Júlia Kendall em grande destaque no BDJornal nº 26 de Outubro de 2010

Texto publicado no BDJornal nº 26, de Outubro de 2010

Por Pedro Cleto

Júlia Kendall: Requiem para uma criminóloga?(I)

“Era uma manhã tediosa. Daquelas invadidas por uma subtil inquietação. Uma sensação que eu sabia que ia durar o resto do dia, deixando cinzento até o meu humor.

Há tempos eu já havia aprendido que basta pouco para modificar o próprio comportamento. Um acto de vontade pode impor uma lufada de optimismo capaz de iluminar o horizonte mais sombrio.

Mas eu também sabia que era muito agradável deixar-se embalar por uma pitada de melancolia. É um modo para se colocar à espera. À espera que chegue alguma coisa ou alguém para movimentar a vida.”(II)

Esta é a primeira vez que o leitor “ouve” os pensamentos de Julia – ou que os lê no seu diário, se preferirem. Acontece logo na edição de estreia, após uma longa (e dupla) sequência muda bastante violenta (um exemplo da dicotomia realidade/sonho, comum ao longo da série) e um entreacto mais ligeiro/cómico. E desta forma, numa vintena de páginas, Giancarlo Berardi lança as bases do que seria – do que é! – Julia, que apesar de estar em perigo (editorial) no Brasil, mesmo sendo muito louvada pela crítica(III), mantém boa saúde em Itália onde neste mês de Outubro a edição original da Sergio Bonelli Editore atinge a edição #145, com a qual começa o seu 13º ano.

Moradora de Garden City, uma cidade relativamente pacata nos arredores de uma grande metrópole, Julia divide o seu tempo entre as aulas de criminologia na universidade e as suas colaborações como consultora junto da procuradoria local. Julia, graficamente (bem) inspirada na bela e frágil Audrey Hepburn, é trintona(IV), solteira e divide a moradia com a sua pachorrenta gata Toni. Órfã de pai e mãe, falecidos muito cedo, quando Julia tinha apenas três anos, foi educada pela avó, Lillian Osborne, para quem a actriz Jessica Tandy serviu de modelo gráfico, actualmente a viver num lar por opção própria, para dar espaço a Julia para viver a sua vida.

Quase sempre fisicamente ausente, devido à exigente carreira de modelo profissional de sucesso (pesem alguns problemas relacionados com toxicodependência), Norma, a irmã mais nova de Julia, está muitas vezes no seu pensamento e é alvo de grande um cuidado protector por parte da criminologista.

Durante o dia, Julia vê-se também a braços com Emily Jones (“clone” de Whopi Goldberg), uma espécie de governanta, negra, muito enérgica e opinativa, para quem dois princípios são sagrados: os brancos só servem para tramar os pretos e uma mulher – Julia em especial – só pode realizar-se se tiver um homem. Ela é a responsável pela maior parte dos momentos divertidos ou inesperados, geralmente utilizados para quebrar a tensão das narrativas. Casada e divorciada várias vezes, Emily tem vários filhos, um dos quais, Lutero (Spike Lee), é um hacker que por vezes auxilia Julia quando os meios legais não são suficientes ou suficientemente expeditos.

Do ponto de vista profissional, da galeria de personagens fazem parte também o tenente da polícia Alan J. Webb (fisicamente inspirado no actor John Malkovich), que geralmente encabeça os casos que Julia acompanha e que com quem ela partilha uma relação de (quase) amor/ódio, não só pela atracção mútua que sentem mas também pela quase repulsa que as ideias opostas de um e outro provocam em ambos. Enquanto Julia é mais sensível, ponderada e liberal, Webb revela-se mais conservador, inflexível e repentista, o que frequentemente provoca acesas discussões entre os dois. Como mediador surge muitas vezes o “bom” sargento “Big” Ben Irving (cuja base foi o actor John Goodman), amante de boa comida, bonacheirão e bem-disposto, mas também competente na sua tarefa.

Entre as personagens recorrentes, embora menores na sua importância, contam-se o médico-legista James Tait, o Capitão Carter, um afro-americano (inspirado em Morgan Freeman), conciso e equilibrado que surge apenas em casos de maior importância, e o Procurador Michael Robson.

O lote completa-se com Leo Baxter, robusto detective particular que se assemelha a Nick Nolte, decidido e atlético, capaz de usar métodos menos ortodoxos quando necessário e amante de belas negras. E que de certa forma constitui com Julia e Webb os vértices de um inesperado triângulo amoroso, embora, pouco interessado numa relação duradoura, prefira considerar Julia mais como uma irmã do que uma mulher disponível. Situação que Julia, por vezes, parece desejar que fosse diferente.

Série policial realista, esta banda desenhada não tem um “vilão de serviço” como acontece frequentemente a outros níveis. A única adversária recorrente de Julia (se assim a podemos classificar), é a serial killer lésbica Myrna Harrod, atraída e obcecada pela criminóloga, que, depois de protagonizar o tríptico inicial das aventuras de Julia, regressa uma vez por outra a Garden City para espalhar o terror e a morte, sem que até agora tenha havido o confronto decisivo.

Estes são os protagonistas principais da série criada pelo italiano Giancarlo Berardi(V), cujo primeiro número viu a luz em Itália em Outubro de 1998, como mais uma integrante do (já de si imenso) universo Bonelli. Contando já no seu currículo com uma série de peso (e de culto) como Ken Parker, Berardi não desapontou os seus muitos seguidores e fãs, impregnando de novo com uma forte componente pessoal e intimista um relato que (apenas) de forma ligeira pode ser classificado como policial. Porque, se o crime (passional, informático, político…), o roubo e/ou o assassinato estão sempre presentes, a verdade é que as histórias têm também (e sempre) uma forte componente humana. Porque Julia, geralmente, mais do que desvendar o mistério ou apanhar os criminosos, pretende compreender  as suas razões e motivações. Prefere investigar a fundo o que motivou o criminoso, mais do que (ou tanto como) apanhá-lo. Como ela afirma, “Para a polícia, um assassino é somente um culpado. Já para a criminóloga, também interessa o quanto por sua vez é vítima. A violência é sempre fruto de outra violência”.(VI) E a forma como ela analisa cada caso, como encara cada culpado (ou inocente), muitas vezes é-nos revelada pela protagonista no seu diário, um artifício recorrente utilizado por Berardi, através do qual vamos também conhecendo os seus sentimentos, desejos, anseios e frustrações.

A par disto, a heroína – que só se pode definir assim enquanto protagonista de uma banda desenhada – vai bem para além das duas dimensões do papel em que as suas aventuras são impressas, revelando-se uma mulher com espessura, com vida própria, com vida para além da criminologia. Ou com falta dela pois, Julia revela-se tão decidida e eficaz profissionalmente, quanto insegura e temerosa no que respeita ao seu relacionamento com o outro sexo. O que não significa que relações com alguns dos homens com quem se vai cruzando não tenham lugar – e sejam muitas vezes consumadas sexualmente – embora terminem sempre ao fim de mais ou (geralmente) menos tempo, quer porque Julia receia avançar demais e perder a sua individualidade e auto-suficiência, quer porque os pontos comuns afinal não eram tantos como pareciam e Julia, embora carente, é sem dúvida exigente.

Neste contexto, não surpreende que Julia se envolva algumas vezes com os próprios criminosos quer afectiva (quando entende e de certa forma subscreve as suas motivações) quer mesmo fisicamente.

Ao lado de Berardi, na escrita dos guiões surgem por vezes Giuseppe De Nardo, Maurizio Montero e, principalmente, Lorenzo Calza. Este último, também músico de rap, trouxe para a série uma musicalidade – patente no ritmo das histórias em que participa e na utilização de temas musicais em diversas cenas – até aí pouco presente. Isso não retira, longe disso, a cada história tempo para respirar, para os avanços (e recuos) se fazerem ao ritmo das pausas ou da acção, tempo para os componentes da galeria de personagens ganharem consistência criarem (mais) cumplicidades com os leitores, tempo para os (novos) protagonistas em cada relato serem suficientemente desenvolvidos para ganharem credibilidade e sustentarem a(s suas) história(s). Até porque, em muitas das histórias, mesmo que por vezes o leitor já conheça mais da sua base do que os protagonistas, pois normalmente ela é narrada com o(a)(s) criminoso(a)(s) como protagonista(s) nas primeiras páginas de cada revista, há tempo para os investigadores seguirem pistas erradas ou paralelas, formularem teorias diversas, tal como, aliás, acontece com certeza na vida real.

Através das suas histórias, Berardi vai traçando retratos lúcidos mas não abonatórios da sociedade actual, da decadência de instituições como a família ou a polícia, questionando métodos e objectivos, para dar sempre o primeiro lugar ao ser humano, com as suas dúvidas e contradições.

A nível gráfico, como é normal nas edições Bonelli, Julia passa regularmente pelas mãos de diversos desenhadores(VII), o que obviamente provoca algumas oscilações a nível de traço e acabamento (de uma qualidade média bastante interessante)(VIII), menos notória no que diz respeito à planificação e uso diversificado de planos e pontos de vista, pois aqui os guiões de Berardi devem ter um peso mais específico. Globalmente, pode classificar-se o desenho como realista (ou não sejam tantos os actores utilizados como modelos para os intervenientes), firme, anatomicamente correcto, bem ritmado, de planificação pelo uso e (bom) abuso de pequenos gestos, olhares e da utilização de pormenores aparentemente sem importância mas que, todos juntos, ajudam a definir o ambiente exigido e a conduzir o relato ao ritmo pretendido.

Recorrentemente apontado como um dos melhores títulos disponíveis no Brasil, no momento em que estas linhas forem lidas, “J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga” já poderá ter sido cancelado. Os leitores portugueses, poderão encontrá-lo ainda durante alguns meses nos nossos quiosques e bancas. E acreditem que, mesmo que o aspecto da edição não seja convidativo para quem está habituado à cor e qualidade gráfica do franco-belga ou dos comics, vale a pena descobrir Julia e o universo realista que Berardi desenvolveu com mestria ao seu redor.


(I) O título refere-se à notícia, revelada no início de Julho, de que a revista mensal brasileira “J. Kendall – Aventuras de uma criminosa”, editada pelo Mythos Editora desde Novembro de 2004, podia chegar ao fim no nº 67, “devido às baixas vendas e aos altos custos redaccionais e gráficos”. A onda de pesar levantada, levou a editora a fornecer-lhe um curto balão de oxigénio garantindo a sua publicação até ao nº 71, datado deste mês de Outubro. A última informação disponível dava conta de que pelo menos a edição #72 vai ser publicada.
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(II)
In “Júlia #1”, Mythos Editora, Novembro de 2004, página 20. Não, não há engano no título da revista: intitulada “Julia” em Itália, esta série teve o mesmo título no Brasil, mas apenas durante os primeiros quatro números, tendo depois que ser mudado para o actual “J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga” para não ser confundida com uma outra publicação homónima, dedicada a romances cor-de-rosa.
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(III)
O anúncio do fim da revista levou à criação de uma série de iniciativas em sites e blogs para tentar obstar ao seu cancelamento e, já neste início de Outubro, a publicação foi distinguida com o Troféu HQMix (o mais importante do género no Brasil) como melhor Publicação de Aventura/Terror/Ficção publicada no Brasil no último ano.
.(IV) A par da série principal, desde 2005 é publicado em Itália (e desde 2006 no Brasil) um especial anual – “Almanacco del Giallo”/”Almanaque Mistério” – que narra as aventuras de Julia quando ainda era estudante da faculdade, com as contradições e hesitações próprias da idade mas já com todas as suas características futuras: a queda para se apaixonar pelo(s) homem(ns) errado(s); a insegurança, embora condimentada com mais ilusões e alguma impetuosidade, próprias da sua juventude; a inteligência e capacidade dedutiva que lhe garantirão o sucesso profissional futuro, embora atenuadas pela sua inexperiência.
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(V)
Berardi nasceu em Génova, na Itália, a 15 de novembro de 1949. Depois de experiências como autor e actor teatral e guitarrista da banda Gli Scorpioni, virou-se para os quadradinhos onde chegou a escrever histórias de Tarzan, Diabolik ou Mickey. Em 1974, criou Ken Parker com Ivo Milazzo, um western humanista muito saudado pela crítica e que lhe proporcionou uma legião de fãs, mesmo fora do meio habitual dos quadradinhos.
(VI) In “Júlia #1”, Mythos Editora, Novembro de 2004, página 94.
(VII) Laura Zuccheri é um dos nomes mais recorrentes, mas pelas suas páginas também já passaram autores como o grande Sergio Toppi (! – no nº11), Steve Boraley ou Giorgio Trevisan, entre diversos outros.
(VIII) Infelizmente, nem sempre é possível aquilatar este aspecto através das edições da Mythos, no seu habitual pequeno formato (135 x 175 mm), papel fraco e uma impressão (a preto e branco) que muitas vezes deixa a desejar no que às manchas de preto diz respeito. Este é, aliás, um dos motivos (a par da pouca divulgação por parte da editora) que muitos apontam para as fracas vendas da revista no Brasil, onde tem que fazer face a um mercado com uma enorme quantidade de oferta, geralmente com maior qualidade gráfica. A versão original italiana é maior (160 x 210 mm) e tem melhor papel e impressão. Uma nota final para referir que, contrariamente ao que é habitual nas edições Bonelli, cada número da revista conta 132 páginas e não as habituais 100.

Copyright: © 2010 BDJornal; Pedro Cleto
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Entrevista com o fã e coleccionador: Arlindo José Canejo

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu?
O que faz profissionalmente?

Arlindo José Canejo: Nasci em 1973 em Ouricuri, município brasileiro do Estado de Pernambuco e sou locutor de uma rádio, a Rádio Voluntários da Pátria AM, onde tenho um programa à noite com muitos ouvintes internautas, inclusive já toquei a balada de Tex nesse programa.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Arlindo José Canejo: Comecei lendo Conan e outras revistas, coleccionando inclusive o Homem-Aranha, tendo lido toda a saga do Clone. De Conan eu li, A Rainha da Costa Negra, uma super-saga… depois li várias revistas do Zagor, até descobrir e me identificar com Tex.

Quando descobriu Tex?
Arlindo José Canejo: Minha paixão por Tex Willer? Nasceu em 1985, quando um professor, coleccionador na época, o colega José Ailton me emprestou a revista “Na Pista de El Lobo” (Tex nº 227). Depois ele deu-me toda a sua colecção e continuei a partir do ponto em que ele tinha parado, mas a história que me cativou de verdade foi “O Navio do Deserto” (Tex nº 236), pois desde então não parei mais de coleccionar Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Arlindo José Canejo: Hoje em dia não se vê pessoas apaixonadas pelo Velho Oeste. Tex mostra o seu verdadeiro eu na luta pela igualdade social entre brancos e índios e luta por uma sociedade melhor, como vemos nos dias de hoje. Tex tornou-se um vicio positivo na minha vida, pois acompanho o Ranger há 10 anos. Quando vem uma revista com histórias completas como Tex Ouro, Tex Férias, Tex Edição Histórica, Grandes Clássicos do Tex, delicio-me porque eu dispenso a leitura das revistas em continuação, mas colecciono-as porque na verdade o importante é ter a colecção completa. Mas a minha paixão por Tex é tanta que há algum tempo atrás, tentei gravar um CD fazendo várias vozes diferentes lendo a revista de Tex, para dar a alguns amigos, algo parecido com o que fiz há 12 anos atrás numa cassete áudio.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Arlindo José Canejo: Apesar de já ter lutado com o sobrenatural, Mefisto e Yama sobretudo mas não só, Tex mostra momentos verdadeiros na nossa vida e as suas histórias de ficção sempre têm um toque de realidade. Já li todo o tipo de banda desenhada inclusive super-heróis Marvel ou DC, mas onde me encanto mesmo é com Tex. Há também algumas histórias tristes e que podemos estranhar quando as lemos como por exemplo “O Preço da Honra” (Tex nº 438) e “A Força do Destino” (Almanaque Tex nº 30). Nesta última vemos Tex a assistir impotente à execução de um homem, o índio Santos, mesmo contra a sua vontade e este tipo de histórias deveriam acontecer mais frequentemente, pois dão mais vida real à personagem.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Arlindo José Canejo: Infelizmente não tenho a colecção toda, pois as distribuidoras não cumprem o objectivo na íntegra aos coleccionadores, inclusive nem as reclamações feitas pelos coleccionadores nas bancas fazem melhorar a distribuição e por vezes alguns números não aparecem, mas mesmo assim tenho uma colecção considerável de revista do meu ídolo…
Quanto à história mais importante entre os títulos publicados, amo todas, mas a ter que escolher uma em especial, escolho a história que li e que me fez apaixonar por Tex, “O Navio do Deserto”, inclusive já a li mais de sete vezes e consigo até contar toda a história de cor.

Colecciona apenas livros da personagem italiana ou tem mais alguma colecção?
Arlindo José Canejo: A minha paixão musical na qual eu tenho um grande orgulho, também com discos, CD’s, DVD’s, fotos, álbuns de fotos e recortes de jornais e revistas, quadros e pósteres de Michael Jackson, o qual perdemos recentemente é a minha outra grande colecção, pois tenho toda a colecção de músicas lançada por ele. Não danço como Michael Jackson, mas é um ídolo o qual colecciono há mais de 19 anos. Fora isso só filmes em colecções de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Steven Seagal e Jean-Claude Van Damme.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Arlindo José Canejo: Eu sempre sonhei em usar uma estrela de Ranger igual à de Tex, de preferência dourada. Deviam lançar uma de brinde na revista anual, pois eu uso o chaveiro do Tex que também saiu de brinde num Tex Anual. Tenho também uma galeria de quadros do Tex, a qual penso em alimentar um pouco mais a cada mês, além de já ter também o póster gigante de Tex na parede.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Arlindo José Canejo: “Terra Prometida” (Tex nº 95) mas também gosto muito de “Dez Anos Depois” (Tex nº 470), pois é uma das melhores que já li. Quanto a desenhadores, os meus preferidos são Cláudio Villa, Guglielmo Letteri e Erio Nicolò. Relativamente aos argumentistas, não tenho preferência, todos são muito bons.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Arlindo José Canejo: Tex deveria ter uma saga de umas 10 revistas, abordando mais o passado dos pards, mexendo mais com o particular de cada um. O que não me agrada é a questão de vida de um homem que se preocupa apenas com os outros. Tex precisa de um outro amor, assim como os parceiros de se envolverem também em laços amorosos, riscos de mortes, desaparecimentos de cada um, para colocar mais drama no leitor, fazer o leitor chorar mesmo pela personagem, entendem?
Tex não leva um tiro certeiro no meio de uma parada de bandoleiros? Isso vale para todos os 4 pards. Lógico que não é matar a personagem principal, mas dar mais continuidade à acção da revista. Gosto também quando relembram alguma outra personagem de uma história passada de uma outra revista e isso deveria inclusive acontecer mais vezes. Também deveriam fazer um novo filme de Tex com os pards, pois quem sabe se agora não daria certo a ponto de sair uma triologia texiana. Igualmente poderiam realizar um desenho animado com Tex e Zagor, pois uma série com ambos seria excelente. Para além de tudo isto também se lucraria com outros itens decorrentes, tais como pósteres, revistas e tudo mais…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Arlindo José Canejo: Bem, Tex é o herói que todo mundo sonha, o clássico mocinho do Oeste Selvagem, amigo, bondoso, intolerante com o mal intencionado, cheio de sentimentos, idealista, calculista, enfim, um herói que todos queriam ser.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Arlindo José Canejo: Não, na minha cidade por incrível que pareça, só eu colecciono Tex, pois há muitos leitores que lêem, mas não coleccionam como eu.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Arlindo José Canejo: Só sucesso! Daí prevejo um futuro cada vez melhor, pois Tex tem um futuro ainda muito mais brilhante, podem crer. Demos graças a Manitu e que este o proteja.
Um abraço a todos que fazem Tex acontecer e que Deus abençoe a todos.

Prezado pard Arlindo José Canejo, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Tex volta a ser publicado em Espanha

Por José Carlos Francisco

Depois de alguns anos de ausência, em Dezembro, mais precisamente dia 10, e por solicitação popular, TEX, o lendário herói criado por G. L. Bonelli, volta a ser publicado em Espanha e pela mãos dos lendários mestres espanhóis: Víctor de la Fuente, José Ortiz, Manfred Sommer, Antonio Segura ou Jesús Blasco são alguns dos autores espanhóis que veremos na nova colecção trimestral da Aleta Ediciones.

Colecção essa que será inaugurada com a aventura “Llamas sobre Arizona“, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Víctor de la Fuente e que terá um custo de 15,00€. No original “Fiamme sull’Arizona” (no Brasil: “Arizona em Chamas“), é o título que leva o quinto Texone, editado na Itália em Junho de 1992 e que apresenta um argumento de Claudio Nizzi, em que Tex e Carson devem tentar por todos os meios ao seu alcance, evitar uma guerra com os Apaches. Sergio Bonelli explica-nos na introdução do álbum que para a ocasião, Nizzi construiu um argumento com apaches, mexicanos e deserto tentando adaptar-se às qualidades do desenhador  espanhol, que fica na história como sendo o primeiro desenhador não nascido na Itália a ilustrar um dos álbuns especiais de Tex.

Mas as novidades Bonellianas em Espanha não se ficam por Tex, pois Júlia Kendall, de Giancarlo Berardi também será editada em  Espanha pela Aleta a partir de Janeiro de 2011. Terá uma periodicidade bimestral e cada número espanhol conterá duas edições italianas (divulgamos aqui em baixo a capa espanhola de Júlia nº 1).

Entretanto também conseguimos apurar que a Aleta também está a preparar futuras edições espanholas de Volto Nascosto, Caravan e Demian, caso as vendas dos fumetti continuem a ter níveis satisfatórios. Recorde-se que a Aleta já publica há algum tempo Dylan Dog, Martin Mystère, Dampyr, Nathan Never e Brad Barron, este último com vendas relativamente fracas que parecem inviabilizar inclusive as 3 publicações especiais que se seguiram na Itália após o findar da mini-série e que parecem querer dizer que ao contrário da Itália, as mini-séries Bonelli em Espanha não serão o sucesso esperado, daí ainda não haver certezas absolutas quanto à publicação de Volto Nascosto, Caravan e Demian que na Itália também nasceram como mini-séries…

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