No momento em que a Mythos Editoraacaba de publicar no Brasil a sua centésima quinquagésima edição de Tex da série regular, um feito já de si notável, mas para a efeméride ser ainda maior, na capa do volume comparece um invejável número 500, o fã e coleccionador brasileiro de Tex, Rogério Oliveira, de Valença do Piauí, Estado do Piauí, Nordeste do Brasil, resolveu homenagear o Ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppinni, assim como todas as editoras brasileiras que possibilitaram que este marco histórico fosse atingido, com uma bela vídeo-montagem onde se pode ver, ao som de uma bela melodia, na rigorosa sequência todas as 500 capas de Tex publicadas no Brasil pelas editoras Vecchi, Rio Gráfica, Globo e Mythos, conforme se pode assistir de seguida:
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Jorge Carvalho: Nasci em Braga, Portugal, em 1 de Julho de 1970 e sou advogado.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Jorge Carvalho: É uma data difícil de precisar, já via BD sem saber ler, talvez aos 4 anos.
Quando descobriu Tex? Jorge Carvalho: Talvez aos 12, a primeira banda desenhada do Tex que li foi «Mistério na Mina», não gostei do argumento nem do desenho. A segunda história que li do Tex, não me recordo do título, era desenhada pelo Giovanni Ticci, para mim um dos melhores criadores gráficos do Tex, o argumento era sobre um navajo que queria retirar a liderança dos mesmos a Tex, a história acabou com o rebelde e seu exército vencidos por Tex, e o rebelde sem o seu escalpe, retirado por Tex, e abandonado aos lobos. Foi a partir daqui que comecei a gostar de Tex.
Porquê esta paixão por Tex? Jorge Carvalho: Desde criança sempre gostei de BD, desde a clássica estado-unidense até à contemporânea norte-americana, desde a franco–belga até os fumetti italianos. Gosto de todos os géneros de BD e todas as correntes, embora obviamente tenha preferências.
Gosto bastante de Western, seja na BD seja no cinema. Adoro Ken Parker, Tenente Blueberry, Comanche, gosto de Zagor, Mágico Vento também, embora no passado tenha sido infinitamente melhor, considero que a série está em decadência, passou de sublime para desinteressante, outros que gosto; Rick o´Shay, Latigo, Matt Marriot…
Tex cativou-me pelos argumentos e pelos desenhos. É um western cinematográfico, sendo não só muitas vezes inspirado pelo cinema western, como também chega a plagiar sequências e até argumentos inteiros de alguns westerns americanos e italianos.
Por exemplo: Rio Bravo de Howard Hawkes, com o mítico John Wayne e Dean Martin, numa história desenhada por Jesus Blasco, penso que o título será «A Cidade do Medo». «O Bando dos Irlandeses», cuja capa e parte final da aventura é claramente retirada de «The Wild Bunch» de Sam Peckimpah, talvez o melhor western de sempre. Isto apenas a nível exemplificativo, pois outras aventuras de Tex tinham referências a vários westerns (só num Almanaque de Tex, ilustrado por Civitelli, havia múltiplas vinhetas que eram assumidamente decalcadas de westerns notórios, como «My Darling Clementine» de John Ford, com Henry Fonda. De notar que estas três histórias referenciadas se encontram entre as minhas preferidas de Tex. Tex apresenta uma qualidade desigual, consoante o argumento e o desenho, às vezes banal outras sublime. Gosto da determinação inabalável da personagem, embora o seu método muito sui generis de retirar informações aos criminosos seja reprovável perante todos os ordenamentos jurídicos vigentes, não podendo nunca a prova, por ele obtida mediante a sua forma peculiar, ser valorada para efeitos jurídicos. Neste âmbito gosto do modus operandi do Punisher, da Marvel, pelo que, não obstante a minha profissão, aprovo a forma de obtenção de informações do Tex, apesar de anti-jurídica.
Tex é eficiente no que faz e imbatível.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Jorge Carvalho: Parte de um modelo predefinido com algumas variações, mas apesar deste ponto de contacto com inúmeras outras personagens, conseguiu, pela sua longevidade e evolução atingir um estatuto de culto primus inter partes.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Jorge Carvalho: Talvez 400, nunca contei. O filme ou a história mais importante é sempre difícil de elencar. Algumas das mais importantes: O Caçador de Fósseis, Os Assassinos, A Cidade do Medo, entre outras.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Jorge Carvalho: Apenas livros.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Jorge Carvalho: Miniatura do Tex, desde que bem concebida.
Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Jorge Carvalho: Fabio Civitelli, Alfonso Font, Giovanni Ticci, Fernando Fusco, Jesus Blasco, aprecio-os de igual maneira, quanto ao pior, Galep. Argumentista não tenho um preferido em particular, mas gosto de argumentos que não sigam o padrão, como Os Quatro Assassinos, de Joe Kubert, ou o Tex anual do Alfonso Font (Território Selvagem) e As Duas Faces da Vingança, outro Tex anual desenhado por Miguel Angel Repetto.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Jorge Carvalho: Mais, a acção, a emoção, alguns autores gráficos. Menos, certos segmentos das histórias como as longas e monótonas exposições de Tex e dos vilões quando discursam sobre conjecturas e planos. Cortam bastante o ritmo narrativo de um género que se requer rápido.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Jorge Carvalho: André Bazin, célebre crítico cinematográfico disse «O western é o género nobre do cinema americano». Tex é a transposição das grandes obras-primas do western cinematográfico para a BD. O seu sucessor noutra mídia. Além de que é refrescante ler uma história bem escrita e bem desenhada de Tex.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Jorge Carvalho: Sim, gostaria é que fosse mais vezes.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Jorge Carvalho: Ad eternum, se evoluir sempre, há certos elementos que ficam datados e têm de ser eliminados, outros terão de ser introduzidos. Tex não pode ficar sempre preso a uma fórmula imutável sob risco de desaparecer, por exemplo, há que desenvolver mais as personagens secundárias e não serem tão unidimensionais. Há que fazer uma abordagem psicologicamente mais densa das personagens principais.
Prezado pard Jorge Carvalho, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Enquanto aguardamos a tão esperada e já mítica edição número 500 da revista Tex, quero fazer uma homenagem há já também histórica centésima edição desta mesma série Tex. Lançada no ano de 1979 pela competente editora Vecchi, naquele mês de Junho, a centésima revista do Ranger mais famoso dos quadradinhos chegava a todas as bancas do imenso Brasil trazendo uma simples chamada de capa onde se lia apenas o seguinte: ESPECIAL – Uma aventura completa!
A capa desta especialíssima edição vinha desenhada por um autor Brasileiro (não era novidade, pois no número 94, também uma edição especial de fim de ano, o capista era o desenhista Brasileiro Watson Portela) Renato Sbrissa!
A edição foi um marco para todo fã e coleccionador de Tex, pois pela primeira vez no Brasil tinha-se conhecimento de diversos detalhes de bastidores sobre a produção das histórias e também sobre os seus autores.
Com o titulo de “Assim é Tex”, Paulo Vieira, iniciava um lindo artigo, ilustrado com vários quadros, onde mostrava um pouco do universo Bonelliano da época. Além das biografias de G.L.Bonelli e Galep, o texto trazia esboços de roteiro de uma aventura onde se dava a conhecer a maneira como Bonelli preparava para o desenhador as páginas que ia roteirizando. Também de maneira genial, o editor colocou diversas imagens do rosto de Tex interpretado por vários desenhadores da época!
Mas este número centenário era deveras muito especial e ainda ia trazer mais um grande mimo para os milhares de fãs e coleccionadores apaixonados por esta imortal criação dos mestres Bonelli e Galep: um caderno com TODAS as 100 capas da colecção. Pela primeira vez era feito algo assim no Brasil! Pelo menos eu não me lembro de nenhum outro título que tenha elaborado uma galeria de fotos de capas antes desta. Num momento onde ainda não havia a Internet, onde pouquíssimos tinham acesso a um telefone, onde fotocópias ainda eram coisas apenas para grandes empresas, onde a comunicação se dava através de cartas, a informação era algo ainda restrito a poucos, o leitor e coleccionador ter de repente, a apenas um folhear de páginas, TODAS as capas do título coleccionador, foi algo sem precedentes.
Dava-nos júbilo ver todas aquelas capas, poder dar uma imagem àqueles títulos que víamos nas relações de histórias já publicadas e que só podíamos imaginar como seriam. Tex nº 100 foi uma revista realmente feita para ficar marcada na história da editora Vecchi e hoje quando estamos às portas de comemorar a edição de Tex nº 500 esta justa homenagem a este grande momento da banda desenhada pareceu-me pertinente e necessária.
Foi a primeira e última vez que vimos algo assim, pois alguns anos adiante a Vecchi deixaria para sempre as bancas brasileiras. Mas o nosso Ranger não ficaria no limbo, outra grande editora assumiria a tarefa de seguir levando mensalmente a todos nós as aventuras de Tex e seus pards. Mas aí, como costuma dizer o titã… já é uma outra história!
TEX Nº 100 – Primeira edição – AVENTURA EM UTAH! – Editora Vecchi – 1979
Autores : G.L.Bonelli e A.Galleppini
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(Texto publicado originalmente noBlogue Zona Franca Comics, em 28 de Junho de 2011) [1] Coleccionador de Banda Desenhada desde 1976 Contacto:zonafranca34@hotmail.com
Com inauguração marcada para 20 de Agosto, em Santo André, um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de São Paulo, a exposição “Tex 500 Brasil“ que decorrerá até 28 de Outubro, com entradas gratuitas para todos que comparecerem a mais este importante evento que se realizará na Gibiteca da Biblioteca Nair Lacerda.
A ideia que tem o apoio oficial da Prefeitura de Santo André e da Mythos Editora, nasceu da mente de um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex, não somente do Brasil, mas de todo o mundo: Adriano Rodrigues Rainho, possuidor de uma invejável colecção de Tex e conhecedor profundo do mundo de Águia da Noite, que já o ano passado tinha participado com o seu acervo para a Exposição dos 60 anos da revista Pato Donald, que durou 3 meses, exposição essa que foi um enorme sucesso e teve a participação e colaboração da Editora Abril, isto porque Adriano Rodrigues Rainho é não somente um coleccionador de Tex, mas de banda desenhada em geral.
No dia da inauguração irá realizar-se uma palestra de Adriano Rodriges Rainho abordando os Valores Morais de Tex, havendo também a grande possibilidade da palestra também contar com a presença de Gervásio Santana de Freitas, divulgador, pesquisador e também coordenador do Portal TEXBR, o qual administra de forma profissional, transparente e eficaz desde Agosto do ano 2000. A organização também pretende convidar o editor Dorival Vitor Lopes, da Mythos Editora, assim como o letrista Marcos Maldonado, os tradutores Paulo Guanaes e Júlio Schneider e ainda Gonçalo Júnior e G. G. Carsan, autores de livros temáticos dedicados a Tex.
O evento contará ainda com exposição de revistas, livros, estatuetas e diversos outros itens de colecção, com destaque para a colecção completa de Tex (Vecchi, Rio Gráfica, Globo e Mythos) a partir inclusive da Revista Júnior publicada na década de 50 (Rio Gráfica), além de muito material internacional, oriundo dos diversos países onde Tex foi publicado nestes mais de 62 anos de vida editorial. Destaque-se ainda o encontro de coleccionadores, exibição do filme “Tex e o Senhor dos Abismos”, exibição de slides, banca de troca de revistas, Workshop de desenho, espaço dos fãs (cosplay), brincadeiras e sorteio de brindes.
PERANTE TUDO ISTO (E MUITO MAIS QUE A SEU TEMPO SE SABERÁ) VOCÊ CARO TEXIANO NÃO PODE FALTAR!
Para publicitar esta exposição dedicada ao Tex nº 500, foi realizado um belo cartaz, baseado precisamente na capa da quinquagésima edição de Tex oriunda do Brasil, como se pode ver de seguida:
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