O elogio da dupla a propósito de Ivo MILAZZO

Texto da revista “Splaft!” nº 7 (Caderno Informativo da Bedeteca de Beja – catálogo do Festival), de Maio de 2011.

* João Miguel Lameiras
Crítico de banda desenhada no jornal As Beiras
Autor do
blog Por um punhado de imagens

O ELOGIO DA DUPLA, A PROPÓSITO DE IVO MILAZZO

De Pratt a Manara, de Battaglia a Toppi, de Giardino a Magnus, de Buzelli a Gianni de Luca, de Liberatore a Crepax, passando pelas dezenas de artistas que todos os meses produzem milhares de páginas para as revistas da editora Bonelli, Itália é um verdadeiro viveiro de grandes desenhadores de Banda Desenhada, tal como o foi, durante o Renascimento, de pintores, escultores e arquitectos.

Ivo Milazzo, o mestre italiano que o Festival de BD de Beja traz finalmente a Portugal, é um desses Mestre dos fumetti, nome dado à BD em Itália. Um desenhador com uma carreira de quarenta anos, marcada pela diversidade de géneros, numa fase inicial, que abarca desde histórias de Tarzan para o mercado francês, até coisas tão díspares, como o Pato Donald ou Tio Patinhas, até Diabolik, antes de se decidir definitivamente pelo estilo realista, patente nos seus trabalhos para as séries Nick Raider e Mágico Vento, para só falar nas séries da Bonelli em que colaborou.

Mas, para mim, o nome de Ivo Milazzo, evoca imediatamente outro nome, o do argumentista Giancarlo Berardi, com quem forma uma das mais sólidas duplas dos fumetti, responsável, entre (muitas) outras coisas, pela série Ken Parker, único título da dupla editado em Portugal, primeiro na revista Selecções BD e posteriormente pela Asa, em dois belos álbuns a cores.
Criado em 1974, Ken Parker chegaria às bancas italianas com revista própria em 1977, numa arriscada (mas bem sucedida) aposta do editor Sergio Bonelli num western diferente do Tex que lhe deu fama e fortuna. Um Western mais intimista, mais próximo da natureza, protagonizado por pessoas vulgares, que vivem os seus dramas como qualquer mortal. Mais do que um cowboy, Parker é um caçador, na linha da personagem interpretado por Robert Redford no filme Jeremiah Johnson, de Sidney Polack (que passou em Portugal com o título As Brancas Montanhas da Morte) a quem aliás vai buscar os traços fisionómicos.

Num mercado como o italiano, em que as equipas criativas alternam bastante,  Berardi e Milazzo constituem um caso à parte, assumindo Ken Parker como um projecto marcadamente pessoal, que traduz os gostos e as referências cinematográficas e literárias dos seus criadores, alimentadas numa infância e adolescência passadas em grande parte nos cinemas de Génova.

Depois de ter descoberto com Ken Parker, o traço personalizado de Milazzo, um desenho extremamente depurado, mas de grande força plástica e rigor de composição, com um enorme dinamismo, na linha de outro grande mestre italiano, Hugo Pratt, voltei a encontrá-lo em Sangue no Colorado, um “Texone” escrito por Claudio Nizzi, em que o desenhador prova que está tão à vontade nas aventuras cheias de acção do ranger Tex, como a desenhar as aventuras mais intimistas do caçador Ken Parker.

Graças às edições da Mythos e da Ópera Gráphica, importadas do Brasil, pude ir matando saudades da dupla Berardi/Milazzo, em aventuras de Ken Parker, ou em histórias curtas sem heróis, como as recolhidas nos álbuns Contrastes e Noturno, mas do que li, os momentos mais inspirados desta dupla em perfeita sintonia, são duas histórias de Ken Parker: A Terra dos Heróis, uma pérola de metalinguagem, em que os autores surgem com personagens e o herói dialoga com os leitores, repleta de homenagens cinematográficas e Um Príncipe para Norma, em que o traço depurado de Milazzo dialoga com o desenho carregado de Giorgio Trevisan, numa belíssima homenagem a Marilyn Monroe.

Mais recentemente, voltei a encontrar o desenho de Milazzo, agora enriquecido pela cor directa, em Impeesa, uma biografia em BD de Baden Powell, o fundador do escutismo, escrita por Paolo Fizzarotti, mas, apesar da eficácia do argumento de Fizzarotti, confesso que senti alguma estranheza quando me apercebi que, na capa, ao lado do de Milazzo, estava outro nome que não o de Berardi…

Copyright: © 2011 Revista “Splaft!“; João Miguel Lameiras

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O BDjornal #27 já está na rua e mais uma vez dá um amplo destaque a Tex Willer

Para conhecimento dos amantes da 9ª Arte e em especial para os fãs e coleccionadores portugueses (e brasileiros) de Tex, informamos que  o BDjornal #27 (que traz um total de 5 páginas dedicadas a Tex Willer, com textos da autoria de José Carlos Francisco, Pedro Cleto e Saverio Ceri) já está à venda, tendo inclusive o lançamento ocorrido aquando da abertura da VII Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja.

O BDjornal tem o formato de 275 x 205 mm e contém neste número 112 páginas em impressão digital, capa em cartolina de 200 gramas plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 gramas, com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas especializadas, com um custo de 8,00 €.

EDITORIAL DO BDjornal # 27:

Fernando Relvas, um dos nomes maiores da BD portuguesa, esteve ausente no estrangeiro durante quase oito anos, como muita gente saberá. Quisemos marcar o seu regresso com um grande dossier (29 páginas), onde se podem destacar não só a Bio-bibliografia mais completa deste autor realizada até hoje – e mesmo assim incompleta, tal a amplitude e variedade dos projectos que realizou, em trinta e sete anos de carreira – complementada por uma extensa entrevista, para “pôr a escrita em dia” e sete pranchas, parte de uma banda desenhada intitulada Kriks, O Trabalhador Ideal, que foi publicada inicialmente em inglês, como webcomic semanal, num blogue. De qualquer modo, convém dizer que esta matéria sobre Relvas foi pensada em Fevereiro de 2010, aquando da preparação da entrevista com Diniz Conefrey para o BDj #26 e sobretudo, devido ao texto de Conefrey, Fernando Relvas, O Abismo do Autor, também publicado nessa edição do BDj. Ainda longe, portanto, de se saber que Relvas iria regressar a Lisboa e que, mercê desse regresso, viria a ser convidado para expôr o seu trabalho nos Festivais de BD de Beja e da Amadora deste ano.

Por outro lado, e como este BDjornal é longo, o mais longo que se realizou até hoje, referimos outras matérias de grande interesse, começando pelo texto onde João Miguel Lameiras nos descreve o que foi a espantosa exposição Transforme, que mostrou as Metamorfoses de Moebius na Fondation Cartier pour l’Art Contemporain.

Apresentamos ainda duas entrevistas, com Fil e André Oliveira, sobre o Projecto Zona, para nos contarem esta verdadeira aventura no mundo da edição de BD neste país.

Um projecto antigo, de divulgar regularmente alguns fanzines que merecem destaque, vê agora realização: convidámos o Fanzine Terminal, do Algarve, construído e editado pelo incansável Phermad desde 1998, ano em que foi lançado o primeiro número. Apresenta-nos aqui doze autores que convém ter em atenção.

Por último, destacamos o início da colaboração de Wagner Macedo no BDjornal, num importante contributo para o intercâmbio lusófono, que andamos a tecer há alguns anos com o Brasil. Faltará agora termos algumas respostas dos nossos amigos angolanos Olímpio e Lindomar de Sousa, para que o BDjornal possa estender essa teia a Angola, com o objectivo de, mais tarde, podermos estar também em outras paragens da Banda Desenhada que se escreva em português.

J. Machado-Dias

SUMÁRIO

CAPA: Ilustração de Fernando Relvas – Pormenor de uma vinheta da novela gráfica Li Moonface.

4 – TINTA NOS NERVOS – UMA EXPOSIÇÃO ÚNICA DE BD PORTUGUESA, J. Machado-Dias
7 – FERNANDO RELVAS, O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO, João Miguel Lameiras
12 – FERNANDO RELVAS – PARA UMA BIO-BIBLIOGRAFIA, J. Machado-Dias
16 – O REGRESSO DO URSO – ENTREVISTA COM FERNANDO RELVAS, (a mais completa bio-bibliografia do autor feita até hoje), J. Machado-Dias
24 – BD – KRIKS, O TRABALHADOR IDEAL, Fernando Relvas e Nina Govedarica
30 – TRANSEFORME – AS METAMORFOSES DE MOEBIUS NA FUNDAÇÃO CARTIER, João Miguel Lameiras
32 – CRÓNICA DO MAU PASTOR, Diniz Conefrey
34 – AS AVENTURAS DE TINTIN NOS JORNAIS PORtugueses, Leonardo De Sá
37 – DOSSIER FANZINE CONVIDADO: TERMINAL, Vários Autores
57 – BD – JAMAICAN, Wilson Vieira (Arg.) e Angelo Roncalle (Des.)
67 – BD – SAMIRA 2 (+arte 1 de 2), Selma Pimentel
77 – SYNCOPATED – AN ANTHOLOGY OF NONFICTION PICTO-ESSAYS, Sara Figueiredo Costa
78 – O AMOR INFINITO QUE TE TENHO, Pedro Vieira Moura
79 – DESTRUIÇÃO!, Pedro Vieira Moura
80 – VOYAGE – AUX ÎLES DE LA DÉSOLATION, Pedro Cleto
81 – FAR AWAY, Pedro Cleto
82 – O OESTE SEGUNDO CIVITELLI, Pedro Cleto
83 – SEISCENTAS EDIÇÕES DE TEX, José Carlos Francisco
84 – TEX EM NÚMEROS, Saverio Ceri
86 – TEX WILLER – A HISTÓRIA DA MINHA VIDA, José Carlos Francisco

87 – PROJECTO ZONA – ENTREVISTAS COM FIL E ANDRÉ OLIVEIRA, J. Machado-Dias
92 – ENTREVISTA COM WAGNER MACEDO, J. Machado-Dias
95 – Convidados de Wagner Macedo: ENTREVISTAS COM WILDE PORTELA E PAULO JOSÉ “Don Pajo”, Wagner Macedo
97 – GUERRA, MORTE E REENCARNAÇÃO NOS QUADRINHOS BRASILEIROS, Edgar Indalécio Smaniotto
100 – VIAJANTES DE PAPEL NA LUSOGONIA GRÁFICA 1, Osvaldo Macedo de Sousa
108 – AMADORA BD 2010 – UM FESTIVAL DE ATRASOS, Diogo Campos
110 – JAPAN WEEKEND LISBOA 2010, Pedro Trabuco
111 – ANIGAMIX 2011 – ENTREVISTA COM HUGO JESUS, J. Machado-Dias
112 – XVII O REGRESSO DO MOURA BD, J. Machado-Dias

COLABORAÇÕES: Clara Botelho, Dâmaso Afonso, Diniz Conefrey, Diogo Campos, Edgar Indalécio Smaniotto, João Miguel Lameiras, José Carlos Francisco, Leonardo De Sá, Osvaldo Macedo de Sousa, Pedro Cleto, Pedro Trabuco, Pedro Vieira Moura, Phermad, Sara Figueiredo Costa, Saverio Ceri, Wagner Macedo.
AUTORES DE BANDAS DESENHADAS E ILUSTRAÇÕES: Angelo Roncalle, Fernando Relvas, Maria João Worm, Nina Govedarica, Selma Pimentel, Wilson Vieira.

ALGUMAS PÁGINAS DA EDIÇÃO:



Por tudo isso, prezado Amigo Texiano não deixe de comprar esta edição do BDjornal, uma vez que se pode considerar um verdadeiro item de coleccionador de Tex! Para o adquirir, caso não se desloque ao Festival Internacional de Beja, onde ainda se encontra à venda, recomendamos o contacto via e-mail (bdjornal@gmail.com) com o editor Jorge Machado-Dias, mas caso seja um leitor oriundo do Brasil, temos uma boa notícia a dar-lhe:

O BDjornal #27 já está à venda na Redwood Comic,Nova Iguaçu, Rio de Janeiro

Como o BDJornal tem cada vez mais leitores no Brasil, muito por causa das constantes matérias dedicadas a Tex, mas não só, visando facilitar a aquisição a esses leitores, informamos que os BDjornal #25, #26 e #27 já estão à venda no Brasil, na loja online Redwood Comics, de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.

Fica muito mais barato para os compradores brasileiros – porque a Redwood compra em quantidade, o que permite reduzir os custos de envio de Portugal para o Brasil e o tempo de envio, comprando no próprio Brasil, deve ser também muito menor do que comprar directamente a Portugal, ou seja, é só vantagens…

Copyright: © 2011 BDJornal; J. Machado-Dias

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Pranchas originais de Tex, da autoria de Ivo MILAZZO, expostas no Festival Internacional de BD de Beja

Por José Carlos Francisco

Está patente em Beja, integrada na VII Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada dessa cidade alentejana, até ao dia 12 de Junho uma exposição com originais de Tex Willer ( assim como de Ken Parker, Tom’s Bar, Baden-Powell e Uomo Faber) da autoria de Ivo MILAZZO, consagrado desenhador que ilustrou um Tex Gigante que acabou sendo publicado em Julho de 1999: Sangue sul Colorado («Sangue no Colorado»; Tex Gigante 8, Mythos Editora), naquele que foi o décimo terceiro volume da colecção italiana e simultaneamente o primeiro trabalho de Ivo Milazzo após a dissolução da parceria artística com Giancarlo Berardi.

Aventura escrita por Claudio Nizzi, Sangue no Colorado tem um argumento credível, apaixonante e carregado de uma certa densidade dramática, onde Tex (acompanhado de Kit Carson, Kit Willer e Jack Tigre) vai a Carbon Valley, região mineira do Colorado, no Oeste Americano, em auxílio de um amigo a quem um rico proprietário pretendia roubar umas minas auríferas e onde Ivo Milazzo aproveitou para se confrontar com aquele que era o seu imaginário adolescente, metendo em jogo o seu profissionalismo com uma personagem que é um ícone da banda desenhada europeia e não somente italiana, tentando respeitar todos aqueles ditames ditados pelas características de Tex, inserindo obviamente também um pouco da sua própria personalidade, o que resultou em vinhetas essenciais, cruas, cortantes, num jogo de luzes e sombras, sugerindo em vez de mostrar, mas onde as suas personagens recitam sofrimento, drama, raiva, ódio, determinação e ironia, com uma eficácia rara de se encontrar. Escassos mas ágeis e fluidos traços que bastaram para contar uma história especial.

Ler uma história de Tex, é uma aventura maravilhosa,  mas poder apreciar os originais, é uma aventura muito maior. É uma daquelas coisas que nos ficará na memória para toda a vida. Quem ainda vier a Beja para ver as pranchas originais expostas no Festival, realizadas pelo desenhador italiano  poderá constatar isso mesmo. Até porque hoje a BD tem o estatuto de Arte – a 9ª – e os seus originais podem valer milhares de euros. Além disso, através da visão e apreciação ao pormenor dos originais, apercebe-se que entre a prancha desenhada pelo autor e a página que será impressa, por vezes há algumas mudanças, umas mais subtis, outras menos.

Para aguçar ainda mais a curiosidade e o desejo de se deslocarem a Beja, deixamo-vos com algumas fotografias da exposição dedicada a Ivo Milazzo e ao Ranger, até porque todos aqueles que visitaram este festival no fim de semana inaugural não lhe ficaram indiferente.

Por isso a todos os amantes da 9ª arte em geral e do Tex em particular e àqueles que têm curiosidade em conhecer um pouco mais do mundo de Tex Willer, o blogue do Tex convida-os a irem nos  próximos dias passear até Beja, aproveitando inclusive o feriado do dia 10, duvidando que se venham a arrepender da comparência na VII Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja!


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Ivo Milazzo e Tex, na revista “Splaft!” nº 7, de Maio de 2011

Texto da revista “Splaft!” nº 7 (Caderno Informativo da Bedeteca de Beja – catálogo do Festival), de Maio de 2011.

* José Carlos Francisco
Estudioso e coleccionador
Autor do blog Tex Willer

IVO MILAZZO E TEX

Concebida para não ser somente grande no formato, mas sobretudo grande na ideia que tinha na sua génese, assim como grandes foram também os autores que desde os seus primórdios foram chamados a concretizá-la. Falamos da série Tex Gigante que na Itália é denominada Tex Albo Speciale e que é publicada desde 1988, tendo como princípio o de pedir a alguns Mestres da 9ª Arte de se envolverem com a mítica personagem criada em 1948 por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini, Tex Willer, o mais antigo western da BD em publicação, para oferecerem aos leitores novas interpretações do protagonista, dos seus antagonistas e do seu mundo.

Assim sendo, foi com naturalidade que surgiu o convite efectuado pelo editor Sergio Bonelli para com Ivo Milazzo, magistral desenhador de western (e não só) e célebre autor de uma das personagens mais carismáticas da banda desenhada italiana, Ken Parker, para ser o desenhador de um Tex Gigante que acabou sendo publicado em Julho de 1999: Sangue sul Colorado («Sangue no Colorado»; Tex Gigante 8, Mythos Editora), naquele que foi o décimo terceiro volume da colecção italiana e simultaneamente o seu primeiro trabalho após a dissolução da parceria artística com Giancarlo Berardi.

Aventura escrita por Claudio Nizzi, Sangue no Colorado tem um argumento credível, apaixonante e carregado de uma certa densidade dramática, onde Tex (acompanhado de Kit Carson, Kit Willer e Jack Tigre) vai a Carbon Valley, região mineira do Colorado, no Oeste Americano, em auxílio de um amigo a quem um rico proprietário pretendia roubar umas minas auríferas e onde Ivo Milazzo aproveitou para se confrontar com aquele que era o seu imaginário adolescente, metendo em jogo o seu profissionalismo com uma personagem que é um ícone da banda desenhada europeia e não somente italiana, tentando respeitar todos aqueles ditames ditados pelas características de Tex, inserindo obviamente também um pouco da sua própria personalidade, o que resultou em vinhetas essenciais, cruas, cortantes, num jogo de luzes e sombras, sugerindo em vez de mostrar, mas onde as suas personagens recitam sofrimento, drama, raiva, ódio, determinação e ironia, com uma eficácia rara de se encontrar. Escassos mas ágeis e fluidos traços que bastaram para contar uma história especial, como disse o próprio editor Sergio Bonelli: «O seu estilo sempre personalizado, com o passar dos anos tornou-se mais sintético e aparentemente desenvolto, mas Ivo Milazzo continua a infundir alma e respiro tanto nas figuras, quanto na cenografia que cristaliza as grandes atmosferas das paisagens western.».

Quanto ao seu Tex em si, ele é mais parecido com aquele original de Aurelio Galleppini e não com o dos seus sucessores, numa espécie de retorno às origens, numa mistura entre Gary Cooper e John Wayne, devido ao facto de Ivo Milazzo conhecer muito bem Galep e consequentemente saber exactamente quais foram os seus modelos: Gary Cooper e o próprio Galleppini. Isto porque as várias interpretações pós-Galep tinham-no modificado e a Ivo Milazzo agradava-lhe a ideia de repreender o conceito original e a imagem que melhor o representava fisicamente era precisamente aquela de John Wayne, mas dando-lhe o rosto de Gary Cooper.

Copyright: © 2011 Revista “Splaft!“; José Carlos Francisco


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A arte de fazer felicidade e alegria: Ivo MILAZZO e os desenhos feitos em Beja

No decurso do VII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, o FIBDB 2011, Ivo Milazzo, que teve uma exposição dedicada à sua obra, brindou dezenas dos seus fãs presentes em Beja, com desenhos feitos no momento por si, para gáudio de todos..


Para além dos belos desenhos feitos na hora, distribuiu autógrafos e sorrisos assim como posou para fotos ao lado dos seus inúmeros fãs presentes naquela bela e pacata cidade alentejana e que foram até lá para vê-lo de perto, fazendo com que todos os seus admiradores presentes em Beja desfrutassem da sua simpatia,  disponibilidade e sobretudo arte, cultivando em elevado grau a arte de fazer feliz todos que o rodeavam, utilizando essa mesma arte para fazer felizes as pessoas ao seu lado, conforme se demonstra nesta sucessão de belas fotografias onde os possuidores dos tesouros autografados por Ivo Milazzo irradiam felicidade por todos os poros:


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Texto e fotografias de José Carlos Francisco
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