso: a certa altura, ainda na fase inicial, creio que por volta da página 35 ou 40, sem avisar a redacção eu parti para uma viagem ao Sri Lanka. Depois de alguns dias de passeio na ilha eu comprei um cartão postal que mostrava um homem de raça indiana com cabelos e barba muito compridos, e trepado numa árvore. Desenhei perto dele um balão com uma frase do tipo “não, eu sei que estão nervosos, mas eu não vou descer!“, escrevi o endereço da editora e despachei. Foi um modo para comunicar que eu não havia desaparecido.
Giovanni Bruzzo e Júlio SchneiderDe volta daquela viagem, lembro-me que mudei o ritmo. Reduzi o formato das páginas, mudei de estilo e tornei-me muito rápido (ao menos enquanto durou o influxo benéfico). Na primeira semana eu devia recuperar o tempo perdido e fiz 11 páginas. A minha mão soltou-se. Era um pouco como se estivesse a desenhar uma BD de autor. Eu sentia-me completamente livre. Caracterizar as personagens naquele contexto era muito divertido, mesmo porque Maurizio descrevia todos eles como divertidos e particulares. Alguns eu fiz com feições de meus amigos/inimigos. Para os cenários eu havia comprado alguns livros e de outros Maurizio extraiu fotocópias na redacção. O facto que fossem várias personagens e que a ambientação histórica fosse bastante incomum poderiam deixar o trabalho tedioso e cansativo. O que o tornou algo divertido foi justamente o modo de Maurizio roteirizar.

José Carlos Francisco e Giovanni BruzzoDampyr: com roteiro de Alberto Ostini, você fez o n° 42 de Dampyr, O Homem de Belfast, no qual homenageou, na figura do professor Haney, o falecido treinador italiano Scoglio. De quem foi a ideia?
Giovanni Bruzzo: (risos) Aquela foi ideia minha, devida ao facto de que eu torço para o clube do Genoa. Ostini queria uma semelhança com Sean Connery, que eu não aprecio muito. No roteiro havia a descrição da personagem que ensinava futebol gaélico e que todos chamavam de O Professor (apelido dado também ao saudoso Franco Scoglio). A decisão veio daqui. Eu falei com Boselli e ele autorizou-me. Aconteceu uma coisa parecida com Mister No. Na edição n° 344 (Sob o Céu de Manaus), na pág. 47, o piloto embarca num táxi e ao volante está Pato Aguilera (o uruguaio atacante do Genoa), inclusive com a flâmula pendurada no retrovisor. Mas aquela foi uma espécie de homenagem ao amigo Deidda (n.t.: Salvatore Deidda, desenhador de MM), falecido poucos anos antes. Ele havia feito a mesma coisa numa história de Martin Mystère (n.t.: edição 101, pág. 88), mas com a flâmula da Sampdoria – o clube dos primos genoveses.

Il BiogiocattoloEm seguida você abordou a ficção científica clássica de Brad Barron. Como foi trabalhar com Faraci e quais foram as referências iconográficas em que se baseou?
Giovanni Bruzzo: Era a primeira mini-série bonelliana. Uma experiência que funcionou muito bem. O que me atraiu foi a escolha incomum de Tito em fazer uma ficção científica com colocação histórica nos anos Cinquenta. Eu aderi ao projecto com entusiasmo. Tito, apoiado na redacção por um magnífico e granítico Marcheselli, forneceu-me uma quantidade incrível de imagens. Basta ver que todos os desenhadores da série recebemos um volume com a grossura de quatro dedos sobre a América dos anos 50. A primeira história que eu desenhei continha várias partes ambientadas durante o desembarque na Normandia. A esse respeito Tito também forneceu-me um belíssimo livro sobre o filme O Resgate do Soldado Ryan e outro sobre O Mais Longo dos Dias. Eu assisti aos dois filmes mais de uma vez e coloquei o lápis em acção. A resposta à pergunta sobre como foi trabalhar com Tito pode ser respondida pelo facto de que depois de três edições de Brad Barron, eu desenhei duas de Tex e estou a desenhar outras duas, todas com a assinatura de Faraci.

Tex de Giovanni Bruzzo para José Carlos FranciscoComo foi a sua convocação para a equipa dos desenhadores de Tex?
Giovanni Bruzzo: Eu estava para concluir a última edição de Brad Barron e encontrava-me com Tito na redacção, quando Sergio Bonelli nos convidou à sua sala. Queria fazer elogios pelo sucesso obtido por BB e manifestar a sua satisfação.
De repente ele perguntou-me o que eu gostaria de desenhar após concluir aquela aventura. Eu respondi que gostaria de tentar com Tex. Depois de uns dez dias eu recebi um telefonema de Marcheselli. Ele disse-me para fazer alguns esboços dos pards e que me enviaria três páginas de teste. Depois de alguns ajustes no rosto de Tex, recebi o roteiro de O Homem de Baltimore.

Tex Willer de Giovanni Bruzzo para José Carlos FranciscoAo desenhar Tex, que dificuldades encontrou, se é que encontrou alguma?
Giovanni Bruzzo: Tex é decididamente uma personagem difícil de abordar. Sim, eu encontrei muitas dificuldades. Creio que principalmente tinham a ver com aspectos de carácter. Por ter crescido a ler as aventuras do ranger, sempre tive um certo temor reverencial por aquelas revistas. Ao trabalhar com Tex, todo esse receio emergiu em suas várias formas. Não era tanto um problema ligado ao ambiente do faroeste, mas à personagem em si. Diante de mim eu tinha os maravilhosos Tex assinados por Galep, Ticci, Letteri, Nicolò, Font, Fusco e todos os Tex Gigantes com assinaturas internacionais. Eu senti-me inadequado. O meu Tex não conseguia tomar forma. Por fim, com uma imitação fraca de Ticci, tive de começar, senão a conta bancária chegaria a um nível crítico.

Giovanni Bruzzo a desenhar TexVocê teve que modificar o seu estilo costumeiro, ou não?
Giovanni Bruzzo: Creio que não foi uma verdadeira modificação do meu estilo, mas sim uma adaptação. O estilo é como a caligrafia, cada um tem a sua. Há quem tenha estilo mais marcado, há quem o tenha menos. Eu encontrei muitas dificuldades ao mudar o tipo de cenografia. Eu vinha da experiência com Brad Barron e de uma cenografia de ficção científica. Na BD moderna na maioria das vezes basta colocar uma perspectiva de parte de um corpo humano, quem sabe focalizado só da cintura para cima, para resolver um quadradinho de modo mais ou menos espectacular. Ou se focaliza na definição de um detalhe de modo que possa encantar o leitor. A hipotética câmara pode ser deslocada à vontade até se ter enquadramentos diagonais que permitam um bom efeito gráfico e economizar nos desenhos.
Giovanni Bruzzo desenhando TexCom Tex é diferente. É como passar de uma cenografia no estilo de Tarantino para uma de John Ford. A câmara fica mais distante e fixa. Geralmente o enquadramento deve ser total. Não há alquimias particulares em favor do desenhador para poupar tempo. Você deve desenhar tudo, e isso torna o trabalho mais demorado. É uma questão de costume. Usar um certo tipo de enquadramento deve tornar-se uma coisa normal. Em minhas experiências bonellianas com frequência eu tive que mudar cenários e colocações temporais. E sempre, de acordo com cada caso, eu tive dificuldades que desapareceram com o tempo.
Giovanni Bruzzo e o seu TexUm exemplo: a edição de Dampyr que eu desenhei não me agradou porque passar de Mister No ao matador de vampiros era um caminho bastante longo. Eu passava de um anti-herói cabeça fresca e do seu ambiente bucólico dos anos 50 para cenários muito mais dark. O ambiente era a Irlanda e as personagens tinham traços de carácter muito diferentes daqueles do piloto amazónico. Eu procurei caracterizar Kurjak de modo áspero, como um soldado eslavo um pouco mais velho que Harlan. Isso não agradou à maior parte dos leitores. Mas lá pelo final da história eu já havia conseguido entrar no papel. Se eu tivesse desenhado uma segunda história, ela certamente me daria mais satisfação e eu encontraria muito menos dificuldades. Teria entrado no meu habitual, na normalidade.

Como define graficamente o seu Tex?
Giovanni Bruzzo: Eu não sei mesmo o que responder. Espero que não seja porque ainda estou em busca de uma caracterização gráfica satisfatória (risos).

Esboço de TexVocê usou modelos particulares de referência?
Giovanni Bruzzo: Seguramente o modelo principal foi Ticci. Flechas Pretas Assassinas, com a assinatura dele, foi a história que me conquistou e transformou num fervoroso leitor do ranger. A partir daquele momento eu li, estudei e admirei o desenhador de Siena em todo o seu percurso artístico. Creio que hoje o seu estilo seja a expressão máxima do desenho elegante. Por isso, é normal que ele seja a minha fonte de inspiração. Actualmente está aos poucos a tomar forma um Tex mais meu, mas é uma metamorfose lenta e natural que eu não tenho a mínima intenção de forçar.

Página inédita de Tex - APode nos antecipar alguma coisa da história em que está a trabalhar?
Giovanni Bruzzo: É uma aventura que tem como teatro a região de fronteira entre o Texas e o México. Na base, uma intriga com algumas conotações em estilo policial. Tex tem ao seu lado o imutável Carson. No conjunto, um roteiro texiano clássico em que a trama é escrita à perfeição por Tito.

Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram uma rápida aparição em Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. O seu trabalho com Tex será duradouro, ao menos na sua intenção?
Giovanni Bruzzo: Creio e espero que sim. Seria uma pena abandonar Tex justo no momento em que a mão começa a se soltar. Recomeçar tudo de novo em outro lugar… seria melhor não. O facto de ser uma personagem difícil é, para mim, motivo de contínuo desafio comigo mesmo mas também com o ranger, que nós sabemos ter perfeitas condições de dobrar a minha resistência com os seus socos. E eu garanto que ele bate duro.

Página inédita de Tex - BPágina inédita de Tex - C

Em progressão - 1O que pensa de Tex como personagem?
Giovanni Bruzzo: Penso que é o tipo que todos nós gostaríamos de ter como amigo e poder chamar todas as vezes que somos vítimas de abusos. Creio que esse é um dos motivos principais do longo sucesso editorial do nosso ranger. E o facto desse sucesso resistir também num momento histórico como o actual, em que falar de faroeste é algo anacrónico. Uma pergunta muitas vezes feita é “Tex é de direita ou de esquerda?“. E eu sei lá! O que importa? Tex é Tex e conquistou-me pelo facto de que sempre toma partido do oprimido da vez sem pensar em diferenças de classe social, cor da pele, religião, opinião política, simpatia ou antipatia. Para fazer com que suas acções tenham um bom fim, é necessária uma boa dose de infalibilidade, astúcia e honestidade intelectual, além do facto de ter ao lado pards com qualidades do mesmo tipo. Posso exagerar, mas seria divertido vê-lo descrito por Dante numa actualização da Divina Comédia.

Em progressão - 2

Tex de G. Bruzzo para José Carlos FranciscoComo é o seu relacionamento com o público de Tex?
Giovanni Bruzzo: Não sei… bom, espero. Por enquanto não tive muitas chances de verificar, senão em algumas poucas ocasiões. No ano passado o professor de italiano do meu filho deu como indicação de leitura alguns romances e uma única BD: Tex. Ele não sabia que eu estava a desenhá-lo. Um amigo psiquiatra, avô de uma menina de 6 anos, contou-me que sempre lê Tex para a netinha do mesmo modo em que antigamente os avós liam as fábulas. Por enquanto o meu público mais directo são os meus sobrinhos. Leitores atentos e entusiasmados. Nem preciso dizer que com eles o relacionamento é belíssimo.

Que futuro vê para Águia da Noite?
Giovanni Bruzzo: Prefiro pensar no presente. No máximo posso considerar um futuro muito próximo e as sensações fazem-me ser moderadamente optimista.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 1Como é o seu trabalho de criação? Você faz uma página completa e depois passa a outra? E quais instrumentos de trabalho usa?
Giovanni Bruzzo: Depende dos momentos. Quando o trabalho segue de modo tranquilo mas rápido, prefiro trabalhar apenas numa página por vez. Em outros momentos, quando uma cena que segue por um certo número de páginas começa a preocupar-me e eu já desenhei as personagens em enquadramentos de todos os pontos de vista, passo para outra cena para depois voltar à cena anterior num segundo momento. Já me aconteceu de estar a trabalhar em 10 páginas ao mesmo tempo e com nenhuma delas terminada.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 2Normalmente eu esboço as cenas em papel de fotocópia com um lápis bem grosso, depois, numa mesa de luz, copio para papel de desenho com um lápis mais fino. Em seguida, com a borracha eu alivio um pouco o tom do lápis. A essa altura falta apenas passar a tinta. Na maioria das vezes eu cuido primeiro das áreas pretas com pincel e nanquim, e num segundo tempo repasso os traços com várias hidrocores, das quais modifico a ponta com uma pequena lâmina. Em outras ocasiões eu uso o procedimento inverso: primeiro o traço e depois as áreas pretas. Por fim, apago com cuidado os traços a lápis que sobram. Às vezes, no meio de uma crise de ira nefasta, eu rasgo tudo. No dia seguinte eu arrependo-me, mas aí já é tarde e devo recomeçar de forma melancólica.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 3Como é o seu relacionamento com os argumentistas? As instruções que lhe passam são detalhadas ou a imagem é deixada à sua criatividade? Eles passam-lhe material informativo?
Giovanni Bruzzo: Na minha concepção, para se obter um bom resultado as duas partes devem ter um relacionamento paritário e de amizade. Se ocorre de surgir uma forma de sujeição de um dos dois componentes, a coisa não funciona. É fundamental instaurar um clima de empatia. Por sorte isso praticamente sempre aconteceu comigo. Com relação às instruções que me são passadas, depende um pouco de cada argumentista.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 4Há o mais escritor que descreve mais, e há o mais sintético que se preocupa mais com o ritmo do roteiro no seu todo. Há aquele que fez uma viagem e quer que um detalhe característico daquela paisagem seja inserido no quadradinho e descreve todas as suas nuances. São coisas normais e agradáveis. De acordo com o local e a colocação histórica do roteiro, acontece de eu receber montanhas de material informativo ou, como no caso de Tex, de não receber nada. Sobre o Oeste, entre livros, BD e filmes, tenho muito material pessoal. De todo o modo, há dias em que me dá vontade de colocar os argumentistas numa pista de bowling (boliche, no Brasil), no lugar dos pinos, e fazer um strike (risos). Brincadeira à parte, os relacionamentos são bons, basta que não sejam histéricos. Odeio histerismo.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 5Quanto tempo leva para desenhar uma página? Segue horários? Como é a sua jornada padrão, entre trabalho, leituras, informação, ócio, vida familiar?
Giovanni Bruzzo: O tempo que eu necessito varia de acordo com a página. Com Brad Barron houve um período em que eu estava muito atrasado e o prazo de entrega aproximava-se. E, por ser o último episódio, o prazo era improrrogável. Eu vi que deveria mergulhar no trabalho, assim fiz as últimas sessenta páginas em dois meses. Com Tex, fazer uma coisa dessas é matematicamente impossível. De um modo geral eu imponho-me um limite mínimo de meia página por dia, e tudo o que eu consigo fazer a mais é bem-vindo. Recentemente eu consegui fazer uma página inteira, era a primeira vez desde que passei a desenhar Tex. Pode ser de bom auspício.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 6Sobre os horários e jornada padrão, a minha organização varia muito entre Verão e Inverno. No Inverno eu acordo por volta das 10h30, faço cerca de dez minutos de exercícios, banho e café. Às 11h eu sento-me diante do computador e leio algumas notícias nos jornais. Às 11h30 eu sento-me à mesa de desenho, organizo o trabalho e começo. Às 13h30 eu como, leio alguma coisa e volto a trabalhar. Vou em frente até às 18h. Depois saio e encontro os amigos. Às 20h30 eu como diante da TV e depois mergulho no trabalho até às 2h ou 3h. No Verão eu mudo completamente. Eu gosto de acordar cedo. Levanto entre as 6h e 7h, às vezes faço exercícios e às vezes saio para dar um mergulho e nadar (o mar fica a 100 metros da minha casa).
Ao amanhecer... depois de uma noite passada no barcoDepois o costumeiro banho, pequeno-almoço (café da manhã, no Brasil) e jornal, e em seguida mergulho no trabalho. Às vezes paro por volta das 14h e passo a tarde no barco à vela para voltar a trabalhar depois do jantar. Em outros dias eu trabalho à tarde e dedico a noite ao tempo livre. Em alguns Verões também piloto um barco de regata e tiro longas pausas dos quadradinhos. Tenho um filho de quase 19 anos a quem dediquei mais tempo no passado. Hoje, pela idade e pela sua auto-suficiência, eu fico numa posição de disponibilidade. Mas ele está sempre no primeiro lugar na minha escala de prioridades.

Tex Willer por Giovanni BruzzoHá outra série bonelliana com a qual você não trabalhou e que gostaria de desenhar? Em caso positivo, qual e porque?
Giovanni Bruzzo: Há muitos anos eu gostaria muito de desenhar Martin Mystère. Quando começou a sair, era inovador e encontrava em Alessandrini a mediação estilística perfeita entre BD franco-belga, americana, sul-americana e italiana/prattiana. Eu gostava muitíssimo. E eu gostaria de trabalhar com Castelli.

Os quadradinhos da SBE sempre foram o seu objectivo ou você teria preferido fazer a chamada BD de autor, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Giovanni Bruzzo: Como eu disse antes, o meu sonho era contar histórias com desenhos. Mostrar a fantasia criativa e a veia gráfica. Já me aconteceu de fazer isso no passado, mas sempre de maneira tímida e dispersiva. Além da revista Frigidaire, eu recordo-me da experiência com a revista mensal 1984. Aquela que hoje definimos a BD da SBE era, na época, apenas uma parte do vasto e diversificado panorama editorial.
GodzillaEnquanto aos poucos as outras editoras e revistas fechavam as portas, a família Bonelli foi capaz de alargar as fronteiras do seu panorama editorial de acordo com as exigências que surgiam com a moda da vez. Ela jamais se fixou apenas num tipo de BD. Eu queria simplesmente fazer quadradinhos. Hoje, fazer quadradinhos é um trabalho e na Bonelli eu sinto-me à vontade. Battaglia e Pratt infelizmente faleceram quando o fenómeno da BD de autor estava em seu esplendor criativo e comercial. Toppi teve que mudar e também trabalhou para a SBE. Manara e Giardino hoje são fenómenos raríssimos. As obras de Giardino encantam-me, fazem-me sorrir e comovem-me ainda hoje. Quero dizer que, mesmo se tivesse passado os anos Oitenta a fazer quadradinhos de autor, hoje provavelmente eu desenharia igualmente para a SBE.

PerfumeE os seus projectos para o futuro? O que nos pode antecipar?
Giovanni Bruzzo: No que diz respeito a projectos de BD, eu gostaria de um dia voltar a fazer algo histórico com Maurizio Colombo. Mas no momento eu me contentaria em aperfeiçoar o meu Tex até ao ponto em que possa me considerar satisfeito. Quero dar a volta ao mundo num barco à vela. Só me faltam as bases económicas, senão eu já teria começado a organizar-me. Eu gostaria de completar o livro de que há tempos me ocupo e também gostaria de dedicar tempo à pintura. Às vezes eu converso com ex-membros do grupo dos Dirty Actions com a intenção de fazer algo novo, no ramo musical, mas devido à loucura de um ou aos compromissos do outro, tudo acaba sempre em nada.

La SvegliaQuais quadradinhos você lê actualmente, e com quais mais se identifica?
Giovanni Bruzzo: Eu continuo a esperar as publicações de Giraud e Hermann, mas também as de Giardino, Corben, Milazzo, Blanc Dumont, Tardi. Actualmente estou a reler os velhos Tintin e a série I Protagonisti (n.t.: no Brasil, Personagens do Oeste), de Rino Albertarelli. É claro que também leio quase todos os novos Tex e ficaria feliz em encontrar novas histórias de Mister No, Ken Parker, Corto Maltese ou Zanardi, mas infelizmente…

Caro Giovanni Bruzzo, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Giovanni Bruzzo: Eu é que agradeço pela oportunidade de poder voltar no tempo e revolver as recordações e pessoas ligadas a elas. HASTA LA VISTA, COMPAÑEROS!

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Intervista esclusiva: GIOVANNI BRUZZO

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Carlo Monni e Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Giovanni Bruzzo por Bira DantasCaro Giovanni Bruzzo, per quelli che ancora non ti conoscono vuoi farci una piccola presentazione di te stesso?
Giovanni Bruzzo: Un saluto a tutte/i. Sono nato il 26 maggio del 1961 a Genova. Non essendo stato in grado di diventare un personaggio a fumetti, ho corretto il tiro e ne sono diventato un autore.

Che posto hanno avuto i fumetti, soprattutto i Bonelli nella tua infanzia?
Giovanni Bruzzo: Senza il minimo dubbio un posto di rilievo assoluto! Non sapevo ancora leggere che già mi perdevo per ore a scorrere le figure del “Corriere dei Ragazzi” in formato tabloid che leggeva mia sorella. Poi, quando imparai a leggere, non vedevo l’ora di avere la febbre per poter stare a casa e passare intere giornate su Gli albi d’oro di Topolino, Asterix, I Puffi, Geppo, Tiramolla, Soldino. Poi sono cresciuto un pochino ma le cose non sono cambiate di molto. Dai personaggi umoristici sono passato a Tex, Corto Maltese, Blueberry, Bernard Prince, Tarzan. I fumetti Bonelli sono entrati nella mia vita in modo dirompente il giorno che un amico mi fece un dispetto ed io gli rubai un Tex (Giubbe Rosse). Dopo averlo letto scoppiò la malattia. Non appena mi trovavo due lire in tasca correvo a comprarmi un Tex. Il più delle volte li cercavo usati perché costavano meno. Poi tentai con successo di contagiare anche mio padre. Subito sembrava non interessarsene granché, poi un giorno lo vidi uscire dal bagno con uno dei miei Tex tra le mani. Da quel giorno, sia io che mio fratello potemmo leggere i Tex freschi di stampa senza spendere una lira. Ricordo una cosa che ebbe su di me un effetto drogante: l’odore della stampa! Avevo iniziato a leggere anche Zagor e Mark. Li trovavo bellissimi, ma complice il fatto che non mi potevo certo permettere di comprare tre fumetti al mese, li abbandonai. Poi uscì Mister No e mi conquistò subito. L’Amazzonia! Lo sconosciuto ed incontaminato labirinto verde! Per me resta ancora il più bel fumetto seriale uscito in Italia.

Auto-retratoCome è nata in te la passione per il disegno? E in quale momento hai deciso che questo sarebbe stato il tuo lavoro?
Giovanni Bruzzo: Beh, un pò come a quasi tutti i bambini mi piaceva disegnare su qualsiasi superficie (muri di casa, pavimento, sulle pagine dei libri di mio padre, sui mobili… e a volte anche sulla carta). Poi, in prima elementare, disegnando due velieri, scoprii che se quello in secondo piano lo facevo un pò più piccolo e lo alzavo leggermente, e che se nello stesso modo alzavo anche la linea del mare all’orizzonte l’effetto era più realistico. Avevo scoperto la prospettiva e la terza dimensione! Lo ricordo bene perché la maestra mi fece mille complimenti. A 8 anni decisi di fare un giornaletto tutto mio. Decisi il formato delle pagine, tagliai la carta, disegnai la storia di un pagliaccio che si chiamava “Ciccio Bombo”, cucii le pagine assieme con ago, filo e ditale, scrissi il prezzo ed infine lo vendetti a mia zia per 50 lire. Crescendo mi appassionai sempre più alle avventure esotiche. Leggevo Salgari, Verne, Edgar Rice Burroughs, alcuni libri western con molte figure. Mi affascinavano i personaggi straordinari che ritrovavo nelle pagine dei libri e dei fumetti. La mia attrazione era sempre più verso queste figure, ma non solo.
Creepy nº 3Tra i personaggi straordinari c’erano anche i miei eroi sportivi dell’epoca. Riva, Albertosi, Thoeni, Gross, Plank, Benvenuti, Monzon o quelli che compivano imprese straordinarie come Bonatti, Moitessier, Chichester, Baumann, Scott. Poi cominciarono ad apparire anche i nomi di alcuni fumettisti come Hugo Pratt, Bonelli, Galep, Ticci, Russ Manning. A questo punto, una miscellanea di elementi come attrazione, desiderio di avventura ed egocentrismo accesero la miccia. Iniziavo a scimmiottare i miei personaggi straordinari. Nel calcio come portiere, nello sci come slalomista, nella vela come prodiere, nella musica come folk singer alla Bob Dylan, nell’aspetto cercando di imitare James Dean. Avevo circa 15 anni. Tutto ciò successe anche per quanto riguardava i fumettisti. Per quanto riguarda il fumetto, mi piaceva più che altro raccontare storie. Però non vedevo di buon grado il fatto di scrivere soltanto o disegnare soltanto. Volevo scrivere e disegnare. Raccontare storie coi disegni. Inizialmente era una cosa puramente amatoriale, anche se l’obbiettivo era quello di trasformare tutto ciò in un’espressione artistica remunerata. Prima di decidere di arrivare a trasformare tutto ciò in un lavoro passò un bel pò di tempo. Dai 17 ai 31 anni ho fatto un pò di tutto (ma veramente di tutto!). Più o meno a 31 anni è terminata la mia infanzia e sono entrato nell’adolescenza. A 33 anni ho deciso di trasformare una delle mie passioni ed attività già collaudata in precedenza in un lavoro vero e proprio.

Creepy nº 5Hai avuto una formazione artistica? Di che tipo?
Giovanni Bruzzo: Se in quanto a formazione ti riferisci alla scuola la mia risposta è no. So che alcune lacune che mi ritrovo derivano proprio da questo fatto, però la formazione che ho avuto credo mi abbia arricchito maggiormente di qualsiasi scuola in altre sfaccettature dell’espressione artistica e nel nucleo della mia vita. Ancora oggi credo che la formazione migliore sia la strada. Naturalmente unita alla nobile ma anche ignobile passione verso le varie espressioni artistiche.

Quali sono i disegnatori italiani e stranieri a cui ti sei ispirato nel corso della tua carriera? Ce n’è qualcuno più di altri che consideri idealmente il tuo maestro?
Giovanni Bruzzo: Beh, sono stati tanti. In ordine di tempo partirei con Hugo Pratt, Dino Battaglia, Alberto Breccia, Sergio Toppi, Jean Claude Forest, Guido Buzzelli, Attilio Micheluzzi, Joe Kubert, Juan Zanotto, Giovanni Ticci, Gino D’Antonio, Ivo Milazzo, Jean Claude Giraud, Vittorio Giardino e chissà quanti altri. Colui che però ho maggiormente studiato, ammirato e invidiato è stato sicuramente Hermann. Trovo che abbia un modo di raccontare straordinario. I suoi fumetti li apprezzi leggendoli, non guardandoli come se ogni vignetta fosse un’illustrazione a se stante. Alcuni disegnatori dedicano tutti se stessi nell’affannato bisogno di realizzare una sequenza di illustrazioni spettacolari, ma spesso scollegate ed inespressive. Viceversa, Hermann mi ha sempre conquistato durante la lettura e non nel momento in cui sceglievo l’albo da acquistare, guardando le figure. Questo è il tipo di fumetto che piace a me. Il fumetto che non scimmiotta ne il cinema, ne la letteratura, ne la pittura. Non è un misto di queste tre espressioni artistiche. Hermann, a mio modo di vedere, è quello che più di tutti gli altri fumettisti che conosco, riesce a rendere il fumetto un’espressione artistica unica. Anche Andrea Pazienza, Pratt e Giardino hanno questa caratteristica, ma Hermann a mio parere, di più.

Aliens MorbosHai iniziato a lavorare nell’ambito professionale già a diciassette anni: illustrazioni per un album di figurine dedicato a “Goldrake” e, per conto dello Staff di If, in seguito racconti per le testate “Oltretomba” e “Storie blu”. Parlaci di queste prime esperienze.
Giovanni Bruzzo: Bei tempi quelli! La prima esperienza, quella relativa all’album di figurine di Goldrake, fu puramente casuale. La mia fidanzata di allora aveva uno zio a Torino proprietario di uno studio grafico che si chiamava “Immagini e parole”. Si occupava principalmente di fumetti. Erano da poco apparsi i primi (da me odiati) cartoni giapponesi di Goldrake e Mazinga, e nel suo studio si producevano i relativi fumetti per la Francia e gli album di figurine per l’Italia. Una sera venne a Genova e gli feci vedere i miei lavori. Mi fece alcune domande ed infine mi propose di andare un periodo a Torino a lavorare per lui. Erano anni di contestazione. Infatti mi si pose il problema se mettermi in gioco su qualcosa di così manifestamente commerciale o rifiutare. Però era anche una nuova avventura. Alla fine accettai. Il primo lavoro che mi fece fare fu in realtà il lettering del libro del calcio a fumetti nella traduzione per la Francia, poi passai alle figurine di Goldrake. Il lavoro consisteva nel mettere le diapositive estrapolate dai filmati in un proiettore, ricalcare il tutto e ripassare a china col pennello. Era una sorta di catena di montaggio. Fu comunque un’esperienza molto formativa.
Giovanni BruzzoAl mio ritorno a Genova decisi di andare a vivere da solo. Mi serviva un lavoro. Alcuni amici mi consigliarono di andare allo Staff di If. Ebbi così da Gianni Bono una sceneggiatura per Oltretomba. Mi pare fossero una settantina di tavole a due strisce. Per me un lavoro enorme! Con la mia nuova fidanzata affittammo una stanza + corridoio e stanzetta con finestrina sui tetti dei carruggi. Il tutto non era altro che il mezzanino di un grande appartamento le cui stanze erano affittate una ad una ad altre persone. Bagno, cucina ed entrata erano in comune. La stanzetta divenne il mio studio. Ci stava appena un banco di scuola, uno scaffale ed una sedia. I muri erano tappezzati da pagine di giornali porno dalle quali prendevo spunto per i disegni. Sullo scaffale un pò di fumetti ed un barattolo in cui allevavo due scorpioni.
Roma - Live al Tube (1981)Mi ispiravo anche alla mia ragazza, ma raccontarti i particolari trasformerebbe l’intervista in qualcosa di bukowskiano. Erano anni ruggenti. Col gruppo punk nel quale suonavo (i Dirty Actions) avevamo da poco inciso un 45 giri per la Cramps, stavamo registrando pezzi nuovi e più sofisticati, andavamo in giro a fare concerti. Gli altri membri del gruppo erano anche loro fumettisti (Ugo Delucchi, Johnny Grieco, Mario Benvenuto). Si suonava, si disegnava e si passava parecchio tempo in giro e in osteria. Il computer non esisteva e la televisione non la possedevamo e le giornate sembravano molto più lunghe. Avevamo tempo ed energia da vendere! Nel 1980 nel Teatro del Giglio di Lucca, durante il salone del fumetto, assieme a Vincenzo Sparagna, Filippo Scozzari, Massimo Mattioli, Stefano Tamburini e Tanino Liberatore, (Andrea Pazienza era a New York) mettemmo in scena la performance che dava il via all’uscita nelle edicole del n° 1 di Frigidaire. Insomma, erano tempi così. Non ci si annoiava…

KongosQuali sono state, prima di approdare in Bonelli, le collaborazioni a cui sei più legato o che ti hanno maggiormente formato?
Giovanni Bruzzo: Credo sia stata proprio l’esperienza con Frigidaire sul quale il più delle volte mi firmavo con lo pseudonimo “J. Razor”. Lavoravo in coppia con Ugo Delucchi e ciò che realizzavamo era assolutamente diverso da ciò che faccio oggi. Vivevamo prevalentemente a Firenze. Le storie venivano fuori tra una “risata” e l’altra. Per colorarle usavo indossare occhiali per vedere le immagini in 3D, quelli con una lente blu e l’altra rossa. Mi aiutava ad accostare i colori con prevalenza di blu a quelli con prevalenza di rosso. Spiccavano maggiormente. Poi i colori che io chiamavo neutri, cioè quelli con prevalenza di giallo completavano il mosaico. La tecnica usata era composta da gelatine adesive, pennarelli Pantone ed aerografo. I disegni erano di Ugo.
ChenMi viene in mente un’altra e forse più determinante esperienza collaborativa. Era precedente a quella con Frigidaire. Eravamo a Genova. Gualtiero Skiaffino e Ferruccio Giromini portavano avanti con dedizione professionale e fricchettonesca un periodico che si chiamava “La Bancarella”. E’ un ricordo per il quale nutro molto affetto anche per la scomparsa di Skiaffino avvenuta pochi anni fa. Sul giornale muovevamo i primi passi come autori, oltre a me, Salvatore Deidda (anch’egli scomparso – Lancio Story, Orient Express, Martin Mystère), Ugo Delucchi (poi Il Male, Frigidaire, Zut, Emme), Marco Torricelli (oggi Zagor, Dampyr e Tex), Pappo Attomapepe (oggi grafico di successo a Parigi), Gianni Bellocchio (poi Lancio Story), Gianfranco Grieco (l’attuale Grieco prod.), Mario Benvenuto (oggi designer di successo) ed altri. Si era venuta a creare una sorta di factory. Disegnai le mie prime timide e sbilenche storie d’autore, ma fu un’esperienza che mi fece capire molte cose che poi mi sarebbero tornate utili in futuro. Comunque, nel corso di tutto il decennio degli anni ’80 la mia principale attività lavorativa era quella di illustratore pubblicitario. Ero un iperrealista dell’aerografo. Quella lunga esperienza mi ha formato ma anche provato parecchio. Alla fine di quel decennio ho dato l’addio definitivo al mondo della pubblicità e piuttosto di riaffacciarmici mi sono messo a fare il falegname.

Mister NoNel 1995 sei entrato nello staff di Mister No, in una fase di profondi cambiamenti. Ti ha convinto il rinnovamento intrapreso da Masiero, Mignacco, Marzorati e Colombo?
Giovanni Bruzzo: Come ho già detto, durante la mia adolescenza sono stato un grande lettore di Mister No. Nel 1988 ho fatto un lungo viaggio in Venezuela tra Ande, Amazzonia e Caraibi in ambienti descritti con passione sapiente e scanzonata da Nolitta. Mister No mi è allora tornato in mente. Già l’anno prima, a Wasini Island, un’isoletta tra Kenya e Tanzania avevo fatto la conoscenza con un inglese che abitava li. La fisionomia ed il modo di vestire ricordava tantissimo il pilota amazzonico. Portava perfino le stesse ghette! Forse era uno scherzo del destino, ma chi lo avrebbe mai detto che sarei finito a disegnarlo? Riguardo al rinnovamento intrapreso dagli amici che hai menzionato, che ti posso dire? Arrivai in un momento in cui cercavo di rimettere insieme i cocci della mia vita. Ero appena uscito da un periodo veramente buio. La mia personalità era a pezzetti e qualsiasi cosa mi avessero dato da disegnare mi sarebbe andata bene. Mi dettero proprio il personaggio che mi era più simpatico, così non mi posi il problema sui cambiamenti in corso.
Giovanni Bruzzo em acçãoAnzi, devo dire che ne ero piuttosto entusiasta. Cambiava l’ambiente ed il vestito, ma il carattere di Mister No era talmente marcato che non mi sembrava potesse esserne danneggiato. Ero sicuro che in attesa di un ritorno all’ambientazione originaria, il fatto di portarlo a percorrere sentieri sconosciuti avrebbe allargato e moltiplicato le possibilità di creare storie avvincenti. Infatti così è stato. I lettori hanno il diritto assoluto alla critica, però penso che alcuni di loro non abbiano compreso che il loro personaggio preferito era sempre lo stesso. Per un periodo cambiavano solo gli ambienti e ciò avrebbe aumentato gli stimoli. Masiero, ai tempi un giovanotto appena trentenne, è stato straordinario nel dirigere questo cambiamento in un momento in cui il personaggio che incarnava un pò l’alter ego del suo editore oltre ad esserne sua creatura, si ritrovava nel bel mezzo di una rivoluzione socio ambientale. Certo, le storie non erano più quelle di Nolitta, ma a me pare che il carattere di Jerry Drake sia rimasto pressoché inalterato, e proprio per questo Masiero è stato bravissimo. Inoltre sono strafelice di aver disegnato la storia di Marzorati in cui il pilota incontra e percorre 94 pagine di strada con uno dei miei miti giovanili, Jack Kerouac.

Maxi Mister No n° 2Con Maurizio Colombo hai realizzato quel capolavoro pubblicato nel Maxi Mister No n. 2, “C’era una volta a New York” (1999). Il tuo disegno ha dato un notevole apporto alla dinamica sceneggiatura di Colombo. Puoi raccontarci qualcosa sulla lavorazione, considerata l’ambientazione, l’epoca storica e il gran numero di personaggi?
Giovanni Bruzzo: Guarda, disegnare quella storia è stato un privilegio ed una goduria immensa. All’inizio non si sapeva ancora che tipo di collocazione editoriale avrebbe avuto. Non sapevamo neanche di quante tavole sarebbe stato composto. Inizialmente l’affrontai come qualsiasi altra sceneggiatura, poi andando avanti nella lavorazione, mi/ci conquistò. Racconto un aneddoto carino in proposito: ad un certo punto, ma ancora nella fase iniziale, credo più o meno intorno alla tavola n° 35 – 40, senza avvisare la redazione partii per un viaggio in Sri Lanka. Dopo qualche giorno di vagabondaggio sull’isola comprai una cartolina che raffigurava un tizio di razza indi con capelli e barba lunghissimi arrampicato su un albero. Gli disegnai vicino un baloon con scritto qualcosa tipo “no, lo so che siete incazzati, non scendo più!”, la indirizzai alla casa editrice e la spedii. Era stato il modo per comunicarli che non ero sparito.
Giovanni Bruzzo e Júlio SchneiderAl ritorno da quel viaggio ricordo che cambiai marcia. Ridussi il formato delle tavole, cambiai stile e divenni velocissimo (almeno finché durò l’influsso benefico). La prima settimana dovevo recuperare e feci 11 tavole. Mi si sciolse la mano. Era un pò come se stessi disegnando un fumetto d’autore. Mi sentivo completamente libero. Caratterizzare i personaggi in quel contesto era divertentissimo, anche perché Maurizio li rendeva tutti divertenti e particolari. Alcuni li ho raffigurati con le sembianze di miei amici/nemici. Per le ambientazioni mi ero comprato alcuni libri ed altri me li aveva fotocopiati Maurizio in redazione. Il fatto che ci fossero tanti personaggi e che l’ambientazione storica fosse abbastanza inusuale avrebbe potuto rendere la lavorazione noiosa e faticosa. Ciò che me l’ha resa così divertente è stato proprio il modo di sceneggiare di Maurizio.

José Carlos Francisco e Giovanni BruzzoPassando ad altro, su una sceneggiatura di Alberto Ostini, hai realizzato il n. 42 di Dampyr, “L’uomo di Belfast”, in cui avete omaggiato, nella figura del Professore Haney, lo scomparso allenatore italiano Scoglio. Di chi è stata l’idea?
Giovanni Bruzzo: Ah, ah! Quella è stata una mia idea dovuta al fatto che tengo calcisticamente per il Genoa. Ostini avrebbe voluto una somiglianza con Sean Connery, che io però non amo particolarmente. Nella sceneggiatura c’era la descrizione del personaggio che insegnava calcio gaelico e che tutti chiamavano “il Professore” (nomignolo che veniva dato anche al compianto Franco Scoglio). Da qui la decisione. Ne parlai con Boselli e lui mi diede l’ok. Una cosa simile successe con Mister No. Sull’albo n° 344 (Sotto il cielo di Manaus) a pag. 47, il pilota sale su un taxi ed al volante c’è Pato Aguilera (l’uruguayano attaccante del Genoa) con tanto di gagliardetto appeso allo specchietto retrovisore. Quello però era stato una specie di omaggio all’amico Deidda scomparso da pochi anni. Lui aveva fatto la stessa cosa su Martin Mystère, ma col gagliardetto della Sampdoria (la squadra dei cugini genovesi).

Il BiogiocattoloIn seguito ti sei confrontato con la fantascienza classica di Brad Barron. Come ti sei trovato a lavorare con Faraci e quali sono stati i riferimenti iconografici a cui hai attinto?
Giovanni Bruzzo: Era la prima mini serie bonelliana. Un esperimento che ha funzionato a meraviglia. Mi aveva attratto questa inconsuetudine di Tito: il fatto di fare una fantascienza che ha per collocazione storica gli anni ’50. Ho aderito al progetto con entusiasmo. Tito, supportato in redazione da un magnifico e granitico Marcheselli, mi ha fornito davvero di una quantità incredibile di immagini. Addirittura, tutti noi disegnatori della serie ricevemmo un volume alto 4 dita sull’America degli anni ’50. La prima storia che ho disegnato era ambientata per lunghi tratti durante lo sbarco in Normandia. A tal riguardo Tito mi ha fornito anche di un bellissimo libro sul film “Salvate il soldato Ryan” ed un altro su “Il giorno più lungo”. Io mi sono guardato e riguardato i due film e ho dato il via libera alla matita. La risposta alla domanda sul come mi sono trovato a lavorare con Tito te la può fornire il fatto che dopo 3 albi di Brad Barron ne ho disegnati due di Tex e ne sto disegnando altri 2 sempre a firma Faraci.

Tex de Giovanni Bruzzo para José Carlos FranciscoVuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex?
Giovanni Bruzzo: E’ successo che mentre mi apprestavo a terminare l’ultimo albo di Brad Barron, trovandomi assieme a Tito in redazione, Sergio Bonelli ci invitò nel suo ufficio. Voleva farci i complimenti per il successo ottenuto da BB e manifestarci la sua soddisfazione. Ad un tratto mi chiese cosa avrei voluto disegnare una volta terminata quell’avventura. Risposi che mi sarebbe piaciuto provare con Tex. Dopo una decina di giorni ricevetti una telefonata di Marcheselli. Mi disse di fare alcuni bozzetti dei pards e che mi avrebbe spedito 3 tavole di prova. Dopo alcuni aggiustamenti al viso di Tex mi arrivò la sceneggiatura de “L’Uomo di Baltimora”.

Tex Willer de Giovanni Bruzzo para José Carlos FranciscoNel disegnare Tex che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate?
Giovanni Bruzzo: Tex è sicuramente un personaggio difficile da affrontare. Sì, ne ho incontrate tantissime. Credo per lo più di tipo caratteriale. Essendo cresciuto leggendo le avventure del ranger, ho sempre avuto un certo timore reverenziale verso quegli albetti. Cimentandomi con Tex tutto questo timore è emerso nelle sue molteplici forme. Non era tanto un problema legato all’ambiente western, ma al personaggio in se stesso. Davanti a me avevo i meravigliosi Tex firmati Galep, Ticci, Letteri, Nicolò, Font, Fusco e tutti i Texoni con firme internazionali. Mi sono sentito inadeguato. Il mio Tex proprio non riusciva a prendere forma. Alla fine, scopiazzandolo malamente da Ticci ho dovuto iniziare se non volevo che il conto in banca giungesse al livello critico.

Giovanni Bruzzo a desenhar TexHai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no?
Giovanni Bruzzo: Mah, non credo sia stata una vera e propria modifica del mio stile, piuttosto un adattamento. Lo stile è come la calligrafia, ognuno ha il suo. C’è chi lo ha più marcato e chi meno. Io ho trovato molte difficoltà nel cambiare il tipo di regia. Venivo dall’esperienza con Brad Barron e di conseguenza da una regia di tipo fantascientifico. Nel fumetto moderno il più delle volte basta mettere una porzione prospettica della parte di un corpo umano addirittura tagliato di quinta per risolvere una vignetta in modo più o meno spettacolare. Oppure ci si focalizza sulla definizione di un particolare in modo che possa incantare il lettore. L’ipotetica cinepresa può essere mossa a proprio piacimento fino ad avere inquadrature diagonali che permettano un buon effetto grafico ed un risparmio a livello del disegno.
Giovanni Bruzzo desenhando TexCon Tex è diverso. E’ come passare da una regia alla Tarantino ad una alla John Ford. La telecamera resta più distante e fissa. L’inquadratura il più delle volte deve essere totale. Non ci sono particolari alchimie a favore del disegnatore per risparmiare tempo. Devi disegnare proprio tutto, e ciò rende la lavorazione più lunga. E’ una questione di abitudine. Deve diventare normale usare un certo tipo di inquadrature. Nella mie esperienze bonelliane ho spesso dovuto cambiare ambientazioni e collocazioni temporali. Ogni volta, a seconda dei casi ho incontrato alcune difficoltà che col tempo sono sparite.
Giovanni Bruzzo e o seu TexTi faccio un esempio: il numero di Dampyr che ho disegnato non mi ha soddisfatto perché il passo da Mister No all’ammazzavampiri era abbastanza lungo. Passavo da un antieroe scanzonato e dal suo ambiente bucolico anni ’50 ad atmosfere molto più dark. L’ambiente era l’Irlanda ed i personaggi  avevano tratti caratteriali molto diversi da quelli del pilota amazzonico. Ho provato a caratterizzare Kurjak in modo ruvido, un soldataccio slavo un pò più vecchio di Harlan. Ciò non è stato particolarmente gradito dalla maggior parte dei lettori. Sono però certo che verso la fine di quell’albo ero riuscito ad entrare nella parte. Se avessi disegnato una seconda storia mi avrebbe sicuramente soddisfatto maggiormente ed avrei incontrato molte difficoltà in meno. Era entrato nell’abitudine e nella normalità.

Come definisci graficamente il “tuo” Tex?
Giovanni Bruzzo: A questa domanda non so proprio cosa risponderti. Ah, ah, spero non sia perché sono ancora alla ricerca di una caratterizzazione grafica soddisfacente.

Esboço de TexHai preso dei modelli di riferimento particolari?
Giovanni Bruzzo: Sicuramente il modello principale è stato Ticci. “Sulle piste del nord”, che porta la sua firma, è stata la storia che mi ha conquistato e trasformato in accanito lettore del ranger. Da quel momento ho letto, studiato ed ammirato il disegnatore senese in tutto il suo percorso artistico. Credo che oggi il suo stile sia la massima espressione del disegno calligrafico. Da ciò, è normale che mi sia ispirato a lui. Ad oggi, sta lentamente prendendo forma un Tex più mio, ma è una metamorfosi lenta e naturale che non ho la minima intenzione di forzare.

Página inédita de Tex - APotresti anticiparci qualcosa della storia alla quale stai lavorando?
Giovanni Bruzzo: E’ un’avventura che ha come teatro la zona di confine tra Texas e Messico. Alla base un intrigo con alcune connotazioni di stile giallistico. Tex ha al suo fianco l’immarcescibile Carson (un pò come Sandokan con Janez). Nel complesso un classico soggetto texiano la cui trama è resa alla perfezione da Tito.

Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni?
Giovanni Bruzzo: Credo e spero proprio di sì. Sarebbe un vero peccato abbandonare Tex proprio nel momento in cui la mano comincia a sciogliersi. Ricominciare di nuovo tutto da capo da un’altra parte… preferirei di no. Il fatto che sia un personaggio difficile è per me motivo di sfida continua con me stesso ma anche col ranger che sappiamo essere perfettamente in grado di piegare le mie resistenze a suon di cazzotti. E vi assicuro che picchia duro.

Página inédita de Tex - BPágina inédita de Tex - C

Em progressão - 1Che cosa pensi di Tex come personaggio?
Giovanni Bruzzo: Penso che sia il tipo che tutti noi vorremmo avere come amico da poter chiamare ogni qualvolta ci troviamo ad essere vittime di soprusi. Credo sia proprio questo uno dei motivi principali del lungo successo editoriale del nostro ranger. E il fatto che tale successo resista anche in un momento storico come quello attuale in cui parlare di western risulta (ahimè) piuttosto anacronistico. Una domanda che spesso si è fatta è: “Tex è di destra o di sinistra?”. Ma che ne so! Che importa? Tex è Tex e mi ha conquistato proprio per il fatto che prende sempre le parti dell’oppresso di turno senza badare a differenze di classe sociale, colore della pelle, religione, opinione politica, simpatia o antipatia. Per fare in modo che le sue azioni vadano a buon fine occorre una buona dose di infallibilità, scaltrezza e onestà intellettuale, oltre al fatto di avere al fianco dei pards con doti dello stesso tipo. Forse esagero, ma sarebbe divertente vederlo descritto da Dante in un aggiornamento della Divina Commedia.

Em progressão - 2

Tex de G. Bruzzo para José Carlos FranciscoChe rapporto hai con il pubblico di Tex?
Giovanni Bruzzo: Boh?… spero buono. Per ora non ho avuto granché modo di confrontarmici se non in alcune casuali occasioni. Pensa che lo scorso anno il professore di italiano di mio figlio dette come indicazione alla lettura alcuni romanzi ed un unico fumetto: Tex. Non sapeva che io lo stavo disegnando. Un amico psichiatra e nonno di una bimba di 6 anni, mi ha raccontato che legge spesso Tex alla sua nipotina allo stesso modo in cui un tempo i nonni leggevano le favole. Per ora, il mio pubblico più diretto sono i miei nipotini. Attentissimi ed entusiasti lettori. Inutile dire che con loro il rapporto è bellissimo.

Che futuro vedi per Aquila della Notte?
Giovanni Bruzzo: Preferisco pensare al presente. Al massimo posso considerare un futuro molto prossimo e le sensazioni mi fanno essere moderatamente ottimista.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 1Come procedi nella creazione? Fai una pagina completa e dopo passi all’altra? E quali strumenti di lavoro utilizzi?
Giovanni Bruzzo: Dipende dai periodi. Quando il lavoro procede in modo tranquillo ma veloce, preferisco lavorare solo su una pagina per volta. In altri momenti, quando una scena che si protrae per un certo numero di tavole comincia a preoccuparmi, quando ormai ho disegnato i personaggi inquadrandoli da tutti i punti di vista, passo ad un’altra scena per poi tornare sulla scena precedente in un secondo momento. Mi è capitato di avere anche 10 tavole contemporaneamente in lavorazione e nessuna di esse terminata.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 2Comunque, normalmente schizzo le scene su carta da fotocopie con una matita molto grassa, poi ricalcandole su un tavolo luminoso le riporto su carta da disegno usando una matita più sottile. Poi, con la gomma pane abbasso un pò il tono della matita. A quel punto non resta che inchiostrare. Il più delle volte mi occupo prima dei neri con il pennello e la china ed in un secondo tempo mi prendo cura del tratto usando vari pennarelli sui quali intervengo con una lametta per modificarne la punta a mio piacimento. Altre volte invece adotto il procedimento inverso: prima il tratto e poi i neri. Infine cancello con cura le tracce di matita rimaste. A volte nel bel mezzo di una crisi di ira funesta straccio tutto. Il giorno dopo mi pento ma ormai è troppo tardi e mi tocca ricominciare mestamente da capo.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 3Quali sono i tuoi rapporti con gli sceneggiatori? Le istruzioni che ti passano sono particolareggiate o la vignetta è lasciata alla tua creatività? Ti consegnano del materiale informativo?
Giovanni Bruzzo: Sono convinto che per ottenere un buon risultato, tra le due componenti debba esserci un rapporto paritario e di amicizia. Guai se si viene a creare una qualche forma di sudditanza da parte di una delle due componenti. E’ fondamentale instaurare un clima empatico. Fortunatamente per me questo è più o meno sempre avvenuto. Riguardo alle istruzioni che mi vengono passate dipende un pò da sceneggiatore a sceneggiatore.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 4C’è quello più “scrittore” che ha bisogno di descrivere maggiormente e quello più sintetico e maggiormente attento ai ritmi della sceneggiatura nel suo complesso. Esiste quello che ha fatto un viaggio e vuole che un particolare caratteristico di quel paesaggio venga inserito nella vignetta e di conseguenza ne descrive tutte le sfaccettature. Sono tutte cose normalissime e piacevoli. A seconda del teatro e della collocazione storica del soggetto, mi è capitato di ricevere montagne di materiale informativo o, come per Tex, non ricevere niente. Sul Western, tra libri, fumetti e film ho parecchio materiale personale. Comunque, ci sono giornate in cui mi verrebbe da mettere gli sceneggiatori sulla pista di un bowling al posto dei birilli e fare strike… ah, ah, ah! No, a parte gli scherzi i rapporti sono buoni, basta che non siano isterici. Odio l’isterismo.

Bruzzo desenhando no seu estúdio - 5Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Giovanni Bruzzo: Il tempo che mi occorre varia da tavola a tavola. Con Brad Barron c’è stato un periodo in cui ero rimasto molto indietro e la scadenza era prossima. Oltretutto, essendo l’ultimo episodio, la scadenza era inderogabile. Mi resi conto che dovevo tuffarmi nel lavoro, così realizzai le ultime 60 tavole in 2 mesi. Con Tex, un exploit del genere mi è matematicamente impossibile. In linea di massima mi pongo un limite minimo di mezza tavola al giorno e tutto ciò che riesco a fare in più è benvenuto. L’altro ieri sono riuscito a fare una tavola intera ed era la prima volta da quando disegno Tex. Potrebbe essere di buon auspicio.
Bruzzo desenhando no seu estúdio - 6Riguardo a orari e giornata tipo, la mia organizzazione varia molto tra periodo estivo e periodo invernale. D’inverno mi sveglio verso le 10,30, faccio circa 10 minuti di ginnastica, doccia e caffè. Alle 11 mi siedo al computer e leggo qualche notizia sui giornali. Alle 11,30 mi siedo al tavolo da disegno, organizzo il lavoro ed inizio. Alle 13,30 mangio, leggo qualcosa e ricomincio a lavorare. Vado avanti fino alle 18. Poi esco e mi vedo con gli amici. Alle 20,30 mangio davanti alla tv e poi mi tuffo nel lavoro andando avanti fino alle 2 o le 3. D’estate invece cambio completamente. Mi piace svegliarmi presto. Mi alzo tra le 6 e le 7, a volte faccio ginnastica ed altre esco e vado a farmi un tuffo ed una nuotatina (il mare si trova a 100 metri da casa mia).
Ao amanhecer... depois de uma noite passada no barcoPoi mi faccio la solita doccia, colazione e giornale ed infine mi tuffo nel lavoro. A volte stacco verso le 14 e passo il pomeriggio in barca a vela per poi tornare a lavorare dopo cena. Altre volte lavoro il pomeriggio e la sera la dedico al tempo libero. Qualche estate mi succede anche di fare lo skipper e di conseguenza mi prendo lunghe pause dai fumetti. Ho un figlio quasi 19enne al quale ho dedicato più tempo in passato. Oggi, data l’età e la sua autosufficienza mi tengo in una posizione di disponibilità. E’ comunque sempre al primo posto nella scala delle mie priorità.

Tex Willer por Giovanni BruzzoEsiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Giovanni Bruzzo: Molti anni fa mi sarebbe piaciuto fare Martin Mystère. Quando è uscito era innovativo ed in Alessandrini trovava la mediazione stilistica perfetta tra fumetto franco/belga, americano, sudamericano ed italiano/prattiano. Mi piaceva tantissimo. Poi mi sarebbe piaciuto lavorare con Castelli.

Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto “fumetto d’autore” come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Giovanni Bruzzo: Come ho detto prima, il mio sogno era quello di raccontare storie coi disegni. Mettere sul piatto sia la fantasia creativa che la vena grafica. In passato mi è capitato di farlo ma in modo sempre troppo timido e dispersivo. Oltre a Frigidaire mi viene in mente l’esperienza avuta col mensile 1984. Quello che oggi definiamo “il fumetto della SBE” era ai tempi solo una parte del vastissimo e variopinto panorama editoriale.
GodzillaMentre a poco a poco altre case editrici e giornali chiudevano i battenti, la famiglia Bonelli è stata capace di allargare i confini del suo panorama editoriale a seconda delle richieste che venivano dalla moda di turno. Non si è mai fossilizzata solo su un tipo di fumetto. Io volevo semplicemente fare fumetti. Oggi fare fumetti è un lavoro e con Bonelli mi sento a mio agio. Battaglia e Pratt sono purtroppo venuti a mancare quando ancora il fenomeno del “fumetto d’autore” era nel suo splendore creativo e commerciale. Toppi ha dovuto cambiare ed ha infatti lavorato anche per la SBE. Manara e Giardino sono fenomeni rarissimi ormai. Le opere di Giardino mi fanno incantare, sorridere e commuovere ancora oggi. Voglio dire che se anche avessi passato gli anni ’80 a fare fumetto d’autore, oggi probabilmente disegnerei ugualmente per la SBE.

PerfumeE i tuoi progetti per il futuro? Puoi anticiparci qualcosa?
Giovanni Bruzzo: Per quanto riguarda i progetti fumettistici mi piacerebbe un giorno fare di nuovo qualcosa di epocale con Colombo. Per il momento però mi accontenterei di perfezionare il mio Tex fino al punto di esserne soddisfatto. Voglio fare il giro del mondo in barca a vela. Mi mancano solo le basi economiche altrimenti avrei già cominciato a organizzarmi. Vorrei completare di scrivere il libro che da tempo mi sto tirando dietro e mi piacerebbe anche dedicare tempo alla pittura. Ogni tanto capita di parlare con gli ex membri del gruppo dei Dirty Actions con l’intenzione di fare qualcosa di nuovo a livello musicale, ma poi, complici la follia dell’uno o gli impegni dell’altro si risolve sempre il tutto in una bolla di sapone.

La SvegliaQuali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Giovanni Bruzzo: Continuo ad attendere le uscite di Giraud ed Hermann, ma anche quelle di Giardino, Corben, Milazzo, Blanc Dumont, Tardi. Attualmente mi sto rileggendo i vecchi Tintin e la collana “I protagonisti” di Rino Albertarelli. Naturalmente leggo quasi tutti i nuovi Tex e sarei felice di trovare nuove storie di Mister No, Ken Parker, Corto Maltese o Zanardi, ma purtroppo…

Caro Giovanni Bruzzo, a nome del blog portoghese di Tex, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Giovanni Bruzzo: Sono io che vi ringrazio per avermi dato l’opportunità di tornare indietro nel tempo a rivangare i ricordi e le persone ad essi legate. HASTA LA VISTA, COMPAÑEROS!

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Fabio Civitelli: a arte de fazer felicidade e alegria

Fabio Civitelli, o desenhador italiano, de Tex, que teve uma exposição dedicada aos seus 25 anos a desenhar Tex, no VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, realizou belos desenhos feitos na hora, distribuiu autógrafos e sorrisos para além de posar para fotos ao lado dos seus inúmeros fãs presentes naquela bela e pacata cidade alentejana e que foram até lá para vê-lo de perto, fazendo com que todos os Texianos presentes em Beja desfrutassem da sua simpatia,  disponibilidade e arte, cultivando em elevado grau a arte de fazer feliz todos que o rodeavam, utilizando a sua arte para fazer felizes as pessoas ao seu lado, conforme se demonstra nesta sucessão de belas fotografias onde os possuidores dos tesouros Texianos autografados por Civitelli irradiam felicidade por todos os poros:

Sara e Fabio CivitelliRui Rolo e Fabio Civitelli
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Pedro Pereira e Fabio CivitelliNuno
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Pedro Cleto e Fabio CivitelliJorge e Fabio Civitelli
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Mário João MarquesJosé Carlos Francisco e Fabio Civitelli
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Fabio Civitelli, Jorge Monteiro e esposaFabio Civitelli no meio de dois Texianos
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Fabio Civitelli e Marcos MaldonadoFabio Civitelli e Dolores Maldonado
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Fabio Civitelli e Carlos RicoCarlos Moreira
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Fabio Civitelli e José Carlos FranciscoFabio Civitelli e João Miguel Lameiras
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António Lança Guerreiro e Fabio CivitelliFabio Civitelli e Daniela

António Lança Guerreiro

Texto e fotografias de José Carlos Francisco
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)

O Alfabeto do Velho Oeste – Letra F

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira

Wilson Vieira by Fred-MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:

http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira1Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

F

Fairweather, William (Bill) HenryFairweather, William (Bill) Henry – Descobridor da jazida aurífera de Alder, Montana, Nasceu em 14 de Junho de 1836, em Woodstock Parish, Carlton County, New Brunswick e morreu em 25 de Agosto de 1875 no Rancho Davy, em Madison, Montana. Henry Edgar contava a seguinte história: “Eu não sei por que as cascavéis nunca atacaram o Bill. Quando ele via uma delas, apanhava-a e ficava com o réptil, durante todo o dia. Elas deixavam que ele fizesse de tudo, e ele nunca as matou e nem elas. Um dia, após ter se aproximado de um acampamento indígena, recolheu uma cascavel, depois outra, e agitou-as no ar. Quando os índios observaram que ele as enfiava na sua própria camisa, não acreditavam no que viam apavorados. E passaram a considerá-lo o maior médico de todos os brancos. Certa vez, após ter colectado pepitas num pequeno saquinho de pele, entrou pela cidade de Virginia City, esparramando as pepitas pela rua principal, a galope, divertindo-se ao ver os chineses e crianças, brigando por elas. E as pepitas que reservava, gastava tudo em bebidas. Quando morreu não possuía dinheiro para pagar a própria sepultura. De 1868 a 1872 ele procurou pelo ouro em Peace River, e no Alasca. Retornando depois a Alder, e morreu no Rancho de Pete Davy, esconderijo do bando Plummer”.

Faixa para chapéuFaixa para chapéu – Para os chapéus confeccionados pela indústria, as faixas colocadas, geralmente eram de seda e nas cores mais variadas, porém o cowboy preferia a sua faixa, a qual ele não renunciava tal como não se separava da sua sela. Ela era feita da crina de cavalo trançada; no início também era feita com escalpes dos Índios, ou de pele de animal cortada à mão com ou sem ornamento de metal, com pedras ao estilo Indígena ou com pele de serpente. Além de ornar essa faixa servia para manter o chapéu aderente à testa, mesmo ao vento e em tempos ruins. Muitos chapéus possuíam também o cordão anti-tempestade, feitos com tiras de pele, ou crina de cavalo, que amarrado debaixo da mandíbula, serviam para mantê-lo sempre na sua posição, mesmo debaixo da acção das ventanias.

Falcão Nocturno – Sentinela dos cavalos que durante a noite vigiava e cuidava da “Remuda”. Durante o dia, ocupava-se em recolher lenha, com um carroção, ou a cavalo.

Fall Back – A intencional queda para trás de um cavalo, logo após estar empinado sobre as patas posteriores. O seu oposto é “Throw Back”, que significava uma involuntária queda para trás do animal. O “Fall Back” ou também o “Back Fall” é mais perigoso para o cavaleiro porque somente alguém experiente, conseguia sair ileso dessa manobra. Especialmente os “Mustangs” e os cavalos ainda selvagens, tentando livrarem-se assim dos inconvenientes e ousados cowboys.

Falsário – Um cavalo, cujos cascos posteriores tocavam-se, ferindo assim as patas superiores durante o galope.

Família dos MuskogeeFamília dos Muskogee – As Famílias dos “Muskogee” não eram, em cultura, ao mesmo nível dos Cherokees, mas eram consideradas entre as Nações civilizadas. Os “Choctaws” habitavam o Mississippi inferior, os “Chickasaws” de lá até o norte ao Tennessee River, os Creeks em Alabama, Geórgia e Carolina do Sul. Quando os “Algonkins” de Indiana e Ohio preparavam-se para a batalha final, contra o Presidente Washington, seu cacique Tecumseh, tentou atrair como aliados os valorosos guerreiros Creeks. Esses, porém, que talvez fossem determinantes para o êxito final da batalha, mantiveram-se neutros. Após a derrota dos Algonkins, eles receberam dos EUA o agradecimento por sua decisão: na guerra de 1813/14 foram chacinados pelos Americanos até à extinção total. Em 1836, juntamente com os Choctaws, Chickasaws e “Seminoles” foram deportados para o Oklahoma, onde, com os Cherokees, formaram em 1839, a chamada “Nação Civilizada” do território Indígena até quando Oklahoma foi declarado Estado Federal dos Americanos brancos. Todos os Índios das cinco Nações eram cristãos e tinham nomes de cristãos Americanos. Eram académicos, comerciantes, cidadãos, criadores de bovinos, funcionários, políticos e pedagogos, mais ou menos como os Americanos da New England. Muito antes que os cowboys do Texas viessem para o norte, a Polícia Indígena os chamados “Lighthorses”, juízes Índios e também xerifes, protegiam os viajantes que iam para o Oregon e a Califórnia (1846/1866) não como bandidos Indígenas, mas como bandidos brancos do Oklahoma.

Família Linguística SiouxFamília Linguística Sioux – Para o Histórico Étnico, muitas tribos pertenciam à Família Linguística dos Sioux, que ocupavam uma região ao norte, central e no sul. As tribos do sul eram: Iowa, Kansa, Missouri, Omaha, Osage, Otoe e Poncã. As centrais eram: Hidatsa, Mandan, Santee, Yankton e Yanktonais (juntamente com os Mdewakaton, Wahpecute e Wahpeton). As do norte eram: Dakota com os End Village People, Marsh Dwellers, Sacred Water People, Shooter Among Leavs e os Tetons (com os Brulé, Hunkpapa, Minneconjou, Oglalla, Sans Arc e Two Kettles). Mas para a História e talvez também para esses próprios Índios, são somente os Dakota e os Teton-Dakota, que surgem como os reais Sioux, para calar da Família Linguística nórdica os Crows e os Assiniboines. Unidade social e aliança guerreira foram aplicadas raramente pelas principais tribos, ao contrário, lutaram entre elas próprias longamente e com combatividade. As tribos centrais e meridionais da pradaria, da Família dos Sioux, pactuaram logo com os Americanos e aceitaram as suas Reservas, enquanto que as tribos setentrionais (talvez também pelas favoráveis condições de fuga para o Canadá), combateram-nos até ao fim do século XIX e foram protagonistas das revoltas mais espectaculares e batalhas, mais comentadas em toda a História. Portanto pode-se limitar, quando se fala dos Sioux e os Dakotas e falando deles também os Teton-Dakota.

Famílias IndígenasFamílias Indígenas – Usa-se classificar os Índios que viviam no território dos EUA, ou mais exactamente na América do Norte, quando eles ultrapassaram a fronteira Canadense, em cinco categorias: Índios das Florestas e dos Lagos, das Planícies, do Sul, do Sudeste e enfim do Sudoeste. Os etnólogos subdividiram os Índios em 12 Famílias distintas que geralmente apresentavam numerosas ramificações. Às vezes, essas Famílias passavam de uma categoria a outra e podiam-se encontrar tribos que, forçadas a migrar, viviam em regiões distantes centenas de milhas da Família da qual pertenciam.

FanningFanning – Modo de atirar em filmes segurando com a mão direita o revólver e com a esquerda accionando o cão, disparando várias vezes. É certamente um espectáculo impressionante, disparando-se seis tiros no espaço de 2 ou 3 segundos. Pecado que tal cena tenha um só defeito; com o sistema “Fanning” é impossível acertar o alvo. Além do mais, um revólver o qual se usará essa técnica, deve com certeza ser modificado, senão o mínimo toque do cão será o suficiente para destruir a mão do atirador. O “rabo” do cão deverá ser achatado e alargado na sua parte superior e o percursor tem que ser limitado e tornar-se reforçado. Do ponto de vista Histórico, tal técnica não tem nenhum valor. Não existem exemplos registrados de pessoas famosas, que tenham usado a tal maneira, em atirar.

Farragut, David G.Farragut, David G. – Foi da proa do navio “Hartford”, que em Julho de 1864, Farragut, gritando: “Adiante!! A toda velocidade”, guiou a sua frota de madeira na Baía de Mobile (Arkansas), bloqueando assim o último porto Sulista.

Fazer gato selvagem – Agir ao modo similar aos gatos selvagens; escondido, sem rumores, não visto, procurar sempre vantagens. Dessa maneira adocicada e brincalhona chamava-se “Wildcatters” às Companhias Teatrais Mambembes, porque enfrentavam o risco de fazer as suas representações sem grandes divulgações. Um jogador de profissão que se aventurava escondido numa cidade da qual tinha já sido expulso, por jogar, era também denominado de Wildcatter. Mais tarde, quando no sudoeste começou a retirada do petróleo, as perfurações sem as devidas concessões eram chamadas de “Fazer gato selvagem”. Também quando era feita uma perfuração obliqua, obtinha-se o petróleo do poço vizinho e era chamado também de Wildcatter.

Feador – Uma espécie de rédea de segurança, feita com crina de cavalo, que era amarrada na parte frontal, um pouco atrás das orelhas do animal e caindo ao longo do pescoço, era fixada à extremidade oposta do bocal. Esse tipo de rédea “Feador” era sobretudo usada com cavalos de carga. O cavaleiro segurava-a com a mão esquerda enquanto examinava a sela ou subia nela, ou quando amarrava no animal a sela com as mercadorias. Essa rédea impedia que o cavalo, com um rápido movimento, jogasse o cavaleiro entre as suas patas traseiras e desse coices. O Feador trazia consigo o cowboy e mantinha-o longe dos cascos posteriores.

Febre do TexasFebre do Texas – Uma afta mortal, proveniente dos carrapatos. Era somente imune a raça dos bovinos Texas-Longhorns. No ano de 1877, o Rancheiro Albert Dean descobriu que se untassem as mamas das vacas, com toucinho, os carrapatos caíam. O Ministério da Agricultura de Washington, encarregou-o de fazer pesquisas, que ao fim, levaram-no à produção de uma pomada que matava os carrapatos e de um soro. Os bovinos que eram contagiados por essa afta, tinham uma forte febre no terceiro dia e no nono dia morriam. O facto de que os bovinos da raça Longhorns fossem os portadores desses carrapatos (Texas Tick) que causavam a afta, representou para o restante do gado dos EUA, um grave perigo, por muitos e muitos anos.

Fence – Os primeiros colonos, por não existir nas pradarias nenhuma madeira, usavam ramagens de laranjais que cresciam 70 cm ao ano, davam os seus frutos no Verão e não necessitavam de grandes cuidados e ofereciam uma sensacional protecção contra as tempestades do nordeste. A sudoeste a paliçada era feita por troncos ou por tijolos cozidos ao sol (Adobe). Ao norte e ao nordeste, onde eram abundantes as árvores, podia-se dar o luxo da escolha.

Fender – Escudo com tiras de couro, que protegiam as pernas dos cavaleiros, do suor do seu cavalo.

FerraduraFerradura – (Horse Shoe). Armação de ferro circular que era fixada com cravos nos cascos de um cavalo para protegê-lo contra o desgaste natural. Os Índios da pradaria não ferravam os seus animais porque a grama macia ou o solo das estepes os favoreciam, contra o desgaste. Mas nas principais regiões habitadas por criadores, como o Texas, Wyoming e Montana, a terra era de fundo rochoso e mais espesso ainda, que agia nos cascos dos cavalos, como uma verdadeira lixa. Os cowboys dos EUA usavam as ferraduras da forma quase circular fechada, as chamadas “Circle Shoes”.

FerroviaFerrovia – A construção de Ferrovias teve uma parte decisiva na Colonização do Oeste Americano. Elas encurtavam as distâncias, criaram a necessária capacidade de transporte para um ininterrupto fornecimento ao Exército de materiais e víveres, aos construtores de cidades, aos cidadãos, aos grandes pecuaristas e as mineradoras, mas forneceu também novas e melhores interacções com os mercados do comércio, indústria e agricultura. A História das Ferrovias Americanas é extremamente rica de magníficos feitos humanos e de geniais invenções técnicas, e intensas cobiças e desenfreadas brutalidades. Do ponto de vista económico, a imensa velocidade com as quais se desenvolveram, foi possível principalmente graças às imensas doações de terrenos, por parte do Governo para as suas Companhias. A construção das grandes linhas Ferroviárias Transcontinentais (Northern Pacific, Southern Pacific e Union Pacific) acelerou, a partir de 1870 (A Union Pacific, foi terminada em 10 de Maio de 1869), a colonização dos imensos e desertos territórios além da Linha Missouri-Mississippi, tanto que, ela pode ser considerada realmente terminada, dois decénios após. Em 1890 não existia tribo Indígena alguma em estado livre, a Era romântica dos Bovinos soltos também terminara, a política das Reservas era uma realidade, a autoridade da Lei estava estabelecida, os bandos de criminosos foram dizimados, a agricultura e a criação de bovinos tinham se industrializado.

Field, West CyrusField, West Cyrus – (1819/92). Projectou o primeiro cabo telegráfico submerso entre a América e a Europa. Através dele em 16 de Agosto de 1858 o presidente dos EUA Buchannan e a Rainha da Inglaterra, trocaram as primeiras mensagens telegráficas.

Fim amargo – O lado oposto do laço de uma corda, que geralmente era fixado no corno da sela com um nó turco, enquanto que a corda enrolada pendia ao lado direito da sela. Quando um cowboy após um lançamento notava que a sua corda não estava amarrada ao corno da sela, então ele temia o seu “Fim Amargo”; o que significava que a sua presa fugiria e o derrubaria da sela. E isso, galopando velozmente durante a marcação do gado, era perigosíssimo.

Flap Chaps – Palavra usada no lugar de “Bat Wing Chaps”.

FlapjackFlapjack – Método com o qual se assava o pão sobre o fogo, colocando na panela, farinha, água e fermento em pó.

FlatheadsFlatheads – O costume de achatar a cabeça dos seus bebés, por meio de faixas, não tem nada o que haver com os “Flatheads” = “Salish” = Povo Esquecido. Era uma tribo residente na área norte ocidental das Montanhas Rochosas dos EUA e é descrita pelos Historiadores como: “Inteligente, extremamente limpa, hospitaleira, pacífica, com nobres sentimentos, repudiavam a mentira, fiéis e dignos”. Juntamente com o Povo “Kalispells” = “Pendant d’Oreilles” = Povo dos Brincos e “Skitswich” = “Coeur D’Alênes” = Povo dos Corações Avarentos, pertencia ao grande Grupo Linguístico dos “Salish” da América norte ocidental. Quanto à língua e os costumes, os “Flatheads” eram estreitamente aparentados com outras tribos da Família “Salish”, habitantes das Montanhas Rochosas e com as numerosas tribos da costa norte ocidental. Elas foram convertidas ao Cristianismo pelos Missionários Jesuítas já em 1830. Por uma complexa situação por parte das autoridades militares dos EUA, em 1858, foram retirados de seus lares os “Yakima” e os “Spokane”, dos quais participavam também, mesmo com força reduzida e contra gosto os “Flatheads”, os “Coeur D’Alênes” e os “Kalispells”. Em 1859 foi assinada uma Paz aceitável, pela qual os “Flatheads” permaneceriam fora das confusões entre o Exército dos EUA contra os “Nez-Percé” e os Sioux, mas eles pediram ajuda aos seus vizinhos. “Enterramos a nossa lança de Guerra e estamos habituados a manter a palavra dada”. Declarou um cacique dos “Flatheads”. Era uma declaração curta, porém não deixava nada a desejar, quanto à sua real clareza.

Florenz, ZiegfeldFlorenz, Ziegfeld – Em 1907, Florenz Ziegfeld, um Americano de origem Alemã, apresentou a primeira edição da “Ziegfeld Follies”, o protótipo de uma nova geração de revista musical, rica e refinada com imensos cenários e pomposos costumes. A revista apresentou-se ano após ano com imenso sucesso: “É dedicada à glorificação da beleza das jovens Americanas”. Florenz Ziegfeld em 1907 era já um empresário bem conhecido, mas com suas “Follies”, conquistou uma fama jamais superada.

Florman, JohnFlorman, John – John e Katherine (Kate). Terrível casal, conhecido ao norte da Califórnia e Oregon entre 1867 e 1872. Segundo G. T. Murray: “Eram vagabundos que assaltavam os viajantes, diligências e, sobretudo os condutores dos carroções de transporte. Apresentavam-se em qualquer lugar como um simples casal que, obviamente eram aceites onde quer que fossem. Eles contavam factos sobre assaltantes, ou perseguições, e ao serem aceites pelo cocheiro e sua guarda, estes eram assaltados mediante os seus enormes revólveres, deixando-os completamente sem nada”. Nos relatórios históricos da Wells & Fargo Co. e de outras linhas de transportes, John & K. Florman nunca foram citados, mesmo se em diversos jornais, eram mencionados. Mas todas essas histórias não resistem a um exame Histórico mais aprofundado. Nem se pode afirmar que fosse uma lenda contemporânea similar à de Joaquin Murieta. Alguns sugerem que o casal chegou ao Oregon em 1866, após deixarem o Kentucky, outros dizem que eram Franco-Canadenses provenientes de Montreal. Por isso falavam num Francês e Inglês, arrastados. A recompensa sobre eles chegou até 850 dólares. Em 1872, parece que a dupla diabólica inesperadamente desapareceu e nunca mais se falou sobre ela. Alguns dizem que um cocheiro ao ser surpreendido, mandou-os para o Inferno com a sua espingarda de caça e os enterrou.

Flunky – O condutor de um carroção, contendo os sacos de dormir dos cowboys, durante o Round Up.

FlyerFlyer – Termo usado para indicar: “Aquele que voa”. Eram chamados assim, antes que o Oeste fosse inundado por fios do telégrafo, os cartazes de procurados que continham a descrição, da actividade de um procurado, sua fisionomia e o valor da recompensa por sua captura “Vivo ou Morto”. Eles eram afixados por toda a cidade, em troncos de árvores e em muros de casas isoladas.

FogoFogo – Na Terra dos Bovinos, um incêndio na pradaria representava uma das mais temidas catástrofes, pois ela, com o tempo seco, estendia-se rapidamente e deixava raramente a homens ou bovinos uma possibilidade de fuga. As causas de incêndio podiam ser variadas: um pedaço de vidro na grama alta, um fósforo jogado fora, a fogueira de um acampamento, mal situado, uma fuga de centelhas de uma chaminé das casas ou das locomotivas, auto-combustão, acto doloso, ou outras. A luta contra o fogo baseava-se sobre a altura e secura da relva, a direcção do vento e a configuração da zona. Se a grama fosse curta (grama de bisontes) e o vento fraco, os cowboys de um Rancho ameaçado pelo fogo armavam-se com velhos sacos, cobertores de leito ou da sela e de um carroção carregado com barris com água. O chamado “Fogo de Ponta”, aquele que avançava seguindo a direcção do vento, porém devagar, permitia uma concentração de esforços por parte dos cowboys, enquanto que poderia ser apagado no solo, batendo-se sobre ele os tecidos embebidos com água, parando assim a sua avançada para a frente. Tudo isso deveria ser feito em no máximo de 3 a 5 minutos. Nesse espaço de tempo o incêndio “devorava” tudo de combustível que encontrasse pela frente, porém extinguia-se dentro da linha númida. Se o incêndio avançava rapidamente debaixo da acção do vento, era mandado o maior número de cowboys a cavalo possível. Eles arrastavam pendurados por cordas, pedaços de carcaças de bois mutilados, mantendo a parte aberta para baixo e cavalgando velozmente ao longo da linha do fogo. Por poucos segundos as primeiras chamas eram apagadas. Os “Batedores de Fogo” a pé, apagavam o restante com a sua defesa húmida. Se o terreno era rochoso, era então arado muito além da frente das chamas, com os “Arados de Superfície”, que eram troncos de árvores longos de 2 metros e cruzados em forma de X, puxados por cavaleiros por meio de quatro cordas. Assim criava-se uma “Zona de Fome”, larga de 30 a 50 metros. Nesse local, depois, era aceso então um “Contra-Fogo” à base de pequenas fogueiras, que consumiam lentamente o material combustível por perto e fundiam-se uma à outra, quando o material estava por acabar, assim que o perigo que as centelhas pudessem causar novos incêndios, além da “Zona de Fome”, era mínimo. Para enfrentar o fogo na pradaria as pequenas fogueiras acesas eram sempre mais numerosas, até formar a 200 metros do incêndio, uma parede de fogo sem brechas. Assim conseguia-se dominar até grandes incêndios. Os Índios por séculos usavam o chamado “Fogo de Caça”, para matar os bisontes e armazenar carne para o Inverno; colocando fogo na pradaria diante de uma manada de bisontes que pastavam e com o vento favorável, o fogo empurrava os animais, que presos pelo pânico, iam para a beira de um precipício, pelo qual se jogavam.

Fora da leiFora da Lei – (Outlaw). 1 – Um homem que, com o seu comportamento, colocou-se fora da lei e da sociedade. Aqui, fora da sociedade, precisava entender uma maioria legalizada dominante, que não devia sempre ser absolutamente legal. Por exemplo: Billy the Kid era considerado um fora da lei, porque se colocou fora da lei ditada num modo ditatorial de um grupo forte de interesses, que dominavam aquela sociedade. Se aquela sociedade tivesse sido derrotada, Billy the Kid teria sido libertado daquela marca de fora da lei. Um fora da lei podia ter matado pessoas, ou se apropriado de seus pertences, porém não podia ser confundido com os “Killers”, ou com bandidos, pois os dois eram criminais e nem ser considerado um “Desperado”, que com todos os meios combatia por sua crença justa, ou com os injustiçados, que queriam somente a vingança. Um fora da lei era, portanto um homem que quase sempre gozava da simpatia da minoria da população. 2 – Um chamado “Cavalo Estragado”, cheio de manias e bizarrices para com o seu cowboy, porém forte, resistente e veloz. Um cowboy cavalgava-o com grande atenção e cautela. Existia entre eles um amor-ódio eterno e irracional, e retornavam sempre juntos, apesar de tudo.

Ford, HenryFord, Henry – O futuro grande industrial, o homem que induziu os Americanos a sair da Era dos cavalos, para entrar naquela vertiginosa do automóvel. Nasceu em Greenfield, Michigan, filho de uma família de agricultores de origem Irlandesa. Com dezasseis anos abandonou os seus entes, para trabalhar ganhando dois dólares e meio por semana, numa fábrica de utensílios em Detroit. Tinha uma paixão irresistível por qualquer coisa mecânica, do relógio à locomotiva. Encontrou depois trabalho em diversos lugares, com várias profissões, entre as quais a de responsável do serviço de anti-incêndio através da “Detroit Edison Company”. Em 1900 as casas de madeira eram ainda numerosas e frequentemente eram incendiadas. Nova Iorque possuía já 3.500.000 habitantes, Chicago 1.700.000, Filadélfia 1.300.000, Detroit 300.000. O fenómeno do urbanismo sempre foi preocupante. De 1860 até 1900 a população urbana nos EUA saltou de 16% para 33%. Em 1880, 19 cidades superavam os 100.000 habitantes; em 1900 o número de cidades era já de 36. Os Americanos eram orgulhosos de suas escolas e do sistema de Educação, cujos benefícios, porém, não eram igualmente distribuídos, tanto é verdade que sobre os 75.000.000 de habitantes, contava-se 6.000.000 de analfabetos. Os Americanos lamentavam-se das taxas que pagavam, mas ao mesmo tempo aplaudiam o total delas. Em 1900 as Finanças demonstravam que o Governo recolheu 567.240.852 dólares; e as despesas eram de 520.860.847 dólares. Cada Americano pagou em média 7 dólares e 45 centésimos, contra 1 dólar e 78 centésimos pagos em 1860. Porém concentrou todas as suas qualidades num “Carro sem cavalos”. “O poder e as máquinas, o dinheiro e a propriedade são úteis somente se nos rendem livres para a vida, eu não considero os automóveis que trazem o meu nome como simples máquinas, se fosse assim, mudaria de profissão. Eles são o resultado da minha teoria sobre os negócios, uma teoria que tem como resultado, tornar esse mundo um lugar mais aprazível de se viver”.

Forte SumterForte Sumter – Edmund Ruffin, um rico plantador da Virgínia, que disparou o primeiro tiro de canhão contra o forte. Era o acto da separação entre os Estados. Na Carolina do Sul o major Anderson do Exército Nortista, refugiou-se com os seus soldados no Forte Sumter, em Charleston. Tendo Anderson recusado a rendição, o general Sulista Toutant de Beauregard abre fogo, em 12 de Abril. Após trinta e quatro horas de bombardeamentos, após a explosão do depósito de pólvora e quando o Forte estava totalmente abatido, o major Anderson rendeu-se. O adversário concedeu-lhe as honras de Guerra.

FortesFortes – Guarnições militares dos EUA em tempo de Guerra, fortificações construídas em madeira, circundada por paliçadas e com torres de observação. Com o avançar da Colonização, reduziram-se a um conjunto de edifícios destacados um do outro e sem recintos de protecção. Os mais importantes Fortes foram: Ft. Sumter, Ft. Belknap, Ft. Berthold Reservation, Ft. Bowie, Ft. Bridger-Vertrag, Ft. Dodge, Ft. Ellis, Ft. Hall Reservation, Ft. Lyon, Ft. Marion, Ft. Peck Reservation, Ft. Stanton, Ft. Summer e Ft. Yuma.

Four Point – Áspero e grosso tecido de algodão “Mackinaw”, que em sua ourela eram inseridas quatro tiras coloridas, que comprovavam a sua autêntica e alta qualidade.

FrijolesFrijoles – Feijões vermelhos do México, com altíssimo poder nutritivo, que, segundo o Professor John Hendrix: “Criaram por gerações, os cowboys Americanos, tornando-os altos como árvores e fortes como ursos”. Nas regiões do sudoeste, um prato deles, fazia saltar um cavalo e até um cowboy velho. Aqui está a sua receita: 5 libras de feijões vermelhos colocados a molho, 3 libras e meia de toucinho defumado salgado, 1 libra de cebolas, 3 dentes de alho, 4 favas de pimenta do Chile e um pouco de pimenta negra, triturada. Tudo era colocado a cozinhar por pelo menos 5 horas, conseguindo-se assim uma refeição para 5 ou 6 pessoas adultas que sentiam a necessidade de ter algo de sólido no estômago, antes de fazer um trabalho duro.

Frill – Decoração sarcástica de um chicote para animais, obtida, unindo-se várias tiras de pele.

Fundo para o leito – Acampamento nocturno, protegido por todos os lados, que os cowboys geralmente procuravam para o gado durante o “Trail” para o Norte.

Furto de cavalosFurto de cavalos – Depois do assassinato, era o pior crime do Velho Oeste. Um homem, sem cavalo, na imensidão daquele território, corria um sério risco de morte por fome ou sede e estava exposto ao clima e aos Índios. Por isso o furto de um cavalo era considerado pelos cowboys como um atentado. O ladrão de gado tinha alguma possibilidade de escapar com algum olho roxo, mas para um ladrão de cavalos a pena era mais severa. Podia ser fuzilado ou enforcado numa árvore. Se não era morto, cortava-se a parte superior de uma das orelhas ou marcava-se na fronte ou face, como os bovinos. Muitos desses ladrões deixaram após esse facto crescerem os seus cabelos, para esconder a tal marca reveladora. Portanto os cowboys tinham certa desconfiança aos forasteiros cabeludos. Oficialmente, o furto de um cavalo não era um acto grave aos olhos da Justiça. Os ladrões de cavalos apanhavam algumas semanas de cadeia. Esse era um dos motivos pelo qual o cowboy desprezava a Autoridade Estatal.

Fuzztails – Também “Fuzzies”. Termo usado que designava aqueles cavalos selvagens ou de grande resistência que eram deixados no estado bravio, para não estragarem as suas prestações junto aos cowboys.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco