Esboços alternativos de capas de Tex, da autoria de Claudio Villa

Por José Carlos Francisco

Pelos mais variados motivos, alguns desenhos e estudos para capas de Tex foram sendo modificados ou mesmo reprovados, conforme foram sendo “evoluídos”, até se chegar à capa eleita que vai para a gráfica, ou seja, o trabalho de Claudio Villa em cada capa de Tex, passa por sucessivas fases de realização conforme já por várias vezes mostramos aqui mesmo no blogue do Tex e hoje damos a conhecer mais dois exemplos desses esboços que tornaram-se assim obras inéditas e por isso mesmo desconhecidas pela maior parte dos leitores e fãs de Tex.

De modo a que possam ser admiradas e comentadas e  também para eventual comparação mostramos os esboços das capas nº 577 e 588 (note-se que no esboço há um lapso de Claudio Villa que classificou esta última como sendo a capa nº 589) ao lado das respectivas capas publicadas.

Tex # 577:


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Tex # 588:


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COLECCIONÁVEIS TEX: MÍDIA IMPRESSA TEMÁTICA

Por Ezequiel Guimarães *

COLECCIONAR WIZARD? WIZMANIA? MUNDO DOS SUPER-HERÓIS? BDJORNAL? GRAPHIQ? POR CAUSA DE TEX? COMO ASSIM?

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Muitos gostam de algumas personagens de BD´s (HQ’s no Brasil); muitos gostam de muitas personagens; mas o facto é que sempre tem aquelas personagens favoritas, e entre elas a MAIS favorita. Embora cada leitor possa listar várias personagens mais queridas, se for questionado, sempre vai ter “aquela” personagem como sendo a mais favorita.

Sobre essa personagem, muitos gostam apenas de ler, e trocam os seus exemplares por outras edições, de outras personagens ou até da mesma personagem. Mas há aqueles que por gostarem tanto de uma determinada personagem, acabam  por não se desfazerem de suas edições, dando início assim a uma colecção.

Esses fãs, em dado momento, podem subir uma escala maior na categoria, e somarem “nático”, ou seja, chegam ao patamar de “fanáticos” (no bom sentido, é claro). Para esses, só as histórias não bastam mais, a “sede” pela personagem aumenta, então eles querem saber mais, ler sobre o ambiente das histórias, saber sobre os roteiristas, ler sobre a história editorial da personagem, conhecer sobre as influências dos criadores, ler resenhas de histórias; ler comentários, matérias, sobre a personagem, sobre o género literário no qual ela está inserida, enfim, ler “tudo que puder” sobre a sua personagem favorita.

Acima desse fanático ou numa escala evolutiva desse bom fanatismo, existem aqueles que além de gostar de ler esse material temático, passam também a coleccioná-lo, que também, como as edições normais das histórias, têm as suas edições raras, disputadas a sopapo pelos coleccionadores.

Esse material que falo, são os jornais, revistas e livros que abordam sobre a personagem e seu mundo, ou seja, a mídia impressa temática. Esse assunto é bem amplo, mas vamos nos ater aqui à parte das revistas e jornais voltados ao segmento BD e também os fanzines. Os livros são um caso à parte; e existem também jornais que não são temáticos às BDs mas trazem matérias sobre alguma personagem (como temos vários casos de Tex em Portugal, por exemplo), mas nesse caso específico, foge ao escopo deste post.

Com maior ou menor profundidade, nesse material temático encontramos muitas matérias interessantes para ampliarmos o nosso conhecimento sobre TEX e o seu mundo: a parte editorial brasileira, a história editorial italiana, curiosidades sobre Tex (Tex tem até selo!!!); entrevistas reveladoras com argumentistas e roteiristas, entrevistas interessantíssimas com desenhadores; informações sobre o género literário no qual Tex está inserido; como foram os eventos e exposições texianas no Brasil e em Portugal; história editorial do ranger na Argentina; informações sobre o lançamento de publicações que falam sobre Tex; abordagens sobre temas históricos na obra do ranger; e muito, muito mais.

Logo mais abaixo está uma relação de jornais e revistas temáticas voltadas ao segmento BD e fanzines com o respectivo material sobre TEX, em ordem cronológica geral e dentro das publicações. Listei apenas as edições em língua portuguesa, abrangendo Brasil e Portugal, pois para a maioria dos fãs, acaba se tornando um material mais acessível na questão linguística e também na questão financeira, para apenas ler, ou para, como muitos fazem, coleccionar.
(Aliás, curiosamente, a maior e mais importante parte dessas publicações são de origem portuguesa, apesar de Tex nunca ter sido editado em Portugal; então, elas acabam preenchendo uma lacuna que existe na parte brasileira, e acabam se auto-completando).

É interessante também ter esse material mas do mercado italiano (o maior do mundo no quesito Tex), ou até de qualquer língua do mundo; desde que o possuidor possa ler e entender o que está escrito, senão chegamos aí no ponto do ultra-fanatismo, que também foge ao propósito deste post.

Caso você saiba de algum fanzine ou revista/jornal temático voltado ao segmento de BD com matéria sobre TEX (em língua portuguesa), por favor mande a sua informação para que possamos adicioná-la na lista abaixo. E também pode ser informação sobre as próprias publicações listadas abaixo, já que não foram conferidas todas as edições publicadas até hoje. Assim, aqui você terá um guia actualizado sobre esse assunto (regularmente esta relação será actualizada).

Por exemplo, se você tiver conhecimento de matérias texianas nas seguintes publicações: “Super Club” (editora Canaã), “HQ Mania” (Magnun), “Comix Book Shop” (Opera Graphica), MultiCômix” (Cedibra), “Herói” (Sampa), “HQ” (Palermo), Jornal HQ (Palermo), ou outras, não deixe de nos informar. (Observação: cada listagem do que quer que seja precisa de algumas regras; as utilizadas para que as edições constassem abaixo foram as seguintes:

Continua na Parte 2 – ATENÇÃO: Devido à inclusão de novos itens, a  ´Lista de regras´ e a ´Relação de Publicações´ foram revisadas, corrigidas e ampliadas, e movidas para a “Parte 2”, que pode aceder clicando aqui! E também foi incluído uma pequena explicação sobre a ´Lista de regras´ e o motivo destes posts.

* (Agradeço a Júlio Schneider e a José Carlos Francisco pelas informações referentes a algumas edições).

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Entrevista com o fã e coleccionador: Alci Morais Silveira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Alci Silveira: O meu nome completo é Alci Morais Silveira, nasci em Alegrete, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 15 de Maio de 1967, sou professor de História e actualmente trabalho com venda de revistas, já possuo uma distribuidora e atendo 180 pontos de venda na região Oeste do Rio Grande do Sul, abrangendo as cidades de Alegrete, Rosário do Sul, São Francisco, Manoel Viana, Quarai, Santiago e Uruguaiana.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Alci Silveira: Desde pequeno que me interessei por quadradinhos, pois os meus tios sempre leram muito, todos os tipos de revistas, e isso ajudou-me a desenvolver o interesse desde muito cedo.

Quando descobriu Tex?
Alci Silveira: Como falei anteriormente, o meu tio comprava vários tipos de revistas e felizmente Tex estava entre elas. Era uma época que as crianças gostavam muito do género pois este estava em evidência nos cinemas com os filmes de cowboys e um dos sonhos de consumo da criançada eram os fortes apaches de brinquedo, no natal de 1973 eu ganhei um e isso despertou ainda mais o meu interesse por tudo que se relacionasse a isso. Foi aí que Tex entrou definitivamente na minha vida, no começo eu não sabia ler e era uma minha tia que lia para mim, eu ficava fascinado. Demorei mais de um ano para aprender a ler e até hoje lembro perfeitamente o primeiro Tex que li sozinho, o numero 39 “A Batalha dos Vingadores” de Abril de 1974, e foi nesse momento que resolvi começar a minha colecção e desde então são quase 37 anos de muita emoção junto ao maravilhoso mundo de Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Alci Silveira: Não tem explicação quando se fala de coisas do coração, mas dá para afirmar que essa paixão infantil, transformou-se num amor maduro e que será eterno enquanto eu viver.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Alci Silveira: É difícil dizer, pois todos os heróis têm uma mesma postura, um senso de justiça e lealdade, o que o torna diferente dos outros é que ele é apenas um homem, não possuindo nenhum super poder, apenas coragem e determinação.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Alci Silveira: Eu tenho tudo o que saiu no Brasil de 1971 até os dias actuais, mais o filme em VHS e DVD, álbum de figurinhas completo, livros e algumas edições italianas. A quantia certa não sei, nunca parei para contar, e a mais importante para mim foi a primeira da minha colecção, o número 39 “A Batalha dos Vingadores”; uma curiosidade, essa é a única capa em que Tex não aparece.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Alci Silveira: Tudo o que diz respeito a Tex eu colecciono, e o que ainda não tenho espero conseguir no futuro.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Alci Silveira: Eu gostaria de ter a colecção italiana completa, mas tenho a certeza que um dia eu a  terei.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Alci Silveira: Difícil escolher uma história, prefiro apontar três: “Desfiladeiro da Morte” e “A Ponte Trágica” (edições nº 48 e 49),”A Noite dos Assassinos” (58) e “Flechas Pretas Assassinas”, “Tambores de Guerra” e “Na Polícia Montada” (edições nº 50 a 52). Já o meu desenhador favorito é Giovanni Ticci e o argumentista é G. L. Bonelli sem dúvida, até porque foi o criador.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Alci Silveira: O que mais me agrada em Tex é o seu senso de justiça. Já o que menos me agrada não diz respeito à personagem em si, mas sim à história pois muitas vezes temos uma boa história e um mau desenho e isso deixa-me muito chateado.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Alci Silveira: Uma série de factores, desde o trabalho da sua editora, a atenção que ela reserva à personagem, tudo o que se refere a Tex é bem feito, com um padrão de qualidade e principalmente a personagem Tex, com as suas características ímpares, exemplo de carácter, liderança, bravura, amizade e respeito.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Alci Silveira: Sim, com frequência, e tenho muitas amizades que surgiram desse gosto em comum. Lamentei muito não ter ido a São Paulo para conhecer Fabio Civitelli, mas com certeza vai surgir outra oportunidade e estarei lá.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Alci Silveira: O nosso Ranger é imortal, isso podemos afirmar com certeza: nós passaremos, ele ficará para sempre. Quanto ao seu futuro editorial a nível de Brasil, eu vejo com preocupação pois as novas gerações não se interessam mais por histórias em quadradinhos de todos os géneros. E nós, velhos coleccionadores, ainda poderemos manter a personagem italiana por quantos anos?

Prezado pard Alci Morais Silveira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Fabio Civitelli: 30 com louvor

FABIO CIVITELLI: 30 COM LOUVOR

Por Saverio Ceri

Muitos comemoraram o ano passado, os 25 anos de carreira Texiana de Fabio Civitelli. Poucos notaram que alguns meses antes, o desenhador aretino comemorou mais um importante marco na sua carreira: os 30 anos na casa Bonelli. A estreia de Civitelli para o editor da Via Buonarroti remonta de facto à edição de Mister No nº 65, datada de Outubro de 1980. Foi Alfredo Castelli quem realizou o baptismo do agora decano desenhador, que em poucos anos se tornou um dos pilares da colecção dedicada ao piloto Amazónico, para depois passar em 1985 às páginas da série principal da editora Bonelli: Tex.

Nestes últimos 30 anos bonellianos o nosso Fabio produziu oficialmente 4.918 páginas; a estas devem ser adicionadas a fim de manter-se dentro do âmbito bonelliano, as 16 páginas de “Il duello” (“O Duelo“) uma das poucas histórias fora-de-série de Tex, realizada totalmente em Technicolor em dupla com Claudio Nizzi para o semanal Specchio, em 1998, e ” Segnali di fumo“, uma página auto-conclusiva igualmente de Tex, sempre com Nizzi, para o livro ” Il riposo del guerriero ” (“O repouso do guerreiro“) das Edições Hazard em 2004.

Mas vamos às cifras oficiais:
Quatro são as colecções que já albergaram as páginas de Civitelli: Tex, Mister No, Collana Almanacchi e Orient Express.

3.572 páginas de Tex,
1.334 páginas de Mister No
e 12 aquelas de “Pomeriggio Cubano”, episódio auto-conclusivo publicado na revista Orient Express nº 15, em 1983.

Dezassete, até hoje, as aventuras de Tex nas quais trabalhou Fabio Civitelli, oito as de Mister No.

Curiosamente, ao contrário do que se poderia pensar, a “carreira” mais longa é a realizada em Mister No. Se efectivamente as primeiras páginas foram publicadas em 1980, a última apareceu 26 anos após, no decurso da última e longuíssima aventura de Jerry Drake.

Primado aquele do anti-herói nolittano destinado a ser batido em breve: se é verdade, objectivamente, que a “carreira” de Civitelli em Tex atingiu os 24 anos (1985-2009), também é verdade que com a próxima aventura do Ranger que será publicada com a assinatura do nosso Fabio, as hierarquias serão restabelecidas e Águia da Noite será novamente a personagem na qual Civitelli trabalhou por um período maior de tempo.

Nove são os escritores que escreveram as suas histórias; ei-los em rigorosa ordem de quantidade:
Nizzi 3.418
Castelli 377
Sclavi 303
G. L. Bonelli 268
Manfredi 220
E. Missaglia 198
Boselli 94
Nolitta 28
Ferrandino 12

Duas considerações: Claudio Nizzi é de longe o companheiro de aventuras preferido de Civitelli, pois cerca de 70% das suas páginas foram escritas pelo argumentista de Fiumalbo; Civitelli é também o único desenhador que pode se orgulhar de ter trabalhado com os cinco mais prolíficos escritores de todos os tempos da editora Bonelli, pois trabalhou em roteiros de G.L. Bonelli, Nizzi, Nolitta, Castelli e Boselli.

A aventura mais longa realizada por Civitelli é “Gli spiriti della notte” (“Os espíritos da noite“, Tex’s brasileiros nº 256 a 259), 369 páginas com textos de Nizzi, a mais breve é “Pomeriggio Cubano”, 12 páginas escritas por Ferrandino para a revista Orient Express nº 15.

O ano mais prolífico para Fabio Civitelli foi  o de 1982 com 465 páginas publicadas, seguido das 406 páginas em 1983 e das 369 em 1989. O quinto posto é a posição mais alta alcançada por Civitelli na classificação de páginas publicadas anualmente pelos desenhadores bonellianos; aconteceu por três vezes: 1982, 1986 e 1989.

Obviamente, o menor número de páginas anuais é 0, e isso aconteceu por dez vezes. O período de abstinência maior para os seus fãs foi de dois anos e meio, entre 1997 e 2000, entre as edições italianas de Tex 445 a 475.

As 4.918 páginas realizadas levaram, aos dias de hoje, Civitelli a ser o 20º desenhador mais produtivo de todos os tempos da editora Bonelli e o 7º desenhador de Tex e também o 7º de Mister No. Resultados de todo respeitáveis, destinados a melhorarem nos próximos anos, que consagrarão, graças a um Texone (Tex Gigante) por ele desenhado, Fabio Civitelli como um dos grandes artistas da banda desenhada mundial e não somente de Itália.

Saverio Ceri

Material apresentado no blogue de Moreno Burattini em 28/02/2011; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2011, Moreno Burattini & Saverio Ceri

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